Toxicidade do formaldeíDO



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AVALIAÇÃO DE TOXICIDADE AGUDA PARA Daphnia similis e Girardia tigrina EM EFLUENTES CONTENDO DO FORMALDEÍDO
Camilla C. Okano São Pedro1, Prof. Dr. Edson Aparecido Abdul Nour2

(1) mestranda FEC/UNICAMP ccospedro@gmail.com, (2) orientador, FEC/UNICAMP ednour@fec.unicamp.br,



Palavras chave: Daphnia similis, Girardia tigrina, formaldeído.
O formaldeído (HCHO) é utilizado para a pintura de móveis (VAAJASAARI et al., 2004), para a esterilização, em clínicas, de instrumentos que não podem ser autoclavados (MARISCAL et al., 2005), e também como preservante, desinfetante e antisséptico. Também é utilizado no embalsamamento de cadáveres; na confecção de seda artificial, celulose, tintas, corantes, soluções de uréia, tiouréia, resinas melanínicas, vidros, espelhos, explosivos; na fabricação de tecidos, de germicidas, de fungicidas agrícolas, de borracha sintética; na coagulação de borracha natural; no endurecimento de gelatinas, albuminas e caseínas e na fabricação de drogas e pesticidas (INCA, 2005).

Apesar de sua estrutura molecular relativamente simples, sua degradação ainda tem sido estudada. Vários estudos foram feitos sobre a exposição à formaldeído e verificou-se que esta exposição pode aumentar risco de câncer de faringe, nasofaringe e cérebro em anatomistas e patologistas; além de causar também dermatites e reações alérgicas (VECCHIO et al., 2003). Por essas razões, a avaliação da toxicidade em efluentes contendo formaldeído necessita ser pesquisada com mais afinco.

Neste estudo a proposta é avaliar o desempenho de um sistema de tratamento de efluentes composto por filtro anaeróbio (FA) seguido de biofiltro aerado submerso (BAS) no tratamento de esgoto sanitário contendo formaldeído (Figura 1). Para tanto serão utilizadas variáveis físicas, químicas e biológicas, e ensaios de toxicidade. A utilização de ensaios de toxicidade possibilita que uma avaliação mais completa da qualidade do efluente tratado pelo sistema proposto, introduzindo uma informação mais próxima do possível impacto causado aos organismos presente no ecossistema aquático receptor.


Figura 1. Esquema do Sistema Filtro Anaeróbio-Biofiltro Aerado Submerso

Tanto o FA como o BAS são reatores de biofilme, sendo o meio suporte constituído por anéis do plástico do tipo “rashing”. O volume útil do FA e BAS é aproximadamente 8,5 L, sendo que cada um deles será operado com tempo de detenção hidráulica (TDH) de 12 horas. O sistema será abastecido com esgoto sanitário peneirado (peneira com malha de aproximadamente 2 mm) a fim de evitar entupimentos, acrescido de formaldeído e/ou ácido fórmico.

O formaldeído, começará a ser aplicado ao afluente do sistema em concentrações de 100, 200, 400, e 600 mg L-1. Por um período de, aproximadamente, 30 dias cada uma. Este período poderá se estender até o momento em que o sistema apresentar estabilidade opercional.

Os parâmetros físico-químicos utilizados para monitorar a avaliar a porcentagem de remoção de formaldeído no sistema serão: pH, alcalinidade, ácidos voláteis, quantidade de matéria orgânica através da determinação demanda química de oxigênio (DQO), nitrogênio amoniacal e formaldeído. As metodologias utilizadas estão descritas no Standard Methods of Water and Wastewater (APHA, 1998).

O teste de toxicidade aguda para Daphnia similis, Claus 1879 (Cladocera, Crustacea) será realizado conforme a norma técnica CETESB L.5018 (CETESB, 1987) e a NBR 12713 (ABNT, 1993). Para Girardia tigrina (Girard, 1850), o teste agudo de toxicidade frente ao formaldeido e aos produtos de degradação deste serão utilizados para detectar a Concentração Efetiva de formaldeído para 50% dos animais (CE50), no período de 24 até 48 horas conforme descrito por Preza & Smith (2001).

A periodicidade das análises apresenta-se na tabela 1.


Tabela 1. Periodicidade dos parâmetros a serem analisados:

Análises

Periodicidade

Semanal

Quinzenal

Mensal

Demanda Química de Oxigênio (DQO)










pH










Alcalinidade










Ácidos Voláteis










Formaldeído










Nitrogênio Amoniacal (N-NH3)










Toxicidade aguda para Daphnia similis










Toxicidade aguda para Girardia tigrina









Espera-se a degradação dos compostos orgânicos específicos e de potencial toxicidade após tratamento nos reatores.


Referências Bibliográficas

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (1993). Água – Ensaio de Toxicidade aguda com Daphnia similis Claus, 1876 (Cladocera, Crustácea). NBR 12713. Rio de Janeiro. Brasil.

APHA/AWWA/WEF (1998).Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. 20th edition. New York American Public Health Association.

CETESB – Companhia de Tecnologia em Saneamento Ambiental. Norma Técnica nº L.5018 – Avaliação da Toxicidade aguda para Daphnia similis (Cladocera, Crustacea).(1987). São Paulo – SP.

INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER (INCA). Formol ou Formaldeído. Disponível em http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=795#topo acessado em 13 de dezembro de 2005.

MARISCAL A., CARNERO-VARO, M., GOMEZ, E., FERNANDEZ-CREHUET, J. 2005. A Fluorescent Bioassay to Detect Residual Formaldehyde from Clinical Materials Sterilized with Low-temperature Steam and Formaldehyde. Biologicals 33 (2005) 191-196

Preza, D. L. C.; Smith, D. H. (2001) Use of Newborn Girardia tigrina (Girard, 1850) in Acute Toxicity Tests. Ecotoxicology and Environmental Safety, v. 50, p. 1-3.

VAAJASAARI, K., KULOVAARA, M., JOUTTI, A., SCHULTZ, E., SOLJAMO, K. 2004. Hazardous Properties of Paint Residues from the Furniture Industry. Journal of Hazardous Materials 106A (2004) 71-79.


Agradecimentos: FEC/ UNICAMP, LABSAN.

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