Trabalho: 33: Sexualidade com jovens: uma abordagem nas de camadas populares



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Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária

Belo Horizonte – 12 a 15 de setembro de 2004


Sexualidade com Jovens: Abordagem nas Camadas Populares
Área Temática de Educação
Resumo

Este artigo fala da experiência com jovens nas oficinas de educação sexual e sexo seguro. Aborda-se um histórico sobre Aids e suas interfaces caracterizando a pandemia que se instala no mundo, dentre outros assuntos como família, sexualidade, escola e adolescência. Objetivos: Desenvolver atividades de educação sexual e sexo seguro com jovens adolescentes masculinos, de uma comunidade de baixa renda na Cidade de Recife/PE. Utilizou-se da Pesquisa-Ação e aplicação de oficinas. Esta permitiu desenvolver uma atividade com um caráter mais dinâmico no processo educativo, visando as temáticas propostas juntamente com a intervenção educativa, bem como se apropriar da realidade para uma atuação mais eficaz. Resultados: A princípio é no grupo onde as experiências em sexualidade são mais abrangentes, cabe ao educador tornar sistemática essa abordagem. A utilização de dinâmicas nas atividades com educação sexual substituem as abordagens tradicionalistas e moralistas, um diferencial na educação sexual deste novo século que participa o jovem nas discussões sobre sexo seguro. A proposta de formação de grupos multiplicadores nas comunidades pode constituir como um ponto central para a consolidação dessas práticas junto aos jovens. Este princípio preconiza uma prática consolidada em diversos locais para o trabalho permanente em educação sexual, sexo seguro.


Autor

Marcelo Rodrigues da Silva & Macilene S. Silva – graduandos em Economia Doméstica.


Instituição

Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE


Palavras chaves – aids; adolescência; educação sexual

Introdução e objetivo


Este artigo é fruto de atividades executadas numa comunidade de baixa renda situada na Cidade de Recife/PE. São descritas experiências do trabalho monográfico defendido em abril de 2004. Trabalhou-se com jovens adolescentes masculinos de contextos populares a respeito dos comportamentos e práticas sexuais. Nesta investigação a proposta foi de desenvolver atividades educativas no campo da sexualidade e prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis - IST’s / Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - Aids, vendo-se como fundamental importância para práticas educativas continuadas e o combate da Aids.

A Aids é uma moléstia e configura-se no cenário mundial apresentando-se como uma realidade devastadora em vários países, alastrando-se de modo mais expressivo nas regiões mais pobres do planeta. A epidemia contribui para o agravamento da pobreza, bem como, o endividamento dos países mais atingidos pela doença. Ao falarmos em pobreza, relacionamos com respeito, às populações com dificuldades de acesso aos serviços de saúde e educação, vivendo da economia informal, diminuição de empregos, além das condições de vulnerabilidade como a violência urbana, falta de oportunidades profissionais, exposição ao uso de drogas lícitas e ilícitas, desigualdade de gênero entre outras condições que ampliam as chances de infecção ao Vírus da Imunodeficiência Adquirida - HIV e outras doenças.

Quando consideramos sexo, sexualidade e comportamento sexual como construções sociais, a iniciação sexual deixa de ser um ato meramente individual, psicológico ou biológico para ser um fato social. Resultados do estudo sobre o comportamento sexual do brasileiro demonstram que a população inicia sua vida sexual cada vez mais cedo.

Para a saúde pública, a prática do sexo seguro entre adolescentes, está bem longe dos níveis ideais, além de alguns dados disponíveis sobre o uso de preservativos por jovens revelarem a necessidade constante de trabalho educativo junto a essa população, aliás, configura-se com o objetivo deste trabalho.


Metodologia

Este estudo se deu à luz dos questionamentos que surgem nos debates sobre sexualidade e comportamento sexual de jovens de camadas populares. A princípio essas experiências são sempre notadas de ensaios assistemáticos, como afirma Ribeiro (1993) e, também, são grupos onde se congregam e confabulam seus passos como prática da sexualidade.

