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Ruth Maria Chaves
... escolhera-me a Providência para permanecer...
Um testemunho
Quem, pela primeira vez, me falou em Chico Xavier o fez de maneira incrédula. Era a propósito do caso Humberto de Campos e o meu amigo só encontrava uma explicação racional: "pastiche" inconsciente.

Aquela época eu não havia iniciado ainda o meu curso de Letras na Faculdade de Filosofia e pouco conhecimento possuía dos fenômenos de apreensão de estilo. Mas a intuição me dizia que um mistério bem maior pairava sobre a psicografia do médium mineiro.

Um longo hiato aconteceu entre a referência inicial e minha verdadeira aproximação da doutrina. Neste período, fiz o meu curso universitário, iniciei a vida profissional, casei-me. mudei-me do Rio de Janeiro para Campos.

A dor da perda de minhas duas filhas - Analaura e Lenora - ambas em tenra idade, trouxe-me para a fé, à maneira daquela rês que só atravessou o rio, porque o seu bezerrinho havia sido levado para a outra margem, conforme conta o primeiro texto mediúnico que me tocou mais fundo o coração. Refiro-me à mensagem do menino Silvinho Lessa, dada através de Chico a seus pais, mostrando a finalidade daquele sofrimento familiar e exortando-os a atravessar o rio da incredulidade e alcançar a margem da fé.

Em contato com os textos da multiplicidade de espíritos que se comunicam através da sensibilidade mediúnica de Chico - muitos dos quais escritores cujas obras terrenas me são bastante conhecidas - pude compreender melhor a ingenuidade de se tentar explicar pelo "pastiche" o fenômeno.

"Pastiche" é a imitação servil, a apreensão do estilo de outrem. Na França há uma coleção intitulada À la manière de (À maneira de...) em que um escritor menor imita declaradamente, e com perfeição, um dos grandes nomes da literatura. Acontece que é necessário o exercício de uma vida inteira, para se assenhorear de apenas um estilo alheio. Como explicar então o fenômeno estilístico de Chico Xavier?

O seu Parnaso de Além-Túmulo é um desafio prodigioso que só a crença inabalável numa vida além da vida pode explicar. Pois, à maneira de acordes jamais dissonantes, e por misericórdia divina, a poesia também continua.

Em 1974, quando alguns anos já haviam decorrido da partida de minhas duas filhas, meu marido também desencarnou inesperadamente, em conseqüência de traumatismo craniano sofrido num acidente automobilístico. Era uma data de especial significação, pois completávamos exatamente, naquele 7 de julho, 13 anos de casados.

Escolhera-me a Providência para permanecer ainda neste mundo, na guarda dos três filhos pequeninos. Viajávamos todos no veículo acidentado e apenas meu marido e a dedicada ama de minhas crianças faleceram.

Quase um mês após, quando ainda convalescíamos dos traumatismos físicos e espirituais, recebi inesperada mensagem enviada pela filhinha Lenora, que se valeu da mediunidade abençoada do Chico e da presença, em Uberaba, de uma grande amiga, Hilda Mussa Tavares, nos braços de quem havia desencarnado, aos cinco meses.

Nunca poderia imaginar que minha filha, meu bebezinho doente, fosse agora um espírito amadurecido, que me vinha confortar com palavras tão justas, firmes e serenas.

Se a sua mensagem consolidou a fé que eu já conquistara, a duras penas, é verdade, teve entretanto o mérito de trazer para o nosso campo doutrinários outros familiares que, à maneira daquela rês da história de Silvinho Lessa, ainda se mantinham renitentes na margem de lá. Minha sogra abraçou a doutrina e conseguiu transformar o grande desespero numa grande saudade.

As mensagens de nossos entes queridos são páginas importantíssimas no nosso soerguimento. Dádivas consoladoras, testemunhos de fé, precisam ser divulgados para que, a maneira de lâmpadas acesas, possam espalhar a luz à sua volta. Mas é preciso completá-las com a dedicação aos livros doutrinários que, estes sim, são o caminho para a Verdade e a Vida.

Na Escola Jesus Cristo a que me filiei por opção, aprende-se que as obras recebidas pela psicografia de Chico Xavier constituem matéria de cristalino saber, jamais maculado pelas imposturas da vaidade.

Não sei o que teria sido de mim, se não houvesse encontrado um sentido justo para a dor que, por várias vezes, se abateu sobre minha vida. Creio que me teria transformado num ser egoísta, frustrado, ressequido interiormente.

