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MENOTTI DEL PICCHIA
Escritor, da Academia Brasileira de Letras. Autor do famoso poema "Juca Mulato".

"Deve haver algo de divindade no fenômeno Francisco Cândido Xavier, o qual sozinho, vale por toda uma literatura. É que o milagre de ressuscitar espiritualmente os mortos pela vivência psicográfica de inéditos poemas é prodígio que somente pode acontecer na faixa do sobre-humano. Um psicofisiologista veria nele um monstruoso computador de almas e de estilos. O computador, porém, memoriza apenas o já feito. A fria mecânica não possui o dom criativo. Este dimana de Deus. Francisco Cândido Xavier usa a centelha imanente em nós".



ANTONIO OLAVO PEREIRA
Detentor de prêmios da Academia e da União Brasileira de Escritores, escreveu:

"Em matéria de experiência humana, Chico Xavier representa o maior conhecimento que já realizei na vida. Considero-o uma das criaturas mais evangelizadas, não só do nosso meio, como possivelmente do nosso tempo como expressão da tolerância, da renúncia, da compreensão, do respeito e do amor. Sua existência se desenvolve num plano de absoluta espiritualidade, infensa às solicitações de ordem material que constituem o ideal da vida moderna. Num mundo em que prevalecem a má fé, a mistificação, a fraude, o egoísmo, a insinceridade, Chico Xavier avulta como um ponto é referência para aqueles que ainda crêem na dignidade do homem e na sua recuperação pelos caminhos do Evangelho."



NELLY ALVES DE ALMEIDA
Escritora, Poetisa, Jornalista, Historiadora. Pertence à Academia Feminina de Letras e Artes do Estado de Goiás.

Chico Xavier, o iluminado. Emissário do Casto, encarregado de extraordinária e belíssima missão que desempenha com devotamento e altruísmo, CHICO XAVIER, o iluminado, é, sem dúvida, uma das grandes personalidades deste século.

Sustentado por forte poder mediúnico, durante estes anos de trabalho santificante e contínuo, tem dado à humanidade lições de caridade e amor, dentro da magnífica doutrina que o tem por apóstolo.

Quer psicografando obras estupendas (que já se elevam a número recorde) ou mensagens de grande alcance humano - evangélico - filosófico (hajam vistas as de seu mentor espiritual, Emmanuel), quer atendendo às multidões que o cercam, amam e respeitam, sua palavra, sublime e sã, é bálsamo que consola e ensinamento que constrói.

Incalculável é o número de pessoas que, como eu, em momentos de cru desespero, têm recebido, de sua mão generosa, a consolação precisa para, de novo, enfrentar a vida.

Sinto-me pequenina diante da sua grandeza. Grandeza a que ele sabe misturar, no complexo de indefinível paradoxo, a simplicidade piedosa e humana que só se equipara em forças à vastidão de sua doce humanidade."


MONTEIRO LOBATO
Escritor, Tradutor, Novelista predileto de crianças e adultos. Gênio renovador. Admirável brasileiro, filho da cidade de Taubaté, Estado de São Paulo.

"Se o homem produziu tudo aquilo por conta própria, então ele pode ocupar quantas cadeiras quiser na Academia."




GERALDO MAJELA FRANKLIN FERREIRA
Desembargador, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Magistrado e Escritor respeitável.

"Inexiste, na história do Espiritismo, pessoa que tenha sido dotada, e de maioria tão acentuada, de tantas modalidades mediúnicas, como soe acontecer com Chico Xavier.

A sua visão, que, de há muito, se apresenta deficiente para contemplar as coisas materiais, tem o dom de penetrar no mundo invisível e avistar aqueles que se encontram em sua mesma faixa vibratória.

Seus ouvidos possuem a faculdade de captar as vozes dos habitantes do Além.

Dentre outras belas e excepcionais mediunidades que ornamentam o seu espírito, é de destacar o poder de perfumar o ambiente, com agradabilíssimo aroma, que é sentido por todos os presentes e, muitas vezes impregnando-se em líquidos ou objetos, como o lenço, que o retém por longos dias.

