T mistress anne McAllister



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SAVAS' DEFIANT MISTRESS



Anne McAllister


O atrito entre Sebastian Savas e sua nova funcionária fora imediato. Para piorar, a voluptuosa Neely Robson era também inquilina da casa que ele acabara de comprar. Ela não conseguiria conviver com um homem frio como Sebastian: a tensão era evidente! Ela pensara que poderia suportar, mas por dentro ele a fazia derreter! Vivendo e trabalhando com Neely, ele perceberia que a julgara mal, mas conhecê-la melhor não ajudaria a controlar a forte atração que sentiam...
Doação: Simone

Digitalização: Ana Cris

Revisão: Rassul Semá
Tradução Fernando Lizardo
PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.
Título original: SAVAS' DEFIANT MISTRESS
Copyright © 2009 by Barbara Schenck

Originalmente publicado em 2009 por Mills & Boon Modern Romance

Título original: THE VIRGIN AND HIS MAJESTY

Copyright © Robyn Donald 2009

Originalmente publicado em 2009 por Mills & Boon Modern Romance

Arte-final de capa: núcleo i designers associados

Editoração Eletrônica:

ABREU'S SYSTEM

Tel.: (55 XX 21) 2220-3654 / 2524-8037

Impressão:

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Aos cuidados de Virgínia Rivera



virginia.rivera@harlequinbooks.com.br
CAPÍTULO UM

Eu estava pensando em caixinhas quadradas com balinhas de goma prateadas dentro — Vangie dizia ansiosa, ao telefone.

Sebastian, que não a ouvia, tinha a atenção voltada para a tela do computador em frente a si. A irmã dele estivera matraqueando em seu ouvido por quase vinte minutos. Mas, de fato, ela não dissera nada importante nas últimas três semanas. — Você entende o que quero dizer, Seb? Seb? — A voz dela se elevou impacientemente quando ele não respondeu. — Você está aí?

Que Deus o ajudasse, sim, ele estava.

Sebastian Savas deu um grunhido mecânico, mas o olhar dele se manteve firme às especificações para o projeto Blake-Carmody, e a cabeça estava lá também. Olhou de relance para o relógio. Tinha uma reunião com Max Grosvenor em menos de dez minutos, e queria ter tudo fresco em mente.

Trabalhara duro para reunir as idéias para tal projeto, ciente de que seria um pontapé espantoso para a Grosvenor Design decolar.

E seria um pontapé ainda maior para ele ser convidado pessoalmente para comandar a equipe. Havia feito boa parte do trabalho. Usando as idéias de Max e as próprias, Seb passara os últimos dois meses montando os planos estruturais e o desenho do espaço público para o edifício e condomínio da Blake-Carmody. E na semana anterior, enquanto Seb ficara em Reno trabalhando em outro projeto maior, Max o apresentara aos proprietários.

Ainda assim ele tivera grande parcela de responsabilidade sobre si, e, se eles ganhassem o projeto, faria sentido o motivo daquela reunião de hoje, Max convidá-lo para comandar o show.

Seb sorria toda vez que pensava no assunto.

— Bem, eu imaginei... — Vangie dizia intrépida. — Você está muito quieto hoje. Então... O que acha Seb? Rosa? Ou prata? Para as caixas, eu quero dizer. Ou... — ela pausou — talvez caixas sejam intrincadas demais. Talvez não devêssemos ter as balinhas de goma. Elas são meio infantis. Talvez devêssemos ter balas de hortelã. O que acha de balas de hortelã? Seb?

Sebastian se voltou abruptamente para o som impaciente de seu nome ao ouvido. Suspirando, passou uma das mãos pelos cabelos.

— Não sei Vangie — ele afirmou com a alusão mais débil de impaciência.

Além disso, não dava à mínima.

Era o casamento de Vangie, não dele. Era ela quem estava se amarrando.

— Por que não os dois? — ele disse por que tinha de dizer alguma coisa.

— Poderíamos?

— Faça o que quiser, Vage. É seu casamento.

Mas que diabo, se aquilo fizesse a irmã dele feliz por pelo menos por um instante, quem era ele para discutir com ela?

— Eu sei que é meu casamento. Mas você está pagando por ele — Vangie disse conscienciosamente.

— Sem problema.

No que dizia respeito à família, Seb era aquele a quem todos procuravam aquele que oferecia conselho, um ombro onde se apoiar e um talão de cheques que pagava as contas. Havia sido daquele jeito desde que conseguira o primeiro trabalho arquitetônico.

— Pensei que poderia pedir a papai...

