TranscriçÃo de coletiva de imprensa realizada em 07 de julho de 2009 sr. Fernando thompson



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TRANSCRIÇÃO DE COLETIVA DE IMPRENSA REALIZADA EM 07 DE JULHO DE 2009


SR. FERNANDO THOMPSON: Gente, vamos começar rapidinho? Bom dia, bom dia, bom dia ainda. Só informando, o Ministro Nelson Jobim teve que se ausentar, não vai poder participar da entrevista coletiva, ele pediu desculpas, mas tinha um compromisso, não pôde participar. Vamos começar então, com as regras básicas. A gente está com transmissão simultânea para colegas do Brasil e do exterior, então, por favor, façam as perguntas no microfone e nos ajudem. E vamos começar com um statement do Presidente Roger Agnelli.

SR. ROGER AGNELLI: Olha, primeiro eu queria pedir desculpas de estar aqui em cima, assim, meio, né? Estranho, né? Mas tudo bem. O que eu acho lindo é esse teatro aqui é muito bonito.

Eu acho que não tenho muito a acrescentar daquilo que foi apresentado já no evento, mas uma coisa eu gostaria de reinteirar. Quer dizer, esse compromisso nosso com o desenvolvimento dessas áreas do entorno das operações da Vale.

E aqui no Rio de Janeiro, sem dúvida nenhuma, é sede da companhia, a gente tinha que estar fazendo alguma coisa nessa direção.

Mas o que é legal, que aqui também vai ter, como tem um Tucumã, como tem nas outras Estações Conhecimento, vai ter formação técnica.

Então, por exemplo, lá em Tucumã, nós já estamos com quantos alunos na parte de hotelaria, Sílvio? 50 alunos? Na parte de construção civil, mais 50 alunos. Quer dizer, também tem toda a parte de ensino profissionalizante.

E enfermagem, por exemplo, vocês não sabem o quanto é difícil, principalmente lá no Norte do Brasil, no Pará, arrumar enfermeiros. Não tem enfermeiros. Então, nós estamos fazendo, e tem o curso de enfermagem também que nós estamos formando.

Agora, é evidente, quer dizer, isso tudo é parte da consciência da empresa. Pelo fato que nós estamos abrindo em Tucumã, que do lado de Tucumã tem uma cidade chamada, um município chamado Ourilândia, é uma ligadinha na outra, é onde a gente está abrindo a mina de níquel de Onça Puma. E o impacto que essa mina de níquel vai trazer no município é muito grande. Quer dizer, são várias pessoas. Hoje nós devemos ter, pelo menos, umas 10 mil pessoas construindo o empreendimento. E isso impacta a cidade com água, impacta a cidade com trânsito, impacta a cidade com a questão de saúde. E tudo, e depois da construção, quando começar a operar, a necessidade de prestadores de serviço, a necessidade de se ter uma infraestrutura na cidade para gente poder ter os empregados trabalhando, vai aumentar violentamente a demanda de infraestrutura do município. Então nós estamos investindo muito forte tanto na formação de mão-de-obra quanto na educação das crianças daquela comunidade, como o Vale alfabetizar, que é o processo de alfabetização de todos, e a ideia nossa é zerar o analfabetismo nesses municípios. Isso tudo está acontecendo. Não é uma coisa "e vamos fazer". Não. Isso é o fruto de um trabalho de três anos, mais de três anos fazendo diagnóstico em cada um desses municípios. Cada município tem uma realidade diferente. Cada município tem uma demanda diferente. E isso tudo foi feito, está catalogado, está sistematizado, está estudado, está analisado, e as ações para poder zerar esses déficits de infraestrutura e mesmo déficit de mão-de-obra também está sendo formado.

Então, esse projeto aqui no Rio também ele dá sequência a isso. Essa Estação do Conhecimento tanto urbana quanto rural será reaplicada em outros países do mundo. Por exemplo, na África, onde a gente atua, então, deveremos estar fazendo uma, já está sendo construída uma em Moçambique, do lado do nosso projeto de carvão. Estamos analisando e avaliando também de levar para Nova Caledônia, levar para Indonésia, levar para outros países aonde a gente possa ter mais ou menos as mesmas carências, ou as mesmas necessidades que a gente tem aqui. Então, em cada lugar tem um cerne, tem um DNA próprio, né? De como a gente vai desenvolver.

Então, a Fundação tem feito um trabalho maravilhoso nesse sentido, o Sílvio tem capitaneado isso com maestria. Eu acho que o Ministro Nelson Jobim colocou a empolgação que ele tem e o Sílvio é um, ele é absolutamente comprometido com esses programas. Eu acho que está indo super bem.

Então, o que eu gostaria, para finalizar, de afirmar, é o fato que nós estamos fazendo muita coisa, muita coisa. Eu gostaria que todos vocês conhecessem. Eu acho que alguém já foi lá em Tucumã, eu acho que a Denise já foi, a Mônica já foi, vocês estiveram lá em Tucumã. É lindo aquele projeto. É simples, porém, funciona. E o mais lindo é o do, que eu acho, assim, a APA do Gelado, que é um rural, que é lindo. Vai inaugurar agora em agosto. Aí vocês vão lá também ver essa do rural que é muito bonito. E ali vai ser produzido muita coisa, e a gente vai estar praticamente fornecendo toda verdura, leite, carne, para os refeitórios da Vale. Lá em cima que eu acho que é o maior refeitório do Brasil. São 26 mil refeições por dia nós servimos lá em cima nesse refeitório em Carajás. Então, precisa ter muito tomate, muita verdura, muito ovo, muito leite para abastecer esse refeitório.

Fundamentalmente é isso. Silvinho, você não quer falar alguma coisa? Fala alguma coisa, Silvinho.

SR. SÍLVIO VAZ: Eu acho o que Roger foi bastante amplo, mas algumas coisas que eu acho que são muito importantes.

Nós não somos Governo, nós somos uma empresa privada com responsabilidade social. E queremos ter um foco, queremos contribuir para o desenvolvimento das regiões aonde a gente atua. Não adianta a gente querer fazer tudo que não consegue fazer nada. Para isso, nós temos foco em quatro, quatro pontos principais: infraestrutura urbana, e aí lembra muito bem o Roger falando de Ourilândia, eu só queria completar.

Naquela conversa que ele teve com o Lula, a gente esteve junto, Ourilândia é uma das cidades. Falei: "Presidente, nós estamos investindo 2 bilhões de dólares e a cidade não tem água e esgoto". Aí o Roger falou: "O senhor me ajuda, Presidente?" Ele falou: "Roger, eu não estou fazendo mais nada que a obrigação".

