Tiamat World Prazeres Noturnos



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Tiamat World

Prazeres Noturnos

Eloisa James





PRAZERES NOTURNOS

(midnigth pleasures)

Eloisa James

RESUMO


Depois de rejeitar vinte e dois pedidos a sua mão, Sophie York se resigna a aceitar o de Braddon Chatwin, conde de Slaslow. Evidentemente teria sido muito mais excitante aceitar o pedido de Patrick Foakes; entre seus braços se desfazia e perdia toda noção de bom comportamento. Mas ele era um sedutor sem remédio e Sophie queria evitar a humilhação de ser enganada constantemente como aconteceu com sua mãe.

Com o tranquilo Braddon não existe essa possibilidade. Embora o rejeite, Patrick não desiste de conquistar Sophie embora para isso tenha que comprometê-la. De modo que não duvida em disfarçar-se e fazer-se passar por Braddon em uma rocambolesca simulação de sequestro.

O truque não a engana por muito tempo, entretanto cede às carícias desse habilidoso amante.
Nota da Revisora Tessy: É uma bonita história com dois mocinhos orgulhosos e cabeças duras, que sofrem calados por não dar o braço a torcer. Tem cenas bem sensuais e um belo enredo, espero que vocês gostem, pois eu gostei.
Nota da revisora Lívia: Gostei bastante deste livrinho apesar dos dois serem cabeças duras. Amei!!O orgulho dos dois é demais!!



Envio do Arquivo: Lucilene

Tradução: Gisa

Revisão Inicial: Tessy

Revisão Final e Formatação: Lívia

Tiamat - World

Capitulo 1

Londres, mansão dos marqueses de Brandenbourg.

Dezembro 1804
Lady Sophie York, única filha do marquês de Brandenbourg, tinha rejeitado o pedido de matrimônio de um barão, dois cavalheiros, um punhado de senhores muito convenientes e de um visconde que tinha pedido de forma muito adequada no escritório de seu pai o privilégio de obter sua mão. Inclusive descartou um marquês em metade de uma caçada e ao simples senhor Kissler na Ascot. Outras garotas menos afortunadas não podiam entender Sophie. Nas duas últimas temporadas havia feito perder as esperanças à maioria dos homens mais procurados. Mas a partir de agora já não haveria mais pedidos de matrimônio tanto se eram oficiais como se não. As más línguas iam estar de acordo: a jovem tinha entregado seu afeto a um homem da nobreza. Lady Sophie seria condessa na seguinte temporada.

Olhou-se no espelho e fez uma careta ao pensar nas caras de curiosidade e as numerosas reverências que teria que suportar no baile dos Dewland. Estremeceu interiormente com uma indecisão totalmente desacostumada nela. Não sabia se estava corretamente vestida para o anúncio de seu compromisso. Usava um vestido de seda prateada; era possível que a cor lhe permitisse desaparecer entre a multidão de mulheres com roupas apertadas, grandes decotes e com vivas cores que abarrotavam o salão de baile. O cinza prata era uma cor de monjas, pensou divertida, mas uma religiosa desmaiaria se tivesse que usar uma roupa como esta, era de uso Império com o corte alto e umas fitas que rodeavam o sutiã.

A marquesa de Brandenbourg entrou na habitação.

― Esta pronta Sophie?

― Sim, mamãe ― Ela renunciando à ideia de trocar-se, pois já iam com atraso.

A marquesa a observou entrecerrando os olhos. Ela usava um vestido de cetim cinza bordado com flores que se parecia muito aos que estavam de moda uns vinte anos antes quando se casou.

― O vestido que usa é indecente ― Declarou secamente.

― Sim mamãe.

Essa era a sistemática resposta de Sophie as ácidas recriminações de sua mãe. Pegou o xale e seu ridículo e se dirigiu para a porta.

Heloise parecia um pouco indecisa e a olhou ressentida. A marquesa, de origem francesa, parecia pensar que o mundo era um campo de batalha e ela o general chefe. Era muito raro vê-la tão insegura de si mesma.

― Esta noite vai anunciar que aceita o pedido de matrimônio do conde de Slaslow.

― Sim mamãe.

Houve um breve silêncio. Sophie se perguntou qual seria o problema. A sua mãe rara vezes faltavam às palavras.

― Estou segura de que pedirá uma prova de seu afeto.

― Sim mamãe ― Disse Sophie baixando os olhos para dissimular sua diversão.