Utilizamos a pesquisa-ação esta permitiu uma maior interação com os jovens, fazendo parte de uma proposta de ação social, buscando a resolução dos problemas coletivamente. Permite-nos também, instrumentalizarmos dentro de práticas sociais ou organizacionais aplicados no contexto das classes populares.
Resultados e discussão

A propagação da AIDS veio desencadear um processo de aceleração educativa na sociedade, que insere a prevenção das doenças que se transmitem por via sexual e o comportamento responsável da população, e não há como discutir as doenças de transmissão sexual sem abordar a sexualidade como tema amplo.

Gostaria de destacar nesse artigo que nos últimos anos foram realizados vários trabalhos na UFRPE abordando a prevenção/educação/orientação em atividades continuadas, principalmente com jovens. Neste sentido, esta atividade teve como base o desenvolvimento de oficinas de educação sexual e sexo seguro com adolescentes do sexo masculino de uma comunidade de baixa renda de Recife/PE, com vista à realização de práticas educativas.

Aids interfaces de uma pandemia

A proposta de discutir este tópico será de trazer um pouco do histórico da Aids, de forma que se compreenda alguns pontos de seu avanço. A AIDS, causada pelo HIV, é transmitida principalmente pela via sexual (relações com penetração sem preservativo, sendo uma das pessoas contaminadas). A síndrome foi reconhecida em meados de 1981, nos EUA, quando começaram a surgir vários casos da doença entre homossexuais, moradores de São Francisco. Os casos das doenças eram semelhantes entre as pessoas contaminadas, apresentando-se pelo comprometimento de seu sistema imunológico, perceptíveis pelo surgimento de doenças raras, como Sarcoma de Kapossi e Pneumonia. Vários médicos e cientistas ao analisarem os casos, concluíram que se tratava de uma nova doença, ainda não classificada, de etiologia provavelmente infecciosa e transmissível.

A doença, assim caracterizada em seus primórdios e concebida pela ciência como um problema de homossexuais, perpassou por grandes desafios mesmo em época rudimentar. Naquele tempo existia um certo temor pela moléstia desconhecida.

Em épocas passadas a prática homossexual estava relacionada com a propagação da doença. Embora, a correlação tenha sido em termos transmissíveis outros segmentos da sociedade foram infectados, até então despreocupados por acharem que não se enquadravam como homossexuais.

A epidemia avançava e também avançavam os conhecimentos sobre a AIDS, nessa perspectiva surgiram vários núcleos de debates e trocas de experiências, incluindo, grupos de pessoas atingidas pela doença. Dentre os problemas suscitados pela AIDS, o mais evidente é aquele que decorre de seu controle e prevenção, uma vez que estamos lidando com uma doença mortal de caráter epidêmico.

No mundo o número de pessoas infectadas pelo HIV, ultrapassam 42 milhões de casos entre crianças, adultos e idosos mais recentemente. No continente africano Subsaariano, de acordo com a Unaids (Agencia das Nações Unidas para a AIDS) os números se aproximam de 26,6 milhões de pessoas infectadas. Os países desenvolvidos e em desenvolvimento, também são alvo da proliferação da epidemia que assola o mundo (consultado em Fev/2004, www.aids.gov.br).

No Brasil, a AIDS chega em 1982, como “peste gay” ou “peste rosa”, foi assim que a imprensa brasileira designou, associando-a ao comportamento homossexual masculino, tendo como alvo pessoas promíscuas de hábitos sexuais reprovados pela sociedade. Os homossexuais em grupo e individualmente, enfrentavam a epidemia, enquanto o restante da sociedade se aproximava da doença através de pessoas famosas, amigos, e familiares.

A projeção para o Brasil é que se tenha 600 mil portadores do HIV. A doença difundiu-se inicialmente em áreas metropolitanas do Sudeste brasileiro, expandindo-se, posteriormente, nas diversas macrorregiões do país a partir da primeira metade da década de 80 (CHEQUER E CASTILHO, 1997).