E Ourilândia está recebendo, nós fizemos projetos executivos e captando recursos com o PAC de 42 milhões para fazer água e esgoto.

E aí, não é só pegar o dinheiro. É apoiar na licitação, apoiar na construção da obra, e depois, também não acabou. Temos que apoiar na construção de um ensaio local, para que eles possam fazer toda a gestão de cobrança de água e esgoto que eles não têm esse costume lá. Então, tudo isso é um processo, é um comprometimento com o desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida local.

Então, é infraestrutura, gestão pública, nós entramos muito forte na gestão da educação e da saúde, e a gestão da educação junto com o nosso programa que já está treinando e capacitando

114 mil pessoas da área da educação, e aí entra diretor, coordenador, professor, aluno, e o Escola que Vale entra agora num processo de gestão da educação, que ele vai desde o controle dos custos, controle de custo de uma merenda, controle de custo de transporte escolar, que é um dos maiores gastos da nossa, do setor da educação, e captação de recursos. Nós estamos fazendo projetos juntos a esses municípios para captar recursos que existem no Ministério da Educação.

Depois, como o Roger já lembrou bem, zerar o déficit de analfabetismo nas cidades onde a gente atua, controlar as invasões urbanas. A questão fundiária urbana é muito séria em vários locais onde a gente atua. Então, não adianta a gente ajudar na infraestrutura se continuar a invasão e a favelização. Então, trabalhar também na segurança no que diz respeito ao controle urbano. Então, são esses quatro pontos: infraestrutura, gestão pública, desenvolvimento humano e econômico, que aí entram as Estações Conhecimento. Mais do que a Estação Conhecimento, o Inove, programa da Vale do fortalecimento dos produtores locais e treinamento deles, compras locais, fortalecimento das compras locais, e junto da Valer, treinamento das pessoas que vão ser funcionários Vale naquela região. Tudo isso a gente faz com esses quatro pontos. Então, infraestrutura, gestão pública, desenvolvimento humano e econômico, e controle urbano.



SR. ROGER AGNELLI: Eu acho que o que você colocou, nós não somos Estado. Nós apoiamos. A gente procura alavancar.

A gente tem contatos no mundo inteiro, nós temos fornecedores no mundo inteiro, e a gente consegue, de alguma forma, alavancar recursos para cumprir a meta. Ou pelo menos, correr atrás da meta de zerar esses déficits de infraestrutura, essa questão toda de educação, nesses municípios, no entorno das nossas operações, aonde for. Quer dizer, eu acho, fundamentalmente, a gente começou no Pará, que eu acho que lá tem uma carência muito grande, a gente tem que fazer alguma coisa urgente e está sendo feito. Quer dizer, o Governo federal, através do Ministério das Cidades, o Governo Federal através de Caixa Econômica, através de Ministério do Esporte e tudo o mais, tem também alocado recursos para poder zerar esses déficits.

Por exemplo, está sendo construído quantas mil casas em Ourilândia? São duas mil casas em Ourilândia? Não sei. São duas mil né?

SR. SÍLVIO VAZ: Vão ser 15 mil no Estado. E o que é muito importante disso que o Roger está lembrando, da habitação, nós estamos alinhados com as políticas públicas. O Minha Casa, Minha Vida entrou, a Vale tem um fundo garantidor da habitação de 50 milhões que vai contribuir com esse programa de governo em cada localidade que for ser feito casa do programa Minha Casa, Minha Vida nós estamos fazendo os projetos executivos, apoiando na gestão desse processo, e fazendo todos os equipamentos sociais aonde a gente atua. Isso significa dizer, fazer dos novos conjuntos, das novas habitações, fazer a escola, a creche e o Posto de Saúde.

E além do mais, no programa Minha Casa, Minha Vida, para pessoas menos de um salário mínimo, a Vale está entrando com um subsídio junto ao Governo Federal e Estadual, de dois mil reais por casa. O Governo Federal entra com sete, a Vale entra com dois, e o Governo Estadual entra com um. Então, dá 10 mil reais para a pessoa fazer o primeiro embrião da casa dele a custo zero, totalmente subsidiado.



SR. ROGER AGNELLI: Os projetos são bonitos. Quer dizer, são vários projetos, mas todos muito simples, todos com muita objetividade, mas principalmente, com as pessoas trabalhando nessas áreas. Então, que nem nós colocamos. É o professor que a gente está treinando, é um enfermeiro que nós estamos formando, é o que cuida da hotelaria, está certo? Nós estamos formando. Quer dizer, tudo muito simples, mas com muita objetividade.

Eu acho que fundamentalmente, é isso. Eu não queria estar aqui, não posso ir lá embaixo não? Não gosto de estar aqui não. Eu acho ruim esse negócio, né?



SR. ROGER AGNELLI: Está melhor assim.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sr. Presidente, tudo bem? Eu gostaria que o senhor explicasse um pouco melhor essa frase "Vale cada vez mais verde e amarela".

SR. ROGER AGNELLI: A frase é o seguinte. Quer dizer, a Vale é uma empresa brasileira. A alma dela é totalmente brasileira. É uma empresa global, está no mundo inteiro, e agora é uma empresa brasileira. Então, o verde e amarelo já está nas cores da Vale.

Mas a questão que o meio ambiente, para gente, sempre foi, e mais do que nunca, a gente está muito avançado na questão de utilização de energia limpa, na questão de revegetação, reflorestamento, na questão toda de investir, por exemplo, no biodiesel, lá em cima no Norte, plantando dendê e tudo o mais.

No mundo inteiro a gente está produzindo mudas e desenvolvendo tecnologia de produção de mudas de combustível limpo e tudo o mais. Então, a Vale cada vez mais vai estar verde.

E o amarelo é no sentido social. É a atenção ao social. Se a gente pegar um farol de trânsito, o vermelho, verde e amarelo, eu acho o que verde é a questão nossa do meio ambiente, estamos livres, para a questão ambiental, investindo pesado nisso, e com muita atenção no social. Então, a Vale cada vez mais verde e amarela, porque o que a gente leva de desenvolvimento, o que a gente leva de progresso, o que a gente leva de infraestrutura nessas áreas carentes aonde a gente tem atuado, é impressionante.



ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O amarelo também pode ser do ouro das medalhas que poderão vir?

SR. ROGER AGNELLI: Também. Tem um pouco dessa conotação. O Brasil Vale Ouro, a gente gostou disso, porque o Brasil Vale Ouro, né? A gente interpreta da forma como a gente quiser.

