Tiamat World Prazeres Noturnos



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Capitulo 3

Quando se anunciou a chegada de Sophie York no baile dos Dewland, um murmúrio percorreu o salão. Em um canto as amarguradas solteironas diziam que Sophie era uma rebelde. Outras diziam que era a mulher mais formosa da Inglaterra. Pequena mas voluptuosa. Coquete mas filha da aristocrata mais estirada do país, a marquesa de Bradenbourg. Os ácidos comentários de Heloise tinham estragado a reputação de mais de uma jovem; de modo que os comentários da marquesa faziam que a atitude de sua filha fosse motivo de maior diversão.

Sophie se deteve no alto das escadas enquanto seu pai se internava entre as pessoas sem dúvida procurando à encantada Dalinda. A marquesa o seguiu rígida com uma censura que não se atenuou com os anos.

Percorreu o salão com o olhar convencendo a si mesma de que estava tentando ver o conde de Slaslow. Mas no fundo sabia que se estava despertando nela sua debilidade e sua falta de moral como dizia sua mãe, já que estava procurando um homem de costas tão largas que sempre parecia estar a desgosto vestido de forma elegante, um homem com o cabelo negro e mechas prateadas. Não tinha visto Patrick desde que rejeitou sua petição de matrimônio e não o via entre os numerosos convidados.

Sua mãe, ao pé das escadas, voltou-se irritada.

― Sophie! ― Grunhiu.

Sophie desceu docilmente e Heloise agarrou seu pulso.

― Deixa de dar espetáculo!

Os jovens cavalheiros já estavam se reunindo ao seu redor pedindo com olhadas implorantes que concedesse uma dança. Heloise olhou ameaçadora antes de instalar-se no canto das matronas, onde só as mulheres cujo título era equiparável a sua ferocidade, tinham direito a sentar.

Sophie, despreocupada, dividiu seu tempo entre todos seus admiradores, mas era uma estupidez porque dentro de dois dias como muito, o Time ia publicar a seguinte noticia:


O conde de Slaslow anuncia suas próximas bodas com lady Sophie York, filha do marquês de Brandenbourg. A cerimônia terá lugar na igreja de São Jorge e a apresentação oficial será na sala capitular da ordem da Liga, no palácio St James.
Todo mundo se surpreenderia e se inteiraria de que a famosa herdeira já havia feito sua escolha. Em fevereiro estaria casada com Braddon Chatwin “o conde amável” como o chamavam algumas vezes. Braddon, em efeito, era amável, e seria um excelente companheiro. Sem dúvida amava mais a seus cavalos que a qualquer ser humano, mas ao menos não apostava muito nas corridas. E parecia ser capaz de dar afeto, o que era exatamente o que Sophie queria que tivesse sua união. Teriam formosos meninos, o que era importante, e ele manteria a suas amantes de forma discreta. Sim, disse, dirigindo-se para a pista de dança com seu primeiro par. Braddon era amável e não tinha defeitos importantes de modo que certamente seriam felizes.

A noite avançava e nem seu prometido nem “alguém mais” tinham aparecido. Sophie dançava com sua habitual graça e só os mais observadores entre os cavalheiros que a perseguiam notaram que não tinha sua costumeira vivacidade. Um dandi foi secamente recusado quando declarou seu amor quando era famosa por suas amáveis respostas. Dava a sensação de estaria andando sobre uma corda bamba. Deixou de procurar uns cabelos escuros com fios prateados. Para que? Ia converter em condessa e não na esposa de Patrick Foakes.

No jantar esteve acompanhada pelo filho da anfitriã, Peter Dewland, um elegante e doce cavalheiro que conhecia fazia anos. Era um alívio porque não tinha o aspecto de acreditar que a rainha de Londres ia cair em seus braços se desejasse. De fato, nunca a tinha cortejado e isso estava bem.

― Como está seu irmão? ― Perguntou ela.

O irmão mais velho de Peter tinha sido gravemente ferido em um acidente de equitação e estava três anos confinado no leito.

― Seu estado vai melhorando ― Falou Peter com um grande sorriso ― Agora está seguindo o tratamento de um médico alemão que reside na Corte ouviu falar dele? Chama-se Trankelstein. Acreditei que se tratava de um enganador mais suas massagens parecem estar dando resultado. Agora Quill pode sair do quarto e sofre menos. Passa quase todo o dia no jardim porque não suporta estar encerrado.

Sophie sorriu de verdade pela primeira vez em toda a noite.

― Isso é maravilhoso Peter!

― Sim ― Continuou ele depois de uma ligeira duvida― Posso apresentar-lhe lady Sophie. Está na biblioteca e sei que gostaria de agradecer os foguetes que você contribuiu a organizar para ele.

― Eu não mereço nenhuma gratidão ― Exclamou ― Foi o conde de Sheffield que teve a ideia. Eu simplesmente estava no Vauxhall essa noite.

O episódio se remontava a um ano atrás. Organizaram uns foguetes no jardim dos Dewland para o Quill. Sophie, rodeada por seus admiradores havia se sentido feliz ao ver as brilhantes luzes iluminando o céu.

