TelevisãO: novas modalidades de contar as narrativas



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Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação


XXIII Encontro Anual da Compós, Universidade Federal do Pará, 27 a 30 de maio de 2014

Reflexões: os sentidos sociais da programação1

Refletions: social meanings of the schedule


Elizabeth Bastos Duarte 2
Resumo: O presente trabalho propõe-se a desenvolver uma reflexão sobre o modo de funcionamento, lógicas e funções que presidem a organização das grades de programação das emissoras generalistas, examinando com especial atenção as transformações pelas quais vem passando a programação da Rede Globo de Televisão (RGT), com a finalidade expressa de levantar hipóteses, a serem confirmadas em pesquisa posterior, que possibilitem uma melhor compreensão dos sentidos e das razões que norteiam as alterações em curso. Nessa perspectiva, procura analisar os investimentos feitos pela emissora na produção ficcional, nos remakes e, principalmente, nos programas de auditório, visto que atualmente a RGT coloca no ar, semanalmente, mais de 12 programas, ligados a esse subgênero televisual. Os apontamentos finais procuram apresentar justificativas para essas alterações

Palavras-Chave: grade de programação; princípios de organização; sentidos das alterações.

Abstract: This paper aims to develop a reflection about the operation, logics and functions governing the establishment of the main channels time slots, examining with dedicated attention the Rede Globo programmation adjustments, with the purpose to call into hypothesis to be confirmed in a posterior research, which enable to understand the meanings and the reasons that guide the current adjustments. In this perspective, seeks to analyse the investments made by the issuer in the fictional production in remakes and, mainly, in the Auditorium, since currently the RGT puts on the air, weekly, more than 12 programs, connected to this televisual subgenre. The final notes seeking to submit justifications for those changes

Keywords: time slot; establishment principles; meaning of the adjustment.


1. Das considerações iniciais


Os estudiosos dizem, e a gente repete, sem pejo ou maiores questionamentos, que a estruturação das grades de programação das emissoras de televisão comerciais generalistas procura articular a oferta de produtos ao cotidiano de seu público alvo, os telespectadores. São, assim, as características e ritmo de vida de uma dada sociedade os responsáveis, em última instância, pela escolha dos programas e definição de seu horário de exibição. Dessa forma, as grades das diferentes emissoras correspondem a tentativas de administração não só do gosto, mas da temporalidade complexa e forçosamente direcionada da parcela de público disponível em cada faixa horária.

Em outros termos, existe, nos canais generalistas, uma justificável e assumida preocupação com a adequação entre o tipo de programa ofertado em um dado horário e o dia-a-dia do telespectador, até porque a presença e distribuição das peças publicitárias obedece a esse mesmo critério, uma vez que os anunciantes, responsáveis pela manutenção e lucratividade das empresas privadas de televisão, estão sempre atentos aos horários em que estão disponíveis os virtuais consumidores de seu negócio. Daí por que é preciso construir, conquistar e fidelizar uma audiência estável, com as mesmas características de semana para semana, para que a publicidade possa falar com um público específico e nele focar suas ações.

E, contrariamente ao que se poderia pensar, as grades são atualmente muito mais rígidas do que as de décadas passadas, talvez porque a fidelização do telespectador seja tão importante para que a emissora possa se responsabilizar por um determinado público frente aos anunciantes: experiências e propostas novas são sempre um risco que deve ser cuidadosamente avaliado. Assim, a programação, em princípio, não tem como objetivo prioritário colocar, na grade, em cada faixa horária, um novo programa, de alta qualidade e originalidade, direcionado a todos os públicos, mas um programa que atinja a maioria do público disponível naquele horário, e, importante, ao menor custo de realização possível.



Ora, a grade de programação da maior cadeia de televisão privada do país e referência para a organização das demais grandes redes brasileiras, a da Rede Globo de Televisão (RGT), vem passando por significativas alterações que, de certa forma, contrariam tanto essa rigidez antes apontada, como o próprio modelo implementado, respeitado e reiterado pela emissora ao longo dos últimos cinquenta anos.

Cabe questionar, portanto, as razões que levam a RGT a abdicar, ao menos em parte, de um modelo que sempre lhe foi tão caro; e que vem sendo por ela, ao longo dos anos, insistentemente cultivado; e que, para além disso, sempre contou com ampla aprovação dos telespectadores e da sociedade brasileira em geral. Afinal, essa grade passou a interferir até mesmo nos hábitos cotidianos dos brasileiros e em seus tempos sociais: ninguém sai de casa antes do Jornal nacional; o futebol só começa após o término do capítulo da novela das nove; ninguém perde os últimos capítulos das novelas ou os episódios de A grande família.