Mas também tem a ver com isso. Quer dizer, de novo eu coloco assim. É um pouco da campanha que a gente vai lançar hoje. Não é questão que a gente está buscando atletas para buscarem ou tirarem ou ganharem a medalha de ouro ou a medalha de prata ou a medalha de bronze. O que a gente quer são pessoas, são indivíduos que possam ganhar vida, indivíduos que, de alguma forma, disputem a vida. Preparados para a vida. Eu acho que esse é o maior desafio.

Se vier uma medalha de bronze, Nossa Senhora, uma de prata então, nem se fala. Uma de ouro é uma felicidade. Mas não é essa a meta não. Eu acho que a meta é, quando a gente vai lá em Tucumã, a gente sente. Como é lindo, a garotada, é conseqüência do esforço deles, esforço eles têm demais.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Lamentando a ausência aqui do Poder Público, e levando em conta que uma empresa como a Vale ela é muito preocupada com excelência, até mesmo em função da competitividade mercadológica, e num projeto ambicioso como esse em que o grande nicho é o esporte, mas que objetiva também responsabilidade social, objetiva, obviamente, algum legado para essa região tão carente. E nas páginas policiais a gente vê todo dia tão violenta, eu não percebi aqui, lamentei não ter visto ninguém do Poder Público da área de educação. Será que um projeto como esse não teria que ter uma interligação que fosse com as escolas da região? Que hoje, lamentavelmente ensinam tão mal português, mas que poderia ser um gancho para vocês?

SR. ROGER AGNELLI: O Poder Público está principalmente escola pública. É a base de tudo. Podia explicar um pouco como é está.

SR. SÍLVIO VAZ: Eu acho que isso é um gancho muito bonito para gente no seguinte sentido. Olha que bacana.

Primeiro, a Estação Conhecimento ela vem trazer, eu acredito, uma novidade muito importante. A gente fala muito em PPP, mas nunca falamos em PPP social na educação.

A educação nossa, hoje, no Brasil, ela é focada e é administrada e ingerida pelo Poder Público. Ela é Poder Público. E a gente vê muito pouca ligação com a sociedade. A gente está trazendo a filosofia da Estação Conhecimento até com um pinguinho d'água, mas como algo que traz o Poder Público, a empresa privada, numa parceria do social. É uma OSCIP que busca melhorar e intervir na sociedade naquilo que era importante para ela.

Nós temos a rural, que nós vamos estar fazendo, para vocês terem uma ideia. Todo atendimento tem o Centro Educacional e tem cinco núcleos avançados que vai ter um técnico morando para atendimento da comunidade, de apoio técnico e organização da produção em escala, dos produtos deles. De frango, de porco, de leite, de verdura, de fruta. Para eles terem a qualidade, o padrão.

Aí, como que eles chegam até a escola, o Centro Educacional? O produto deles vai ser processado e comercializado pela escola. Ela é o centro institucionalizado e de conhecimento da gestão, que vai ajudar as comunidades naquilo que é importante para eles, tanto no aprendizado, e aí entra o aprendizado prático, o menino aprendeu a ser pedreiro, carpinteiro, eletricista, aprender sobre mel. Então, se ele vai ter biologia, vai ter biologia da abelha, que gera valor para ele. Então, todo esse conhecimento está sendo sistematizado, trabalhado, para ser uma escola.

E aí entra muito o que o Roger falou. Nós estamos trabalhando com diagnósticos profundos, para entender o que é a realidade de cada local. Nós sabemos, em cada propriedade rural, o que eles têm de galinha, de porco, de frango, tudo o que eles produzem, como produzem, o que fazem. Fizemos um plano de negócio individual para cada um, para mãe, para o pai e para o filho. Para ele ter um plano de negócio que gere, pelo menos, 450 reais para cada um da família. E aí ele possa gerar riqueza e desenvolvimento e sustentabilidade. Porque o filho dele vai estar sendo formado lá, com coisas práticas dentro da realidade onde ele vive.



SR. ROGER AGNELLI: Era importante você falar dos convênios com as Prefeituras, as escolas municipais e com o Estado, que treinam e fornecem os professores.

SR. SÍLVIO VAZ: Muito bom. O que tem disso? Nós não entramos em nenhuma Estação Conhecimento se não houver a parceria com a Prefeitura ou o Estado. Se não tiver, nós não entramos.

Eu já estive com a Primeira-Dama do Governo do Estado, infelizmente ela não esteve aqui, mas eu já conversei isso com ela. É fundamental isso. Porque em cada cidadezinha dessa que nós estamos, o que acontece? Olha, nós fazemos tudo isso, mas vocês entram com a mão-de-obra. 40 funcionários públicos. Por quê? Eles são a força intelectual local que precisa ser treinada e vai ficar institucionalizado. Se a gente for embora, isso fica, isso fica lá.

Então, é interessante, quando a gente fez o treinamento para os professores de educação física de Tucumã, hoje, Tucumã mudou as aulas de educação física. Já transbordou para as escolas. Então, cada Prefeitura entra com o convênio da mão-de-obra local para que esse conhecimento fique um legado de conhecimento sustentável, sistematizado e institucionalizado.

SR. ROGER AGNELLI: E tem dentro da Fundação Vale um programa chamado Escola que Vale. E que a gente ensina o diretor, e a gente.

SR. SÍLVIO VAZ: Professor, coordenador.

SR. ROGER AGNELLI: O professor, o coordenador, como aprimorar, como melhorar, como planejar, como atualizar a metodologia de aulas. Eu acho que é sabido, quer dizer. Em alguns casos, encontramos até professores analfabetos. Isso é sabido. Aí vai lá, tem que ensinar, tem que treinar, selecionar, e está tendo uma boa aceitação.

Agora, claramente o seguinte. De alguma forma, esses municípios aonde nós atuamos querem uma parceria com a Vale? Ótimo. Então entra Câmara Municipal, entra Prefeitura, entra o Governo do Estado, entra o Governo Federal, tudo, através de convênios, para gente poder alavancar recursos de infraestrutura e levar a Estação de Conhecimento, fazer todo o treinamento de professores. Eu acho que isso é perene, é uma coisa perene. Quer dizer, nós não estamos dando dinheiro, assim o seguinte "olha, tô o dinheiro aqui, tô fora”. Estamos lá presentes, estamos juntos com eles. Agora, tem que estar junto também, tem que querer, porque se não quiser, não tem o que fazer.

