Senhor Jes++s



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Neumis Souza da Silva
... Deus nos deu essa dádiva da maternidade, que é dar luz à vida e não apagá-la ...
André Luiz, meu filho, cursava a Fundação Educacional Souza Marques, no segundo ano de medicina, quando deu-se o seu passamento, vitimado por aneurisma cerebral, que levou-me a grande desespero e descontrole.

Dézinho, seu apelido familiar, possuía várias medalhas de esportista, da escola, gozava de plena e perfeita saúde. Não compreendia como podia ter acontecido.

Devido ao meu estado, procurei um psiquiatra, achando que poderia resolver minha situação; fui aconselhada por ele; que procurasse sair de minha casa à procura de serviços no campo da ajuda mútua, da caridade cristã.

Incentivada, entrei em contato com Alcina Barcelos, amiga muito querida que me aconselhou procurar o Grupo Espírita André Luiz; trabalhei no setor de Assistência Social e, oportunidade, vim a conhecer sua Diretora Dra. Silvia Ferreira da Silva, que, após algum tempo, interpelou-me e preocupada com minha situação e atuação, pois não estava me encontrando nesse trabalho, perguntou-me:

"O que se passa com você?" Aproveitei-me dessa pergunta e indaguei se ela conhecia Chico Xavier e se eu poderia me avistar com ele.

Respondeu-me que sim e que aguardasse com calma, pois levar-me-ia a qualquer momento. Ela desconhecia minha situação. Nada lhe contei. Achou até que fosse um problema familiar.

Quinze dias após, Dra. Silvia procurou-me e se eu estivesse em condições de ir, que me preparasse; Chico estaria em Uberaba naquele fim de semana.

Não tinha conhecimento sequer com Chico e com a Doutrina Espírita. Fiquei aflita em chegar; ansiava muito esse encontro, certa de que poderia receber algumas palavras de conforto.

Em 10.8.1973 íamos ao seu encontro e, para minha surpresa, notei um grande número de pessoas. Pensei, não terei a mínima possibilidade de falar-lhe. Doente, tinha medo de penetrar no meio de toda aquela gente. Fiquei isolada num dos cantos do salão. Chico adentrou pela porta do fundo, que ligava à sua residência. Os que tiveram oportunidade de conhecer a Comunhão Espírita Cristã, irão lembrar.

Não poderia imaginar, ouço Chico chamar-me e pedir ao povo que abrisse um caminho para que eu passasse e dizia: "Gente, por favor deixem a Dona Neumis, passar, ela esta muito doente." Admirei-me, estava a uns quinze metros do Chico, ele nunca me viu, não me conhecia e chamava-me para a frente.! A senhora Carmem Higino dos Reis, que trabalha com o Chico, a qual devemos muito pelo seu carinho, gentilmente levou-me à sua presença.

Fiquei completamente muda; Chico pedia que me acalmasse, abraçando-me, beijou-me com muita ternura, percebi então que começava a me refazer naquele momento. Chico ainda para justificar minha presença, virou-se para uma senhora que não conheço, dizendo: "Ela perdeu seu filho." Outra surpresa, não havia falado nada da desencarnação do meu filho.

Aguardei com os demais o término dos trabalhos e voltei para o meu hotel, com o convite de regressar na manhã seguinte para uma pequena reunião, que costumeiramente Chico fazia com um grupo mais restrito. Dessa reunião voltamos mais confortados.

Em 13.11.1973, recebemos um recado, que veio na mensagem de Paulo Barbosa, conhecido compositor na década de 1930, endereçada à sua esposa Nelita Barbosa, e assim se expressava: "...e dar votos de refazimento do jovem André Luiz, endereçados aos pais queridos aqui presentes, especialmente. André Luiz, o jovem a que me refiro pede aos pais que se refaçam. O aneurisma não foi o fim, exclama ele, rogando a mãezinha para que se acalme e confie em Deus. Ele tem dificuldade para se exprimir como deseja, conquanto já esteja trabalhando. Peça a irmã Neumis fortaleça o filho que não morreu."

Dada à emoção do momento, jorrou pelas minhas narinas grande quantidade de sangue. Refeita, voltei ao hotel.

Em outras viagens, isto é, precisamente em 20.7.1974, sete meses após sua desencarnação e apesar de receber vários recados de André Luiz, desejava profundamente uma mensagem. Que veio com a graça de Deus na data acima.

Nessa mensagem meu filho relata sua desencarnação, seu encontro com o Dr. Alcides de Castro já desencarnado e que fora grande amigo de meu marido, sua bisavó, que ele carinhosamente tratava de "Bisa Maria", e outros pontos mais que nos surpreenderam muito.