Educada em um convento, Heloise tinha chegado a sua noite de bodas terrivelmente mal preparada. Casou-se com um inglês tão apaixonado de tudo quão francês não aceitava nenhum criado que não o fosse. A babá de Sophie tinha sido francesa, as donzelas, os lacaios e naturalmente o cozinheiro eram franceses. Heloise não podia imaginar reveladoras conversas que se desenvolviam no quarto dos meninos. Sua filha não necessitava que ninguém a pusesse a par do que os homens esperavam das mulheres.

― Pode lhe conceder um beijo, dois como muito ― Continuou Heloise ― Estou segura de que entende a importância desses limites Sophie. Sua reputação…

Sophie, com os olhos brilhantes, olhou a sua mãe que olhava obstinadamente a um ponto na parede oposta.

― Empenhou-se em escolher vestidos que não são mais que finas partes de tecido. Todo mundo pode dar-se conta de que não usa espartilho. Às vezes inclusive me pergunto se colocou combinação. Muitas vezes me senti envergonhada por sua conduta, digamos coquete. Tem sorte de fazer um excelente casamento e te exijo que não o danifique tudo animando o conde a que tome liberdades contigo.

Sophie notava que se zangava por momentos.

― Sugere que meu comportamento não foi correto até agora?

― Certamente! Quando eu tinha sua idade me parecia tão impossível me encontrar a sós com um homem como partir para a América. Nenhum de meus pretendentes me beijou além de meu prometido. Eu sabia estar em meu lugar, mas você não tem nenhum respeito por sua posição. A seu pai e a mim sempre incomodou seu desavergonhado comportamento.

Sophie se compadeceu a seu pesar.

― Nunca fiz nada errado, mamãe o mundo se veste seguindo a moda francesa e os costumes são mais livres agora que em seu tempo.

― Assumo minha parte de responsabilidade, fechei os olhos em suas extravagantes escapadas e na maioria de suas faltas. Mas agora vai casar e o que é perdoável em uma impulsiva jovenzinha seria inaceitável para uma condessa.

― De que falta? Nunca permiti a um homem que tomasse liberdades comigo.

― Sei que a palavra castidade está fora de moda, mas não concordo ― Respondeu amargamente a marquesa ― Suas brincadeiras fora do lugar e sua paquera fazem que pareça mas acessível do que é em realidade. De fato, Sophie, suas maneiras são as de uma cortesã.

Sophie permaneceu uns instantes assombrada e indignada, depois respirou profundamente.

― Nunca fiz nada errado, mamãe― Disse com firmeza.

― Como se atreve a me dizer isso quando lady Prestlefield encontrou Patrick Foakes e a você abraçados? Comporta-se como uma rameira e deixa que te surpreenda a pior fofoqueira de toda Londres. Se ao menos tivesse estado comprometida com ele… Mas beijos roubados no salão em uma noite de festa! Envergonhou-me muito Sophie. De modo que insisto: proíbo você que dê ao conde de Slaslow algo mais que uma demonstração de afeto. Um engano mais desse tipo e sua reputação ficará definitivamente arruinada. Além disso, o conde de Slaslow teria todas as razões do mundo para anular sua proposta se suspeitasse de seu dissipado caráter.

― Mamãe!

― Chega! ― Repetiu a marquesa ― É herdeira de seu pai e ele te animou a seguir esse caminho. Desde dia em que te permitiu aprender todos esses idiomas te apoiou com uma atitude muito pouco digna. Não há nada mais inconveniente para uma dama que estudar latim.

Interrompeu com um gesto o protesto de sua filha.

― Afortunadamente ― Continuou ―Tudo acabou bem. Quando for condessa estará bastante ocupada por sua casa para se colocar nesses inúteis estudos.

Repentinamente voltou para sua preocupação do princípio.

― Evidentemente, se tivesse casado com Foakes, todos os rumores teriam desaparecido se por acaso sozinhos, mas como negou sua proposta de matrimônio, sua reputação se ressentiu. Ninguém quer acreditar que foi você quem o rejeitou.

― Não podia aceitar ― Objetou Sophie ― Me propôs isso somente porque lady Prestlefield entrou no salão. É um libertino e seus beijos não significam nada.

― Não sei muito de beijos que não significam nada ― Declarou a marquesa com altivez ― Eu gostaria que minha filha tivesse o mesmo sentido comum que eu. Que importância tem que Foakes seja um libertino? Igual pode resultar um marido excelente. E, além disso, é imensamente rico que mais pode desejar?

