Tanto por fazer



Baixar 26.35 Kb.
Encontro03.08.2018
Tamanho26.35 Kb.

RELEASE

TANTO POR FAZER
Com direção de Carlos Cardoso, estreia no dia 2 de setembro, sexta-feira, às 21h, no Sesc Rio Casa da Gávea, a comédia “Tanto por fazer”, texto teatral de autoria de Tessy Callado com a cineasta e roteirista Rosário Nascimento e Silva que trata do valor da amizade. Desde sua finalização, em 2003, o texto participou de diversos ciclos de leituras públicas e agora, contemplado pelo FATE, terá sua estreia cênica. A temporada acontece até o dia 9 de outubro.
No palco as atrizes Tessy Callado e Simone Franco dão vida a duas personagens que se reencontram depois de algum tempo separadas, mas em momentos completamente diversos de suas vidas. Enquanto uma optou pela profissional, mas sem filhos e agora procura engravidar, a outra, dona de casa e mãe de família deseja agora arrumar um trabalho. Amigas de infância, Eva (Simone Franco) e Maria (Tessy Callado), conseguem manter a amizade com o passar dos anos. Quando se reencontram, além de fazerem um balanço de tudo que viveram, ambas se defrontam com problemas graves da atualidade. Eva está com o pai à morte e Maria acaba de se separar. Num curto espaço de tempo, as duas são obrigadas a confrontarem duras verdades e revelações insuspeitadas. Tudo isso virá à tona de forma inesperada. Uma vez feita esta reavaliação, elas poderão se preparar para desfrutar da maturidade.
Escrever esta peça veio por sugestão do pai de Tessy, o escritor e dramaturgo Antonio Callado, que incentivou a filha e sua amiga de infância a se aventuram juntas pela primeira vez, pela dramaturgia. Segundo Tessy a peça tem algo Casa de Bonecas, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, que denunciou a hipocrisia e as convenções da sociedade do final do século XIX, trata de temas que dizem respeito às mulheres da geração das autoras, como o tabu da virgindade, o surgimento da pílula, a separação e outros atemporais como a traição. Há na peça algumas referências autobiográficas, como sua personagem a própria Tessy morou em Londres.
“Morei em Londres e estudei teatro lá. Mas não aguentei ficar e fazer carreira. Voltei e fiz aqui. Rosário morou em Paris, na Itália, viajou sempre muito. Rosário e eu éramos da mesma turma no Bennett ela com 10 eu com 9 anos, ainda não éramos amigas. No recreio do almoço eu lia um policial para teen-agers em inglês. Tomei coragem e fui até onde ela estava lendo: "Que livro está lendo?". E ela respondeu: "A Náusea do Sartre". Lia em francês mergulhada no existencialismo sartriano. Esta história real está na peça, assim como as histórias dos namoricos com os meninos, brincando de "pera, uva, maçã e salada de fruta", são tiradas da nossa infância e adolescência, misturadas aos romances de Nelson Rodrigues, Jorge Amado, Antonio Callado, Lolita de Nabokov... mas tem muito da gente ali sim: o despertar da sexualidade e das paixões. Elas (as personagens) como nós fazíamos falam muito sobre tudo, típica amizade repleta de confidências; jantando, com um copo de vinho ou bebericando. Muito do texto que fala em casamento e em separação vinha de Rosário. Existe uma história real mas não é nossa - sobre a mulher que recebe o IPTU (que ela já pagou) e aí percebe que é o IPTU de outro endereço e descobre que o marido "perfeito" tem outra família... O Bernardo namorado da EVA é uma homenagem que Rosário fez ao B. Bertolucci, que adoramos os filmes dele. O namorado da Eva chama-se Jean-Luc, por causa do Goddard.” (Tessy Callado)
Babenco'>Sartre e Babenco
Tessy tem muitas histórias da família para contar, sobre como conheceu Sartre ela diz: “Rosário lendo o Sartre, meus pais também e falavam muito dele; citavam trechos, etc. E aí o Sartre e a Simone de Beauvoir vieram ao Brasil. Eles eram a  "inteliguentcia" do momento. Como papai era Redator Chefe do Correio da Manhã,  organizou um jantar com o Jorge Amado a Zélia Gattai, Ziraldo, Fernando Sabino, Flávio Rangel, Marcio Moreira Alves e outros intelectuais importantes brasileiros (não lembro de todos, talvez o Zuenir também estivesse ali). para ouvir o Sartre. Eu fiquei muito curiosa e pedi para servir o amendoim, botar gelo nos copos de uíque e mamãe permitiu que eu ficasse um pouco e depois cama, pois precisava acordar e ir ao colégio. Eles falavam francês, que eu ainda não falava; eu tinha 9 anos, observava atenta. Fiquei pasma de ver todos aqueles intelectuais brasileiros mudos ouvindo o Sartre como um oráculo. Mesmo não entendendo achei o Sartre horrendo, mas percebi sua força, as idéias brotavam sem parar era como um duende brilhante. A Simone estava de turbante roxo; não era uma bela mulher aos meus olhos, mas tinha uma presença especial e vez por outra acrescentava palavras ao discurso dele, como quem completa a teoria. Só depois quando li LES MOTS, espécie de autobiografia dele compreendi: Ele conta que com 6 anos chegou em casa depois de uma apresentação teatral no colégio e ficou diante do espelho empolgado, a representar. Então se viu realmente e conta que seu olho direito já entrava no ocaso e percebeu que era muito feio. Tomou a decisão de viver de suas ideias pois estas não lhe faltavam.”
Quando ela voltou de Londres, onde estudou por 3 anos e se formou no De Leon Drama School of London, entrou logo no Teatro Oficina, para a temporada popular do Galileu do Brecht. “Com carteira assinada aos 18 anos. Fiz teatro até que ditadura ficou muito severa e aí fiz novela. Luta armada, nem pensar! Casei e tive filho: o João e continuei fazendo novela. Em 1974, Rosário escreveu e dirigiu o filme MARCADOS PARA VIVER, fiz Jojo, o pivete que inspirou o PIXOTE do Babenco.”
