Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo



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Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo.” 





Carlos Drummond de Andrade (vida):

  • Nasceu em Itabira (MG), no ano de 1902

  • Matricula-se ns Escola de Odontologia e Farmácia, em 1923

  • Casa-se, em 1925, com Dolores Dutra de Morais, companheira de toda a vida

  • Em 1926, passou a lecionar Geografia, no interior

  • Caracterizou-se como jornalista e funcionário público

  • Morre dia 17 de agosto de 1987

Carlos Drummond de Andrade (obra):

  • obras de caráter universal (aborda toda uma problemática comumente a todos seres humanos de um modo geral)

  • teve como grande preocupação o Homem

  • focaliza a angústia do homem do século XX

  • literatura engajada, intimista (sonda a essência e a aparência do homem)

  • não se preocupava com métrica e rima

  • linguagem simples, beirando, às vezes, o coloquialismo



Sentimento do Mundo (características):
- publicado em 1940, foi escrito entre 1935 e 1940 (28 poemas ao todo)

- traz o olhar do poeta sobre o mundo à sua volta, tendendo para um olhar crítico e significativamente político. 

- é uma obra que retrata um tempo de guerras, de pessimismo e sobre tudo, de dúvidas sobre o poder de destruição do homem.

- escrito na fase em que o mundo se recuperava da Primeira Guerra Mundial e em que já se encontrava iminente a Segunda Grande Guerra, 

- período de imposição do Estado Novo de Getúlio Vargas e o crescimento do Nazi-fascismo

- O poeta de Sentimento do mundo constata que vive em “um tempo em que a vida é uma ordem”, que vive num mundo grande, onde os homens de “diferentes cores” vivem suas “diferentes dores” e que não é possível “amontoar tudo isso/num só peito de homem”. 


Poemas de Sentimento do Mundo

Sentimento do Mundo

Tenho apenas duas mãos 
e o sentimento do mundo, 
mas estou cheio escravos, 
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige 
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu 


estará morto e saqueado, 
eu mesmo estarei morto, 
morto meu desejo, morto 
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram 


que havia uma guerra 
e era necessário 
trazer fogo e alimento. 
Sinto-me disperso, 
anterior a fronteiras, 
humildemente vos peço 
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem, 


eu ficarei sozinho 
desfiando a recordação 
do sineiro, da viúva e do microcopista 
que habitavam a barraca 
e não foram encontrados 
ao amanhecer

esse amanhecer 


mais noite que a noite.


- O poeta inicia (estrofe 1) indicando suas limitações para ver o mundo: “Tenho apenas duas mãos”

- mas aponta, em seguida, alguns elementos auxiliares que o ajudarão a suprir suas deficiências de visão: escravos, lembranças e o mistério do amor (versos 3 a 5);

- O pessimismo denuncia-se com as mortes do céu e do próprio poeta, na estrofe 2. 

- Nas duas últimas estrofes, Drummond pinta uma visão de futuro bem negativo, mas bem real: mortos, lembranças, tipos de pessoas que sumiram nas batalhas da vida ("guerra", na estrofe 3).

Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira. 
Principalmente nasci em Itabira.
 
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
 
Oitenta por cento de ferro nas almas.
 
E esse alheamento do que na vida é porosidade e
 
comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,


vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
 
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
 
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas que ora te ofereço: 


este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
 
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas. 


Hoje sou funcionário público.
 
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
 
Mas como dói!


- O poema começa com a saudade profunda de seu lugar de nascimento

-Confessa (estrofe 2) que aprendeu a sofrer por causa de Itabira; mas, paradoxalmente: "A vontade de amor (...) vem de Itabira"; vale dizer que o amor nasce e é servido no sofrimento.

- De Itabira vem a explicação de Drummond viver de "cabeça baixa" (estrofe 3, verso 4). Afinal, apesar das negatividades, o poeta sente uma incomensurável saudade de sua cidade natal.

Poema da Necessidade

É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.
 

É preciso salvar o país,


é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.
 

É preciso estudar volapuque,


é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.
 

É preciso viver com os homens


é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.


- As necessidades do poeta são postas no poema

- não se pode esperar que o canto do poeta transformasse as pessoas: "A poesia é incomunicável

- o poeta crê na necessidade de mudar o mundo e credita muito valor ao poema. Mas o coração do poeta é mais vasto que o mundo.

Menino chorando na noite

Na noite lenta e morna, morta noite sem ruído, um menino chora.
O choro atrás da parede, a luz atrás da vidraça
perdem-se na sombra dos passos abafados, das vozes extenuadas,
E, no entanto, se ouve até o rumor da gota de remédio caindo na colher.

Um menino chora na noite, atrás da parede, atrás da rua,


longe um menino chora, em outra cidade talvez,
talvez em outro mundo.

E vejo a mão que levanta a colher, enquanto a outra sustenta a cabeça


e vejo o fio oleoso que escorre pelo queixo do menino,
escorre pela rua, escorre pela cidade, (um fio apenas).
E não há ninguém mais no mundo a não ser esse menino chorando.


- sentido social e uma vontade de que a utopia da fraternidade e solidariedade 

- poema de ternura, sublinhando-se a força da criança, como símbolo de vida, tendo em vista sua dor e os cuidados que a ele são prestados.

- um poema bastante emotivo em que o poeta sofre com o sofrimento do outro.

- as lágrimas caindo simbolizam a dor intensa e universal. Ser triste dói.

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor, 
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
 
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
 
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
 
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
 
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
 
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos
 
de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
 

- o medo que esteriliza o braço, no medo da morte e do depois da morte, e principalmente, no medo dos ditadores e no medo dos democratas

- Drummond com verdade e ironia coloca o medo como o grande dominador de nossa sociedade: “Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo do subterrâneos. Cantaremos o medo que esteriliza os abraços...”

Os mortos de sobrecasaca

Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis,
alto de muitos metros e velho de infinitos minutos,
em que todos se debruçavam
na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca.

Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes


e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos retratos.
Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava
que rebentava daquelas páginas.


- enaltece o “soluço de vida” que destila um simples retrato

 - embora, inicialmente, as pessoas do presente zombem dos mortos, nos últimos versos a ironia dá lugar ao intenso sentimento.



- não há como se desfazer do passado, da memória, mesmo que as fotos se acabem um dia. As lembranças boas e belas que nos acontecem ficam

Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. 
Tempo de absoluta depuração. 
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil. 
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho. 
E o coração está seco. 

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.


Ficaste sozinho, a luz apagou-se, 
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer. 
E nada esperas de teus amigos. 

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? 


Teus ombros suportam o mundo 
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios 
provam apenas que a vida prossegue 
e nem todos se libertaram ainda. 

Alguns, achando bárbaro o espetáculo, 


prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer. 
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. 
A vida apenas, sem mistificação.


- o sentimento do mundo,que dá título ao livro, coaduna-se bem neste poema

 - o poeta fala na renúncia dos seus desejos e inquietações pessoais, que só o deixarão na mais absoluta solidão



- não importa a sua própria vida, o tempo que passa e a velhice que avança, em face dos problemas do mundo, dos quais ele tem uma dolorosa consciência.

sua vida se impõe como uma ordem: ela deve continuar, para enfrentar a realidade de um mundo 

Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro. 
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. 
Entre eles, considero a enorme realidade. 
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. 



Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, 
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. 
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes, 
a vida presente.


- o poeta reafirma a sua consciência da existência de outros homens, seus companheiros. 

 - com eles é que se sente de mãos dadas, e renunciou aos seus temas pessoais: uma mulher, uma história, a paisagem vista da janela.



- não mais se refugiará na solidão porque o que lhe interessa é o tempo presente em que se acha inserido, e os homens que o cercam.

A noite dissolve os homens

(dedicado a Cândido Portinari)



A noite 
desceu. Que noite!
 
Já não enxergo meus irmãos.
 
E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.
 

A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate, 
nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total incompreensão.
 
A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
 
Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os guerreiros.
 

E o amor não abre caminho na noite. 
A noite é mortal, completa, sem reticências,
 
a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
 
a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
 
nas suas fardas.
 

A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.
 

Aurora, entretanto eu te diviso, 
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
 

Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações, 
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.
 

O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus dedos, 
teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que avançam
 
na escuridão
 
como um sinal verde e peremptório.
 

Minha fadiga encontrará em ti o seu termo, 
minha carne estremece na certeza de tua vinda.
 

O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes 
se enlaçam,
 
os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um perdão
 
simples e macio...
 

Havemos de amanhecer. 
O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
 
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
 
para colorir tuas pálidas faces, aurora.


- apesar da consciência da plena incomunicabilidade dos homens, destinados a uma transcendência vazia, Drummond tenciona o ensaio de um movimento rumo à enigmática humanidade

- imagem luminosa, a cromática da claridade do amanhecer e da mão redentora propicia ao gauche vislumbrar um utópico futuro fraterno e superar seus temores no plano estético da criação lírico-meditativa

- a escuridão noturna, (A noite desceu. Que noite!), metáfora, no macrocosmo, dos horrores do avanço nazi-fascista, da alienação das massas, do totalitarismo do Estado Novo, 

- Este poema foi dedicado ao pintor Cândido Portinari.

Mundo grande

Nao, meu coração não é maior que o mundo. 
Ê muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores. 
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo.
Por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.


Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.


Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão. 
Viste as diferentes cores dos homens.
as diferentes dores dos homens.
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso 
num só peito de homem... sem que elo estale.

Fecha os olhos e esquece. 


Escuta a água nos vidros, 
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos, 
tão calma! vai’ inundando tudo... 
Renascerão as cidades submersas? 
Os homens submersos —— voltarão? 
Meu coração não sabe. 
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração. 
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas. 
(Na solidão de invidíduo 
desaprendi a linguagem 
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos, 


as sonatas, os poemas, as confissões patéticas. 
Nunca escutei voz de gente. 
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei


países imaginários, fáceis de habitar.
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio

Meus amigos foram às ilhas. 


Ilhas perdem o homem. 
Entretanto alguns se salvaram e 
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer. 


Entre o amor e o fogo, 
entre a vida e o fogo, 
meu coração cresce dez metros e explode.
— Ó vida futura! nós te criaremos


- novamente as reticências, a menção do suicídio, talvez uma morte coletiva que brotava a partir da incompreensão, da falta de solidariedade que o poeta constatava tão presente entre os homens.

- 0 poeta agora percebe que o mundo cresce entre o “amor e o fogo”, entre “a vida e o fogo”, 

- há esperança por trás de tanta maldade e sofrimento. Todos nós precisamos uns dos outros para criar uma vida futura mais melodiosa e agradável e fazer renascer as cidades submersas

Exercícios

  1. (UFU 2007)

PRIVILÉGIO DO MAR

Neste terraço mediocremente confortável,

bebemos cerveja e olhamos o mar.

Sabemos que nada nos acontecerá.

O edifício é sólido e o mundo também.

Sabemos que cada edifício abriga mil corpos

labutando em mil compartimentos iguais.

Às vezes, alguns se inserem fatigados no elevador

e vêm cá em cima respirar a brisa do oceano,

o que é privilégio dos edifícios.

O mundo é mesmo de cimento armado.

Certamente, se houvesse um cruzador louco,

fundeado na baía em frente da cidade,

a vida seria incerta... improvável...

Mas nas águas tranqüilas só há marinheiros fiéis.

Como a esquadra é cordial!

Podemos beber honradamente nossa cerveja.

Considerando o poema acima e a obra "Sentimento do mundo", marque a alternativa INCORRETA.

a) O terraço, neste poema, é lugar de encontros amorosos, pois "abriga mil corpos", o que caracteriza o texto como lírico amoroso, de influência romântica.

b) No último verso, a palavra "honradamente" confere um sentido irônico ao poema, pois caracteriza uma classe social privilegiada, indiferente aos problemas que não lhe afligem de maneira direta.

c) O edifício de "cimento armado", neste poema, confronta-se com o espaço de outro poema do livro "Morro da Babilônia", metaforizando duas classes sociais: a primeira, protegida em seus privilégios, e a última, excluída e ameaçadora.

d) O poema acima confirma a vocação de poeta social em Drummond, que coloca, em vários momentos, a poesia a favor da denúncia, e que nestes versos se reflete na idéia de privilégios econômicos para um segmento social específico.

2) (UFV 2000)

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.

Todas as alternativas seguintes correspondem a uma leitura possível do poema drummoniano, EXCETO:

a) O poema revela-nos um eu-lírico que, ignorando o passado e o futuro, opta por conhecer a realidade de seu próprio tempo.

b) O poeta renuncia ao isolamento voluntário e reafirma sua solidariedade aos companheiros, dos quais não pretende mais se afastar.

c) Ao voltar-se para a vida presente o poeta demonstra uma preocupação maior com o seu momento histórico.

d) O poeta busca a convivência com os outros homens à sua volta, não pretendendo, pois, entregar-se aos devaneios e à solidão.

e) O autor de "Mãos dadas" quer unir-se a seus semelhantes para libertar-se do passado, do presente, e do futuro de um mundo caduco que o sufoca.

3) ( PUC 2002)



Texto 1

A ciência do medo e da dor

[...]


As razões pelas quais sentimos dor são muito parecidas com as que nos fazem sentir medo. Do ponto de vista evolutivo, as atuais reações de medo talvez sejam um refinamento das reações mais primitivas de dor. Nesse aspecto, a capacidade de sentir dor é tão importante quanto a de sentir medo: motivar respostas de defesa diante de estímulos ameaçadores. Pessoas que de algum modo tornaram-se insensíveis à dor não reagem prontamente a estímulos desse tipo e por isso acidentam-se facilmente, sofrendo cortes, queimaduras ou até lesões ósseas.

As informações neurais de dor têm sua origem em receptores ou terminações nervosas presentes na pele, em músculos e em órgãos internos. Esses receptores transformam os ¢estímulos nociceptivos (táteis, mecânicos ou térmicos) em impulsos nervosos e os transmitem para o cérebro. Os sinais associados a estímulos de dor são especialmente eficazes em provocar medo, mas o estímulo doloroso, por si só, não causa qualquer reação de medo - isso ocorre graças à associação do estímulo da dor com outros estímulos ambientais.

[...]


Nota: nociceptivo (adj.): capaz de transmissão de dor

(Cruz, A.P.M. e Landeira-Fernandez, J. de. "Revista Ciência Hoje", vol. 29, n¡. 174, p. 21-22.)



Texto 2

Confidência do Itabirano

(Carlos Drummond de Andrade)



Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.

Noventa por cento de ferro nas calçadas.

Oitenta por cento de ferro nas almas.

E esse alheamento do que na vida é porosidade

[e comunicação..

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,

vem de Itabira, de suas noites brancas, sem

[mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,

é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:

este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;

esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;

este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;

este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público

Itabira é apenas uma fotografia na parede.

Mas como dói!

  1. É comum caracterizar-se a dor como um fenômeno negativo. Explique como o texto 1 aponta para a possibilidade de considerá-la, ao contrário, como um fenômeno positivo.

  2. Com base na leitura dos textos 1 e 2, compare os "estímulos nociceptivos" (texto 1, ref. 1) e a "fotografia na parede" (texto 2, verso 20) como elementos deflagradores de dor.

  3. Uma das características da poética de Carlos Drummond de Andrade é a recorrência de figuras que simbolizam o ser desajeitado, o homem torto, a criatura deslocada e afastada dos homens comuns. Transcreva um verso do poema que ilustre essa condição do poeta como ser deslocado diante das coisas do mundo. Justifique sua escolha.

4) (UNIFOR-CE)

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

Os versos acima, do poema "Mãos dadas", de Carlos Drummond de Andrade, prendem-se a uma fase de sua poesia na qual o poeta mineiro,

a) promovendo um balanço crítico de sua poesia, aventura-se em novas formas poéticas, de caráter experimental.

b) influenciado diretamente por Oswald de Andrade, passa a compor epigramas irônicos.

c) relativizando a ironia que caracterizava momentos anteriores, escreve poemas de cunho político-social.

d) desiludido com os rumos do mundo contemporâneo, recolhe-se à intimidade e passa a refletir sobre o absurdo da existência.

e) já na casa dos setenta anos, entrega-se a um memorialismo em tom de crônica, revivendo suas experiências juvenis.

Leia, com atenção, o poema Indecisão do Méier (Texto VI), de Carlos Drummond de Andrade, retirado de Sentimento do Mundo, Poesia e Prosa (Rio de Janeiro: Aguilar, 1962, p. 64), para responder às questões de 5 a 7:



INDECISÃO DO MÉIER

TEUS DOIS cinemas, um ao pé do outro, por que não se afastam

para não criar, todas as noites, o problema da opção

e evitar a humilde perplexidade dos moradores?

Ambos com a melhor artista e a bilheteira mais bela,

que tortura lançam no Méier

5) O poema tematiza uma cena de:

a) zona rural.

b) subúrbio.

c) arte de rua.

d) cidade litorânea.

e) centro financeiro.

6) A expressão “humilde perplexidade dos moradores” refere-se:

a) ao excesso de opções em local simples.

b) à modéstia dos artistas.

c) à simplicidade dos cinemas.

d) à pobreza dos moradores do local.

e) ao comportamento dos frequentadores dos cinemas.

7) A palavra “tortura” comparece, no poema, com o significado de:

a) tortura física.

b) tortura merecida.

c) tortura psicológica.

d) tortura política.

e) tortura financeira.

8) Leia, com atenção, o poema Confidência do itabirano, (relacionado na lista dos poemas estudados acima) de Carlos Drummond de Andrade, selecionado da obra Sentimento do mundo (Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992, p. 57).

Com base na leitura do poema, discuta a importância da cidade de Itabira na vida e na memória do poeta.

9)

Inocentes do Leblon



Os inocentes do Leblon

não viram o navio entrar.

Trouxe bailarinas?

trouxe emigrantes?

trouxe um grama de rádio?

Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,

mas a areia é quente, e há um óleo suave

que eles passam nas costas e esquecem.

Evidencie a ironia presente no poema transcrito.

10)

Texto I


Provisoriamente não cantaremos o amor,

que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.

Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,

não cantaremos o ódio porque esse não existe,

existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro , [...]”

Texto II


Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.[...]”

DEMONSTRE os reflexos do contexto político-social na obra, considerando os textos I e II

Texto para s questões 11 e 12:

Operário do mar (Poema em prosa)


Na rua passa um operário. Como vai firme! Não tem blusa. No conto, no drama, no discurso político, a dor do operário está na blusa azul, de pano grosso, nas mãos grossas, nos pés enormes, nos desconfortos enormes. Esse é um homem comum, apenas mais escuro que os outros, e com uma significação estranha no corpo, que carrega desígnios e segredos. Para onde vai ele, pisando assim tão firme? Não sei. A fábrica ficou lá atrás. Adiante é só o campo, com algumas árvores, o grande anúncio de gasolina americana e os fios, os fios, os fios. O operário não lhe sobra tempo de perceber que eles levam e trazem mensagens, que contam da Rússia, do Araguaia, dos Estados Unidos. Não ouve, na Câmara dos Deputados, o líder oposicionista vociferando. Caminha no campo e apenas repara que ali corre água, que mais adiante faz calor. Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu irmão. Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza... Ou talvez seja eu próprio que me despreze a seus olhos. Tenho vergonha e vontade de encará-lo: uma fascinação quase me obriga a pular a janela, a cair em frente dele, sustar-lhe a marcha, pelo menos implorar lhe que suste a marcha. Agora está caminhando no mar. Eu pensava que isso fosse privilégio de alguns santos e de navios. Mas não há nenhuma santidade no operário, e não vejo rodas nem hélices no seu corpo, aparentemente banal. Sinto que o mar se acovardou e deixou-o passar. Onde estão nossos exércitos que não impediram o milagre? Mas agora vejo que o operário está cansado e que se molhou, não muito, mas se molhou, e peixes escorrem de suas mãos. Vejo-o que se volta e me dirige um sorriso úmido. A palidez e confusão do seu rosto são a própria tarde que se decompõe. Daqui a um minuto será noite e estaremos irremediavelmente separados pelas circunstâncias atmosféricas, eu em terra firme, ele no meio do mar. Único e precário agente de ligação entre nós, seu sorriso cada vez mais frio atravessa as grandes massas líquidas, choca-se contra as formações salinas, as fortalezas da costa, as medusas, atravessa tudo e vem beijar-me o rosto, trazer-me uma esperança de compreensão. Sim, quem sabe se um dia o compreenderei?

11) No poema, “Operário no Mar”, podemos perceber:

a) a identificação do operário com o poeta.

b) a desvalorização dos valores da vida do operário.

c) a visão do operário, pelo poeta, como um ser leal.

d) o desejo do poeta de compreender o operário.

e) o sonho do operário de tornar-se um proprietário.

12) É possível afirmar que o poema “Operário no Mar” é:

a) narrativo e em 1ª pessoa do singular.

b) cômico e em 1ª pessoa do singular.

c) descritivo e em 3ª pessoa do singular.

d) lírico e em 3ª pessoa do singular.

e) dramático e em 3ª pessoa do singular.

13) Leia, agora, o poema “Lembrança do mundo antigo” de Carlos Drummond de Andrade.



LEMBRANÇA DO MUNDO ANTIGO

Clara passeava no jardim com as crianças.

O céu era verde sobre o gramado,

a água era dourada sob as pontes,

outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,

o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,

a menina pisou a relva para pegar um pássaro,

o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranqüilo ao redor de Clara.

As crianças olhavam para o céu: não era proibido.

A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo.

Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.

Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,

esperava cartas que custavam a chegar,

nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!!

Havia jardim, havia manhãs naquele tempo!!!

A leitura do poema permite afirmar que o mundo de Clara é:

a) uma distorção da realidade.

b) uma sátira à inocência.

c) uma idealização da realidade.

d) um rompimento com a simplicidade.

e) uma desvalorização da vida simples.

14) Leia as passagens abaixo, extraídas de Sentimento do Mundo, de Carlos

Drummond de Andrade:

I. Os camaradas não disseram



que havia uma guerra

e era necessário

trazer fogo e alimento.

(“Sentimento do mundo”)

II. Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público.

Itabira é apenas uma fotografia na parede.

Mas como dói.

(“Confidência do itabirano”)

III. Não, meu coração não é maior que o mundo.

É muito menor.

Nele não cabem nem as minhas dores.

Por isso gosto de me contar.

Por isso me dispo, por isso grito,

por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias

preciso de todos.

(“Mundo grande”)

IV. Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,

onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.

Praticas laboriosamente os gestos universais,

sentes de calor e frio, falta dinheiro, fome e desejo sexual.

(“Elegia 1938”)

V. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

(“Mãos dadas”)

Apesar do tom intimista e quase confessional da poesia de Carlos Drummond de Andrade, podemos encontrar alguns traços em que se desenvolve certa experiência histórica. Assinale a alternativa em que as três passagens ilustram a vivência das transformações sociais e econômicas por parte do sujeito lírico.

a) I, III e IV.

b) I, III e V.

c) II, III e V.

d) II, III e IV.

e) I, II e IV.

15) A partir da leitura do poema abaixo, assinale a afirmativa INCORRETA.

Havia a um canto da sala um álbum de fotografias

intoleráveis,

alto de muitos metros e velho de infinitos minutos,

em que todos se debruçavam

na alegria de zombar dos mortos de sobrecasacas.

Um verme principiou roer as sobrecasacas indiferentes

e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos

retratos.

Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava

que rebentava daquelas páginas.

(“Os mortos de sobrecasaca”)

a) O poema desenvolve um sentimento sutil mas profundo sobre objetos

que rodeiam o sujeito lírico.

b) O “álbum de fotografias” pode ser entendido como um sinal de lirismo,

pois remete às sensações íntimas do sujeito lírico.

c) Não há qualquer traço de lirismo, pois não se trata de um poema de

amor.


d) O poema trata da experiência afetiva da memória, uma das marcas da

poesia de Carlos Drummond de Andrade.

e) O “verme” que rói as fotografias simboliza a passagem do tempo, que

envelhece as coisas e as pessoas.

16) (FATEC) Texto para as próximas duas questões:

Mãos dadas



Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao amanhecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.

Considere as seguintes afirmações sobre o texto.

I. Trata-se de um poema em que o eu lírico afirma seu desejo de que a poesia possa reconstruir aquilo que, tendo sido destruído no passado, permanece atual em sua memória.

II. O poeta manifesta a confiança de que sua nova poesia poderá superar os problemas pessoais que quase o levaram ao suicídio e o fizeram desejar isolar-se.

III. O poeta convoca outros poetas para que, juntos, possam se libertar das velhas convenções que prejudicam a poesia moderna.

IV. Os versos da 1ª estrofe indicam o anseio do eu lírico de que sua poesia se aproxime dos homens e ajude a transformar a vida presente.

V. Na 2ª estrofe, o eu lírico nega que a poesia desse momento histórico deva tratar de temas sentimentais ou amorosos.

São corretas apenas as afirmações

a) I, II e III.

b) I e IV.

c) II e III.

d) III e IV.

e) IV e V.

Considerando o poema “Mãos dadas”, no conjunto da obra a que pertence (Sentimento do mundo), é correto afirmar que Carlos Drummond de Andrade

a) recusa os princípios formais e temáticos do primeiro Modernismo.

b) alinha-se à poética que critica as técnicas do verso livre.

c) tematiza o lugar da poesia num momento histórico caracterizado por graves problemas mundiais.

d) vale-se de temas que valorizam aspectos recalcados da cultura brasileira.

e) relativiza sua adesão à poesia comprometida com os dilemas históricos, pois a arte deve priorizar o tema da união entre os homens.

(Fuvest- 2013)

Leia o seguinte poema.

TRISTEZA DO IMPÉRIO

Os conselheiros angustiados

ante o colo ebúrneo

das donzelas opulentas

que ao piano abemolavam

bus-co a cam-pi-na se-re-na



pa-ra-li-vre sus-pi-rar”,

esqueciam a guerra do Paraguai,

o enfado bolorento de São Cristóvão,

a dor cada vez mais forte dos negros

e sorvendo mecânicos

uma pitada de rapé,

sonhavam a futura libertação dos instintos

e ninhos de amor a serem instalados nos arranha-céus de Copacabana,

[com rádio e telefone automático.

(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.)



  1. Compare sucintamente “os conselheiros” do Império, tal como os caracteriza o poema de Drummond, ao protagonista das Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.



  1. Ao conjugar de maneira intempestiva o passado imperial ao presente de seu próprio tempo, qual é a percepção da história do Brasil que o poeta revela ser a sua? Explique resumidamente.

(UNICAMP- 2013)

O excerto abaixo foi extraído do poema Ode no Cinquentenário do Poeta Brasileiro, de Carlos Drummond de Andrade, que homenageia o também poeta Manuel Bandeira.


(...) Por isso sofremos: pela mensagem que nos confias

entre ônibus, abafada pelo pregão dos jornais e mil queixas operárias;

essa insistente mas discreta mensagem

que, aos cinquenta anos, poeta, nos trazes;

e essa fidelidade a ti mesmo com que nos apareces

sem uma queixa no rosto entretanto experiente,

mão firme estendida para o aperto fraterno

o poeta acima da guerra e do ódio entre os homens -,



o poeta ainda capaz de amar Esmeralda embora a alma anoiteça,

o poeta melhor que nós todos, o poeta mais forte

mas haverá lugar para a poesia?



Efetivamente o poeta Rimbaud fartou-se de escrever,

o poeta Maiakovski suicidou-se,

o poeta Schmidt abastece de água o Distrito Federal...

Em meio a palavras melancólicas,

ouve-se o surdo rumor de combates longínquos

(cada vez mais perto, mais, daqui a pouco dentro de nós.

E enquanto homens suspiram, combatem ou simplesmente ganham dinheiro,

ninguém percebe que o poeta faz cinquenta anos,

que o poeta permaneceu o mesmo, embora alguma coisa de extraordinário se houvesse passado,

alguma coisa encoberta de nós, que nem os olhos traíram nem as mãos apalparam,

susto, emoção, enternecimento,

desejo de dizer: Emanuel, disfarçado na meiguice elástica dos abraços,

e uma confiança maior no poeta e um pedido lancinante para que não nos deixe sozinhos nesta

[[cidade

em que nos sentimos pequenos à espera dos maiores acontecimentos. (...)
(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 49.)



  1. O que, no poema, leva o eu lírico a perguntar: “mas haverá lugar para a poesia?”


  1. É possível afirmar que a figura de Manuel Bandeira, evocada pelo poeta, se contrapõe ao sentimento de pessimismo expresso no poema e no livro Sentimento do mundo. Explique por quê.


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