Sophie olhava a ponta dos sapatos de cetim. Era difícil explicar seu ódio para os mulherengos sem fazer referência a seu pai que perseguia a todas as jovens francesas exiladas. Em vista da crítica situação pela que atravessava a França nesses dias, não tinha descansado nos últimos anos.

― Eu gostaria de me casar com um homem que me respeitasse ― disse.

― Te respeitar! Acredite-me, não escolheu a melhor maneira para consegui-lo filha. Garanto-te que nem um só homem em Londres te considera uma mulher de conduta irreprovável. Quando eu me apresentei em sociedade, escreviam-se poemas elogiando minha modéstia mais esses versos não poderiam aplicar a você. Além disso ―Concluiu Heloise com amargura ― Acho que é digna filha de seu pai. Os dois puseram de acordo para que toda a nobreza ria de mim.

Sophie voltou a respirar profundamente porque as lágrimas começavam a arder nas pálpebras.

Heloise suavizou um pouco.

― Não quero ser muito dura mais estou preocupada com você, Sophie. Com o conde de Slaslow terá um bom marido. Não ponha seu compromisso em perigo, por favor.

O aborrecimento de Sophie se esfumou e foi substituído por uma onda de culpa; sua mãe tinha tido que suportar muitas humilhações em público por culpa da atração que seu marido sentia pelos franceses. E agora sua filha era o centro das falações.

―Não pretendia te envergonhar, mamãe ― Disse brandamente ― Me surpreendi quando lady Prestlefield me encontrou com Patrick Foakes.

― Se não tivesse estado a sós com ele, não teria te surpreendido ― Contestou sua mãe com uma lógica esmagante ― A reputação não é uma coisa para tomar a brincadeira, Sophie. Nunca me tivesse podido imaginar que algum dia alguém pudesse pensar que minha filha era uma mulher fácil e, entretanto isso é o que se diz de você.

Dizendo isto Heloise saiu da habitação fechando a porta atrás de si.

Desta vez as lágrimas estiveram a ponto de transbordar. Não era a primeira vez que a marquesa caía sobre um membro da casa como se fosse um anjo vingador saído de uma tragédia grega, e normalmente Sophie conseguia fazer caso omisso de suas amargas recriminações. Mas esta noite sua mãe havia tocado um nervo sensível, já que ela mesma se dava conta de que estava roçando o limite das regras. Seus vestidos eram os mais atrevidos de toda Londres e sua atitude claramente provocadora.

Tinha ouvido cem vezes os versos compostos em honra de sua mãe: Entre um milhar de jovens virgens eis aqui à Diana cujo cabelo… Ela e sua mãe tinham o mesmo tom de cabelo loiro, mas enquanto que os cabelos de Heloise emolduravam sabiamente sua cara recolhidos em um impecável coque, os cachos de Sophie nunca se submetiam às forquilhas e as fitas. Se por acaso fosse pouco, os tinha cortado antes que o resto das damas inglesas tivessem a coragem de seguir a moda francesa. Agora todas as debutantes tinham adotado esse penteado, de modo que ela tinha decidido deixar que crescesse de novo.

Mas sua mãe não sabia quão doloroso foi para ela rejeitar o pedido de matrimônio de Patrick Foakes. Deixou-se cair na cama. Recordava o baile dos Cumberland do mês anterior. A excitação que sentiu quando ficou claro que Patrick a cortejava. O tombo que deu seu coração quando seus olhares se encontraram.

Ainda podia sentir essa estranha emoção ao recordar o convite de seus olhos e a maneira em que se arqueou sua sobrancelha direita e a arrogância de sua expressão.

Passou a noite com o coração pulsando desenfreado e as pernas trementes. Ele exercia tal fascinação sobre ela que ela esperava com impaciência os momentos nos quais ele aparecia a seu lado, e quando podia ver seu cabelo escuro com mechas prateadas no outro extremo do salão. No jantar, rodeados de pessoas sentadas ao redor de uma mesa redonda, estremecia cada vez que suas pernas se roçavam ou seus braços se tocavam acidentalmente.

Dançaram juntos uma vez, e depois outra. Uma terceira vez teria equivalido a um anúncio de seu compromisso.

Sophie não tinha pronunciado palavra durante seu segundo baile. Deu-lhe medo que Patrick adivinhasse a debilidade que se apoderava dela cada vez que se juntavam seguindo os passados do baile.