Seb reprimiu um bufar. Philip Savas fabricava crianças. Ele não as criava. E, embora o velhote tivesse dinheiro em profusão, a fortuna considerável do hotel da família morando nos bolsos, ele não desistia dela facilmente, a não ser que fosse a favor de algo que desejasse, como outra esposa.

Não vá lá, Vange — Sebastian aconselhou a irmã. — Você sabe que não é uma boa idéia.

Acho que não — ela disse de modo taciturno com a voz da experiência. — Eu só queria... Seria tão perfeito se ele tivesse se lembrado de vir e me conduzir pela nave.

— Sim. — Boa sorte, Seb pensou severamente. Quantas vezes Vangie precisava se desapontar até aprender?

Seb podia pagar as contas, oferecer apoio e checar se os irmãos tinham tudo de que precisavam, mas ele não podia garantir que seu pai iria agir como tal. Em todos os 33 anos de Sebastian, Philip Savas nunca havia agido como um.

— Ele te ligou? — Vangie perguntou esperançosamente.

Não.

A menos que Philip quisesse empurrar um problema sobre o filho mais velho, ele não podia se dar ao trabalho de fazer contato. E Seb estava cansado de tentar dar abertura a ele. Agora olhava para o relógio de novo.

— Ouça Vange, preciso correr. Tenho uma reunião...

— É claro. Sinto muito. Eu não deveria incomodá-lo. Desculpe por incomodá-lo o tempo todo, Seb. É só porque você é o único que está aqui e...

— Sim, bem, você devia ter se casado em Nova York. Teria tido todo o auxílio disponível até então. — Quando Seb viera para Seattle depois de concluir a universidade, tinha sido especialmente para colocar um continente entre si e sua turba de madrastas e meios-irmãos. Ele não se importava em apoiá-los, mas não os queria interferindo em sua vida. Ou em seu trabalho. O que era basicamente a mesma coisa.

Seu azar, ele admitiu, foi quando Vangie se formou em Princeton e ficou noiva; a família do noivo, Garrett, era de Seattle, e eles decidiram se mudar para lá.

— Vai ser maravilhoso. Posso te encontrar sempre. Como uma família de verdade! — Vangie dissera à época. Ela ficara exultante diante da perspectiva. — Não é ótimo?

Seb, que havia desistido de qualquer conceito de "família de verdade" quando atingira a puberdade, não vira motivo algum para se alegrar. Mas ele deu um jeito de cruzar os dedos e dar um abraço nela.

— Maravilhoso.

Na verdade, não fora tão ruim quanto ele temera.

Vangie e Garret trabalhavam para um escritório de advocacia em Bellevue. Passavam o tempo entre eles e com os próprios grupos de amigos, e ele raramente os via.

Ele alegava estar trabalhando toda vez que eles o convidavam para uma de suas festas. Não era uma desculpa; era a verdade.

Vangie dizia que ele trabalhava demais, e Garrett achava seu quase cunhado entediante porque ele não fazia nada além de desenhar prédios.

Aquilo estava bom para Seb. Eles tinham suas vidas e ele tinha a própria.

Mas, conforme a data da cerimônia se aproximava, as coisas iam mudando. Os planos feitos meses antes agora requeriam opiniões e consultas constantes.

Vangie tinha começado a ligar para ele diariamente. Então duas vezes ao dia. Recentemente havia aumentado para quatro e cinco vezes ao dia.

Sebastian queria dizer:

— Aprume-se. Você é uma adulta. Pode tomar decisões sozinha.

Mas não o fez. Ele conhecia Vangie. Amava-a. E entendia muito bem que os planos de casamento dela eram o símbolo de sua maior fantasia.

Ela sempre sonhara fazer parte de uma família "de verdade", de ter aquele apoio embutido. Era o que as famílias "normais" faziam, ela dizia a ele.

Se Vangie queria viver em um filme da Disney, Seb não conseguiria impedi-la. Mas sempre que ela ligava, ele a deixava falar. Pelo menos quando não precisava chegar a uma reunião o quanto antes.

Max havia deixado um recado no celular dele na noite anterior enquanto Seb estivera voando, vindo de Reno, para dizer que eles precisavam conversar naquela tarde.



O que significava, Seb pensou com uma empolgação acelerada, que nada tinha a ver com balinhas de goma, balas de hortelã ou cor-de-rosa, que eles haviam ganhado a licitação da Blake-Carmody.

Ele e Max haviam passado muitas horas desenvolvendo um desenho para o edifício de 48 andares no centro da cidade que seria uma "aldeia completa" com lojas, escritórios e espaço residencial. E ainda que Max tivesse sido a pessoa que levara o portfólio principal para apresentar a Steve Carmody e Roger Blake, Seb sabia estar implícito que ele estava sendo preparado para assumir a posição de arquiteto-chefe.

