Senhor Jes++s



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Gerson Sestini

.... muitos nomes, alguns ressurgiram do passado desconhecido de nós, de nossa terra natal...
Quando contei a meu irmão Hilário que seu amigo, Professor Cícero Barbosa Lima, havia dado uma mensagem através do Chico e que eu testemunhara o fato, em Uberaba, ele admirou-se muito. Naquele momento, talvez lhe perpassasse pela mente o desejo que sempre tivera de conhecer Chico pessoalmente. Dois meses após este contato, Hilário desencarnava repentinamente, vítima de um enfarte fulminante, aos 54 anos de vida terrena. Com pouco mais de três meses, ei-lo, em espírito, transmitindo uma mensagem a nossa mãe, em concorrida reunião pública no Grupo Espírita da Prece.

Professor Cícero fora Presidente do Lions Club em Votuporanga, Estado de São Paulo, e desencarnara a 25 de novembro de 1975. Meu irmão era Presidente do Rotary Club Norte em São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, na ocasião em que se deu o desenlace, a 30 de março de 1976.

Naquela sexta-feira, 16 de julho, procuramos o Chico, sem pretensão de recebermos mensagem de nosso irmão. Algumas palavras de consolo ou qualquer notícia ser-nos-iam gratificante, principalmente à nossa mãe, Maria Sestini, que se restabelecia de grave enfermidade naqueles dois íntimos anos, recebendo de Chico uma especial atenção em forma de apoio moral e espiritual.

O afluxo de pessoas que chegavam de várias partes do País. talvez por ser o mês de julho coincidente com férias escolares, impossibilitava o atendimento a todos que procuravam falar com o médium. Na extensa fila conheceramos uma senhora que viera de Lião, terra natal de Allan Kardec, e nos empenhamos para que ela chegasse junto ao Chico antes de encerrar-se o atendimento inicial, a fim de cumprimentá-lo. Sem conhecer nosso idioma, tal senhora esforçava-se para dizer que "não queria morrer sem antes abraçar Chico Xavier": Emocionante encontro...

Por volta da primeira hora do dia 17, o médium retornava à sala, depois do receituário. Fazia frio, mas nossa mãe não quisera permanecer no hotel, retornara conosco à reunião como que movida por uma intuição, uma energia maior que lhe renovava as forças para o reencontro com o primogênito através do lápis que, nas mãos de Chico, ganha novas dimensões nesta era da esferográfica.

No profundo silêncio da madrugada, saudosos corações palpitavam ansiosos. Eram mães, cônjuges e parentes de entes queridos que partiram para o Além, mas que ficam retidos em nossos campos mentais e emocionais, o que, muitas vezes, ocasiona desespero, quando inconformados permanecem os que ainda nesta vida física têm tarefas a realizar. A tão almejada mensagem iniciara-se. O canal mediúnico fora ligado "de lá para cá", como sempre afirma nosso querido Chico, e o comunicante era a incógnita, a resultante de inúmeras variáveis daquela reunião. Escoou-se uma hora, lentamente. Sobre a mesa acumulara-se quase uma centena de laudas quando o médium parou de escrever.

A mensagem inicial viera assinada por Bezerra de Menezes. que analisava nossas forças mentais, reportando-se, indiretamente, aos fenômenos produzidos por Uri Geller através da televisão brasileira.

Depois, ante a expectativa geral, a voz serena du médium declinou nossos nomes, constantes na saudação inicial, e a emoção do reencontro tomou conta de nós. Mal podíamos ouvir, impossibilitados que estávamos de maior aproximação da mesa.

Entre as frases que procurávamos assimilar, destacamos este trecho: "Comunico-me na forma do viajor que está vivendo o inesperado. Não entendo meu novo clima com muita segurança mas sei, com raciocínios lógicos, que estou vivo, e isto, agora, é tudo para mim. A morte é uma sombra. uma espécie de barreira que a verdade com Jesus nos ensinará a derribar pouco a pouco".

Francisco Cândido Xavier é o mais fiel instrumento que conhecemos em nosso tempo para que a sombra, a barreira da morte física comece a diluir-se diante da humanidade, ainda atônita e perplexa em em face de esse fenômeno natural, esta humanidade presa aos dogmatismos religiosos e científicos dos séculos. Ele figura entre os precursores de uma nova era para o homem, pois, como o homem que vive o Evangelho de Jesus, encarna para nós o modelo do habitante terrestre dos futuros milênios. Seus 50 anos de atividades mediúnicas, ligadas à Espiritualidade Maior enriqueceram nosso patrimônio filosófico, científico e religioso, descortinando de maneira objetiva o mundo espiritual e ampliando as bases da Codificação Espírita.

Conheci-o quando eu era bem jovem, numa tranqüila tarde. no momento em que se encerrava o expediente da Fazenda Modelo, onde ele trabalhava, em Pedro Leopoldo. Foi precisamente no dia 02 de julho de 1954. Naquela época ele era mais gordo, fisicamente mais forte, e sua jovialidade me encantou. Por mais que eu o quisesse imaginar antecipadamente, a impressão que me causou foi profunda, despertando-me sentimentos nobres e o senso de responsabilidade para com meus futuros anos de labor espírita. Posteriormente, quando se mudou para Uberaba, ficou mais fácil revê-lo, o que se deu muitas vezes, pois, residindo com minha família em São José do Rio Preto, onde eu cursava faculdade, as distâncias encurtaram-se.