Quando ele pegou seu braço para levá-la fora do salão de baile como se fossem procurar um copo de refresco, e depois a conduziu a um salão deserto, ela não protestou. Patrick tinha se apoiado na parede para olhá-la com expressão provocadora. As emoções das últimas horas deviam haver subido ao Sophie à cabeça, já que lhe devolveu o sorriso comportando-se como a mulher fácil que diziam que era.

Patrick a tinha pego entre seus braços em um gesto que parecia inevitável. Entretanto a paixão de seu beijo foi uma surpresa. A Sophie já a tinham beijado antes, tantas vezes que sua mãe desmaiaria se tivesse sabido, mas este beijo não era como as que ela conhecia e estava acostumada.

Esse beijo foi como uma tormenta do verão; começou brandamente e se converteu em algo ardente com uma paixão cheia de gemidos. Patrick tinha levantado a cabeça lançando um juramento surpreso e procurou de novo de seus lábios ao tempo que suas mãos acariciavam as costas e as nádegas dela.

Era injusto dizer que estavam beijando quando lady Prestlefield entrou nas pontas dos pés na estadia. Sim, beijaram-se uma e outra vez, mas nesse momento estava de pé frente a frente e Patrick acariciava com um dedo seu lábio inferior. Ela o olhava desorientada, sem poder pronunciar uma só palavra e despojada de seu sentido comum.

―Porretes! ― Murmurou voltando para presente.

Podia ouvir a voz de seu pai, e sem dúvida estava dizendo que se apressasse. Ela sabia exatamente porque ele tinha tanta pressa, acabava de lançar-se à conquista de uma jovem viúva, a senhora Dalinda Beaumaris, e devia haver-se chamado com ela no baile.

Esse pensamento reforçou sua decisão. Não importava que tivesse chorado todas as noites desde rejeitou o pedido de matrimônio do Patrick um mês antes. Ela tinha tido razão. Só tinha que recordar o alívio que viu em seu olhar quando, o dia posterior ao baile, na biblioteca, ela tinha soltado suas mãos das dele e havia dito “não” muito educadamente. Não podia esquecê-lo nunca.

Não ia deixar que ele rompesse seu coração um libertino como tinha acontecido a sua mãe. Ela não se converteria em uma anciã amargurada à força de ver seu marido dançando com as Dalindas e as Luciennes. Possivelmente não poderia impedir que seu marido fornicasse com outras mulheres, mas ao menos poderia permanecer indiferente diante suas aventuras.

“Não sou idiota”, pensou Sophie e não pela primeira vez.

Bateram na porta e se levantou.

―Entre!


― A Sua Senhoria gostaria que se reunisse com ele lá embaixo ― Anunciou Philippe, um dos lacaios.

Sophie não se fazia de iludida, a mensagem tinha sido outro “vá chamar a essa pesada”, isso o que realmente deve dizer o marquês. Então o mordomo fazendo um sinal com a cabeça, devia ter mandado o Philippe. A dignidade, muito francesa, deste último, e a alta opinião que tinha de seu trabalho, o impediam de rebaixar-se a levar esse tipo de mensagem.

Ela sorriu.

― Diga a meu pai que descerei em seguida, por favor.

Quando Philippe saiu, ela agarrou seu leque e se deteve um momento diante o espelho de sua penteadeira. A imagem que viu era a de uma mulher que tinha inflamado o coração de dúzias de cavalheiros, que tinha provocado vinte e dois pedidos de mão e infinidade de cumpridos extravagantes.

Era miúda, chegava pelos cabelos aos ombros de Patrick, e o leve vestido prateado realçava suas formas, especialmente seus seios que se viam mais volumosos sob o ajustado sutiã.

Estremeceu. Ultimamente não podia olhar-se a um espelho sem recordar o contato do musculoso peito de Patrick.

Mas tinha que sair. Agarrou o xale e saiu da sala.



Capitulo 2

Pela tarde, o dia do baile dos Dewland, celebrou-se, no Ministério de Assuntos Exteriores, alguém reuniu especial de jovens cavalheiros presidida pelo ministro em pessoa. Lorde Breksby estava ficando maior, mas ao mesmo tempo cada vez se sentia mais a gosto tendo poder. Deste modo, embora recebesse a seus visitantes mediu fundo no sofá e com a peruca branca que se empenhava em escorregar para um lado em vez de ficar quieta em seu lugar, não tinha nada de gracioso.