— Realmente preciso ir, Vange. Se eu tiver notícias de papai, você saberá — ele completou. — Mas é mais provável que ele ligue para você do que para mim.

Ambos sabiam que não era provável que ele ligasse para nenhum deles. Na última vez que tiveram notícias, Philip estava prestes a se casar com sua assistente pessoal mais recente. Ela seria a quarta mulher que tinha ficado de olho na fortuna dele. Pelo menos a essa altura o velho sabia como fazer um contrato pré-nupcial decente.

— Espero que sim — Vangie disse fervorosamente. — Ou talvez ele tenha entrado em contato com uma das garotas.

— Que garotas?

Philip as estava pegando aos pares agora? Depois seria um harém? Seb pensou quando fechou o portfólio e ficou de pé.

As garotas — Vangie repetiu impaciente, como se ele devesse saber quem eram. — Nossas irmãs — esclareceu quando ele ainda não havia respondido. — Nossa família. Elas estarão aqui esta tarde — acrescentou, e a voz soou radiante.

Aqui? Por quê? O casamento não vai ser no mês que vem?

— Elas estão vindo para ajudar.

Seb conseguia ouvir o sorriso de satisfação na voz de Vangie.

— E o que as famílias fazem, Seb.

— Durante um mês? Todas elas? — Ele conseguia até mesmo se lembrar de quantas elas era. Muitas. Mas aquilo não era algo sobre o qual se regozijar.

— Só as trigêmeas. E Jenna.

Todas com mais de 18 anos, então. Deus do céu. Como Vangie iria lidar com todas elas durante um mês? Aquilo a obrigaria a repensar no quanto desejava que eles fossem uma família "normal".

— Bem, boa sorte para você. Então quer que eu providencie que elas sejam buscadas no aeroporto?

— Não. Não se preocupe. Elas estão vindo de vários lugares e em horários diferentes, então eu lhes falei que deveriam simplesmente pegar táxis.

— Onde vão ficar?

Seb supôs que deveria saber aquilo. Ele poderia até mesmo fazer uma visita rápida e levá-las para jantar no domingo, em benefício das relações de uma família "normal".

— Com você, é claro.



O portfólio bateu com força na escrivaninha dele.

O quê?!

— Bem, onde mais ficariam? — Vangie disse sensatamente. — Todos aqueles quartos! Você deve ter pelo menos quatro quartos na sua cobertura! Eu tenho um escritório. Nenhum quarto. Noventa metros quadrados. Além disso, onde mais elas ficariam senão com o irmão mais velho? Somos uma família, não somos?

Seb estava balbuciando de forma confusa.

— Não vai ser um problema — Vangie prosseguiu, displicente. — Não se preocupe com isso, Seb. Você dificilmente vai notar que elas estão lá.

O diabo que não notaria! Visões de calcinhas secando, esmalte de unhas derramando, algazarra em todo lugar a olhos vistos.

— Vangie! Elas não podem...

— É claro que elas podem se cuidar — ela disse, completamente equivocada. — Não se preocupe. Vá para sua reunião.

— Falarei com você depois. E se assegure de que vou saber se você tiver notícias de papai.

E bum: ela fora embora antes que ele pudesse dizer uma palavra.

Seb olhou para o telefone, então o bateu furiosamente. Maldita Evangeline e sua maldita fantasia de família "normal"!

De forma alguma ele ia dividir sua cobertura com quatro de suas irmãs por um mês inteiro! Elas o enlouqueceriam.

Ele não se importava em pagar as contas, mas não ia ter seu espaço invadido! Não suportava pensar nisso.

Deu uma sacudidela com a cabeça, então apanhou o portfólio e andou a passos largos para o escritório de Max, onde ao menos encontraria um oásis de calma, de foco, de sanidade, de discussão engajada.

Gladys, secretária de Max, desviou os olhos do computador e deu um sorriso radiante para ele.

— Ele não está aqui.

— Não está? — Seb franziu a testa. — Por que não? Tínhamos uma reunião.

Além disso, não fazia sentido. Max sempre estava lá, exceto quando estava em algum sítio de construção. E ele nunca marcava duas tarefas ao mesmo tempo. Era organizado demais para isso.

— Tenho certeza de que estará aqui logo. Ele provavelmente está preso no trânsito. Ligarei para você quando ele chegar aqui, se quiser.

— Ele está... No sítio?

— Não. Está voltando do porto.

O porto? — Seb franziu o cenho. Não se lembrava de Max ter um algum projeto por lá, e sabia dos projetos dele.