Com todos os testemunhos que nos assombraram, ainda assim, minha confiança, balançava, e só vim solidificá-la e encerrar meu sofrimento na sua terceira mensagem. André Luiz identificou-me da maneira que somente eu, meu marido e ele conhecíamos, que foi: ..."pedi a meu pai que proteja a nossa querida Miuda, porque tenho necessidade de recorrer à intimidade familiar recordando a minha própria infância, quando comecei a chamar você, querida mamãe por "Miuda e Chupetinha" ... necessitamos recorrer a passagens do lar que ficam sendo somente nossas..."

A única coisa que faltava era isso, esses apelidos "Miuda e Chupetinha", só eram ditos por ele, restritamente em nosso ambiente familiar. Entre nós três.

Hoje, professando a Doutrina Espírita, encontrei o lenitivo que muito esperava, no meu berço religioso, o qual agradeço os momentos em que vivi dentro do catolicismo, mas o que a Doutrina Espírita esclareceu-me e confortou-me é indescritível.

Devo a minha existência, a esse abnegado e incansável médium, companheiro e orientador, pois pensava seriamente desistir desta encarnação. Essas mensagens chegaram no momento mais crítico de minha vida. Clareou-me a visão e apelo a todas as mães, que como eu se viram com a dor maior, que é a perda de seus filhos, reflitam seriamente nesses momentos e tenham a certeza de que nossos filhos estão a amparar-nos no Além; Deus nos deu essa dádiva da maternidade, que é dar luz à vida e não apagá-la.

A influência da mediunidade e da pessoa do Chico, trouxeram-nas momentos de grande tranqüilidade e felicidade. Ao depararmos com problemas. buscávamos à sua imagem. numa prece de agradecimento a Jesus por tudo recebido e logo se fazia notar a paz no ambiente. Transformou nossa conduta no modo de agirmos, abrindo-nos caminhos por nós desconhecidos que nos levaram a um porto mais seguro.

Portanto, tudo o que de bom e bem nos acontece. atribuo a esse irmão e companheiro, reconhecendo que sem a sua participação não estaria como estou.

Que Deus possa lhe dar a eternidade em nosso meio; se nós partirmos nada representamos para a humanidade, mas, Chico é e será o companheiro para todos em todas as épocas.

Por isso ele estai aí com cinqüenta anos de Amor e Ensinamentos, trazidos por suas abençoadas mãos, dos Irmãos que representam a plêiade de Espíritos Maiores.

Que Deus o abençoe sempre.

Aparte do Sr. Luiz Dantas da Silva.

Com o meu endosso nas palavras de minha esposa. Neumis de Souza da Silva, gostaria de levar o reconhecimento de público a tão ilustre figura de Chico Xavier, que demonstrou numa vida de cinqüenta anos de mandato mediúnico, que amar ao próximo pode ser exemplificado nas caminhadas peregrinas da bondade, amenizando corações aflitos.

Saciou a fome espiritual e material com o seu manancial de amor, com o apoio das forças Divinas que o importaram neste plano terreno como o seu enviado.

Ouvia falar muito de Chico Xavier através do Dr. Alcides de Castro, Joaquim Cascão de Castro e na leitura espírita.

Meu desejo sempre foi muito grande em conhecê-lo pessoalmente, mas em situações mais alegres. Mesmo assim nossa alegria é eterna, por tudo o que representa para nossa família na sua transformação, ao encontro do Caminho, da Verdade e da Vida.

Minha busca fez-me encontrar o médium e o Amigo de todas as horas.

Gostaria de relatar e não deixar passar, um caso acontecido conosco em uma das reuniões que lá estávamos; minha senhora recebeu uma dádiva tão grande da espiritualidade que a deixou emocionadíssima, bem como todos os presentes que, possuídos de grande emoção não conseguiram conter as lágrimas que rolaram pelas suas faces.

Em nossa saída para casa, Chico amavelmente solicitou-nos uma reunião de passes, para despedida, preocupado porque viajaríamos à noite. Neumis, concentrada em preces, ao receber o passe das mãos de Chico, choveu pétalas de rosais sobre ela.

Perguntando posteriormente ao Chico, sobre o que acontecera, esclareceu-nos que André Luiz, nosso filho, carinhosamente se fez presente à sua mãe, cobrindo-a com essa chuva de pétalas orvalhadas.

O mais interessante, explicou-me também, por uma pergunta formulada por mim, que essas pétalas haviam sido colhidas aqui na Terra mesmo.

Neumis perguntara-lhe se aquelas pétalas agüentariam a viagem de volta, o calor era imenso. Maior do que quando chegamos. Chico respondeu-lhe: "Que chegariam como saíram de Uberaba". O que aconteceu.