Desde o tempo em que conheci o Chico, embora nunca tivesse privado em sua intimidade, testemunhei fatos irretorquíveis referentes a nomes, datas e locais citados através da psicografia ou oralmente.

Por volta do mês de julho de 1961, assisti a uma comunicação dada pelo espírito de um jovem, dirigida a seus familiares, residentes em Ponta Grossa, Paraná, presentes na Comunhão Espírita Cristã. Vivera um pungente drama que, segundo se afirmava, o Chico não tivera conhecimento antes da mensagem. O rapaz fora morto acidentalmente por um seu amigo no jardim de sua casa, vítima de um disparo de revólver, justamente na festa de seu aniversário. Depois de detalhar seus últimos momentos no corpo que se extinguia, em linguagem vívida, rogava ainda à sua mãe e aos parentes, que procurassem o amigo que lhe fora o instrumento de separação, e o consolassem também, pois este alimentava idéia de suicídio. Toda uma ala daquela pequena sala de reuniões entrou em convulsivo pranto; a prova da sobrevivência chegava aos corações doloridos confortando-os e reanimando-os, além de trazer um importante pedido: o perdão e a reconciliação para com o inesquecível amigo.

Quanto à mensagem de meu irmão Hilário, tivemos a confirmação de que, nas dimensões do além-túmulo, o tempo pode retroagir e o ambiente etérico do passado tornar-se uma realidade, pois ele reviu-se menino, por contingências próprias ao seu espírito, no Rio Preto da década de 20, recebido e amparado por entidades que lá viveram, cercado por construções, tais quais eram naquele tempo. Muitos nomes, alguns desconhecidos de nós, ressurgiram do passado de nossa terra natal. Por felicidade. possuímos em casa um volumoso e raro trabalho, amplamente ilustrado, obra de valorosos pioneiros da época, intitulado "álbum da Comarca de Rio Preto", datado de 1929. Nele encontramos as referências feitas na mensagem, com exatidão, um verdadeiro levantamento histórico daquilo que continua sendo o presente. Chico nos disse depois que as cidades têm expansões etéricas no futuro, e lá vivem aqueles que alcançaram maior evolução global. E assim deve ser nas dimensões do Mundo Espiritual, caso contrário, como se explicaria as precognições tão amplamente constatadas?

Muitas lições e muita beleza o Chico nos mostra com sua simplicidade, singeleza e humildade. Sua presença entre nós suscita-nos a esperança de um mundo melhor, ânimo para continuarmos batalhando pelos ideais superiores, mesmo quando tudo nos pareça adverso. Junto a ele, com o exemplo de irmão espiritualmente mais velho, nos sentimos seguros, com um lugar ao Sol na Seara do Cristo, dentro de nossas ainda inexpressivas tarefas individuais - amparados pelo Amor Divino em busca da tão almejada felicidade integral, apanágio de cada um de nós.
Leila Sahb Inácio da Silva
...um espírito profundamente bondoso, inteligente e evangelizado...
Numa terça-feira. 19 de fevereiro de 1974. Meu filho Izidio foi acidentado. Seu companheiro mais conhecido por Zé da Brahma faleceu no local e Izidio desencarnou depois de coma de seis dias.

A morte prematura ele Izidio deixou-nos todos desolados e só quem já passou por uma experiência dessa pode avaliar o tamanho e o grau da dor que marcou o coração.

Meu marido, homem alegre e trabalhador, excessivamente apegado ao filho caiu num estado de desanimo e tristeza que passou a preocupar seriamente todos da família.

Recebemos continuamente de amigos e dedicados religiosos de várias Igrejas os mais carinhosos testemunhos de apoio moral e espiritual, mas a situação era a mesma.

Espíritas amigos deram-nos vários livros para ler e o consolo mais valioso que encontramos foi no Capítulo quinto (V) de “O Evangelho Segundo o Espiritismo que trata de consolo geral a todos os sofrimentos, inclusive os que se referem a perdas de pessoas amadas e as mortes prematuras”.

Fui levada nessa ocasião a um Centro Espírita de Goiânia, a “Irradiação Espírita Cristã”, casa bendita de orações onde não faltou carinho, as atenções e o passe com que todos procuravam nos transmitir o conforto e a ajuda espiritual. E através da orientação da querida presidente D. Maria Antonieta Alessandri Figueredo, comecei a trabalhar nas obras assistenciais do referido Centro. Trabalhos esses que muito me alegra, porque faço em intenção de meu filho.