Max era, tinha sido desde que Seb viera trabalhar para ele, um exemplo. Max Grosvenor era completamente confiável. E um modelo de virtude, na verdade. Trabalhador, focado, brilhante. Max era o que ele queria se tornar a figura paterna que nunca tivera.

Philip não conseguia se dar ao trabalho de aparecer quando dizia que vinha, mas se Max não estava lá às... Seb olhou o relógio de novo... Três e cinco da tarde, quando era ele quem havia agendado a reunião, algo estava errado.

— Ele está bem?

— Não poderia estar melhor, eu diria. Só tem passeado um pouco.

Seb contraiu as sobrancelhas. Passeado! Max? Max não fazia "passeios". Mas talvez Gladys tivesse dito "planejado" e ele houvesse ouvido errado.

— Tenho certeza de que ele vai chegar logo — assim que ela falou, o telefone sobre a mesa tocou. Erguendo um dedo como se dissesse "espere", Gladys atendeu: — Escritório do Sr. Grosvernor. — O sorriso que formou vincos no rosto dela informou a Seb quem estava na linha.

Ele batia o portfólio contra a palma, observando enquanto Gladys ouvia, e então assentia.

— Na verdade, ele está — ela disse ao telefone. — Está aqui esperando. Oh... — ela deu uma olhadela para a direção de Seb, então sorriu — tenho certeza de que ele vai sobreviver. Sim, Max. Sim, eu direi a ele.

Ela desligou e, ainda sorrindo, olhou para Seb.

— Ele acabou de entrar no estacionamento do prédio. Falou que é para você entrar e esperar se quiser.

— Certo. Farei isso. Obrigado, Gladys. — Com um sorriso, Seb passou por ela e abriu a porta do escritório de Max.

Era sempre um choque adentrar o escritório de Max em um límpido dia de sol. Mesmo que você estivesse esperando por isso, a vista era de tirar o fôlego.

Na primeira vez que Seb vira a paisagem da janela de Max, parou mortificado, os olhos se arregalando.

— Não consigo entender como você é capaz de concluir qualquer trabalho.

Max dera de ombros.

— Você se acostuma.

Mas agora parando e encarando a grandiosidade do Rainier por um longo instante, Seb não tinha certeza se um dia se acostumaria. E a lembrança do primeiro vislumbre o lembrou de que, quando viera para aquela região pela primeira vez, ele jurou escalar o Rainier.

Ele nunca o fez. Não tivera tempo.

O trabalho sempre tinha sido uma montanha maior e mais tentadora a se escalar. E sempre havia mais picos, maiores, mais difíceis. E ele tomou gosto pelo desafio, determinado a provar para si. Construir um nome. E construir a própria fortuna para acompanhar aquilo.

A família tinha uma fortuna, é claro. O império hoteleiro que Philip Savas supervisionava garantiu aquilo. Em outra família, aquela fortuna e aqueles contatos poderiam ter facilitado o caminho para um jovem arquiteto iniciante. Não facilitou. Na verdade, Seb duvidava que o pai dele um dia soubesse o que ele fazia para se sustentar, que diria apoiá-lo naquilo.

A única vez que ambos haviam discutido o futuro dele, quando Seb tinha 18 anos, Philip dissera:

— Podemos iniciá-lo nos negócios em Hong Kong. Você precisa ter uma noção de toda a operação desde a base, para quando vier trabalhar conosco.

Quando Seb disse "Não", Philip ergueu as sobrancelhas, deu um demorado olhar de desaprovação para o filho mais velho, então se virou e saiu do cômodo.

Fim da discussão.

Seb diria que era o fim do relacionamento, exceto pelo fato de eles não terem tido um antes daquilo.

Pelo menos a indiferença de Philip produzira um maravilhoso incentivo para ele fazer as coisas do seu jeito, construir sua marca.

E parado ali, no escritório de Max, sentindo a elegância fria ao redor e admirando a vista espetacular, que também incluía mais de trinta prédios criados pela Grosvenor Design, Seb sentiu aquela onda de determinação outra vez.

Ele abriu seu portfólio e começou a traçar outros esboços que havia feito, assim eles poderiam ir direto ao ponto, quando a porta se abriu e Max entrou a passos largos.

Seb levantou o olhar e o encarou.

— Max?


Bem, era Max, é claro, com seu corpo alto, ágil, anguloso, o rosto magro agressivo, os cabelos grisalhos e o sorriso aberto.

