Trabalho: 16: Projeto Quilombos: Comunidade Negra dos Arturos



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Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária

Belo Horizonte – 12 a 15 de setembro de 2004


Projeto Quilombos: Comunidade Negra dos Arturos

Área Temática de Cultura


Resumo

Durante o segundo semestre de 2003, professores, alunos e ex-alunos da UFMG, financiados pelo Programa Universidade Solidária (UNISOL), desenvolveram o Projeto Quilombos: Comunidade Negra dos Arturos. Os Arturos formam uma comunidade remanescente de quilombo localizada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, que se constitui num dos mais importantes símbolos da resistência negra no Estado. Os membros do grupo, cuja formação remonta ao século dezenove, cultuam a ancestralidade, preservando os rituais herdados dos escravos como o culto à Nossa Senhora do Rosário. Eles sobrevivem do trabalho na cidade, seja no setor industrial, construção civil ou serviços domésticos, mas ainda cultivam a agricultura de subsistência. O objetivo do projeto foi promover atividades que permitissem aos Arturos o resgate das tradições culturais e religiosas, o fortalecimento: da memória através da oralidade, do sentimento de pertencimento ao grupo, e o reconhecimento frente à sociedade em geral como comunidade negra que precisa se adaptar aos novos tempos sem perder de vista sua história. A metodologia levou em conta as demandas apontadas pelos próprios moradores que participaram desde a concepção até a avaliação dos resultados. O trabalho interdisciplinar envolveu grupos formados por alunos de vários cursos da UFMG e jovens da Comunidade dos Arturos.


Autoras

Profa. Dra. Regina Helena Alves da Silva - Diretora do Centro Cultural UFMG - Profa. Depto. de História

Denísia Martins Borba - Gerência de Valorização das Identidades Culturais - PBH
Instituição

Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e Prefeitura Municipal de Belo Horizonte


Palavras-chave: patrimônio imaterial; comunidades quilombolas; diversidade
Introdução e objetivo

A Comunidade Negra dos Arturos fica no município de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Sua origem está diretamente ligada à história de Arthur Camilo Silvério, filho de pais escravos, que nasceu por volta de 1855 e morreu aos 101 anos. Daí o nome dado a seus descendentes de Arturos, uma família que convive no mesmo espaço comungando da fé em Nossa Senhora do Rosário.

A comunidade tem como principais celebrações a Festa 13 de maio, momento em que se comemora a libertação dos escravos, quando as guardas de Congo e Moçambique se apresentam louvando a Nossa Senhora do Rosário e agradecendo à Princesa Izabel; a Festa João do Mato, momento de celebrar a fertilidade da terra preparando-a para um novo plantio e a Folia de Reis, folguedo bastante popular não só em Minas Gerais, que representa a peregrinação dos três reis magos em busca do local onde se encontra o “menino Jesus”.

O grupo habita uma propriedade particular adquirida por Camilo Silvério, ainda em 1888. A área, de 6 mil e 500 hectares, é apenas parte da herança dos pais de Arthur, Camilo Silvério da Silva e Felisbina Rita Cândida.

Mesmo tendo sido beneficiado pela Lei do Ventre Livre, Arthur viveu sua infância ao lado do padrinho, prestando serviços em troca de casa e comida. Os maus tratos eram prática cotidiana e, ainda muito jovem, Arthur fugiu e casou-se com Carmelinda Maria da Silva, com quem foi viver na fazenda do Macuco, perto da cidade de Esmeraldas. O casal teve onze filhos, ligados pela fé em Nossa Senhora do Rosário.

Na década de 40 do século XX, a família retornou a Contagem e desde então ocupa o mesmo espaço geográfico. Naquela época a comunidade era essencialmente rural. Hoje muitos integrantes trabalham no setor industrial da cidade, na construção civil, alguns são servidores públicos e muitas mulheres prestam serviços domésticos em casas de família. Mas boa parte das famílias ainda planta suas hortas e se dedica à pecuária de subsistência.

A transmissão do conhecimento e da tradição é feita oralmente de pais para filhos, inclusive a prática do congado.

