Título do projeto ilusão de ótica: que falta nos faz a palavra proponente



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TÍTULO DO PROJETO
ILUSÃO DE ÓTICA: QUE FALTA NOS FAZ A PALAVRA

PROPONENTE: INSTITUO PARANAENSE DE CEGOS – IPC E UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PARANÁ – UNESPAR
REPRESENTANTE DO IPC: Prof. Enio Rodrigues da Rosa (diretoria@ipc.org.br), situado na Av. Visconde de Guarapuava, 4186, Batel, Curitiba/Pr
PARCEIRO: UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PARANÁ - UNESPAR

REPRESENTANTE DA UNESPAR: Prof. Carlos Mosquera (carlos@carlosmosquera.com.br), r. Dos Funcionários, 1357, juvevê, Curitiba, Pr.
Cargo: Diretor Presidente do IPC

Nome Completo: Enio Rodrigues da Rosa
Assinatura: _________________________________________

Prof. da UNESPAR

Nome: Carlos F.F. Mosquera
Assinatura: __________________________________________


Nome organ.

 Instituto Paranaense de Cegos

Parceiros

Universidade Estadual do Paraná - UNESPAR

Nome do projeto

 Ilusão Ótica: Que falta nos faz a palavra!!!

Proposta


Tema : Inclusão e Acessibilidade Cultural de Pessoas com deficiência visual

INTRODUÇÃO

O tema surge a partir da experiência advinda do projeto Teatralizando a Educação, onde um grupo de pessoas com deficiência visual (DV), participou de diversas oficinas, que utilizavam as técnicas teatrais, na exploração e construção de métodos voltados para a relação ensino/aprendizado nas escolas.

Observamos que o teatro, por ser uma arte completa onde permite a inclusão de diferentes manifestações artísticas, levou os alunos à explorar novas possibilidades de expressão, prescindindo da visão.

Ao final do projeto, pudemos concluir que alguns alunos deram um salto de qualidade em termos culturais e criativos, e, por parte das pessoas videntes, desmistificamos que teatro tenha que ser uma arte visual apenas. Pelo contrário, entendemos que os apelos visuais aplicados em excessos cenográficos e produção de espetáculos, muitas vezes interferem na qualidade de assimilação dos próprios diálogos e jogos cênicos, já que nos leva a dividir a atenção com uma diversidade de estímulos.

No caso das pessoas com DV, a palavra e o som, venceram a cegueira, ou seja, pode-se e deve-se pensar, que a formulação de conceitos e apropriação do mundo passa antes de mais nada, pela palavra (VYGOTSKY, 1989).

O OBJETIVO deste projeto é a encenação de uma peça artística, com participação de pessoas videntes e pessoas cegas, atuando em iguais condições sensoriais, ou seja, os atores videntes atuando com os olhos vendados.

Além disso, fomentar a participação de um grupo de pessoas, cegas e videntes, que serão selecionados pelo IPC, a participar de seis oficinas artísticas, durante o ano de 2015, bem como de dois seminários abertos sobre o tema inclusão, organizados pela UNESPAR e IPC.


PRESSUPOSTO

Entendemos que a participação igualitária nas produções artísticas do Projeto, poderá auxiliar professores e alunos, na busca por soluções mais democráticas que possam de fato colaborar com o processo de inclusão das pessoas com DV, partindo do princípio da teoria do reconhecimento, de Axel Honneth (2003).

O reconhecimento das pessoas com DV, no processo social inclusivo, requer que se possa entendê-los como pessoas de direitos e capacidades.

Neste sentido, espera-se que a participação das pessoas em geral, privadas do sentido da visão na formação de atores, levá-los-á a redefinir conceitos já ultrapassados e divisórios sobre a cegueira; quais sejam: que as artes são voltadas àquelas pessoas com os sentidos preservados.


OUTROS OBJETIVOS é levar em cena, atores e platéia, com privação da visão na participação do espetáculo. Haverá o movimento de reapropriação do teatro enquanto modo de expressão lingüística e pensamento crítico.
METODOLOGIA
A partir do segundo semestre de 2015, serão selecionados os atores (DV e videntes – num total de 30 alunos/atores, idade superior a 15 anos), através da participação das oficinas de artes (num total de seis), que se iniciam no início de 2015, envolvendo pelo menos 10 professores da UNESPAR, além dos alunos/estagiários da Instituição. Os ensaios serão semanalmente, coordenados pelos professores da UNESPAR, e supervisão dos organizadores do Projeto.

O local dos ensaios poderá ser tanto na UNESPAR quanto no próprio IPC, e a carga horária de ensaios de 64hs, mais as horas de apresentação dos espetáculos. Estima-se pelo menos 10 apresentações do espetáculo.