Em meados de 1974. Francisco Candido Xavier foi trazido a Goiânia pelo querido Deputado Lucio Lincoln de Paiva, onde na Assembléia Legislativa recebeu o titulo de Cidadão Goianiense.. Não conseguimos entrar no recinto da Assembléia devido ao acúmulo de admiradores do Grande Médium. Mas não desanimamos. Sabendo que após as cerimônias ele iria comparecer ao Instituto Araguaia para uma noite de autógrafos, para lá nos dirigimos com o esposo desolado. Enfrentando uma grande fila conseguimos lá pelas duas da madrugada conhecer e falar rapidamente com o bondoso Chico Xavier que nos disse palavras de conforto convidando-nos para irmos a Uberaba. Aproveitamos a oportunidade e demos um retratinho do filho amado para Chico Xavier.

No dia 12 de outubro do mesmo ano fomos a Uberaba e até o momento da mensagem só mantivemos contatos impessoais com Chico Xavier.

A mensagem veio na reunião pública diante do assombro de todos. Foi um conforto imenso para a família triste que nela encontrou a certeza da sobrevivência do Espírito de nosso filho, visto pela sua carta repleta de fatos, referências e informações que não podiam deixar qualquer dúvida sobre a sua espantosa autenticidade.

A mensagem de lzídio foi publicada em vários jornais de Goiânia e por iniciativa também do Professor Múcio de Melo Álvares as palavras de lzídio chegaram a mais de 600 cidades e cerca de um milhão de pessoas, através do seu belíssimo Programa espírita "Luzes do Consolador", que se realiza as terças feiras, no canal 2, TV Anhangüera. Graças a abençoada mediunidade de Chico Xavier, meu filho, ajudado por Espíritos iluminados que assistem ao grande médium. consolou pela Televisão milhares lares e pais e sons palavras de alento e de fé, de confiança em Deus e resignação, de incentivo à mediunidade e de convite à reforma íntima e prática do bem, tiveram imensa repercussão.

Assim que a misericórdia do Alto nós proporcionou a primeira mensagem de nosso filho lzídio não podemos deixar de mencionar o muito que recebermos também no Centro Seareiros do Cristo, através de um Espírito profundamente bondoso, inteligente e evangelizado que se incorpora em nossa amiga Elba de Melo Álvares, num eficiente e maravilhoso tratamento espiritual que se realiza a mais de quatro anos, nas terças e quintas feiras.

Esse Espírito amigo sugeriu-nos oferecer aos que perdiam os entes queridos, juntamente com a mensagem de Izídio, os livros de Allan Kardec e os de Chico Xavier, dentre os quais destacamos "Presença de Chico Xavier", "Entre Duas Vidas", "Relicário de Luz", "Mensagem do Pequeno Morto", e, ultimamente "Jovens no Além" e "Somos Seis".

Recebemos, depois, mais duas mensagens de Izídio, através da Psicografia de Chico Xavier. A segunda no dia 20 de agosto de 1976 e a terceira a 20 de agosto de 1977.

As duas mensagens de Izídio, identificando fatos íntimos notáveis que ocorriam na família, dando notícias de tudo como se ele estivesse presente entre nós, causaram-nos também impactos e assombro.

Eram provas autênticas da imortalidade e de tudo que já estávamos lendo e aprendendo nos livros espíritas. Encheram-nos os corações de alegria, esperança e incentivo para nos melhorarmos cada vez mais e servirmos ao nosso próximo como se o próximo fosse o nosso filho querido.

Provando a imortalidade da alma, consolando aos que sofrem, orientando aos que erram e mostrando o mesmo caminho que Jesus ensinou aos homens. Há dois mil anos, temos para nós que Chico Xavier trouxe para o mundo um acontecimento muito maior do que a ida do homem à Lua. Sobretudo neste campo das cartas do mundo Espiritual, em que se beneficiam não apenas os mortos vivos do Além porém mais ainda os vivos mortos de saudade do Aquém.

Vale a pena transcrevermos aqui as palavras do médico e pregador espírita de Goiânia Dr. Delfino da Costa Machado, publicadas no Jornal Cinco de Março:

- "Temos visto ali, em Uberaba, no Grupo Espírita da Prece, criaturas a quem faltava só o sepultamento, pois estavam mortas na desolação, que ao final de psicografia, depois de chorarem de emoção, reacenderam na alma a chama da alegria e recuperaram na expressão do rosto as claridades da esperança e da paz. Verdadeiras ressurreições."

Para mim, Chico Xavier e a Doutrina Espírita são as luzes Divinas que nus conduzem às pegadas do Cristo.

Que Deus nosso Pai derrame sobre este querido benfeitor amigo, as suas santas bênçãos por toda a eternidade.