E, compreendendo que o meu sofrimento pessoal é apenas uma lágrima pequenina no oceano do pranto de resgate da humanidade, ponho-me a meditarem como estaríamos todos nós, se, há cinqüenta anos atrás, não se houvesse iniciado o mandato mediúnico de Chico Xavier?

Que Deus o abençoe, Chico, e que sejamos dignos de merecer a continuidade do seu trabalho apostolar.



Maria José Caetano Marcondes
...não prega a caridade e caridoso, não prega a paciência, e paciente...
Desde mocinha, alimentava o desejo de conhecer Francisco Candido Xavier, o bom "Chico Xavier", como é popularmente conhecido. Mas, com o namoro, noivado, casamento, filhos e tantos afazeres domésticos, sempre fui deixando para depois.

Entretanto, durante todo esse tempo - aproximadamente trinta anos - embora ouvindo sempre falar"do Chico, não havia lido nenhuma obra psicografada por ele.

Em abril de 1975 (dia 29), perdi minha filha Maria Célia Marcondes, nascida em 27.9.1951.

Era gêmea de Homero Marcondes, hoje médico, residente em Santos. Mas, infelizmente, Maria Célia não acompanhou os passos do irmão-gêmeo e tão querido. Pois, aos poucos, fomos percebendo - e também os médicos, com muita hesitação nos procuravam dizer - que Maria Célia apresentava deficiência física. A causa, segundo eles, era trauma de parto, uma vez que as crianças, além de gêmeas, eram de 7 meses, e a Maria Célia foi a primeira a nascer.

A família foi aumentando: em 26.4.1954, nasceu Maria Helena; a 27.7.1956, os gêmeos Marcos e Marcelo; e no dia 27.3.1958 veio ao mundo a nossa caçula Maria Elisa.

Estávamos, então, com três meninas, as "Três Marias", e três meninos, Homero, Marcelo e Marcos.

Com exceção de Maria Célia, todos fisicamente fortes e perfeitos, graças a Deus. Apesar de sua grande deficiência, posso dizer que Maria Célia nos deu de tudo, e nós também, na medida em que a doença permitia, lhe proporcionamos tudo o que foi possível.

Quantos anos! Quanto carinho! E, em troca, quantos agradecimentos recebíamos!

Porém, digo-o com franqueza, sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, perderíamos a querida Maria Célia. Os médicos preveniam e nós também, notávamos que ela, depois dos 13 anos, começava a definhar, sendo baldados todos os recursos da medicina.

Chegou, então, o dia 29 de Abril de 1975, em que desencarnou.

Maria Célia, posto que moça de 23 anos e 7 meses, sempre vividos em nossa companhia, mais parecia um anjo de 9 ou 10 anos.

Apesar de preparados para esse triste desfecho, o nosso desespero foi total. O único consolo era pensar que ela havia partido para Deus, parando de sofrer (pois ela sofria horrivelmente).

Em 29 de abril do ano seguinte, 1976, fomos todos à missa do aniversário de desencarne, celebrada na mesma capela onde seu corpo fora velado.

Como foi triste! Quantas lágrimas! Que falta ainda nos fazia Maria Célia!

E foi Maria Helena quem se incumbiu de pedir aos irmãos e parentes mais íntimos que fossem fortes, pois assim "a Mamãe e o Papai suportariam melhor".

Porém, em momento algum, poderíamos pensar que, exatamente dois meses após essa missa - 29.6.1976 - estaria saindo da mesma capela o corpo da nossa tão querida e boa filha Maria Helena, que tanto nos confortara na perda de Maria Célia.

Estava com apenas 22 anos, 2 meses e 2 dias, quando, em 28.6.1976, por volta das 15:15 hs., na estrada Mogi - Via Dutra, sofreu gravíssimo acidente, falecendo no próprio local, dentro do carro que dirigia.

Não seria preciso dizer que o nosso desespero foi indescritível e pensamos que esse novo golpe seria insuportável.

A verdade, todavia, é que "Deus numa nos dá uma cruz tão pesada, que não possamos carregar".

Basta ter n'Ele muita fé.

Não me lembro bem de como passamos o primeiro mês, após o desencarne, tantos foram os remédios e as injeções.

Sei que pouco antes da missa de 30.° dia, fomos para o apartamento da nossa, então, futura nora, na cidade de Santos, onde seria celebrada a missa.

