Tiamat World Prazeres Noturnos



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Capitulo 9

Na outra ponta do corredor, a mãe de Sophie estava sentada muito reta em sua majestosa cama. Heloise dormia sozinha desde que descobriu seu marido nos braços de uma das donzelas, dois meses depois de suas bodas. Proibiu categoricamente seu acesso a seu dormitório e o marquês assentiu a contra gosto. Após os únicos ruídos que turvavam seu sonho eram os de seu marido quando voltava na metade da noite.

Puxou o cordão de veludo situado na cabeceira. A marquesa odiava incomodar aos criados a horas inoportunas mas normalmente dormia como um tronco, sinal de que tinha a consciência tranquila como dizia seu marido em tom de recriminação. De modo que se tinha despertado ferrosamente tinha que ter sido por uma boa razão. Tinha ouvido uma espécie de ofego e logo um grito; estava segura. Possivelmente estivessem roubando a alguém sob a janela de sua casa e se sentia obrigada a ir em ajuda do desventurado.

Voltou a chamar.

Por fim apareceu sua donzela um pouco assustada e bastante despenteada. Fez uma reverência bastante pouco convencional.

―Sim milady?

― Ouvi um ruído! ― Declarou Heloise friamente ― Diga a Caroll que vá ver imediatamente o que esta acontecendo na rua.

A criada fez outra reverência antes de desaparecer. Heloise se manteve imóvel olhando fixamente o dossel rosa da cama. Uma espantosa ideia passou por sua mente. E se seu marido tinha decidido trazer mulheres a Brandenbourg House? Agora que pensava tinha parecido ouvir a voz de uma mulher. Sim, era uma mulher. Isso lhe recordou o dia que a segunda donzela começou a trabalhar no vestíbulo sem avisar; Heloise ainda se zangava ao pensar nisso. A duquesa de Beaumont acabava justamente de chegar para tomar o chá e isso supôs uma humilhação que recordaria até o dia de sua morte.

Pensar na duquesa a levou a acordar-se de Braddon Chatwin quem segundo parecia recordar tinha algum tipo de parentesco com ela. O homem era educado, um pouco tolo, de acordo, mas que homem não era? E pertencia a uma boa família. Seria muito agradável ter uma relação próxima com a duquesa de Beaumont.

Ouviu passos apressados no corredor.

―Milady miúda historia! Caroll encontrou uma escada colada ao muro da casa no jardim.

Interrompeu-se pensando que era melhor que o mordomo fosse quem dissesse à marquesa que a escada estava apoiada justo debaixo da janela de Sophie.

Heloise, depois de colocar a bata com decisão, dirigiu-se ao hall e depois aos aposentos de seu marido. Estava segura de que a escada ia dar diretamente à janela de seu marido. Até aí tinham chegado as coisas: o marquês levava mulheres a seu dormitório subindo por uma escada do mesmo modo que um vulgar libertino teria se metido em um bordel.

Assim se viu totalmente desconcertada quando encontrou a seu marido dormindo placidamente e completamente sozinho. Se por acaso fosse pouco, a janela de seu dormitório estava fechada e por sua maneira de roncar devia ter bebido muito. Era evidente que não esperava visitas.

Aproximou-se para despertá-lo.

― Temos ladrões George. Ladrões.

O marquês se levantou de um salto com uma mecha de cabelo caindo sobre os olhos. Heloise se sobressaltou George tinha envelhecido sem que ela se desse conta? Seu cabelo negro tinha agora mechas brancas e recém-despertado tinha o aspecto de um ancião. Mas suas pernas ainda eram longas e musculosas, constatou quando ele se levantou para colocar algo em cima. Aparentemente seguia dormindo sem camisola.

Dirigiu-se ao vestíbulo e se precipitou para a parte traseira da casa. Caroll a reteve segurando seu braço.

― Milorde…

Algo em seu tom congelou o sangue do marquês.

―A escada ― Continuou o mordomo ― A escada ficou debaixo da janela de lady Sophie.

― A escada ficou ― Repetiu o marquês perplexo ― ficou? Não pode falar inglês como todo mundo Caroll?

O aludido se absteve de recorda-lo de suas origens francesas e se limitou a responder com firmeza:

― A parte alta da escada está apoiada contra o quarto de lady Sophie, milorde ― Acrescentou com certa satisfação ― A janela está aberta.

George permaneceu um instante boquiaberto.

― Sua janela está aberta?

― Aberta ― Confirmou o mordomo ― Parece que lady Sophie fugiu milorde.

― Fugido…

Caroll assentiu energicamente com a cabeça. A marquesa estava seguindo os passos de seu marido, e o mordomo não queria ter que ver-se com ela quando se inteirasse da notícia.

― Deveria ir ver se lady Sophie deixou alguma nota milorde ― Concluiu antes de desaparecer pela porta de serviço.

Chegou à zona dos criados bem a tempo para reprimir uma gargalhada geral. A marquesa era tão severa quanto às aparências que era hilariante imaginar a sua filha fugindo na metade da noite.

Ordenou a todos que não falassem do assunto, sem esperar realmente que lhe obedecessem, e enviou a todos à cama comprovando que os dezessete lacaios estavam em seus dormitórios. Todos eles eram muito atraentes e se lady Sophie fugiu com um deles, Caroll nunca tivesse podido superá-lo.

Durante esse tempo o marquês tinha permanecido como pregado no lugar em meio do vestíbulo.

Sua esposa se reuniu com ele levando uma vela na mão e coberta com uma bata de lã que a tampava da cabeça aos pés.