Mas as escolas públicas estão no município, no Estado, e o Ministério da Educação também tem acompanhado fortemente todos esses projetos.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu gostaria de perguntar quais são as expectativas para venda de notas conversíveis que a Vale anunciou ontem à noite. Quando vão precificar esses papéis, quanto dinheiro deveriam levantar com isso, e vai ser usado para quê? E permite mais uma? Não?

Ah sim, e parece que a Vale Inco no Canadá está negociando com os sindicatos para chegar a um acordo em Sudbury sobre o futuro das minas. Parece que essas negociações acabam de fracassar, e parece que tem o risco de uma greve nas minas lá. O que a Vale pode fazer para aliviar, melhorar essa situação, já que não está querendo produzir muito níquel lá neste momento?



SR. ROGER AGNELLI: Bom, a primeira pergunta, nós tínhamos algumas ações em tesouraria, e a gente está com um programa de investimento muito, muito, muito pesado. Então, nós estamos recolocando essas ações da tesouraria através desse documento, mandatório. A precificação deve estar saindo até o final da semana, quer dizer, entre hoje e até sexta-feira. Eu acho que a aceitação é tranqüila, porque está falando do volume de 1 bilhão, 1 bilhão e pouquinho de dólares. E o volume de negociação das ações da Vale diariamente é muito maior do que isso, né? Então, não vemos nenhum problema.

Eu acho que fundamentalmente é uma questão de reforçar um pouco mais o caixa para tocar os nossos projetos, e que não são poucos, são muitos, são muitos. E qualquer projeto, ou qualquer investimento em mineração, você tem que ter, correr os 10 mil metros fundos, não é 10 mil metros rasos, porque você começa a investir, você pára de investir só depois de quatro anos, cinco anos. Então, você tem que ter uma posição de caixa muito forte para tocar esses investimentos em projetos greenfield né? Projetos que começam do zero. Então, fundamentalmente, é isso.

Em relação à questão de greve no Canadá, a Vale tem trabalhado, e nós, quando a Vale foi privatizada, foi convertido aquele Fundo de Pensão que era o benefício definido para a contribuição definida, e foi um esforço enorme que foi feito naquela oportunidade. Porque gente acredita que isso não é em benefício de ninguém, isso somente é em benefício de pequena minoria, pequena absoluta minoria. E o que tem que ser, tem que ser contribuição definida. E aposentadoria, como conseqüência, é proveniente da aplicação dos resultados desses recursos.

Na Inco, nós fomos lá e lá tem o benefício definido, e nós não queremos continuar com isso. Então, encerramos esses planos de contribuição, de benefícios definidos. E a gente já viu, e está vendo ainda hoje, várias empresas, várias empresas quebrando ou não tendo soluções econômicas em função do buraco causado pelos Fundos de Pensão com esse tipo de cláusula. Então, é benefício de quem isso? Se quebram as empresas porque a empresa não aguenta pagar? Pagar aqueles que não estão gerando, que já geraram. Quer dizer, então eu acho que tem que ser em cima da contribuição e não em cima do benefício. Essa é uma filosofia.

Então, é uma questão agora o que Sindicato não aceita porque tem uma questão ideológica de Sindicato, tá Ok. Nós também não aceitamos continuar nesse tipo de coisa.

Tem alguns outros itens na pauta de negociação que a gente está avaliando.

O fato é o seguinte: O mundo hoje tem passado por um processo muito positivo de ajustes, de mudanças, de melhoria de produtividade, eficiência, competitividade. E a gente entende que todos os compromissos que nós assumimos com o Governo, todos os compromissos que nós assumimos com os empregados das empresas que nós adquirimos, todos eles estão sendo cumpridos, e respeitamos todos. Respeitamos todos e a todos.

Agora, nós estamos querendo estar na mineração de níquel para os próximos 200 anos, e não vamos colocar em risco a continuidade da empresa, a sobrevivência da empresa por questões que eu diria, menor. Sudbury é onde nasceu a Inco, respeitamos enormemente, só que tem uma realidade. Sudbury hoje é um local de maior custo da Vale. É o maior custo. E não dá, não é sustentável, não é sustentável. Continuar do jeito que, durante 100 anos, 150 anos foi feita a mineração lá, não é sustentável. Tanto é que mudou de dono, nós compramos. E se não tivemos comprado, a Inco hoje não estaria nem viva, nem sobreviver ela estaria sobrevivendo. Está sobrevivendo porque tem uma empresa do porte da Vale segurando isso tudo e terminando os investimentos que foram iniciados.

Que nem eu digo, investimento em mineração são investimentos de quatro anos. Quer dizer, a empresa tem que ter muita saúde financeira para aguentar esses investimentos.

Então eu diria o seguinte: Olha, queremos o melhor para a empresa, queremos o melhor para os empregados, ninguém mais do que a Vale entende o que é carência, o que não é carência, o que é necessidade, ou o que não é necessidade. Ninguém melhor do que nós, que a gente está aí no mundo inteiro vivendo isso no dia-a-dia. Agora, a gente quer continuidade da Companhia.

Então, tem uma negociação, vamos negociar. Cada um com as suas convicções, e a gente tem uma convicção, a gente quer o bem da empresa e o bem dos empregados.

SRA. EMÍLIA: Oi, meu nome é Emília, eu sou da Revista Eco 21. Eu queria saber por que foram escolhidas essas três modalidades de esporte, que é o judô, o atletismo e a natação, por que isso foi eleito? E se a educação ambiental, se ela está presente nessas casas que vocês estão construindo dê que maneira, enfim, nos centros educacionais, e enfim, até os próprios agentes ambientais para trabalharem nas minerações.

SR. ROGER AGNELLI: Eu respondo a última e o Sílvio responde a primeira.

A segunda pergunta, o seguinte, todas esses garotos que vocês viram, as meninas e tudo, já plantaram em Tucumã, em Ourilândia, árvores na cidade como um todo. Quer dizer, educação ambiental faz parte da atividade, da atividade. Preservação, questão de reciclagem, lixo, plantio. Isso faz parte. Como você disse, sustentável. Alguma coisa sim, nem tudo.

Eu acho que essa questão toda do solar, a questão do... A gente tem que ter algum, algumas preocupações, né? Eu acho que educação vem primeiro, né? Eu não acho que o exemplo vem em segundo lugar. Eu acho que a hora que você tiver renda para sustentar determinados caprichos, até, eu diria, eu acho que aí sim é possível, né?

Então a gente tem que adaptar as coisas. Eu acho que a questão ambiental é ensinar esses garotos a ter uma profissão, que a profissão deles não seja desmatar. Já é um bom começo, já é um bom começo. Ensinar uma profissão que não seja para queimar ou produzir carvão. Educá-los para eles poderem ter e compreender o quanto é importante preservar a natureza. Aí nós vamos chegar lá.

