Turismo, megaevento e território o caso dos Barraqueiros do Mineirão de Belo Horizonte/mg autora



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TURISMO, MEGAEVENTO E TERRITÓRIO – O caso dos Barraqueiros do Mineirão de Belo Horizonte/MG
Autora

Karla TRIGUEIRO – Doutoranda do Programa em Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais – IGC/UFMG, Professora da Universidade Federal de Viçosa - UFV



ktrtur@yahoo.com.br
Co-autor

José Antônio Souza de DEUS - Doutor em Ciências/Geografia (IGEO/UFRJ), Professor Associado II do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais, credenciado junto ao Programa de Pós-Graduação em Geografia - IGC/UFMG



jantoniosdeus@uol.com.br
Resumo
O texto discute as adaptações pelas quais a cidade de Belo Horizonte-MG (definida como sede de megaeventos a partir de 2010), passou para começar a se ajustar às exigências, principalmente para sediar a Copa de 2014, o maior evento internacional de futebol, visualizadas por meio do estudo de caso da dinâmica territorial vivida pelos Barraqueiros1 do Mineirão. A investigação particulariza como se deu o processo de desterritorialização2 desses atores locais, bem como seu processo de resistência, incluindo-se aí as negociações, envolvidas e chegando-se até a situação atual. Reflete-se, na investigação, sobre o direito ao uso do espaço da cidade e sobre o direito ao trabalho, objetivando-se decodificar, principalmente, o ponto de vista dos atores sociais vinculados a esse território, frente às imposições dos empreendimentos ligados aos megaeventos.


Palavras-chave: Megaeventos, Barraqueiros do Mineirão, Conflitos, Copa de 2014, Belo Horizonte/MG.

  1. Introdução

Esse artigo apresenta os resultados de pesquisa vinculados a tese de Doutorado em andamento, com o grupo focal: Barraqueiros do Mineirão, buscando compreender as relações estabelecidas por esses atores, prioritariamente com o território, e as contextualizando no âmbito das transformações ocorridas no cotidiano dos sujeitos em questão, principalmente em torno do Estádio Governador Magalhães Pinto (mais conhecido como “Mineirão”), em função da reestruturação aí concretizada para atender



às exigências à realização de megaeventos sediados na cidade de Belo Horizonte.
O Brasil, nas últimas décadas, tem se focado em atuações desenvolvidas com o intuito de competir com outros países, para sediar megaeventos internacionais, vendo nisso um fator de competitividade, com potencial para geração de divisas, cujo incremento se daria por meio do aumento de fluxo da atividade turística, no âmbito do desenvolvimento de uma “política-espetáculo” (ACSELRAD, 2009, p. 25). Podemos citar como exemplo da produção e reprodução dessa política, o sucesso dos projetos apresentados e aceitos para sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos Rio/2016, e que se desenvolveram em detrimento da opção por investimentos em outros setores econômicos ou em prol da sociedade, e que geraram consideráveis mudanças no contexto social local das cidades que receberam os eventos, impactando estes sítios urbanos e, causando exclusão, aí.
Sánchez (2014, p.48) ao estudar os conflitos gerados pela realização de megaeventos na cidade do Rio de Janeiro (e mais especificamente tratando-se do Projeto Olímpico, Rio 2016), contesta a natureza bem como os efeitos sociais produzidos no território a partir da realização de eventos dessa magnitude. Elucidando as contradições presentes, a partir da realização desse tipo de megaevento, o autor postula que:
Em sua dimensão urbanística, as intervenções realizadas mostraram-se pontuais, sem relação mais consistente com a cidade. Estava incorporada, desde o princípio, a lógica da cidade elitista que se manifestou na estratégia de concentrar o evento em áreas nobres, visando, ao mesmo tempo, segurança e conforto aos participantes, e, sobretudo, oferecer ao mundo uma imagem urbana supostamente “civilizada” e “moderna”. Longe, portanto, de qualquer preocupação no sentido de utilizar o evento para redistribuir no espaço da cidade as benfeitorias da infraestrutura urbanística. [grifo nosso]
A partir da afirmação do pesquisador, pode-se pensar que a cidade se coloca a serviço do evento, privilegiando o turista em detrimento do morador local. Os recursos públicos, a infraestrutura urbana e todo um aparato de atendimento ao evento, garantem que o megaevento ocorra sem imprevistos. Mas o que o morador local “ganha” com esse tipo de evento? Que tipo de legado fica como infraestrutura urbana para a cidade? Qual o legado sociocultural, para além dos econômicos, restará à cidade?
O grupo investigado, os Barraqueiros do Mineirão, socialmente identificado e tradicionalmente valorizado na cidade, sofreu a partir da implementação dos eventos em questão, profundas alterações em termos do seu direito ao espaço cotidiano de trabalho a partir de 2010, quando teve que se retirar, para que o Mineirão fosse reformado, primeiramente para que o estádio pudesse receber jogos da Copa da Confederações em 2013, como preparativos e testes para o megaevento maior que seria a Copa do Mundo em 2014.
O presente artigo tem por objetivo detalhar as mudanças geradas no cotidiano das pessoas, em torno do Mineirão, e que atingiram diretamente o grupo especificamente investigado. Buscou-se nesse contexto, se resgatar sua história, através da análise da relação por eles estabelecida com o território, antes e depois da realização dos eventos.