Lembro-me de que, no dia seguinte, recebi o que considero o melhor presente de toda a minha vida, até então: o livro "Jovens no Além", de Chico Xavier, trazido por um grande amigo e colega de meu filho Homero, o ilustre médico Dr. Edson José Amâncio e sua digna esposa D. Dulciana, que residem também em Santos.

Eu o li na mesma noite e tão grande foi a impressão que me causou que, na manhã seguinte, fui às livrarias e comprei "Entre Duas Vidas", " Voltei", "E a Vida Continua", além de diversas outras obras, todas psicografadas por Chico Xavier.

Passei a viver de leitura.

Conquanto católica, sempre acreditei na reencarnação. Realmente, como Deus, que é Pai de Suprema Bondade, poderia dar a seus filhos uma única chance, se nós, pais comuns, procuramos dar-lhes todas as oportunidades possíveis?

Daí, veio o desejo e o firme propósito de conhecer pessoalmente Chico Xavier.

Fomos a Uberaba em setembro e novembro de 1976 e em março e abril de 1977.

Ficamos hospedados em residências de parentes do Dr. Edson, que é de Uberaba.

E, graças a Deus, em todas essas vezes, tivemos a suprema felicidade de falar alguma coisinha ou apenas abraçar o Chico.

Em abril deste ano (perto do dia em que Maria Helena faria 23 anos), ao me aproximar de Chico, eu chorava muito e não conseguia falar.

Ele então perguntou-me: "Quem é o avô Caetano?"

Respondi, ainda chorando: "o papai", ao que ele retrucou: "Não, o avô Caetano morto, Vicente Caetano`?"

Fiquei pasmada, pois se tratava do meu bisavô, que desencarnou quando o papai tinha apenas 4 anos de idade, portanto, há 64 anos.

Chico indagou ainda: "E o José Marcondes?" Respondi não saber.

- "Pergunte ao seu marido", disse ele.

Perguntei e transmiti a resposta: "José Marcondes era o avô do meu marido".

Ainda nesse dia, o Chico perguntou à minha filha Maria Elisa, que estava sozinha num canto: "Filha, você é irmã das duas meninas Marcondes?"

A Maria Elisa só pode acenar afirmativamente, tal a sua emoção.

Mais tarde, ao vê-la novamente, ele falou: "Até logo, Maria Elisa".

Ela, deslumbrada, veio perguntar-me se eu havia contado o seu nome ao Chico. Respondi que não.

Sem conseguir me conter, achei um jeito de perguntar-lhe: "Chico, por que você chamou a minha filha de Maria Elisa?"

Essa pergunta, pensei depois, poderia parecer (mas longe de mim tal intenção) propositada para deixá-lo em dúvida.

A sua resposta foi: "E que a Maria Helena toda hora me diz: "Chico, olhe a minha irmã, esta é a Maria Elisa".

Nem sei dizer, quanta emoção! Quanta beleza!

Casos assim, parecidos com este meu, que deixavam as pessoas abismadas, presenciei diversos!

E nunca houve um caso sequer, em que o Chico ficasse atrapalhado ou confuso.

Ao contrário, ele fala nas pessoas, dá recados e conselhos sempre com total firmeza.

E uma coisa deveras linda e impressionante!

Como o "Dia das Mães" seria em 8.5.1977, senti muita necessidade de estar em Uberaba.

Por felicidade, no dia 6 sexta-feira, consegui me aproximes do Chico e ele disse: "Filha, a Maria Helena está com a tia Sinhá" (tia do meu marido desencarnada há 28 anos) "e com o tão devoto Padre José" (vigário de Santa Isabel, há 18 anos desencarrnado).

Fiquei atônita, uma vez que a lembrança dos dois, sinceramente, há muito que não passada pela minha cabeça e, ainda mais, não conheci tia Sinhá.

O Chico continuou: "A Maria Helena me falou muito no noivo". Pensei: "Coitado do Toninho" (pois assim o chamávamos sempre). Chico disse então: “É o Agenor, não é?” Impressionada, pois nem me lembrei do nome completo dele, na hora, retruquei: "Agenor?" e ele respondeu: "Sim, Agenor Antonio".

Comecei a chorar, eis que este é exatamente o nome dele.

