Simpósio nº 28



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SIMPÓSIO Nº 28

LOS EMPRESARIOS DE AMERICA LATINA. CONFRONTACIÓN DE IDEAS Y ESTUDIOS DE CASO



A atuação de Henrique Lage no cenário empresarial brasileiro (1918-1942)

Carlos Campello

Universidade Federal Fluminense

ccampello@uol.com.br



  1. Introdução

Desde 1825 a família Lage atuava nos negócios de trapiches de mercadorias, depósitos de carvão e oficinas para pequenos reparos navais. Na oportunidade, o bisavô de Henrique Lage, Antonio Martins Lage, arrendou a Ilha das Enxadas, localizada na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

Na linha sucessória, o avô de Henrique Lage, também chamado Antonio Martins Lage, prosseguiu com os negócios e adquiriu a Ilha do Vianna, para onde foram transferidos, em 1882, as atividades existentes na Ilha das Enxadas. Para servir de moradia para a família, Antonio Lage adquiriu a propriedade hoje conhecida como Parque Lage.

O filho de Antonio Lage, Antonio Martins Lage Filho, ao assumir o comando dos interesses da família, começou a preparar, entre 1886 e 1887, a expansão dos negócios em Santa Catarina, com a compra de terras para a exploração do carvão mineral. Pouco depois, em 7 de fevereiro de 1891, fundou a Companhia Nacional de Navegação Costeira, cuja frota era composta pelos famosos Itas, e que veio a tornar-se a mais conhecida da marinha mercante brasileira, ligando, durante anos, os portos brasileiros, levando passageiros e cargas de Norte ao Sul do Brasil.

Antonio Martins Lage Filho era casado com Cecília Braconnot, e da união nasceram, Antonio, Renaud, Henrique, em 14 de março de 1881, Jorge e Frederico. Com o falecimento do pai, em agosto de 1913, o comando dos negócios foi transferido para os filhos Antonio e Jorge Lage. Em 20 de outubro de 1918 faleceram Antonio e Jorge, vitimados pela gripe espanhola. Com o acontecimento, Henrique Lage, que já atuava na região de Santa Catarina, assumiu o controle geral das atividades empresariais da família, e deu início a adoção da estratégia de integração vertical baseada no trinômio: carvão, ferro e navio.

Apesar de Renaud ser mais velho, a escolha de Henrique foi proveniente de uma decisão da mãe do industrial, por considerá-lo mais habilitado para a condução dos diversos empreendimentos. Além disto, contra Renaud pesou a característica pessoal de um convívio mais difícil, pois era considerado temperamental. Frederico, por sua vez, encontrava-se radicado com a família nos Estados Unidos.

No dia 7 de dezembro de 1918, acionistas da Costeira elegeram Henrique Lage como diretor-presidente. Durante o evento, Renaud Lage foi de opinião que os esforços da empresa deveriam ser concentrados nos serviços de navegação e de construção naval, o que deixava de lado as aplicações em outros fins. Henrique Lage, por sua vez, possivelmente para evitar um atrito mais forte naquele momento, mostrou-se de acordo, sem, no entanto, deixar de ponderar que não deveriam ser deixadas de lado as oportunidades visando o futuro.1 Esta foi a primeira de muitas divergências entre Henrique e Renaud, não apenas na gestão da Costeira, mas, também, na condução dos demais negócios da família.

Ao assumir a direção das atividades da família, Henrique Lage indenizou os herdeiros dos irmãos Antonio e Jorge. Anos depois, Henrique Lage indenizou, em função de divergências, os irmãos Renaud, em 1926, e Frederico, em 1935. Deste modo, Henrique Lage ficou como único membro da família na condução dos empreendimentos.

A implementação do projeto empresarial de Henrique Lage dependia de apoio governamental, principalmente através de incentivos fiscais e financiamentos. Assim, o empresário buscava sempre auxílio junto aos organismos do governo, porém, nem sempre lograva êxito. Outra questão que dificultava a atuação do empresário era a falta de cumprimento dos compromissos financeiros por parte do poder público.

Mas, apesar das dificuldades, Henrique Lage conseguiu compor um conjunto de aproximadamente trinta empresas, dos mais variados setores econômicos, formando a chamada “Organização Lage”. Com o falecimento do empresário, em 1941, ocorreu uma intensa disputa sucessória, o que levou Getúlio Vargas a incorporar, no ano seguinte, as empresas do espólio ao patrimônio nacional.

Assim, o trabalho objetiva analisar as conjunturas sociais e econômicas que influenciaram as ações empresariais de Henrique Lage, bem como os motivos que levaram Vargas a promover a incorporação das empresas ao patrimônio nacional brasileiro.