Romeu Grisi
...tanto em Pedro Leopoldo, com em Uberaba, Chico espiritualmente continua o mesmo...
Devemos ao professor Romeu de Campos Vergal nossa primeira visita a Pedro Leopoldo, cidade onde então residia Chico Xavier. O consagrado orador espírita e ilustre parlamentar, numa de suas idas a São José do Rio Preto, após uma palestra proferida no Centro Espírita Rodrigo Lobato, convidou-nos para integrarmos uma caravana que iria a Pedro Leopoldo. Aderimos ao convite, uma vez que desde a adolescência aspirávamos conhecer o médium - nascidos que tomos em lar espírita:

O Centro Espírita Luiz Gonzaga, tal como o conhecemos na noite de 14 de junho de 1948, era menor que o atual Grupo da Prece da cidade de Uberaba. Algumas paredes não se revestiam de reboco; a mesa e os bancos turcos de madeira não haviam recebido verniz e nenhum acabamento especial; mobiliário rústico e indispensável; um caixote à guisa de biblioteca fixado na parede. Nele se alinhavam várias obras recebidas pelo querido médium, como se elas representando as palhas humildes da manjedoura, encontrassem de novo o pensamento vivo de Jesus a traduzir-se no esforço de seus mensageiros que lhe restauravam o verbo. A humildade de Chico confundia-se com a simplicidade ambiente. Seu amor desvelado derramava paz e alegria em nosso favor. O recinto comportava perfeitamente a assembléia presente. Distante, muito distante nos, encontrávamos do programa Pinga-Fogo, dos meios de comunicação da fase atual. Era o alvorecer de uma nova era.

Retornamos a Pedro Leopoldo, pela segunda vez, no início de julho de 1954. Mamãe havia regressado à vida espiritual, alguns meses antes. Embora a convicção espírita nos fortalecesse o coração e a sentíssemos em nova fase de experiências. um impulso espiritual nos impelia a buscar o médium. fomos para abraçá-lo, pois conhecíamos a força do seu amor. Havíamos, no intervalo que medeia nossas duas viagens, trocado várias cartas, porém, desde o desencarne de mamãe nada havíamos escrito. Não buscávamos provas, pois nenhuma dúvida nos atormentava quanto aos problemas da imortalidade e comunicabilidade dos espíritos, mas há momentos que necessitamos do auxilio maior junto aos corações amigos. Chico conversou conosco mais de uma hora, antes de concentrar-se, narrando-nos com detalhes impressionantes tudo o que se relacionava com a doença de nossa mãe, os dias que esteve hospitalizada após a cirurgia, nossas preces e o intercâmbio de espíritos familiares e Benfeitores de nosso grupo com a equipe de Pedro Leopoldo.

Após dado momento, Chico nos diz:: "Vocês conhecem o espírito Romeu de Angelis?"

- Conhecemos, respondemos nós. É o Guia de nossa mãe. Prosseguindo, Chico torna a dizer: "Numa noite em que me encontrava psicografando, uns oito dias antes do desencarne de Dona Elvira, apareceu-me, pedindo socorro, o espírito Romeu de Angelis, que me relatou tudo o que estava se passando com aquela irmã, internada no Hospital Santa Catarina, em São Paulo. Assim, uma equipe de socorristas, comandada pelo espírito André Luiz, foi àquele local, dando-lhe assistência necessária até o seu desencarne."

Como se observa, Chico nada sabia a respeito do que vinha acontecendo com nossa mãe, uma vez que, como dissemos acima, nada havíamos escrito nesse sentido. Para relatar-lhe essa ocorrência, funcionou o Correio da Espiritualidade, através do seu mensageiro, o espírito Romeu de Angelis, dando, desse modo, o grande médium, mais uma prova do grande poder de penetração no campo maior da espiritualidade.

Pelo que foi narrado, guardávamos a impressão de que Chico estivera conosco todos aqueles dias de sofrimento, proporcionando ao fato novas e surpreendentes dimensões, haja visto a mensagem recebida e inserida mais tarde no livro "ENTRE DUAS VIDAS", CAPÍTULO 19, intitulado "ESPOSA E MÃE".

A influência que a carta de mamãe e os contactos com o Chico exerceram em nossas vidas, são indescritíveis. A mediunidade de Chico aliada à sua bondade e sabedoria, encanta as criaturas.

Ao fixar residência em Uberaba, desde 1959, temos visitado o amigo periodicamente. Assim como fomos guiados pelo ilustre professor Romeu de Campos Vergal, procuramos, na medida do possível, retribuir essa gentileza, servindo de ponto de contacto, junto ao Chico, a centenas de pessoas residentes em Votuporanga e região.

Certa feita, em Uberaba, o confrade Farid Mussi, de São José do Rio Preto (SP), encontrava-se na fila, no "Centro Comunhão Espírita Cristã", esperando a sua vez. E, quando esta chegou, Chico disse-lhe: "Encontra-se ao seu lado uma entidade que deseja agradecer-lhe os favores recebidos através de uma prece. Diz ela chamar-se Maura de Araujo Javarini, tendo vivido e desencarnado em São José do Rio Preto (SP), em 1932." No momento, o senhor Farid não se lembrou de ter prestado qualquer auxílio que merecesse tal agradecimento. No dia seguinte, o senhor Farid rememorando essa ocorrência, veio-lhe à lembrança de que em tempos idos, passando por uma padaria. situada nas proximidades do TATWA-Circulo Esotérico da Comunhão do Pensamento, em São José do Rio Preto, teve notícia de que a esposa do padeiro se suicidara. Nessa ocasião, não era espírita, mas sim secretário do referido TATWA, e condoído da infelicidade dessa senhora, tirou do bolso um caderninho de notações e nele anotou o nome de Maura de Araujo Javarini, dirigindo-se ao Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, uma vez que a reunião da noite estava prestes a se realizar.