Nessa noite, estávamos presentes, meu marido, o nosso filho Marcelo e eu. Qual não foi o nosso contentamento e surpresa, quando soubemos que Maria Helena nos enviava uma mensagem maravilhosa, com detalhes impressionantes sobre o acidente e outras coisas, transmitindo recados da Maria Célia e agradecimentos. Que emoção! Que beleza!

Continuamos sempre indo a Uberaba.

A 23.6.1977 (próximo do primeiro aniversário de desencarne de Maria Helena), novamente estávamos no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba: Homero, com a esposa, o noivo da Maria Helena, Marcos, Marcelo, Maria Elisa, Marco Aurélio (um primo, que é como um filho nosso), meu marido e eu.

Outra surpresa belíssima nos aguardava. Era uma nova mensagem de Maria Helena, também maravilhosa, rica em detalhes e nomes.

Nessa comunicação, entre outras coisas, ela disse que Maria Célia estava fazendo exercícios para poder escrever-nos em breve. Disse até o nome da rua onde mora o noivo, que nem nós sabíamos de cor, datas, nomes, etc.

Essas mensagens passaram a ser o nosso "Novo Mundo", e através delas recebíamos novas forças para continuarmos. Perto do aniversário da Maria Célia (em 27.9.1977 ela faria 26 anos), fomos mais uma vez até o Chico. E, maravilha das maravilhas, na noite de sexta-feira, 23.9.1977, a Maria Célia nos enviou uma mensagem.

Aqui convém ressaltar que Maria Célia nunca falou nada. jamais conseguiu segurar qualquer objeto, firmar o pescoço ou sentar-se, a não ser quando. em tratamento médico, usava a "coleira" e a "goteira", aparelhos que, por sinal, tanto a faziam sofrer.

Era linda de rosto, mas de culpo torto e deformado pela doença.

Nesse comunicado, cheio de minúcias, Maria Célia fala. entre outras coisas, da escadaria da Igreja-Matriz de Santa Isabel (escadaria enorme, com diversos patamares em cada lanço de degraus, para descanso). Fala do Monte Serrat, onde faz suas orações de agradecimentos à Nossa Senhora.

Uma senhora presente, nossa amiga, D. Acácia Maciel Cassanha, perguntou-me: " Você a levava sempre a Santos?" Respondi: Não, por que? Ao que ela replicou: "É que ela fala no Monte Serrat". Mas esclareço que nos fundos da nossa casa, em Santa Isabel, existe uma elevação de terra, chamada justamente "Monte Serrat", e no seu cume há uma igrejinha dedicada à Nossa Senhora. Maria Célia sempre tomava sol num terraço, de onde se vê perfeitamente o Monte-Serrat e a igreja. Fiquei admirada, pois tudo isso nunca me passou pela idéia.

Na mensagem, Maria Célia ainda fala na "Pedra Grande" local onde temos o sítio denominado "Três Marias", na Variante Santa Isabel - Via Dutra; conta como pode agora apreciar tudo tão bem; fala em Maria Helena e em outros familiares, tudo com detalhes verdadeiros e tão íntimos que, só Deus, na minha modesta opinião, poderia permitir psicografias assim.

Não tenho o intuito de promover Chico Xavier. Primeiro porque ele não precisa. Segundo, ele não gosta.

Todavia, como mãe que sofreu e ainda sofre, mas agora com mais resignação e esperança, principalmente após a leitura de "Jovens no Além", e agraciada que fui, por conhecer Chico Xavier e receber as mensagens, vejo-me na obrigação de dar o meu testemunho, puro e verdadeiro, contando alguns fatos que se passaram comigo e familiares.

E, não ficasse ainda mais longa esta declaração, muito ainda teria a contar. Coisas bonitas, vistas e ouvidas por mim e muitos dos meus, graças a Deus.

Chico Xavier é a personificação da bondade, da humildade e da tolerância. Impressiona, só de vê-lo.

Agradeço a Deus a suprema dádiva de ser uma das pessoas que puderam conhecê-lo pessoalmente.

Ele não prega a humildade - é humilde; não prega a caridade - é caridoso; não prega a paciência - é paciente: não prega a amizade - é amigo de todos e, principalmente, demonstra que sofre, com os sofrimentos de todos e a todos ama indistintamente.

Tenho lido muito e vou a Uberaba sempre que posso. E quero dizer aqui: "Muito obrigada, Jesus Amado, por tudo o que vi, ouvi e, principalmente, por tudo o que recebi."