  1. As ações empresariais de Henrique Lage

Ao assumir a liderança das atividades empresariais da família, Henrique Lage iniciou a formação de um verdadeiro império empresarial, através da criação e da aquisição de diversas empresas, não apenas nos setores estabelecidos no trinômio carvão, ferro e navio, mas, também, em outras áreas como as de seguros, aviação e produção salineira.

A opção pela integração vertical originou-se pela preocupação de Henrique Lage com as questões envolvendo o fornecimento dos insumos necessários ao processo produtivo de suas empresas. Sobre o tema, o empresário chegava a afirmar que:

Toda a indústria que dependa da boa ou má vontade do produtor da matéria-prima ou que estiver na dependência de fatores vitais para viver constitui uma organização falha, entregue aos azares da sorte e, por isso mesmo, fadada ao aniquilamento, cedo ou tarde. [...] No Brasil, pois, não basta criar uma indústria; o espírito de brasilidade exige que essa indústria se satisfaça a si própria. Deve ser ela independente de fatores que, em dado momento, a possam sufocar ou aniquilar 2


Observa-se que, embora não possuísse ineditismo, sendo até uma prática comum entre os empresários brasileiros de sua época, a estratégia de Henrique Lage foi tratada pelo empresário de forma diferenciada, como uma filosofia empresarial.

Sobre as empresas que compuseram o patrimônio empresarial de Henrique Lage, no segmento carbonífero, no estado de Santa Catarina, em 1918, o empresário adquiriu o controle acionário da Companhia Brasileira Carbonífera do Araranguá, empresa que também possuía o arrendamento da Estrada de Ferro Donna Thereza Christina. Esta estrada era de suma importância para o escoamento da produção das minas catarinenses até os portos de Laguna e Imbituba, estes, por sua vez, possuíam problemas de acesso dos navios.

No porto de Laguna, devido ao baixo calado, só era possível a atracação de barcos de pequeno porte, o que impedia a utilização dos navios da Costeira para o transporte do carvão para outras praças. Para solucionar a questão, Henrique Lage comprou a Companhia de Navegação São João da Barra e Campos, empresa que contava com embarcações menores.

Em Imbituba, o problema era com relação às fortes ondas, que causavam constantes acidentes. Assim, em 1922, Lage fundou a Companhia Docas de Imbituba, e passou a investir nas melhorias das condições do porto, inclusive com a construção de um quebra-mar. Nesse mesmo ano, ainda em Santa Catarina, Henrique Lage criou a Companhia Nacional Mineração de Carvão do Barro Branco, para explorar as minas na região de Tubarão, e assinou contrato com a Empresa Terras e Colonização, para a exploração do subsolo em Orleans.

Cabe ressaltar que, embora na região catarinense o carvão mineral fosse abundante, a qualidade era inferior ao produto importado. Assim, para tornar competitivo o carvão nacional, eram necessários investimentos na extração, no beneficiamento e também no transporte.


Esses investimentos foram mais efetivos a partir dos problemas de abastecimento ocasionados pela deflagração da guerra na Europa, quando surgiu a decisão de se desenvolver o setor carbonífero nacional, através da retomada de experiências e de incentivos para a produção.


Junto com o carvão mineral, o desenvolvimento da siderurgia foi fator preponderante para o crescimento industrial brasileiro. Para o progresso do setor, os governos ofereceram incentivos para a montagem de estabelecimentos siderúrgicos.

Interessado em atuar no segmento, Henrique Lage organizou, em 1919, a Companhia do Gandarella, com o objetivo da extração do minério de ferro naquela região de Minas Gerais; fundou, em 1924, a Sociedade Anonyma Gaz de Nitheroy, para transformar o carvão catarinense em coque siderúrgico; e formou, também em 1924, o Consortium Siderúrgico Nacional, para organizar o plano siderúrgico.

Anos mais tarde, em 1937, Henrique Lage constituiu a Companhia Mineração e Metallurgia São Paulo – Paraná. Na Ilha do Vianna, o empresário inaugurou forno basculante de 20 toneladas, do tipo Siemens-Martin, para a produção de vergalhões e barras de aço, sendo utilizado, para isso, o minério extraído das jazidas de Gandarella.

O encaminhamento governamental para a instalação da grande siderurgia sob controle estatal inviabilizou o projeto siderúrgico de Henrique Lage, que ficou restrito às instalações da Ilha do Vianna, e com a produção atendendo ao consumo de suas empresas. Entretanto, o projeto do governo favoreceu a outro setor de atuação de Henrique Lage, o do carvão mineral, pela utilização do produto na usina de Volta Redonda.

Com relação à construção de embarcações, com a Primeira Guerra, Wenceslau Braz aprovou, no início de 1918, um plano que criou estímulos à construção de navios em território brasileiro, inclusive estabelecendo prêmios por tonelagem construída.