Tanto em Pedro Leopoldo, como em Uberaba, Chico, espiritualmente continua o mesmo, atendendo a todos com o mesmo carinho e amor, muito embora, a cena panorâmica ser bem diferente da do Centro Espírita "Luiz Gonzaga", onde o número de pessoas era diminuto.

Para terminar, é oportuno relatar que a comunidade espírita votuporanguense muito recebeu e muito vem recebendo através das mãos abençoadas do Chico: mensagens e mais mensagens comprobatórias e insofismáveis da imortalidade da alma, de amigos, parentes e diretores do "Centro Espírita Emmanuel". Dentre elas convém destacar as recebidas de Lidai Benini, Hilário Sestini, professor Cícero Barbosa Lima Jr., Doutor Orlando Van Erven Filho e Carlos Alberto Andrade Santoro.

Quanto à mensagem do professor Cícero Barbosa Lima Jr., destaca-se uma ocorrência, não inserida no seu contexto, que nos pareceu, no momento, sem sentido. Na tarde em que se deu a mensagem, no Centro Espírita da Prece, em Uberaba, Dona Chamena, viúva do referido professor, foi interpelada por Chico: "A senhora se lembra de um educador famoso, cujo nome foi dado à escola de comércio, dirigida pelo professor Cícero?" Não, respondeu Dona Chamena. Chico tornou a dizer-lhe: "O espírito presente, desse educador, cuja identidade ele não quer revelar, insiste em dizer sim."

Passados muitos dias, numa palestra entre confrades, vindo à tona esse acontecimento, antigos alunos e professores daquela escola, revelaram que antes de ser "Escola de Comércio Cruzeiro do Sul", dito estabelecimento de ensino tivera a denominação de "Escola Comercial Horácio Berlinck", como homenagem prestada, pelos fundadores ao emérito educador, membro da Fundação "Álvares Penteado" de São Paulo.

Ante tantas revelações de sobrevivência do espírito, provada de uma maneira exaustiva e sempre surpreendente, podemos repetir com Chico: "A VIDA É FATAL".



Isabel Bittencourt de Souza
... coração de infinitos raios de amor...
Vovó, espírita convicta, residindo em Caratinga, e com muita vontade que mamãe pudesse estudar, matriculou-a na Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora, na cidade de Ponte Nova, onde mamãe ficou interna desde a infância até a idade adulta. Portanto, todo ensinamento e base religiosa de mamãe foi católica.

Mamãe casou-se e após sete anos perdeu seu primeiro filho, João Campos Bittencourt. Nesse passamento recebeu seu primeiro livro espírita das mãos do poeta Vallado Rosas que fazia parte do grupo Espírita familiar, juntamente com titia Adelaide Coutinho, conhecida mais por Dadá. Nessa época era muito difícil falar em Doutrina Espírita.

Ainda de convicção católica e em Caratinga, perdeu mais um filho, Antônio Bittencourt (Tonico).

Em 1930 a família mudou-se para o Rio de Janeiro, quando conheceu Aura Celeste, fundadora do Asilo Espírita João Evangelista.

Dessa época em diante mamãe abraçou o Espiritismo como sua Doutrina, com muito entusiasmo.

Em 1 de maio de 1943, passou-se a desencarnação de minha irmã Agar, médica. Apesar de seguidores da Doutrina, não contínhamos as lágrimas da saudade.

Em setembro desse mesmo ano, dentro do nosso relacionamento comum, conhecemos o Sr. Manoel Quintão, então Presidente da Federação Espírita Brasileira, por intermédio de minha cunhada, Eunice Quintão Rangel Bittencourt, sua sobrinha. Para nossa felicidade, em uma das costumeiras visitas que Chico fazia ao Sr. Manoel Quintão, viemos a conhecê-lo. Isto em 19.9.1943 e, nesse mesmo encontro, ampliou-se nossa felicidade, pois recebíamos a primeira mensagem de Agar.

O tempo passava e Maria Aparecida, outra irmã, também médica, vem através de desencarnação por acidente automobilístico, enfeixar uma vez mais a tristeza em nosso lar. Isto em 16.1.1951.

O importante, que Chico telefona para nossa família para nos consolar e mediunizado, Agar por seu intermédio falou diretamente com mamãe, confortando e consolando-a, dizendo-lhe que Maria Aparecida partira com acervo espiritual muito grande.

Em certa ocasião, numa confirmação pura de sua mediunidade, Chico nos surpreende com um recado de Maria Aparecida, que estava presente dizendo que: "A pulseira que sua madrinha Adelaide Pinto Duarte lhe dera por ocasião de suas núpcias, perdera-se no acidente".

Como sabíamos desse seu presente, após sua desencarnação a família procurou-o, não o encontrando.