Mas onde estava a gravata? A camisa de puro algodão de mangas compridas? Os sapatos pretos polidos? Em outras palavras, o uniforme de Max. As roupas que Seb tinha visto Max Grosvenor usar em todos os dias úteis nos últimos dez anos.

— Você vai ser mais profissional se parecer profissional — Max dissera a Seb quando o contratara. — Lembre-se disso.

Seb se lembrava. Ele estava vestindo a própria versão do uniforme da Grosvenor Design, calça de corte militar, blusa de manga comprida com estampa em risca de giz e gravata combinando.

Max, por outro lado, usava jeans desbotado e um blusão azul-escuro sob um suéter amarelo descorado com os dizeres Universidade de Washington em letras brancas escamosas no peito. O cabelo estava desarrumado, e os pés, sem meias, enfiados em mocassins novíssimos.

— Desculpe, estou atrasado — ele disse vivamente. — Fui velejar.

Velejar? Max? Bem, é claro que milhares de pessoas velejavam, mesmo nos dias úteis, mas não Max Grosvenor. Max Grosvenor era viciado em trabalho.

Agora Max despia a jaqueta e tirava um enorme portfólio de projetos do armário.

— Eu teria ido para casa para me trocar, mas havia marcado as três com você. Então... — ele deu de ombros alegremente — aqui estou.

Seb ainda estava confuso. Um pouquinho confuso. Conseguiria entender se tivesse sido uma reunião. Mesmo uma reunião em um veleiro. E reconhecidamente coisas mais estranhas haviam acontecido. Mas ele não perguntou.

E Max estava totalmente envolvido nos negócios agora, apesar do vestuário. Ele abriu o portfólio com o desenho para a Blake-Carmody.

— Conseguimos — afirmou, com um sorriso e polegares para cima.

E Seb sorriu também, satisfeito por todo o trabalho duro deles ter sido bem-sucedido.

Nós revisamos tudo enquanto você estava em Reno — Max continuou. — Levei comigo algumas pessoas da área de projetos também. Espero que não se importe, mas o cumprimento do prazo era essencial.

— Não. De jeito algum. — Seb entendia completamente. Enquanto ele havia feito o trabalho considerável no projeto, Max era o presidente da empresa.

— Tinha certeza de que você entenderia. E eu disse a Carmody que boa parte do trabalho era seu.

Seb se instalou na outra cadeira.

— Obrigado.

— Então espero que você não se sinta excluído se eu concluir o trabalho.

Seb piscou.

— Eu sei que conversamos sobre você tomar conta desse negócio — Max prosseguiu. — Mas você tem ficado muito em Reno. E ainda tem participação no projeto da Fogerty e no Hayes Building. Certo?

— Certo. — Mas aquilo não significava que ele não estaria disposto a trabalhar ainda mais para fazer o Carmody-Blake.

— Exatamente. E deste modo você vai ter mais tempo para tocar a licitação da escola em Kent — ele continuou. — Eles ficaram realmente impressionados com suas idéias.

Seb emitiu um som indistinto àquele ponto, esperando que tivesse soado como se ele estivesse satisfeito com o elogio. Era um elogio. Era só que... Ele realmente queria o projeto Blake-Carmody,

Ele não tinha direito de ficar desapontado, de fato. Logicamente sabia disso. Sim, fora convidado para compartilhar suas idéias para o projeto e, sim, Max as havia aceitado seriamente. Eles até mesmo tinham discutido a possibilidade de ele assumir como arquiteto-chefe no trabalho.

E conseguia entender por que Max iria gostar de inspecionar um trabalho desejado como aquele. Era só porque nos últimos dois meses Max estivera falando sobre "diminuir o ritmo" e "pegar leve".

E, diabos, ele tinha acabado de vir do veleiro, não tinha?

— Eu sabia que você entenderia. Rodriguez vai chefiar a parte de escritórios do projeto. Chang cuidará das lojas — Max prosseguiu.

Aquilo fazia sentido. Frank Rodriguez e Danny Chang também haviam contribuído para o portfólio com idéias que refletiam suas especialidades.

— E pedi a Neely para cuidar do espaço residencial.

O quê? — Seb se endireitou na cadeira. — Neely Robson? De repente não soou como se Max estivesse simplesmente mantendo o trabalho desejado para si. Soou como... Seb sacudiu a cabeça como se ouvisse coisas.

Você não pode estar falando sério. — Diante do tom, Max enrijeceu abruptamente.

— Estou falando muito sério.



Mas ela não tem experiência suficiente! Ela está aqui há... O quê? Seis meses? Ela está verde.

— Neely ganhou prêmios. Ganhou o Balthus Grant.

— Ela faz ilustrações bonitinhas. — Só coisas aconchegantes. Ela bem que poderia ser uma decoradora de interiores, Seb pensou.

Ele só havia trabalhado com Neely Robson uma vez, e tinha sido meramente no estágio de discussão de projetos no primeiro mês dela ali. Não fora bom. Ele achara as idéias dela fofas e dissera aquilo. Ela fora da opinião de que ele só queria construir arranha-céus que eram símbolos fálicos, e dissera aquilo.

— Os clientes gostam dela.

Você gosta dela, Seb queria dizer. Você gosta do corpo curvilíneo, dos longos cabelos cor de mel e dos lábios sedutores que formam covinhas durante um sorriso. Mas felizmente cerrou os dentes antes que alguma daquelas palavras atravessasse os lábios.

— Ela é boa no que faz — Max afirmou suave.

E o que exatamente ela andou fazendo com você? Seb imaginou acidamente. Mas ele tinha inteligência para não dizer aquilo também.

Ainda assim, precisava dizer alguma coisa. Ele percebera o apelo que Neely Robson causara no chefe nos últimos meses. Ela era uma mulher atraente. Sem dúvida. Um homem teria de estar morto para não perceber.

Seb não conseguia contar o número de vezes que a tinha visto sair do escritório de Max ou a quantidade de vezes nos últimos dois meses que havia ouvido o nome dela dos lábios dele. E ele certamente vira o olhar demorado de Max sobre ela nas reuniões da equipe.

Não ficara preocupado. Max não era Philip Savas, dissera a si. Ele era um profissional determinado e honesto. Se havia um ídolo para os viciados em trabalho era Max.

De modo algum Max iria se deixar seduzir por um rostinho bonito. Ele tinha 52 anos, e nenhuma mulher o havia fisgado para o matrimônio ainda, certo?

Seb supunha que sempre havia uma primeira vez. E Max poderia estar propício a uma crise de meia-idade. Ele tinha ido velejar, para chorar alto!

— Eu só quero dizer que ela não tem muita experiência com condomínios como parte de um edifício misto e...

— Você não precisa se preocupar com a experiência dela. Estarei trabalhando rigorosamente perto — Max dizia agora. — E se ela está verde, vai aprender. Acho que posso ajudá-la. — Ele ergueu uma sobrancelha. — Não concorda?

Seb rangeu os dentes com tanta força que sentiu a mandíbula doer.

— É claro.

Mas sorriu agradavelmente.

— Ela é muito competente, Seb. Muito criativa. Você deveria dar um jeito de conhecê-la.

— Eu a conheço — Seb disse sucinto. Max riu.

— Não do jeito que eu conheço. Venha velejar conosco da próxima vez, por que não?

— Da próxima vez... Você foi velejar com...? — Ele não terminou a frase, de tão surpreso e descrente diante da possibilidade. Max e Neely Robson tinham passado a tarde velejando? Deus do céu, sim, ele devia estar passando por uma crise de meia-idade.

— Ela não é uma velejadora ruim. — Max sorriu.

— Não é? — Seb se pôs de pé de uma vez e pegou seu portofólio. — Estou feliz por ouvir isso — afirmou, sem emoção. — Mas ainda acho que você está cometendo um erro.

O sorriso de Max desapareceu. Ele olhou através da janela para Monte Raínier durante um longo instante, embora Seb não fizesse idéia se Max realmente o via. Finalmente ele se voltou para encarar Seb.

— Não seria o primeiro — ele sussurrou. — Aprecio sua preocupação. — E encarou Seb honestamente. — Mas não acho que esteja cometendo um erro desta vez.

Os olhos de ambos se encontraram. Seb queria dizer ao outro o quão errado ele estava, o quanto ele havia visto aquilo se repetir com o pai.

Ele deu uma pequena sacudida com a cabeça, porém então apenas assentiu.

— Vou voltar ao trabalho se você não tiver nada mais a discutir.

Max deu um aceno.

— Não, nada mais. Eu só queria que você soubesse pessoalmente a respeito da Blake-Carmody. Pareceu indelicado deixar a mensagem no seu telefone. E não é um desrespeito a você eu assumir isto. E só que... Este eu quero fazer com Neely Robson.

— É claro — Seb disse firmemente.

A porta já estava aberta quando a voz de Max veio de trás dele:

— Você devia tirar um pequeno descanso, Seb. Nem só de pão vive o homem... Você conhece o ditado.

Seb conhecia. Mas não queria ouvir de Max Grosvenor. Ele fechou a porta silenciosamente quando saiu.

— Está vendo, não é fascinante? — Gladys olhou para cima e suspirou, animada.

Seb franziu a testa.

— Perdão?

— Max. — Ela esboçou um feliz sorriso maternal. — É fascinante ele finalmente estar construindo uma vida.

Se Max finalmente estivesse construindo uma vida, Seb não o invejaria.

Vida, o tipo ligada a "relacionamento", conforme Seb conhecia de uma vida inteira de experiências era bagunçada, imprevisível e carregada de caos. Aquele Max, o mais focado dos homens, deveria estar seduzido por aquilo, o que simplesmente significava que ele entrara fundo em uma crise de meia-idade.

E com Neely Robson, uma mulher com metade da idade dele, pelo amor de Deus! Era um desastre esperando para acontecer.

Max sempre tivera o que Seb pensava ser uma vida ideal. Satisfação através do trabalho, através da criação de prédios magníficos, uma vida de ordem, livre e controlável. Não bagunçada, imprevisível e confusa.

Falando em bagunçado e incontrolável, àquela hora ele tinha certeza de que sua cobertura estaria fervilhante com as meias-irmãs. Haveria meias-calças em todos os banheiros, telefones celulares tocando a cada minuto, migalhas de torrada e geléia nos balcões, iogurtes pela metade na geladeira e revistas de noivas espalhadas em cada superfície.

Pior, todas estariam falando ao mesmo tempo sobre o casamento, sobre Evangeline e Garrett, sobre o quão perfeito aquilo tudo era, sobre como eles iriam viver felizes para sempre, sobre como todo mundo deveria viver feliz para sempre. E então elas começariam a comparar as próprias vidas amorosas.

E especular a respeito da vida amorosa dele.

Seb não tinha uma vida amorosa. Não tinha a intenção de ter uma. Não uma como elas classificavam, de qualquer modo... Não que ele conseguisse se comunicar com aquelas cabecinhas ocas.

Ele tinha necessidades, é claro. Hormônios. Testosterona, pelo amor de Deus. Ele era um homem viril com todos os instintos adequados. Mas aquilo não significava casamento ou felizes para sempre.

E certamente não significava que ele acreditava em contos de fadas.

Pelo contrário, acreditava em dar aos seus hormônios exatamente o que eles queriam, de um modo são e sensível. E ele o fizera ao longo dos anos com uma série de casos discretos com mulheres que quiseram exatamente o mesmo que ele. Nem mais, nem menos.

Não significava que precisava construir uma vida amorosa ou levá-la a sério.

Mas as irmãs pensavam que ele deveria. E nunca hesitavam em dizê-lo.

E desde que Evangeline as havia empurrado para ele pelo próximo mês, e ele sabia que não ia ser capaz de mandá-las embora, elas se sentiriam no direito de emitir suas opiniões. Minuciosamente.

Que Deus o ajudasse.

Precisava de uma toca, de um apartamento só para si. Um pequeno refugio só dele, apenas por aquele mês, onde nenhuma delas poderia encontrá-lo. Ele poderia aparecer e dar uma de irmão mais velho quando lhe conviesse, mas geralmente poderia brincar de "esconde-esconde".

Seb cogitou se mudar para o estúdio no prédio que tinha comprado dois anos atrás. Era tentador. Mas ficava a apenas três quadras de onde ele morava. E Vangie conhecia o lugar. Todas ficariam sabendo se ele fosse para lá.

Não seria um refúgio por muito tempo.

Ele gostaria de colocá-las lá, mas nunca funcionaria. Um quarto e um banheiro e quatro mulheres? Não valia a pena pensar no assunto.

Talvez ele pudesse comprar um sofá-cama para o escritório e dormir lá. Há alguns meses, Max teria aplaudido a idéia. Agora, em seu novo jeito "Desaparecer sem motivo não é maravilhoso?", ele ficaria chocado.

Mas, maldição, Seb não estava tendo uma crise de meia-idade. E se ele quisesse trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, por que não poderia? Pelo menos no escritório ainda conseguia manter o foco.

Intencionalmente, Seb afastou o pensamento e focou mais uma vez nos desenhos da escola Kent. Quase todo mundo havia ido para casa agora. Eram quase seis e meia. Ele virou a caminho do elevador.

— Ainda aqui? É noite de sexta. Nenhum encontro quente? — Seb apenas olhou para ele.

Max sorriu e balançou a cabeça.

— Aprenda comigo, cara. Há mais para se fazer na vida do que no trabalho.

Como encontros com mulheres com a metade da idade dele? Seb inspirou.

— Tenho trabalho a fazer para Reno, então quero pensar um pouco no projeto Kent.

Max lhe lançou um olhar torto que dizia que ele reconhecia a culpa que lhe era ofertada, mas então, sendo o Max genuíno, deu de ombros.