Tinha olhado a sua queridíssima amiga Charlotte que estava ao lado do conde de Sheffield, o irmão gêmeo de Patrick Foakes, e a tinha visto apoiar-se contra a protegida pela escuridão cúmplice da noite.

No dia seguinte Sophie tinha brincado por haver-se atrevido a estar tão perto de Alex, lhe deixando que rodeasse a cintura com os braços e olhando com expressão apaixonada. Agora entendia melhor a atitude de Charlotte.

Seu corpo se converteu em um estranho para ela, estava nervosa porque o outro gêmeo Foakes não estava ali e sentia falta de uma intimidade logo que entrevista.

Sua mente a estava traindo.

Era algo humilhante e desalentador.

Deixou de castigar a si mesma e se levantou.

― Vamos ver seu irmão?

Peter afastou seu prato.

― Com muito prazer. Vou pedir a minha mãe que nos acompanhe.

Sophie assentiu, surpreendida por sua própria estupidez; certamente não era questão de que a vissem afastar-se de novo acompanhada por um homem.

A viscondessa deixou um grupo de amigos para se dirigir com eles dois para a biblioteca. Nunca poderia criticar a atitude de Sophie. A jovem tinha um bom coração, pensou.

Kitty Dewland tinha notado com um maternal sorriso, que seu querido Peter não parecia sentir-se atraído por lady Sophie e que, salvo que estivesse equivocada, o qual ocorria poucas vezes; lady Sophie parecia estar apaixonada por conde de Slaslow. Os rumores que tinha ouvido sobre um próximo enlace confirmavam essa impressão. Suspirou extasiada ao recordar a maravilhosa noite que passou quando anunciou seu próprio compromisso com Thurlow, reviveu o arrepio de prazer que percorreu seu corpo quando passeou diante do resto das jovens cujo futuro não era tão seguro como o seu.

Afastou as lembranças e entrou na biblioteca para apresentar seu filho a lady Sophie.

Quill não era como Sophie tinha imaginado. Recordava vagamente ter visto a noite dos foguetes um rosto muito pálido depois do cristal de uma janela, mas o que tinham diante estava bronzeado, muito mais que o dos jovens cavalheiros que passavam as noites jogando e os dias passeando em carruagens fechadas. Seus traços eram finos, um pouco marcados pela dor, mas era muito atraente e parecia muito inteligente.

Levantou com aparente facilidade para lhe beijar a mão, mas ela adivinhou, quando ele se deixou cair na poltrona, que havia feito um grande esforço. Ela se sentou em seguida para não o incomodar, em um pequeno tamborete ao lado da lareira.

Peter se aproximou da outra poltrona enquanto sua mãe se dirigia para o honorável Sylvester Bredbeck quem estava ali procurando repouso para seu pé afligido de gota.

Quentin olhava Sophie sem a menor confusão.

― Você está passando bem lady Sophie? ― Perguntou arrastando um pouco a voz.

Ela ruborizou ligeiramente. Podia adivinhar uma sombra de sarcasmo em sua entonação e não se sentia com humor para brincar. A realidade era que as respostas brilhantes que estavam de moda em seu ambiente, pareciam de repente haver-se apagado de sua mente.

― Não especialmente ― Respondeu com franqueza.

― Hmm… Gostaria de descansar um pouco dessa necessária alegria e jogar uma partida de backgamon?

Sophie hesitou um momento. As damas não se dedicavam a jogar nos bailes, mas ela estava acompanhada pela anfitriã em pessoa e precisava apaziguar um pouco seus nervos. Havia poucas possibilidades de que Braddon e Patrick aparecessem na biblioteca, de modo que poderia desfrutar de um breve descanso antes de voltar com outros convidados.

― Eu adoraria.

Peter ficou em pé de um salto para ir procurar uma mesinha de jogo. Sophie e Quill colocaram em silêncio suas fichas enquanto as chamas da lareira formavam sombras dançantes sobre as paredes forradas de madeira.

O jogo se desenvolveu depressa até que Sophie tirou pela segunda vez uma dupla nos jogo de dados.

Quill olhou a seu irmão com olhos brilhantes.

― Isto não foi uma boa ideia. Tem uma sorte incrível.

Sophie sorriu. Tirar duplas era uma de suas habilidades, o qual deixava louco antigamente ao seu avô quando ela era pequena. Bebeu um gole de champanha. De repente se sentia melhor, a biblioteca era um bom refugio.

Voltou tirar duplas e riu enquanto Quill se queixava, depois riu a gargalhadas quando terminou a partida com seis duplas.

Esse foi o momento que escolheram os dois homens que ela tinha estado procurando toda a noite para entrar na biblioteca. Braddon acompanhado de seu amigo Patrick Foakes.

Braddon encantado foi ao seu encontro.

Mas Patrick se deteve na porta. O cabelo de Sophie brilhava em uma mistura de tons que iam do vermelho até o dourado mais puro. Uns cachos escapavam de seu penteado parecia ser tão suaves como a seda.

Esteve a ponto de virar sobre seus calcanhares. Sophie estava rindo e brilhavam seus olhos… Até que o viu. Nesse momento seu sorriso desapareceu instantaneamente.