  1. Uma breve abordagem conceitual sobre território

Nesse trabalho considera-se e vale ressaltar que “cada sociedade produz seu(s) território(s) e territorialidade(s) a seu modo, em consonância com suas normas, regras, crenças, valores e experiências, envolvendo diversas acepções: natureza e sociedade; economia e política; cultura e identidades; controle e poder; apropriação funcional e simbólica” (DOURADO, 2015, p. 25). Temos que o conceito de território abarca características inerentes, que são o limite do território (que é efetivo, se delimitado administrativamente; mas podendo ser também um limite subjetivo, ao considerar territórios delimitados pela apropriação de grupos), a inerente ralação de poder implícita aos territórios e a questão de identidade, uma vez que o território é construído.

O território é construído/criado, a partir da apropriação dos sujeitos dum determinado espaço, enquanto uma resultante de situações históricas oriundas da realidade, ações essas que se revelam nas relações sociais, políticas, econômicas e culturais. Nesse contexto faz-se importante ressaltar a relação com a temporalidade, advinda de um movimento histórico e multiescalar (que pode ser temporário ou permanente), criando assim a distinção entre os territórios, conseguintes dos nuances de movimentos e mudanças, haja visto que o território se apresenta enquanto um produto das relações do homem sobre determinado espaço.


  1. Os Barraqueiros do “Mineirão” - aspectos históricos da sua relação com o território

O Estádio Governador Magalhães Pinto, mais conhecido como “Mineirão” é o quinto maior estádio do país, tendo sido construído e inaugurado em 05 de setembro de 1965. Então, só existia, na capital mineira, o Estádio do Independência, entregue à população, ainda inacabado em 1950, com a função de sediar a Copa do Mundo de 1950, mas que foi considerado inadequado pelo público e imprensa. Por isso mesmo, bem como em função da crescente demanda no estado, vinda das três principais agremiações futebolísticas da capital, por um estádio melhor e mais adequado às práticas da atividade esportiva, de lazer e entretenimento para o seu público, se edificou o novo estádio.


O “Mineirão” foi tombado em 2003 pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte (conforme a Deliberação de n° 106/2003, do Diário Oficial do Município, da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, de 21/10/2003); o que garante a manutenção da originalidade da arquitetura do prédio. Em 2009, o governo de Minas Gerais apresentou o projeto de modernização do estádio, assegurando a preservação da fachada original e, no ano seguinte, ele foi fechado para a concretização das reformas necessárias à realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014. O evento de preparação e teste para isso foi a Copa das Confederações que ocorreu em 2013, e que teve Belo Horizonte como uma de suas sedes (com o estádio sendo palco para a realização de três partidas). O “Mineirão” foi o segundo estádio a ficar pronto, em dezembro de 2012, para a viabilização dos jogos da Copa em 2014. Teve erguida uma esplanada ao seu redor, com cerca de 80 mil m², a qual pode comportar mais de 65 mil pessoas, como parte das mudanças concretizadas em seu entorno, que introduziram novos usos do espaço ao estádio, que pode agora abrigar outros tipos de eventos, tais como shows, ou simplesmente servir de espaço de lazer aos moradores locais que, pouco a pouco, têm se apropriado desse lugar para a prática de patins, skate, bicicleta, dentre outros, em família3. Vale ressaltar que o estudo que empreendemos se concentra na dinâmica territorial dos atores investigados em torno do Estádio “Mineirão”, principalmente na região da Pampulha.