O projeto Quilombos: Comunidade dos Arturos foi desenvolvido por professores, alunos e ex-alunos da UFMG, com o financiamento do programa da Universidade Solidária (UNISOL) para comunidades remanescentes de quilombos. O projeto teve como objetivo global as necessidades apresentadas pela Comunidade, privilegiando um olhar múltiplo sobre os diversos aspectos da vida cotidiana dos seus membros. Como as relações são pautadas pela vivência em um determinado espaço e suas peculiaridades, todas as possibilidades de ação foram focadas, dando ênfase às demandas apontadas pela comunidade. Isto implicou na formação de uma equipe multidisciplinar que em suas ações responderam positivamente às demandas apresentadas pela Comunidade.

Um dos nossos objetivos foi discutir os aspectos de parentesco e pertencimento a um mesmo grupo: os afro-descendentes. A nossa proposta baseou-se no conceito de educação pluricultural, ou seja, uma educação que é desenvolvida pautada em distintas visões de mundo construídas por diversos códigos de comunicação, múltiplas dimensões estéticas, formas próprias de sociabilidade e modos de produção. Apresentamos a possibilidade de proporcionar aos afro-descendentes o restabelecimento de laços de parentesco perdidos na diáspora, partilhando sua cultura por meio de uma linguagem pedagógica capaz de superar tal perda.
Metodologia

O trabalho foi dividido entre os grupos formados de acordo com as áreas de especialização dos alunos da UFMG e jovens da Comunidade dos Arturos.

O Grupo de Memória trabalhou com uma média de 15 jovens, atuando na guarda de acervo ligados à memória e história dos Arturos. Os Jovens da Comunidade elegeram 30 membros para serem entrevistados. Os próprios jovens elaboraram com os pesquisadores das áreas de História, Biblioteconomia e Artes Cênicas o questionário para realização de entrevistas. Nesse processo eles aprenderam a trabalhar com o equipamento de gravação digital e analógico, a transcrever as entrevistas e também como produzir conhecimento a partir destas. As entrevistas foram realizadas por duplas ou trios: dois representantes da Comunidade e um monitor da UNISOL. Também foi desenvolvida uma campanha para que todo o material referente à história da Comunidade - fotos, vídeos, filmes, livros, jornais, revistas e tudo mais que tiver sido produzido pelos, para ou sobre os Arturos - seja reunido em um único espaço, aberto à comunidade em geral para pesquisa. Vários temas como tradição, união, solidariedade, viver e conviver em comunidade, hierarquia, respeito às instituições - família, estado, e aquelas importantes para a manutenção da tradição- foram trabalhados com o suporte audiovisual, leitura de textos e/ou palestras de convidados.

Paralelamente a essas atividades, foi realizado, nos meses de novembro/dezembro/janeiro/fevereiro, o projeto “Leitura no Terreiro”, com crianças, adolescentes, jovens e todas as pessoas da comunidade interessadas, com o objetivo de proporcionar momentos de aprendizado, reflexão e descontração, além de incentivo à leitura. Os livros foram escolhidos entre aqueles que abordam preferencialmente o folclore brasileiro, a escravidão, o povo negro, sua cultura e também seus valores, bem como clássicos da literatura infantil, infanto-juvenil e obras de autores africanos.

A Oficina de Pesquisa teve como público alvo preferencial os jovens, objetivando mostrar a importância da pesquisa e seus benefícios para a vida escolar, além de aguçar a curiosidade e interesse para as diversas fontes de informação. Essa foi uma proposta surgida a partir da atividade: “I Arturos em Gincana”, momento em que uma das tarefas foi a realização de pesquisa sobre as três principais festas da comunidade. A avaliação é de que eles têm um grande potencial que poderia ser otimizado se fossem orientados para a realização de tal tarefa. Foram apresentadas as várias possibilidades para pesquisa: periódicos, livros, entrevistas, dicionários, enciclopédias, almanaques e internet.