Após longa trajetória, a epidemia de AIDS chegou ao Nordeste em 1983, quando Pernambuco, neste mesmo ano veio apresentar tendências crescentes. As taxas de detecção entre 83 e 86 eram de 0,03 a 0,25 casos por 100mil habitantes, chegando a 7,08 casos/100mil no ano de 2000. No Nordeste o número de casos de AIDS entre 1980 a 2002, contabilizaram um total de 22.249 casos, o que representou 9,4% do total de casos do Brasil. O Estado de Pernambuco apresentou em 2003, 6.928 casos da doença, 27 % dos casos da região Nordeste e 2,3% dos casos do Brasil. A Cidade de Recife, até Dezembro de 2003, apresentou 3.294 casos de AIDS, representando 48,9% dos casos em Pernambuco, de acordo com o Boletim Informativo (2003).

Adolescência: gênero e sexualidade – uma abordagem indissociável.

Adentramos nesta temática visto que, observamos que estas palavras aparecem-nos como algo incógnito, cheio de preconceitos, de moralismos, de dúvidas, de informações incorretas. A proposta é de discutir de forma transformadora e libertadora: o gênero não como uma discussão só para mulheres, a sexualidade diferente de ser algo natural no ser humano e a adolescência, para além da idéia marcada por estereótipos vinculados à crise e a incapacidade.

Ao enfocar a sexualidade como algo inerente ao ser humano observamos que suas vivências são marcadas pelas características de cada biografia. Realizando-se no âmbito da liberdade pessoal; tal vivência é, entretanto, condicionada pela estrutura social. Mediante o que apresenta Parker (1996), a sexualidade humana se caracteriza por sua virtualidade permanente, sendo intrinsecamente social, significativa em suas implicações coletivas por normas de comportamento, cuja importância é constante, embora seu conteúdo varie segundo tempo e lugar.

Observando o que apresenta os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN´s (1998), sobre temas transversais a serem trabalhados nas escolas públicas, este nos traz diversos elementos para o trabalho com sexualidade. A sexualidade encontra-se marcada pela história, cultura, ciência, assim como pelos afetos e sentimentos, expressando-se, então, com singularidade em cada sujeito. As expressões da sexualidade, assim como a intensificação das vivências amorosas, são aspectos centrais na vida dos adolescentes.

Boechat (1999) analisa a sexualidade como um conjunto dos fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e antropológicos que se manifestam no dia-a-dia nas relações entre as pessoas. Esta afirmativa ganha mais dimensão quando Louro (1997) cita que a sexualidade tem tanto a ver com as palavras, as imagens, o ritual, a fantasia e o corpo, e complementa, enfatizando a impossibilidade de se compreender a sexualidade observando apenas os componentes naturais, salientando que esses ganham sentido através de processos inconscientes e forma culturais.

Para Becker (1997), a “crise psicológica normal” que o adolescente atravessa, estaria relacionada à não aceitação de determinados valores, estigmas, preconceitos e contradições que a sociedade tenta lhe impor. Para o autor, em vez disso, poderia se tentar explicar esse fenômeno como a passagem de simples expectador para uma participação ativa e questionadora. Que inclusive vai gerar revisão autocrítica e transformação.

Adolescência (do latim ad, para + olescere, crescer: crescer para) se apresenta bastante novo, mesmo que tenha surgido no início do século passado. Tem como raiz a Grécia Antiga, onde Aristóteles os denominavam como românticos, apaixonados, impulsivos, exagerados, relacionando-o a idéia de crescimento, da busca pela identidade e da dor. A questão do jovem como problema é vista há muito tempo e acompanha toda evolução da civilização ocidental.

A transição para a vida adulta é influenciada pelo contexto em que o indivíduo se insere e pelo grupo socioeconômico em que vive. Do ponto de vista antropológico, o estudo da juventude em diferentes culturas, revela que há uma pluralidade de ritos associados à entrada do indivíduo no mundo adulto, expressa em cerimônias que marcam esta passagem em diferentes grupos étnicos.