A história do Estádio se confunde com a história de vida dos Barraqueiros do Mineirão, uma vez que esses sujeitos encontram-se instalados no entorno do mesmo desde a sua construção, tendo primeiramente servido aos trabalhadores da obra e, posteriormente, aos torcedores, e se transformando, assim, em atores tradicionais desse território. Os principais alimentos tradicionalmente comercializados, por eles, aí, eram o churrasquinho “de lata4”, o pão com pernil e o famoso feijão tropeiro do “Mineirão”. Os torcedores comiam e bebiam antes e depois dos jogos, além de muitas vezes também levarem a comida para familiares que estavam em casa. Ir ao “Mineirão” significava ter que comer o “tropeirão” do Mineirão. E além desses produtos também eram comercializados outros tipos de alimentos, tais como frutas descascadas e prontas para o consumo, e bebidas (alcoólicas ou não). O entorno do estádio também abrigava outro tipo de vendedores ambulantes, chamados “caixeiros”, ou seja, pessoas que comercializavam seus itens acondicionados numa caixa de isopor. Observa-se, assim que, a renda obtida com a comercialização de itens de alimentação em dia de jogos no estádio era distribuída entre um grupo bem maior do que o dos tradicionais Barraqueiros do “Mineirão”, organizados em torno de 96 barracas (onde trabalhavam famílias inteiras, que contratavam também ajudantes, pagando por dia a esses trabalhadores). Segundo a ABAEM – Associação dos Barraqueiros do Entorno do Mineirão, tais atividades gerariam renda, de forma direta, a 150 trabalhadores, e a aproximadamente 400 pessoas de forma indireta. Os barraqueiros se distribuíam no entorno do Mineirão, estrategicamente localizados próximos às onze entradas de portões do estádio, sendo em sua maioria mulheres e idosos, provedores de suas famílias. Além de obterem, desse tipo de serviço, suas rendas, também criaram vínculos com o território e com os torcedores, que a cada jogo retornavam à barraca em que tinham o costume de comprar - e por isso pode se afirmar que há uma imagem de patrimônio imaterial ligada à experiência vivenciada pelos Barraqueiros do “Mineirão”.


Jones apud Barbosa & Santos (2001) argumenta que para muitas cidades, os megaeventos podem constituir um “atalho” para que elas consigam obter um reconhecimento global através da exposição na mídia, o que pode ser bom para um destino turístico caso o evento seja bem sucedido; ou ao contrário, desastroso, caso o evento apresente falhas perceptíveis para todos ou para a maioria, dos envolvidos em sua concretização incluindo-se, aí, atores como atletas, familiares, imprensa e torcedores. No caso de um evento esportivo (por exemplo, a Copa do Mundo de Futebol, que gera impactos extremamente significativos), todos os preparativos para que ele ocorra no país definido como sua sede, são iniciados com anos de antecedência. Todos os detalhes para que o “espetáculo” ocorra sem que haja empecilhos e erros envolvidos com a sua implementação, são acordados e detalhadamente orquestrados, por uma estrutura organizacional de grande escala/grande porte, para que as repercussões midiáticas sejam um sucesso, embora, na maioria das vezes não seja adequadamente considerada aí a realidade local.
A maioria dos estudos ligados a megaeventos se restringe à análise das vantagens econômicas. Já a nossa proposta de estudo pretende considerar outras questões, admitindo que o “território seria resultado das ações dos homens em sociedade, demarcando e organizando o espaço tanto jurídico quanto cultural e economicamente” (SAQUET, 2010, p.69). Acrescenta-se que, o aspecto simbólico também se materializa aí, como constituinte de territórios.
Revela-se como um aspecto importante desse estudo buscar perceber os impactos da atividade turística, por meio das vivências do grupo atingido pela realização dos megaeventos esportivos em Belo Horizonte (ou seja, os Barraqueiros do “Mineirão”), eventos estes que, como já sinalizamos, repercussões socioculturais e econômicas no cotidiano das pessoas domiciliadas nas cidades que os recebem. É sugestivo registrar que são observadas ainda modificações e/ou impactos em dois momentos, antes e após a realização dos megaeventos, na cidade-sede. E é relevante assinalar ainda que a realização de estudos quanto aos impactos provenientes da atividade turística perpassam a necessidade de conservação dos lugares, a manutenção da qualidade da experiência turística (e da sociabilidade com o autóctone) e a minimização dos impactos causados pela atividade, evitando impasses, conflitos e contradições desnecessárias (TRIGUEIRO, 2009).
A população dos lugares/territórios que recebem os megaeventos cria expectativas quanto à possibilidade de ganho com o incremento da atividade turística, que poderá atrair mais turistas ao local, haja visto que o evento se torna uma vitrine midiática para o mundo, daquele destino, isso sem falar nos ditos legados da Copa, que podem ser infraestrutura para a cidade ou algum tipo de vantagem significativa que a cidade passa a ter após os investimentos feitos para a realização do evento.


