Sociedade Anônima Comércio e Indústria “Souza Noschese”: um estudo de caso Tatiana Pedro Colla Belanga1



Baixar 115.01 Kb.
Página4/4
Encontro31.12.2018
Tamanho115.01 Kb.
1   2   3   4

Financiamento

Nota-se uma maior organização em termos de gerenciamento de contas para a “Souza Noschese” se comparada à grande maioria das outras empresas da época33. A distribuição dos lucros auferidos em fundos e a constante preocupação em, tanto garantir quantias necessárias a novos investimentos, quanto a reduzir a parcela de dívidas é clara.

“[...] É com satisfação que temos a notar a continuação da vantajosa situação financeira que, desde o ano de 1922, vimos mantendo.34

“[...] apesar das dificuldades correntes da falta de numerário, foi por nós sempre mantida a mais rigorosa pontualidade nos pagamentos”. 35

“[...] Fazendo uso, não só dos lucros desse exercício, como também de parcelas que anteriormente haviam sido reeditadas a lucros, e que vinha figurado como lucros suspensos, levamos a fundo de reserva a importância de 300.000$000, elevando assim essa conta a 2.100:000$000. Sensível redução também teve a parcela de títulos a pagar que de 1.414:286$780 – com que figurou no balanço de 1930 – passou a 964:994$450, no balanço atual.” 36

Financiamento – Souza Noschese



Fonte: Tabela elaborada pela autora/ (Diário Oficial do Estado de São Paulo)


A empresa apresenta uma estruturação financeira saudável, apesar dos negócios, durante parte do período, estarem aquém do desejado. As reservas mantiveram-se a maior parte do tempo positivas, e são contabilizadas como a soma do saldo de lucros e perdas acumulado mais os valores em empréstimo, fontes de créditos e obrigações a pagar, subtraídos os valores credores.

Reservas – Souza Noschese



Fonte: Gráfico elaborado pela autora/ (Diário Oficial do Estado de São Paulo)


O saldo de lucros e perdas somado ao crédito foi na maioria dos anos superior as obrigações a pagar, e, portanto, exceto para os anos 1920, 1921, 1922, 1927 e 1929, as reservas foram positivas.

Financiamento



Fonte: Gráfico elaborado pela autora/ (Diário Oficial do Estado de São Paulo)

Somente em 1929 e 1930 dividendos não foram distribuídos, sendo que de acordo com o resultado de cada ano é que a empresa decidia a porcentagem de dividendos a ser distribuída. Em 1931 retoma-se o pagamento de dividendos com cautela, correspondente apenas a 5%, para os anos posteriores sempre a parcela de 10%.

“Mau grado as perturbações do mercado, foi bastante animador o movimento do exercício, [...] julgamos, entretanto, conveniente continuar a adotar a prática de não distribuir dividendos superiores a 10% - dando razoável retribuição ao capital empregado, ficamos em condições de aumentar nossas reservas, de maneira a fortalecer, ainda mais, a estrutura econômica de nosso estabelecimento. Seguindo a orientação que já nos traçáramos anteriormente, aplicamos parte do lucro na amortização das parcelas de capital imobilizado, que constam do ativo de nosso balanço.” 37

Grande parte dos lucros obtidos era transferida para fundos de reserva, que variavam de acordo com as necessidades. Um exemplo claro surge no balanço contábil de 1936 e de 1937 por constar um fundo para substituição de instalações. Pode-se supor, portanto, que a preocupação em investir era vigente, assim como a coordenação dos recursos para promover o crescimento.

Uma visão mais clara de como eram gerenciados os empréstimos, reservas e dívidas pode ser identificada a partir da leitura do relatório referente ao balanço do ano de 1936:

“Os lucros foram, como já vínhamos fazendo, em vários exercícios, aplicados em grande parte na amortização dos valores imobilizados do ativo. São reservas que se tornam indispensáveis, principalmente em nosso país e nesta época de transições econômicas bruscas e inesperadas. O empréstimo por debêntures reduziu-se de 1.000:000$000 (mil contos de réis) a pouco mais de 700:000$000 (setecentos contos de réis). Esperamos reduzi-lo ainda mais acentuadamente no corrente ano (1937).” 38

A visualização do gráfico a seguir permite ver a participação de cada componente de fornecimento de crédito. É possível notar que a rede bancária tem relativa importância e fica em papel de destaque especialmente pós-35.