Aparte do Doutor Dioscórides Marcondes dos Santos Freire.

Depois do testemunho de minha querida esposa, cremos que pouco mais nos resta dizer, pois se fôssemos contar todas as mensagens que temos presenciado serem psicografadas; todo o amor, abnegação e paciência com que Chico Xavier recebe a todos, que o procuram indistintamente, nas horas difíceis, acreditamos que iríamos nos alongar demasiadamente.

Só nos resta dizer de público, e de coração para corações, que depois de termos tido a felicidade de conhecer Chico Xavier, e após recebermos mensagens de nossas queridas filhas, psicografadas por ele, recomeçamos a viver.

Nosso intuito e maior desejo são de que estes testemunhos vindos do fundo de nossa alma, possam servir de alento e coragem a tantos, que como nós sofreram e sofrem, procurando alguém que nos console e apóie, e depois que conhecemos nosso bondoso Chico Xavier e sua Doutrina, é que aprendemos que este alguém está sempre ao nosso lado, sem que consigamos vê-lo.

Referimo-nos, é claro, ao Cristo que, nunca nos abandonando e nem nos esquecendo, está sempre presente.

Hoje podemos afirmar, sem medo de errar, que o encontramos e esta aproximação nos trouxe ânimo, coragem, consolo. e porque não asseverar: vontade de viver, graças a Deus.

E isto devemos a Doutrina e a Chico Xavier, o homem que só pratica a caridade, a bondade, ao lado do amor puro, sincero e desinteressado que a todos distribui.

Se nossas palavras não foram capazes de traduzir todo nosso agradecimento por tudo de bom que temos recebido, poderá o nosso Chico Xavier com sua experiente acuidade, avaliar qual foi a emoção com que as escrevemos e quanto nos ficou ainda para dizer do nosso respeito, da nossa admiração por ele, e por tudo quanto representa aos nossos sentimentos e à Doutrina Espírita.

E agora, todo o dia ao terminarmos nossas preces, passa a dizer com toda sinceridade que brota do nosso âmago:

Muito obrigado, meu Jesus, somos felizes apesar de tudo, graças a Deus.

Mensagem de Maria Célia.
Querida mãezinha, meu querido papai, minha querida vovó Esther, meus irmãos sempre lembrados.

Tanta alegria se me expande do coração nesta hora de escrever que, em silencio, rogo a deus nos abençoe a todos.

Não compreendo a felicidade que me toma de assalto. Nossa Maria Helena me ampara as mãos e os movimentos quase inadequados, para traçarem minhas noticias de agradecimentos.

Não pensava que a nossa festa de aniversario fosse lembrada num ponto de interação entre dois mundos.

Entretanto. Mãezinha, creio que o meu natalício seria melhor colocado naquele 29 de abril de minha partida.

Creia, Mamãe, estou em lagrimas de gratidão. Mas louvo aquele recanto onde estive por tanto tempo, ouvindo os ensinamentos de Jesus, sem a possibilidade de comentá-lo. Vovó Esther, você recordará nossos diálogos em que a palavra era somente sua, mas o intercambio entre nós era a verdadeira, porque vocês e Mamãe, especialmente, me sabiam escutar as respostas com os meus modos e com os meus olhos.

Bendito leito.

Que seria de mim se pudesse ter vivido, ai na Terra, andando no passo dos outros? Sei que meu pai e minha mãe tudo fizeram para que eu tivesse a felicidade de Homerinho...

Mas Homerinho foi sempre um grande rapaz, que devia caminhar para estudar muito e servir no Bem.

Eu, no entanto, Mãezinha, nessa existência que o fim de abril fechou com chaves de paz, devia permanecer ali em nossa casa, meditando no silencio do quarto...Às vezes, a principio chorava por dentro.

Queria movimentar-me qual se estivesse dotado com os mesmos poderes de Maria Helena e de Maria Elisa e contrariava-me, pensando que Deus não fora meu amigo...

Hoje, porem, compreendo quanto valor me felicitava naquela imobilidade recheada de pensamentos ativos. Não sei, Mãezinha, se você recorda que, aos poucos as suas palavras misturadas de paciência e carinho se entranharam em mim. Você me dizia que eu era a sua companheira de todas as horas e que eu havia nascido para ser um anjo...

Mãe querida, em seu coração, era eu a perola que enfeitava a nossa casa, quando, gradativamente compreendi que estava em prova, atendendo as leis de Deus. Mas você, Mãezinha me falava com tanto amor que me vi na obrigação de asserenar-me.