  1. Resistência, manifestações e situação atual

Mascarenhas (2011, p. 211), ao tratar da análise do modelo empreendedor de gestão urbana, adotado nas cidades-sede de megaeventos, principalmente analisando o case Pan-2007, afirma que o foco é atrair financiamentos e recursos financeiros, articulando em torno de si um conjunto de interesses privados com amplo apoio do poder público. Essa prática inclui intervenções urbanísticas, que estão para além da preocupação com o evento, e passam a fazer parte de um negócio vantajoso, contudo que, desrespeita a legislação urbana e ambiental. Assim, temos que o atual modelo de planejamento e gestão das cidades, conhecido como “planejamento estratégico”, se expressa, sobretudo, por meio de grandes projetos de desenvolvimento urbano (GPDUs). E é justamente no âmbito dos GPDUs, que se inserem os grandes eventos esportivos da atualidade.


No caso Belo-Horizontino, desde que ocorreram as primeiras sinalizações no sentido de que haveria a necessidade de remoção dos Barraqueiros do “Mineirão”, para que fossem iniciadas as obras de reforma do estádio, diversas reuniões foram realizadas pela categoria, além de ter sido feito um estudo técnico do impacto da Copa em Belo Horizonte, por parte do Governo do Estado, o qual incluía uma análise da questão dos Barraqueiros, com o intuito de buscar resguardar seus direitos, principalmente quanto ao uso do espaço público para desenvolvimento do seu trabalho e obtenção de renda.
Roche (1994) relata que os estudos e planejamentos realizados, comumente antes dos eventos, tendem a focar os benefícios econômicos e sociais que eles podem gerar. No entanto, de acordo com Higham (1999) existe um crescente número de pesquisas acadêmicas que colocam em pauta os efeitos negativos ou ambivalentes dos megaeventos, tanto sob o ponto de vista econômico, quanto social. Estas críticas, em sua maioria, estão centradas nos processos decisórios aí envolvidos, que de acordo com o autor, podem propiciar o desvio de parte dos benefícios econômicos e sociais da comunidade onde o evento será realizado, para atender a interesses de patrocinadores e organizadores que, em sua maioria, pouco conhecem da realidade concreta e cotidiana local.
A ABAEM – Associação dos Barraqueiros, só foi fundada no ano de 2000, mas o sentido de pertencimento sempre esteve presente nas ações dos envolvidos, que se apropriavam e protegiam o seu território de outros que porventura pudessem vir a ocupá-lo. Frente a esse modelo de planejamento imposto pelos governos, tanto municipal quanto estadual, os Barraqueiros do “Mineirão” procuraram se organizar enquanto segmento da sociedade civil e buscar a garantia de seus direitos, contando com o apoio de outros movimentos que surgiram na cidade, tais como o Comitê Popular dos Atingidos pela Copa – COPAC, buscando inclusive formas de atuação conjunta. Procuraram também o auxilio técnico da Defensoria Pública do Estado, a qual ajuizou ação, com a finalidade de manutenção do direito de retorno dos Barraqueiros do “Mineirão”, logo após a Copa do Mundo de 2014, tentando assegurar assim seu direito ao trabalho.
Entretanto, o que aconteceu foi que esses trabalhadores foram alijados do seu direito ao trabalho em conseqüência das mudanças oriundas da realização de megaeventos na cidade de Belo Horizonte. Desde então, participam de reuniões, movimentos populares, já fizeram ocupações e manifestações objetivando que o poder público, por meio da gestão pública do Estado e da Cidade, solucione o problema, permitindo que eles retornem ao seu trabalho no entorno do “Mineirão” ou providenciando outra solução para a questão. Como já se passaram seis anos desde a retirada destes trabalhadores (que antes tinham uma fonte de renda mais segura), do “Mineirão”, atualmente muitos deles sobrevivem em situação precária. Na maioria dos eventos, para conseguirem colocar uma barraca na rua de forma legalizada, há a necessidade de que sejam dados lances, vencendo a disputa quem oferece o maior valor, e como os barraqueiros não têm condições de ser bem sucedidos nesses embates, eles vêm trabalhando “na tora” (como eles mesmos afirmam), de forma totalmente ilegal, sem nenhum tipo de autorização, sempre correndo o risco de ter toda a sua mercadoria e equipamentos apreendidos pela fiscalização, além da incerteza sobre a obtenção de lucros com o trabalho incerto por dia, pois têm que se instalar em rotas alternativas em eventos diversos, para chamar menos a atenção dos fiscais dos eventos. Trata-se de uma situação que desqualifica e tira a dignidade desses trabalhadores, que querem somente garantir o direito de trabalhar, como fizeram por anos, no território que agora são impedidos de usar.