AS AUTORAS E O DIRETOR
Tessy Callado (autora e atriz) – Como atriz estreou bem jovem, em 1964, dirigida por Maria Clara Machado em Sonho de Uma Noite de Verão. Passou pelo Teatro Oficina, de José Celso Martinez Correa onde participou das montagens de Galileu Galilei e Selva das Cidades, de Brecht; Don Juan, de Molière – pelo qual foi indicada para o Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante; Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues; Os Pequenos Burgueses, de Gorki, e do filme O Rei da Vela. Trabalhou ainda com Gianni Ratto – em O Grande Amor de Nossas Vidas, de Consuelo de Castro –, Antonio Pedro, Domingos de Oliveira, Aderbal Freire Filho e Bibi Ferreira. Participou da montagem de Macbeth, com o Grupo de Teatro da UERJ (TUERJ) e ganhou a concorrência do Centro Cultural Banco do Brasil para a montagem de A Revolta da Cachaça, de Antonio Callado que protagonizou sob a direção de Moacir Chaves. Participou ainda dos espetáculos públicos de A Via Sacra, texto de José Paulo Moreira da Fonseca e direção de Aderbal Freire Filho e Ginaldo de Souza. Atuou na peça Top Girls da inglesa Caryl Churchill, interpretando as personagens Griselda e Victoria. Participou de mais de 10 filmes, entre eles Marcados para Viver, de Maria do Rosário Nascimento Silva, Bar Esperança, de Hugo Carvana, Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, O Rei do Rio, de Fábio Barreto, Primeiro de Abril, Brasil, de Maria Letícia e os internacionais Blame it on Rio, de Stanley Donnen. Cafuné, de Bruno Viana e O Passageiro, de Flávio Tambelline.
Na televisão fez diversas novelas, entre elas “Selva de Pedra”, “A Escalada”, “A Moreninha”, “Pai Herói”, “Judas em Sábado de Aleluia” para Série Aplauso, participações em “Carga Pesada”, nas novelas “Salomé” e “A Viagem”, todas na TV Globo e “A Marquesa de Santos”, “Um Novo Amor” e na TV Manchete onde foi ainda Assistente de Direção na mini-série de Geraldo Vietri “Santa Martha Fabril” e de Ari Coslov, na novela de José Louzeiro “Corpo Santo”, da TV Manchete. Recentemente grava, a convite de Mauricio Sherman, personagens no Programa da Rede Globo “Zorra Total”.
Foi repórter de vídeo em programas jornalísticos como “O Jornal da Manchete” e no “Programa de Domingo”, Rede Manchete. Durante a ECO-RIO-92, trabalhou como repórter de vídeo para a Rede Brasil, realizando entrevistas em inglês, francês, espanhol e português. Na TV-RIO de Walter Clarke e o Pastor Fanini no Estácio onde coordenou a Editoria de Cultura que entrava em toda a grade de programação. “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”, da Rede Globo e “O Valor do Ensino Público”, entre outros - como repórter e apresentadora. Em 1997 e 1998 foi repórter e apresentadora do programa “De olho na Saúde” na TV Educativa.
Na área de direção em teatro trabalhou como assistente de direção para Flávio Rangel em Pippin; Antonio Pedro nas peças: O Barbeiro de Nichteroy (Flávio San Tiago), Um padre à italiana; Síndica, qual é a tua (de Luis Carlos Góes); Os Saltimbancos (adaptação de Chico Buarque); para Paulo José em Transaminases (Carlos Vereza); para Gianni Ratto em Memórias de um sargento de milícias. Co-dirigiu, com Antonio Pedro, o espetáculo Uma noite em sua cama (de Jean de Letraz adaptado por Armindo Blanco). A convite de Pedro Paulo Rangel faz a assistência de direção para a comédia musical inspirado no conto homônimo de Machado de Assis “Um homem célebre” no CCBB.
Faz captação e trabalha em documentário para homenagear a memória do seu pai. Lança no Festival É Tudo Verdade (Vidas Brasileiras – Perfis) o filme “A paixão segundo Callado” da Lumen Produções, com direção de José Joffily e roteiro de Regina Zappa. Projetou, captou, produziu e dirigiu a peça Uma rede para iemanjá, de Antonio Callado.
Realizou locuções profissionais para BBC de Londres e rádio Hilversum da Holanda. Em literatura, traduziu o livro O teatro e seu espaço, de Peter Brook, para Editora Vozes e A História de Um Soldado, de Ramuz, (Musicado por Stravinsky). Foi divulgadora e produtora da Editora Rio Fundo. Publica seu o romance policial Faro Felino, pela Editora Rocco. Escreve peça, a quatro mãos, com Maria do Rosário Nascimento Silva, Sem Maquiagem. Escreve em parceria com Mauro Santa Cecília (parceiro de Frejat) a peça Amor bicho instruído. Trabalhou com Vera Fajardo na coordenação, seleção, atuando e dirigindo no “Ciclo de Leituras da Casa da Gávea” durante cinco anos seguidos. Como professora de teatro já deu vários cursos.
Maria do Rosário Nascimento e Silva (autora) – Principais trabalhos como realizadora e roteirista: Quarta-Feira, curta metragem, direção e roteiro – 1972; Eu sou Brasileiro, curta metragem, direção e roteiro – 1973; Marcados para viver, longa metragem, direção e roteiro – 1975 (Prêmio Governador do Estado de São Paulo e da Crítica Paulista: para revelação em direção – Maria do Rosário – e melhor atriz – para Rose Lacreta; Prêmio Adicional de Qualidade Outorgado pela Embrafilme; Convidado a participar dos Festivais: Women’s Film Festival, NY; Teera’s Film Festival; Los Angeles Film Festival; Filme convidado para representar o Brasil no Festival Quinzena dos Realizadores em Cannes); Paraíso no Inferno, longa metragem realizado por Joel Barcellos, Produção Executiva – 1976; Pequenas Taras, direção e roteiro – 1977. Em outubro de 2010, morreu em consequência de um câncer.