No dia seguinte, voltando a Friburgo em nossa casa, Neumis foi a florista e ela ofereceu-lhe uma rosa exatamente igual a do dia anterior, com as pétalas de duas nuances, rosa e amarela. numa pétala só.

Chico, Jesus nos disse "Amai-vos uns aos outros cones Eu vos amei" e nós dizemos: "Obrigado Jesus, pelo exemplo vivo que permitistes entre nós".




Hilda Mussa Tavares
...você e para mim um presente do Céu!...
Palavras também do coração
No cristão e principalmente no espírita há como que um "sentimento de urgência" quando se está diante do imperioso dever de testemunhar.

"Calar a verdade é omissão", diz um provérbio antigo. E o Evangelho do Cristo, cujas palavras são "espírito e vida", propõe à reflexão de cada ser humano: "Porventura, toma-se uma lanterna para colocar debaixo do alqueire ou do leito? Por acaso não é para colocar sobre o candelabro? Porque nada se oculta senão para depois ser manifestado. Nem coisa alguma se esconde, senão para depois vir a lume. Se alguém tem ouvidos para entender, entenda." (Mc. 4,21-23)

E é imbuída desta necessidade profunda de "colocar a luz sobre o alqueire", que rememoro um dos dias mais comoventes para o meu coração no ano de 1974 o inesquecível 5 de agosto. E olhando demoradamente... exaustivamente... para os três anos passados-presentes, porque permanecem dentro de mim, relembro fatos que, aparentemente sem significação, dentro do contexto, ganham conotação extraordinária. Relembro, por exemplo, quando Chico, o nosso querido Chico Xavier, adiou por uns dias um encontro que havíamos combinado para o final de julho em Uberaba.

Encontro-necessidade, encontro-afeição, encontro-paz.

Estes encontros já vêm sendo feitos há alguns julhos de cada ano, antes mesmo da partida do nosso Carlinhos. Acompanhavam-me sempre, além do meu esposo, Clóvis Tavares, as amigas Professoras Ruth de Oliveira Monteiro e Gilda Duncan Tavares e minha filha Margarida.

Neste ano, o nosso Chico, por motivos de compromissos seus, telegrafou-nos, adiando o tão esperado encontro, para o dia 5 (cinco) de agosto. Dias antes toda a cidade de Campos havia sofrido o golpe da perda brusca, em acidente de automóvel, de um grande professor e amigo, o Professor Osvaldo Peixoto Martins. Na véspera do acontecido estivemos juntos numa reunião do Conselho de Professores da Escola Técnica Federal de Campos e durante alguns minutos conversamos sobre a sua filha mais velha Luciana e também sobre sua viagem do dia seguinte - a viagem do acidente.

Ao tomar conhecimento de minha próxima idá a Uberaba, a sua então viúva, Professora Ruth Maria Chaves Martins, escreveu para Chico uma carta, narrando o triste fato. Nesta carta, a nossa irmã, tomada da dor, abre o seu coração a Chico, contando-lhe o acidente fatal, embora reconhecendo, numa prova de coragem e fé incomparáveis, a proteção que tivera do Senhor quando poupou seus três únicos filhos de penosa situação.

Nenhum detalhe a mais havia no relato de nossa querida Ruth Maria.

Na tarde do dia 5 (cinco) de agosto deveríamos encontrar-nos com o querido médium em sua casa acolhedora. Ninguém se lembrara do detalhe do meu aniversário nesse dia, exceto Margaridinha, minha filha, que prevenida por mim, não comentou sobre o assunto com ninguém, justamente para evitar constrangimentos.

Mais ou menos às 16 horas chegamos a casa do nosso Chico. Ao abrir-nos o portão fui recebida por ele. D. Zilda e Senhor Weaker que, juntos, cantaram "Parabéns para você." Não é preciso dizer o quanto me comovi e esquecendo-me, por um momento, de quem se tratava, perguntei-lhe:

- Chico, quem lhe contou? - Ora, Hilda, foi o Carlinhos.

Esta prova maravilhosa da mediunidade límpida, espontânea, a cada momento mais surpreendente, de nosso Chico me levou, pela inefável doçura ambiental, a sensação de Deus presente...

Sob aquela sensação interior. misto de alegria e afeto, tivemos Chico, eu e minhas companheiras de viagem: Ruth Monteiro, Gilda Duncan, Dinan Tavares e rainha filha Margarida, alguns momentos de troca de palavras vivas...

Não percebi a hora exata em que leu a carta que levara de Ruth Maria. Apenas comentou comigo, mais tarde, que havia se comovido bastante com o sentimento de que estava impregnada.