― E bem? ― Perguntou de maneira agressiva ― De que se trata George.

Seu marido levantou a cabeça.

― Foi-se. Caroll diz que Sophie fugiu. Nossa pequena Sophie…

Sem dúvida pela primeira vez em sua vida, a marquesa abriu a boca de um modo muito pouco elegante.

― Não!

― Esta escada estava diante de sua janela e a janela está aberta ― Disse ele tristemente ― Suponho que não haverá algum modo de tampar o assunto verdade?



Heloise voltou a fechar a boca.

― É impossível ― Murmurou ― Ela nunca nos teria feito algo assim. Que vergonha!

― Acredita que fomos muito indulgentes com ela? ― Perguntou George decomposto ― Às vezes pensei em dizer algo sobre seus vestidos, mas logo pensava que estava ficando velho e que minhas ideias estavam passadas de moda.

―Tolices! ― Replicou a marquesa sem muita convicção.

Dirigiu-se para a escada e se voltou.

―Vem George. Temos que olhar e ver se deixou alguma nota. Ao melhor não estão muito longe e poderíamos os alcançar.

O marquês subiu docilmente os degraus atrás dela e percorreram juntos o corredor coisa que estavam há vinte anos sem fazer.

Heloise se deteve um momento diante da porta antes de entrar no dormitório de sua filha. A janela, em efeito, estava aberta e a brisa noturna movia as cortinas. O quarto estava sumido na escuridão.

― Vê alguma nota? ― Perguntou George.

Ela se dirigiu com a vela para a mesinha de noite. Nada. Nada tampouco em cima da lareira. Voltou-se para continuar a busca, mas George estava muito calado e ela afogou um grito. O sopro apagando sem querer a vela. A única luz provinha agora dos candelabros do corredor que Heloise tinha ido acendendo ao passar.

― Temos que encontrá-la o mais rápido possível ― Declarou.

Agarrou a sua esposa pelos ombros e a empurrou para a porta. Ela teve a sensação de ser um montão de roupa suja, sensação que se viu reforçada quando George, em sua pressa, fez-a se chocar contra a ombreira da porta.

Uma vez no corredor se soltou de uma sacudida.

― Que demônios acontece milorde?

O marquês suspirou. Já se tinha terminado o “George”. A guerra havia tornado a começar.

―Temos que nos vestir e partir imediatamente Heloise. Se nos apressar temos uma oportunidade de encontrá-los esta noite ou amanhã, antes que atravessem a fronteira. Sabe, fazem falta ao menos dois dias para chegar a Escócia.

― Mas quem é ele? ― Gemeu Heloise ― Alguma vez proibi a Sophie que escolhesse marido se por acaso mesma, de modo que por que ia fugir? Por que não deixou nenhuma nota? Seguro que me tem escrito algo.

Estava dirigindo-se de novo ao quarto de sua filha, mas George a pegou pelo braço com firmeza.

― Não temos tempo Heloise. Vá se vestir. Se a encontrarmos a tempo, poderemos fingir que simplesmente voltamos de uma festa que terminou muito tarde.

Arrastou-a ao seu dormitório.

―Toma, ponha isto.

Agarrou um vestido ao azar do armário de Heloise; esta olhou o vestido de baile de cor açafrão.

― Não posso.

Embora sua esposa fosse uma das mulheres mais estiradas de Londres, pensou George, qualquer podia ver que estava à beira das lágrimas.

―Sim, que pode.

Soltou-lhe o cinturão da bata e a tirou. Heloise instintivamente se levou as mãos ao pescoço de sua camisola.

― Tem cinco minutos ― Continuou ele em um tom que não admitia réplica ― Vou fazer que preparem o carro e quando voltar quero te encontrar pronta para sair.

Ela assentiu em silêncio.

Quando ele voltou ela pôs um vestido de sarja azul com botões nas costas que não tinha podido fechar sozinha.

― Não! ― Protestou ele. Tem que te pôr um vestido de baile. Só é uma e meia da madrugada Heloise. Tem que parecer que voltamos de uma festa.

George fez que o vestido deslizasse por seus ombros deixando ao descoberto a branca pele de sua garganta. Ela recuou.

― Saia e me vestirei ― Disse com voz um pouco velada.

Um irônico sorriso se desenhou nos lábios de George.

― Sabe Heloise que nunca havia tornado a pôr os pés nesta aposento desde que Sophie nasceu? Convidou-me para ver a menina, só cinco minutos é obvio, e depois nunca mais.

Seus olhares se encontraram e depois ele se retirou aos seus aposentos.

Heloise colocou o vestido de baile e arrumou o cabelo como pôde, depois foi à salão do lado onde George fechou os botões das costas sem dizer nada.

Caroll saiu de entre as sombras.

― A marquesa e eu vamos a uma reunião ― Explicou George ― Gostará de saber, Caroll, que se preocupou por nada. Lady Sophie esta tranquilamente em sua cama.

O mordomo fez uma reverência murmurando que estava encantado com a notícia. Abriu a portinhola da carruagem e os marqueses subiram ao rapidamente.

Ele tinha vontade de lhes perguntar onde iam a essas horas da noite e que queriam que fizesse com a escada. Perguntava se realmente acreditavam que lady Sophie ia fazer soar a campainha às sete para que subissem com seu chocolate quente.

Ao menos para uma dessas perguntas tinha resposta e Caroll ordenou ao Philippe que tirasse a escada do jardim.
No quarto de Sophie, Patrick, apoiado em um cotovelo, olhava-a. Ela abriu seus olhos azuis escuros e ele passou um dedo pelos lábios.

― Vamos ter que encontrar outra esposa para Braddon sabe? Não podemos o abandonar assim. É uma pena que não tenha uma irmã querida.

― Ou que você a tenha ― Replicou ela travessa, ruborizando-se.

Estava na cama, nua, só coberta com um lençol e estava falando com o Patrick com o que ia se casar e com o que acabava de…

― Seus pais estiveram aqui faz um momento ― Disse ele com um enorme sorriso― Você estava dormindo como uma menina.

― O que?! ― Coaxou ela.

― Sua mãe não nos viu, mas seu pai sim. Rapidamente levou sua mãe para o corredor. Aparentemente ela acredita que você fugiu porque estava procurando uma nota.

Ele deslizou a mão sob o lençol.

Ela estava concentrada em seu rosto.

― Quer dizer que meu pai nos viu e que não disse nada?

Patrick assentiu.

― Mas por quê? ― Exclamou Sophie abrindo muito os olhos ― Por que não te desafiou em duelo? Por que não me chamou vagabunda?

― Vagabunda? De onde tirou uma palavra tão fora de moda, meu amor?

― Assim é como chama minha mãe a certas mulheres.

― Hum!

Passou uma perna por cima das de Sophie e esta avermelhou mais ainda.



― Acredito que estava dando uma oportunidade para sair daqui ― Disse ele.

Incorporou-se para beijá-la nos lábios, mas neste preciso instante a escada se separou da parede e desapareceu em silêncio.

― Por desgraça ― Murmurou contra sua boca ― Parece que agora é iminente que me vejam.

Ela não respondeu. Seus dedos estavam explorando as musculosas costas de Patrick enquanto ele a beijava apaixonadamente.

Com inapetência, ele se incorporou e se passou uma mão pelo cabelo.

― Devo ir, meu amor. É a mulher mais formosa que vi em minha vida.

― Entretanto quando me neguei a me casar contigo o mês passado, pareceu imensamente aliviado.

― Você acredita? Estava mas bem ofendido, se por acaso quer saber.

― Oh…

Isso explicava porque Patrick tinha subido pela escada em vez de Braddon. Não gostava de muito a ideia de que seu futuro dependesse de uma rivalidade infantil entre dois homens, mas estava muito feliz para preocupar-se de verdade.



― Além disso, por que me rejeitou?

Uma sombra nublou os olhos de Sophie.

― Não foi você. Eu estava… Enfim… Eu não via as coisas como são na realidade. Pensava… Não sei o que pensava. Fui uma covarde ― Confessou.

Patrick, que estava pondo as calças, voltou-se a olhá-la, surpreso. Covarde? Estava a ponto de pedir que explicasse quando lhe perguntou:

― Como vai sair? Tiraram a escala.

― Pelas escadas, naturalmente ― Respondeu Ele com uma altivez herdada de sua aristocrática família ― Sentiria saudades que seu mordomo se atrevesse a me fazer perguntas sobre minha presença na casa.

― Onde acredita que foram meus pais?

― Acredito que passeassem um bom momento e depois voltarão aqui. Farão um montão de perguntas quando se levantar amanhã, querida. E imagino que sua mãe estará zangada com seu pai.

― Isso é normal ― Fez notar Sophie.

Patrick a olhou com expressão inquisitiva.

― Ele se deita com muitas mulheres ― Explicou ela.

Ele se sentou na beira da cama, disfarçado com a enorme capa do Braddon.

Ela o olhou adormecida.

― Mamãe é muito sensível com o assunto das amantes. Mas não se preocupe, eu não direi nada.

― Espero que não seja muito duro para você― Zombou ele.

Ela estava quase adormecida.

― Tudo estará bem Patrick. Não sou o tipo de mulher que faz cenas. Agora que vou casar contigo não vou começar a choramingar.

Patrick, com os olhos entrecerrados, olhou-a enquanto dormia. Acabava de dar-se conta de que ela não tinha nenhuma confiança em sua fidelidade.

Acariciou a sedosa juba; certamente tinha doído quando ele tirou sua virgindade, mas não se queixou. Nisso não tinha sido covarde. Entretanto não confiava nele por quê? O que é o que ela tinha ouvido contar dele? Certamente alguma historia sobre sua conduta antes que seu pai o enviasse ao estrangeiro. Entretanto tinha aceitado casar-se com Braddon cuja reputação não era melhor que a sua. Mas estava esquecendo que ela queria converter-se em condessa. Bem, pois agora seria duquesa.

Patrick apertou os dentes. Inclusive embora antes não tivesse querido casar-se com ele, agora não tinha outra escola. Ela era dele.

Com a graça silenciosa de um felino se dirigiu para a penteadeira e agarrou o colar de pérolas que Sophie tinha usado a outra noite metendo-lhe no bolso. Depois abandonou o dormitório fechando brandamente a porta atrás dele. Desceu as escadas sem tentar dissimular o som de suas botas sobre o mármore.

Caroll tinha deixado Philippe de guarda no vestíbulo com a missão de receber aos marqueses quando voltassem. O lacaio abriu os olhos de assombro ao ver um desconhecido com uma capa negra atravessando tranquilamente o vestíbulo. Abriu-lhe a porta inconscientemente.

Patrick dirigiu a ele ao passar um olhar divertido.

―Eu não estive aqui.

Philippe assentiu com a cabeça. Não em vão tinha nascido na França.

― Entretanto é possível que um ladrão se introduzisse na casa ― Anunciou Patrick.

― Um ladrão milorde?

― Desgraçadamente. Há um ladrão em Londres que vem com uma escada, põe-na debaixo das janelas abertas e rouba as joias que estão sobre as penteadeiras. É muito provável que tenha estado aqui esta noite.

Ao Philippe entraram suores frios. Que se supunha que devia fazer? O aristocrático olhar lhe punha um arrepio.

― Possivelmente devêssemos chamar à polícia ― Sugeriu fracamente.

Viu-se recompensado com um frio sorriso.

― Essa seria uma boa ideia ― Disse Patrick descendo os degraus do alpendre.

Subiu em uma carruagem que o esperava não longe de ali e Philippe se atreveu por fim a olhar o bilhete que lhe tinha deslizado na mão.

―Merda!


O desconhecido acabava de lhe dar mais dinheiro do que ganhava em um ano; o suficiente para tirar sua irmã pequena da família em que estava servindo e pô-la como aprendiz em uma loja de peles. Experimentou uma imensa gratidão.

Depois se dirigiu correndo à zona dos criados recordando a história do ladrão da escada.

Foi por isso que quando uma extremamente contrariada marquesa e seu marido voltaram para sua casa uma hora mais tarde, encontraram com todas as luzes da mansão acesas e vários policiais diante de sua porta.

Heloise desceu do carro completamente desorientada. Sua filha estava ali, vestida apressadamente e com o cabelo recolhido com uma singela fita. Era evidente que não fugiu. Seu marido a empurrou pondo uma mão na sua cintura.

― O que está acontecendo aqui? ― Perguntou o com tom autoritário.

Os olhos do chefe de polícia brilharam ao ver que por fim aparecia o dono da casa.

― houve um roubo ― Declarou Grenable dando-se importância.

― Um roubo?

―Sim milorde. Roubaram a sua filha um colar de pérolas de grande valor.

― Pérolas?

A marquesa parecia chateada.

―Sim milady. Desapareceu um colar de pérolas ― Insistiu Grenable antes de voltar-se para o marquês ― Já houve antes roubos desse tipo. Encontramos as marcas de uma escada sob a janela de sua filha e numerosos rastros de sapatos, de modo que acredito que se trata de uma banda de malfeitores. Um deles subiu sem fazer ruído pela escada e se apoderou do colar que estava em cima da penteadeira pedindo a gritos que o roubassem ― Anuiu dirigindo-se Sophie agachou a cabeça confusa.

Estava começando a entender o que acontecia, depois das sucessivas surpresas da última hora. Encontrou-se sozinha na cama, despertada bruscamente por uma histérica Simone. A donzela aparentemente tinha comprovado que tinham roubado na casa ou possivelmente tinha sido um lacaio; não estava segura. Entretanto a surda dor que sentia entre as pernas a tinha distraído do desaparecimento do colar. E Patrick tinha desaparecido sem nem sequer despedir-se pelo que ela podia recordar.

A voz de Grenable, um homem baixinho e gordinho com uma suja barba, tirou-a de seus devaneios.

―Terei que interrogar a sua filha. Não entendo porque estava aberta sua janela quando a donzela diz que ela a fechou antes de retirar-se.

Sophie engoliu seco. Sua mãe a estava olhando com o cenho franzido e inclusive seu pai tinha uma expressão severa. Parecia estar representando uma obra sem haver aprendido o papel.

― Necessitava um pouco de ar ― Disse com voz tremente.

Ao surpreender um olhar de admiração nos olhos de seu pai, desfez-se em lágrimas. Chorava porque Patrick não se despediu dela e porque estava assombrada por haver-se deixado seduzir tão facilmente.

Grenable, incômodo por havê-la posto nesse estado derrubou seus nervos em seus subordinados.

O marquês ficou imediatamente ao lado de sua filha. Heloise foi um pouco mais lenta em reagir, estranhava ao ver Sophie chorando, o qual não fazia que ela soubesse desde que tinha seis ou sete anos.

― É a impressão ― Disse George cruzando seu olhar com a de sua esposa ― É aterrador pensar que um criminoso pôde penetrar em seu dormitório na metade da noite.

Heloise olhou Grenable com ferocidade e este retrocedeu um passo.

― Não vejo realmente como minha filha poderia lhe ajudar a deter o ladrão ― Declarou com tom cortante ― Sugiro que melhor investigue pelos arredores.

A marquesa tinha razão, pensou o policial enquanto ela levava a sua filha. Essa janela aberta simplesmente tinha parecido algo estranho. Seria melhor que voltasse para o Bow Street e enviasse uma descrição do colar aos melhores peritos.

― Sei, que seja ― Disse ao marquês ― Não tenho nada mais que fazer aqui. Entretanto, milorde, devo lhe advertir que as possibilidades de encontrar o colar são poucas.

O marquês, notavelmente tranquilo, apertou a mão de Grenable.

― Faça tudo o que possa. Não serei eu quem critica aos agentes da polícia. São vocês muito eficientes quando se trata de deter os malfeitores.

― Sim. Esforçamo-nos milorde.

Grenable podia estar agradecido a sua boa estrela. Ao menos esse par do reino não formaria um escândalo se não encontravam o colar, pensou aliviado.

O mordomo da família, Caroll, sentiu-se ainda mais aliviado quando se deu conta de que não lhe foram despedir por haver-se atrevido a sugerir que lady Sophie fugiu.

― Não de mais voltas Caroll ― Disse amavelmente o marquês ― Era uma dedução lógica. Mas eu já disse que lady Sophie estava segura em sua cama não é assim? É uma lástima que sua mãe e eu não nos inteirássemos do roubo quando fomos ao baile. Enfim, o mais importante é que lady Sophie estivesse em seu dormitório. Bem, boa noite Caroll.

O marquês se afastou esfregando as mãos.

Estranho comportamento para um homem que acabava de perder uma jóia de tanto valor pensou o mordomo. Mas possivelmente para ele só se tratasse de uma bagatela.

Capitulo 10

Na manhã seguinte, enquanto chegava a Brandenbourg House, Patrick Foakes estava um pouco cansado. Tinha estado em pé quase toda a noite. Braddon tinha tomado muito mal a notícia da ruptura de seu compromisso; sua veemente reação tinha surpreendido inclusive Patrick. Nunca esqueceria o momento em que Braddon deu procuração de uma garrafa de porto para romper a engessa da perna. Tinha acreditado que seu amigo ficou louco mais simplesmente estava muito zangado.

Sempre ficava nervoso quando se tratava de sua mãe, pensou Patrick enquanto esperava no vestíbulo, e o matrimônio de Braddon era algo prioritário para Prudente Chatwin.

O mordomo dos Brandenbourg voltou e lhe fez uma majestosa reverência.

― O marquês o receberá na biblioteca.

A estadia não tinha mudado nada desde sua última visita no mês anterior. Excetuando possivelmente a atitude do marquês de Brandenbourg. A vez anterior tinha sido recebido calorosamente; Patrick recordava ter se surpreendido ver tão contente quando tinha posto a reputação de sua filha em dúvida na festa da noite anterior.

Mas agora, o olhar de George era frio como o fio. Quando Patrick entrou na biblioteca, o marquês se despediu de Caroll fazendo um gesto com a cabeça e os dois homens permaneceram em silêncio até que o mordomo teve fechado as pesadas portas de carvalho.

Patrick sustentou o olhar zangado de seu futuro sogro enquanto este se dirigia para ele.

― Vim para pedir a mão de sua filha ― Anunciou com calma.

Então George fechou o punho e o golpeou. O murro alcançou em plena mandíbula e foi seguido imediatamente por outro ao lado do olho. Patrick recuou, agarrou-se ao escritório e depois se endireitou.

O marquês ofegava.

― Não acreditei que me deixasse fazê-lo ― Disse simplesmente.

― Merecia isso.

George se sentia um pouco ridículo. Já tinha passado da idade das brigas. Dirigiu-se para um casal de poltronas que havia ao lado da lareira e se deixou cair em um deles sem tão sequer voltar-se para olhar se Patrick o seguia. O jovem se sentou na outra poltrona.

― Ontem subi por essa escada para ajudar a sua filha a fugir com o conde de Slalom ― Disse tranquilamente.

O rosto do marquês avermelhou ainda mais se isto era possível.

― Pelo amor de Deus! O que está me contando agora?

―Fugia ― Prosseguiu Patrick fechando os olhos ― Foi ideia de lady Sophie e ela queria levar a cabo seu plano. Entretanto Slaslow se opunha à ideia e quando ontem quebrou uma perna, pediu-me que levasse a sua filha à casa de sua avó. Ali ele esperava convencê-la de que um rapto não era nem desejável nem adequado em vista de seu estado.

O marquês continuava em silêncio.

― Quando cheguei ao dormitório de lady Sophie ela já tinha decidido romper seu compromisso com Slaslow.

― Assumo que agora ― Interveio ironicamente George ― Ela terá mudado de opinião sobre sua oferta de matrimônio.

― Isso acredito, em efeito.

― Isto vai provocar um bom escândalo.

― Menos que se sua filha fugisse com o conde de Slaslow ― Respondeu Patrick.

George, com o coração em um punho, contemplava as chamas da lareira. Não só Sophie tinha quebrado o compromisso com um conde, mas sim, além disso, ia ver-se obrigada, se ele não se equivocava, a casar-se rapidamente.

― Não durará muito ― Continuou Patrick ―Vou levar a minha esposa para fazer uma viagem de noivos muito comprida. Quando voltarmos, a alta sociedade sem dúvida terá encontrado outro escândalo ao que fincar o dente.

― Mas o que vou dizer a minha esposa? Vai fazer muitas perguntas sobre a precipitação destas bodas, sobretudo depois do anúncio do compromisso de Sophie com outro homem.

― Por que não dizer a verdade?

― Céus não! Heloise parece uma mulher dura mais na realidade é bastante ingênua. Seria um duro golpe para ela inteirar-se de que nossa filha foi seduzida antes do matrimônio.

Patrick experimentou um grande sentimento de culpa. À luz do dia ele mesmo se surpreendia por seu comportamento. O que era que se aconteceu com ele? O que tinha Sophie para desencadear nele uma paixão assim? Tinha quebrado todas as regras que o tinham ensinado da infância.

― Diga à marquesa que se trata de um matrimônio por amor.

― Um matrimônio por amor! ― Riu George ―Minha mulher nunca acreditou nessa estupidez!

― Então por que evitou que me visse na cama de lady Sophie na passada noite?

―Já disse isso; ela não teria podido suportar. Haveria dito que Sophie se parecia comigo.

― Cuidarei bem dela ― Prometeu Patrick.

― Esta bem, está bem ― Grunhiu o marquês ― Sempre pensei que ela seria feliz contigo, embora esperava que se casasse com um moço mais tranquilo. Braddon e você se parecem muito não é certo? Os dois são uns malditos libertinos.

Patrick conteve um sorriso. Era uma divertida acusação vinda do homem que mais rumores provocava entre a alta sociedade. Nem sequer tentou convencê-lo de que não tinha intenção alguma de ter uma amante depois de casar-se com Sophie. As aventuras extraconjugais de George demonstravam que no fundo os libertinos nunca se reformavam.