Assim, se essa programação sempre esteve em perfeita sintonia com os telespectadores, se tem sido organizada para eles, – afinal a televisão é um negócio –, tudo leva a crer que essas modificações traduzam profundas alterações nas expectativas, configuração social e hábitos dos consumidores brasileiros, bem como modificações no gerenciamento dos interesses da empresa.

Diante do exposto, o presente trabalho propõe-se a desenvolver uma reflexão sobre o modo de funcionamento, bem como sobre as lógicas e funções que presidem a organização das grades de programação das emissoras generalistas, examinando com especial atenção as transformações pelas quais vem passando a programação da RGT, com a finalidade expressa de levantar hipóteses, a serem confirmadas em pesquisa posterior, que possibilitem uma melhor compreensão das razões e sentidos que norteiam as alterações em curso.

2. Do modo de funcionamento das grades de programação: lógicas e funções


A televisão, no contexto brasileiro, nasceu como empresa privada. Nessa perspectiva, trata-se de uma indústria de discursos que se rege pelas leis do mercado: as emissoras (canais abertos) sustentam-se com a venda de espaços comerciais, cujo valor é proporcional à audiência por elas obtida com os produtos que veiculam em um determinado horário. Assim, a feitura dos produtos televisuais está integrada aos princípios que regem a produção das mercadorias em geral, de forma a torná-los capazes de despertar o interesse e conquistar o telespectador, contando, se possível, com a qualidade necessária para aprovação da crítica especializada: trata-se de um negócio que depende da audiência, em um mercado extremamente disputado.

Em função disso, a programação e os próprios programas são organizados com vistas a reservar espaços para todo o tipo de mensagens promocionais de caráter comercial e/ou simbólico. Essas peças promocionais se manifestam em espaços intervalares ou sob a forma de inserções no interior dos produtos. Não é à toa que os manuais de roteiro americanos sempre apregoaram que as emissões dos programas deveriam ter tantos blocos quantos fossem os intervalos publicitários previstos. E esse velho princípio, sempre reiterado na televisão comercial, sustenta-se antes de tudo na serialização, critério maior de distribuição, estruturação e fragmentação dos produtos televisuais (DUARTE, 2008). É a serialização quem determina que os programas comportem, cada um deles, um certo número de emissões, apresentadas como fragmentos ou segmentos componentes do texto maior representado pelo todo do próprio programa.

Por outro lado, cada uma das emissões de um programa organiza sua narrativa utilizando-se estrategicamente dos tempos fortes, ou seja, fragmentando o relato em momentos em que trama, construída com esse propósito, deve resolver impasses, deixando os telespectadores em suspense, à espera da sequência seguinte, o que impediria a troca de canal, por medo de perder o desenrolar das tramas, ou, no caso dos telejornais, a notícia mais relevante do dia. O telespectador fica, segundo Jost (2010), cativo tanto pela promessa de que o que está por vir é melhor do que aquilo que ele está assistindo, como pela curiosidade de conhecer os encaminhamentos, destaques e finais dos relatos.

Três instâncias têm voz ativa na estruturação da grade de programação de uma emissora de televisão: a empresarial, que escolhe os programas tendo em vista o lucro, que, através de sua exibição, pode ser obtido, considerando a continuidade semântica entre programas e promoção, essa última com interferência até mesmo no próprio conteúdo das narrativas; a institucional, que atua na compra ou produção dos programas, tendo em vista as funções que essa emissora se atribui; e, por fim, a da marca, que envolve as escolhas de programas alinhados com a imagem que a emissora visa projetar e/ou manter de si. Aliás, é nessa perspectiva, segundo Jost (2010, p. 91), que cada programa exibido é parte constitutiva da imagem da emissora e a imagem da emissora semantiza cada um dos programas exibidos. As escolhas dos programas não são, assim, inocentes: ocorrem a partir de uma minuciosa seleção de conteúdos, da cuidadosa definição das faixas horárias adequadas à sua exibição e da consideração ao entorno – sucessão ou aproximação de determinados produtos na grade de programação.