Mais ou menos às 18 horas caminhamos para o Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, de Peirópolis, a uns 20 km de Uberaba, um lugar humilde mas que toca de perto a sensibilidade religiosa de qualquer um. O presidente do Centro, Sr. Langerton, ficou surpreso com a nossa chegada. Não parecia esperar por nós, dada a sua admiração.

Entre pessoas humildes e sinceras, estudantes e praticantes do espiritismo cristão: velhos, jovens e crianças, iniciamos a reunião da noite, presidida pelo Senhor Langerton. Enquanto as palavras do Evangelho eram lidas e comentadas, o nosso Chico psicografava algumas páginas...

Ao final da sessão, como é de praxe, as mensagens foram lidas por ele, entre lagrimas e orações íntimas do grupo.

Uma era a do nosso Carlinhos (a sua segunda mensagem) - "Palavras do Coração" e outra de Lenora, filha da Professora Ruth Maria Chaves Martins, que com poucos meses de vida havia desencarnado em meus braços, por uma dessas coincidências que só Deus explica, precisamente 8 (oito) anos antes do desastre.

Este fato era inteiramente desconhecido por Chico, pois a carta enviada por Ruth Maria foi um dos poucos contatos que mantivera até ai com o médium.

Não pude dominar minhas emoções. Afinal quem era Chico senão um mensageiro da Espiritualidade Maior, distribuindo provas de tal teor?

E as "Palavras do Coração" ditadas por Carlinhos ressoavam profundas dentro de mim como o seria para qualquer um que já tivesse tido um filho como Carlinhos, que jamais pudera em vida demonstrar perceber maiores detalhes que se passavam em seu derredor. Ressoavam como se fosse pérolas sonoras que o tempo não deveria consumir.
"Minha Mãezinha querida,

Eis o seu filho de volta,

Trago hoje por escolta

Antigos votos em flor!...

Com eles, escrevo agora

Meu bilhete de alegria,

Comemorando o seu dia,

Abrilhantado de amor.

Aniversário feliz!...

Estranha força me invade,

É a presença da saudade,

Revendo o bolo de luz!...

Resguardando-me no colo,

Você dizia que eu era

Sua flor de primavera,

Seu presente de Jesus!...

A festa de nossa casa,

Em seu natalício lindo,

É sempre júbilo infindo

Que da memória não sai...

Margaridinha comigo,

Todos nós em seu carinho,

Flávio e Luís com Celsinho

E o coração de Papai!...

Meditando, agradecia

A nossa doce ventura.

Quantas lições de ternura!...

Benditos silêncios meus!...

Nosso lar foi minha escola,

Em que, de novo, criança,

Tive retorno á esperançar,

Buscando a Bênção de Deus!...

Mãezinha, meus parabéns!...

Seja a fé, por luz sublime,

O apoio que me arrime

Nas lutas que vêm e vão!...

Em seu lindo aniversário

- Dia feliz e dileto -

Nas flores do meu afeto,

Receba o meu coração!...

Depois desta o nosso filhinho escreveu, através da dedicação abençoada de Chico, mais duas mensagens, repletas de provas e de autenticidade.

Detalhes descritos nos versos acima, Chico os desconhecia completamente. Com Carlinhos ao meu colo quantas e quantas vezes repeti-Ihe:

- Você, meu filho, é que é o meu maior presente!

- Você é para mim um presente do Céu!

- Carlinhos, você é primavera constante em minha vida. Que seria de nossa casa sem você?

Durante quase dezessete anos era habitual entre nós, em todos os nossos aniversários, saborear juntos, ele no meu colo, o "bolo de luz" a que se refere tão carinhosamente em sua mensagem.

Só mesmo uma pessoa que estivesse presente em nosso dia-a-dia com o nosso Carlinhos teria condições de descrever de modo tão real a nossa saudosa convivência. E Chico, é claro, nunca esteve presente nesses momentos marcantes de nosso lar.

Há um outro detalhe dessa minha viagem que não pode deixar de ser relatado. Ao terminar a reunião Chico, que ignorava que eu mantivera um diálogo com o Professor Osvaldo na véspera de sua morte e em circunstâncias especiais, me disse:

- Hilda, Cadinhos está me pedindo que você avise a D. Ruth que ela fique tranqüila, pois desde o dia 6, véspera do acidente, ele conduziu até a Escola Técnica, onde estava o Prof. Osvaldo, as suas duas filhinhas, Lenora e Analaura, para permanecerem com ela até a hora fatal.

Provas maiores não poderia ter. A abençoada mediunidade de Chico Xavier é dado indiscutível na história do fato espírita. Não só indiscutível, mas fundamental.