Para a apresentação do espetáculo, serão selecionadas algumas correntes do teatro antigo e contemporâneo, textos e modelos interpretativos para o espetáculo final. Pretende-se também, para o dia da apresentação, que os participantes videntes, encenem a peça com os olhos vendados. Espera-se com esta inversão de papéis que haja uma sensibilização maior dos participantes videntes, em relação as potencialidades e necessidades específicas das pessoas com DV.

Do início do Projeto, março de 2015, até a apresentação do espetáculo, final do ano, o Projeto se desmembra em 6 oficinas de arte, num total de 100hs, uma vez por semana (UNESPAR E IPC), até o início dos ensaios da peça.

Dois seminários, aberto ao público em geral, um no primeiro semestre e outro no segundo semestre de 2015, com a proposta de debater e discutir os fatores de inclusão. Os organizadores dos Seminários são os mesmos organizadores do Projeto em questão.

E após o espetáculo do final de ano, os organizadores se propõem a organizar um livro com capítulos versando sobre um eixo comum: a deficiência visual. A realização e coordenação deste subprojeto, será descrito em um anexo deste projeto.


ESPERA-SE COM ISSO
Que ao final do projeto, que prevê a montagem de uma peça encenada aos moldes das antigas novelas de rádio, possamos criar na consciência de educadores e sociedade, que os moldes da educação que ainda temos, datados do século XIX e que não incluem sons e palavra na formação de conceitos para criança e adolescentes com deficiência visual, possa ser superado. Que estas pessoas, possam estar no mundo de maneira igualitária se entendermos que de fato, “A palavra vence a Cegueira” e forma conceitos!

Possíveis convidados e interlocutores:
- UNESPAR// FAP – professores e alunos

- Enio Rodrigues da Rosa – Pedagogo e pesquisador sobre educação especial, responsável pelo IPC.

- Prof. Carlos Mosquera – Pesquisador com Pessoas com deficiência visual, responsável pela UNESPAR.

- Profa. Nadia (UNESPAR) e outros professores da mesma instituição

- Newton Duarte – Professor da UNESP, pesquisador e estudioso de Lev Semionovich Vigotsky

- Fundação Cultural de Curitiba

- Museu Oscar Niemeyer de Curitiba

- Museu de Arte Contemporânea

- Cinemateca Guido Viaro

- Teatro José Maria Santos




Grupo alvo/ participantes:

O programa “Ilusão Ótica - Que falta nos faz a palavra!” atingirá o seguinte público alvo, por meio dos seguintes projetos:


Pessoas sem deficiência visual educadores e artistas, interessados em novas formas de interpretação cênica

1- Oficinas de Teatro –

Beneficiários diretos:

30 crianças e jovens com deficiência visual.

15 atores sem deficiência visual


2- Oficina de consciência corporal:

Beneficiários diretos:

Público em geral, frequentadores do IPC, professores das escolas públicas, voluntários.

Público Estimado: 30 pessoas


3- Oficina de Escultura

Beneficiários diretos:

Público: frequentadores do IPC, moradores, sociedade e voluntários

Total: 30 pessoas



4- Oficina de canto

Beneficiários diretos:

Total: 30
5- Oficina de música

total: 30 pessoas

Público: frequentadores do IPC, moradores, sociedade e voluntários



6- Oficina de cinema

Total 30 pessoas

Público: frequentadores do IPC, moradores, sociedade e voluntários



Objetivos específicos/ O que se espera?/ Os impactos?

Objetivos específicos:


    • Demonstrar que a criação de conceitos e o aprendizado de pessoas com deficiência visual ocorrem muito mais pela utilização da palavra e exploração dos sons.

    • Desmistificar que o teatro não possa conter atores com deficiência visual.

    • Conectar o público sem deficiência visual com as diferentes maneiras do ser humano apreender e formular conceitos, explorando outras formas de linguagem além da visual.

    • Conscientizar a sociedade da necessidade em promover modelos artísticos mais democráticos, que possam inserir pessoas com deficiência visual.

    • Democratizar o espaço do teatro, colocando em cena atores com e sem deficiência visual.

    • Demonstrar à plateia, as possibilidades de entendimento e diversão provocadas por um modelo de teatro cercado de palavras e sons, que podem incitar a imaginação diante daquilo que não está dado pela visão.


O que se espera?

Espera-se com este projeto dar visibilidade e amplie o debate sobre a inclusão e a necessidade de acessibilidade aos meios culturais de nosso tempo, sempre muito voltados aos apelos visuais, consequentemente, não permitindo que pessoas com deficiência visual possam participar da própria construção cultural de seu meio.



Quais os impactos?

O aumento de produções culturais com áudio descrição.

Disponibilização em meios artísticos como museus, bibliotecas e exposições, de profissionais treinados para atendimento do público com deficiência visual.

Maior disponibilidade de textos e produções artísticas digitalizadas e em áudio.