Lorde Breksby estava em Assuntos Exteriores sete anos e via o mundo como se fosse um teatro de marionetes de cujos fios ele puxava. Um de seus principais talentos, sob o ponto de vista de William Pitt e do governo inglês, era seu dom para manipular a outros. Como disse uma noite a sua mulher quando terminavam a sobremesa, as pessoas tinham que usar todos os meios a seu alcance. Lady Breksby tinha assentido com cansaço enquanto pensava com uma casa de campo, perto de sua irmã, na qual pudesse cultivar rosas.

― Inglaterra a infrautilizado a seus nobres ― Continuou ele ― Certamente, os aristocratas tendem a levar uma vida desordenada. Não tem mais que recordar a quão degenerados rodeavam a Carlos II…

Lady Breksby, enquanto, pensava na nova variedade de rosas chamada Princesa Charlotte, perguntando se poderiam subir pelas paredes. Podia imaginar a fachada sul coberta de roseiras.

Lorde Breksby por sua parte, pensava nos libertinos de antigamente. Rochester sem duvida foi o pior de todos com essas perversas poesias sobre as prostitutas. Era um degenerado, e tudo porque sua vida era um aborrecimento.

― Mas isso forma parte do passado ― Concluiu ― Os jovens de hoje em dia são bastante mais úteis se souber levar. Têm dinheiro e classe, querida. Isso é indispensável quando terá que tratar com estrangeiros. Olhe o Selim III, por exemplo, dirige o Império Turco, querida.

Lady Breksby assentiu educadamente com a cabeça. Pensando-o bem, dizia a si mesma, as Princesas Charlottes são muito pesadas para subir. As melhores tinham corolas pequenas, como esse encantado exemplar que cobria a entrada da senhora Barnett. Qual era seu nome?

― Esse homem está deslumbrado pelo Napoleão embora invadisse o Egito faz apenas seis anos. Acredita que é Deus pelo que dizem dele. Reconheceu-lhe o título de imperador, e agora, inclusive esta pensando em trocar seu título de sultão pelo de imperador.

Breksby hesitou se tomava a sobremesa, mas depois decidiu não fazê-lo; os coletes já lhe estavam um pouco estreitos. Voltou para tema que o preocupava.

― Nós temos que deslumbrar também o Selim, se não irá da mão do Napoleão e declarará guerra à Inglaterra. Mas como poderíamos impressiona-lo? Vamos enviar à flor e nata de nossa nobreza, vamos enviar a alguns de nossos cavalheiros mais representativos. Essa é a solução.

Lady Breksby assentiu docilmente.

― É uma maravilhosa ideia, querido.

Finalmente esta conversa teve um dobro resultado. Lorde Breksby fez que enviassem uma série de mensagens através de Londres e lady Breksby escreveu uma carta a sua irmã, que vivia ainda em seu povoado natal do Hogglesdon, para pedir que fosse, se não era uma moléstia, até a casa da senhora Barnett para perguntar o nome de sua variedade de roseiras.


Lorde Breksby recolheu os frutos de sua ideia antes que sua esposa (por desgraça a senhora Barnett tinha morrido e sua filha ignorava o tão desejado nome das flores).

O primeiro em chegar ao Ministério de Assuntos Exteriores foi Alexander Foakes, conde de Sheffield e de Downes. Breksby se levantou para recebê-lo cordialmente. Tinha enviado uma vez Sheffield a Itália um ano antes para uma missão muito delicada que havia realizado de forma impecável.

― Bom dia milorde Como se encontram suas filhas e sua encantadora esposa?

― Maravilhosas ― Contestou Alex tomando assento ― Para que me chamou?

Breksby sorriu; era muito maior para deixar-se impressionar por esses jovens impetuosos. Apoiou-se no respaldo de sua poltrona juntando as mãos.

―Preferiria que todo mundo estivesse aqui antes de começar a falar ― disse ― Mas tenho que precisar que não o convoquei para encomendar uma missão do Governo. Absolutamente. Nós não gostamos de interferir na vida privada de um homem que tem filhos pequenos.

Alex levantou uma sobrancelha.

― Exceto quando terá que arrolar algum soldado.

Com isto estava fazendo alusão à prática consistente em sequestrar homem jovens para enviá-los à frente pelas boas ou pelas más.

― Hum… Mas nunca pressionamos aos nobres, só contamos com sua generosidade e seu patriotismo.

Alex engoliu uma gargalhada cética. Breksby era uma espécie de Maquiavel ao que era melhor não enfrentar.

― Entretanto sua presença aqui não é um capricho já que tenho que propor algo a seu irmão ― Anunciou Breksby.