Quanto aos trabalhos de intervenção em prevenção, vários estudos identificaram importantes lacunas no conhecimento sobre HIV e AIDS, e ao mesmo tempo, indicaram que apenas aumentar o nível de informação, sobre as vias de transmissão do HIV e sobre a necessidade de usar o preservativo não garante as mudanças das práticas sexuais, é nesse contexto que esse trabalho se insere.

Atualmente em Pernambuco vários trabalhos, focados na intervenção com dinâmicas de prevenção e sexualidade são desenvolvidos com jovens, observando-se o comprometimento social com a educação sexual e a epidemia de HIV que se alastra. Na intervenção com jovens, SILVA & SILVA (2002) ressalta que além da abordagem teórica sobre sexualidade e anatomia dos órgãos genitais, será imprescindível transmitir o conteúdo básico da sexualidade que se traduz no amor, o afeto, o respeito a si mesmo e ao próximo. Esta gama de sentimentos estão vinculados à sexualidade, e não podem ser separados da pessoa, pois fazem parte dela.

A abordagem de gênero é referência na antropologia e não pode ser desvinculada das atividades com educação sexual. O termo passa a ser bastante empregado a partir da década de 80.

Arilha (1998) ratifica através de sua análise conceitual e experiência profissional que é saliente a existência de preconceitos e dificuldades na esfera das relações de gênero. A propósito, segundo a autora, freqüentemente, os modelos de masculino e femininos apresentados às crianças e mais tarde ao jovem, são estereotipados e marcados por concepções culturalmente cristalizadas.

As investigações acerca da construção social da masculinidade e suas reflexões, como os estudos e intervenções com e sobre os homens no campo da saúde sexual e reprodutiva, vêm ganhando maior espaço no Brasil a partir dos anos 90. Para Arilha (1998) a busca da compreensão dos homens é importante, uma vez que, apesar destes terem sido historicamente excluídos, e/ou se colocaram à margem das discussões sobre a saúde reprodutiva, interferem de forma decisiva, determinando, muitas vezes, a forma de como as mulheres conduzem a sua saúde reprodutiva.

Família, escola, amizade e a questão da sexualidade

Trabalhos que se realizam na perspectiva de discutirem a tríade família, escola e amizade com o objetivo de constituir uma discussão sobre sexualidade, precisam ser mais explorados no campo das ciências sociais. Contudo, constitui um espaço de socialização do indivíduo para o seu desenvolvimento, sabendo, logo, que se trata de processos relacionais complexos que competem cotidianamente na formação do ser humano.

Todos nós sabemos alguma coisa sobre sexo, tivemos algum tipo de educação sexual, repressora, confusa ou útil, não importa, o fato é que de alguma forma, aprendemos o que é certo e o que é errado, bom ou mal, o que pode e o que não pode.

Na prática, toda família realiza a educação sexual das crianças e jovens, mesmo aqueles que nunca falaram abertamente sobre isso. É comum escutar dos pais nas relações com os filhos, o tipo de cuidados recomendados, nas expressões, gestos e proibições que estabelecem, e a necessidade do pai orientar o filho e mãe a filha. Mesmo que não saiba o por quê, são carregados de valores associados à sexualidade.

A família configura o primeiro e mais importante modelo de educação sexual das crianças através das palavras, ações e comportamentos. Dubeux (1998), referindo-se ao processo de transmissão de valores em seu trabalho com famílias de classes médias, reflete sobre o pensamento de Geertz , quando afirma que é no seio cultural que os homens e a cultura se constituem mutuamente. Logo, a transmissão de valores de uma geração para a outra é um fenômeno peculiar a todas as culturas. Nesse sentido o tema educação sexual, pode ser compreendido como um processo que é constituído nas interações entre o biológico e o cultural, o indivíduo e o social, o tradicional e o moderno. Compreender como se dá o processo de transmissão de valores sobre sexualidade entre duas gerações implica compreender que os valores, os atos, até mesmo as emoções, são produtos culturais, porém realizado a partir de tendências , capacidades e disposições com as quais nascemos.