Fontes de Crédito – Souza Noschese



Fonte: Gráfico elaborado pela autora/ (Diário Oficial do Estado de São Paulo)

Nota: Ver anexo B
O valor relatado no balanço referente ao ano de 1936 da redução do valor do empréstimo por debêntures não condiz com o dado demonstrado no registro para o ano anterior no valor de mil contos de réis, pois este valor se trata da parcela inicial do empréstimo contraído anteriormente ao ano de 1928, e que até este ano, já havia sido em parte amortizado.

“[...] como havíamos previsto em nosso relatório de 1936, durante o exercício de 1937 foi amortizado mais uma considerável parcela desse empréstimo, que se acha agora reduzido a 485:500$000, importância que será amortizada integralmente até 1940, vencimento do empréstimo de 1.000:000$000.” 39

Ao tratar da questão do financiamento, esta empresa se diferencia da maioria das empresas da época por apresentar em seus balanços dados referentes à utilização de bancos como mediadores de transações de recebimento e pagamento de contas. Outro aspecto está relacionado com a conta empréstimos por debêntures, não tão comum em outros casos de análise.

Lucratividade

A queda brusca da lucratividade provinda da crise em meados da década de 1920 é notável, assim como os impactos da crise de 1929 e da Grande Depressão quando a recuperação apenas começara.

Índice de Lucratividade – Souza Noschese

Fonte: Gráfico elaborado pela autora/ (Diário Oficial do Estado de São Paulo)


“[...] A crise de energia elétrica que tantos embaraços acarretou às indústrias de São Paulo, e a crise econômica que atravessa todo o País, foram as causas que determinaram a brusca interrupção da marcha ascensional que vinham seguindo os nossos lucros, e do considerável declínio que teve, nesse ano de 1925 a sua curva representativa.” 40

“[...] Como ides verificar, não foram vultosos os lucros obtidos: - E pouco exerceram a importância que distribuímos como dividendos, à razão de 10%. Distribuição esta que até a presente data nunca deixamos de fazer, desde a Constituição da Sociedade”.41

Apesar desses momentos de pouca lucratividade, o impulso que este índice obteve desde o início da década de 1930 foi enorme. O processo de recuperação dos lucros acompanhou uma elevação da produção, ou seja, venda dos produtos da empresa, como visto na seção que analisou os valores de produção.

Lucratividade



Fonte: Tabela elaborada pela autora/ (Diário Oficial do Estado de São Paulo)



Considerações finais

A análise dos balanços da Sociedade Anônima “Souza Noschese”, indústria de produtos de ferro esmaltado, permitiu a identificação de algumas características que mostram a velocidade da diversificação e crescimento do setor metalúrgico no parque industrial paulista da época.

Primeiro cabe ressaltar a própria diversificação produtiva interna da firma, atuando não somente na produção, como na atividade de extração e comercialização, ultrapassando a barreira do Estado de São Paulo. Segundo, a preocupação eminente quanto à capacidade de realização de novos investimentos pari passu ao objetivo de tornar a indústria mais lucrativa, como exemplo o incremento do capital social da empresa.

Não menos importante, a utilização da rede bancária como mediadora das cobranças e pagamentos de títulos. Aspecto relativamente novo, tanto em comparação às outras empresas da época, quanto à própria característica do setor metalúrgico como incipiente frente ao grande parque industrial de São Paulo nas décadas de 1920 e 1930.

Finalmente, os dados aqui apresentados mostram que, como o relativo consenso na literatura abordada no que toca à periodização da atividade industrial, isto é, 1930 é um marco divisório para a transição de uma etapa de crescimento industrial para o processo de industrialização propriamente dita. A nosso ver, é inegável que a indústria já vinha crescendo e se diversificando durante a década de 1920, mas foi somente a partir da década de 1930 que o padrão de acumulação de capital no país se alterou.

Bibliografia


AURELIANO, L. (1981). No limiar da industrialização (2ª ed. ed.). Campinas: IE/UNICAMP.

BAER, W. (1970). Siderurgia e desenvolvimento brasileiro. Rio de Janeiro: Zahar.

BARROS DE CASTRO, A. (1972). Industrialização descentralizada no Brasil. In: A. BARROS DE CASTRO, 7 ensaios sobre a economia brasileira (Vol. II). Rio de Janeiro: Forense.

BARROS, J. R., & GRAHAM, D. H. (1981). A recuperação econômica e a desconcentração de mercado da indústria têxtil paulista durante a Grande Depressão: 1928/37. Pesquisa e Planejamento econômico , 11(1).