Em consulta a uma ata de reunião, realizada na Regional Pampulha do município, no dia 17 de junho de 2014, com o objetivo de viabilizar o retorno dos Barraqueiros do “Mineirão” (logo após a Copa do Mundo de 2014), constata-se que estavam presentes representantes das seguintes entidades: Secretário da Regional, Defensoria Pública do Estado, a Governadoria do Estado de Minas Gerais, presidente da ABAEM - Associação dos Barraqueiros do Entorno do Mineirão, representante da COPAC - Comitê Popular dos Atingidos pela Copa e do CONEDH – Conselho Estadual da Defesa dos Direitos Humanos. Nessa reunião foi apresentado croqui de projeto da feira de alimentos dos Barraqueiros do “Mineirão”, na Av. Cel. Oscar Paschoal e na Av. C (em uma parte lateral do estádio), com 48 barraqueiros em cada, com o registro do secretário da Regional Pampulha afirmando-se que havia o aval do prefeito de Belo Horizonte para encaminhar essa proposta e que para viabilizá-la seria feita uma mediação entre os agentes da Prefeitura, BHTrans (empresa pública que responde pelo transporte na cidade de Belo Horizonte), Conselho Municipal do Meio Ambiente e a própria Regional Pampulha. O secretário teria afirmado ainda que seria concretizada uma reunião interna entre as secretarias e órgãos municipais para mediar o retorno dos barraqueiros na semana subsequente e que seriam comunicado a eles os resultados destas negociações internas. Entretanto, como já foi exposto, os Barraqueiros não obtiveram êxito quanto ao retorno de suas atividades para o entorno do estádio, questão que já se mantêm há 06 anos.
Em maio de 2015, vários artigos de jornais foram escritos com a temática do retorno dos Barraqueiros ao “Mineirão”. Nogueira (2015a, p. 35) afirma que a Minas Arena, atual administradora do estádio, teria recebido projeto da Prefeitura, para que a arena da sua esplanada recebesse os comerciantes e seus tradicionais tropeiros e sanduíches de pernil, e que estava em andamento um estudo de viabilidade disso, uma vez que os Barraqueiros teriam que pagar pelo aluguel da utilização do espaço público.
Uma das preocupações dos Barraqueiros é que esse valor pudesse ser muito elevado e que não tivessem condições de pagá-lo. Afirmam que no período compreendido entre 1994-1998, pagaram taxas baseadas na Unidade Fiscal de Referência (Ufir), de aproximadamente R$66,00 (sessenta e seis reais) por ano, valor que posteriormente foi reajustado pela Ademg – Administradora de Estádios do Estado de Minas Gerais, passando a ter um valor, por jogo, que variava de R$10,00 (dez reais) a R$40,00 (quarenta reais). E a decisão sobre esse retorno, na atual conjuntura, não seria tão simples, uma vez que essa ação teria impactos diretos no contrato de concessão entre o estado e a empresa responsável, os quais assumiram uma PPP - Parceria Público-Privada. Prata (2015, p. 39) afirma que o prazo previsto para a análise da viabilidade de retorno dos Barraqueiros, pela Minas Arena seria de 30 dias, que seriam contados a partir da data em que foi realizada reunião a respeito, com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais, como declarou a promotora Marta Alves Larcher.
Drummond (2015, p. 20) acrescenta que a proposta enviada pela Prefeitura de Belo Horizonte à atual administradora do “Mineirão”, a Minas Arena, abre caminho para o retorno das barracas ao Mineirão, o que seria benéfico a torcedores e aos pequenos comerciantes, conforme os depoimentos que se seguem.
Os amigos Gleidson Lopes, de 36, advogado, e Welder Aleixo, de 36, técnico em informática, são totalmente favoráveis ao aproveitamento da esplanada. “Seria muito bom voltar a tradição das barraquinhas. O Mineirão voltaria a ter um pouco do velho estádio, que era muito melhor”, diz o primeiro.
...já foram realizadas 15 reuniões com o Governo do estado, Prefeitura e Associação dos Moradores da Pampulha, que apoia o movimento. “As barracas do Mineirão foram motivo de um estudo por parte da UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais], que considera o nosso trabalho como patrimônio histórico, afinal de contas, tornou-se uma tradição ir para o Mineirão e se alimentar e beber no entorno deste”.