Para a Costeira, além dos prêmios, o poder público concorreu com a metade das despesas para a construção de carreira e estaleiros. Em contrapartida, a Companhia era obrigada a restituir a soma adiantada, construindo e consertando navios do governo com abatimento. Por conta desse acordo, foram construídos para a frota da Costeira os navios Itaquatiá e Itaguassú, e, para a Marinha, remodelados os cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul, além de consertos em outras embarcações.

Outra importante obra foi a da construção para o governo argentino do primeiro petroleiro pertencente a um país sul americano, o M.O.P. 340-B, de 1.400 toneladas. O navio a motor foi lançado ao mar em agosto de 1928, e entregue em maio de 1929, em cerimônia realizada na cidade de Buenos Aires.

Na Ilha do Vianna trabalhavam cerca de 1800 operários, engenheiros e desenhistas, e as oficinas ocupavam 34.000 dos cerca de 192.000 m² da área da ilha. Diversos eram os serviços realizados pelas oficinas, como carpintaria e fundição de ferro e aço. A ilha contava, ainda, com conversor Bessemer para duas toneladas, além de 320 metros corridos de muralha de cais, com profundidade de 30 pés, e duas carreiras de construção naval para navios até 10.000 toneladas.

Os investimentos da Costeira na Ilha do Vianna foram feitos na expectativa do aporte financeiro do governo, no entanto, o pagamento não ocorria na velocidade esperada. Outros atrasos também aconteciam, como os dos prêmios do Itaquatiá, pago em 1930, e o do Itaguassú, que ficou sem solução até 1931, quando passou a fazer parte do acerto de contas entre o poder público e a empresa. Os serviços realizados para a Marinha também eram pagos com atraso, bem como as indenizações pelas requisições de navios para atender às necessidades da Armada.

O não cumprimento de compromissos por parte do governo, além da falta de encomendas, criavam para Henrique Lage problemas na gestão da Costeira. Sem disponibilidade financeira e tendo que executar as obras, para conseguir recursos, sempre que assinava algum contrato, Lage procurava o Banco do Brasil para caucioná-lo, com o pagamento dos respectivos juros. Além disto, para novos investimentos, Lage muitas vezes investia capital próprio ou recorria a algum tipo de empréstimo, obtido no Brasil ou no exterior.

Na tentativa de implementar a construção naval no Brasil, Henrique Lage, como deputado federal eleito em 1934, apresentou no ano seguinte o projeto nº 379, onde propunha, em termos gerais, medidas de amparo à indústria nacional, concedendo prêmios, favores e preferência nas encomendas governamentais. A proposta não chegou a ser aprovada, visto a implantação do regime do Estado Novo, que fechou o parlamento em 1937.

Na navegação, a chamada “luta de fretes” afetava os serviços e as finanças da Costeira. A situação era provocada pelas firmas que não possuíam contrato com o governo e, por isto, não eram obrigadas a cumprir rotas e prazos, com os navios permanecendo nos portos até a obtenção de cargas. Com isto, essas empresas podiam cobrar um valor bem abaixo dos praticados pelas companhias regulares.

Surgiu, então, apoiada por Henrique Lage, a proposta de unificação da navegação de cabotagem. Com o objetivo de liderar o processo, Lage adquiriu uma série de companhias do setor, como o Lloyd Nacional, Companhia Serras de Navegação e Commercio, Sociedade Brasileira de Cabotagem e Amazon River.

A intenção de Henrique Lage era de unificar sob seu comando os serviços com a criação de uma nova empresa, que contaria com o privilégio da grande cabotagem nacional, além da isenção de impostos, direitos e taxas. Através de correspondência encaminhada ao então Ministro da Viação e Obras Públicas, José Américo de Almeida, Lage demonstrava claramente o interesse em comandar essa nova companhia: “Dentro deste programa poderei assumir as responsabilidades perante o Exmo. Sr. Chefe do Governo Provisório e V. Ex., para a realização dessa organização, num contrato em que figurem todas as garantias para o Governo”.3 A proposta de unificação sofreu a oposição de setores marítimos e governamentais e, assim, não chegou a ser implementada.

Além das firmas já citadas, diversas outras empresas foram organizadas por Henrique Lage para a atuação em diferentes ramos econômicos. No setor de seguros, foi constituída, em 1919, a Sociedade Anonyma Lloyd Sul Americano Companhia de Seguros Marítimos e Terrestres. Além desses tipos de seguros, na ocasião, outro segmento passou a fazer parte do interesse do empresário, o de acidentes de trabalho. Assim, Lage fundou, em 1920, o Lloyd Industrial Sul Americano, e construiu, anos depois, o Hospital dos Acidentados, para atendimento dos sinistros da companhia.