BASTOS, P. P. (2001). A dependência em progresso: fragilidade financeira, vulnerabilidade comercial e crises cambiais no Brasil (1890-1954). Campinas: tese de doutorado-UNICAMP.

CANO, W. (1977). Raízes da concentração industrial em São Paulo (4ª ed. ed.). Campinas: IE/UNICAMP.

CARDOSO DE MELLO, J. M. (1986). O capitalismo tardio, contribuição e revisão crítica da formação e desenvolvimento da economia brasileira (10ª ed. ed.). Campinas: IE/UNICAMP.

CARDOSO, F. H., & FALETTO, E. (1970). Dependência e desenvolvimento na América Latina - ensaio de interpretação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar.

DEAN, W. (1971). A industrialização de São Paulo (4ª ed. ed.). Rio de Janeiro, RJ: Bertrand Brasil.

DEIC SAIC/SP Estatística Industrial do Estado de São Paulo, 1.-3.

Diário Oficial do Estado de São Paulo. (s.d.).

FISHLOW, A. (1972). Origens e consequências da substituição de importações no Brasil. Estudos Econômicos , 2. nº. 6.

FURTADO, C. (2007). Formação Econômica da América Latina (4ª ed. ed.). São Paulo: Companhia das Letras.

FURTADO, C. (1959). Formação Econômica do Brasil (25ª ed. ed.). São Paulo: Companhia Editora Nacional.

GORENDER, J. (1990). A escravidão reabilitada. São Paulo: Ática.

GORENDER, J. (1988). O escravismo colonial (5ª ed. ed.). São Paulo: Ática.

HABER, S. (1991). Lucratividade Industrial e a Grande Depressão no Brasil: Evidências da Indústria Têxtil de Algodão. Estudos Econômicos , 21, nº.2.

HADDAD, C. (1978). Crescimento do produto real no Brasil - 1900/1947. Rio de Janeiro: FGV.

HANLEY, A. (1998). A bolsa de valores e os financiamento de empresas em São Paulo, 1886-1917. História econômica e história de empresas , Vol. 1.

HANLEY, A. (2004). Is it who you know? Entrepeneurs and Bankers in São Paulo, Brazil, at the turn of the twentieh Century. Enterprise and Society , vol. 5 nº 2.

LEFF, N. H. (1982). Underdevelopment and Development in Brazil (Vols. I: Economic Structure and Change, 1822-1947.). London: George Allen & Unwin Ldt.

LOVE, J. (1982). A locomotiva: São Paulo na federação brasileira 1889-1937. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

MARTINS, J. d. (1979). O cativeiro da terra. São Paulo: Ciências Humanas.

NICOL, R. N. (1974). A agricultura e a industrialização no Brasil (1850/1930). Tese de doutoramento . São Paulo: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, USP.

PELÁEZ, C. M. (1972). História da industrialização brasileira. Rio de Janeiro: APEC.

SAES, D. A. (1985). A formação do Estado Burguês no Brasil - 1888/1891. Rio de Janeiro: Paz & Terra.

SAES, F. A. (1989). A controvérisoa sobre a industrialização na Primeira República. Estudos Avançados , vol. 3, nº 7.

SAES, F. A. (1986). A grande empresa de serviços públicos na economia paulista. São Paulo: Hucitec.

SAES, F. A. (1981). As ferrovias de São Paulo: 1870-1940. São Paulo: Hucitec.

SAES, F. A. (1986). Crédito e bancos no desenvolvimento da economia paulista, 1850-1930. São Paulo: IPE-USP.

SILVA, S. (1976). Expansão Cafeeira e origens da indústria no Brasil (8ª ed. ed.). São Paulo: Alfa-Ômega.

SIMONSEN, R. C. (1939). Evolução Industrial do Brasil e outros estudos. São Paulo: Editora Nacional.

STEIN, S. (1979). Origens e Evolução da Indústria Têxtil no Brasil - 1850/1950. Rio de Janeiro: Campus.

SUZIGAN, W. (1971). A industrialização de São Paulo: 1930-1945. Revista Brasileira de Economia , 25 nº.3.

SUZIGAN, W. (1989). Indústria brasileira: origem e desenvolvimento. São Paulo: hucitec.

TAVARES, M. d. (1998). Acumulação de Capital e industrialização do Brasil. Campinas: IE/UNICAMP.

TAVARES, M. d. (1972). Da substituição de importações ao capitalismo financeiro. Rio de Janeiro: Zahar.

TRINER, G. D. (1994). Banks and Brazilian Economic Development: 1906-1930. Columbia: Columbia Univertsity.