Entretanto, o que na realidade notabiliza o extraordinário médium é a psicografia. Não é de se admirar apenas a incomum quantidade de livros, monografias e mensagens que já produziu. O que mais espanta seus leitores, ainda que leigos em coisas da Espiritualidade, é o conteúdo de todos os escritos que jorram de sua pena privilegiada.

Sem possuir cultura de qualquer espécie, pois a vida a tanto não lhe ofertou oportunidade, aprofunda-se em intricadas questões filosóficas, sobrepujando-se aos mais versados no assunto. Sobre a ciência, discorre com tal propriedade que confunde os próprios cientistas. No que tange a religião e à moral, é realmente, inigualável. Neste setor é que sua obra mais se destaca e cresce de vulto. Seus livros são verdadeiras fontes perenes de luz, abrindo novas clareiras para o homem que deseja se aperfeiçoar espiritualmente.

As obras que Chico Xavier já nos legou representam, efetivamente, algo que transcende a capacidade de um simples escritor, quer tanto à qualidade, quer no que toca à quantidade.

Nos estreitos limites desta entrevista, podemos apenas afirmar que as lágrimas que seus livros já conseguiram estancar, as dores, as angústias e os sofrimentos que seus escritos suavizaram; os suicídios, os abortos e tantos outros crimes que seus conselhos evitaram; o conforto, a esperança e a fé que suas mensagens levaram aos corações aflitos e desesperados; a luz que irradia das páginas de seus livros, indicando novos caminhos para a humanidade sedenta de paz e justiça, tudo isto, constitui um acervo de benefícios tais que poucas criaturas humanas conseguiram nos legar.

Antes de encerrarmos esta ligeira apreciação sobre a obra de Chico Xavier, imperioso tornar-se dizer que, como discípulo do Mestre Nazareno, exemplifica a humanidade em toda a sua extensão, pois, podendo vangloriar-se de seus escritos, a outrem transfere o seu mérito, oferecendo ao mesmo tempo, um eloqüente e irretorquível atestado da realidade dos dons mediúnicos."



EDMUNDO LYS
Comentarista literário do Rio de Janeiro e crítico perspicaz, escreveu sobre o extraordinário médium de Minas: "Se quiséssemos imitar Belmiro Braga, seria justo versejar na sua forma habitual. Ora, no "Parnaso de Além Túmulo", o poema de Belmiro Braga é em sextilhas e, entretanto, se identifica como inspiração, como estilo, até como forma!"

"... Queremos concluir, aqui, sobre a pasmosa identidadE espiritual, com exclusão de qualquer recurso literário, entre a obra legada e a psicográfica, de Chico Xavier. Há casos, entre tanto, em que o pensamento e a forma são imprescindíveis, como no de Augusto dos Anjos, por exemplo. O poeta do "EU" foi um estro singularíssimo e, por isso, inconfundível, embora muito imitado. Diante de cada discípulo do vale paraibano, sente-se o aprendiz e, em geral, o mau aprendiz. Entretanto, o que Chico Xavier nos dá de Augusto dos Anjos, se aparecer entre os sonetos do "EU", não poderá ser denunciado como obra psicografada. "





MANUEL QUINTÃO

(Nos cinqüenta anos de mediuNidade de Francisco Cândido Xavier).

Soneto psicografado pelo médium Júlio Cezar Grandi Ribeiro, em reunião pública comemorativa dos 50 anos de atividades mediúnicas de Chico Xavier, na Casa Espírita Cristã, Vila Velha (ES), na noite de 8-7-1977.
BILHETE DE IRMÃO
Dez lustros de profícua atividade,

Dez lustros de severas disciplinas

Conduzem-te no Amor...

E te iluminas

Pelos caminhos da mediunidade!
Por tuas mãos, em lides peregrinas,

Fluem consolações da Eternidade,

Desvendando-se o Além, pleno em Verdade,

Ante os clarões de graças cristalinas.