Aconteceu o passamento do meu quinto irmão, Antônio Ildefonso Bittencourt Filho, jornalista. Mamãe nesse dia estava em Pedro Leopoldo e, antes que qualquer contato fosse feito, Chico tomou conhecimento por seus amigos espirituais logo que ocorreu o acidente automobilístico em 5.3.1953. Não sabia curro falar à mamãe.



Quando começou a dizer "Dona Esmeralda, houve um acidente, o Antônio...", não precisou dizer mais nada, mamãe percebeu o que acontecera e imediatamente voltou ao Rio.

Os queridos leitores poderão notar que Chico apresentou-se em nossa vida da maneira mais benéfica que se possa imaginar. As mensagens e os recados dos amigos espirituais e dos familiares, são inúmeros, haja visto que mamãe, devotada e agradecida, compilou juntamente com Ismael Gomes Braga, que atuou em suas diagramações, os quatro livros, Relicário de Luz, Dicionário da Alma, Cartas do Coração e Nosso Livro, onde muitas mensagens ali estão impressas.

Ninguém que convive com Chico pode deixar de se impressionar com sua bondade e com suas alegrias em amparar as criaturas humanas.

Coisas lindas pude observar ao lado de Chico; por volta de 1956, estávamos na sua residência e, como sempre, fazíamos as reuniões à noite. Havia um grupo de confrades de Belo Horizonte. Feita a prece, percebíamos que as pessoas dessa cidade traziam retratos de amigos desencarnados e Sheilla aplicava substância fluorescente nesses retratos. Mamãe pesarosa dizia: "Que pena, não trouxe os retratos das meninas."

Sheilla, captando seus pensamentos, falou:

"Que pena, não Esmeralda!

Quando mamãe menos esperava, em seu colo estavam os retratos de Meimei, Agar e Maria Aparecida.

Cabe aqui um pequeno esclarecimento.

Mamãe estava com esses retratos trancados em seu armário, deixando a chave com minha irmã Maria Auxiliadora, com medo das crianças tirarem ou mexerem no seu caminho de relíquias.

Em Pedro Leopoldo ainda, o Antônio meu segundo irmão desencarnado, apareceu ao Chico e trouxe seu recado simples de criança, no qual perguntava à mamãe:

"A senhora lembra-se daquele roseiral tão lindo, que papai plantou para nós em Caratinga? Pois é, nós estamos também preparando um para a senhora quando voltar e encontrar-se conosco aqui."

Realmente, em nossa casa em Caratinga havia um roseiral em forma de túnel, trabalhado por papai, que saia da porta de nossa cozinha, atravessava todo o terreno e terminava na beira do rio. Formava um caminho florido, deixando muito alegre o ambiente em casa.

Ainda uma vez em suas reuniões, Chico viu "papai grande", meu bisavô, que ganhou esse apelido por ser um homenzarrão.

Apareceu a Chico como em vida.

Por problema físico, pois estava com cirrose hepática, via-se obrigado a escrever sentado em uma cadeira de braços, apoiado sobre uma taboa colocada transversalmente sobre a cadeira, e despachava seus serviços.

Pois foi exatamente assim que trouxe seu recado, para mamãe, pedindo ao Chico que o lesse:

"Deus te abençoe minha neta".

O importante neste recado é que ele escreveu-o diretamente na taboa e, quando meu bisavô falecera, mamãe contava apenas cinco anos de idade, era a única lembrança que tinha dele.

Certa época, voltando de Pedro Leopoldo a Belo Horizonte no trenzinho que fazia a ligação, Chico gentilmente nos acompanhou e, em dado momento, disse-me que tinha um recado de Vallado Rosas. Pediu-me um pedaço de papel. Não tínhamos.

Levava algumas laranjas embrulhadas em papel jornal, e nesse papel é que foi feita sua mensagem.

Na noite de 17.7.48, recebemos onze mensagens de parentes e amigos espirituais tais como:

Adelaide Coutinho, tia, João Coutinho, tio, Jurandir Campos, primo, Casimiro Cunha, amigo, Bibita (apelido) tia, Vallado Rosas, amigo, Zizinha, bisavó, João Ildefonso, tio-avô, Nicandro Campos, tio, Silos, tabelião em Caratinga, amigo, Mariquinhas, amiga, e, fechando essa reunião, Emmanuel trouxe a mensagem que muitos já conhecem, "Oração Dominical", publicada em livros e folhetos.

A autenticidade dessas mensagens, é que todas estão com letras e assinaturas diferentes. Com todas essas mensagens, foi preenchido na sua totalidade um bloco de papel pautado.

Portanto amados leitores, se fôssemos descrever aqui tudo o que recebemos desse abnegado coração de infinitos raios de amor, daria um livro à parte.

Chico apontou um roteiro de luz em minha vida e me fez assumir responsabilidades ante à divulgação da Doutrina Espírita.

Devemos nos conscientizar de que Chico é um missionário e feliz é o Brasil de ter sido berço de um espírito de seu valor. Nas comemorações dos 50 anos de atividades mediúnicas de Chico Xavier, rogo a Deus conceder ao querido médium suas bênçãos de paz e amor, multiplicando-lhe as alegrias e consolações que nos permitiu receberem tantos anos de devotamento ao Bem.