Agora, sonhar com energia solar é possível, ou energia a eólica. É possível, mas isso tudo é muito caro, em lugares que nem energia elétrica tem ainda, nem energia elétrica tem ainda. Não é todo lugar que tem não. Não tem água tratada.

Agora, tem algum senso que eu acho que a gente sempre tem que olhar o seguinte. A figura central de tudo, para mim, é o homem, é o homem. Então, a gente tem que preservar a natureza, porque preservando a natureza nos dá a sustentabilidade de poder viver lá no futuro, não é? Lá no futuro. Agora, a figura central de tudo é o homem, não se pode aniquilar desenvolvimento pensando somente na questão do meio ambiente. Não se pode aniquilar, porque o homem depende do desenvolvimento também para poder chegar lá.

Então você tem uma equação de curto, médio e longo prazo. Eu acho que no curto prazo, principal coisa, é educação, é conscientização, é dar alternativas às pessoas de poderem se sustentar. Aí sim você pode, a partir daí, partir para um outro processo, que é o processo realmente de conscientização, de um processo realmente que você possa atuar positivamente.

É um pouco, eu acho, divisão de mundo. Como é que as pessoas ou como é que pelo menos eu vejo o mundo. Eu vejo o mundo, o centro para mim é o homem. Alguns outros olham o centro do mundo é o Jardim, é a planta, é não sei o que. Eu também gosto, também gosto, não desgosto não. Mas aí é uma questão, é o seguinte. É o centro de tudo, o centro de tudo é o homem e a gente não pode dissociar preservação ambiental de desenvolvimento. Tem que ter um balanço, tem que ter um meio termo, e tem que começar por algum lugar.



SR. SÍLVIO VAZ: É, porque as três modalidades, só completando um pouco da sua pergunta, tem também todo o treinamento, ensinamento, principalmente nas rurais, de conseguir sobreviver, na visão do homem, dentro do 8020, que é a lei de lá. Então, a gente está replantando e preservando em cada área de cada propriedade.

E a propriedade que é o módulo exemplo na escola, ele é dentro do 8020 usando o SAF, que é o Sistema Agroflorestal, com frutas típicas locais, açaí, cupuaçu, para que possa gerar renda também, preservando o homem dentro daquela biodiversidade.



SR. ROGER AGNELLI: Eu gosto desse termo, eu gosto de debate, sabe? Eu adoro esses debates todos, né? Eu adoro esses debates todos. É verdade. Mas eu vejo o seguinte, eu vejo um monte de Ongueiro por aí sérios, sérios. Agora, eu vejo um monte de Ongueiro que só fala, fala, fala, nunca plantou uma árvore na vida, nunca cuidou dum animal, nunca fez absolutamente nada. Pior do que isso: Pega essa turma toda, vê como é que trata os empregados deles. Eu acho que a dignidade, o respeito ao ser humano, e centrar o homem, é fundamental. Então, tem muita gente que olha, e não faz nada. Cobra dos outros, cobra muito dos outros, agora não faz nada.

Uma coisa eu estou tranqüilo: Eu faço. Até minha esposa está aí, ela também faz, muito, muito, não é pouco não, ela faz muito, principalmente na questão social, faz muito. E a Vale faz muito, mas muito mais do que qualquer outra empresa.

Hoje saiu aquele relatório da Goldman Sachs, Goldman Sachs. A Vale foi lá entre mil empresas, são 88 empresas são colocadas como sendo destaque. Da área de mineração, só duas empresas, e a Vale é uma delas. Então, nós estamos bem, estamos bem, estamos muito bem. Agora tem que ir lá conhecer. Que a Vale tem uma dificuldade muito grande. Nós estamos em 30 países. Nós estamos aqui no Brasil em 18, 19 Estados com operações espalhadas por tudo quanto é lado. É difícil pegar.

Eu gostaria de pegar todos e levar lá para ver o que a gente está fazendo, porque falar, falar. Gostoso é ir lá ver. Então a gente tem o GRI. Aquele relatório de sustentabilidade que a gente coloca isso tudo. Gente, eu posso dizer: É lindo. E tudo bem.



SR. SÍLVIO VAZ: As três modalidades, eu fui conversar, o que eu considero que mais entende, o Poder Público, eu fui conversar, na época, com um Secretário de alto rendimento, que era o Djan Madruga. E falei com as confederações, também. E eles me mostraram que as três modalidades que mais, eu também, primeiro que a gente não é Estado, a gente tem que estar focado, não dá para fazer tudo. O que a gente vai fazer? Houve essa questão.

Então, paraolímpico? Sem ser paraolímpico? Então o paraolímpico nós estamos bem, que foi colocado, e para gente decidir. Então, tudo bem, não vai ser paraolímpico, vai ser. E quais são os três que mais ganharam medalha para o Brasil, na história do Brasil? Justamente natação, judô e atletismo.

E temos também o futebol, em todas as estações para masculino e feminino. Aí é um sonho para futuro, né? A gente gosta de sonhar um pouco. Mas se realmente der certo e as meninas estão indo muito bem, nós podemos fazer um centro nacional do futebol feminino. Então, são três individuais e um coletivo.

Mônica Ciarelli: Eu estava querendo saber, porque na sexta-feira vocês informaram que podem aumentar a participação na CSA. E aí eu estava querendo saber se vocês, quando vocês pretendem definir isso e até quanto vocês podem aumentar, o porquê estaria aumentando. E se essa captação agora tem alguma relação com esse aumento de capital.

E a segunda pergunta é: Vocês anunciaram umas demissões há pouco tempo atrás. Essa é a última leva, a Vale já está ajustada? Ela já conseguiu ajustar a sua folha de pagamento a essa nova realidade econômica ou a gente ainda pode esperar novos ajustes?



SR. ROGER AGNELLI: Bom, primeiro, não tem leva. Tem ajustes que a gente tem que fazer. E nós empregamos, a empresa como um todo, mais de 90 mil empregados, mas diretamente são 62 mil empregados na Vale. Aqui no Brasil são 42, 43 mil empregados. Quer dizer, quando você fala que alguns processos de demissão ou de ajustes que a gente faça cinco aqui, dez ali, e tal, simplesmente é questão de você melhorar desempenho, ou foi por desempenho ou foi por algum ajuste.

O fato que a gente não pode fechar o olho, é que nós temos hoje, ainda, quatro pelotizações paradas. Nós temos cinco minas fechadas. Nós temos mais de 300 locomotivas paradas no pátio. Nós temos mais de cinco, seis, sete mil vagões parados no pátio. E a gente tem que se ajustar.