— Você é quem sabe. — Ele começou a se afastar, então voltou para enfiar a cabeça no vão da porta outra vez. — Vamos velejar no domingo. Você vem conosco?

Oh, sim. Era exatamente como Seb queria passar o domingo, vendo Max fazer papel de bobo por Neely Robson, e assistindo a Neely Robson se sentir triunfante com a desgraça alheia. Seb rangeu os dentes.

— Obrigado, mas estou ocupado. Minhas irmãs estão na cidade.

Se ele estava preso a elas então o mínimo que elas poderiam fazer era ser úteis. Max assentiu.

— Certo. Você tem uma família grande. Eu sempre me esqueço disso.

Seb desejou conseguir esquecer também.

— Sorte a sua. Fico feliz por você ter alguma distração, Seb.

— Divirta-se — Seb disse seco. Max o iluminou com um sorriso.

— É o que pretendo fazer.

E saiu saracoteando. Assobiando, Deus do céu!

Seb passou os dedos pelos cabelos, massageou o couro cabeludo e tentou focar de novo.

Ele tentou por mais meia hora depois de Max ter saído. Mas seu estômago começou a roncar, e Seb precisou pegar alguma coisa para comer. Pelo menos não precisava ir para casa para isso. Podia comprar comida para viagem, levar ao escritório, ficar e trabalhar até chegar a hora de ir para a cama.

Afastou a cadeira e pegou o paletó no espaldar, então saiu para a recepção.

Só havia uma luz acesa ainda. Quatro portas abaixo do escritório de Frank Rodriguez. Frank, que estava construindo a parte de escritório do Blake-Carmody, ficaria queimando as pestanas alegremente. E enquanto ele andava em direção ao escritório, a caminho do elevador, podia ouvir Frank e Danny Chang numa conversa absorta.

Seb sentiu uma pontada de inveja, então a reprimiu. Ele não queria o trabalho de Frank. Ou o de Danny. E não era culpa deles ele não ter conseguido o trabalho que queria.

— Não posso te ajudar — ele ouviu Danny Chang dizer. — Queria poder. — Ele saiu do escritório de Frank, então parou à entrada da porta e retornou. — Eu pensei que você tivesse vendido.

— Eu vendi. — O tom de Frank era sombrio. — Cath vai enlouquecer quando descobrir que o negócio degringolou. Queremos esta casa. Como diabos vou dar entrada no pagamento da casa se não tenho o dinheiro?

Danny deu de ombros.

— Se eu ficar sabendo de alguém que queira uma, indicarei para você. — Ele se virou para sair, então parou e reagiu com surpresa diante da visão de Seb.

— Oi, quer comprar uma casa-barco? — Casa-barco? Ele queria comprar uma... Casa-barco?

Em qualquer outro dia, Seb teria rido. Hoje, conforme as palavras eram registradas, ele se pegou dizendo cautelosamente, curiosamente:

— Que tipo de casa-barco? Onde? — Danny e Frank trocaram olhares.

Então Frank se levantou de trás da mesa e veio até a porta do escritório.

— Não é grande. Você provavelmente não quereria. Dois quartos. Um banheiro. Bem pequena, na verdade. No lado leste do Lago Union. Comprei depois de um ano na cidade. Eu a adoro. Mas Cath... Nós vamos nos casar, e Cath não gosta dela.

— Fale mais a respeito.

Os olhos de Frank se arregalaram em surpresa. E então, aparentemente chegando à conclusão de que Seb falava sério, ele assinalou suas virtudes:

— É perfeitamente funcional. Mais ou menos cinqüenta anos, mas tem sido bem cuidada. É um lugar bem tranqüilo. Exatamente ao fim das docas. Tem uma bela vista, obviamente. Meu inquilino ia comprá-la, mas o financiamento foi reprovado. Acabei de receber a ligação.

— Inquilino? — Frank deu de ombros.

— Aluguei o outro quarto. Ajuda com as contas. Mas nada vai me ajudar com isso — ele disse severamente. — Não vamos ter dinheiro para a entrada e iremos perder a casa.

E inquilinos podiam ser despejados.

Quanto quer por ela? — Frank piscou.

— Está falando sério?

— Estou perguntando, não estou?

— Ah! Bem, hum... — Frank parecia um pouco tonto enquanto cuspia um valor.

Não era uma barganha. Mas quanto custa a paz? A sanidade. A ausência de tumulto, risinhos e meias-calças? Além disso, ele poderia vendê-la quando quisesse.

Seb assentiu.

— Vou fazer um cheque.




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