A seguir, com permissão dos queridos leitores, publicarei a primeira mensagem de minha irmã Altar e umas trovas de meu tio João Coutinho.




O véu branco que se vê sobre a cabeça, é a substância luminosa

com que Scheilla presenteou D. Esmeralda Bittencourt.
Carta de Agar
Mamãe muito querida, abençoe-me.

Guarde sua filha nos braços e no coração, como noutros tempos. Não se recorda?

A noite vinha com a paz envolvente das sombras e o seu colo amenizava meus receios.

Agora, mamãe, mais que nunca preciso de sua coragem. Enquanto a criança transita nos prados verdes, não importam as quedas sem importância. Os tropeços ensinam a andar. Mas... quando aparecem abismos, quando surge a ameaça dos monstros o coração maternal chama a criança ao mais íntimo do seio. Esta dor de hoje, mamãe, é um sofrimento assim, que necessitamos atravessar muito unidas, para que as angústias se atenuem nas nossas almas.

Presentemente seus olhos afetuosos irão poderiam lobrigar senão a filha devotada, ativa, dedicada do dever, entretanto, trinta e três anos, constituem espaço de tempo excessivamente curto, em face dos muitos séculos que se desdobram no caminho da vida.

Acreditei demasiadamte em minhas forças e cai no grande despenhadeiro. O passado fez-se ouvir lá, no silencio profundo de meu coração, que desejava crer e viver, servir e sentir, o nosso adversário venceu, compelindo-me a perdas amargurosas. Mas Deus, mamãe, e o Senhor da Justiça impoluta. Os homens julgam, Deus ama. No mundo opiniões escabrosas que ferem o espírito mais que o aço contundente, todavia, no plano eterno, encontramos a bondade sublime do Criador. Há sempre, na Terra quem saiba maldizer e raros que se dispõem a ensinar e a servir com Jesus. Compreendeu-se a diferença, mamãe? Encontro-me, pois, numa fase nova de serviços redentores. Façamos o possível por não recordar a extensão das sombras. Aceitamos o dia novo.

Ah! Quanto venho lutando por arrebatá-lo aos sentimentos negativos de tristezas e derrotas espirituais. Com que angustia despejei o meu vaso de lagrimas no seu coração amoroso nos primeiros dias do doloroso despertar! No entanto, agora, sei que posso contar com seu entendimento de todos os dias. Não estou em círculos infernais; fui conduzida ao serviço ativo. Minha queda amargosa recebeu do Pai, a benção de novo ensejo de trabalho regenerador. E desdobro-me por alcançar novas oportunidades de compreender e servir a Jesus.

Sei, mamãe, quando lhe custou a nossa separação, meu gesto rude demais, entretanto, nunca suponha que eu pudesse cometer ingratidão para com seu desvelado amor. Fiz tudo, mamãe, por vencer o inimigo das sombras e deveria ter ainda mais, por anular-lhe a influenciação inferior. E seu coração carinhoso pode avaliar com que as lagrimas venho levando o remorso de não ter pensado mais. Entretanto, façamos de conta que regressamos ao passado. Sou ainda sua filhinha e peça-lhe, com lagrimas, que me ajude e perdoe. Quero resgatar minha falta no trabalho persistente sem repouso. Auxilie-me com sua força, confiando em Deus. Lembre, mamãe, aquela Virgem Santíssima, que também foi mãe de um Filho Divino que expirou na Cruz. E ele era puro e santo por excelência, e eu, a pecadora endividada de outras encarnações. Com o seu perfeito equilíbrio espiritual vou conseguir cada vez mais, nos trabalhos diferentes a que me vou consagrando, ao lado de nossa irmã Olímpia. Tenhamos coragem. Jesus não nega oportunidades santas aos que recorrem a Ele de boa vontade. E eu recorri de todo o meu coração. Reconheço que errei, mamãe, dando ouvido as forças destruidoras, que me aniquilaram muitas esperanças e envenenaram o ambiente de nossa casa feliz; todavia, também sei que sua alma generosa me perdoou aquelas setenta vezes sete vezes. Mas tarde saberá tudo.

Agora, preocupemo-nos com o trabalho salvador. Ei de ajudá-la na restauração de suas forças orgânicas.

Seja alegre e otimista, não percamos fé no Poder de Jesus. As nuvens são fenômenos atmosféricos simplesmente. A realidade está no infinito dos céus, onde a luz do Senhor nos abençoará para sempre. Vamos juntas ao trabalho no bem de nossos semelhantes. E unida consigo cada vez mais, elevo ao Pai de Infinita Bondade o meu cântico de agradecimento e fé. Tudo no mundo é expressão transitória. Aproveite pois, mamãe, a dar como benção.

No planeta, quase toda a alegria é perigosa, talvez por isso mesmo, o Pastor Divino preferiu conduzir as ovelhas pela porta da cruz. E você, minha querida Bibi?