Esse é o nosso médium... Mais que isso: um discípulo do Senhor que vive o bem, doando de si amor, sabedoria, segurança e consolo.
Mensagem de Leonora
Mãezinha Hilda, peço a bênção de Deus para nós.

Desculpe chamá-la assim... (1) Penso em Mãezinha Ruth, (2) nestes dias de prova e compreendo que todas as mães aqui são minhas mães também. Especialmente a senhora que meus pais nos habituaram a considerar desse modo.

Rogo dizer à Mãezinha Ruth que Deus não nos abandona. Ela se sente tão só depois do que sucedeu... Mas o Papai não está morto. (3) Ele e a nossa companheira (4) estão hospitalizados. Muitos amigos estão velando por nós. Meu avô Martins que vim a conhecer-reconhecer (5) aqui e a nossa tia Maria nos tranqüilizam.

Mãezinha Hilda, peça à nossa mãe para não chorar mais a noite chamando Papai, porque isso vai ate ele sem que nós possamos saber como evitar-lhe a dor de querer dar resposta sem as forças precisas. Tudo será renovado para o bem de nós todos. Analise, Luciana e André Luiz precisam de nossa Mãezinha robustecida e mais forte. Nossa Vovó também necessita amparar-se mais em Mãezinha Ruth. Nós estamos juntos, todos juntos. O lar maior que não admite separação e o amor com que nos amamos. Todas as sombras vão passar. Estávamos, muito de nós, com o papai Osvaldo no dia 7. (6) Mamãe não preciso pensar que ele tenha sofrido dores. Aquilo que na terra foi choque, aqui foi sono aplicado. (7) Ele acordou com serenidade, mas ainda chora com as lágrimas dos nossos entes queridos especialmente minha Mãezinha Ruth e minha Vovó em pronto.

Diga por favor a Mãezinha Ruth que nos estamos crescendo a Aninha e eu estamos aqui para lembrar isso. (8) Mãezinha Ruth terá forças para o trabalho e, pelo trabalho, teremos tudo o que for preciso para que nada nos falte. A vida não termina quando o corpo desaparece de nós. Tudo aqui é melhor, mas a saudade e a falta que sentimos uns dos outros não nos deixam pensar assim seja. Mas os instrutores nos dizem que sem a luta e sem o sofrimento não aprenderíamos a seguir a Deus, em cujo amor todos nos reuniremos um dia.

Mãezinha Ruth a vencer a dor da separação, sustentando-se na fé. Boa noite ao grupo fraterno. (9) Escrevi com o coração. É tudo o que pude fazer. Deus nos proteja e nos abençoe.



LENORA

(Mensagem recebida por Francisco Cândido Xavier no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, de Peirópolis, Minas Gerais, em 5 de agosto de 1974).

(1) A Mensagem é dirigida particularmente à Professora Hilda Mussa Tavares, Professora de Matemática no Liceu de Humanidades de Campos e na Escola Técnica Federal de nossa cidade, amigo da família de Lenora.

(2) Professora Ruth Maria Chaves Martins, tanto quanto a Professora Hilda, cooperadora da Escola Jesus Cristo.

(3) Professor Oswaldo Martins professor de Geometria Descritiva e Desenho Geométrico na Faculdade de Filosofia, na Escola Técnica Federal e no Liceu de Humanidades de Campos. Vítima de desastre automobilístico, na manhã do domingo 7 de julho deste ano, nas proximidades de Casimira de Abreu, RJ., desencarnou, cerca de quatro horas após, no Hospital da cidade de Macaé.

(4) Referência à jovem Elicéia, ama das crianças, também desencarnada no desastre.

(5) O Vovô Martins, de que fala Lenora é Adamastor Martins, pai do Professor Oswaldo, desencarnado em 31 de janeiro de 1973. Em carta dirigida ao médium Francisco Cândido Xavier, agradecendo-lhe a mensagem espontaneamente por ele psicografada, a Professora Ruth Maria testifica: "Não há nenhum detalhe contraditório ou inexplicável no texto da mensagem. É toda ela íntegra e autêntica da primeira à última linha." E sobre o Vovô Martins declara que "ele só viu Analaura e Lenora uma vez"... Daí a expressão "conhecer-reconhecer" da gentil mensageira espiritual.