― É possível que o interesse ― Disse Alex sabendo que Patrick estaria encantado de aproveitar a oportunidade de viajar.

Tinha voltado para a Inglaterra aproximadamente um ano antes e parecia estar morto de aborrecimento. Se por acaso fosse pouco estava especialmente irascível desde que Sophie York se negou a casar com ele.

― Isso é o que pensei também ―Murmurou Breksby.

― Onde tem pensado enviá-lo?

― Espero que aceite ir ao Império Turco no verão próximo. Ouvimos que Selim III queria ser coroado imperador seguindo Napoleão, e nós gostaríamos que a Inglaterra esteja representada no simulacro de cerimônia. Como é impensável enviar os filhos do rei Jorge…

Elevou os olhos ao céu ao pensar nos descerebrados príncipes que estavam mais tempo bêbados que sóbrios.

Alex assentiu. Patrick voltaria da viagem com um navio cheio de mercadorias o qual parecia uma compensação muito justa.

Agora bem, quiser puxar você a esta pequena reunião é por um problema de título.

― De titulo? ― Estranhou Alex.

― Exatamente. Certamente seu irmão representar a Inglaterra adequadamente, já que tem meios para vestir luxuosamente, e o governo, naturalmente, encarregará-lhe que entregue um extraordinário presente a Selim. Tínhamos pensado em um cetro encravado de rubis parecido ao do rei Eduardo II. Acrescentaríamo-lhe mais rubis já que Selim é muito vulgar e gosta especialmente dessa pedra. Mas a verdadeira questão é o que pensará de Patrick Foakes. Dadas as delicadas relações entre nossos respectivos países, esse é um ponto importante.

― Patrick ganhou a avaliação dos chefes da Albânia e Índia ― Fez notar Alex ― Acho inclusive que Ali Pacha lhe suplicou que entrasse em sua moradia e sabe você que Albânia está cheia de turcos. Não acredito que tenha o menor problema.

― Não entendeu meu amigo. A Selim fascinam os títulos daí o de Imperador Selim.

Alex, que olhava fixamente o tapete, levantou a cabeça para olhar a seu interlocutor diretamente aos olhos.

― Pensou em outorgar um título ao Patrick.

Não era uma pergunta, e um grande sorriso iluminou seu rosto.

― É maravilhoso! ― Exclamou.

― Há algumas dificuldades mais se podem resolver facilmente ― Afirmou lorde Breksby.

― Pode ter a metade de minhas propriedades e a metade de meu título ― Declarou Alex.

Alexander Foakes, como conde de Sheffield e de Downes possuía dois domínios.

― Querido amigo! ― Indignou-se Breksby ― Nunca faríamos tal coisa! Não se trata de partir pela metade um título hereditário. Mas se que poderíamos o liberar de algum de seus outros títulos.

Alex ficou pensativo. Não só era conde de Sheffield e de Downes, mas também visconde de Spencer.

― Estava pensando em seu título ardem Breksby.

Alex estava um pouco perdido.

― Um título escocês?

― Quando sua bisavó se casou com seu bisavô, o título de seu pai; duque de Gisle; extinguiu-se já que era filha única.

― É obvio!

Alex tinha ouvido falar de sua bisavó escocesa, mas nunca lhe ocorreu que o título tinha desaparecido.

― Eu gostaria de pedir ao rei que concedesse esse título a seu irmão. Parece-me que o motivo está justificado já que se trata de ganhar Selim para a causa inglesa. Se não se sentisse o bastante impressionado por nosso embaixador seria capaz de nos declarar a guerra só para imitar a seu querido Napoleão. Suponho que o fato de que Patrick e você sejam gêmeos jogará a seu favor. Depois de tudo é o mais novo só por uns minutos de diferença.

Alex assentiu com a cabeça. Já que Breksby só falava de seus planos quando estava seguro de que iam sair bem, dentro de uns meses Patrick seria duque de Gisle.

A porta se abriu dando passagem ao mordomo do ministro quem anunciou:

-O senhor Patrick Foakes, o conde de Slaslow, lorde Reginald Petersham, o senhor Peter Dewland.

Breksby não perdeu o tempo em formalidades.

―Senhores, os fiz vir porque cada um de vocês é dono de um excelente navio.

― Meu Deus! ― Exclamou Braddon Chatwin, conde de Slaslow ― Não acredito senhor, a menos que meu administrador o tenha comprado sem me dizer nada.

Lorde Breksby o olhou com severidade. Aparentemente os informes que tinha recebido sobre a capacidade intelectual de Slaslow não tinham sido exagerados.

― Ganhou um jogando às cartas com…

Levantou os óculos para consultar uma folha que havia sobre seu escritório.

―… Um tal Sheridan Jameson. Um comerciante acredito.

― Tem razão! ― Exclamou Braddon aliviado ― Foi uma noite que nos detivemos em uma estalagem no caminho da Ascot. Recorda-o Petersham?

― Lembro que jogou ― Disse Petersham.

― E ganhei um navio! ― Acrescentou Braddon muito contente.

― O governo quer requisitá-los? ― Perguntou Patrick um pouco secamente.

Possuía três bons navios e não tinha nenhum desejo de desprender-se deles.

― Não, não ― Assegurou lorde Breksby ― Nos perguntávamos se algum de vocês estaria disposto a fazer uma viagem ao longo da costa de Gales nos próximos meses. Ordenamos fazer algumas fortificações, mas já sabem quão difícil é controlar a essa gente. Nunca obedecem.

Os outros cinco esperaram que continuasse.

― Isso é tudo senhores ― Continuou Breksby ― Achamos que há uma pequena possibilidade de que Napoleão queira invadir a Inglaterra desde Gales.

Braddon franziu o cenho.

― Por que ia fazer isso? É muito mais simples cruzar o canal da Mancha. Eu mesmo cruzei em seis horas.

Devia ter sido uma verdadeira dor de cabeça para sua mãe. Como podia não saber que o canal da Manga estava bloqueado?

― Temo que Napoleão bloqueou o canal ― Explicou com a maior cortesia ― Por isso peço que um de vocês nos ajude. Certamente, poderia fazer que nossa frota vigiasse a construção das fortificações, mas necessitamos todos nossos navios. Por isso estaria muito agradecido ao que aceitasse a missão.

― Eu não posso sair antes que termine a temporada ― Replicou rapidamente Braddon ― Me comprometi esta manhã e minha mãe me advertiu que seria obrigado a assistir a todas as recepções. E depois, é obvio, tenho que me casar.

Breksby aguçou o ouvido. Gostava de inteirar-se de todas as alianças que se levavam a cabo entre a aristocracia.

― Devo entender que Sophie York aceitou casar-se com você?

―Sim! ― Respondeu Braddon radiante.

Alex cruzou seu olhar com o de Patrick enquanto ambos os se levantavam para felicitar ao futuro marido. Viu o brilho de brincadeira que iluminava os olhos de seu gêmeo e o sarcasmo em seu sorriso.

Patrick se voltou para o ministro.

― Eu aceito a missão ― Disse.

Lorde Breksby também se levantou apoiando-se na escrivaninha.

― Magnífico! ― Se me conceder um pouco de seu valioso tempo, mostrarei onde deveriam estar as fortificações.

Havia ironia em sua voz. Os galeses eram cabeças duras e custavam aceitar o domínio inglês, de modo que duvidava muito da existência das defesas.

Patrick assentiu e voltou a sentar-se enquanto outros se despediam. Alex não se moveu.

Quando estiveram os três a sós, Breksby explicou brevemente a situação do Império Turco.

― Não vou necessitar nenhum título ― Disse Patrick em um tom que não admitia réplica.

Alex sorriu. Ele já tinha estado a ponto de dizer a Breksby que seu irmão não aceitaria converter-se em duque.

Mas lorde Breksby nunca fazia nada sem ter feito averiguações; sabia que Patrick tinha mais dinheiro que a maioria dos cavalheiros; tanto ou mais que seu irmão. Também sabia que não tinha nenhum desejo de possuir um título. Por isso sabia nunca tinha demonstrado a menor inveja da fila de seu irmão gêmeo.

Mas Foakes também era um muito bom estrategista que se encontrou em situações delicadas em suas viagens pelo Oriente. Entendia melhor que ninguém a admiração sem limites que Selim III sentia pela forma de vida ocidental e especialmente pelos títulos nobiliários.

―Não se verá obrigado a fazer uso dele ― Disse com deliberada indiferença ― Inclusive poderá renunciar ao título quando voltar da Turquia, isso nos dá igual. Entretanto preferiríamos que não pusesse a missão em perigo renunciando agora a ele.

Patrick, completamente relaxado, estava pensando.