Lembro-me dos seus bons dias, das suas flores, das suas bênçãos. A imagem de Jesus no lindo quadro que aprendi a beijar, e depois de muita vaidade ferida – digamos assim para que eu não procure disfarçar os meus próprios sentimentos – um dia, somando em silêncio os seus carinhos e os gestos de amor de todos os nossos para comigo,a calma e a aceitação possuíram minha alma.

Aprendi com v.c., Mamãe, a amar a Jesus, de tal forma, que eu já não queria levantar-me e ser igual às outras pessoas, porque desejava que Ele me encontrasse paciente, sem qualquer rebeldia. Graças a Deus tudo passou tão depressa que, em me voltando pata trás, desejaria estar em nossa casa ouvindo as suas palavras e vendo as meninas e os seus irmãos, sempre bem postos para sair.

Recordo-me de tudo e também, de modo especial trago ao Paizinho e a Vovó o meu reconhecimento.

Eu sei que Papai, nos tempos últimos, saia apressado de nosso grupo pensando em mim de olhos molhados.

Como sou grata ao amor que todos me deram com tamanha dedicação! Todos estão em meu carinho e em minha gratidão de todas as horas. E desde que a nossa Maria Helena voltou para cá, observo que já somos as duas, com os familiares daqui, um pedaço de nosso grupo de santa Isabel. Mãezinha, ambas agradecemos ao seu esforço para restituí-nos as Leis De Deus! Sabemos como foram pesados as lagrimas de seus olhos.

Cad gota era um retrato de imensa dor, derramando aflição em nossas saudades que eram tantas. Mas, desde que Maria helena conseguia darem as nossas noticias, você e Papai com todos os nossos se renovaram. Encontráramos uma ponte que não conhecíamos; a ponte que passou a nos ligar com outras pessoas que sofriam tanto quanto nós e, às vezes, mais do que nós. Papai e você, com Homerinho e Jacinta, Marcos e Marcelo, Maria Elisa, Marcos Aurélio e todos os nossos atravessaram o rio da diferença que praticamente isolava do mundo. Éramos felizes. Mãezinha, que não havíamos talvez aprendido a conhecer as dores dos outros. Mas vocês, o nosso querido, passaram a ver que havia meninas e moças atadas a leitos de sofrimento, que nunca haviam encontrado a migalha da felicidade que me proporcionava. E depois da vinda de Maria helena, a nossa família, seja em Santa Isabel, em São Paulo, ou em Goiás, se mostra profundamente aumentada. Mamãe, às vezes, penso que nos separamos para que o nosso amor fique maior.

Quando a vejo, ao lado de uma criança incapaz de mover-se, noto os seus olhos me procurando nos pequeninos ou nas jovens desvalidas, como se a nossa ternura se encontrasse em cada uma delas. E agora, quando você e Papai, vovó e os meninos, encontram o noticiário de algum quadro triste em acidente de trânsito, sabemos Maria Helena e eu, que raciocinam na base da solidariedade, procurando por minha irmã naqueles que passam por semelhantes abalos.

Continuemos assim, trabalhando em favor dos necessitados, mais necessitados que nós mesmos. Falo assim, porque ninguém existe que não precise de alguma cousa e, nem existe pessoa alguma que não possa doar migalha do que tem ou do que é, para a alegria do próximo. Agora, eu que aprendi a beijar a efígie de Jesus em casa, estou aprendendo com vocês a enxergar o Senhor em cada rosto de criança ou de pessoa adulta, marcado pelo sofrimento.

Muito gratas estamos por tudo o que planejaram distribuir com os nossos bons amigos presentes, em lembrança nossa e em lembrança do nosso estimado Augusto, que ficou sendo para nós o irmão daqui.

Deus os recompense! Transformaram nossas flores e nossos sequilhos, nossos vinhos e nossas refeições felizes em pães e agasalhos, em amor e esperança.

Isso é felicidade verdadeira, porque, na Terra, a felicidade é sempre uma promessa de alegria permanente que só se vê permanente quando chegamos aqui, para compreendê-la e conquistá-la.

Mãezinha, agora já posso subir as escadarias da Matriz ele Santa Isabel, com desenvoltura e, posso ir até a Serra Grande, escalando a Pedra Branca e a Pedra Grande para ver deslumbrada, a paisagem bonita que Deus nos concedeu para viver. E também atingir o Monte Serrat e fazer as orações de agradecimento na igreja de Nossa Senhora!