― Minha esposa tem um gênio endemoninhado ― Continuou o marquês ― E algumas vezes Sophie viu mais do que deveria.

Patrick se levantou sem que nada em sua atitude revelasse o interesse que despertavam as palavras do marquês.

― É uma boa garota minha Sophie.

George se dirigiu para a campainha para ordenar que dissessem a Sophie que fosse à biblioteca.

― É uma boa garota ― Repetiu ― Me tirou de um montão de apuros quando sua mãe se transformava em uma Fúria.

― Como conseguia Sophie ajudá-lo nessas circunstâncias? ― Perguntou Patrick.

― Punha um sorriso mais doce que o mel e dizia que eu a tinha levado às corridas ou algo pelo estilo. Acredita que possa ter urdido a fuga por minhas indiscrições? Admitiu-o em sua cama ontem de noite porque eu sou…

― Assumo toda a responsabilidade do acontecido. Lady Sophie é inocente. Não tinha nem ideia do que podia acontecer quando entrei em seu dormitório.

― De verdade? Ela…

As portas se abriram deixando passar ao Caroll.

―Milorde?

― Diga a lady Sophie que se reúna conosco.

Caroll olhou ao visitante com curiosidade. Todo mundo sabia que tinha pedido a mão de lady Sophie e que o tinha rejeitado. Também sabiam que tinha anunciado seu compromisso com o conde de Slaslow, de modo que não entendia o que fazia Foakes na casa.

Sophie desceu lentamente as escadas embelezada com um vestido de manhã de pescoço alto e adornado com flores de tecido. Era um traje que só tinha usado uma vez antes de esquecer-se dele já que era muito conservador. Mas esta manhã, terrivelmente confusa, queria demonstrar a Patrick e a seu pai que não era uma mulher leviana embora se comportou como tal a noite anterior.

Pela enésima vez desde que se despertou sentiu que ruborizava. Não sabia se atreveria a entrar na biblioteca. O que devia estar pensando seu pai? Tinha um doloroso nó no estômago, mas não havia forma de escapar: Caroll já estava abrindo as portas da biblioteca e seu pai estava dentro.

Levantou seus olhos para ele a contra gosto e o que leu em seu rosto lhe deu um pouco de coragem. Não parecia estar a ponto de expulsá-la de casa.

― Sophie ― Disse zangado ― Parece que deve se casar com o Patrick Foakes em vez de fazê-lo com o conde de Slaslow.

Ela agachou a cabeça.

― Sim papai.

― Vamos ter que encontrar a forma de dizer a sua mãe ― Suspirou o marques ― Como acabo de dizer a Foakes, não quero que ela saiba a verdade porque morreria de vergonha.

―Sim papai.

― Bem. Vou deixá-los as sós ― Grunhiu George ― Mas não muito tempo ― Trovejou surpreendendo o olhar divertido de seu futuro genro.

Será que nada perturbava a esse menino? Tinha um olho quase completamente fechado e estava formando um hematoma na mandíbula, mas parecia estar tão as suas largas como sempre. Era muito irritante. George saiu da biblioteca quase afogando de indignação.

Ela fez uma profunda inspiração mais estava muito envergonhada para levantar a cabeça. Ouviu que Patrick se dirigia para ela.

― Esta preciosa esta manhã Sophie. Uma nova Sophie para falar a verdade, tímida, pudica…

Ela olhou por fim com um brilho perigoso nos olhos.

― Não zombe de mim!

Ele a agarrou pelo queixo.

― Por quê? Nosso matrimônio não funcionará se formos incapazes de rir um do outro, meu amor.

Ela vacilou ao ver as marcas no rosto dele.

― O que te aconteceu Patrick ― Perguntou acariciando sua têmpora.

― O que merecia nada grave.

Agarrou os dedos dela e os levou aos lábios beijando depois a palma de sua mão com ternura.

― Pedi de forma oficial sua mão a seu pai disse maliciosamente.

― De verdade?

Decididamente sua mente não funcionava bem esta manhã.

― Quer casar-se comigo lady Sophie?

Apenas o escutava. A boca de Patrick estava acariciando o centro da palma de sua mão e suas pernas se converteram repentinamente em algodão.

― Sim ― Respondeu ela em voz muito baixa.

Ele franziu o cenho.

― Sinto muito que nossa atividade de ontem de noite tenha impedido de escolher a seu futuro marido mais estou seguro de que nos daremos razoavelmente bem, tão bem como o haveria feito com o Braddon.

O que queria dizer com isso? Como ela ia ser “razoável” vivendo sob o mesmo teto que ele? Compartilhando a mesma cama? Só de pensar estremecia de antecipação.

O que ela desejava era que a agarrasse de novo entre seus braços.

Como se ele tivesse adivinhado seus pensamentos, atraiu-a para si.

― Sophie ― Insistiu ― Quero me desculpar por te impedir que se case com o Braddon. Sei que tinha muita vontade de ser uma condessa.

Sem lhe dar tempo a responder se apoderou de seus lábios apaixonadamente.

Ela não protestou. Enquanto ele brincava com seus cachos e as fitas de seu cabelo desfazendo todo o trabalho de Simone, ela se fundiu com ele tremendo e jogou os braços ao pescoço. Quando sua língua tocou timidamente a do Patrick, ele lançou um juramento e recuou um passo.