[depoimento do então presidente da ABAEM]


O andamento das negociações parecia indicar que não haveria mais empecilhos ao retorno dos Barraqueiros ao “Mineirão”. Nogueira (2015b, p. 25) informa que a Assembléia Legislativa de Minas Gerais aprovou o Projeto de Lei 1.334/2015, que autoriza o retorno da venda e o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol do estado, mas somente no período compreendido entre a da abertura dos portões até o fim do intervalo do jogo, ou seja, ao final dos jogos, como era de costume, a venda de bebida alcoólica atualmente é proibida. E acrescenta que, o retorno da autorização da venda de bebida alcoólica, que estava proibida desde 2008, poderia vir a contribuir para a volta dos barraqueiros para a esplanada, ou mesmo, para as ruas do entorno do estádio.


  1. Dinâmica Territorial dos Barraqueiros do Mineirão

Percebe-se que a referência para o resgate da dinâmica territorial dos Barraqueiros do Mineirão, que foram desterritorializados, remete diretamente ao equipamento urbano construído (o estádio) e ao seu entorno. E vale ressaltar que os processos de transformação, pelos quais, passaram o “Mineirão”, também traduzem sentimentos, traços de afetividade ou de repulsa, que permeiam temporalidades, se transmutam e se completam no decorrer do tempo dos envolvidos com esse território. Essas etapas de mudanças físicas e estruturais pelas quais passou o “Mineirão” podem ser percebidas nas falas dos envolvidos que se seguem.


Na participação em algumas reuniões dos Barraqueiros do Mineirão, foi possível se fazer um reconhecimento de campo e desenvolver entrevistas com eles, sendo essas interlocuções conduzidas a partir de um roteiro simples e objetivo sobre o tema em foco. Foi pedido para que eles contassem um pouco da sua história, enquanto Barraqueiro(s) do “Mineirão” e que descrevessem os sentimentos envolvidos antes e após a saída de cada um deles de lá, e que expressassem o vínculo deles com aquele território. Explicita-se a seguir um desses depoimentos:
Trabalhei desde os anos 80, mais ou menos 32 anos, no portão 06 e entre o 06 e o 07, no anel do Mineirão, vendendo para torcedores. Tive dificuldade para ter um ponto, pois os mais antigos defendiam seu local. Outras pessoas também trabalhavam com caixas [de isopor, vendendo bebidas] no entorno. Em 2000 é fundada a associação dos Barraqueiros do Mineirão – ABAEM. Antes discutiam as questões, mas não tinha reuniões.

(Entrevista 1 – liderança do movimento. Realizada pela autora no dia 07/04/2016)
Nessa fala, o entrevistado falou livremente sobre o tema. Emergem aí, as questões do pertencimento e da espacialidade, na disputa pelo território, quando há a afirmação de que o local de se fixar para trabalhar era defendido; como é possível ser percebida também a necessidade de organização, enquanto integrantes de uma coletividade em busca de garantia de direitos.
O último dia de trabalho no Mineirão foi no dia 06/06/10. Eu emprestava o ponto, pagava. Fiquei num ponto ruim, 7A, muito tempo, terminei no portão 03, fui mudando de ponto. Pagava pra trabalhar antes do evento [ADEMG]. Antes muito melhor do que hoje, hoje é “boniteza”, pra ganhar é mais difícil. O torcedor paga muito caro, pra gastar é ruim. Antes só trabalhava no Mineirão, pra casa, ajudava a pagar aluguel, hoje em dia é lance mais alto em eventos. Hoje dos Barraqueiros antigos só entrou 03 barraqueiros, mas não estão tirando o valor do aluguel de mil a quatro mil [referindo-se ao edital recente para trabalhar nas ruas adjacentes ao Mineirão]. Antes no anel de baixo, às vezes os torcedores não entravam e assistiam ao jogo na TV do lado de fora, consumindo na barraca. Tudo que acontecia antigamente continua acontecendo. A gente ajudada a evitar assaltos, dentro de barracas eles não mexiam. Muitos meninos ficavam ruim e a gente ligava pra avisar os pais, que estavam bêbados. Não é justo ter tirado a gente porque a gente sempre contratava dois ajudantes que recebiam por evento.

Pergunta: Hoje o que o Mineirão representa? Pra voltar teria que ser algo muito planejado, talvez fosse melhor indenização, pra montar barraca e não ganhar nada. Hoje os torcedores estão pagando muito caro. Daí não sobra nada. Antes era uma imagem positiva, agora não é. Tomar prejuízo não dá.

Pergunta: Como estão trabalhando agora? “TORO” – tora é que não é legal. Quase todos vai pra tora, porque não tem como fazer outro trabalho, idade, doenças. Qualquer lugar vai. A Guarda Municipal toma carrinho e todo material, aponta arma e agride. Após ter saído do Mineirão fui para um barraco de invasão, não preciso de pagar aluguel, diferente de outros, vivo do que ganho mais ou menos uns R$100,00 (cem reais) semanais.