Não se esqueça que sua Dina esta mais ativa do que nunca. Console mamãe, não a deixa entristecer. Os sofrimentos dela agravariam minha situação. Estou atualmente em aprendizado mais belo e preciso ampara-me em todos vocês.

Agradeço seu devotamento, minha querida irmã, e espero que continue sempre dedicada a felicidade de nossos pais, fazendo o que me não foi possível fazer.

E agora, mamãe, aqui encerro minha noticia escrita com o coração, pedindo-lhe a Deus abençoe a senhora e ao papai, concedendo-lhe muita paz e muita energia na luta. Não desdenhamos o Calvário que o destino nos reservou e que minhas fraquezas agravaram. Dia virá em que as pedras estarão convertidas em pão, os espinhos em flores e a cruzes em caminhos redentores da eternidade.

A noite passou. Vamos a um novo dia e nunca esqueça de abençoar a filha do seu coração e sempre sua.

Agar
Notícias Fraternas


Zita querida irmã, que Deus te ajude

A conservar a lâmpada da crença,

Concedendo-te a luz por recompensa,

Nas estradas dá prova ingrata e rude.


Arrebatou a morte inesperada!

Para sofrer-lhe o golpe para vela

Bastou-me a dor junto ao Café da Estrela

Que me impeliu a vida renovada...


Esperava-me laços prediletos,

Entretanto, apesar dos novos brilhos,

Sinto a amarga distancia de meus filhos

E a saudade de todos os afetos.


Lembro, além de meus velhos desenganos,

Nossos dias floridos e tranqüilos,

As palestras do Lázaro e do Silos,

Em nossa Caratinga de outros anos!...


E seguindo-te as lagrimas e as dores,

Rogo ao Mestre do Amor te siga os passos,

Suprimindo-te a sombra nos cansaços

De teus padecimentos remissores.


Não temas! Atravessa os temporais!...

Em seguida ao caminho doloroso,

Encontrarás o Ninho de Repouso,

Na luz do Céu que não se apaga mais!...

No depoimento de D. Isabel Bittencourt de Souza (D. Bibi, na intimidade), transpareceu-nos a situação cármica de sua mãe. Tem-se, que sua passagem nas vidas anteriores, D. Esmeralda e seus filhos tiveram grande influência na fatídica noite de São Bartolomeu.

No Reformador de novembro de 1975, reportagem completa, inclusive com mensagem de Emmanuel à D. Esmeralda Bittencourt, esclarecendo-a de sua situação no passado.

Francisco Cândido Xavier, ligado ao seu problema, esclarece a D. Bibi, através de carta endereçada, quando de sua estada na França, Paris.

Abaixo transcreveremos trecho dessa carta, que também está inserido no Reformador de novembro de 1975.



...Hoje, escrevo a você com a emoção que você pode imaginar, pois, alguns poucos dias antes da partida do nosso Antônio, Dona Esmeralda e eu nos achávamos em reunião íntimas em nossa casa, junto à casa de Luiza, quando, finalizadas as nossas preces e encerrada a reunião, comentamos as lutas que haviam ficado no mundo, depois da perseguição aos nossos irmãos das igrejas evangélicas na França de Catarina de Médicis... Dona Esmeralda e eu comentávamos os vários aspectos das provações a que me referi, quando ela solicitou que eu perguntasse a Agar, então presente, se eu. Chico, estava também no círculo de provas por motivo da perseguição aludida, ao que ela respondeu:

- Sim, mamãe, de algum modo, embora indiretamente... Dona Esmeralda, estão, indagou em voz alta:

- Minha filha, quando terminarão essas provas?

Agar respondeu, com palavras de que não me lembro, afirmando que, quando ela, D. Esmeralda e eu nos encontrássemos de novo, num 24 de agosto, em uma oração no Palácio do Louvre, isso seria o sinal de que as nossas provações (naturalmente, pelo menos quanto a mim, que reconheço ser uma alma infinitamente devedora perante as Leis de Deus, somente as provações que se referem à perseguição de São Bartolomeu) estariam terminadas. Agar sorriu e despediu-se. D. Esmeralda e eu encerramos a conversação com bom humor e alegria, e concordamos em que, com certeza, isso se verificaria quando nós ambos, ela e eu, estivéssemos no Mundo Espiritual. Passou o tempo, e a palestra, como tantas, ticou aparentemente esquecida. Pois hoje, Bibi, eu que nunca imaginei poder vir a Paris e demorar-me aqui, entre nossos irmãos franceses, estive no Louvre (hoje, grande museu) e, em prece rápida, pude ver Dona Esmeralda com Dona Isabel Cintra e outras afeições. Ela estava de fisionomia tranqüila e feliz, e, com lágrimas que não chegaram dos olhos, apenas me disse: "Chico, meu filho, Deus te abençoe". O movimento no Louvre é muito grande e a visão com as preces foram ligeiras. Mas, você pode avaliar a minha emoção escrevendo a você, agora à noite, no hotel, como não podia deixar de fazê-lo, pois você é o coração capaz de compreender a beleza do acontecido.

Esta a interessante carta remetida da Rue Bonaparte, 49 - Paris.




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