O adeus para Maria do Rosário Nascimento Silva (Publicado na coluna Hildegard Angel em 17.10.2010) – “Acabo de receber a informação de que morreu hoje Maria do Rosário Nascimento Silva. Filha do já falecido ex-ministro da Previdência Social e de Vilma, mulher bela, sempre de turbantes em sua juventude, quando foi amiga de minha mãe em Belo Horizonte. Nascimento Silva e Vilma foram embaixadores do Brasil na França. Maria do Rosário foi um ícone de beleza de sua geração. Foi casada com Walter Clark, no auge do poder dele como homem forte e principal da TV Globo. Ela tinha pestanas compridas, sobrancelhas grossas, voz de veludo e seu sonho era ser cineasta. Estava sempre cercada de gente de cinema, de intelectuais, pois queria ser um deles, pertencer àquele meio. Acabou sendo adotada por todos do Cinema Novo, que adoravam Rosário, a fragilidade de Rosário, sua beleza impressionante. Fomos muito, muito amigas, numa determinada época de nossas vidas, quando a apresentei ao Paulo Coelho, então parceiro de Raul Seixas, e eles chegaram até a começar um namoro, que não vingou, mas se desdobrou numa grande e preciosa amizade para todo o sempre, pela vida inteira. A última vez em que a vi, há poucos meses, foi no lançamento do livro de Cristina Oiticica, mulher de Paulo, na Travessa do Shopping Leblon. Rosário tornou-se uma pessoa sofrida e triste, depois que perdeu o pai, seu grande ídolo. Teve um câncer, emagreceu, passou por um grande abatimento físico, não dava nem para reconhecê-la. Na missa de sétimo dia de Ruth de Almeida Prado, Olavo Monteiro de Carvalho me perguntou quem era. Ele não a havia reconhecido, e foram tão amigos na juventude! Rosário era uma pessoa do bem, sempre à procura de uma identidade.  Uma pessoa que gostava dos outros e eu e muita gente gostávamos muito dela. Com meus sentimentos ao marido, Vitor, à filha, Eduarda Clark, e a toda sua família...”