(Entrevista 2 – Barraqueira que trabalhou mais ou menos 15 anos no Mineirão. Realizada pela autora no dia 26/04/2016)
É relevante assinalar que nessa entrevista a barraqueira resgata aspectos históricos e os compara com a situação atualmente vivenciada por ela, o que nos permite resgatar uma memória e captar os sentimentos relacionados a momentos experimentados antes e após da retirada dela desse território de pertencimento, de sobrevivência, de vivências e principalmente de exercício de direitos de cidadania.
Mãe veio de Divinópolis, começou vendendo chupchup e passou pra frutas, comprou fusca bege, ela e os três filhos trabalhavam. Passou para fazer churrasquinho na lata, continuei o trabalho da mãe. Fruta no gelo (abacaxi), laranja descascada na máquina, melancia. Descascava laranja de até doer meu braço, caixas. Depois foi montar minha barraca e meu irmão, com pessoas pra trabalharem com nós. Tinha outros dependentes do trabalho. Construí duas casas com o dinheiro de lá, porque me separei. Vendia churrasco, pão com pernil e tropeiro. Quando estava pra sair do Mineirão foi um sufoco, tava batendo a laje da casa, juntei um ano.

Pergunta: Hoje o que o Mineirão representa? Nem gosto de olhar para o lado de lá. Pra começar o Mineirão era livre, pra mim é um elefante branco, elitizou o trem mesmo, ficou muito ruim. Nós nem entramos lá. Não tem aquele ar e nem aquela graça, eu não gosto daquele lugar aí não, agora só se pagar pra tá dentro do Mineirão. Estamos pedindo o que nos foi retirado. Conversamos com o Anastasia [quando o mesmo era o Governador] e ele se comprometeu em resolver o problema dos Barraqueiros do Mineirinho e que depois resolveria o problema nosso. Tem mais ou menos 07 anos que tenho casa própria, não dei conta de pintar a casa, porque perdi a renda. Como arrumar emprego agora sem ter estudado e só tendo trabalhado.

(Entrevista 03 – Foi barraqueira há 12 anos no Mineirão, iniciou pequena com a Mãe. Realizada pela autora no dia 26/04/2016)
Nessa fala também é possível se perceber a questão do pertencimento da entrevistada, a comparação histórica que foi empreendida e a apropriação do território, que abarca aspectos materiais e imateriais, da entrevistada. A participação em algumas reuniões dos Barraqueiros do “Mineirão”, bem como as afirmações feitas pelos entrevistados sinalizam vinculação, por parte dos indivíduos em relação a este território, a demarcação da disputa territorial e o sentimento de grupo, propiciando-nos um material de pesquisa rico e denso para análise e (re)interpretação.
Rodrigues (2013, p. 18) em relação ao “estado de exceção”, assinala que na realização dos megaeventos internacionais no Brasil, muitas vezes “dribla” as leis existentes, ao registrar que:

... o estado, atendendo a exigências de entidades de caráter privado, altera leis e normas, induz o urbanismo para interesses específicos e submete-se a organizações de direito privado, deixando evidente como o global redimensiona o local. Trata-se da interferência privada internacional nos lugares que foram socialmente produzidos e que representam a condição para a competitividade e meio para a reprodução ampliada do capital.


O que reforça que, nesses momentos, algumas alterações no planejamento das cidades são feitas em detrimento das normas, muitas vezes contrariando a própria Constituição. As interferências são tão significativas que é possível se pensar em remoções diversas, como forma de garantir que a imagem da cidade não seja “manchada” pela pobreza do lugar, tornando-a, se possível, invisível aos olhos dos turistas. E “nesse contexto, os vendedores de rua, considerados símbolo da pobreza e do subdesenvolvimento, tornam-se alvo do planejamento urbano, como elementos não adequados à paisagem urbana que se quer promover” (NUNES, SANDER, 2013, p. 02). Complementando essa afirmação, RODRIGUES (2013, p. 22), a propósito, assinala que:
Como a imagem vendida é de espaço rico, a pobreza não pode ser visível e assim os trabalhadores também não podem aparecer. Desse modo, se procura extirpar a pobreza das vistas do público com normas de exceção, com um urbanismo ad hoc e com a militarização.
Atualmente, o grupo busca se fortalecer, para permanecer lutando pela causa num movimento que já dura seis longos anos. Nesse momento, os Barraqueiros do “Mineirão”, como forma de manter o movimento aceso, estão recadastrando os seus associados, além de também estarem buscando o apoio dos blocos de carnaval da cidade, (que vêm ganhando força nos últimos anos), como também das torcidas organizadas de clubes de futebol e dos demais movimentos sociais e humanos existentes na capital, e que possam vir a se sensibilizar com a causa (ROCHA, 2015a, p. 28). Pensa-se, até, na criação de um bloco carnavalesco dos Barraqueiros, como forma de expressão lúdica dos anseios do grupo, que possa fortalecer a causa, e talvez, para funcionar como mais um meio de trabalho alternativo para os Barraqueiros, uma vez que os blocos carnavalescos se reúnem para ensaios antes da realização do carnaval.
Em agosto de 2015, os Barraqueiros acamparam na porta da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, com o intuito de sensibilizar a população em relação à sua causa, uma vez que a Prefeitura abriu edital para a nova feira do “Mineirão”, desconsiderando a situação dos Barraqueiros antigos do “Mineirão” e não priorizando, nem fazendo distinção, para a sua inclusão/participação no processo. Assim, os Barraqueiros, buscaram garantir seus direitos junto à Defensoria Pública do Estado, ajuizando uma ação cautelar, com pedido de liminar, no intuito de suspender o edital de licitação para a nova feira – que, em setembro, ainda não havia sido inaugurada. A ação pautou-se, sobretudo, na defesa do patrimônio cultural e imaterial de Belo Horizonte, que os Barraqueiros integram, de forma a protegê-los.
A pesquisa documental já feita junto à Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais – DPE/MG, com consultas a todos os documentos, até o momento, do processo dos Barraqueiros, relacionado à manutenção do seu direito ao trabalho, aliás, possibilitou um aprofundamento e detalhamento da questão dos barraqueiros. Já as entrevistas semiestruturadas efetivadas com os integrantes do grupo, viabilizaram uma avaliação da percepção destes atores, associada às suas vivências antes e depois da desterritorialização do entorno do Mineirão. Rocha (2015b, p. 10) ainda afirma que “em andamento, o edital da prefeitura que cria a nova feira tem como único critério de classificação o maior preço oferecido, enquanto antigos barraqueiros querem ser privilegiados na seleção”. Esta postura da Prefeitura reforça a idéia de abandono dos trabalhadores que estavam naquele lugar antes, e visa atender aos interesses da lógica de mercado, com fins à ampliação do capital e da competitividade (RODRIGUES, 2013, p. 23).