(6) "Estávamos com o papai Oswaldo no dia 7". Esta afirmativa de Lenora se desdobra em um fato admirável que, após a recepção da mensagem, o médium Xavier relatou à destinatária da mesma, professora Hilda Tavares. Declarou o médium que Cadinhos (Carlos Vítor Mussa Tavares) que acabara de ditar para sua Mãezinha uma mensagem em versos, "Palavras do Coração", lhe estava dizendo, no momento, que na véspera do desastre que vitimara o professor Oswaldo, ele Cadinhos, em compainha de outros Amigos Espirituais, conduzira as meninas Analaura e Lenora até junto de seu pai Oswaldo, que se encontrava em uma reunião de professores da Escola Técnica Federal. E ainda que as duas filhinhas ficaram em companhia de seu papai, desde a tarde de 6, a fim de ajudá-lo espiritualmente para a dolorosa provação da manhã de 7 de julho. Isso comprova a lição dos nossos Benfeitores Espirituais a respeito de uma relativa porcentagem de determinismo no quadro de nossos sofrimentos e provações terrestres.

(7) Na referida carta que a professora Ruth Maria escreveu ao médium Xavier, ela confirma esse estado de sonolência do Professor Oswaldo, que, pela mensagem, ficamos a saber que era uma providência de ordem espiritual para evitar-lhe maiores sofrimentos: "Mas quando eu lhe perguntava o que sentia, ele dizia-me apenas que estava muito cansado e desejava interromper a viagem."

(8) Aninha é Analaura, irmã de Lenora, desencarnada antes dela, em 3 de maio de 1964.

(9) O grupo fraterno é o das irmãs cooperadoras da Escola Jesus Cristo, em visita ao médium Xavier, nos primeiros dias de agosto deste ano- Professora Hilda Mussa Tavares, Professora Ruth Monteiro, estudante Margarida Maria M. Tavares. D. Dinan Polônio Tavares e Professora Gilda Duncan.




Daisy Andrade Pastor Almeida
... ele é a criatura singular que tem o tempo destinado somente às coisas de Deus...
Minha família católica, obrigava-nos em nossa infância o acompanhamento de catecismos, missa etc. Relutava muito contra tudo isso, pois não me afinava nesse conceito dogmático. O respeito pela família era muito grande; estávamos no tempo em que não se podia dizer não. Minha ansiedade em busca de algo que preenchesse o vazio que sentia, tornava-se cada vez maior, a religião não a supria. Papai, por decepções religiosas em seu meio, passou a estudar a Doutrina Espírita e, em seguida, a freqüentar suas reuniões, das quais, participei de algumas. Menina, não entendia muito, ou quase nada.

Criando o hábito da leitura, papai colocou-me em mãos o primeiro romance espírita; como extasiou-me, busquei outros e cada vez mais interessava-me, encontrando o alimento que sustentaria os meus anseios.

Não quero demonstrar sentidos contra qualquer religião, pois, apesar de sermos espíritas, mamãe nos derradeiros momentos de sua vida, trouxe sua palavra de fidelidade à sua crença, dizendo: "Sou católica, não posso trair minha religião, mas na minha volta, serei espírita." Este era seu conceito, o qual respeitava muito.

O tempo foi passando, casei-me, meu marido protestante, passava por vários fenômenos espíritas, obrigando-o a aceitar nossa Doutrina. Ouvia falar muito de Chico Xavier, sonhava em conhecê-lo.

Como a realização desse sonho já estava se tornando antiga, fomos a Pedro Leopoldo em abril de 1952, oportunidade em que se realiza uma comemoração do Livro Espírita, nessa cidade.

Ao chegarmos a Belo Horizonte, no remanejo das pessoas para as acomodações, pois estávamos num grupo, meu marido e eu hospedamo-nos em casa da Senhora Dolores Abreu, muito simpática, hospitaleira, adorável. Minha gratidão a essa senhora é muito grande.

A caminho do prédio de Assistência e Saúde, palco das comemorações, o Sr. Abreu chamou-nos a atenção para um aglomerado de pessoas, apontando-nos o Chico. Fui tomada de grande emoção, tremia da cabeça aos pés. Ao aproximar-me, fui logo dizendo, "Chico estou realizando o maior sonho de minha vida", virando-se respondeu: "Obrigada dona Daise". Fiquei atônita, chamou-me pelo nome e sem me conhecer, e de uma forma diferente, acentuando o "á", corrigi-lhe, falando a pronúncia ao seu ouvido, Deise. Olhou-me muito significativo e fomos assistir às palestras. Algum tempo depois, perguntei a ele o porque de me chamar daquele jeito. Disse ter visto meu nome escrito.

Quando meu marido fazia a palestra sobre o livro espírita, classificando-o como o "Livro Divino", Chico havia recebido pela psicografia uma mensagem de Castro Alves, com o título "O Livro Divino". Marcava também o progresso da mediunidade de meu marido.