A velocidade da ampliação das atividades fez com que Henrique Lage passasse a atuar também no setor bancário, com a fundação, em 1920, do Banco Sul do Brasil, com sede no Rio de Janeiro e caixa matriz em Florianópolis. Ao longo dos anos foram fundadas outras agências em território catarinense, como as de Blumenau, Tubarão, Laguna e Imbituba. A criação da instituição permitiu que o industrial passasse a ter para as suas empresas uma retaguarda no mercado financeiro, o que vinha a favorecer a obtenção de financiamentos através da carteira de redescontos do Banco do Brasil.

Outra importante atuação empresarial de Henrique Lage foi na construção civil, através da participação, em 1922, na Companhia Nacional de Construções Civis e Hydráulicas (CIVILHIDRO), que tinha por finalidade principal a execução de obras e construções, especialmente terraplanagem, dragagem, saneamento, e obras marítimas, como também a exploração de concessões de qualquer natureza.

Ao longo da existência da Companhia diversas foram as obras públicas realizadas, dentre as quais destacaram-se: o prolongamento do cais do porto do Rio de Janeiro; o melhoramento no porto de Florianópolis; a construção de parte do porto de Paranaguá; e a edificação da muralha de contorno e do aterro na ponta do calabouço para a construção do aeroporto do Rio de Janeiro (atual Santos Dumont).

Outra iniciativa de Henrique Lage foi no campo da aviação, inicialmente apoiando a construção de dois aviões, o “Rio de Janeiro” e o “Independência”. Este último, concluído em 1922, voou pela primeira vez em maio daquele mesmo ano, sendo que, no dia 17 de junho, a aeronave participou da revoada de aparelhos que recebeu, na chegada ao Rio de Janeiro, os aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, vindos da importante travessia aérea do Atlântico Sul.

O motivo do investimento de Henrique Lage na aviação visava a ampliação dos negócios através do desenvolvimento da indústria aeronáutica e, para isto, o empresário esperava, na ocasião, o apoio governamental. No entanto, como não ocorreram as encomendas por parte do governo, ficariam para o futuro as novas investidas de Lage no setor aeronáutico.

Com a ascensão de Vargas ao poder, dentre as indústrias que receberam apoio estava a da construção de aeronaves. Assim, com o incentivo do presidente, em 1935 Henrique Lage retomou o projeto de fabricação de aviões, com a utilização das instalações da Ilha do Vianna e com a formação da Companhia Nacional de Navegação Aérea, que tinha a finalidade de projetar, construir e vender aviões, treinar pilotos e executar serviços de transporte aéreo.

O primeiro modelo de avião produzido pela fábrica foi o M-7, projetado por Antonio Guedes Muniz, e que compunha a série de aparelhos que levam o nome do projetista. Destinado ao treinamento primário de pilotos, o protótipo do aparelho foi construído no Parque Central de Aeronáutica (Campo dos Afonsos) e os aparelhos seguintes produzidos na Ilha do Viana, tornando-se o primeiro avião fabricado em série no Brasil. Outros aviões da série feitos na ilha foram o M-9 e o M-11.

Em princípio de 1940, a Companhia Nacional de Navegação Aérea iniciou o projeto de mais uma aeronave leve para treinamento de pilotos. Inicialmente o modelo recebeu a denominação de HL, posteriormente de HL-65, até chegar ao nome definitivo de HL-1, sendo, assim, o primeiro da série com as iniciais de Henrique Lage e idealizados pelos profissionais da empresa. Posteriormente, foram também construídos modelos concebidos a partir do HL-1, que receberam a sigla HL-1 A e HL-1 B, sendo fabricados desse conjunto 123 aviões, inclusive com unidades exportadas para a Argentina, Chile e Uruguai.

A ampliação da guerra na Europa despertou, na sociedade brasileira, a necessidade do desenvolvimento da aviação e surgiram iniciativas para estimular o setor. O crescimento das encomendas fez com que Henrique Lage preparasse a Ilha do Engenho para a montagem definitiva da fábrica e para a instalação de um aeródromo, propiciando a formação de pilotos civis. Entretanto, Henrique Lage faleceu antes de concluir as instalações da ilha.

Em outubro de 1942, a Companhia Nacional de Navegação Aérea realizou o primeiro vôo do protótipo do avião HL-6, um modelo de treinamento e que foi construído em série. Nos anos seguintes, a Companhia produziu variações desse aparelho, denominadas HL-6 A e HL-6 B, aeronaves com motor mais potente. Além dos modelos já citados, outros ficam apenas nos protótipos, como o HL-4, HL-5, HL-8 e HL-14

Cabe destacar que além da construção de aeronaves, a Companhia Nacional de Navegação Aérea promoveu a pesquisa de materiais, como a que possibilitou a introdução da madeira amazonense Freijó na estrutura dos aviões, substituindo com vantagens a Spruce, importada dos Estados Unidos. Dentro da intenção da nacionalização dos itens utilizados nos aparelhos, a fábrica de aviões utilizava os tecidos produzidos pela Fábrica de Tecidos Maruhy, localizada na cidade de Niterói, e também de propriedade de Henrique Lage. Observa-se, mais uma vez, Lage tendo o controle do fornecimento da matéria-prima, desta vez através da fabricação de insumos utilizados na indústria aeronáutica, em mais um exemplo de integração vertical. Ressalta-se que a aviação foi para Lage mais uma questão de realização pessoal, pois a fábrica não rendia lucros.