  1. Considerações Finais

Espera-se que o retorno dos investimentos em megaeventos internacionais, principalmente para os países periféricos (“subdesenvolvidos”), sejam efetivo e que incida em aspectos socioeconômicos, culturais e de infraestrutura. Na realidade concreta, na “contramão” dessa expectativa, o que se observa, contudo, são significativos problemas sociais e econômicos gerados em função da realização deste tipo de evento nas cidades que os sediam.


Para os Barraqueiros, as conseqüências negativas dos “legados da Copa”, abrangeram o desemprego/subemprego, a marginalização social, e, sobretudo, a negação do direito ao trabalho, uma vez que o grupo em questão se viu retirado do seu território de convívio e provimento de emprego e renda informal, e hoje eles vivem na expectativa de eventualmente retornar ao espaço por eles antes ocupado (há anos), tendo consequentemente que se mobilizar politicamente para tentar garantir a conquista destes direitos elementares de cidadania.
O que se nota, portanto, é que a retirada dos Barraqueiros do Mineirão do entorno do estádio deu espaço à construção de uma esplanada que rende lucro aos investidores, contraditoriamente alijando o referido grupo do seu direito ao trabalho e renda, isso sem mencionar o impacto derivado da remoção da área verde do entorno do estádio, que também ocorreu aí.
Assim, temos que o cenário urbano se torna palco de disputas pelo direito do uso do espaço da cidade entre grupos sociais territorializados aí, com evidente desvantagem para segmentos mais frágeis e marginalizados da população. Precisa-se avaliar, portanto, quais são o saldo e o custo (“externalidades”), principalmente sociais e culturais, para que venhamos a sediar megaeventos internacionais na cidade de Belo Horizonte/MG, descobrindo-se formas de viabilização destes tipos de eventos, que não interfiram de forma significativamente negativa na vivência socioespacial, e, sobretudo, nos direitos político-territoriais dos atores locais, protegendo os segmentos sociais envolvidos de uma dinâmica recorrente nesses processos, de intervenções que atendem à interesses estritamente mercantilistas e mercadológicos. Ressalte-se que a simples postura de defender os interesses locais, frente a esse “estado de exceção”, já tenderia a equilibrar essa correlação de forças tão desigual.
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1 Consideraremos para esse estudo, como Barraqueiros do Mineirão, os vendedores de rua do entorno do Estádio de Futebol Governador Magalhães Pinto, vulgo “Mineirão” - situado na região da Pampulha em Belo Horizonte-MG, pertencentes à Associação dos Barraqueiros do Entorno do Mineirão – ABAEM, que trabalhavam em barracas no entorno do estádio desde a sua construção, antes da inauguração em 1965, e que foram retirados daí em 2010 para que fossem feitas as reformas do mesmo, em função dos megaeventos a serem realizados na cidade, principalmente a Copa do Mundo de 2014.


2 Entenda-se desterritorialização a partir das abordagens de Rogério Haesbaert (2006).

3 Fonte: www.estadiomineirao.com.br, consulta em 05 de maio de 2016.

4 Churrasco em espeto, assado de forma improvisada, em latas abertas, que suportam o carvão.



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