VERSIANI, F. R. (1987). A década de 20 na industrialização brasileria. Rio de Janeiro: IPEA/INPES.

VERSIANI, R., & VERSIANI, M. (1975). A industrialização Brasileira antes de 1930: uma contribuição. Estudos Econômicos , v5. nº. 1.



VILELA, A. V., & SUZIGAN, W. (1973). Política do Governo e Crescimento da Economia Brasileira - 1889-1945 (3ª ed.). Brasília: IPEA.



1 Mestre em Economia com especialização em História Econômica – UNESP, Doutoranda em Desenvolvimento Econômico – História Econômica – UNICAMP tatinabel@gmial.com

2 (DEAN, 1971)

3 Os teóricos do crescimento alegam que a indústria não assumiu papel transformador, estando esta apenas subordinada aos interesses e reflexos do setor exportador.

4 Sobre a discussão no campo do marxismo da transição do trabalho escravo para o livre no Brasil, consultar principalmente: (MARTINS, 1979), (GORENDER, A escravidão reabilitada, 1990), (GORENDER, O escravismo colonial, 1988).

5 Ver principalmente: (SILVA, 1976) e (CARDOSO DE MELLO, 1986)

6 Ver principalmente: (SAES D. A., 1985)

7 Ver principalmente (CANO, 1977)

8 (SUZIGAN, Indústria brasileira: origem e desenvolvimento, 1989)

9 É verdade que a indústria fabril têxtil surgiu bem anteriormente à década de 1860. A respeito da análise da indústria têxtil, consultar: (STEIN, 1979)

10 Abordagem escudada na análise de (SUZIGAN, Indústria brasileira: origem e desenvolvimento, 1989) pp., 363-370.

11 É indiscutível, portanto, que há uma profunda descontinuidade entre essas indústrias de bens de produção e as que surgem na década de 20: a pequena indústria do aço, a indústria de cimento, a fabricação de motores elétricos, de máquinas para indústria do açúcar, de máquinas têxteis, etc. E é certo, também, que este desenvolvimento do departamento de bens de produção, ainda que limitado, adquire importância crucial para o futuro, na medida em que é condição fundamental para que, mais adiante, o capital industrial possa se reproduzir de modo relativamente independente do capital mercantil exportador. (AURELIANO, 1981, p. 46)

12 Para efeito do presente trabalho, é incluído na expressão Análise de Balanços não apenas o Balanço Patrimonial, propriamente dito, como também a Demonstração dos Resultados do Exercício. Lembrando que para a época não existia uma padronização - exigida por lei - acerca das informações e ordenação destas ao serem apresentadas nos registros, fato este que dificulta a análise dos balanços, assim como exige um ajuste em termos e métodos de análises para cada caso.

13 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 10 de Março de 1922, p. 1760)

14 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 22 de Fevereiro de 1923, p. 1413)

15 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 31 de Janeiro de 1924, p. 901)

16 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 22 de Março de 1925, p. 2345)

17 Esta informação consta como nota em alguns dos anos relativos à coletânea de dados das Estatísticas Industriais, 1928-37. Dada a probabilidade de uma possível imprecisão numérica deste documento, os valores não acompanham fielmente a variação do capital apresentado nos registros contábeis das firmas; o que não impede, no entanto uma análise consistente.

18 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 19 de Fevereiro de 1927, p. 1622)

19 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 27 de Março de 1929).

20 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 14 de Fevereiro de 1932).

21 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 26 de Fevereiro de 1933).

22 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 28 de Fevereiro de 1935).

23 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 22 de Março de 1925, p. 2345)

24 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 14 de Março de 1926, p. 2132)

25 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 19 de Fevereiro de 1927, p. 1622)

26 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 15 de Março de 1928, p. 2818)

27 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 22 de Março de 1925, p. 2345)

28 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 28 de Fevereiro de 1935).

29 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 27 de Março de 1930).

30 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 14 de Fevereiro de 1932).

31 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 20 de Fevereiro de1934).

32 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 11 de Fevereiro de 1938).

33 Àquelas que tivemos contato durante a pesquisa.

34 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 22 de Março de 1925, p. 2345)

35 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 14 de Março de 1926, p. 2132)

36 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 14 de Fevereiro de 1932).

37 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 03 de Março de 1936).

38 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 20 de Fevereiro de 1937).

39 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 11 de Fevereiro de 1938).

40 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 14 de Março de 1926, p. 2132)

41 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 15 de Março de 1928, p. 2818)



Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal