Sociologia– 3ª ano do ensino médio



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COLÉGIO INTEGRADO

Av. Irmãos Pereira, 670

Campo Mourão/PR – CEP 87301-010
          1. FONE: 0xx 44 3523-1982





SOCIOLOGIA

Apostila: M3 – E. Médio
VOL. ÚNICO



Aluno(a):

Nº.:

Professor: Me. Valdinei Gomes Garcia

Data:


SOCIOLOGIA– 3ª ANO DO ENSINO MÉDIO


1º BIMESTRE – Unidade I

  • Ideologias e visões de mundo;

  • Cultura popular e cultura erudita;

  • Cultura e patrimônio;

  • Cultura de massas e indústria cultural – novas tecnologias;

  • Consumo e identidade;

  • Contracultura.


2º BIMESTRE – Unidade II

  • As diversas formas de trabalho no Brasil – trabalho formal e informal; trabalho escravo e trabalho análogo à escravidão.

  • Trabalho e marcadores de diferença no Brasil – gênero, raça/etnia, geração (ênfase no trabalho infantil);

  • A regulação do mundo do trabalho – os direitos trabalhistas no Brasil;


3º BIMESTRE – Unidade III

  • Democracia representativa e democracia participativa: arenas deliberativas;

  • Sistema eleitoral e sistema partidário;

  • Estado e sociedade civil – esferas privada e pública;

  • Cidadania e direitos humanos;

  • Movimentos sociais tradicionais e os novos movimentos sociais.


4º BIMESTRE – Unidade IV


  • O Rural e o Urbano;

  • Estrutura fundiária e os conflitos rurais;

  • A questão ambiental;

  • Segregação sócio-espacial e direito à cidade;

  • Violência rural e urbana;

  • Criminalização da pobreza e dos movimentos sociais urbanos e rurais.


UNIDADE I

Ideologias e visões de mundo, Cultura popular e cultura erudita, Cultura e patrimônio, Cultura de massas e indústria cultural – novas tecnologias, Consumo e identidade e Contracultura


    1. Ideologias e visões de mundo

Ideologia “é um conjunto lógico, sistemático e coerente de representações (idéias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir e como devem sentir, o que devem fazer e como devem fazer.Ela é, portanto, um corpo explicativo, de representações e práticas (normas, regras e preceitos) de caráter prescritivo, normativo, regulador, cuja função é dar aos membros de uma sociedade dividida em classes uma explicação recional para as diferenças sociais, políticas e culturais, sem jamais atribuir tais diferenças à divisão da sociedade em classes.Pelo contrário, a função da ideologia é a de apagar as diferenças, como as de classes, e de fornecer aos membros da sociedade o sentimento de identidade social, encontrando certos referenciais identificadores de todos e para todos, como, por exemplo, a humanidade, a liberdade, a igualdade, a nação, ou o Estado.” (Marilena Chauí, o que é ideologia 1980).

Além dessa definição da filósofa Marilena Chauí, no decorrer da história do pensamento sociólogico, muitos sociólogos se preocuparam em achar uma definição adequada para este conceito que tato nos intriga. A palavra ideologia foi criada por Destutt de Tracy, no séc. XIX, e significa, etimologicamente, ciência das idéias. Posteriormente, concluiu-se que esta palavra ganharia um sentido novo quando Napoleão chamou De Tracy e seus seguidores de "ideólogos" no sentido de "deformadores da realidade". No entanto, os pensadores da Antiguidade Clássica e da Idade Média já entendiam ideologia como o conjunto de idéias e opiniões de uma sociedade.

Isso mesmo, também podemos definir Ideologia como um conjunto de idéias, concepções, opiniões sobre algum tema, quando perguntamos por exemplo, qual é a ideologia de um determiando pensador, estamos nos referindo à doutrina, a um conjunto de posicionamentos e idéias seguidos por ele diante determinados fatos.

Karl Marx conceituou Ideologia como um sistema de pensamento, ou seja, uma forma de conceber o mundo que abrange, principalmente, os seus aspectos sociais (relações entre os homens e a sua atividade); "Visão do mundo", isto é, produto e reflexo de uma época e de uma sociedade, mais especificamente de grupos sociais reais, estratos e classes, expressando os seus interesses, a sua atividade e o seu papel histórico; Não seria, para este pensador, um sistema de pensamento neutro, pois para ele a ideologia teria uma função que é a de legitimar, justificar e contribuir, ou para a manutenção da ordem social existente, ou para a sua transformação. Marx compreende a ideologia como uma consciência falsa, proveniente da divisão entre o trabalho manual e o intelectual. Nessa divisão, surgiriam os ideólogos ou intelectuais que passariam a operar em favor da dominação ocorrida entre as classes sociais, por meio de idéias capazes de deformar a compreensão sobre o modo como se processam as relações de produção. Neste sentido, a ideologia (enquanto falsa consciência) geraria a inversão ou a camuflagem da realidade, para os ideais ou interesses da classe dominante.

Ideologia também pode indicar Teoria, no sentido de “constiuição”, configuração dos conhecimentos para nortear a ação de indivíduos e instituições, há uma ideologia religiosa, a de uma igreja, de uma religião específica, estabelece um código de coduta aos fiéis, há uma ideologia para as escolas, cada escola segue uma ideologia específica, e, claro há a ideologia de um partido político, ou seja, um estatuo que estipula as concepções acerca de diversos temas de interesse do partido e de seus afiliados, como por exemplo, de poder e fornece uma série de orientações de ação aos seus militantes.

Cabe aqui citarmos também uma outra definição de ideologia, muito importante, a do pensador Antonio Gramsci, para ele a ideologia significava uma concepção de mundo, manifestando-se de modo tácito na arte, no direito, na atividade econômica, enfim em todas as manifestações da vida, e ainda de acordo com Gramsci, a ideologia tem por função conservar a unidade de toda sociedade.

Segundo Gramsci, as ideologias: “(…) organizam as massas humanas, formam o terreno sobre o qual os homens se movimentam, adquirem consciência de sua posição, lutam, etc.”

Para compreender melhor, leia o quadro abaixo:


Característica

O que faz

Exemplo


Prescrição de normas


Orienta as ações humanas. Modelam os interesses humanos.

Diz o que se deve fazer, pensar ou expressar



A idéia de monogamia faz com que homens e mulheres a achem justa

Representação da realidade



Dá sentido à realidade humana.

Se utiliza de símbolos e criação mental.



O conceito de pátria ou o sentimento patriótico


Generalização do particular


Trata o específico como exemplo de um fenômeno geral.

Todos os alunos (as) de uma determinada turma são iguais


Inversão da realidade


Esconde as reais causas de um fenômeno.

O MST não luta pela reforma agrária, mas invade as terras.


Naturalização das ações humanas


Torna normal e natural aquilo que é histórico e contingente.

A desigualdade entre os homens e mulheres é normal.Por isso devem ser tratadas de forma inferiorizada.


Reificação da realidade


As coisas aparecem com vida própria, ou seja, coisas inertes ganham aspectos naturais, não construídas pelos homens.

Os salários não expressma relações desiguais de trabalho, mas são apenas salários


ATIVIDADE I

1 - Com base no quadro apresentado acima, construa o seu próprio quadro com exemplos que você conhece.


O mundo escolar”
No mundo escolar existem várias idéias, concepções, pensamentos etc. que, sem percebermos, podem ser distinguidas como ideológicas, essas idéias podem ser expressas por professores, alunos (as), funcionários, pais, diretores ou mesmo podem ser trazidas de fora da escola por eles.

Exemplos:

“A escola dá oportunidades a todos os alunos de aprenderem as coisas da vida.”

“A função do professor é ensinar, a do aluno é parender, e só.”

“Professor não pode falar de política em sala de aula.”
Todas estas frases demonstram pensamentos e idéias disseminadas não só na escola, mas em toda sociedade.Elas prescrevem normas, representam a realidade, generalizam o particular, têm um discurso lacunar, além de inverter a realidade, naturalizar e ocultar os fatos.E, prescrever normas é elaborar, repetir e manter a ordem dita “normal” das coisas.

Por exemplo, quem disse que os alunos e alunas não sabem nada e o professor (a) é o único dono(a) da verdade? E as experiências pessoais dos alunos(as).Não podemos asseverar que a função do professor é unicamente ensinar e os alunos (as) devem apenas aprender, pois na verdade o professor(a) é um mediador(a), um facilitador(a) e os alunos(as) podem muito bem ensinar coisas e compartilhar seus conhecimntos com os professores.


ATIVIDADE II

1 – Agora a partir de seus conhecimentos dê exemplos de idéias que generalizam o particular e invertem a realidade.

2 – Defina o conceito de ideologia

3 – Cite duas características da ideologia dando exemplos.

4 – Partindo do que aprendemos aqui e unindo com o que você já sabia acerca de ideologias e visões de mundo, disserte expondo suas ponderações.
1.2 Cultura popular e cultura erudita

Muito provavelmente você sabe o que é cultura,mas é preciso ressaltar que cultura, muitas vezes é confundida com aquisição de conhecimentos, com educação, com erudição. A cultura é informação, é a reunião de conhecimentos aprendidos no decorrer de nossas vidas, é herança social.

Por ser uma herança social, o ser humano “recebe” a cultura dos seus antepassados, mas cada pessoa, cada indivíduo é capaz de modificar a cultura herdada, pois a cultura é modificável, flexível, o ser humano “recebe” a cultura e a remodela, portanto a cultura não é fixa.

E, falando em erudição, a chamada cultura erudita está associada às elites, os seus produtores fazem parte de uma elite social, econômica, política e cultural e seu conhecimento é proveniente do pensamento científico, dos livros, das pesquisas universitárias ou do estudo em geral (erudito significa que tem instrução vasta e variada adquirida sobretudo pela leitura). A arte erudita e de vanguarda é produzida visando museus, críticos de arte, propostas revolucionárias ou grandes exposições, público e divulgação.A Cultura Erudita é a produção acadêmica centrada no sistema educacional, sobretudo na universidade, produzida por uma minoria de intelectuais.

Cultura é tudo aquilo que aprendemos e compartilhamos com nossos semelhantes. Ela é relativa, não existe uma cultura boa, ou uma cultura ruim, superior ou inferior, como acreditavam os alemães, inclusive criadores da compreensão que muitos de nós ainda temos de “Cultura” com C maiúsculo, indicando superioridade, e neste sentido quem compreende a cultura desta forma arcaica e equivocada tende a fazer afirmações do tipo: “ fulano é culto” “Fulano não tem cultura” ora, todos e todas temos cultura!

Cultura pode por um lado referir-se à alta cultura, à cultura dominante, ou seja, a cultura erudita, e por outro, a qualquer cultura. No primeiro caso, cultura surge em oposição à selvageria, à barbárie; cultura é então a própria marca da civilização, como queriam os alemães ao idealizarem a idéia da “Kultur” alemã indicando a superioridade da cultura alemã em detrimento das outras culturas, como modelo de civilidade, de progresso. Ou ainda, a alta cultura surge como marca das camadas dominantes da população de uma sociedade; se opõe à falta de domínio da língua escrita, ou à falta de acesso à ciência, à arte e à religião daquelas camadas dominantes. No segundo caso, pode-se falar de cultura a respeito de todos os povos, nações, grupos ou sociedades humanas.

Cultura está muito associada a estudo, educação, formação escolar, o que não é correto; por vezes se fala de cultura para se referir unicamente às manifestações artísticas, como o teatro, a música, a pintura, a escultura, cinema, logo ouvimos falar também de acesso a cultura. Outras vezes, ao se falar na cultura da nossa época ela é quase que identificada com os meios de comunicoção de massa, tais como o rádio, a televisão. Ou então cultura diz respeito às festas e cerimônias tradicionais, às lendas e crenças de um povo, ou a seu modo de se vestir, à sua comida, a seu idioma. A lista ainda pode aumentar mais.

Contudo, devemos entender como cultura todas as maneiras de existência humana. Essa tensão entre referir-se a uma cultura dominante ou a qualquer cultura, permanece, e explica-se em parte a multiplicidade de significados do que seja cultura. Notem que é no segundo sentido que as ciências sociais costumam falar de cultura, no sentido amplo, como fenômeno unicamente humano, que se refere a capacidade que os seres humanos tem de dar significados às suas ações e ao mundo que os rodeia.

Cabe aqui iniciarmos uma conversa sobre cultura popular, que aparece associada ao povo, às classes excluídas socialmente, às classes dominadas. Ao contrário da cultura erudita, a cultura popular não está ligada ao conhecimento científico, pelo contrário, ela diz respeito ao conhecimento vulgar ou espontâneo, ao senso comum. Geralmente a cultura popular é identificada com folclore, conjunto das lendas, contos e concepções transmitidas oralmente pela tradição. É produzida pelo homem do campo, das cidade do interior ou pela população suburbana das grandes cidades.

A cultura popular é conservadora e inovadora ao mesmo tempo no sentido em que é ligada à tradição (costumes, crenças, rituais) mas incorpora novos elementos culturais. Muitas vezes a incorporação de elementos modernos pela cultura popular (como materiais como plástico por exemplo) a transformação de algumas festas tradicionais em espetáculos para turistas (como o carnaval) ou a comercialização de produtos da arte popular são, na verdade, modos de preservar a cultura popular a qualquer custo e de seus produtores terem um alcance maior do que o pequeno grupo de que fazem parte.

Todos os indivíduos, todos os seres humanos tem cultura, no entanto, cada cultura é diferente da outra, mesmo povos ditos incivilizados tem cultura, pois a cultura não baseia-se somente na linguagem escrita, e, como é herança social é transmitida de geração em geração. Cultura compreende uma série de elementos, como costumes, crenças religiosas, vestimenta, língua, objetos, rituais etc. A cultura é compartilhada pelos indivíduos de determinado grupo, não se refindo a um ato individual, cada grupo de seres humanos, em diferentes épocas e lugares, atribui significados diferentes a coisas e caminhos da vida aparentemente semelhantes.


    1. Cultura e patrimônio



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