Descrição

O que é feito e como?/ Atividades/ Cronograma/ Recursos

1- Oficinas de Teatro –


A) Estudo da linguagem das peças radiofônicas.

As peças radiofônicas têm sua origem na linguagem teatral. Ao longo da histórica a linguagem tem como representantes grandes nomes como Samuel Beckett, Bertold Brecht e Júlio Córtazar. Baseada na palavra falada e na criação de ambientações a partir de efeitos sonoros, a linguagem é um convite aos atores e expectadores para explorar a imaginação e outros sentidos que não a visão.


B) Estudos de linguagem da Performance Sensorial, através da exploração de outros sentidos, especialmente o tato, o olfato e a audições.

A linguagem da Performance, a partir dos anos 60, apresenta vertentes que exploram o uso do cheiro, do som e do tato como elementos para a quebra do paradigma da linguagem visual na pós-modernidade. A busca resulta em encenações que fogem do palco italiano tradicional e buscam maior proximidade entre público e plateia. Seguiremos os estudos do brasileiro Renato Cohen. Pesquisaremos tais linguagens e criaremos exercícios práticos com os alunos.


C) Estudo de linhas de teatro em que a palavra tenha papel central na comunicação. Para tal, estudaremos:
D) O Teatro Grego (especialmente a peça Antígona, de Sófocles e um paralelo com as peças Gota d'água (de Chico Buarque) e Agidi - uma Antígona Brasileira, de Hugo Mengarelli.
E) Samuel Becket (suas peças curtas e suas peças radiofônicas, especialmente o "Fragmento Radiofônico 1")
F) Bertold Brecht (a peça "A Exceção e a Regra" e suas peças radiofônicas)
G) O Teatro Político Brasileiro do último século:

Augusto Boal (as técnicas de improvisação e criação de cenas do Teatro Fórum e do Teatro do Oprimido)

- Grupo Teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone

- Millôr Fernandes (a peça "Liberdade, Liberdade")


H) Os contadores de histórias e o Teatro de Performance Pessoal (criando cenas e discussões a partir de relatos pessoais dos atores;
I) O Teatro de Hugo Mengarelli, que a partir do pensamento de Constantin Stanislavski, desenvolveu em Curitiba na ultima década, técnicas de preparação de atores com a utilização de vendas.

Cronograma:
1- Oficinas de Teatro –

Início do Projeto: julho de 2015

Término das Oficinas: dezembro de 2015

Total: 60 hs


2- Semana Oficinas Abertas

Início: 03 de março de 2015

Término: 03 de dezembro de 2015.

Total: 6 oficinas


Avaliação

Critérios de avaliação dos impactos
Os critérios de avaliação serão criados a partir dos impactos do projeto, medidos a cada uma das oficinas onde participem público externo, além do próprio público do IPC.

Ao final das oficinas, serão aplicados questionários simples e dirigidos sobre a vivencia e o processamento desta.

O projeto iniciar-se á com a aplicação de questionário de modo a podermos avaliar, o conhecimento do público em geral sobre a possibilidade de alguém com deficiência visual participar da formação, criação e atuação em artes cênicas, bem como, frequentar espaços de teatro, exposições e outras manifestações artísticas. Através de questionários como estes, poder-se-á avaliar como a sociedade compreende a questão da inclusão cultural e quais os principais entraves do processo.

Dos questionários aplicados, surgirá a possibilidade de avaliação qualitativa do público do projeto ou que participou em algum momento deste.

Durante as oficinas abertas, poder-se-á aferir através de lista de presença, contendo o numero de pessoas presentes às oficinas e demais eventos, do local de onde vieram e como souberam das atividades, obter-se um panorama quantitativo do envolvimento do público com o projeto.

Durante os processamentos ao final das oficinas e vivencias, serão feitos alguns apontamentos que surgirem do debate crítico e futuras ações que brotarem ao final do projeto.

O aumento de peças com áudio-descrição no Festival de Teatro de 2015, poderá ser um dos indicadores de alteração de paradigmas e dos impactos levados do debate sobre a categoria artística.

Museus, escolas de formação em artes e demais espaços, serão visitados após o projeto para verificação da existência de pessoal treinado para atendimento às pessoas com deficiência visual.

Os jovens participantes do projeto poderão inserir o ambiente escolar junto aos professores especialistas que dele participaram com debates que abordem o tema inclusão e acessibilidade cultural, de onde se poderão aferir indicadores da visibilidade do debate.

PLANILHA DE CUSTOS: gastos estimados


Nome do projeto

R$ Total

Contra Partida IPC

UNESPAR

Oficina de Teatro e apresentação da peça

 10.000,00

 10.000,00

 

Organização



Oficinas durante o ano

  6.000,00

  6.000,00

Organização

Organização dos Seminários

  10.000,00

  10.000,00

Organização

 Custos em geral: papel, água,

Transporte, materiais diversos



 5.000,00

  5.000,00

 Organização


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