Com o fim do conflito mundial, as encomendas governamentais diminuíram, e como os Estados Unidos dispunham de grande quantidade de aeronaves, passaram a doar aviões ao Brasil ou a vendê-los a preços simbólicos, assim, embora o país possuísse tecnologia para a concepção e construção de modelos, a indústria nacional passou a produzir sob licença, praticamente encerrando as atividades.

Henrique Lage também atuou no setor salineiro. Em 1916, o empresário iniciou as atividades adquirindo sal para a comercialização. Posteriormente, na década de 1920, Lage passou a investir na expansão da extração do produto no Rio Grande do Norte e começou a operar na região de Cabo Frio, além da instalar a refinaria do famoso sal da marca “Ita”.

Vale ressaltar que, apesar de ter sido chamada de “Organização Lage”, o conjunto de empresas de Henrique Lage não chegava a se constituir um conglomerado, embora fosse composta por um grupo de companhias com atividades diversificadas, nem possuía uma organização do tipo Holding. Na realidade, o sentido daquela denominação era o de melhorar a coordenação das atividades das diversas empresas, através da formação de um Conselho de Administração que, na prática, se tornava meramente figurativo, pois Henrique Lage centralizava as decisões, independente de qualquer consulta a essa instância de gestão.


  1. A incorporação das empresas ao patrimônio nacional

Durante a década de 1930, ocorreu o ajuste de contas entre a Costeira e o governo, que culminou na assinatura do contrato, em 1936, com o Banco do Brasil, para a renegociação das dívidas. Além deste instrumento, outros acordos foram realizados com a instituição bancária oficial, com a garantia do pagamento dada, principalmente, pelas receitas de subvenção da Costeira.

Apesar das dificuldades, até março de 1941 a Companhia conseguia honrar os compromissos, porém, com a criação da Comissão de Marinha Mercante, Vargas suspendeu as subvenções pagas às empresas de navegação, cancelou a isenção de direitos e o auxílio à construção naval no Brasil e, assim, sem o subsídio governamental, as empresas de Henrique Lage não tiveram condições de cumprir o compromisso com o Banco do Brasil. Para evitar a inadimplência, o Governo concedeu mais um empréstimo e prorrogou o prazo de cancelamento das subvenções para 9 de outubro.

Em 16 de junho de 1941, Henrique Lage sentiu o agravamento do seu estado de saúde, prejudicado em função de um vírus contraído na perna durante uma viagem à Europa, na segunda metade dos anos 20. Na oportunidade, Lage solicitou como prova de lealdade, através de circular tendo Pedro Brando, seu principal auxiliar, como testemunha, que os dirigentes das empresas prestassem informações a sua esposa, a cantora lírica italiana Gabriella Besanzoni Lage. O empresário pediu, ainda, que também dessem conhecimento prévio de qualquer intenção de deliberações de vulto e a comunicação com antecedência da realização das assembléias e reuniões de diretoria, o que facilitava a presença de Besanzoni.

Pode-se notar que Henrique Lage tinha grande preocupação quanto à aceitação do comando de Gabriella Besanzoni por parte dos dirigentes das empresas, por isto, em nenhum momento, a colocava na condição de substituta. O que o empresário procurava mostrar é que, em virtude do seu estado de saúde, existia a necessidade de Gabriella Besanzoni ter mais conhecimento sobre o andamento das empresas.

O cuidado de Henrique Lage com a situação de Gabriella Besanzoni justifica-se em função da contestação do casamento do empresário com a cantora, realizado em fevereiro de 1925. Naquela ocasião, o enlace havia sido questionado judicialmente em virtude do industrial ter sido casado nos Estados Unidos, em 1906, com Lilliam Agnes Whitman, e se divorciado pouco depois, em 1909. O casamento e o divórcio foram feitos pela lei americana, pois a brasileira, na ocasião, não previa a dissolução da união matrimonial através desse instrumento. Somente em dezembro de 1925, a união foi considerada válida pela justiça do Brasil.

A saúde de Henrique Lage piorava progressivamente e os médicos proibiram que o empresário fosse molestado com assuntos relacionados aos negócios. O conhecimento dessa situação ultrapassava os limites da família e de seus auxiliares diretos, e chegava aos fornecedores, que ficavam alarmados diante da incerteza quanto ao futuro das empresas caso ocorresse, naquela oportunidade, o falecimento do industrial.

Em 29 de junho, Lage preparou, então, o processo sucessório, ao enviar correspondência dirigida a Getúlio Vargas e ditar o testamento. Na carta, Henrique Lage colocou os destinos da Organização Lage sob a proteção do presidente e os navios à disposição do governo, excetuando aqueles necessários para as linhas de carvão e sal. No final da missiva, o empresário autorizou a liquidação das dívidas com o produto dos bens disponibilizados.

Quanto ao testamento, Henrique Lage legou à Gabriella Besanzoni todos os bens pessoais, inclusive imóveis. Com relação ao patrimônio das empresas, Lage distribuiu da seguinte forma: Gabriella Besanzoni Lage, 52%; Henrique Victor Lage, 16,5%; Eugenio Martins Lage, 16,5%; Pedro Brando, Oswaldo Werneck da Rocha, Álvaro Catão, Ernani Bitencourt Cotrim, Mario Jorge de Carvalho e Antonio Tavares Leite, 2,5% para cada.

No documento, Henrique Lage colocou o casamento com Gabriella como inquestionável, e mesmo que fosse levantada alguma dúvida, Gabriella ficaria como legatária. Em outro trecho, Lage defendeu a questão da unidade das empresas, formando um todo, como sempre esteve em suas mãos, pois esse patrimônio não devia, nem podia ser dispensado, devendo aquele que não tivesse força ou capacidade para suportar os encargos da administração ou que, por qualquer motivo, quisesse se desfazer da sua parte no legado, oferecer antes, a sua parte à aquisição dos demais legatários.

Henrique Lage veio a falecer em 2 de julho de 1941. Com a morte do empresário, a disputa sucessória se instalou, tendo de um lado Gabriella e Pedro Brando e, do outro lado, os sobrinhos do industrial Victor e Eugênio, que tentaram, inclusive, destituir Gabriella da posição de inventariante, em virtude de ser estrangeira e de ter investido Brando no cargo de presidente da Costeira.

Além da disputa interna, no âmbito governamental, a condição de estrangeira de Gabriella também foi questionada em relatório de comissão designada para apurar as condições dos bens do espólio de Henrique Lage e estipular o valor destes. Embora de forma sutil, começavam a surgir indícios do interesse do governo em encampar as empresas, principalmente os estaleiros, inclusive com a participação de empresas estadunidenses.

Em agosto de 1942, devido ao torpedeamento de navios mercantes, a população brasileira se mobilizou e, ao mesmo tempo em que se colocou hostil aos países agressores, esperava uma reação de Vargas com relação aos episódios. Com isto, Vargas decidiu abandonar o estado de neutralidade e o Brasil entrou na Segunda Guerra. Dentre os navios atingidos estavam o Arabutan, o Piave, o Araraquara, o Itagiba e o Arará, que pertenciam ao espólio de Henrique Lage.

Com a entrada do Brasil no conflito, a ferrenha disputa sucessória nas empresas tornou-se ainda mais tensa, isto porque, a nacionalidade italiana de Gabriella se transformou no mais importante ingrediente dos opositores à permanência da principal herdeira no comando da organização.

A Segunda Guerra favoreceu as características nacionalistas e estatizantes de Vargas e, com esse cenário, ocorreu a edição do decreto-lei nº 4.648, de 2 de setembro de 1942, que incorporou ao patrimônio nacional os bens e direitos das empresas da chamada “Organização Lage” e do espólio de Henrique Lage. Na justificativa, o governo Vargas considerou que as entidades constituíam um conjunto valioso, aproveitável no interesse da defesa nacional, com a necessidade do exercício de sua administração ser feito pelo Estado e a sua incorporação ao patrimônio da Nação.

Apesar da justificativa do decreto-lei, possivelmente os motivos para a encampação foram bem distintos. Cabe ressaltar, que nos últimos contratos firmados com o banco estatal os vencimentos eram posteriores a 4 de setembro, ou seja, após a edição do ato governamental. Portanto, até àquela data, as obrigações contratuais da Costeira estavam em dia, o que leva ao descrédito qualquer afirmação de que o motivo da incorporação ao patrimônio nacional tenha ocorrido em função de inadimplência.

Vale lembrar que, em junho de 1941, quando da elaboração da carta enviada a Vargas e do testamento, Henrique Lage já sinalizou a possibilidade de encampação, ao colocar as empresas à disposição do Estado. Além disto, na comissão organizada pelo governo logo após o falecimento do industrial, a incorporação e a situação de Gabriella foram analisadas.