No dia seguinte, 22 de abril, fomos comemorar seu aniversário em sua casa, se bem que atrasado, pois nascei em 2.4.1910. À noite, na reunião, prosseguia minha alegria; Chico pediu que me levassem ver o primeiro Centro Luiz Gonzaga, em casa de seu irmão José, onde recebera suas primeiras mensagens.

Extasiou-me sua simplicidade, as vibrações que ali sentíamos, nos transportavam o céu. Voltamos.

Desse dia em diante, íamos visitá-lo periodicamente. Por duas vezes passamos nossas férias em Pedro Leopoldo, que marcaram dias inesquecíveis em minha vida.

Em uma das viagens, meu marido adoeceu com um espasmo cerebral, recebeu seus primeiros socorros através de Chico, colocando-se em condições para voltar ao Rio de Janeiro e continuar seu tratamento. Nessa época Chico diariamente ministrava passes em Lauro. Na volta de seu almoço, Chico passava pelo hotel Minas Gerais, onde estávamos hospedados e, em seguida, para seu trabalho na Fazenda Modelo. Com esse tratamento Lauro melhorava a olhos vistos.

Meu filho, certa ocasião, por uma intoxicação, suas mãos começaram a entortar, levando-me a grande desespero. Chico animando-me, receitou homeopatia e na 3.ª dose, no mesmo dia, a melhora se fez notar.

Sempre tivemos em Chico, essa criatura boa, amiga, que mesmo estando longe permanece em nossos corações cheios da maior gratidão.

Meu esposo lhe dedicara profunda amizade e sentia por ele uma grande admiração. Várias vezes, em palestras feitas aqui no Rio, em Centros espíritas, referindo-se ao Chico, afirmava que era a pessoa mais perfeita que conhecia na Terra. Estas palavras eram sinceramente ditas e repetidas por ele.

Através de sua psicografia, recebi em Uberaba uma mensagem do nosso querido Doutor Bezerra, onde diz que a emoção do meu marido era grande e o impedia de dizer alguma coisa, que não podia de próprio punho escrever, mas que aguardava a oportunidade de poder dar notícias suas.

Sempre que tenho a feliz oportunidade de estar junto ao Chico, observo que, enquanto o médium palestra com alguns irmãos, outros ficam a escutá-lo atentamente, bebendo-lhe a palavra. É comum, então, ouvir-se dizer: " Você prestou atenção ao que ele disse?", "Respondeu à pergunta que lhe fiz mentalmente". Outros comentam impressionados: "A carapuça veio para mim". Perfeita. Como pode`? Ele captou meu pensamento!...

As lições chegam, na conversa amiga, como mensagens diretas a quantos necessitam delas. Outras vezes, em visita ao querido amigo em Uberaba, encontrei-me com grande número de pais aflitos, desesperados, em busca de notícias dos filhos queridos, que deixaram a vida, quase todos ainda jovens. Observe-se que nem todos são espíritas. Há casos de pessoas sem crença que foram levadas por amigos e por misericórdia de Deus, recebem suas mensagens e saem banhadas de pranto, consoladas, impressionadas mesmo com a autenticidade dos nomes, dos fatos relatados pelos comunicastes. É a prova da sobrevivência do espírito e de sua comunicação com os encarnados.

Numa dessas ocasiões, um senhor perguntou ao Chico: "Porque ainda não recebi notícias de minha filha? Já vim aqui várias vezes e ainda não tive essa felicidade..." O Chico, amável como sempre, respondeu: "Não depende de mim, meu irmão; o telefone toca de lá para cá e não daqui para lá." O senhor agradeceu a resposta e pensativo saiu esperando nova oportunidade.

Assisti em Uberaba, na Comunhão Espírita Cristã, uma senhora pedir ao Chico que fluidificasse a sua garrafa com água. Ele observou que ela poderia levar sua garrafa à sala de passes, onde irmãos nossos estavam realizando esse trabalho. Ela porém informou que já haviam terminado os trabalhos, e insistiu, delicadamente que ele o fizesse. Chico colocou as mãos sobre a garrafa aberta e todos nós assistimos a água tomar uma coloração leitosa e, no mesmo instante, suave perfume de rosas invadiu o ambiente e foi sentido por todos os presentes, extasiados.

Eu e meu esposo, quando encarnado, por várias vezes fomos agraciados em receber do médium lenços ensopados de perfume, que perdurava por muito tempo. A água fluida a mesma coisa, seu perfume modificava-se dentro das necessidades de cada um.

Lembro-me de uma reunião em Pedro Leopoldo onde todos nós recebemos uma espécie de "chuvinha miúda" de perfume, para tratamento de vários irmãos presentes, e no final fortíssimo cheiro de éter. Maravilhoso.