A organização da biblioteca da creche da comunidade foi uma tarefa realizada com as responsáveis pela instituição e os alunos de biblioteconomia. Foi realizada uma campanha de doação entre as várias editoras e bibliotecas de Belo Horizonte e região metropolitana, atividade muito bem sucedida, além da campanha realizada através da Gincana entre os próprios membros da comunidade, que doaram livros usados, revistas em bom estado de conservação e jornais. O Centro Cultural UFMG doou algumas estantes para guardar livros, o material necessário para etiquetar os livros e a tinta para pintar o prédio da creche.

O trabalho conduzido pelos pesquisadores da área de saúde foi muito bem recebido pela Comunidade. Eles atuaram com o sistema de palestras. Foram realizadas as seguintes palestras: Benefícios do cultivo da citronela, considerando a grande quantidade de insetos presentes no local (eles aprenderam a plantar e cuidar e as mudas foram doadas aos membros da comunidade pelo Parque Lagoa do Nado de Belo Horizonte); Doenças respiratórias; Diabetes; Hipertensão; Dependência química; Doenças sexualmente transmissíveis; Gravidez na adolescência; Higiene bucal; Doença periodontal (muito acentuada na comunidade). Foi preparada uma apostila tratando de todos os temas trabalhados. A apostila foi montada numa linguagem fácil sem se tornar vulgar e integrará o acervo da biblioteca da Comunidade.

As oficinas de teatro foram as campeãs de público. Todas as faixas etárias se envolveram nas atividades propostas, principalmente as crianças e os jovens. Os jovens montaram há 15 anos um grupo de dança afro, fazem apresentações em vários eventos e tentam aprender novas técnicas bem como aprimorar as que já conhecem. Foram montadas algumas cenas com os jovens, baseadas nas técnicas do teatro negro, utilizando os textos e autores apresentados na “Oficina de Leitura”.


Resultados e discussão

O tema da diversidade cultural assume, no século 21, a importância que teve a biodiversidade nas últimas décadas do século 20. Aparece cada vez mais em estudos e formulações de políticas públicas como valor a ser compartilhado por todos. Assim, as manifestações culturais comunitárias podem reconstruir e fortalecer a memória social e coletiva de um povo.

Os Arturos compõem um grupo familiar que mantém as tradições ancestrais vivenciando a experiência da cultura de origem africana em Minas Gerais. Residem em um sítio na cidade industrial de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte e conseguem a perpetuação de sua história através das tradições religiosas transmitidas de geração em geração.

Essa comunidade, descendente de Arthur Camilo Silvério e Carmelinda Maria da Silva, pratica na cidade Contagem importante manifestação da religiosidade afro-brasileira que remete ao período colonial consolidando elos familiar e religioso. As celebrações realizadas pelos Arturos são a mais importante manifestação cultural no município de Contagem e de reconhecimento no Estado de Minas Gerais por sua singularidade na exteriorização do sagrado.

Essa comunidade negra familiar constitui um grupo étnico e religioso que vive suas origens quotidianamente, lembrando-se dos fundadores e da fé em Nossa Senhora do Rosário. É um dos mais importantes símbolos da resistência negra em Minas Gerais e no Brasil. Ligados ao passado, África-mãe, os fundadores da comunidade sabem que precisam inscrever-se nos novos tempos, contando a importância de suas marcas na história do nosso país.

A cidade de Contagem registra em sua história a presença um grande número de negros escravos, o que possibilitou a sobrevivência de vários ritos de origem africana em seu território.

A identidade constituída através da tradição cultural e religiosa da comunidade confere a este modelo uma especificidade única. A agropecuária praticada no local subsidia a subsistência, ou seja, o que é plantado é dividido entre os membros da comunidade de forma cooperativa.

Hoje muitos componentes da comunidade saem de seu território para trabalhar na cidade, isso demonstra a sua capacidade de transformação e sabedoria em lidar com o diferente, o que tem contribuído para a manutenção da tradição. Cultivam a resistência buscando o reconhecimento da população em geral. Os Arturos têm muito claro a noção de pertencimento, o que dá direção ao comportamento e modo de vida da Comunidade. Eles se reconhecem como portadores de uma história que remete ao passado, aquele momento em que o negro teve que se fazer forte para não perecer.