Braddon, depois de ter saudado o pequeno grupo, estava olhando com beatifica admiração a sua futura esposa.

Patrick se dirigiu para a lareira; não ia perder o sangue-frio por culpa de uma coquete que se negou a casar com ele para entregar-se a um homem que tinha um título. Tinha o que queria; estava comprometida com o único conde solteiro que havia nessa temporada. E tendo em conta que só restava um duque solteiro; o ancião Siskind que tinha oito filhos; Sophie tinha conseguido o prêmio gordo. A menos que Patrick se convertesse em duque.

Seus olhares se encontraram e depois ela afastou os olhos tão vermelha como a taça de champanha que tinha na mão. Braddon tinha ajoelhado no tapete e estava voltando a colocar as fichas em seu lugar contente ao comprovar que sua prometida conhecia esse jogo. Sophie se esforçou para sorrir.

De sua poltrona de respaldo alto Quill tinha visto esticar-se à encantadora lady Sophie, voltou-se para ver a causa dessa mudança.

Estendeu a mão dizendo um pouco sarcasticamente:

― Patrick, amigo, meu. Vêm me saudar.

― Quill!

Patrick esteve junto à poltrona com grande rapidez com seus olhos escuros brilhando de prazer.

― Acreditava que estava preso à cama.

― Assim era até faz uns meses.

― Tem um aspecto estupendo.

― Estou vivo ― Contestou simplesmente Quill.

Patrick se agachou diante dele.

― Lembrei-me de você quando estive na Índia e um marajá ameaçou decepar se não me ajoelhasse diante seu ídolo. Recordou-me o tirano que foi no colégio.

Sophie não podia suportar mais. Agachado desse modo, Patrick estava a sua altura, justa ao seu lado. Instintivamente admirou suas longas pernas cujos músculos se notavam através das estreitas calças, depois se voltou, nervosa como um cervo e se afastou do tanto como permitia seu assento.

Patrick, que tinha descoberto que ela ainda tinha o poder de comovê-lo, estava começando a sentir-se incômodo. Seu suave perfume excitava o olfato, uma fragrância inocente e ligeira como a da flor da cerejeira. Seus sentidos estavam começando a arder. Tinha desejo de tomar Sophie nos ombros e levá-la a um dormitório.

Levantou-se, sério, e baixou o olhar para ela.

― Ao seu serviço, lady Sophie ― Disse inclinando-se ― Me perdoe, não a tinha visto.

Ela avermelhou. É obvio que a tinha visto. Estava petrificada pelo olhar dele e se limitou a fazer um gesto com a cabeça; era incapaz de emitir um só som.

Estava tão atraente como no mês anterior, salvo que a expressão de ternura tinha sido substituída por uma cheia de ironia. Seus cabelos continuavam em desordem, como estava de moda em Londres, mas ele devia ter cavalgado ao ar livre e não usava produtos cosméticos. Eram negros como o ébano e tinham umas mechas prateadas como se a lua os tivesse acariciado.

Controlou-se dizendo que parecia uma mulher recém-saído do convento sob o olhar de um libertino. E a viscondessa Dewland, embora continuasse falando com Sylvester Bredbeck, estava os olhando atentamente.

Sophie se levantou com graça e dirigiu um sincero sorriso a Quill. Este se levantou sua vez ajudando-se com o braço da poltrona.

Fez-lhe uma reverência.

―Rogo que não se levante.

Era comovedor ver Quill com o rosto crispado pela dor.

― Eu adoraria voltar a vê-la, lady Sophie. Conceder-me-á você a revanche o dia que minha sorte melhore?

― Com muito prazer.

―Voltou-se para Peter e deu de presente um brilhante sorriso. Depois olhou friamente a Patrick e logo se dirigiu sossegadamente para Braddon.

― Milorde.

Braddon lhe ofereceu seu braço, ela o aceitou e atravessaram juntos a sala. Os delicados sapatos prateados de Sophie pisaram nas flores escarlates do tapete persa. Ela era terrivelmente consciente dos olhares dos dois homens que a seguiam. Quill, ainda de pé e Patrick, com um semi sorriso cínico que dava desejo de atirar um vaso à sua cabeça.

Não olharei a esse infame sedutor, disse a si mesma. E conseguiu.

Patrick por sua parte a olhava afastar-se para anunciar seu compromisso com uma raiva que o consumia. Teria gostado de atravessar a biblioteca, agarrá-la em seus braços e arrebata-la de Braddon.

Estava seguro de que só necessitaria um momento para que Sophie se transformasse na tremula mulher que o tinha abraçado, essa mulher cuja emoção parecia ser tão real que, de não ter sabido era uma criatura tão frívola tivesse podido… Tivesse podido o que?

Peter estava se desculpando para voltar para salão de baile, mas Patrick não fez gesto de segui-lo. Deixou-se cair no tamborete abandonado por Sophie e brincou distraidamente com as fichas de backgamon. Quando voltou a levantar os olhos, topou com o atento olhar de seu amigo.

Quentin sempre havia possuído um perfeito domínio de si mesmo, inclusive quando ambos estavam no colégio. Nessa época Patrick se enfurecia frequentemente e se lançava sobre seu irmão para brigar, mas Quill só expressava seu aborrecimento com algumas palavras bem dirigidas.

Apoiou-se no respaldo de sua poltrona de couro e fechou os olhos.

― Equivoco-me ou Braddon já te levantou uma de suas amantes, uma atriz ruiva? ― Perguntou sem a menor malícia.

― Arabella Calhoun. O verão passado. Ainda é sua amante. Lady Sophie ― Acrescentou Patrick com uma espécie de raiva ― Nunca foi uma de minhas amantes. Propus matrimônio a ela e me rejeitou.

Quill voltou a abrir os olhos.

― A você?

Sob o olhar divertido de seu amigo, Patrick relaxou um pouco e acabou por sorrir.

― Confesso que foi um duro golpe.

― Em efeito, com todas essas mulheres que o perseguem… Peter me mantém a par das fofocas. Das bodas de seu irmão; faz já um ano? Parece ser que se transformaste no menino mimado da alta sociedade.

―Não.


― Foge com cuidado das jovens casadoiras. Na Índia ficou tão rico que é quase uma vulgaridade ― Acrescentou maliciosamente Quill.

― Jogamos?

― Derrotado pela formosa Sophie York! Tenho que pedir a minha mãe que a convide para tomar chá.

― Vai estar muito ocupada em um futuro próximo ― Disse Patrick com indiferença ― Suponho que neste momento devem estar recebendo as felicitações de todos.

―Tão longe chegou?

― Sim. Não é tola Quill; simplesmente procurava um título.

― Desgraçadamente Braddon é completamente estúpido. Cansará dele antes de um mês.

― Jogamos? ― Repetiu Patrick com impaciência.

― De acordo.

Depois das pesadas portas de carvalho a festa estava em seu apogeu, mas na biblioteca só se ouvia o ruído do jogo de dados ao se chocar contra a madeira. Um busto de Shakespeare vigiava de acima as cabeças inclinadas dos dois amigos.

Depois da terceira partida, Patrick rompeu o tranquilo ambiente. Dirigiu a seu amigo um cáustico olhar.

― Devo ir dar parabéns ao feliz casal?

Quentin permaneceu imperturbável.

― Vou retirar-me, esgotou-me com seus problemas.

Levantou-se, apoiou-se um momento no alto respaldo de sua poltrona dizendo:

― Estou muito contente de que tenha retornado do Oriente, Patrick.

― E eu sinto muito o desse condenado cavalo.

Quill sorriu.

― Certamente não monto muito bem. Espero voltar a vê-lo logo.

Os dois homens abandonaram a biblioteca juntos, um cheio de força e agilidade e o outro com os músculos duros que se negavam obedecer as suas ordens.

Quill atravessou o corredor para o refúgio de seu dormitório enquanto que Patrick ia em direção contrária para uma mulher inalcançável.

Capitulo 4
Os lacaios estavam de pé a ambos os lados da entrada de mármore quando Patrick desceu da biblioteca. A mansão estava ficando vazio de convidados quando uma hora antes tinha estado cheia com o rumor das conversas, o ruído dos sapatos no parquet e o som dos instrumentos de música.

No salão de baile, as velas dos spots ainda ardiam, mas as do candelabro central estavam quase apagadas. A imensa sala parecia uma caverna com alguns grupos aqui e lá que estavam esperando que amanhecesse aqueles que consideravam que uma festa era um fracasso voltavam para suas casas antes das seis da manhã.

Certamente, ela já se foi. Lady Sophie York nunca estava entre os noctâmbulos; não estava na moda. O correto era ir antes que aparecessem os primeiros bocejos, antes que os mais atrasados estivessem muito bêbados. Mas Braddon… Braddon nunca tinha sabido quando era apropriado despedir-se, o pobre estúpido.

Patrick não custou o encontrar, derrubado em uma poltrona gesticulando enquanto falava com alguém a quem Patrick não podia ver. Certamente estariam falando de cavalos, pensou Patrick com uma onda de simpatia para seu amigo. O querido Braddon. Era uma pena que a Inglaterra fosse tão pequena e que as mulheres tivessem que escolher entre homens que se conheciam dos seis ou sete anos, nos corredores do colégio.

Apressou o passo quando por fim pôde ver o interlocutor do Braddon.

― Alex!


O nome ressoou na quase deserta habitação.

Seu gêmeo o recebeu com um sorriso.

― Estava te esperando. Um chateio, Braddon se lançou a uma de seus divagações cujo segredo só ele conhece.

Patrick sentou ao lado de seu irmão, subitamente tranquilizado. Inclinado para frente, Braddon brilhavam os olhos e o queixo tremia de excitação.

― Não são invisíveis, Patrick, é a realidade. Por fim minha vida esta completa e cheia.

Sorriu e cruzou as mãos sobre seu colete bordado.

― Felicidades ― Disse brandamente Patrick.

Braddon não pareceu notar a ameaça que havia na voz de seu amigo e continuou entusiasmado:

― Deus, é magnífica! Os mais formosos quadris que jamais vi e seus seios… São como… Como…

Faltavam as palavras e certamente não era a primeira vez que acontecia.