O pai de Sophie havia sentido divertido se houvesse visto nesse estado. Já não havia nada de civilizado nele. Seus olhos estavam obscurecidos de desejo, custava respirar e em quão único podia pensar era em tombá-la sobre o tapete para fazer amor.

― Meu Deus! ― Disse passando uma mão pelo cabelo.

Encontrou-se com o olhar um pouco perdido de Sophie e depois pousou seus olhos em sua boca e foi incapaz de conter-se. Apertou-a contra a evidência de seu desejo.

― Tem que se casar comigo imediatamente ― Resmungou ― Morrerei se não puder te levar ao meu dormitório.

Sophie sorriu e deslizou de novo um braço ao redor de seu pescoço.

― Não vejo porque não podemos esperar uns meses ― Disse com voz melosa acariciando seus lábios com o dedo.

― Esquece isso meu amor ― Replicou Patrick ― Estamos obrigados a fazê-lo.

― Por culpa disto? ― Perguntou ela provocadora esfregando-se mais contra ele.

― Não! ― Gemeu ele.

―Então por quê?

Ele a afastou com suavidade.

―Mantenha a uma distância adequada, pequena provocadora. Pela passada noite evidentemente. Poderia estar grávida Sophie.

Ela avermelhou.

―Um filho…

Certamente ela sabia, tinha ouvido sua mãe queixar-se muitas vezes da ausência de seu pai na habitação de matrimônio e do fato de que ela não tivesse tido outro filho. Isso por não falar das conversas mais cruas das donzelas que falavam sem descanso de distintos métodos anticoncepcionais.

―Teremos que ser mais prudentes no futuro. Espero que não seja como a irmã de Braddon que está obcecada com a ideia de ter filhos.

Ela vacilou. Não estava obcecada, mas… O que é o que ele queria dizer? É obvio que ela queria ter filhos! E todos os homens desejavam ter filhos varões não? Inclusive Braddon havia dito que precisava ter um.

― Não te interessa ter filhos milorde?

―Pelo amor de Deus, me chame Patrick! Depois do que acontecido entre nós…

Sophie se ruborizou ao ver o brilho malicioso dos olhos dele.

― Não, os meninos não me interessam especialmente ― Continuou dizendo ―Me dá igual não ter nenhum.

― Mas… Nem sequer um herdeiro?

Ele esboçou seu sedutor sorriso.

― Não tenho um título que conservar de modo que para que preocupar-se? Além disso, meu irmão tem dois filhos e terá mais estou seguro. De modo que haverá muitos membros de minha família para herdar minha fortuna.

Sophie estava desconcertada.

― Não quer ter filhos?

Patrick a agarrou da mão para levá-la até um sofá e se sentou a seu lado.

― Tem muito desejo de ser mãe? Se for assim sinto ainda mais o que passou ontem à noite. Acreditava que compartilhava a atitude de Braddon nesse aspecto. Que eu saiba a poucas mulheres de sua condição gostam dos meninos.

Sophie já não sabia que dizer. Possivelmente deveria confessar a pontada de inveja que sentia cada vez que via Charlotte com sua filha.

― Sempre acreditei que teria filhos ― Disse com uma voz quase inaudível.

Patrick tentou ver seus olhos mais ela olhava com obstinação o desenho de sua saia.

― Possivelmente possamos ter um ― Admitiu ele ao fim ― Não quero ser um déspota Sophie. Se você quer ter um filho, teremos.

Só um? Como filha única sempre tinha sonhado tendo uma família numerosa. Certamente não dez filhos como tinha afirmado diante da irmã de Braddon, mais desejava ter mais de um. Ela tinha passado toda sua infância na creche sem ninguém que brincasse com ela.

Mas o certo era que tinha arruinado todos seus planos em vinte e quatro horas. Tinha jurado a se mesma não casar-se nunca com um vivedor e ia se casar com o pior dos libertinos. E, além disso, só teria um filho.

Levantou a vista e seus olhos se encontraram com o sombrio olhar dele e se decidiu de tudo. Era melhor casar-se com Patrick embora tivesse que o compartilhar com outras mulheres. E se só tinha que ter um filho, que assim fosse. Amaria-lhe de tal modo que nunca se sentiria abandonado.

Patrick parecia estar esperando com ansiedade e dirigiu um sorriso tranquilizador.

―De acordo, um filho Patrick.

O soltou um enorme suspiro de alívio. A morte de sua mãe a consequência de um parto lhe afetou profundamente ao contrário que a seu irmão Alex. Patrick estava apavorado diante a ideia de ver sua esposa com os dores do parto. Alex em troca, inclusive depois de fazer visto Charlotte às portas da morte quando nasceu Sarah, pensava ter mais filhos, ele por sua parte não ia arriscar a vida de sua mulher para ter filhos. Sob seu ponto de vista não merecia a pena.

Apertou as mãos do Sophie entre as suas.

― Você gostaria de fazer um cruzeiro em meu veleiro como viagem de núpcias querida? Temo que Napoleão não nos deixará ir ao continente.

De repente ela afastou as mãos.

―Não tinha que se casar com Daphne Blanc? ― Perguntou-lhe.

Ele levantou uma sobrancelha.

― A francesinha? Pode que a tenha comprometido mais te comprometi muito mais não?

Ela o olhou com surpresa.

― Pelo amor de Deus! ― Exclamou Patrick ― É obvio que não comprometi Daphne Blanc. Caiu um inseto nos olhos e terá que curar-se. Se tivesse estado comprometido com Daphne não teria ficado em seu quarto na noite passada Sophie.