Ainda em Pedro Leopoldo, em casa de André irmão de Chico, recebíamos pelas suas abençoadas mãos, uma linda e comovente carta de meu pai, onde confirmava nas suas primeiras linhas a identificação da caligrafia dele.

Perante a humanidade conturbada de hoje, ele cumpre fielmente a destinação sublime de esclarecer os homens através dos livros recebidos da Espiritualidade Maior, como arauto das Verdades Divinas, conclamando-os a praticarem os ensinamentos do Cristo Eterno e por seus exemplos de amor ao próximo, de humildade e de trabalho, ele dá a maior lição viva que repercutirá nos tempos que advirão.

Sua figura espiritualizada de líder do cristianismo reditivo, sempre exerceu sobre mim a mais benéfica influência. O seu viver simples de homem bom, a sua palavra evangelizadora, a sua fidelidade à Doutrina Espírita, aliada a enternecedora modéstia que o tornam um verdadeiro Seareiro do Senhor, marcaram fundo o espírito que sou, ensinando-me a entender a vida, consolidar minha fé e a esforçar-me no serviço cristão.

Sabe, Chico é um amor! Ele tem sido e será sempre para mim o modelo, o guia, o amigo, o cristão no seu profundo sentido. Pela alma e pelo coração, tenho por ele o mais puro sentimento e sinto-o tão antigo, que creio ter começo num passado muito longínquo. É como se fora um pai muito querido que reencontrei pelos caminhos da vida e que tem me dado às mãos guiando-me com o seu coração amigo,

Os seus cinqüenta anos de mediunidade, considero como doação integral de uma vida ao trabalho do Senhor.

A sua conscientização no que seja a responsabilidade de uma missão a cumprir é extraordinária. O Chico não se restringe à psicografia pela qual recebeu uma centena e mela de livras em prosa e verso, sobre religião, filosofia e ciência, romances espalhados pelo mundo e traduzidos em vários idiomas, levando a paz, o amor e a sabedoria.

Ele é a criatura singular que tem o tempo destinado somente às coisas de Deus.

Milhões de pessoas já lhe beijaram as mãos e o rosto; já lhe ouviram a palavra orientadora; já receberam a resposta elucidativa às perguntas feitas sobre todos os assuntos desde o mais íntimo ao mais transcendental, já sentiram a paz que dele emana aos que estão ao seu lado; tiveram consolo em momentos de dor: presenciaram a sua paciência e o respeito que tem por todos; possuem uma dedicatória carinhosa em um livro; já viram seu amor aos menos afortunados da vida, em forma de ajuda material e espiritual, que nesses longos e abençoados anos leva pessoalmente a esses irmãos; já assistiram inúmeras vezes passar mais de 12 horas consecutivas atendendo uma multidão que o espera ansiosa por uma palavra ou autógrafo. Com a paciência Divina e a resistência do forte, atende a todos com abraços, beijos e sorrisos.

Cinqüenta anos de renúncia para dedicar-se ao serviço mediúnico abençoado, que desde os seus primeiros anos lhe exigiu sacrifícios e multo amor.

Nesta era da comunicação não se tem notícia de uma vida igual.

Gostaria de finalizar este depoimento com uma cena que assisti em Pedro Leopoldo, quando inúmeras pessoas formavam uma fila para falar com Chico. Uma moça de aparência humilde e simpática, procurava-o para um problema com sua filha. Beijou as mãos de Chico, sendo retribuída em seguida com o mesmo gesto. Uma pessoa a meu lado, moradora na cidade, dizia-me ser ele uma pessoa de vida fácil. Chico, paternalmente, atendeu-a, orientou-a, animou-a e ao despedir-se beijou-lhe as mãos novamente, recebendo em troca "Muito obrigado seu Chico. Deus lhe pague".

A noite, na peregrinação, o acompanhávamos num grupo pelas ruas da cidade, com lampiões e lanternas quando passávamos por um bar onde haviam várias pessoas no seu interior e nas portas, ouviu-se uma voz que dizia: "Olha, lá vai o seu Chico, vai com Deus e reze por mim".

Ele, olhando-a de onde se encontrava, respondeu: "Fica com Deus minha filha".

A emoção invadiu-me a alma, ao saber que aquela voz era da mulher que o havia procurado na véspera para o conselho no centro. Lembrei-me da passagem evangélica do Meigo Jesus e a pecadora. "...Vai e não peques mais". Olhei para o Chico e fiquei pensando: "É, este homem segue à risca os ensinamentos do Cristo".

Atualmente, quando os preconceitos continuam afastando as criaturas umas das outras, Chico, personifica o "Amai-vos uns aos outros como vos amei", ensinado há 2.000 anos pelo Mestre Nazareno.



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