Com as mãos unidas pelas pontas dos dedos, o ministro observava os dois irmãos. Era todo um espetáculo ver esses atléticos gêmeos, com seus rostos idênticos e o rebelde cabelo com mechas prateadas.

Sentados em suas poltronas pareciam dois grandes gatos dormindo a sesta ao sol. Mas pensando bem, mas bem semelhavam a dois tigres: perigosos e preparados para saltar em qualquer momento.

Quando Patrick por fim deu de ombros dando a entender que aceitava a ideia de ter um título, Breksby sorriu.

― Necessitaremos uns seis meses para que seja oficial. Você deveria chegar a Constantinopla a tempo para assistir à coroação. Os ourives terminaram o cetro em abril, de modo que não vejo nenhum problema por essa parte.

― Não quero que se faça público ― Disse Patrick.

Entretanto os três sabiam que se transformasse em duque de Gisle, não se falaria de outra coisa em Londres.

Prudentemente, o ministro não respondeu; levantou-se e rodeou a escrivaninha. Os dois irmãos se levantaram também e Breksby lhe acompanhou à porta com um largo sorriso nos lábios.

― Posso ser o primeiro? “Sua Graça”…

Fez uma reverência enquanto sua absurda peruca caía de repente para a direita.

Patrick não explodiu até que estiveram fora.

― Pomposo imbecil! ― Estava-se divertindo como um louco ― Deveria deixar que enviasse os príncipes reais a Turquia.

Alex sorriu.

― Isso não servirá comigo Patrick. Morre de vontade de assistir à coroação. Nunca rechaçaria uma oportunidade para ir a Turquia.

Patrick lhe devolveu o sorriso.

―Tem razão, confesso. Quando estive em Lhasa ouvi falar muito de Selim.

Passou quatro anos viajando através do Tibet, a Índia e Pérsia.

― E bem? Como é?

― Terrivelmente esnobe. Naquela época estava visitando as capitais europeias e seu pai desesperava ao lhe ver adotar os costumes ocidentais e levar toda classe de trajes modernos e mulheres a Constantinopla.

― Acredita realmente que é capaz de lançar seu exercito seguindo Napoleão?

― É possível.

Estavam chegando às suas carruagens.

― Se dá conta, irmãozinho, que a partir de agora seu título é maior que o meu? ― Disse Alex.

Patrick pareceu desconcertado por um momento e depois seus olhos brilharam maliciosamente.

― É certo! Sou duque e você só é conde.

Alex se pôs a rir. Os dois irmãos sempre tinham considerado o título de conde como uma fonte de problemas.

― Se tivesse sido duque faz um mês, ela teria aceitado casar comigo ― Continuou Patrick subitamente sério.

Alex sabia de quem estava falando e negou com a cabeça.

― Lady Sophie York não é essa espécie de mulher Patrick.

Sophie era a melhor amiga de sua esposa e duvidava que se negasse a se comprometer com Patrick porque este carecesse de título.

― Então como é que vai casar se com o Braddon? ― Perguntou Patrick irritado ― Braddon!

― Não pensei que te interessasse tanto o futuro de Sophie.

Patrick o ignorou.

― Braddon é gordo e estúpido e, além disso, tem muito menos dinheiro que eu. Mas é conde, um dos membros respeitados da aristocracia.

― É injusto. Possivelmente o ama.

Patrick gargalhou.

― Amor! Nenhuma só mulher de nosso entorno acredita nessa tolice ― Exceto Charlotte possivelmente.

Alex sorriu ao pensar em sua mulher, mas repetiu:

― Não acreditei que se preocupasse tanto do futuro de lady Sophie.

O outro elevou os ombros.

― Dá-me igual. Que faça o que dê vontade. Mas sou um mal perdedor e você sabe melhor que ninguém. Enfurece-me pensar que fui derrotado porque Braddon tem um título e eu não.

Alex permaneceu em silêncio uns segundos. Que mais podia dizer? Depois de todo Sophie York possivelmente tivesse realmente gana de ser condessa.

― Ira ao baile dos Dewland esta noite?

―Tinha esquecido ― Contestou Patrick ― Mas vou jantar com Braddon e certamente ele insistirá em ir depois. Espero que não me peça que seja seu padrinho ― Acrescentou com uma careta.

― Tentarei ir ― Disse Alex dando uma palmada nas costas a seu irmão ― Espera a ver a cara das casamenteiras quando souberem a notícia. Vai se transformar no partido mais desejado de Londres.

Patrick estremeceu.

― Razão para embarcar imediatamente para Gales!




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