A comunidade pode ser observada como um agrupamento em que o laço de união é definido pela origem e destino comuns, assim encontramos traços étnicos, familiares, comportamentais, históricos e culturais. O comportamento comum determina a identidade própria. Eles compartilham da mesma religiosidade, da mesma história marcada pela escravidão e da força de seus ancestrais.

O sítio, entendido como território dos Arturos, tem para a comunidade um valor simbólico, é a luta dos seus ancestrais. Esta referência territorial é fundamental para a existência da identidade: um está ligado ao outro.

Os Arturos se constituem como um dos maiores bens culturais da cidade de Contagem. Nessa comunidade desenvolvemos atividades que buscavam elevar a auto-estima do grupo, detentor de conhecimentos tradicionais e que, através da sua memória, repassa os seus saberes e fazeres, ou seja, o seu patrimônio histórico e cultural.

Nosso principal trabalho se concentrou em organizar e disponibilizar ao grande público, através de banco de dados, os rituais e festas que marcam a vivência coletiva do labor, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social da comunidade. Dados como data de fundação, o desenvolvimento, suas práticas, principais atividades, datas de encontros e/ou festas e biografias dos responsáveis, chamados “Arturos de 1ª Linha”, ou seja os descendentes diretos de Arthur Camilo Silvério, veiculando uma imagem positiva da cultura tradicional popular vivenciada pelos Arturos em Contagem.

O projeto se apresentou como uma possibilidade de valorização do mais importante grupo de Minas Gerais, praticante de manifestações tradicionais envolvidos no fazer cultural, estimulando-o a continuar preservando suas tradições.

A execução do projeto em todas as suas etapas possibilitou à comunidade de Contagem um ganho cultural e humanístico, por oferecer de forma sistematizada informações sobre o meio social e cultural dos envolvidos.

Ao instruir e capacitar os jovens a partir das demandas da própria comunidade incentivamos a valorização do trabalho, importante na sociedade, criando oportunidades de crescimento comunitário e perpetuando os modos de fazer e as celebrações da Comunidade dos Arturos que desta forma não perecerá.

Uma das celebrações realizadas pelos Arturos é a “Festa do João do Mato”, quando aproveitamos para desenvolver atividades de educação ambiental, por se tratar de um ritual ligado à tradição da capina, que representa a semeadura, o regresso do mato e nova capina conferindo à festividade a marca do rito de renovação.

Esse foi um dos momentos de promoção da transmissão do conhecimento acumulado pela comunidade, lembrando os significados da tradição e costumes de comunidades que se apropriam das ruas para a celebração coletiva da alegria e do orgulho de quem procura perpetuar sua história. A fé dos membros dos Arturos mostra publicamente os rituais e raízes religiosas como instrumento inabalável de suas conquistas.

Estimulamos e difundimos a transmissão das cantigas rituais dessa comunidade repassando às gerações mais novas o sentimento de pertencimento, o vínculo com os ancestrais, o sagrado do povo negro ao longo de nossa história.

Acreditamos que os membros dos Arturos poderão estabelecer relações com os valores e instituições do Estado, valorizando a sua identidade e mostrando a tradição comunitária herdada de seus ancestrais. Essa nova forma de educação permite a promoção da auto-percepção e auto-estima das comunidades ajudando-as a participar da sociedade global, não apenas adquirindo conhecimento técnico e informativo, mas mobilizando os valores comunitários.

Na etapa atual o projeto tem discutido com a comunidade as possibilidades de criação de um Centro de Memória que será constituído primeiramente pelas histórias de vida dos Arturos mais velhos. Os jovens da Comunidade têm se empenhado na discussão e elaboração de projetos para a organização e sistematização da história e cultura locais.

Uma outra demanda que esta sendo atendida pela universidade é a formação de um telecentro para a formação pedagógica de membros da comunidade (alfabetização, educação infantil, letramento digital, produção cultural). Este telecentro é baseado em um projeto desenvolvido pela UFMG que permite o acesso à informática e à internet a baixo custo.