Lembro-te, em prece, a marcha redentora,

Buscando, em paz, a força alentadora,

Onde teu coração constrói o abrigo...
E rogo ao Pai, sentindo o indefinível:

Deus te abençoe, irmão inesquecível,

Deus te abençoe, bondoso e terno amigo!

jornalista, Radialista e Escritor de renome.



ALEXANDRE KADUNC
Jornalista, Radialista e Escritor de renome.

...Chico Xavier é, simplesmente, um instrumento, um "aparelho" na linguagem espiritualista. O cérebro humano, do qual pouco se conhece, opera como um poderoso emissor e captador de ondas magnéticas. O processo funciona tal qual uma emissora e um receptor de rádio ou TV. Todos os seres humanos tem essa faculdade, acontecendo, no entanto, que alguns "escolhidos" ostentam condições especialíssimas de "recepção" e "emissão". No meu superficial entender "eletrônico", Chico é muito mais "receptor" do que "emissor". Os advogados do diabo já fizeram o diabo para provar fraudes nos textos captados do além e transmitidos (estilos incontestáveis) pela entidade-titular (padre Manoel da Nóbrega) que se denomina Emmanuel e por famosos autores falecidos, como Humberto de Campos, Castro Alves e Cid franco. Chico Xavier é um fenômeno muito elevado para ser analisado...

Chico Xavier é um inigualável conselheiro, o próprio CONSELHEIRO XX. Ele é, para quem entende certo tipo de colocação aparentemente aloprada, um fenômeno eletrônico, um ser humano de alta sensibilidade, de poderosa humildade e intrigante cultura, obtida fora dos livros e das escolas, mas no contato com outros planos, que só não existem no entendimento daqueles que são cegos mentalmente (a quase totalidade) e na análise pobre dos donos da pálida tecnologia terrestre, infinitamente inferiores "culturas espaciais", absolutamente reais, mas ao alcance de uns poucos, que, em vida, se preocupam fundamentalmente com os outros. Chico Xavier não é Deus, mas é amigo pessoal Dele. Certos seres nunca morrem, contrariando a prosaica colocação de colapso orgânico. Chico é imortal, não pelas dezenas de livros de autoria de mentes imortais que se valeram de seu cérebro sensitivo e de sua mão "eletrônica", mas porque é formado com louvor na "Academia do Astral" que torna pobre a outra Academia literária dos pesados fardões, onde, aliás, ele deveria ocupar a cadeira de número um. Chico Xavier é o símbolo da delicadeza, maldosamente interpretada pelos seus detratores.

Chico Xavier é um HOMEM MAIOR que ao longo de sua vida terrena não fez outra coisa senão virar a outra face. Mas, agora, chegou à hora do reconhecimento e da recompensa eternos. Computador algum, nem o complexo eletrônico da NASA, conseguiria calcular a altura e a luminosidade da morada final que está reservada a esse maravilhoso e ecúmeno Conselheiro XX.




UMA CRÔNICA
Publicada no jornal "O Estado de São Paulo", edição de 10 de junho de 1944, da qual extraímos o seguinte trecho:

"...Fui sempre leitor de Humberto de Campos. Há anos, atraído pelo rumor que se fazia, procurei ler, igualmente, umas crônicas a ele atribuídas por Francisco Xavier, esse jovem, modesto e iletrado caixeiro de loja de uma cidadezinha de Minas. Observei o seguinte: a fantasia, a compreensão fraternal da vida e o bom gosto na composição são os mesmos que caracterizam a obra do nosso ilustre patrício. Até aí, trata-se de faculdades inatas que, por um acaso qualquer, poderiam ser trazidas do berço por Francisco Xavier.

O mesmo, porém, não poderia dar-se com a cultura, a correção, a clareza, a maneira particular de sentir, de escrever, de comunicar a sua impressão ao leitor. Enfim, a sua personalidade, a sua atitude perante a vida, os seus silêncios, elementos de êxito que Humberto de Campos conseguiu em quarenta anos de incessante prática da literatura. E o rapazinho de Minas Gerais, apresentando tais virtudes, não poderia improvisar aquilo que em todas as artes os artistas não trazem do berço e que é o mais difícil de conseguir.

Não quero discutir a questão, mas, no meu pobre entender, o Tribunal terá dois caminhos a seguir: ou declarar que Humberto de Campos é autor de tais obras, mandando o editor entrar com os direitos para os herdeiros, ou negar a autoria do nosso grande escritor. Nesse último caso, terá de pedir a Academia Brasileira de Letras uma poltrona para o rapazinho que principiou por onde nem todos acabam, isto é, escrevendo páginas que puderam ser atribuídas a quem tão formosamente escreveu..."



RADIEL CAVALCANTI
Da Academia Paraibana de Poesia Aos Cinqüenta anos de Mediunidade do celebérrimo confrade FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER, em sinal de agradecimento por tudo que há feito em nosso favor!
Divino Alpinista
Dos Alpes do coração do nosso querido poeta Radiel Cavalcanti, da Academia Paraibana de Poesia, rolaram as lágrimas do agradecimento, versejadas na transposição de grotas e montanhas, inundando os vales com a alegria, de trazer aos confrades os Cinqüenta anos de mediunidade, que iluminou paços e tapera, refloriu a primavera, onde a treva crestou o coração.

Caros leitores, abaixo transcrevemos o lindíssimo poema inserido no Correio Fraterno do ABC, em agosto de 1977, que motivou-nos a reproduzi-lo nesta edição, enriquecendo-a com a presença do querido poeta.


Transpondo vales, grotas e montanha,

Como empecilhos naturais da senda,

Ele, ontem, se arrastou, hoje se banha,

E aproveitando o pó, fez sua tenda!


Mora na Pátria que não é estranha,

Fala bem claro para que se entenda;

Enquanto o povo o seu ensino ganha,

Haurindo luz para evitar contenda!


OS CINQUENTA ANOS DE MEDIUNIDADE

Anteciparam a sua Eternidade,

Pondo-o a viver no céu e aqui no chão...
Iluminando paços e tapera,

Fazendo reflorir a primavera

Onde a treva, crestou o coração!!!

IVANI RIBEIRO
Escritora, Novelista, Jornalista e Poetiza de renome nacional.

"A primeira coisa que aprendi com Chico Xavier - diz Ivani - foi a certeza do renascer. Antes eu tinha medo da morte. Agora sei que ela é uma passagem e deve ser encarada com tranqüilidade. Conviver com o Chico dá um enriquecimento interior muito grande, porque ele emana uma riqueza que passa pra gente. "

E com entusiasmo que Ivani Ribeiro fala de Chico Xavier: "Ele é uma figura mística, quase transparente, sendo ao mesmo tempo tão forte e vigorosa que empurra as pessoas para frente e para o alto. O Chico é ecumênico: ele aceita todos os credos e comunga com todas as crenças. E eu acho que é assim que tem de ser. O seu trabalho vem há 50 anos tentando aproximar o homem de Deus."


PAULO DANTAS
Jovem Romancista nordestino, detentor de numerosas láureas acadêmicas.

"Não conheço, mas admiro o espantoso Chico Xavier. Tenho mesmo a intenção de um dia ir a Uberaba para ver o homem-fenômeno de perto, conversar com ele, sentir o profundo de sua natureza, tocar na mão de seu caráter. Não morrerei sem vê-lo de perto. Porque Chico Xavier, pela sua pureza, é um homem suspenso no infinito."



J. HERCULANO PIRES

Parapsicólogo, Professor, Jornalista, Escritor Romancista de alto sentido filosófico.

Entrevista feita no programa "Câmara Aberta, levado ao ar no dia 30.6.1977 pela Rede Tupi de Televisão - Canal 4 - São Paulo, no advento do cinqüentenário de Mediunidade de Francisco Candido Xavier.