― São formosos e enormes para alguém de sua estatura.

Patrick tinha suores frios e fechou os punhos. Estava a ponto de golpear a esse caipira.

― Encontrei-a no estábulo ― Continuava dizendo Braddon sem reparar em sua expressão assassina ― Encurralei contra a porta, belisquei-a um pouco e… Deus! Nunca tinha experimentado…

Cortou-lhe o fôlego já que uma mão de ferro o tinha agarrado pela gravata e estava estrangulando. Calou-se com a boca ainda aberta sem fazer um só movimento de defesa.

Patrick se deu conta de repente de que não tinha nenhum direito de castigar a um homem por tocar a sua futura esposa. Soltou Braddon e as molas da poltrona protestaram ruidosamente sob os cem quilogramas de peso deste.

Fez-se o silêncio na imensa sala. Os poucos convidados que ficavam foram alertados pelo ruído da poltrona e estavam espectadores como cães cheirando uma presa. Suspeitavam que algo estivesse acontecendo.

― Braddon estava falando de sua nova amante ― Disse Alex com voz alta e clara.

Braddon parecia estar completamente desorientado.

― Acreditava que não se importava com Arabella, Patrick disse em tom de queixa Devia ter me dito antes que se preocupava com ela.

Patrick voltou a sentar e se obrigou a relaxar-se.

― Da próxima vez pergunta ― grunhiu.

O pequeno grupo do outro extremo do salão fez um círculo para comentar o que tinham visto. Todo mundo conhecia a antiga amante de Patrick Foakes, a atriz Arabella Calhoun e sabiam que agora estava sob a proteção do conde de Slaslow. Era interessante, mas ninguém pensava que isso pudesse incomodar Patrick Foakes absolutamente.

Inclusive se dizia que Foakes tinha pago o alojamento de seis meses da mulher e enviado depois uma cópia da fatura a Slaslow com umas palavras o felicitando. Mas como a disputa parecia ter terminado, os últimos convidados começaram a dirigir-se para a porta para ir beber outra taça antes de deitar-se.

Braddon estava muito surpreso pelo insistente olhar de Patrick que não lhe tirava os olhos de cima.

― Bom amigo ― Se defendeu um pouco indignado ― Faz um ano que a mantenho, não pode ter acreditado que ficaria com ela para sempre. Dava uma pensão para seis meses e enviei um colar de esmeraldas. Que mais quer Patrick? O que me case com ela?

Patrick abriu a boca e a voltou a fechar. Foi Alex quem, tranquilamente, tomou a palavra.

― Eu gostaria que me falasse da tal Madeleine. Onde a conheceu?

O olhar desconfiado de Braddon ia de um gêmeo a outro.

― Não conhece Madeleine não é? É minha e somente minha Foakes!

Patrick sorriu ironicamente.

― Já compartilhamos mulheres, muitas mulheres Braddon não te parece?

― Arabella era uma coisa, mas Madeleine é algo diferente. É somente minha e para sempre.

― Curioso ― Fez notar Alex.

Braddon se voltou para ele, agressivo como um cão vigiando seu osso.

― Nada disso! Meu próprio pai manteve a sua amante durante trinta e seis anos, sei por que ainda pago suas faturas. E não me importa já que ela é bastante amável. E, além disso, era formosa, ao contrário de minha mãe. Às vezes vou tomar o chá com ela e falamos de meu pai.

― Mas sua mulher, sua futura esposa, é muito formosa ― Objetou Alex.

― Não é o mesmo.

Braddon falava completamente a sério. Estava tentando explicar o que tinha pensado desde que seu pai lhe apresentou à senhora Burns. O anterior conde de Slaslow exigiu que tratasse com o maior respeito a essa mulher e olhou enfurecido quando não saudou o bastante rápido a sua amante. Então Braddon havia feito uma reverência como se estivesse em presença do rei Jorge.

Logo tinham sentado os três para tomar o chá e tinha admirado a luxuosa decoração e os jardins que se viam através das portas janelas. Ao fim viu, em cima do piano, a foto de um menino pequeno… Seu meio-irmão. O menino tinha morrido aos sete anos, disse a senhora Burns. Depois desta confissão, o conde se aproximou dela e tinha posto as mãos sobre os ombros.

Braddon compreendeu, sem experimentar nenhum rancor, que seu pai tinha querido a esse filho, mas que ele e a suas irmãs, e que amava à senhora Burns e não a sua esposa.

Tinha pensado muito; coisa que não estava acostumado a fazer; e tinha chegado à conclusão de que a relação que seu pai tinha com a senhora Burns era exatamente o que queria para si mesmo.

De modo que quando seu pai estava agonizando, fez sair a todo mundo do quarto e fez passar em segredo à senhora Burns. Antes de abandonar ele também o dormitório, olhou-a, sentada na cama, inclinada sobre o moribundo e este, que desde por volta de dias não tinha pronunciado uma só palavra, murmurou: “meu amor”. Morreu essa mesma noite sem dizer nada, mas Braddon tomou uma decisão.

Certamente se casaria como desejava a bruxa de sua mãe e teria filhos. Até esse momento tinha feito três propostas de matrimônio e só a última dela tinha coalhado. De modo que esse aspecto de sua vida já estava arrumado. Mas agora queria uma senhora Burns, uma senhora Burns para ele sozinho.

E milagrosamente acabava de encontrá-la.

― Chama-se Madeleine. Senhorita Madeleine Garnier ― Disse à defensiva se por acaso Patrick já tinha tentado seduzi-la ― Conhece-a?

Patrick parecia estar divertido agora, e Braddon se tranquilizou.

― Nunca tinha ouvido falar dela. Não tenho nada haver com ela, palavra de honra.

Em qualquer caso, não com Madeleine, acrescentou para si, coisa que Alex adivinhou sem necessidade que dissesse. O problema com os gêmeos era que não podiam esconder nada um do outro.

Patrick esclareceu garganta.

― Conhece essa Madeleine há muito tempo?

Braddon franziu os lábios

― Senhorita Garnier, por favor, ― Corrigiu ― Não, conheci-a recentemente. É justamente o que estava comentando com Alex quando você chegou. Coisas do destino. Por fim encontrei uma esposa apropriada com o qual minha mãe está no sétimo céu, e a minha Madeleine. Eu gosto da ideia de me casar com Sophie York. Tem caráter. Possivelmente consiga afastar a minha mãe. Brigaram e minha mãe se negará a voltar a pôr os pés em minha casa.

Estava feliz.

― Mas terá que se acostumar a sua mãe ― Ironizou Patrick.

Caía bastante bem a temível marquesa de Brandenbourg, mas ia aterrorizar ao pobre Braddon.

Este estremeceu.

― Não estarei ali muito frequentemente. Estou pensando em comprar uma casa para Madeleine em Mayfair. O que você acha?

Patrick sentiu que de novo se apoderava dele a cólera.

― Não pode fazer algo assim! ― Ladrou ― Sua casa é em Mayfair. Melhor seria pôr à senhorita Garnier no Shoreditch.

― Não! ― Respondeu Braddon apertando os dentes ― Não me envergonho dela.

― Não se trata disso ― Interveio Alex ― Não quererá ferir sua esposa. Quando lady Sophie for sua mulher pode chegar a encontrar-se com Madeleine.

― Por isso escolhi Sophie York ― Declarou Braddon triunfante ― Ela sabe como são as coisas e não se incomodará. A verdade é que quero apresentar as duas depois de um tempo.

Patrick não entendia nada. A única explicação possível é que seu amigo tinha perdido a cabeça. O que outra razão havia para que quisesse uma amante tendo Sophie?

E que seria de Sophie quando o idiota de seu marido passeasse pela cidade com sua amante? Sentiu um tombo no coração.

― Ultimamente cheguei a conhecer bem Sophie York ― Disse Alex ― É a melhor amiga de minha mulher e eu não diria que é uma mulher que saiba nada disso, de fato é especialmente ingênua para ter sido apresentada em sociedade faz dois anos.

― Ora! ― Disse Braddon impaciente ― Com certeza ouviu o que dizem dela. Maldição, se parecer que a beijaram todos os homens de Londres! O certo é que dá no mesmo para mim. Mas embora fosse ingênua, sabe muito bem como é o matrimônio; tem o exemplo de seu pai diante de seus narizes; e além não penso me comportar como ele. Minha Madeleine não terá vontade de sair, não é seu estilo, de modo que não dançarei com minha amante diante de minha mulher e de nossos amigos. Vejo mas bem uma tranquila vida de família. Procurarei não ferir Sophie e não ser muito exigente. Eu farei minha vida assim que tenhamos um herdeiro e seremos bons amigos. Depois de tudo às mulheres não gosta de muito que seu corpo se disforme por sucessivas gravidezes. Com um pouco de sorte teremos gêmeos a primeira e depois já não teremos que voltar a nos preocupar com o assunto. Não te parece que é um plano genial Patrick?

Este, assombrado, absteve-se de fazer comentários.

Braddon fez uma careta.

― É como o cão de hortelano Patrick. Como o cão de hortelano! Cansou-se da Arabella. Maldição! Foi deixando-a em minha casa sem se despedir sequer. E voltou seis dias depois. Seis condenados dias! O que queria? E, além disso, se então não se preocupava por que te incomoda agora que a eu deixe?

― Por que demônios teria que me importar? ― Fulminou-o Patrick ― Não tem nada haver com a Arabella!

Braddon ficou em pé de um salto e deu uns passos nervosos.

― Então porque está zangado comigo? Que mais te dá se tomo uma amante posto que não conhece Madeleine?

Patrick entrecerrou os olhos.

― Preocupo-me com o modo em que trata Sophie York ― Disse escolhendo cuidadosamente as palavras.

― Verdadeiramente é o cão de hortelano! ― Explodiu Braddon ― Sei que não pediu sua mão. Ouvi dizer que a tinha beijado e que depois não pareceu o bastante boa para você. Bem, pois eu não compartilho seu ponto de vista, Patrick Foakes. Sophie é o bastante boa para mim.

Inclusive o rosto de Braddon podia expressar dignidade quando lhe provocava, pensou Alex divertido.