A composição da grade de programação exige um detalhado planejamento, pois a disposição serial dos produtos televisuais, ao selecionar e combinar programas, opera com dois eixos temporais: o horizontal, que dá conta do desenvolvimento sintagmático dos programas, na sequencialidade semanal de suas emissões, incidindo sobre a programação enquanto periodicidade e reiteração; o vertical, que responde à inserção da emissão de um dado programa no fluxo da grade diária de uma emissora, em horário definido, precedido e sucedido por outros produtos. A serialização prevê, dessa forma, que cada programa ocupe um determinado e reiterado espaço, de forma regular, na programação, ou seja, que conte com dia(s) predefinido(s) de apresentação semanal ou mensal; com o tempo de duração de cada emissão preestabelecido; e, se for possível, com a previsão do período total de permanência do programa na grade de programação da emissora, independentemente do gênero televisual a que ele pertença, seja ele ficcional, factual ou simulacional. Sim, porque cabe enfatizar, a adoção dessa lógica estrutural da serialidade é extensiva a toda a produção televisual – telejornais, talk-shows, reportagens, entrevistas, reality-shows, etc –, não se restringindo apenas à ficcional: o plano de realidade (metarrealidade, suprarrealidade, pararrealidade) com que opera preferencialmente um programa de televisão não interfere na sua seriação, pois a esse critério se submetem todos os produtos televisuais.

Dessa forma, a serialidade diz respeito, primeiramente, a um tipo de organização que é exterior ao programa, referente aos princípios de seleção, distribuição e combinação de programas na grade de programação, que, atentos às diferentes lógicas e demandas econômicas, culturais e sociais, consideram: (a) as características do público disponível nos diferentes horários e dias da semana (sexo, faixa etária e nível cultural), com especial atenção àqueles que são obrigados a ficar em casa – mulheres, idosos, aposentados, desempregados, etc; (b) o modo de distribuição do tempo desse público alvo, ou seja, suas atividades – escola, cursos, preparação de refeições, retorno para casa; (c) os gostos e preferências desse público-alvo; (c) os subgêneros de programas indicados a esse público-alvo, ou seja, os que mais agradem a audiência daquele horário; (d) as disponibilidades e condições intelectuais desse público-alvo; (e) as ofertas da concorrência no mesmo horário. E, embora atualmente os hábitos de consumo estejam se alterando, uma vez que todos podem estar conectados à programação televisual em diferentes momentos do dia, via internet, celular, tudo indica que a televisão continue partindo dessa homogeneização da audiência em cada faixa horária para organizar sua grade. Assim, a inserção de um programa na grade de programação de uma emissora é resultado de um minucioso estudo sobre a configuração do público disponível em cada faixa horária.

Mas a seriação incide também sobre a estruturação interna dos programas; ela, aliada à adoção de um subgênero, interfere diretamente na construção das diversas emissões que compõem um programa, pois determina: (1) a frequência de sua exibição; (2) o tipo de relação sintagmática que esses fragmentos do programa contraem entre si – continuidade ou descontinuidade; (3) a sua decorrente forma de apresentação: capítulos, episódios, apresentações, edições; (4) a sua consequente forma de estruturação narrativa – autonomia ou dependência de sentido das emissões umas em relação às outras.

A duração total de tempo em que um programa permanece no ar, de certa forma, também está ligada ao subgênero: alguns programas têm um tempo predeterminado de exibição. Existem, não obstante, outros tantos que permanecem na grade durante anos, sendo sua continuidade definida pela audiência. Esse é o caso dos telejornais, de programas de reportagens, de alguns programas de auditório, etc. Há, ainda, os produtos que vão ao ar por temporadas, novas edições, reapresentações, etc.

As emissoras esforçam-se por combinar esses dois eixos, exibindo uma programação fixa, que respeita horários e dias da semana, adaptando seus programas aos alvos determinados pelos anunciantes. A programação noturna, que, em princípio, é extensiva a todos os públicos e todas as idades, requer programas mais elaborados, cujo custo deve adaptar-se ao número virtual de telespectadores disponível e aos rendimentos publicitários que podem ser aferidos.


3. Do panorama geral: a Rede Globo de Televisão (RGT)


A RGT, líder absoluta de audiência no país, é assistida diariamente por mais de 150 milhões de pessoas, atingindo 98,53% do território nacional. No ar há quase cinquenta anos (1965), a RGT, na tentativa, por razões mercadológicas, de se sobrepor às demais grandes emissoras de televisão do país, apropriou-se, pioneiramente, do discurso da qualidade, dedicando-se à implementação e conservação do que se tornou conhecido como o Padrão Globo de Qualidade, uma ideologia geradora de um conjunto rigoroso de regras, implícitas e explícitas, que norteiam suas operações, distinguindo sua forma de atuação das práticas de outras emissoras do país (DUARTE, 2013). Em razão dessa decisão estratégica, a RGT passou a dominar a audiência, e, consequentemente, a definir os padrões de qualidade a serem perseguidos pelas demais emissoras, visto que sua produção tornou-se referência, objeto de respeito, admiração e imitação por parte das demais.

Trata-se de uma forma de atuação já consolidada na televisão americana, cujo foco são os setores comercial e produtivo. Por imposição do setor comercial, a RGT substituiu o modelo do patrocinador único, responsável pela realização/exibição de determinados programas, pelo de venda de espaços intervalares, adotando uma programação fixa e negociando não só os espaços comerciais intervalares, abertos no desenrolar das emissões, como, posteriormente, as inserções publicitárias no interior das emissões, o que vem-lhe permitindo obter maiores lucros e, consequentemente, mais autonomia no desenvolvimento de sua grade de programação.



A Globo produz a maior parte dos programas que exibe e adotou um formato fixo de programação que vinha sendo mantido, com pequenas alterações, desde 1976. Trata-se de uma grade fixa, tanto na vertical, sequência dos programas no dia, quanto na horizontal, sequência das emissões dos diferentes programas ao longo dos dias da semana, na qual o horário nobre é preenchido com duas telenovelas de temática mais leve, encaixadas por telejornais curtos e sintéticos, o jornal local e o Jornal nacional, uma telenovela de produção mais sofisticada e enredo mais forte, a atual novela das nove, e, a partir das 22h, uma linha comportando filmes, futebol, seriados produzidos pela emissora, reportagens (Globo repórter, Profissão repórter). Todos esses programas são apresentados com bastante regularidade de horário e programação, exceto nos verões, após as 22h, quando a programação dessa faixa horária é substituída por minisséries, reprises de filmes e o Big Brother Brasil.

A permanência desse padrão tem sido, ao longo da história da RGT, decisiva para a conquista da liderança em termos de audiência: de um lado, há a aposta maciça, ao longo dos anos, na produção ficcional, em particular, nas telenovelas, o carro-chefe da emissora; de outro, há o investimento em telejornais e programas esportivos. A emissora, atualmente, exibe cinco telenovelas diárias em sua programação, sendo considerada uma das maiores produtoras de telenovelas do planeta: são produtos que reafirmam a identidade da emissora, e possibilitam que os telespectadores reconheçam, de pronto, a grife de qualidade da Globo.



Mas, como já se fez referência em trabalhos anteriores (DUARTE, 2012), esse modelo estrutural adotado na realização de seus produtos vem aos poucos se complexificando, devido à decisão estratégica de ocupar também parte do espaço interno dos programas para responder a outros interesses. E não é somente seu departamento comercial que vem sobrecarregando o interior dos textos dos programas com os merchandisings publicitários de toda ordem que interferem, às vezes grosseiramente, nas tramas narrativas; outros setores da empresa também têm investindo pesado na autorreferenciação descarada das produções da própria emissora, na autopromoção de sua imagem, de seu fazer, na divulgação de seus próprios produtos ou daqueles realizados por outros segmentos das Organizações Globo, na reiteração da competência de seus executivos e elenco permanente, na qualidade e aceitação de seus produtos. Além disso, uma mera observação dos conteúdos postos em circulação em sua programação, evidencia de pronto o esforço atual da RGT em construir uma imagem de qualidade também ligada à responsabilidade social, ao compromisso com a democracia e com o pluralismo cultural.

Não bastassem essas transformações ocorridas no interior dos programas, agora é sua grade de programação, que, nos últimos três anos, vem passando por inúmeras e significativas alterações, dentre as quais se destacam, na sequência, quatro, consideradas as mais representativas para os propósitos deste trabalho.

(1) expurgo do público infantil – a RGT deixou de exibir programas infantis em sua programação matinal: Sítio do Picapau amarelo, desenhos, Xuxa, TV Globinho, ICarly, Festival de desenhos, entre tantos outros, são hoje águas passadas. Atualmente, às vezes, domingos, às 5h da manhã, quando há furo na programação, a emissora exibe uma animação, que certamente não tem como foco as crianças que, nesse horário, estão dormindo. É de se perguntar, portanto, onde está esse público, o que mudou no contexto social que os retirou da frente da telinha, ou, ainda, em nome de que interesses a RGT abdicou desse público.

(2) investimentos ainda mais pesados na produção ficcional – a RGT tem investido na realização de novos seriados, minisséries, mininovelas, na tentativa escrachada de ocupação também do horário das 23h com programas ficcionais. Assim a exibição de seriados, minisséries e mininovelas têm se intensificado: em certos períodos do ano, às terças e quintas-feiras, depois da novela das nove, são apresentados na sequência não apenas um, mas dois seriados, isso quando não há a exibição de mininovelas, depois das 23h, de terça a sexta-feira. É de se questionar a identidade e caracterização desse novo público alvo visado pela emissora, constituído por aqueles que podem se dar ao luxo de assistir à ficção nesse horário avançado da noite. Certamente ele não é formado por trabalhadores que iniciam sua jornada matinal às 7h ou 8h.

(3) aposta significativa em remakes de antigos sucessos da emissora – a RGT tem apostado na realização de remakes de novelas e de outros tipos de produções que foram sucesso há décadas atrás. Somente nos últimos três anos, a emissora realizou os seguintes remakes: Saramandaia (56 capítulos), exibida em sua segunda versão, de 24.06.13 a 27.09.13, no horário das 23h; Guerra dos sexos (179 capítulos), exibida, em sua segunda versão, de 1.10.12 a 24.04.13, no horário das 19h30min; Gabriela (77 capítulos), exibida, em sua segunda versão, de 18.06.12 a 26.10.12, no horário das 23h; O astro (64 capítulos), exibida, em sua segunda versão, de 12.07.11 a 28.10.11, no horário das 23h; O bem amado (4 capítulos), exibido, em sua segunda versão, de 18 a 21.01.2011, no horário das 23h; Tititi (209 capítulos), exibida, em sua segunda versão, de 19.07.2010 a 18.03.2011, no horário das 19h30min.

Essa ênfase nas reapresentações parece ao incauto vir na contramão, cheirando a retrocesso, pois se é verdade que a televisão sempre recorreu a adaptações, referências e apropriações de outros discursos, a exacerbação dessa tendência nos últimos tempos cheira à falta de opção, ou à falsa ilusão de reedição de um sucesso de audiência. Se é verdade que essas novas versões de programas antigos são uma oportunidade para as novas gerações conhecerem velhas histórias, é bastante difícil fazer com que esses remakes correspondam às expectativas: trata-se de um processo bastante complexo que não se reduz ao mero revestimento desses produtos com novas roupagens, até porque, algumas vezes, esses textos são atualizados para o contexto da última década. É, ao menos, surpreendente, que uma emissora como a RGT, que possui um dos maiores centros de realização de ficção do mundo, o Projac; que conta com núcleos de produção altamente capacitados; e que dispõe de um elenco fixo composto por atores bastante qualificados, venha investindo tão ostensivamente na realização de remakes, exibidos principalmente em horários avançados da noite.



(4) invasão da grade pelos programas de auditório – a RGT veiculou somente no ano de 2013, dez (10) programas de auditório, apresentados em diferentes dias e faixas horárias, e, em princípio, destinados a diferentes públicos, atabalhoando com isso sua grade de programação.

Os programas de auditório, antiga atração do rádio, têm sido um tipo de produto televisual com presença obrigatória no contexto brasileiro: com características e tom por vezes bastante popularesco e apelativo, estão presentes nas grades de programação desde o início da atuação da televisão no país. Sua estrutura, originária dos concursos de calouros radiofônicos, foi ganhando, com o passar do tempo, contornos próprios da televisão, como a inclusão de quadros de entrevistas, apresentação de números de dança, atrações musicais, concursos (FERREIRA, 2011).

Alguns elementos constituitivos dos programas de auditório são responsáveis pela exitosa estratégia de comunicabilidade por eles empregados para articular palco e plateia, telespectadores e produto midiático.

O que caracteriza os programas de auditório3 é a presença obrigatória de um apresentador e da plateia, composta por participantes de origens diversas, que assistem in locu ao programa, interagindo com seu elenco fixo e convidados através de diferentes manifestações – aplausos, vaias, diálogos e outros tipos de expressão; submetendo-se a provas, games, brincadeiras, entrevistas; recebendo, em alguns casos, prêmios pela entrada ou vitória em competições.

Mas a figura central dos programas de auditório é, sem dúvida, o apresentador, com funções de condutor, animador, anfitrião, mediador e, por vezes, juiz. É ele quem articula o programa tanto pelo discurso que constrói frente às câmeras, como pela sua personalidade e carisma, convocando os participantes; interpelando-os pelo nome; reforçando pela repetição o efeito de diálogo; fazendo piadas, brincadeiras; explicando as regras do jogo; divulgando produtos; exibindo ancoragens espaciais diversificadas; criando efeitos de participação dos telespectadores, pois é esse condutor que, ao se dirigir diretamente à plateia que assiste ao vivo, ao se posicionar frente à câmera, interpela diretamente os telespectadores.

Articulando diferentes gêneros – o factual, o ficcional, o simulacional, o promocional –, os programas de auditório convocam diferentes realidades discursivas, em uma ciranda que relaciona novidade e repetição. As transformações ocorridas ao longo do tempo possibilitaram migrações entre diferentes subgêneros, complexificando sua estrutura. Além disso, o avanço tecnológico e a proliferação das estratégias de captação/inserção de textos, advindos de outras mídias, vêm tornando sua estrutura cada vez mais híbrida, pois prevê uma variedade de atrações apresentadas no decorrer de uma mesma emissão do programa. A dinâmica dos quadros, a estrutura cenográfica do programa, as dançarinas de palco, o estímulo à participação da plateia, cantando, dançando, tomando parte das brincadeiras, votando, bem como o convite à interação dos telespectadores/internautas, por meio de comentários, votos –, são todos movimentos que auxiliam na composição do programa de auditório.

Articulando merchandising, marketing social, assistencialismo aliado à exploração de histórias de vida, esses programas convidam à dramatização: põem em cena imagens, acontecimentos, exacerbando sua relevância e/ou gravidade, conferindo destaque ao incomum, ao trágico, com vistas a provocar a emoção da plateia e do telespectador, causar piedade e compaixão.

Atualmente, pelo menos na RGT, os programas de auditório voltaram à ordem do dia, passando a ocupar imenso espaço em sua grade de programação.



Dentre os programas de auditório exibidos pela RGT, nos anos de 2011, 2012 e 2013, estão:

(1) Encontro com Fátima Bernardes (exibido desde 25.06.2012, de segunda a sexta-feira, das 10h45min às 12h), comandado por Fátima Bernardes, o programa, em formato arena, discute, a cada emissão, temas do cotidiano brasileiro com os participantes fixos, os convidados especiais, muitos deles artistas da emissora, especialistas e pessoas da plateia, predominantemente constituída por mulheres, contando também com a exibição de reportagens e a apresentação de cantores e/ou grupos musicais. O público alvo são mulheres, idosos e aposentados.

(2) Programa do Jô (exibido desde 3.04.00, de segunda a sexta-feira, atualmente sem horário fixo de início, entre 0h30min e 1h30min), comandado por Jô Soares, o programa, em formato palco/plateia, apresenta entrevistas com convidados, muitos deles artistas da emissora, especialistas, cantores, músicos e conta com plateia, que se manifesta através de palmas, gritos, assobios. Seu público alvo são pessoas que gostam de temas tratados com um humor mais sofisticado e estão disponíveis durante a madrugada.

(3) TV Xuxa (exibido desde 4.04.05, todos os sábados, das 14h45min às 16h), comandado por Xuxa, o programa, em formato palco/plateia, conta com a participação de júri constituído por artistas da emissora e de candidatos, intercalando a apresentação de cantores/bandas com quadros de concurso musical, relatos de histórias de vida, competições e bate-papos com os convidados famosos. O público alvo são aqueles que dispõem desse tempo aos sábados à tarde.

(4) Caldeirão do Huck (exibido desde 8.04.00, todos os sábados, das 16h às 18h), comandado por Luciano Huck, o programa, em formato palco/plateia, conta com a presença de convidados, na maioria artistas da emissora e músicos, participantes e plateia, contendo vários quadros que se alternam de uma emissão a outra, com desafios, nos quais os participantes devem executar determinada prova com vistas à realização de seu grande sonho, a exemplo do Lata velha, Lar doce lar, Agora ou nunca, além de entrevistas, apresentações musicais e reportagens com temáticas variadas, apresentação de lugares no exterior, etc. O público alvo são os telespectadores, classes média/baixa, que ficam em casa sábado à tarde e sentem-se encantados com a possibilidade de a sorte bater em sua porta.

(5) Altas horas (exibido desde 14.10.00, todos os sábados, das 23h15min às 0h30min), comandado por Serginho Groisman, o programa, em formato arena, conta com convidados, na maioria artistas da emissora e músicos, alternando entrevistas, reportagens, apresentações musicais, além de alguns quadros, como Sexo com Laura Müller, Com quem me pareço, Quinze segundos de fama. A plateia, composta majoritariamente por jovens, participa de modo ativo, através de perguntas, protestos, palmas, depoimentos, etc. O público alvo do programa são jovens que curtem música e estão em casa na madrugada de sábado para domingo.

(6) Domingão do Faustão (exibido desde 26.03.89, todos os domingos, das 17h às 20h30min), comandado por Fausto Silva, o programa, em formato palco/plateia, conta com a presença de convidados, na maioria artistas da emissora, intercalando a apresentação de cantores e bandas, com inúmeros quadros apresentados, entrevistas, reportagens, competições, concursos. A plateia, composta por um público heterogêneo e popular, participa de modo ativo através de perguntas, protestos, palmas, depoimentos e votos. O público alvo do programa é o grupo familiar que normalmente está em casa no final da tarde de domingo.

(7) Esquenta! (exibido inicialmente por temporadas desde 2.01.11, e atualmente fazendo parte da grade fixa aos domingos, das 14h30min às 15h45min), comandado por Regina Casé, o programa, em formato arena, conta com participantes fixos, além de convidados e plateia, intercalando debates e entrevistas sobre o cotidiano dos brasileiros, principalmente das periferias, com a apresentação de uma diversidade de quadros, voltados especialmente à música brasileira – compositores e cantores. O público alvo são os telespectadores que apreciam música brasileira, especialmente o samba carioca.

(8) Na moral (exibido por temporadas – 5.07.12 a 30.08.12 e 4.07.13 a 26.07.13, às quintas-feiras, das 23h à 0h), comandado por Pedro Bial, o programa, em formato arena, conta com a presença de convidados e plateia que debatem temas relacionados ao cenário brasileiro atual – sociedade, política, economia, cultura, entre outros –, recorrendo à exibição de reportagens sobre a temática, ao longo da emissão do programa. Os telespectadores têm condições de participar via internet, enviando comentários e dúvidas. O público alvo são telespectadores interessados no aprofundamento de determinadas questões, habituados a dormir tarde, e com condições de interagir com o programa via internet.

(9) The Voice Brasil (exibidos por temporadas, de 23.09.12 a 16.12.12, aos domingos à tarde; e de 03.10.13 a 23.12.13, às quintas-feiras, das 22h30min à 0h15min), comandado por Tiago Leifert, o programa, em formato palco/plateia, conta com participantes cantores, um júri composto pelos cantores Cláudia Leite, Lulu Santos, Daniel, Carlinhos Brown e plateia, girando em torno de um concurso anual do melhor cantor do Brasil; apresenta quadros sobre a vida dos cantores participantes, e o concurso no final é decidido pelo voto, via internet, dos telespectadores. O público alvo são os telespectadores que apreciam música, em especial os internautas capazes de votar.

(10) Amor e sexo (exibido por temporadas, de 28.08.09 a 06.11.09; de 01.02.11 a 22.03.11; de 07.07.11 a 01.09.11; de 03.11.11 a 22.12.11; de 31.01.12 a 06.03.12; de 06.09.12 a 25.10.12; de 03.10.13 a 19.12.13, às quintas-feiras, das 23h à 0h), comandado por Fernanda Lima, o programa, em formato arena, conta com a presença de convidados, júri e plateia, que debatem questões envolvendo tipos variados de relacionamentos, com atenção especial aos sexuais. O programa mescla entrevistas, reportagens, depoimentos dos convidados (sexólogos, psicólogos, terapeutas) e da plateia, quadros e competições, etc, com a apresentação de uma banda que dita o ritmo das brincadeiras e anima os participantes. O público alvo são pessoas, com idade aproximada de 40 anos, interessadas na discussão de questões afetivas e sexuais.

É preciso ressaltar, mais uma vez, que todos esses programas de auditório contam, dentre seus convidados especiais, com atores e profissionais da RGT, que ali estão sob os mais diferentes pretextos. Além disso, o espaço interno dos programas de auditório aparece sempre e impreterivelmente invadido por merchandisings de toda a ordem – publicitários, sociais, autopromocionais.

Por outro lado, com essa sobrecarga e diversidade de programação no final das noites, vale ressaltar que a RGT abdicou da manutenção de um horário fixo para a exibição de determinados programas: o Jornal da Globo e o Programa do Jô não têm mais horário fixo de início; cada dia são apresentados em um horário diferente, sempre bastante depois da meia-noite.

4. Apontamentos finais: algumas observações


Frente a essas alterações bastante significativas na programação da RGT – expulsão das crianças de sua grade; investimento pesado na ocupação de outros horários para apresentação da produção ficcional e remakes; proliferação dos programas de auditório –, é possível levantar algumas suposições ou hipóteses que permitam melhor explicar as razões e sentidos dessas mudanças.

Quanto às crianças, tudo leva a crer que elas tenham sido deixadas de lado, sendo seus interesses ignorados pela programação, devido às modificações em curso na sociedade brasileira contemporânea, ou seja, ao fato de que a maioria das mães atualmente trabalham fora e de que as babás são hoje bastante mais caras e raras; de que as crianças entram mais cedo e ficam mais tempo em maternais, pré-escolas, jardim de infância, o que justificaria em parte sua exclusão da grade. Além disso, elas não se constituem em um público consumidor, por excelência, de determinados tipos de produto, o que reduziria as apostas publicitárias feitas por certas empresas, nos espaços dos programas infantis. O direcionamento do horário matinal a mulheres, idosos e aposentados deve render mais. Por outro lado, as crianças classe média alta têm hoje acesso a inúmeros canais pagos, com programação inteiramente direcionada a elas, e, mais ainda, muitas delas vêm sendo iniciadas, bastante cedo, nos meios eletrônicos – computador e internet.

Por outro lado, fica evidente que a RGT decidiu tornar o horário do final de noite, ou seja, a faixa que se inicia às 23h, mais rentável. Para tanto, ela precisa cativar os telespectadores, garantir audiência. Em razão disso, vem testando o público com a oferta de diferentes produtos, com vistas a melhor aferir sua receptividade.

Isso explicaria o investimento na produção ficcional e remakes; ele corresponde à tentativa de mobilizar uma parcela significativa do público telespectador, levando-a a consumir esses produtos, com vistas a aumentar a lucratividade de uma faixa horária praticamente morta, que pode passar, com uma maior audiência, a render muito mais com publicidade e todo o tipo de promoção. Além disso, a emissora também deve estar lucrando com a venda desses produtos no exterior. A esse respeito, lembra-se que também foram inseridos três programas de auditório novos nessa faixa horária – The voice, Na moral e Amor e sexo.

Os programas de auditório sempre foram palco principal da disputa pela audiência travada pelas emissoras. Tanto isso é verdade que apresentadores como Fausto Silva, Serginho Groisman, Angélica, até mesmo Jô Soares, oriundos de outras redes de televisão, tiveram seu passe comprado pela RGT.

Ora, a aposta da RGT nos programas de auditório exibidos em diferentes horários e direcionados a distintos públicos justifica-se pelo fato de essa disputa pela audiência entre as emissoras relacionar-se às verbas publicitárias, referentes às mercadorias anunciadas no interior dessas produções. Assim, a decisão de colocar no ar mais programas de auditório está intimamente relacionada aos possíveis patrocinadores e ao público alvo: essa publicidade corresponde a uma das principais fontes de renda das emissoras, possibilitando não só o desenvolvimento dos programas e dos recursos técnicos, como a aferição de lucros.

Mais ainda, os programas de auditório, além de suas vantagens comerciais, são um espaço privilegiado para merchandisings de todo o tipo: lançamento de produtos no mercado televisual; promoção de livros, filmes, CDs, produzidos pelas Organizações Globo, entre outros tantos. Além disso, tratam-se de produções de baixo custo, que se utilizam da prata da casa e podem ser assistidas em diferentes plataformas.

Referências


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DUARTE, Elizabeth Bastos. Como caracterizar qualidade em relação à produção da Rede Globo de Televisão? In: PEREIRA, Cárlida Emerim Jacinto, org. Estudos em jornalismo e mídia. Florianópolis, v. 10, v. 2, Universidade Federal de Santa Catarina, jul./dez. 2013. p. 326-339.

FERREIRA, Renata Claudia Martins. Sucesso no rádio e na televisão, o programa de auditório não morre: uma análise do Programa Carlos Santos na TV. Belém: Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura, Universidade da Amazônia, 2011 (Dissertação de Mestrado). Disponível em: http://www.unama.br/novoportal/ensino/mestrado/programas/comunicacao/attachments/article/110/Dissertação%20Renata%20Claudia%20Martins%20Ferreira.PDF. Acessado em: 28.10.2013.

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Sites consultados:

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Wikipédia – Padrão Globo de Qualidade. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Padr%C3%A3o_Globo_de_Qualidade. Acesso em: 1 ago. 2012.


1 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Estudos de Televisão do XXIII Encontro da Compós, na Universidade Federal do Pará, Belém do Pará, de 27 a 30.05.2014.

2 Professora visitante sênior do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); pesquisadora com bolsa de produtividade 1C pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq; pós-doutora em Televisão pela Université de Paris III – Sorbonne Nouvelle e pelo Centre de Hautes Études en Sciences Sociales. E-mail: bebethb@terra.com.br.

3 São famosos, entre outros, na televisão brasileira, o Programa de gala (1955, TV Rio); o 8 ou 800 (RGT); O céu é o limite (SBT); Calouros em desfile, Hebe comanda o espetáculo, Com a mão na massa, O mundo é das mulheres e Maiôs à beira-mar (SBT); Discoteca do Chacrinha, Buzina do Chacrinha e a Hora do Chacrinha (RGT); Programa Silvio Santos (SBT), etc.

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