Tudo o que foi e o que é possível fazer para manter o principal ativo da Vale, que são os empregados, nós fizemos, estamos fazendo e vamos continuar fazendo.

Agora, que nem eu digo. Se falar em 100 num universo de 42 mil, ou você falar em 500, 600, num universo de 90 mil, é menos do que turnover, é menos do que qualquer coisa. Isso, todo mês, sempre, historicamente, entra e sai esse número de pessoas. A única coisa que nós estamos fazendo, quer dizer, esse processo todo de ajuste, os aposentados e tal, a gente tem um plano, e a gente está, e priorizamos isso tudo, de forma a causar o menor impacto possível social, seja lá o que for. O menor impacto no ativo principal da empresa que é, que são os seus empregados.

Agora, é aquela história. Sempre quando se tem problemas, ou quando você tem que enfrentar duras realidades, ou quando você tem que enfrentar qualquer que seja a realidade, tem os aproveitadores. Então, tem alguns infelizmente, alguns de gostam de reverberar, de falar, que tem a demissão em massa, que nem tem um rapaz lá em Itabira que é do Sindicato esse é, sabe? A posição dele é política, quer ser político. Então ele quer plataforma, e a plataforma dele não é nas coisas boas que ele vai fazer, vai ser visto.

Então, sinceramente, não tem nenhum processo de demissão em massa, não tem nada, tem ajustes que nós estamos fazendo. A companhia está bem, eu acho que o pior já passou, já passou. Nós estamos tranqüilos e conscientes de que toda a responsabilidade, todo o cuidado com os nossos empregados nós temos e sempre vamos continuar tendo esse cuidado.

A outra pergunta em relação se essa colocação que nós estamos fazendo tem a ver com o CSA? Não. Não tem absolutamente nada a ver.

Em relação à CSA, é um projeto que nós desenvolvemos desde o começo junto com a ThyssenKrupp. Uma empresa de excelência, uma empresa fantástica, uma empresa que tem uma tecnologia de ponta, e está sendo realizado aqui o maior investimento, o maior investimento do ocidente. Projeto CSA é o maior projeto do ocidente. São mais de, é em torno de 5 bilhões de Euros. É muito dinheiro.

Nós havíamos feito um acordo de acionistas de estar participando com 10% do projeto. E a gente está participando com 10% do projeto. Evidentemente garantindo o fornecimento de minério, e foi o desejo na época da Thyssen, de ter a Vale com 10%, está ótimo. O fato de estar fazendo aquilo nos deixou muito contentes.

Agora, de novo. O mundo está passando por uma crise extraordinária. E um dos setores mais, os setores mais afetados a nível mundial foi o setor de siderurgia e o setor de mineração. Graças a Deus que a crise nos pegou e a Vale estava preparada para ela. Dinheiro no caixa, os projetos andando, a empresa ajustada, a gente estava preparado. E a gente está passando por ela.

A Thyssen foi pega duramente na Europa, eu acho que o local do mundo, a área do mundo que mais está sendo afetada pela crise. E com investimentos de 5 bilhões de euros aqui, mais um outro investimento nos Estados Unidos, é muita coisa.

Então, o que nós nos prontificamos a fazer é o seguinte: Se para terminar o projeto, a Thyssen quer um apoio mais forte, mais direto da Vale, estaremos juntos , como sempre estivermos. Se tiver que aumentar a nossa participação, aumentaremos. Porque a gente quer ver essa planta rodando em janeiro, é isso que a gente quer ver. Então, se tiver que aportar mais capital, vamos aportar. O quanto, não sei ainda. O valor, o quanto nós vamos ficar, não sei. Estamos conversando. Não sei, não sei. Nós vamos fazer o que for necessário para que o projeto ande, o projeto ande.

A Thyssen é uma grande cliente, uma grande parceira, extraordinária empresa, para nós uma das melhores empresas do mundo. Agora, a crise é dura, está sendo muito dura, principalmente para o setor siderúrgico a nível mundial. Para vocês terem uma ideia, na média, com exceção de China, China é exceção. Com exceção de China, o resto do mundo siderúrgico está trabalhando com 50% da capacidade. É um negócio brutal, brutal. Não é brincadeira não. É brutal. No setor intensivo de capital, que se consome muito capital de giro. Então, é brutal.

E no Brasil, não está sendo diferente. Agora que a gente está começando a ter os primeiros sinais de recuperação. No Brasil, os primeiros sinais de recuperação modestos na Europa, primeiros e modernos sinais de recuperação nos Estados Unidos, e na Ásia como um todo, está indo bem. Mas os primeiros sinais de recuperação estão vindo agora. E essa crise, quer dizer, ela chegou em setembro do ano passado. Vai fazer quase um ano que você tem que lidar com volume menor e preço menor. É cruel.

Então, com CSA, fundamentalmente é isso. Se a gente tiver que estar apoiando, temos todo o interesse, toda a disposição, toda a abertura, toda a vontade, para ver esse projeto rodando em janeiro.

SR. YURI VIEIRA: Yuri Vieira do Esporte Interativo. O projeto que a Vale está montando é muito grande e essa estrutura também. Eu queria saber qual é a disponibilidade que atletas já renomados do esporte olímpico brasileiro possam usufruir dessa estrutura, já que de repente possa haver uma troca. Eles possam treinar, e de repente, em troca, dar malas trás e ajudar as crianças no treinamento. Pode haver um tipo de parceria e esse treinamento com os atletas já renomados?

SR. SÍLVIO VAZ: Eu acho que pode, sem dúvida. Porque é um processo de longo prazo. Como o Roger falou, na mineração, como no social, a gente não investe. Nós estamos investindo em todas essas estações no Brasil inteiro, e leva um tempo para atingir índices, e já tem atletas com índices. Ex-atletas com índices que neste primeiro momento quiserem vir para cá, vai estar de portas abertas os nossos alojamentos, para estar recebendo esses atletas, participarem desses treinamentos de alto nível.

Agora, quando tiver os atletas que a gente está formando, porque a gente não está para pregar o nosso símbolo em atleta formado. A gente está formando da base, nos vários locais do Brasil, locais até longínquos, para estar minerando esse ouro humano, né? Nessas localidades.



SR. ROGER AGNELLI: Eu acho o que mais importante, a gente quer formar garotos, jovens e garotas, formar para a vida. E dar oportunidade de se destacarem, eu digo, de fazer um esporte. Mas se houver os garotos que se destacam, a gente vai procurar conduzir com treinadores competentes, com outras experiência também, mas aqueles que se destacam. Mas o principal objetivo, acho que é formar a garotada.