Sinto-me leve, desatada de uma espécie de camisa de força. Decerto que não quero dizer que vivi prisioneira, mas apenas exaltar minha gratidão a Deus por are ver livre da imobilidade. Creia, porém, que é tanto o meu amor por você e por Papai que eu desejaria ter ficado aí, até o dia em que pudéssemos partir todos juntos. Mas o vovô Stamata me diz que isso resultaria em mal para nós, porque, sem a separação, não teríamos a mudança que a todos nos favoreceu.

Tio Quito, o bisavô Santos Freire, o novo Stamato e muita gente boa me carregaram nos braços, quando saí do corpo.

Se a saudade não existisse, eu diria que estou feliz, mas a saudade é a sombra da luz que passou em nós e por nós, sem se apagar.

Maria Helena me recomenda dizer ao Papai que o amigo Fernando Garcia está hospitalizado, passando com boas melhoras, da névoa do corpo que deixou pura a claridade plena que o esperava... É assim mesmo... A vida espiritual é semelhante ao dia no alvorecer. Primeiro, umas riscas douradas no escuro da noite e depois a luz vai chegando devagarinho, até que o Sol se faça de todo. Agora neto posso ser mais extensa. Vovô Stamato diz que não devo abusar do tempo, mas creiam todos de casa que o tempo não existe para quem ama. Peço perdão se faltei com algum nome de família em minhas lembranças. Sou novata de escola e faço os meus exercícios primeiros.

Mãezinha e Papai, recebam com vovó Esther, com Maria Elisa e com meus irmãos todos, sem esquecer a nossa querida Jacinta, todo o coração da filha que lhes deve tanto e que os ama e amará para sempre.



Maria Célia
MARIA CÉLIA MARCONDES - Nascida em São Paulo, em 27 de setembro de 1951 , desencarnada em Santa Isabel, em 29 de abril de 1975, com 23 anos e sete meses. Desde o nascimento Maria Célia apresentava grande deficiência física; nunca conseguiu se locomover, nem jamais se expressou verbalmente, não conseguindo também fazer uso das mãos pela total ausência do tato.

PAIS - Dioscórides Marcondes dos Santos Freire e Maria José Caetano Marcondes.

VOVÓ ESTHER - Avó materna, a quem Maria Célia muito queria.

MARIA HELENA - Sua irmã, muito querida, nascida em São Paulo em 26.04.1954. Desencarnou em acidente na Mogi-Dutra, dia 28.06.1976. Foi sepultada exatamente 14 meses após o desencarne de Maria Célia.

HOMERINHO - Irmão gêmeo de Maria Célia.

MARIA ELISA - Irmã caçula de Maria Célia nascida em São Paulo em 27.03.1958.

JACINTA - Cunhada de Maria Célia, casada há nove meses com o Homerinho. Maria Célia tinha muito afeto por ela.

MARCOS E MARCELO - Gêmeos. Irmãos de Maria Célia nascidos em São Paulo, em 27.07.1956.

MARCO AURÉLIO - Primo em 2.° grau de Maria Célia. Nascido em Bebedouro em 21.06.1953. Filho do Tio Quito Stamato, de quem ela fala. Foi criado por nós como filho e é tido como irmão de Maria Célia.

AUGUSTO - Augusto Cezar Netto - nascido também em 27.09.1942 e desencarnado em 27.02.1968 na Praia Grande, jovem que tem mensagens em: "Entre 2 Vidas, "Jovens no Além". "Somos Seis" e diversas outras. Filho de Raul Cezar e Yolanda Cezar.

VOVO STAMATO - Seu bisavô materno, pai da vovó Esther. Foi o fundador do Espiritismo na cidade de Bebedouro, mais ou menos em 1905.

TIO QUITO (STAMATO) - Desencarnado em Bebedouro em 24.02.1962 pai de Marco Aurélio. Tio avô materno, de Maria Célia.

BISAVÓ SANTOS FREIRE - Bisavô paterno, pai da avó dona Elisa Freire. Desencarnado em Mogi das Cruzes em 23.02.1927.

FERNANDO GARCIA - Amigo de Maria Helena e dos irmãos de Maria Célia, desencarnado em acidente automobilístico em Mogi das Cruzes em 21.08.1977.




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