Nesse contexto, assim como as demais experiências humanas, a experiência sexual tem se mostrado muito mais um produto das interações entre vários processos sociais do que um resultado de uma natureza humana imutável, biologicamente definida. Muito embora, acrescente Dubeux (1998), a experiência sexual esteja ao alcance de todos, ela tem servido ao longo dos séculos, tanto como instrumento de poder, como de prazer, de repressão, produzindo assim, formas peculiares de transmissão de valores, tabus, de preconceitos e estereótipos. Nesse sentido, é impossível falar de sexualidade humana sem contextualizá-la ou sem considerar o processo de socialização que a envolve. Tal procedimento acarreta o risco de se elaborar uma visão reducionista, que certamente implicaria graves distorções.

A sexualidade, portanto, é abordada primeiramente no espaço privado, por meio das relações familiares, ela estende-se na escola e com os amigos. No ambiente da escola a sexualidade não se inscreve apenas em portas de banheiro, muros e paredes. Ela invade a escola por meio de atitudes de alunos em sala de aula e da convivência social entre eles. Para Ribeiro (1993) todas essas questões são expressas pelos alunos na escola. Cabe ao professor, desenvolver uma ação crítica, reflexiva, educativa e responsável.

Estratégia metodológica

Nesse trabalho optei por uma metodologia que favorecesse a compreensão dos valores e representação do público alvo sobre as temáticas propostas, visando à compreensão do caráter dinâmico da realidade e uma intervenção educativa.

Foi desenvolvida uma Pesquisa-Ação. Esta não segue etapas rigidamente ordenadas, adaptando-se à dinâmica e às circunstâncias da situação na qual se está intervindo, favorecendo a construção do diagnóstico a partir do saber formal e do saber informal. Permiti-nos levantar os problemas através do estudo exploratório, bem como, trabalhar ações educativas e de intervenção, a partir dos dados e informações identificadas, ajustando-se com o referencial desde estudo (THIOLLENT, 1986)

Para realização das atividades propôs-se a realização de oficinas de educação sexual e sexo seguro em dois momentos, com um total de (8) horas, além de realização de palestras periódicas com os jovens do local.

Comentário sobre o público alvo, local e período de realização do trabalho.

O público é formado por jovens de idades entre 13 e 25 anos moradores da comunidade do Sítio do Berardo – Recife/PE. A comunidade pertence a RPA-4 (Região Política Administrativa) tendo aproximadamente 9.000 habitantes, entre os quais 20% são jovens na faixa etária citada. Nesse trabalho foram inseridos mais 25 jovens nas oficinas, tendo em vista um pedido da representação da comunidade, pois estes pertenciam ao – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI e que tinham como proposta o trabalho de prevenção das DST/Aids na comunidade. O trabalho foi realizado no período entre Dezembro de 2003 e Abril de 2004.

Um diferencial nesse estudo é a ação, justificada por uma atividade de extensão, a partir das análises das entrevistas e observação participante.

Resultados quanto às oficinas nas atividades com dinâmicas.

A maioria dos jovens são solteiros e não tem filhos, com exceção de um caso apresentar, o jovem é separado e tem três filhos. O nível de escolaridade dos jovens entrevistados varia entre, ensino fundamental (5ª série) ao ensino médio (incompleto e completo), com um quantitativo de 6 indivíduos em condição de atraso e desistência, todos por motivo de trabalho. Boa parte dos jovens não pensa em tentar vestibular ou fazer algum curso universitário, ao contrário, pensam em ter um emprego, uns para ajudar a família outros para constituir-se novas famílias. A renda das famílias dos jovens são na maior parte dos casos, valores que oscila entre 200 a 400 reais mensais, podendo também apresentar valores inferiores. Muitos deles encontram-se em difícil situação uma vez que pertencem a famílias numerosas com um contingente que variam (de 6, 7 e 8) pessoas numa mesma residência.