Agora, nós temos convicção no seguinte. Se vocês virem os talentos que tem, talento inato, não é uma coisa que foi fabricada, é talento inato, que alguém descalço corre mais do que um cara com tênis Nike super turbinado, o diabo a quatro. Mas corre muito mais. Aí vamos nós, né? Vamos conduzir essa garotada. Eu acho que vale total a pena no sentido de ter essas parcerias, né?



Ana Paula Grabois do Valor Online: Oi, tudo bem? Eu queria saber como é que estão as negociações de preço de minério com a China, se já fecharam, quanto que foi, como é que está.

SR. ROGER AGNELLI: Você sabe que eu nem sei? Eu nem sei, é aquilo que eu falei, quer dizer, tenho falado bastante. O cliente escolhe o que ele quer. O australiano. O ano passado, nós fechamos o preço com a China, estava tudo acertado. De repente eles fizeram um outro preço para o australiano. Dessa vez a gente achou melhor não fazer nada, está acertado o preço do Japão, da Coréia, acertado o preço na Europa, etc, etc, etc. O chinês vai ver o que ele quer fazer.

Ana Paula Grabois do Valor Online: Expectativa o que preço seja mais ou menos o mesmo?

SR. ROGER AGNELLI: Não, benchmark de forma muito clara. Ele está dado. Esse é o benchmark, está dato. Isso é um fato. Opção. Tem opção, vai para o spot. Então, nem isso. Estamos vendendo, faturando, estamos trabalhando, crescendo em produção, devagarzinho estamos crescendo, ambiente interno também estamos crescendo, tem uma demanda forte. Europa, que nem eu disse, começou a melhorar um pouquinho, o Brasil começou a melhorar um pouquinho, é um grande mercado para gente. Agora, o benchmark está dado, está estabelecido, está claro, está publicado, transparente, e em exercício. A opção, não sei. Agora, é que nem eu digo, não sei, eles estão negociando lá com os australianos.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Só mais uma coisinha, é sobre a CSA. Eu queria saber se vocês têm um limite de aporte de capital aí, valor.

SR. ROGER AGNELLI: Eu acho que siderurgia não é o nosso core business, nós não queremos nos transformar numa holding siderúrgica, ou alguma coisa assim do gênero. Ao que gente quer fazer e nós estamos procurando fazer é viabilizar projetos siderúrgicos no Brasil. Então, nós tivemos, um tempo atrás, o terceiro alto forno da CST. Foi construído, e dentro do acordo, nós saímos do capital da CST. Quer dizer, a gente só saía do capital da CST, só venderíamos a nossa participação na CST se tivesse a construção do terceiro alto forno. Foi feito.

Na CSA, nós sempre colocamos: "Olha, pode ir de zero a 20, 30%. Participação minoritária, nós não queremos fazer gestão, nem nada". Num primeiro momento, foi estabelecido 10%. Nós estávamos felizes. E vamos ficar felizes em ver o projeto sendo terminado se a gente tiver uma participação de 15, de 20, 25%. Quer dizer, agora nós não somos operadores siderúrgicos, nós não somos uma empresa, uma holding siderúrgica. Nós queremos simplesmente viabilizar os projetos no Brasil. Assim está sendo no Ceará, que projeto está andando, continua andando. Assim está sendo no Pará, aonde a gente está pegando a assessoria técnica para o projeto da Thyssen, assim está sendo as áreas que ainda a gente continua desenvolvendo aquela siderúrgica no Espírito Santo, continuamos, sozinhos, sozinhos. O projeto nós estamos fazendo e queremos parceiro. Agora, fazer o projeto sozinho, não é o principal objetivo da Vale. Não é o principal objetivo da Vale.

Agora, a gente acredita que nessas últimas décadas os investimentos em siderurgia no Brasil foram muito pequenos, muito pequenos, em aumento de capacidade. E o que está tendo de aumento, fundamentalmente, tem sido em cima das parcerias ou dos projetos desenvolvidos pela Vale. Então, CSA, para nós, é o projeto de sucesso, está aí, está sendo implantado, será terminado. Se a Thyssen assim desejar, a gente reforça a posição para acelerar esse start up e a inserção dessa nova planta no mundo inteiro. Que o mercado não está fácil, está difícil, né? O mercado é muito difícil. Mas, vamos nós. Não tem limite. Quer dizer, o limite nosso é o seguinte. O limite aceitável de ser um sócio estratégico, minoritário, que não quer se transformar numa siderúrgica, não quer virar uma holding siderúrgica, mas que os projetos andem.

SRA. FERNANDA NUNES: Boa tarde. Fernanda Nunes. O Governo anunciou agora nos últimos dias, um projeto grande, um programa grande de ajuda, né? Os setores que estão sendo mais impactados, influenciados pela crise. A Vale, de alguma forma, tem interesse em se beneficiar desse programa, entrar com algum tipo de pedido no BNDES? As condições não são hiper favoráveis? Você falou em alguns projetos que mereceriam recursos. Não seria uma via interessante?

SR. ROGER AGNELLI: O BNDES tem apoiado muito todos os projetos de investimento da Vale. Tem avaliado siderúrgica do Ceará, tem avaliado siderúrgica do Pará. Tem disponibilidade, tem vontade de apoiar a CSA. Então, o BNDES é um parceiro importante para os projetos nossos de investimento.

Agora em relação ao Governo, a gente não tem pedido nada. Graças a Deus, não estamos precisando. Nós estamos numa saúde financeira muito grande, muito boa. Nós estamos extraordinariamente saudáveis. A única coisa que a gente não quer é aumento de imposto, que eu acho que já ficou provado que se baixar imposto, melhora para todo mundo. Você viu venda de carro, construção civil, e por aí. No final, no final, o Governo é capaz até de arrecadar mais. Arrecada mais reduzindo imposto do que mantendo imposto no nível que está.



ORADOR NÃO IDENTIFICADA: Boa tarde, Presidente. Você mencionou aí que no Brasil já está tendo uma recuperação, já, no mercado, uma pequena recuperação. Os outros mercados já começam também uma coisa bem modesta. Queria saber em relação a esses dados aí, de paralisação de produção dessas cinco minas, quatro pelotizadores, se já dá para vislumbrar alguma coisa, sendo retomada já num curto prazo. E também em relação a Belo Monte, ao leilão, como é que a Vale está avaliando, se já estão estudando algum consórcio para entrar realmente nisso.