Chico Xavier é uma doação, uma verdadeira doação, uma criatura que se entregou inteiramente aos outros. Criança, ele foi, como todos sabem, uma criança pobre, abandonada, sofredora, entregue mesmo a situações bastante cruciais e cruciantes; sofreu bastante na adolescência também, desenvolvendo a sua mediunidade que é uma das mais fabulosas mediunidades do mundo; a sua capacidade de psicografia é extraordinária como sabemos, um volume de obras por ele recebidas, obras de escritores, poetas, cientistas, sim, de cientistas também, como se vê nas suas obras referentes a problemas científicos. Chico Xavier realizou um trabalho constante de abnegação, de entrega aos outros, não pensou em si mesmo, não cuidou de si, cuidou de servira Doutrina, que lhe pareceu o que mais lhe tocava o coração, e a mais certa, e entregou-se a essa doutrina, procurando ajudar, esclarecer e orientar as criaturas em todas as situações difíceis em que se encontravam; nós sabemos que Chico não media horas,e não mede ainda hoje, apesar de ser obrigado a não se exaurir tanto, ele na verdade, entrega-se ás pessoas que lhe necessitam com inteira abnegação, inteiro carinho, com verdadeiro amor fraterno; é uma criatura que realiza uma das coisas mais difíceis do ensino evangélico: 'Amar o próximo como a si mesmo:'


HUMBERTO DE CAMPOS FILHO

Jornalista, Escritor e Poeta eminente.

- E suas relações com Chico Xavier, atualmente, Humberto? - pergunta o redator.

- São e sempre foram ótimas.

Você acredita que as mensagens de Chico, são mesmo obra do espírito de seu pai?

- Você é a milionésima pessoa que me faz essa pergunta, ou melhor - essas perguntas. Vou tentar responder ambas, agora, contando uma passagem de minha vida:

Por volta de 1957, vindo com uma caravana de espíritas até Uberaba, como tanta gente que busca, incansavelmente, uma resposta às suas perguntas angustiosas sobre o fenômeno da morte, do destino e da dor, fui conhecer de perto o Chico Xavier. Passados tantos anos, quase duas décadas, ia encontrar-me com aquele que tinha sido alvo de uma ação movida pela minha família. Foi um encontro realmente comovente, pois, desta vez, ambos estávamos do mesmo lado da trincheira. Participei da feitura da sopa dos pobres, descascando cenouras sob um telheiro, numa atmosfera que lembrava as cenas simples dos primeiros dias do verdadeiro cristianismo. Caminhei ao lado do Chico ao longo da romaria que era realizada no sábado à tarde, levando um saco com mantimentos, que seriam distribuídos aos pobres, visitados no trajeto. Presenciei no interior de uma palhoça o tocante momento em que um doente grave era visitado pelo espírito de Memei, que se anunciava por um pronunciado cheiro de éter que, depois, era substituído pelo aroma de flores silvestres. E, por final, já na noite anterior ao nosso regresso, a conversa realmente impressionante que tive com ele.

De início, envolvido por aquela atmosfera de paz e bondade que sua presença transmite, conversamos sobre o passado e sobre as coisas que julgávamos importantes, em relação ao momento em que vivíamos. De repente, sem as bufadas ou contorções tão comuns para quem freqüenta reuniões desse tipo, notei que o Chico deixava de ser o Chico para ser, talvez, alguém que identifiquei como meu pai. Pelas coisas' que dizia e pela forma que as dizia. E o que ouvi naquela noite, guardei para o resto de minha vida. Foram coisas que agora me fazem pensar se não estamos bem próximos ou já chegamos aos instantes de decisão, vaticinados por aquela voz.

"O mundo é uma fogueira que se consome nos mais baixos impulsos da vaidade e da ambição do homem. Nesse mundo que está sendo transformado, fisicamente, sem nenhuma consciência e sem nenhum escrúpulo, numa rapidez surpreendente, o próprio homem, vivendo nesse contexto e agindo de acordo com as regras vigentes, para não ser aniquilado, já começa a desconfiar de que alguma coisa está profundamente errada."

- Essa entrevista com Humberto de Campos Filho, falando sobre Chico Xavier pessoa humana, sobre Chico Xavier, homem de paz e de bondade, comove aos espíritas e umbandistas. E o momento inesquecível na vida de Humberto, no qual as palavras e as coisas ditas por Chico, pareciam vir da mente do seu querido pai - também são registros importantes - pois que dificilmente um filho esquece as maneiras, os pensamentos e conceitos íntimos de seu pai. Pode ser que o Espiritismo não tenha conquistado em Humberto um adepto fervoroso, mas - segundo ele mesmo confessa - afigura de Chico Xavier; naquela noite longínqua, plantou, em seu coração, uma semente de esperança, que jamais deixará de ser cultivada.