Observa-se, ainda, que como principal auxiliar de Henrique Lage, Pedro Brando aproximou-se de Gabriella e participou de todos os principais episódios do processo sucessório, tendo sido, inclusive, designado interlocutor junto às esferas governamentais. Esta função possibilitou a convivência de Brando com as autoridades do governo, o que facilitou a decisão de Vargas em nomeá-lo superintendente da Organização Lage – Patrimônio Nacional. Meses após a encampação, ocorreu o rompimento entre Gabriella e Pedro Brando, em virtude da disputa pela propriedade de alguns navios, motivando ações judiciais.

Assim, a disputa interna entre os herdeiros, que tornou vulnerável a posição das empresas no mundo dos negócios, bem como diante das diversas esferas de governo, pode ser considerada como fator determinante para a decisão governamental pela encampação.

Após o ato governamental, Gabriella Besanzoni Lage enviou carta ao presidente Getúlio Vargas, mostrando-se resignada com a ação do governo. Além disto, possivelmente também temendo o calote, buscou agradar a Vargas e lembrar ao presidente a sua fidelidade.

Com relação ao pagamento das indenizações pela encampação dos bens do espólio, ao longo dos anos foram realizadas diversas avaliações, sendo que uma era de Cr$ 120 milhões de cruzeiros, divididos na proporção estabelecida no inventário e pagos através de apólices da dívida pública. Esta proposta foi aceita em agosto de 1946 pela maioria dos herdeiros, a exceção de Gabriela e da viúva de Álvaro Catão. O inventário de Henrique Lage continua em tramitação judicial.


  1. Henrique Lage: o empresário

A forma de atuação de Henrique Lage no comando dos negócios era considerada pelos auxiliares do industrial como demasiadamente ousada e desordenada. Em função disto, Oswaldo Jacintho, Dias da Rocha, Álvaro Lage, Ernani Cotrim e Eduardo Ferreira montaram uma proposta de comissão para tentar participar mais nas decisões. Lage simulava se submeter a essa exigência, concordava com as opiniões, mas continuava a centralizar as decisões. A forma de comandar de Henrique Lage recebia o seguinte comentário de Thiers Fleming: “Henrique procurava dividir os seus auxiliares para melhor dominá-los... E, não era firme, portanto, para com eles”.4

Henrique Lage normalmente presidia as empresas que formava, mas, apenas, nos anos iniciais. Na medida em que os negócios cresciam, passava a direção para auxiliares, o que não significava uma delegação ampla de poder, era apenas um procedimento que o empresário adotava para permitir o acompanhamento dos diversos negócios distribuídos pelo território brasileiro. Henrique Lage mantinha-se sempre responsável pela decisão final, principalmente nas questões de cunho político e estratégico. A centralização do comando de Henrique Lage recebeu o seguinte comentário de Thiers Fleming:

Tudo dependia dele, dos pontos cardeais aos mais ínfimos colaterais. (...) era de verdadeiro escol todo pessoal reunido a seu lado, não só pela inteligência, dedicação e operosidade, como pela longa permanência no canteiro de trabalho. Assim sendo, embora sem organização administrativa, pela rotina e personalismo a maquina se movimentava. Mas uma grande falta se faz logo sentir. Henrique fazia a “coordenação” financeira, verdadeiro jogo de malabarismo, tirando dinheiro ora desta, ora daquela Companhia, para se “vencer o dia”5.


Thiers Fleming destacou, ainda, outra característica da personalidade de Henrique Lage enquanto empresário, a vertente realizadora acima do lucro, observando que o dinheiro e o benefício material para si não atraía Henrique Lage, o que o empresário buscava era o reconhecimento, sem restrições, pelos serviços prestados ao Brasil.

Cabe ressaltar, que embora tivesse a prática de centralizar as decisões, Henrique Lage formou o quadro de dirigentes para as empresas sob o seu comando com pessoas de reconhecida competência profissional, como o próprio Theirs, Euvaldo Lodi, Ernani Bittencourt Cotrim, Álvaro Monteiro de Barros Catão e Carlos Pandiá Braconnot. Essa atitude permitiu que o empresário acompanhasse o desenvolvimento das atividades nas diversas regiões do país, como também favoreceu ao bom desempenho técnico de cada segmento de atuação, além da conquista de credibilidade junto aos organismos governamentais.

Analisando-se o comportamento enquanto gestor, é possível estabelecer-se o perfil empresarial de Henrique Lage como: centralizador, já que controlava tudo e tomava as decisões individualmente e, por conta disto, não prestigiava as normas e profissionalizava as atividades até certo ponto; inovador, pois buscava executar novas combinações; empreendedor, visto que possuía iniciativa e percepção de negócio; ousado, já que não temia e arriscava novos empreendimentos, mesmo que para isto tivesse que contrair dívidas; dispersivo, pois ampliava e diversificava a atuação em novos mercados, apesar de não estar estruturado para tal; e, impaciente, visto que atuava de forma rápida, independente de planejamento e de qualquer tipo de apoio.

Outro ponto a se destacar em Henrique Lage é o da concepção do empresário a respeito da integração vertical como sendo um propósito de gestão. Esta postura de Lage é, possivelmente, fruto da sua formação na França e nos Estados Unidos.




  1. Conclusão

Diante do apresentado nesta breve narrativa a respeito da atuação empresarial de Henrique Lage, observa-se que para o sucesso da diversificação de empresas adotada pelo industrial a participação do Estado era primordial. Como exemplos, na navegação, a Companhia Costeira, para cobrir os diversos portos do território nacional, necessitava da subvenção e outros favores governamentais; na construção naval, os estaleiros da Ilha do Vianna dependiam de encomendas e crédito; o carvão, por sua vez, necessitava de investimentos para a melhoria de qualidade, ações de estímulo à utilização, além de investimentos em transporte para escoar a produção; e, o ferro, dependia de incentivos à siderurgia para a montagem e funcionamento de usinas.

Henrique Lage precisava do pagamento dos compromissos por parte do governo para manter as suas contas em dia, assim, em decorrência dos constantes atrasos, o empresário se endividava. Além disso, pela falta de incentivos fiscais e de financiamento público, Henrique Lage era obrigado a construir navios no exterior, contraindo dívidas em moeda estrangeira, sujeitas à variação do câmbio, o que trazia prejuízos. Observa-se, portanto, a elevada dependência da ação governamental para o gerenciamento financeiro das empresas de Henrique Lage. Assim, qualquer mudança política ou econômica promovida pelas esferas governamentais afetava os negócios do empresário.

Os conflitos mundiais também trouxeram modificações importantes para os setores empresariais de Henrique Lage. Durante a Primeira Guerra, ocorreram situações que favoreceram e outras que prejudicaram os negócios do industrial. Exemplificando, os problemas de abastecimento do carvão importado provocaram o interesse governamental nos investimentos na extração e beneficiamento do produto, através do apoio às empresas que atuavam no setor, mas, ao mesmo tempo, aumentou o custo do produto, o que diminuiu a lucratividade das empresas que utilizam o mineral importado, como a Costeira.

No período da Segunda Guerra, além dos setores carbonífero e siderúrgico, adiciona-se dentre os interesses governamentais o incentivo à indústria aeronáutica. Neste caso, Henrique Lage recebeu o apoio de Vargas para desenvolver o projeto de construção de aeronaves, principalmente através de encomendas para os aeroclubes. Importante, também, é ressaltar que o conflito foi utilizado como um dos argumentos para que o presidente encampasse as empresas do espólio do empresário.

Portanto, diante do exposto, fica evidente a influência das mudanças sociais, econômicas, políticas, legais e tecnológicas sobre os negócios de Henrique Lage, trazendo para o empresário benefícios e dificuldades.

A atuação empresarial de Henrique Lage tornou-se possível em virtude da visão empreendedora de membros da família que o antecederam, construindo o alicerce para toda a ação posterior do empresário. Observa-se que Henrique Lage pertencia à quarta geração de uma organização familiar, o que é raro, principalmente no Brasil, visto que, normalmente, os empreendimentos comandados por famílias não conseguem ultrapassar os limites da terceira geração, o que dá margem ao dito popular: pai rico, filho nobre, neto pobre. Embora não tenha sido o fundador dos negócios, Henrique Lage conseguiu, a partir da compra das participações dos demais herdeiros, da aquisição de companhias ... e da formação de empresas, atingir e até superar, em grau de importância empresarial, a posição daqueles que o antecederam no comando das atividades da família.

Sem deixar de considerar a vertente, de certa forma, impetuosa e monopolista de Henrique Lage, vale destacar a importância de Lage no cenário empresarial brasileiro. Atuando nos mais diversos segmentos, inclusive naqueles ainda incipientes, como o da indústria aeronáutica, Henrique Lage conseguiu desenvolver em cerca de apenas quinze anos um verdadeiro império empresarial, criando e adquirindo empresas, tendo por princípio a adoção da integração vertical.





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2 CRUZ DE MALTA. Rio de Janeiro: n. 6, fev/mar 1937, p.28.

3 Correspondência de Henrique Lage ao Ministro da Viação e Obras Públicas José Américo de Almeida de 25 de janeiro de 1934. Fundo Oat tributação, microfilme rolo 55, fotogramas 418 a 453. Acervo do CPDOC.

4 FLEMING, Thiers (1949). A organização Henrique Lage e o Estado: a minha atuação. Rio de Janeiro: P. Mello, p.28; 29.

5 FLEMING, ibid., p.30.


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