SR. ROGER AGNELLI: Olha, em relação à questão de Belo Monte e tal, vamos ver o edital como é que vai sair, e tal.

Nós gostaríamos e teríamos interesse em participar de projetos de geração de energia que fosse energia competitiva. Energia no Brasil sempre tenho dito, está muito cara, está muito cara. Então, tudo o que vier de projetos novos para aumentar a geração de energia, eu acho que é essencial para a sociedade brasileira.

Para a Vale, especificamente, a energia interessa como insumo de produção. A energia tem que ser uma energia competitiva. Então nós vamos ter que comparar Belo Monte com outros projetos, e outros projetos no mundo inteiro, no mundo inteiro que a gente está avaliando.

Nós estamos construindo hoje Estreito, estamos juntos no consórcio de Estreito, está andando. Não saiu barato, não está saindo barato, porque de repente pára tudo por uma questão ambiental, questão de Ministério Público, e quando você tem 10, 12, 15 mil pessoas num canteiro de obras trabalhando e você tem que parar por uma decisão judicial, isso tudo encarece o custo da obra. Não está fácil investir no Brasil, não está fácil investir no Brasil. Continua ainda muito difícil, e muito lento, e muito burocrático, muito complicado fazer grandes projetos no Brasil. Então, a gente tem que avaliar com bastante cautela, comparando viabilidade, custos, e olhando energia; no caso da Vale, como insumo. Quer dizer, não é para gente estar vendendo energia no mercado, esse não é o negócio nosso. O nosso negócio é que a gente precisa de energia para tocar a nossa atividade.

A Vale é a maior consumidora de energia do Brasil. Tanto em questões de óleo diesel, óleo combustível, e energia elétrica. Somos disparados os maiores consumidores de energia. Então, energia é importante para gente.

A outra pergunta sua foi? Em relação à retomada de produção, a gente tem sentido sim. No Brasil, eu acho que está sendo, pelo menos na mineração, alguma retomada. Na atividade geral, eu acho o que Brasil, em relação aos outros países do mundo, é um dos países que menos sentiu a recessão, eu acho que a gente não tem recessão, não está em recessão, comparado, por exemplo, com Europa, comparado com Japão, comparado com outros países do mundo que tem sofrido muito mais que o Brasil. Eu acho que a gente está indo super bem.

Europa também começou a retomar com muita, modestamente, mas está retomando. A gente tem trabalhado com um cenário ainda difícil para 2009. Esse é o cenário que a gente está trabalhando.

Para 2010, o mundo começa a crescer um pouco mais, mas bem aquém das taxas que vinha crescendo em anos anteriores. Vários economistas dizem que a recuperação para voltar ao patamar de 2008, na média de 2008 demora alguns anos, quer dizer, vai ser uma retomada lenta. A gente trabalha com essa expectativa. Só que eu tenho colocado de forma muito clara. Assim como nós tivemos uma surpresa fortemente negativa em julho, agosto, setembro do ano passado, que eu acho que ninguém imaginava a profundidade e a dimensão e a velocidade dessa crise, eu acho que a gente pode ter uma surpresa positiva aí no meio do caminho, também.

E eu trabalho com uma possibilidade de surpresa positiva para o final do ano, começo do ano que vem. Eu acho que pode ter, pode ter sim, uma surpresa positiva. Então, a gente tem que trabalhar olhando o que de pior pode acontecer, mas de olho naquilo que de positivo também pode acontecer.

Então, estamos trabalhando com cenário de recuperação lenta, no entanto, estamos preparados, estamos prontos para uma retomada, uma surpresa positiva mais para o final do ano, começo do ano que vem. O benchmark está dado.


Começa o outro áudio

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Assim, se ele não aceitar esse bentmark, só resta o mercado...

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu estou perguntando.

SR. ROGER AGNELLI: Mas ela não está dizendo isso, ela está dizendo... gente, o bentmark está dado. Eles têm a opção, ou bentmark ou spot, eles têm a opção. A gente atende eles naquilo que for.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Se alguma mina já vai ser retomada, se alguma pelotizadora já vai ser retomada.

SR. ROGER AGNELLI: A gente está olhando uma pelotizadora, Alemanha começou a voltar, e forte. Uma das quatro estão parados lá. A do norte continua parada, a de São Luis continua parada, Itabiritos que a gente começou, parou, vamos retomar ela de novo, então nós vamos ficar com, hoje estamos com cinco, vamos ficar com quatro pelotizadores paradas. Nós temos quatro paradas, vamos retomar uma, vamos ficar com três. Lá em cima, ainda em São Luis, ainda permanece parada. Eu acho que isso vai voltar tudo mais para o final do ano que vem.

Das cinco minas, a questão dessas minas, por exemplo, todas elas são as minas de maior custo da Vale. Enquanto a gente não ocupar toda a capacidade das outras minas, não vamos retomar.

Tem uma delas que a gente está avaliando que é Gongo Soco, que deve voltar. Mas a gente deve estar reduzindo a produção de Itabira que também está muito cara. Então, uma coisa vai compensando a outra né? Vai ajustando lá e cá.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Fala que vai voltar, quando volta? Quando vai reativar essa de Tubarão e a de mina?

SR. ROGER AGNELLI: Aí nos próximos meses, demora, né? É, porque você não liga hoje e está produzindo amanhã.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Até o final do ano ela está...

SR. ROGER AGNELLI: Teoricamente antes disso elas já vão. Uma em Tubarão vai voltar antes do final do ano.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Vocês estão trabalhando com qual produção desse ano?

SR. ROGER AGNELLI: Só Deus sabe.

[risos]


SR. FERNANDO THOMPSON: Boa tentativa de levar ele.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Quantos diretores ou quantos negociadores para esse minério de ferro foram detidos na China há dois meses atrás?

SR. ROGER AGNELLI: Por quê?

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu não sei, queria saber de você.

SR. ROGER AGNELLI: Eu não sabia também não. Eu fui lá, e não fui, eu estou aqui.

[risos]


SR. FERNANDO THOMPSON: Tchau Diana, tchau. Vamos embora, Roger.

SR. ROGER AGNELLI: Eu fui à China e estou aqui, voltei, eu voltei.

[risos]


SR. ROGER AGNELLI: Não, mas eu não sabia, eu fui lá, voltei e não pegaram nós não.

[risos]


ORADORA NÃO IDENTIFICADA: E parece que não tem mais fantástico.

SR. ROGER AGNELLI: Jura? Não, mas estava chovendo, choveu muito lá, choveu muito lá. Mas depois você me avisa. Se for o caso, eu estava indo no final do mês, não vou.

[risos]




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