A comunidade tem formado grupos de produção audiovisual para a formação de um banco de dados com informações, dados, iconografia, textos, iconografia e o registro digital das histórias, festas, cantos, histórias de vida, dos afro-descendentes que compõem os Arturos.


Conclusões

Na avaliação do grupo o maior problema enfrentado no momento é que apenas quatro meses (prazo do financiamento da UNISOL) foram insuficientes para consolidar o trabalho de formação desenvolvido. Precisaríamos de um espaço de tempo maior para ter a certeza de que o investimento que foi despendido nesse momento não será vão. Precisamos fazer com que a comunidade se sinta forte o suficiente para continuar a caminhar no seu próprio compasso e para isso o trabalho deve ser “de fato” concluído e nossa saída deveria se dar por etapas. Nesse sentido as equipes continuam trabalhando voluntariamente por um período de mais um mês.

É importante ressaltar que todas as atividades desenvolvidas pela equipe UNISOL Quilombos-UFMG foram construídas juntas à Comunidade a partir de suas próprias demandas e aprovadas pelo Conselho local. Foi um projeto de formação tanto dos membros da Comunidade como também dos próprios pesquisadores/bolsistas, que são quase na totalidade, atuantes do Programa Ações Afirmativas da Universidade Federal de Minas Gerais.

Uma das principais discussões e dificuldades encontradas foi como conseguir tornar os Arturos uma comunidade auto-sustentável, não só do ponto de vista econômico, mas também culturalmente.

A necessidade de garantir a sobrevivência cotidiana gera na Comunidade Arturos um imediatismo, cuja versão mais cruel é a perda da capacidade de projetar, de sonhar, e quem sabe de assegurar sua permanência ao longo do tempo. Assim podemos perceber a dimensão do aniquilamento humano existencial a que um grande contingente da população afro-descendente brasileira encontra-se submetido. São as comunidades quilombolas, ou seja, a população negra que vive nas periferias dos grandes centros urbanos, sem acesso à escolarização formal de boa qualidade, sem emprego, sem moradia, sem acesso à informação, e muito mais.

Essas pessoas que vivem preocupadas apenas em suprir necessidades fisiológicas de sobrevivência, não por opção, mas por falta de opção, tendem ao embrutecimento, a insensibilização, a desesperança, a desvalia e ao desamparo. Acabam deixando de acreditar na própria capacidade, no merecimento ou na possibilidade de realização de uma meta, mesmo que tenham potencial para tal tarefa. Essa perda da crença em si mesma pode levar a pessoa a colocar sua existência e sonhos futuros sob o controle de religiões fundamentalistas e messiânicas, de clientelismo político, de jogos de azar, se entregando ao domínio das drogas, prostituição ou a quebra do contrato social.

A maioria dos afro-descendentes brasileiros são originários das comunidades remanescentes de quilombos, e atualmente vivem à margem da sociedade e da assistência pública, como é o caso da Comunidade dos Arturos, que sobrevive praticando a agricultura tradicional, valendo-se de ferramentas e conhecimento ancestral.

Em função do isolamento e da falta de assistência pública, a Comunidade dos Arturos, em pleno século XXI, ainda não tem acesso pleno ao crédito (para assegurarem a agricultura), infra-estrutura, assistência técnica e a outros serviços públicos, o que torna essa comunidade quilombola alvo permanente de problemas sociais.

Os membros da Equipe UNISOL Quilombos-UFMG realizaram várias campanhas solidárias, junto a grupos culturais que se dispuseram a trocar seus conhecimentos com a Comunidade, como é o caso do Grupo de Samba de Roda Fala Tambor que, além de apresentação, fez uma discussão sobre tradição, dialetos africanos, o significado dos tambores e a leitura que o corpo faz, doação de brinquedos e material escolar para melhor funcionamento da creche. O Centro Cultural UFMG doou à Comunidade estantes para livros, tinta para a pintura da creche, material de escritório em geral. A campanha realizada para atualização da biblioteca junto às editoras e bibliotecas públicas de Belo Horizonte foi bastante positiva.
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