Ela esboçou um sorriso cheio de incerteza. Sentia-se feliz de saber que Patrick não tinha tido intenção de casar-se com Daphne, mas não acreditava a segunda parte do que havia dito. É obvio que teria ficado em seu quarto. Depois de tudo ela tinha se jogado em seu pescoço. Os detalhes da noite anterior voltavam para a mente com força. Em que estaria ela pensando para pedir a um homem que a fosse procurar a seu dormitório? Certamente tinha perdido a cabeça.

Mas para falar a verdade a quem ela esperava era Braddon e este nem sequer tinha desejo de beijá-la. Com ele não teria acontecido isto.

Patrick a olhava com um sentimento de frustração. Era evidente que lhe considerava um homem capaz de comprometer a duas mulheres na mesma semana.

Ela sorria mais seus olhos mostravam uma total falta de confiança nele. Bem, pois teria que aprender a confiar!

― O que te parece na quinta-feira dia quinze? ― Sugeriu ele.

―Tão cedo?

Patrick estava tão surpreso como ela por suas palavras. Não haveria nenhum perigo por esperar um mês ou inclusive seis semanas, mas tinha muita vontade de ter Sophie para ele sozinho.

― De todos os modos será um escândalo. Por que não nos casar e sair de lua de mel antes que a alta sociedade compreenda que quebrou seu compromisso com Braddon?

Sophie permaneceu pensativa.

―Terei que enviar uma mensagem ao conde de Slaslow.

Ele sorriu.

―Sim, em efeito é geralmente uma cortesia informar ao noivo de que vai se casar com outro. Mas não esta obrigada a fazê-lo. Eu já disse ontem à noite.

― Ontem à noite! Contou tudo?

― Não. Simplesmente lhe expliquei que tinha decidido se casar comigo melhor que com ele ― Disse cortante.

Ela teve frio de repente.

― Sinto muito ― se desculpou ele ― Não queria insinuar que se gabou… Como reagiu?

Patrick entrecerrou os olhos. Acaso lamentava Sophie não casar-se com Braddon? Possivelmente seu amigo tinha tido razão ao dizer que estava louca por ele.

― Evidentemente estava contrariado. Mas maldição Sophie, nós não podemos fazer nada! ― Exclamou levantando-a do sofá ― Você é minha, não posso te entregar ao Braddon. Não é possível voltar atrás.

Os olhos de Sophie se encheram de lágrimas. Estava esgotada pela falta de sono e pelo girou incompreensível que estava dando a conversa. Quando Patrick a atraiu para sim, lhe ofereceu seus lábios para que a consolasse.

― Me beije, por favor, ― Sussurrou ela.

Sem fazer-se de rogado ele a empurrou contra um assento de respaldo alto e sentiu como respondia apaixonadamente a suas carícias. Ele desfrutou de seus suspiros de prazer e de seu abraço. Finalmente o amor que ela sentia por Braddon carecia de importância.

Alguém deu um discreto golpe na porta e se separaram. Patrick contemplou o rosto ruborizado de Sophie, seus lábios inchados e seus trêmulos dedos. As arrumaria de algum modo para que ela se apaixonasse por ele e para que esquecesse Braddon, prometeu a si mesmo, atenuando desse modo a culpa que sentia por havê-la despojado de sua virgindade.

Uns minutos depois, quando a jovem tinha subido a falar com sua mãe, ele se sentou ao lado do marquês para falar dos termos do contrato de matrimônio. Deu algumas cifras que fizeram que os olhos do marquês se abrissem incrédulos.

― Senhor! Acaso é um nabab?

―Um pouco parecido ― Respondeu Patrick lacônico.

George nunca tinha desejado de maneira especial que sua filha se casasse com uma fortuna; para ele era mais importante que seu genro fosse de boa família e que a amasse. Entretanto nenhum pai poderia deixar de estar feliz ao comprovar que sua filha ia viver na opulência.

― Vou pedir a meu notário que ponha tudo por escrito ― Concluiu George ― Lamento ter te batido ― Falou constrangido.

― Eu mereci ― Repetiu Patrick com um sorriso ― Felizmente tenho um tio que é arcebispo e vou pedir uma licença especial esta mesma tarde.

O marquês se surpreendeu.

― Uma licença?

― Decidi que a melhor maneira de evitar os inconvenientes de um escândalo era nos casar o mais depressa possível e abandonar Londres para fazer uma comprida viagem de núpcias.

― Já vejo ― Disse George quem em realidade não via nada absolutamente.

― Todos consideraram um matrimônio por amor ― Explicou pacientemente Patrick.

― Já vejo.

Patrick vacilou um momento sem saber se devia falar com ou futuro sogro do título que sem dúvida ia lhe conceder o Parlamento. Finalmente decidiu esperar ao anúncio oficial. Inclinou-se diante do marquês.

― Posso voltar a lhe visitar amanhã milorde?

― É obvio. Veem jantar para então já terei os contratos redigidos. Depois poderá se casar com minha filha quando quiser.

― Obrigado milorde.

George o olhou enquanto ia embora, vagamente desorientado pelos acontecimentos da manhã. Suspeitava que efetivamente fosse um matrimônio por amor; fixou-se na forma em que brilhavam os olhos de Patrick quando declarou que queria casar-se com o Sophie sem tardança.

Estirou os lados de sua jaqueta pensativo. Recordava como se fosse ontem o ardente desejo que tinha experimentado por Heloise, as horas que se passou tentando convencê-la de que fugisse com ele. Mas não, ela se aferrava às conveniências.

Sorriu com nostalgia ao recordar que quase chorava pelo desejo insatisfeito naquela época.

Mas tudo mudava na vida.




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