LICINIO LEAL
Grão Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de Goiás, Vice-diretor da Faculdade de Direito Federal de Goiás, Presidente do Colegiado de Cursos Jurídicos da UFG. Professor nas Universidades de Direito Federal, Católica e Anhangüera. Já escreveu uma vasta produção literária e Jurídico Penal.

"Foi aos 17 anos de idade, pela vez primeira, ouvi falar de Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier. Eu havia ido à Veneza brasileira, estudar. Hospedei-me com um parente longínquo, fervoroso adepto do Espiritismo. Sua biblioteca estava repleta de obras espíritas, a maioria mediúnica, escritas por Emmanuel, André Luiz e outros, através do médium de Pedro Leopoldo.

Os jornais de grande circulação no Nordeste, vez por outra estampavam, nos idos de 1952, reportagens de primeira página sobre o mago da mediunidade no Brasil. Sua extraordinária fertilidade literária - jamais igualada, aqui e além fronteiras, nem mesmo por Coelho Neto ou Castilho - era motivo de espanto, saindo de um modesto amanuense do Ministério da Agricultura, que jamais tivera outra escolaridade que o primário. Descreviam-se os seus gestos no momento da produção mediúnica - a mão esquerda cobrindo os olhos, a mão direita empunhando um lápis após outro, numa escrita nervosa e extremamente rápida, as folhas de papel sem pauta retiradas por um acólito. E ao cabo de alguns minutos do mais profundo silêncio, diante de uma assistência contrita e espectante, ora lida, pelo próprio médium, o texto recebido durante o transe, ora uma poesia concebida nos mais diversos estilos, ora tema exortação de cunho ético ou religioso.

Ao vir para Goiás, senti, no Planalto, uma Profunda atração mística na direção do grande médium brasileiro. Os centros espíritas, as mocidades espíritas se espalhavam pelas principais cidades goianas. Tornei-me espírita, Kardecista - Kardec o mentor do verdadeiro Espiritismo, seguido por Francisco Cândido Xavier., E como todo espírita, aspirava a conhecer o grande médium.

Ele se transferira, por ordens do alto, segundo confidenciara a amigos, para a cidade mineira de Uberaba. Tinha, como secretário Weaker Batista, como eu Maçom: quando esse ilustre Obreiro foi Venerável Mestre da Loja "Roosevelt", de Anápolis, eu fui seu Orador. Daí, o convite de Weaker, que mora ao lado da casa de Chico Xavier. À noite, seria a sessão. Não havia muitas pessoas de fora, ao contrário do que, freqüentemente, ocorre. Mesmo assim, o recinto estava repleto.

Uma fervorosa adepta de Chico lhe trouxe uma exuberante rosa vermelha que ele, após a apresentação, me passou às mãos, como uma recordação sua.

Após, homens e mulheres, vestidos com simplicidade, apesar de vários serem portadores de títulos universitários, reunimo-nos em torno de uma mesa, onde seriam discutidos textos do Evangelho. Coube a mim discorrer sobre o texto escolhido, à deriva. Chico, enquanto isso, cerca de hora e meia a duas horas - se trancara num quarto, contíguo, atendendo a uma fila, que, lentamente, se esvaia. Ao termo, voltou, sereno, e sentou-se; sobre o papel, no gesto característico de vedar os olhos, começou, como tangido por estranha corrente elétrica, a escrever, página que leria, minutos após, com voz angelical.

A impressão que Francisco Cândido Xavier deixa, nos que o conhecem, é a de um apóstolo do verdadeiro Cristianismo, santo que, ao lado de Francisco de Assis, o Polverello, e Mohandas Carancham, o Mahatma Gandhi, mais perto se aproximou, pela pregação e seu devotado exemplo de caridade, do sublime rabi da Galileia.