Patrick se levantou de repente.

― Estúpido idiota! ― Gritou ― Pedi sua mão! Pedi!

Fez-se um silêncio durante o qual Braddon mordeu o lábio inferior, incrementando assim seu parecido com um buldogue.

― Ofereceu-lhe matrimônio? Você? E ela te rejeitou?

Patrick voltou a sentar-se com um suspiro. Como podia continuar zangado com um cretino como esse?

― Exatamente. Fui a sua casa no dia seguinte às dez da manhã depois de ter bebido uma taça de brandy para que me desse coragem. Arrumei o assunto com seu pai, mas com ela não funcionou.

Sentiu uma onda de ternura ao recordar os enormes e indecisos olhos de Sophie. Ela não tinha esperado sua visita, evidentemente; o qual dizia muito a favor do Patrick. Mas estava ali declarando suas intenções, e o rechaçou. Realmente não queria saber por que razão o fez.

― Não posso acreditar! ― Murmurou Braddon ainda surpreendido ― Eu, Braddon Chatwin, roubei uma mulher de um dos irmãos Foakes. Arabella não conta suponho ― Acrescentou antes de olhar ao Alex ― Recorda quando voltou da Itália e te falei da mulher mais formosa de Londres com a qual queria me casar? Duas semanas depois estava comprometido com ela.

Alex explodiu em gargalhadas.

― Minha esposa, efetivamente. Devo-lhe isso tudo Braddon ― Disse ironicamente.

― Sophie York recusa Patrick e aceita casar-se comigo? ― Repetia Braddon alucinado.

Um pouco mais e se pôs a dar saltos de alegria. Patrick levantou os olhos ao céu.

― Senhores ― Disse Alex ― Por mais apaixonante que seja esta conversa, já é hora de que eu volte para minha casa.

― Para que não briguem? ― Zombou Patrick.

Alex lhe respondeu com um sorriso.

― Charlotte se preocupa se voltar tarde e Sarah às vezes ainda tem que mamar pelas noites.

― Puaj! ― Interveio Braddon ― Não entendo como consente que sua mulher ela mesma alimente a sua filha Alex. É repugnante.

Franziu o cenho, sinal seguro de que estava pensando.

― Nunca permitirei que minha Madeleine faça algo assim, garanto isso. Não quero que se converta em uma vaca leiteira.

― Prefiro não me dar por informado de que acaba de chamar a minha esposa de vaca leiteira ― Murmurou Alex cruzando um olhar com o Patrick ― Verei-te no jantar de amanhã?

― É obvio! ― Cortou Braddon ― É meu padrinho de modo que tem que assistir ao jantar de compromisso.

Patrick deu de ombros.

― Por que não? Tenho vontade de ver minha sobrinha criada aos seios de sua mãe.

― Puaj! ― Repetiu Braddon ― Espero que Sophie não queira alimentar a seus filhos. Não permitirei. Não em minha casa. É asqueroso!

Alex lançou um olhar de advertência ao seu gêmeo.

Patrick estava fervendo de ira, mas seguiu o conselho silencioso de seu irmão. O modo em que Braddon pensava tratar a sua mulher não era coisa dele.

― Bem ― Declarou este alegremente puxando para baixo seu colete ― Você gostaria de saudar a Arabella um dia destes Patrick? Agora esta atuando em ao Duke´s Theater e estou seguro de que adoraria te ver outra vez. Faz da Julieta. É um bom papel para ela não? Embora seja incapaz de morrer de amor. Sabe que quando rompi com ela me enviou uma indiferente nota onde dizia que eu era sua vida e sua alegria ou um pouco igualmente estúpido e que já que minha paixão por ela se apagou, ela tinha uma grande necessidade de segurança? Conclusão: queria que comprasse uma casa para ela.

Patrick ia andando diante dele.

― Fará? ― Disse por cima do ombro.

Houve um silêncio e Patrick o olhou divertido.

― É uma boa presa não?

Caminhou mais devagar para que seu amigo o alcançasse.

― Me avise quando tiver encontrado uma casa que goste. Compartilharei o gasto contigo.

Seus passos ressonavam no silêncio. O visconde e a viscondessa se retiraram e só ficava um lacaio de olhos cansados para lhes desejar boa noite.

― Posso pagá-la sozinho ― Contestou Braddon.

―Sei, mas eu gostaria de colaborar de todas as formas.

Braddon lhe olhou com curiosidade.

― De modo que é certo que voltou da Índia rico como um nabab.

Patrick afastou o cabelo da cara com um movimento da cabeça.

― Meu pai enviou ao Oriente sozinho, e sem meu irmão já não sentia vontade de fazê-lo de tolo, de modo que aconteceu de forma natural.

Isso era certo. Agarrou-lhe o gosto ao tranquilo ritmo das negociações com os hindus.

Encontrar boas rotas, conseguir peças raras, vigiar o carregamento de jaulas de pássaros, de sedas tão finas que se rasgavam ao menor arranhão, caixas de plumas de perus reais. Tudo isto lhe tinha gostado de muito. Correu alguns riscos, mas foi amplamente recompensado. De fato sua fortuna só era comparável a de alguns privilegiados entre os que se encontrava seu irmão. Os cavalheiros como Braddon cujos lucros financeiros se limitavam a criar cavalos de corridas, eram uma raça em vias de extinção.