Carlos Cardoso (diretor) – “Como ter uma idéia” (2009), contemplado pelo “Prêmio Funarte Petrobras de Teatro Myrian Muniz 2008 e pelo FATE 2009; “A viagem de Zenão” (2008), contemplado pelo FATE 2007 e pelo Prêmio Funarte Petrobras de Teatro Myrian Muniz 2007, foi indicado ao Prêmio Zilka Sallaberry de Teatro Infantil 2008, nas categorias texto, direção, cenografia e iluminação, tendo conquistado os prêmios de melhor texto e cenário; “Um soldadinho de chumbo” (2004), contemplado pelo FATE 2003. Foi diretor musical de 27 espetáculos entre eles: O autofalante e Os ignorantes, de Pedro Cardoso; As artimanhas de Scapino, direção de Daniel Herz; Melodrama, concepção e direção de Enrique Diaz.
FICHA TÉCNICA
Texto: Tessy Callado e Rosário Nascimento e Silva | Direção: Carlos Cardoso | Elenco: Tessy Callado e Simone Franco | Iluminação: Aurélio de Simoni | Ambientação cenográfica: Marcelo Lipiani | Trilha Sonora: João Callado | Produção: Dadá Maia e Carlos Cardoso
SERVIÇO
Tanto por Fazer | Texto: Tessy Callado e Rosário Nascimento e Silva | Direção: Carlos Cardoso | Elenco: Tessy Callado e Simone Franco | Sinopse: Duas amigas que conseguem manter a relação com o passar dos anos, fazem um bem humorado balanço de tudo que viveram | Estreia: 2 de setembro às 21 horas | Temporada: 2 de setembro até 9 de outubro de 2011 | Local: SESC Rio Casa da Gávea. Praça Santos Dumont 116, sobrado | Informações: 2239-3511 | Dias e horários: Sextas e sábados às 21h. Domingos às 20h. | Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia) | Capacidade de público: 75 lugares | Classificação indicativa: 14 anos | Duração: 75 minutos | Gênero: Comédia | Até 9 de outubro
SINOPSE
Duas amigas que conseguem manter a relação com o passar dos anos, fazem um bem humorado balanço de tudo que viveram.
ATENDIMENTO À IMPRENSA
assessoria de imprensa Ney Motta

21 8718-1965 e 2539-2873



contato@neymotta.com.br

www.neymotta.com.br

Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal