The Durango Affair



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A voz do Amor (The Durango Affair) Brenda Jackson

Harlequin Desejo Edição 40



A voz do Amor

“The Durango Affair”

Brenda Jackson

8° livro da Série Westmoreland


SEDUÇÃO E PAIXÃO GARANTIDAS.

Bastou Savannah Claiborne chegar com a notícia de sua gravidez, para o pacato lar de Durango Wetsmoreland sofrer uma avalanche. Uma única noite de tórrida paixão transformou o cobiçado celibatário em um homem sem escapatórias. Mas, ele está determinado a não fugir de suas responsabilidades, por isso a pede em casamento... Com a condição de que seria apenas uma união temporária!



Digitalização e Revisão: Viviane Carvalho
CAPÍTULO UM

Na janela, o rosto firme e o olhar másculo de Durango Westmoreland refletido no vidro combinavam perfeitamente com a paisagem das montanhas que ele tanto admirava. Pela manhã, como de costume, uma dor no joelho direito anunciava a chegada de uma forte nevasca, e, muito embora as previsões anunciassem que esta passaria rápido por Bozeman rumo ao Norte, na direção de Havre, a dor não o enganaria.

Não havia provas científicas sobre isso, mas mesmo com o céu limpo em Montana, Durango sabia que estava certo. A natureza das montanhas é receber bem os homens que sabem viver em harmonia com o lugar, pois, a qualquer momento, corre-se o risco de ficar preso em um vale qualquer em meio à nevasca e, em conseqüência, ser atingido por avalanches, que surpreendiam até mesmo os mais destemidos esquiadores.

Este era o lar que ele tanto amava, mesmo na pior época do ano.

Porém, pensamentos saudosos fluíam para Atlanta, sua cidade natal, onde moravam entes queridos. Mesmo que prezasse a privacidade que gozava morando sozinho, momentos como aquele o emocionavam.

Por perto, havia um vizinho, o tio Corey, recém-casado e que já não visitava Durango com tanta freqüência, mas com quem mantinha contato mesmo que fosse necessária uma longa caminhada até a fazenda na parte mais alta do pico da chamada “Montanha de Corey”. Mas quem mais lhe vinha à mente era Savannah Claiborne, irmã da noiva no casamento de Chase.

Assim que se entreolharam, surgiram faíscas de atração. Mal se lembrava da última vez que fora tão envolvido por uma mulher. Ela o deixou completamente perdido, dos pés a cabeça, sem o mínimo controle.

Ao anoitecer, depois de acompanhar a saída dos noivos, todos permaneceram no salão do hotel festejando noite adentro.

Durango e Savannah estavam mais que alegres e embriagados quando ela o convidou, à meia-noite, para um drinque a sós em um quarto de hotel onde, após insinuações mútuas, acabaram fazendo amor.

Tanto Savannah quanto aquela noite não saíam da invicta mente do solteirão Durango Westmoreland.

— Droga!

Tratou logo de espantar tais pensamentos, culpando o tio recém-casado. Durango lembrou-se da última vez que esteve apaixonado e ganhou, em troca, uma profunda cicatriz no coração. Dali em diante, preferia a tranqüilidade das montanhas e às vezes mantinha ditância das mulheres, resguardando ao máximo os sentimentos dos riscos de viver novas aventuras.

Ainda assim, Savannah Claiborne era tão insistentemente lembrada que parecia convencido de que algo especial tinha acontecido. Havia momentos que parecia senti-la, os corpos encaixados e colados um ao outro, na ânsia de levar a fundo o desejo que ela pulsava internamente...

Tentou se recuperar, relaxou a cabeça na intenção de voltar ao normal. Virou-se e alcançou o telefone para se disponibilizar a trabalhar na central do parque, uma vez que naquele dia a equipe estava desfalcada, devido à licença hospitalar de um colega que se submeteria a uma cirurgia no joelho. Assim que começou a digitar os números, ficou mais tranqüilo, pois era esse mesmo o objetivo: manter-se sob controle.

Savannah Claiborne parou em frente à porta de madeira maciça, sem acreditar que chegara a Montana e que em poucos minutos estaria mais uma vez diante de Durango Westmoreland. Quando decidiu procurá-lo pessoalmente, ao contrário de telefonar, não imaginava que seria tão difícil dar seu recado.

Deu um forte beliscão no próprio braço para voltar a si e entender, mais uma vez, como deixara tudo aquilo acontecer. Já não era mais uma adolescente sem instruções sobre sexo seguro, e sim, uma mulher de vinte e sete anos que conhecia métodos anticoncepcionais Pena que estivesse muito ocupada para se prevenir de diversas doenças e do homem que seria o


pai de uma criança dentro de sete meses.

Para piorar, não sabia quase nada sobre esse homem, a não ser que era um guarda florestal, um especialista em fazer amor... e, evidentemente, em fazer bebês, mesmo que essa não fosse sua proposta.

Pelas conversas com a irmã, sabia que Durango era um solteirão convicto. Por isso, ela não faria questão de que ele mudasse de idéia, e simplesmente soubesse da novidade. Logo em seguida voltaria para Filadélfia e cuidaria sozinha da criança.

Ergueu a mão para bater na porta, mas antes, soltou todo o ar dos pulmões. Nervosa, deu-se conta de que a última vez que o vira fora há dois meses, saindo do quarto do hotel depois de passarem uma única no ite juntos. Definitivamente, isso não era de seu feitio, jamais desejara casos superficiais, muito menos sexo casual. Mas naquela noite embriagou-se e se sensibilizou com a felicidade da irmã. Patético. Sabia qne não agüentava nem uma gota de álcool, mas mesmo assim, entrou no ritmo da festa e se desinibiu.

Desde então, passou diversas noites em claro sonhando com Durango... Recentemente também no dormia pela manhã, devido aos freqüentes enjôos provocados pela gravidez. A única pessoa que sabia de tudo era sua irmã, Jéssica, e ela concordava que Durango tinha o direito de saber e o melhor seria Savannah lhe contar pessoalmente.

Respirando fundo, Savannah encheu os pulmões e bateu na porta. O Dodge de Durango estacionado em frente a casa indicava que ele estava lá.

Savannah engoliu o nó na garganta ao ouvir a maçaneta virar. A porta foi aberta. Ficou estática e sem respirar diante daquele homem fone, atraente e visivelmente constrangido. Vestido de calça jeans justa e com uma camisa xadrez cobrindo os ombros largos e o peitoral definido, ele continuava tão lindo e irresistível como antes. Ela passou os olhos por todos os traços que a haviam seduzido: os cabelos negros, curtos e cacheados, a pele marrom, os lábios bem definidos e o olhar penetrante.

— Savannah? Quanta surpresa! O que lhe traz aqui?

Com o estômago contraído, ela pensou no incontável número de mulheres que sentia o mesmo ao vê-lo. Respirou fundo e tentou afastar esses pensamentos.

— Preciso falar com você. Posso entrar? — perguntou, breve e objetiva.

Ele estranhou um pouco, levantou uma das sobrancelhas e a fitou dizendo:

— Claro, entre.

Durango não se considerava muito intuitivo, mas estranhou que justo a mulher em quem estava pensando havia poucos minutos, tinha se materializado em frente à porta de sua casa na pior estação do ano em Montana. Ainda que janeiro fosse conhecido como o mês de clima mais rigoroso nas montanhas, fevereiro não era diferente. Portanto, o que Savannah tinha a
dizer devia ser muito importante a ponto de trazê-la até os confins da floresta em pleno inverno.

Enquanto Savannah pendurava o casaco, as luvas e a touca no cabideiro, Durango observava os contornos do corpo dela, ao mesmo tempo em que tentava entender o motivo daquela visita surpresa. Mas antes, para recebê-la melhor perguntou:

— Gostaria de beber algo? Acabei de fazer chocolate quente.

— Sim, obrigada. Acho que me aquecerá.

Ao vê-la sem casaco, Durango tinha certeza de que eram aquelas as curvas que habitavam suas fantasias. Os seios fartos e firmes, a cintura fina, os quadris graciosamente curvos. Ela era fantástica.., a pele cor-de-jambo de seu rosto... e ainda aquele par de olhos...

Respirou fundo. Foram aqueles olhos que o fizeram perder o juízo durante o ensaio do casamento na sala de jantar e à noite quando fizeram amor. Através daqueles olhos, ele acompanhou todo o prazer que ela sentia ao alcançar o clímax.

De repente, Durango perdeu o controle sob suas sensações, e elas explodiram internamente, o sangue, em ebulição, subiu até partes que precisaram ser urgentemente escondidas. Como isso aconteceu? Parecia mais um adolescente inexperiente do que um homem de trinta e três anos.

— Fique à vontade — conseguiu dizer depois de pigarrear. — Volto logo.

Saiu se perguntando por que estava tolerante diante da visita surpresa de uma mulher. Como de costume, deixaria bem claro o quanto a situação o incomodava. A única justificativa era considerar aquela visita como uma exceção, uma vez que Savannah era cunhada de Chase. Mas Durango desconfiava que havia algo além disso.

Quando retomou para a sala, procurou saber a razão da visita inesperada.

Ao vê-lo sair da sala, Savannah sabia que estava agindo corretamente, porém era imensa a dificuldade de cumprir o que se propunha. Mas ele merecia saber. Talvez o bebê tivesse mais sorte do que Jéssica, seu irmão Rico e ela mesma. Um sorriso iluminou seu rosto ao lembrar-se deles. Rico não gostaria de vê-la como mãe solteira, mas certamente se apaixonaria
pela idéia de ser titio e, caso Durango não aceitasse ser pai, ele assumiria a figura paterna e seria muito presente.

Savannah, com o olhar clínico de fotógrafa, notou a amplitude e a rusticidade dos dois andares da casa. As paredes interiores do andar de baixo eram de pedra polida. À direita, havia uma lareira de tijolos e uma enorme estante de madeira para livros, ainda que a leitura fosse um passatempo impensável para Durango No centro da sala, havia uma mesinha de café entre dois sofás que pareciam confortáveis. E diante de cada uma das janelas que mostravam a beleza das montanhas e do gelo, tinham sido colocados dois bancos altos para apreciá-los. O ambiente era aconchegante e preenchido por mobílias rudimentares, personalizado e íntimo nos dois andares, inclusive na escada de madeira escura e maciça.

— Aqui estamos.

Ela se virou na direção de Durango que, segurando uma bandeja com duas xícaras de chocolate quente, atiçava as fantasias de Savannah, ao imaginá-lo lindo cuidando dos afazeres domésticos. Aquele pensamento provocou nela uma erupção de desejo.

— Obrigada — disse enquanto atravessava a sala até ele.

Ao apoiar a bandeja sobre a mesinha, Durango sentiu o perfume de Savannah quando ela ficou bem próxima dele, e isso lhe trouxe as mesmas sensações daquela noite. Ofereceu a xícara a ela e decidiu cortar a educação de bom-moço. Era necessário saber o que, afinal, ela estava fazendo ali.

— A que devo sua visita, Savannah? — perguntou suave e diretamente.

Não havia motivo razoável para vê-la ali, no auge do inverno, dois meses após terem se conhecido e feito amor.., a menos que...

Suas sobrancelhas se juntaram assim que sentiu uma pontada no estômago provocada pela tensão. Tudo o que mais queria era que estivesse enganado, mesmo que a situação indicasse o contrário. Não era uma questão de ingenuidade, mas rever a mulher de uma única noite de amor, nessas condições, significava que ela desejava que a performance se repetisse ou... que algo inesperado e bombástico havia acontecido.

Diante da determinação nos olhos dela, seu coração parecia querer pular pela boca. De repente, enfureceu-se ao perceber que estava emboscado no aconchego do próprio lar. Perguntou:

— Diga logo, Savannah. Qual o motivo da sua visita?

Ela pousou calmamente a xícara na bandeja, ajeitou o cabelo e encarou o tom de acusação que vinta de Durango. Suspeitava que ele já soubesse e, portanto, estivesse poupando-a de adiar a revelação. Por fim, respondeu:

— Estou grávida.

CAPÍTULO DOIS

Durango ficou imóvel e só voltou a si quando começou a raciocinar. Ela não disse quem era o pai do bebê, pois estava implícito. No entanto, sempre soube que fazia amor e não bebês, mesmo que as lembranças indicassem que tudo era possível... porém, um detalhe naquela manhã o fez sorrir um tanto quanto inconformado e se pôs a dizer:

— Não é possível.

Savannah não entendeu com qual argumento ele estaria resistindo e se alterou um pouco:

— Se você pretende dizer que é estéril, esqueça.

Largando o corpo para trás até o encosto do sofá, cruzou os braços e sustentou sua intenção:

— Não, não sou estéril. Mas se não me engano, naquela manhã você falou para que eu não me preocupasse, porque você fazia uso de métodos anticoncepcionais.

Um pouco desnorteada, ela também cruzou os braços e respondeu:

— E usava. Mas acontece que me esqueci de tomar a pilula. Em geral, falhar uma só vez não tem problema, mas neste caso... acho que isso me faz ser a exceção da regra.

— Se esqueceu de tomar a pílula? — disse nervoso e em tom debochado. Ela esqueceu justo no único momento que deveria? Não faz sentido. A não ser que...

— Você queria engravidar? — perguntou um pouco inseguro, em tom baixo.

Ele a percebeu surpresa e também como a pergurata a havia desagradado:

— Como você ousa me perguntar isso?

— Droga, queria ou não queria? — rebateu um pouco mais nervoso, ignorando a reação dela.

— Não, eu não quis engravidar, mas isso não importa mais. Você é o pai dessa criança, queira ou não. E acredite, se eu pudesse ter escolhido você não estaria em minha lista — ela respondeu com raiva.

Durango tencionou as mandíbulas. Que diabos ela queria dizer com isso? Por que ele não seria uma opção para ela? De repente, Durango sacudiu a cabeça e caiu em si. Não era possível que estivesse se pergixntando isso. Ele não queria estar nesse tipo de lista de nenhuma mulher.

Savannah sacudiu o universo de Durango, abalou sua estrutura e o tirou desse delírio ao proferir palavras em tom autoritário e de ameaça:

— Acho melhor ir embora.

Agora desperto, Durango a deteve:

— Você realmente acha que pode aparecer de snrpresa em minha casa, largar essa bomba no meu colo e sair?

— E por que não? Tudo o que queria era dar-lhie a notícia pessoalmente, porque achei que você merecia saber. Não tenho mais nada para fazer aqui, nem quero lhe pedir nada. Sou capaz de criar o bebê sozinha sem nenhuma ajuda sua.

— Então você terá esse filho?

Savannah se encheu de fúria.

— Sim. Terei, e se você acha que eu devo tirá-lo, pode...

— Não, droga. Não é isso o que eu quero dizer. Eu jamais diria isso para qualquer mulher que carregasse um filho meu. Se a criança for minha, eu assumirei todas as responsabilidades.

Com o estômago embrulhado ao vê-lo duvidar, fitou-o profundamente e perguntou esmorecida:

— Então esse é o problema, não é Durango? Você não acredita que essa criança seja sua, não é mesmo?

Ele a observou em silêncio lembrando-se da noite que passaram juntos. Sabia que essa verdade era possível, mas estava muito abalado para admitir qualquer coisa.

— Acredito que há chances — ele disse meio confuso, como se pedisse para que fosse convencido do contrário.

Mas, mesmo que fosse de forma inconsciente, ele a ofendia, pois questionava seu caráter. Como ele podia sugerir que ela passaria a responsabilidade da gravidez de um homem para outro?

Sem dizer mais nada, seguiu para o cabideiro onde seu casaco, touca e luvas estavam pendurados e começou a vesti-los.

— Há mais do que chances, Durango. E pouco importa se você não acredita, porque a maravilha que está crescendo dentro de mim foi você quem ajudou a fazer. Se negar esse filho, o problema será seu. Tudo o que posso lhe desejar é que tenha uma boa vida.

— Aonde é que você pensa que vai? — falou em tom imperativo e ao mesmo tempo frustrado.

— Voltar para o aeroporto e pegar o próximo vôo — respondeu, enquanto caminhava para a porta. — Já fiz tudo o que devia fazer.

— Um momento, Savannah — ele disse sem convicção, assim que ela abriu a porta.

Ela o atendeu, levantou a cabeça e perguntou:

— O quê?

— Se tudo isso for verdade, precisamos conversar.

— Tudo isso é verdade, Durango, e pelo que percebi, não temos mais nada a dizer.

Antes que ele retomasse o fôlego, a porta se fechou depois que ela saiu.

Da janela da sala Durango acompanhou Savaanah dar a partida no carro alugado. Ele se manteve ali quieto, parado e em choque vendo ela seguir na estrada até perdê-la de vista. O relógio de parede indicava meio-dia e meia. Ele olhou para a bandeja e as xícaras sobre a mesinha e desejou que o tempo voltasse para apagar tudo o que havia acontecido naquela sala. Savannah Claiborne esteve ali, vinda da Filadélfia, para lhe dizer que ele seria pai, e tudo o que ele fez foi mandá-la embora.

Sem dúvida, Chase o pegaria pelo pescoço se soubesse como sua cunhada tinha sido tratada. Era difícil de acreditar que ele seria pai. Abaixou a cabeça, atravessou a sala e se jogou na poltrona de couro reclinável.

Não era possível. A idéia de ser pai o deixara em pânico. Parecia que bebês estavam invadindo a família Westmoreland. Dare e Shelly já tinham anunciado um bebê para o verão. E quando falou com Thorn na semana passada, este mencionou que Delaney e Jamal também teriam outro bebê.

Durango estava feliz por todos, mas ele... Não é que nunca quisesse ter filhos, mas nem cogitava a hipótese de ser pai dali a alguns meses. O momento era propício para farrear como solteiro. Além disso, não via problema nenhum com a solidão e ostentava o orgulho de ser invicto.

No entanto, o nome de família Westmoreland também significava “responsabilidade pelos próprios atos”. Foi assim que ele e seus cinco irmãos tinham sido educados. De tal modo que a partir do momento que reconhecessem as conseqüências de seus atos, eles se tornariam homens distintos e não mais garotos diante dos desafios da vida.

Outra coisa a qual fora ensinado era admitir e reparar o erro cometido. Se Savannah Claiborne estava grávida, e não havia por que duvidar disso, então o bebê era dele.

Encarar que seria pai foi o primeiro e árduo passo. Já o segundo, fez com que tremesse nas bases, ao pensar que deveria agir de acordo com a responsabilidade que lhe cabia. Checou o relógio e se levantou.

Arriscou que daria tempo de alcançá-la se partisse naquele instante.

Eles teriam um bebê, e se essa garota petulante da cidade achava que lhe daria a notícia e sairia sem terem conversado a respeito, estava muito enganada.

Não bastou muito para que se lembrasse de Tricia Carrington, por quem se tinha apaixonado quatro anos atrás. Recém-chegada de Nova York, Durango se apaixonou perdidamente por ela e a pediu em namoro. Seu tio, Corey, já tinha entendido o tipo de moça que ela era e tentou avisá-lo, mas já não dava mais tempo.

O que Durango não sabia é que era alvo de uma aposta entre Tricia e suas arrogantes amigas. A brincadeira era conseguir seduzir um nativo e depois larga-lo para casar-se com um homem rico e arranjado pelos pais na volta a Nova York. Quando Durango declarou abertamente seus sentimentos, foi alvo de chacota, gargalhadas e desprezo. Ela chegou a lhe dizer que jamais troçaria o noivo influente de Nova York por um caipira do interior como ele, que ganhava a vida sujando as mãos de terra.

Essas palavras dilaceraram o coração de Durango, que jurou nunca mais se apaixonar, principalmente por uma moça da cidade.

E Savannah era, sem dúvida, urbana.

Afinal, percebeu isso logo que a viu: moderna, cortês e sofisticada, andando leve e graciosa pelo salão do hotel, com a auto-confiança estampada na testa, parecendo uma primeira-dama de distrito. Enfim, o perfil exato do qual ele fugia há anos.

No entanto, decidiu não ser impedido pelo medo e, recuperado do choque, resolveu tomar as rédeas da situação, pois a partir daquele momento começara a contribuir, mesmo sem que querer, para a perpetuação da linhagem Westmoreland.

Savannah não estava surpreendida, mas era intolerável a dúvida dele sobre a paternidade.

— Deseja devolver o carro, senhora?

Trazida àquele instante para a realidade, respon deu:

— Sim, por favor.

Olhou o relógio desejando regressar logo à tranqtíilidade de seu conjugado na Filadélfia e tomar todas as medidas para a nova vida.

Começaria mudando o horário de trabalho. Atenderia apenas como autônoma a pedidos esporádicos, embora só de pensar nisso já sentisse falta do ritmo acelerado proporcionado pelas viagens dentro e fora do país.

O foco era cuidar-se, fazer o pré-natal e marcar consultas médicas. Proporia outros projetos ao chefe, entraria em férias durante a gestação, e depois gozaria dos seis meses de licença, após o nascimento do bebê, financiada pela poupança mantida há vários anos.

O que menos queria era depender de alguém. Sua mãe ficaria felicíssima com a novidade, mas não exigiria muitas atenções de Jennifer Claiborne, finalmente envolvida com o tal de Brad Richman, caso o plano de viagem deles para a Europa vingasse. Nem esperaria muito de sua irmã Jéssica, que ainda aproveitava as núpcias, ou mesmo de Rico, ocupado com a nova empreitada como investigador particular.

Savannah cedeu lugar para o próximo cliente ser atendido e pousou a mão na barriga. Sabia que todas as mudanças em prol da criança seriam valiosas. Não importava o que Durango pensasse, ela estava muito feliz.

Parado ao lado da fonte d’água no aeroporto, Durango imaginava Savannah linda... e grávida.

Grávida dele.

E agora? O que faria com uma criança? Era tarde demais, a situação era esta. Logo a avistou por cima da multidão. Ele sabia o que tinha de ser feito e correu para alcançá-la.

— Precisamos conversar, Savannah.

Ela se assustou tanto que quase derrubou a bagagem de mão. Fitou Durango e disse:

— O que você está fazendo aqui? Não temos nada para conversar. Creio que já dissemos tudo, com licença...

— Escute, preciso me desculpar com você.

— O que você disse? — perguntou, surpreendida.

— Estou pedindo desculpas por ter sido estúpido há pouco. Eu estou assustado com essa história.

Tensa, Savannah respondeu:

— E daí?

— Eu acredito que o bebê seja meu.

Ela cruzou os braços na altura do peito como se prendesse a emoção e o choro. Desde o começo da estação se transformara em uma manteiga derretida.

— Por que você mudou de idéia de repente?

— Porque nossa noite foi maravilhosa e também porque acredito em você. Minha conclusão é que não tenho motivo para duvidar de sua palavra.

Ela o observava, e Durango sorrindo, concluiu:

— Acho que é assim que deve ser.

Se ele pensa que com essa conversa mansa vai resolver tudo, está enganado.

— É assim coisa nenhuma, Durango. Foi bom você ter reconhecido a paternidade, pois assim será o primeiro a receber as fotos do bebê, quando ele nascer.

Savannah voltou a caminhar, mas foi novamente bloqueada.

— Como estava dizendo, Savannah, precisamos conversar. Não permitirei que me negue o direito de participar da vida desta criança.

Ela olhou para o teto indicando intolerância. Há uma hora o tom da conversa era completamente outro.

— Eu não teria vindo até aqui se desejasse isso.

Após acalmar-se e encher os pulmões de ar, acrescentou:

— Eu vim porque achei que devia avisá-lo, não para fazer exigências.

Ser alvo do olhar de Durango por muito tempo não era fácil. Ele a envolvia. De repente, sentiu seu rosto enrubescer. Será que o cabelo estava desgrenhado? Será que a roupa estava amarrotada? O vôo a deixou abatida e também um pouco enjoada devido à turbcalência. O cabelo estava todo embaraçado e a maquiagem borrada. Desde o desembarque, não havia tido tempo de se retocar, e ainda teve que alugar o carro.

— Mesmo que você não queira, eu tenho responsabilidades para com essa criança, e é isso que temos que resolver. Você já fez o que precisava fazer, agora vamos nos sentar e conversar como dois adultos.



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