APARÍCIO FERNANDES
Escritor, Jornalista, Poeta, Radialista e eminente homem de letras, nascido na cidade de Acari, Estado do Rio Grande do Norte.

Em 1965, a Federação Espírita Brasileira publicou a antologia "Trovadores do Além", organizada pelo médico (e trovador) Elias Barbosa, residente em Uberaba, Minas Gerais. O livro enfeixa 312 trovas de autores desencarnados, isto é, de poetas já falecidos, que retornaram, em espírito, para, através das faculdades do médium, fazer chegar aos seus irmãos deste mundo algumas das trovas que continuam a compor na Vida Espiritual. O médium é mero instrumento intermediário. Para isto cede seu corpo (ou apenas seu braço) a fim de que o poeta desencarnado, utilizando-se dele, possa escrever a trova que fez. As trovas figurantes no livro "Trovadores do Além" foram psicografadas (isto é, recebidas mediunicamente), pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. O primeiro é um dos mais famosos médiuns espíritas do mundo, cuja vida de renúncia, humildade e caridade incondicionais a muitos tem edificado...

Serão realmente dos trovadores do além-túmulo essas trovas?

Eis uma questão cuja resposta depende do entendimento de cada um e da perseverança e seriedade com que se empenha em pesquisar a Verdade. O que podemos dizer é que nossos olhos se encheram de lágrimas quando lemos, pela vez primeira, estas trovas, atribuídas ao espírito de Adelmar Tavares:


O regozijo da morte,

que ninguém sabe dizer,

tem a beleza da noite

no instante do amanhecer.


Ouvi alguém que dizia:

- "La se vai o poeta morto",

sem perceber a alegria

do sonho chegando ao porto.


No momento derradeiro,

antes do sono feliz,

compus em gotas de pranto

a trova que nunca fiz.


Afeições enternecidas, meus derradeiros amores!...

Deus vos salve, mãos queridas,

que me cobristes de flores!...
Celeste amor que perdura

atende a roteiro assim:

ilimitada ternura

no entendimento sem fim.


Morte!... No termo das provas,

Senhor, agradeço a luz

com que adornaste de trovas

as trevas de minha cruz!


Nas trovas acima; duas são de rima simples - o que era comum em Adelmar Tavares - mas tem a singeleza e a espontaneidade característica do saudoso poeta. Tivemos o prazer de conhecer pessoalmente o Doutor Adelmar, já velhinho, com o qual conversamos várias vezes. Constatamos de perto a bondade e o lirismo de sua alma de poeta. Por outro lado, lemos e relemos inúmeras vezes suas poesias e trovas. Ora, em nossa opinião, tanto no estilo como no sentimento, essas trovas são tipicamente de Adelmar Tavares. Para que o leitor possa comparar, extraímos da obra do grande trovador pernambucano as trovas que se seguem, as quais apresentam nítidos pontos de contato com as outras trovas, que Adelmar-Espírito nos enviou através da mediunidade de Chico Xavier:
A morte não é tristeza

é fim, é destinação.

- Tristeza é ficar vivendo,

depois que os sonhos se vão..


Trovas, trovas da minha alma!

Da vida quando eu me for,

sede o humilde travesseiro

do sono de um sonhador.


Quando eu morrer, levo à cova,

dentro do meu coração,

o suspiro de uma trova

e o gemer de um violão.


Neste mundo, a certas vidas,

a morte seria um bem.

Mas até a própria morte

se esquece delas também...


Mãe, que os meus versos incensam!

Quando eu vim do mundo à luz,

foi na cruz de tua bênção

que eu vi a vida - uma cruz


Alguém já disse, e é verdade,

que o sentimento do amor,

ou se faz eternidade,

ou, então, não é amor...


Trova que vens novamente

encher o meu coração,

- sê bendita, luz divina,

amor de consolação.


Que contraste tem a Sorte!

No mundo, que ingrata lida!

- A Vida chorando a Morte...

E a Morte rindo da vida...


Para os que acreditam, é uma alegria e um certeza de imortalidade. Para os descrentes, será, pelo menos, uma esperança.



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