Vários jovens colocaram nos ‘bate-papos’ individuais terem iniciado sua vida sexual entre 9-13 e não usaram preservativos, mas demonstraram preocupação em receitar a camisinha aos colegas, uma vez que negligenciam o seu uso. Três jovens relataram terem contraído doença e alegaram não confiarem na camisinha do posto, ambos afirmaram não se dirigirem ao posto pela vergonha, timidez e também por preferirem a camisinha da farmácia, por serem mais seguras.

Nas dinâmicas educativas desenvolvidas com os jovens tratou-se de questões relativas ao uso correto dos preservativos masculino e feminino, situações do que os jovens consideram importantes numa transa, violência sexual, discussão sobre sexo na família. Nos trabalhos procurou-se ouvir mais o jovem e suas opiniões acerca de seus pontos de vista procurando norteá-los, nesse momento o indivíduo personaliza uma situação que pode acontecer com ele.

Um outro momento tratou-se de uma dinâmica intitulada “rótulos”, nessa simulação, observamos como agimos com preconceitos e como nos comportamos inserido no contexto de estarmos rotulados na sociedade. Na reflexão da dinâmica, ressaltamos que o que mais mata em nossa sociedade não é a doença e sim os preconceitos que construímos em torno dela.


Conclusões

O sistema educativo carece de uma política de educação sexual, seja na família, na escola e sugiro o estabelecimento de novas estratégias educativas sobre sexualidade e Aids para adolescentes, paralelamente a programas de capacitação para esses jovens em geral, tendo em vista seu potencial.

Gostaria de alertar quanto aos programas escolares de prevenção ao HIV, esse poderia ser um avanço para as escolas locais que circundam a comunidade, tendo em vista agregar boa parte desses jovens (os jovens trabalhados e demais da comunidade) em suas salas de aula. Nesse caso não existe ainda o comprometimento permanente e massificador desses agentes (escola, comunidade) em se trabalhar ou debater uma atividade de massa com esses jovens, com ênfase a intensificar as atividades com os adolescentes, com base nos riscos pessoais, objetivando a prevenção da Aids na comunidade.

A proposta de formação de agentes multiplicadores poderá contribuir em muito à comunidade do Sítio do Berardo, uma vez que é constatada nas relações entre os jovens uma maior e melhor recepção e aprendizagens das mensagens sobre prevenção, sobretudo de suas experiências sobre sexo. A linguagem dos jovens, para tanto libertadora e menos opressora, inclui formas de assimilação dentro de sua realidade para uma compreensão das práticas e comportamentos responsáveis.

Concluo também, que alguns jovens relataram mudanças no comportamento ou intenções de precaução contra o HIV. Mas, analisa-se algumas dificuldades que os adolescentes têm para personalizar a ameaça do HIV, uma vez que tendem a acreditar na segurança do sexo, quando a parceira é regular, de confiança.
Referências bibliográficas

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BOLETIM INFORMATIVO DST/AIDS. Diretoria de epidemiologia e vigilância Sanitária;programa estadual DST/Aids. Secretaria de saúde – PE. Maio/Dez. 2003. no 4.

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DUBEUX, C.R. Quando o assunto é sexo: um estudo geracional a respeito da transmissão de valores sobre sexualidade em famílias de camadas médias. Tese / UFPE, 1998.

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PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos. Brasília: MEC/SEF, 1998. 436p.

RIBEIRO, M. Educação sexual: novas idéias novas conquistas. Rio de Janeiro. Editora Rosa dos Tempos, 1993. 413 pág.

SILVA, M. R.; SILVA, M. S. Sexualidade e prevenção das IST´s/AIDS para adolescentes: sondando o popular. Artigo publicado no XVI congresso de Economia Doméstica. Guarapari/ES. 2003.



THIOLLENT, M. Metodologia da Pesquisa-Ação, S. Paulo, Brasiliense, 1986:17.

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