Alex subiu a sua carruagem. Patrick renunciou a sua ideia de dar uma volta até a entrada de atores do Duke´s Theater e ao final se despediu de seu carro. Permaneceu na deserta rua vendo como este se afastava.

Começou a cair uma fina chuva, o ar cheirava a pó e a excremento de cavalo; fechou-se bem a capa e caminhou dando passo longos pela calçada. Andar lhe relaxava e o nó que tinha no estômago desapareceu.

Patrick tinha passeado pelas cansativas ruelas de Cantão e sob as arcadas de Bagdá. Tinha descansado em povos de montanha no Tibet. Um dia, em uma rua de Lhassa, ouviu um coro de bengalis, uns pequenos pássaros que logo trouxe para a Inglaterra e que se converteram em moda em Londres.

Continuava sem precisar dormir muito e frequentemente as ideias ocorriam enquanto andava. Mas agora, em vez de pensar, via-o todo negro. Só recordando a suave curva do seio de Sophie York sentia que se esticava de desejo. Continuou andando tentando afasta-la de sua mente.

Maldição! Ele tinha uma amante na Arábia como se chamava? Perliss. Até que um pachá se enamorou dela e ela dele. Em poucas horas se transformou em uma esposa respeitada; a vigésima quarta ou a vigésima quinta. Isso não a incomodou, nem sequer quando em um primeiro momento sentiu falta dos talentos e as longas pernas de Perliss.

Mas Sophie simplesmente a tinha beijado. E uma só vez antes a tinha abraçado, mas isso foi quando sua cunhada se debatia entre a vida e a morte no quarto continuo. Essa noite, ele se emocionou embora ela não se desse conta. Chorava com todas suas forças pela sorte de sua amiga, e Charlotte sobreviveu.

Patrick tomou com calma. Sophie voltou com sua família um dia depois do nascimento do filho de Charlotte. Como sedutor convencido, não a seguiu preferindo esperar a que a nobreza começasse a voltar para Londres no fim de novembro.

Mas então, quando ele transformou à Bela Adormecida em uma sensual criatura que se aconchegava em seus braços, o tinha rejeitado. Não é que ele tivesse realmente gana de casar-se, é obvio, mas em vista das circunstâncias…

Passaram as semanas e não tinha conhecido a nenhuma outra mulher depois de sua fracassada oferta de matrimônio. Não deixava de pensar em Sophie York. disse que só se tratava de frustração sexual. Se tivesse um pingo de sentido comum se dirigiria ao Duke´s Theater para ver se Arabella aceitava passar umas horas em sua cama em lembrança dos bons velhos tempos.

Mas suas pernas não o obedeciam e o levavam diretamente para sua casa. Demônios se deixava que Sophie se casasse com Braddon! Teve uma odiosa visão: Braddon tirava o colete bordado e se preparava para cumprir com seu dever conjugal. Só até que tivesse um filho.

O que ia fazer Sophie depois? Transformaria-se em uma dessas damas desiludidas que escolhia seus amantes entre os maridos de suas amigas ou se deitavam com o jardineiro.

Ao fim chegou a sua casa, mas o passeio não tinha operado sua magia desta vez. Ainda tinha um nó na garganta e os punhos apertados.

A noite do compromisso…

Subiu lentamente os degraus do alpendre, passou por diante do mordomo que se precipitou imediatamente depois à zona dos criados para meter-se na cama. Patrick entrou em seu quarto e se despediu de seu ajudante de câmara.

O jantar que celebrava Charlotte em honra de Sophie.

Falarei com ela ― Pensou.

Falar? Séria melhor dizer que tinha desejo de acariciar os botões rosados de seus voluptuosos seios e apertá-la contra ele em um sensual contato de delicadas curvas e um musculoso corpo que estavam feitos um para o outro.

Terei-a, disse-se. Terei-a e ponto.


Essa noite lorde Breksby foi se deitar muito contente consigo mesmo. Cruzou os braços por cima de sua cabeça coberta com um gorro.

― Já vê querida ― Anunciou a sua adormecida mulher ― Às vezes acredito que sou um gênio.

Lady Breksby respondeu com um grunhido de modo que ele decidiu dormir. Ele sonhou com cetros com rubis incrustados e ela com roseiras trepadoras.

Patrick sonhou que dançava com Sophie levando uma insígnia de duque.

Sophie sonhou que beijava seu futuro marido, Braddon Chatwin que de repente se transformava em coelho e se afastava dando saltos. Ela se sentiu mais bem aliviada.

Alex não sonhou. Estavam saindo os dentes de Sarah e passou a metade da noite chorando.

― Temos que nos felicitar porque tenha bons pulmões ―Disse sua esposa às três da manhã.

Alex suspirou e voltou uma vez mais ao quarto da menina.

Se o conde de Sheffield sonhou acordado que embarcava em companhia de seu irmão com destino ao Império Turco, afastando-se da empapada criatura que tinha nos braços, quem tivesse podido reprova-lo.



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