Um Estudo dos



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CONCLUSÃO

Notamos ao início que música é como um prisma de vidro através do qual brilham as verdades eternas de Deus. Através da música na igreja pode ser proclamado todo um espectro de verdades Bíblicas. Por toda a história da igreja as pessoas aprenderam através da música as grandes verdades da fé cristã e os reclamos de Deus sobre suas vidas.

Em sua tentativa de trazer uma renovação espiritual, muitas igrejas evangélicas hoje estão adotando canções de rock religioso com base no gosto pessoal e nas tendências culturais, em vez de claras convicções teológicas. O resultado é que algumas canções populares cantadas durante o culto na igreja têm uma teologia inadequada ou mesmo herética, orientada para a satisfação própria.

A escolha de música apropriada para a igreja é crucial, especialmente para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, porque através de sua música ela ensina e proclama as verdades finais a ela confiadas. Infelizmente o estilo de música e de adoração da maior parte das igrejas Adventistas é baseado grandemente na aceitação sem críticas do estilo de adoração de outras igrejas.

Para promover uma base teológica para a escolha e execução da música durante o culto de adoração nas igrejas Adventistas, temos considerado neste capítulo as implicações do sábado, do ministério de Cristo no santuário celestial e a Segunda Vinda. Temos visto que cada uma destas três crenças Adventistas distintivas contribui de maneira própria e ímpar para definir como deveria ser a boa música na igreja.

O sábado nos ensina a respeitar a distinção entre o sagrado e o secular, não apenas no tempo, mas também em áreas como a música na igreja e a adoração. Em uma época em que o relativismo cultural obscurece a distinção entre a música sacra e a secular, o sábado nos ensina a respeitar esta distinção em todas as facetas da vida cristã, incluindo a música na igreja e a adoração. Usar música secular para o culto na igreja no sábado significa tratar o sábado como um dia secular e a igreja como um local secular.

O estudo da música e da liturgia do Templo de Jerusalém, bem como do santuário celestial, foi muito instrutivo. Vimos que, por respeito pela presença de Deus, instrumentos de percussão e música de entretenimento, os quais estimulam as pessoas fisicamente, não eram permitidos nos serviços do Templo, nem são usados na liturgia do santuário celestial. Pela mesma razão, instrumentos rítmicos e música que estimula as pessoas fisicamente em vez de eleva-las espiritualmente, estão fora de
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lugar na igreja hoje.

A adoração nos dois Templos, terrestre e celestial, também nos ensina que Deus deve ser adorado com grande reverência e respeito. A música na igreja não pode tratar a Deus com frivolidade e irreverência. Ela deveria ajudar a aquietar nossas almas e a responder a Ele em reverência.

A convicção da certeza e iminência da vinda de Cristo deveria ser a força motriz do estilo adventista de vida e da música na igreja. O breve aparecimento da Rocha Eterna, com a maior orquestra de anjos que este mundo jamais viu, pode incendiar a imaginação dos músicos atuais para comporem novas canções que apelem a aqueles que estejam procurando significando e esperança para suas vidas.

No limiar de um milênio novo, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem diante de si um desafio e uma oportunidade sem precedentes para reexaminar a base teológica para a escolha e execução de sua música. Esperamos e oramos para que a igreja responda a este desafio, não pela aceitação sem questionamentos da música popular contemporânea, que é estranha à missão e mensagem da igreja, mas pela promoção da composição e cântico de músicas que expressem adequadamente a esperança que arde em nossos corações (I Pedro 3:15).


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NOTAS

1. Charlie Peacock, At the Cross Roads. An Insider’s Look at the Past, Present, and Future of Contemporary Christian Music (Nashville, 1999), p. 72.

2. Ibid., p. 70.

3. Ibid., pp. 72-73.

4. Hal Spencer and Lynn Keesecker, “We Get Lifted Up”, Works of Heart (Alexandria, Indiana, 1984), p. 44.

5. Calvin M. Johansson, Discipling Music Ministry. Twenty-First Century Directions (Peabody, Massachusetts, 1992), p. 52.

6. Philip Gold, “Gospel Music Industry Finds Its Amazing Grace”, Insight (17 de dezembro de 1990), p. 46.

7. Frank Garlock and Kurt Woetzel, Music in the Balance (Greenville, North Carolina, 1992), p.124.

8. “Spirit of Pop Moves Amy Grant”, Boston Herald (9 de abril de 1986), p. 27.

9. Norval Peace, And Worship Him (Nashville, 1967), p. 8.

10. Calvin M. Johansson (nota 5), p. 42.

11. Dale A. Jorgenson, Christianity and Humanism (Joplin, Missouri, 1983), p. 49.

12. C. Raymond Holmes, Sing a New Song! Worship Renewal for Adventist Today (Berrien Springs, Michigan, 1984), p. 41.

13. Richard Paquier, Dynamics of Worship (Philadelphia, 1967), p. 22.

14. Oscar Cullman, Early Christian Worship (Philadelphia, 1953), p. 8.

15. Michael Anthony Harris, “The Literary Function of the Hymns in the Apocalypse of John”, Dissertação de doutorado, Baptist Theological Seminary (Louisville, KY, 1988), p. 305.

16. F. Forrester Church and Terrance J. Mulry, Earliest Christian Hymns (New York, 1988), p. x.

17. Thomas Allen Seel, A Theology of Music for Worship Derived from the Book of Revelation (Metuchen, New Jersey, 1995), p. 84.

18. Ibid., p. 126.

19. George A. Buttrick, ed., The Interpreter’s Bible (Nashville, TN, 1982), vol. 12, p. 420.


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20. Thomas Allen Seel (nota 18), p. 124.

21. John W. Kleinig, The Lord’s Song. The Basis, Function and Significance of Choral Music in Chronicles (Sheffield, England, 1993), p. 82.

22. Anthony Sendrey, Music in Ancient Israel (London, 1963), pp. 376-377.

23. John W. Kleinig (nota 21), p. 78.

24. Garen L. Wolf, Music of the Bible in Christian Perspective (Salem, Ohio, 1996), p. 145.

25. Calvin M. Johansson, Music and Ministry. A Biblical Counterpoint (Peabody, Massachusetts, 1986), p. 67-68.

26. See, Ralph P. Martin, The Worship of God (Grand Rapids, 1982), p. 11.

27. See, James Strong, The Exhaustive Concordance of the Bible (New York, 1890), p. 1190.

28. Ênfase acrescentada.

29. The Seventh-day Adventist Hymnal (Washington, DC, 1985), p. 783.

30. Ibid., p. 787.

31. Conforme citado por Jack Wheaton, “Are Jazz Festivals Killing Jazz?” Pro/Ed Review 1 (Abril/Maio de 1972), p. 19.
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Capítulo 7
PRINCÍPIOS BÍBLICOS
DE MÚSICA
por:
Samuele Bacchiocchi

 
Conta-se a história de um homem que, durante uma campanha eleitoral, leu em um adesivo de pára-choque o seguinte: “Já tomei minha decisão. Por favor, não me confundam com os fatos”. Esta história nos faz lembrar do debate atual sobre o uso da música rock “Cristã” para adoração ou evangelismo. Muitos cristãos têm opiniões fortes a favor ou contra o uso de tal música.

Como cristãos não podemos fechar nossas mentes na procura por verdades bíblicas, porque somos chamados a crescer em “graça e conhecimento” (II Pedro 3:18). Às vezes pensamos que sabemos tudo o que a Bíblia ensina sobre certa doutrina, mas quando começamos a investigar o assunto, logo descobrimos quão pouco sabemos.

Esta foi minha experiência. Os muitos meses que passei examinando as referências bíblicas sobre a música, canto, e instrumentos musicais, me conscientizaram do fato de que a Bíblia tem muito mais a dizer sobre música, especialmente música para igreja, do que eu jamais imaginara. É um privilégio compartilhar esta experiência de aprendizagem com todos aqueles que estão ansiosos para entender mais completamente os princípios bíblicos da música.


Objetivos deste Capítulo. O objetivo geral deste capítulo é extrair da Bíblia alguns princípios básicos com respeito à música apropriada para o culto na igreja e para o uso particular. A tarefa não é fácil porque a Bíblia não foi estabelecida como um manual de doutrina com uma seção dedicada exclusivamente à música. Ao invés disso, a Bíblia é um livro
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de pesquisa, com mais de 500 referências espalhadas por toda ela, sobre música, músicos, cantores, e instrumentos musicais. O desafio não é onde achar estas referências, mas como extrair delas princípios aplicáveis para nós hoje.

Nenhuma tentativa foi feita em traçar a história da música na Bíblia, já que muitos estudos acadêmicos tratam deste tema. Nosso objetivo é olhar para música na Bíblia teologicamente ao invés de historicamente. O que buscamos entender é a natureza e a função da música nas vidas social e religiosa do povo de Deus. Mais especificamente, queremos determinar que distinção ela faz entre música sacra e secular. A música rítmica, associada com dança e entretenimento, foi alguma vez usada no templo, na sinagoga ou na igreja primitiva?

Este capítulo divide-se em três partes. A primeira parte examina a importância da música na Bíblia, especialmente o canto. Três perguntas principais são tratadas: (1) Quando, onde, como, e por que deveríamos cantar? (2) O que significa “fazer um barulho alegre ao Senhor”? (3) O que é o “Novo Cântico” que os crentes devem cantar?

A segunda parte deste capítulo enfoca o ministério da música na Bíblia. A investigação começa com o ministério da música no Templo e então continua com o da sinagoga e finalmente na igreja do Novo Testamento. Os resultados desta investigação são significativos porque mostram que, ao contrário de suposições prevalecentes, a Bíblia faz uma distinção clara entre música sacra e secular. Instrumentos de percussão, música ritmada por batidas e danças nunca fizeram parte do ministério musical no templo, na sinagoga, ou na igreja primitiva.

A terceira parte deste capítulo examina o que a Bíblia ensina sobre dança. A pergunta que focamos é se a Bíblia sanciona ou não a dança como um componente positivo na adoração da igreja. Esta é uma pergunta importante porque os partidários do apelo musical popular usam algumas referências bíblicas para justificar o uso que fazem de música rítmica dançante na igreja. Como forma de conclusão, faremos um breve resumo dos princípios bíblicos que emergiram ao longo deste estudo.
Parte 1
A IMPORTÂNCIA DO CANTO NA BÍBLIA
A importância da música na Bíblia é indicada pelo fato de que as atividades criadoras e redentoras de Deus foram acompanhadas e celebradas por música. Na criação a Bíblia nos diz “quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e
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rejubilavam todos os filhos de Deus” (Jó 38:7). Na encarnação, o coro celestial cantou: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre homens, a quem ele quer bem!” (Lucas 2:14). Na consumação final da redenção, a grande multidão dos remidos cantará: “Aleluia! Pois reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso. Alegremo-nos e exultemos, e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos” (Apocalipse 19:6-8).
O Cântico da Criação. A resposta do mundo natural à glória majestosa das obras criadas de Deus é expressa freqüentemente em termos de cânticos. Isto nos mostra claramente que cantar é algo que agrada a Deus e no qual Ele se deleita. Numerosos exemplos demonstram a criação de Deus sendo convidada e entoar louvores a Deus.

“Alegrem-se os céus, e a terra exulte; ruja o mar e a sua plenitude. Folgue o campo e tudo o que nele há; regozijem-se todas as árvores do bosque” (Salmos 96:11-12; NIV). “Os rios batam palmas, e juntos cantem de júbilo os montes”. (Salmos 98:8; NIV). “Bendizei ao Senhor, vós, todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio. Bendize, ó minha alma, ao Senhor”. (Salmos 103:22; NVI).

Lemos sobre pássaros cantando porque Deus lhes proporciona água (Salmos 104:12). Os céus, as profundezas da terra, os montes, bosques e cada árvore levantam-se em cânticos ao Senhor. (Isaías 44:23). O deserto, as cidades, e os habitantes dos penhascos cantam e dão glória a Deus (Isaías 42:1-12). Até mesmo o deserto florescerá e “jubilará de alegria e exultará” (Isaías 35:2).

Todas estas alusões metafóricas à criação animada e inanimada cantando e exaltando a Deus indicam que a música é algo que Deus ordena e anseia. Se estas fossem as únicas referências na Bíblia, elas já seriam suficientes para sabermos que a música, especialmente o cântico, tem um lugar importante no propósito do universo de Deus.


O Canto Humano. Mais maravilhoso que toda a natureza cantando é o convite que é estendido aos seres humanos para cantarem. “Vinde, cantemos ao Senhor, com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação”. (Salmos 95:1). “Salmodiai ao Senhor, vós que sois seus santos, e dai graças ao seu santo nome”. (Salmos 30:4) “Oh! que os homens exaltem a Deus por sua bondade, e pelos trabalhos maravilhosos para os filhos dos homens”. (Salmos
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107:8; KJV). Jesus, certa vez, disse que, se as pessoas não o louvarem, “as próprias pedras clamarão”. (Lucas 19:40).

A Bíblia menciona, especificamente, que o cântico deveria ser dirigido a Deus. Seu propósito não é a satisfação pessoal, mas para a glorificação de Deus. Moisés disse ao povo: “Cantarei ao Senhor, porque triunfou gloriosamente....” (Êxodo 15:1). Davi declarou: “Celebrar-te-ei, pois, entre as nações, ó Senhor, e cantarei louvores ao teu nome”. (II Samuel 22:50). Semelhantemente, Paulo exorta aos crentes que cantem e façam melodia “louvando de coração ao Senhor”, (Efésios 5:19). Deus e o louvor de Seu povo estão tão entrelaçados que o próprio Deus é identificado como “meu cântico”: “O Senhor é a minha força e o meu cântico” (Êxodo 15:2).

A música na Bíblia não é só para Deus, é também de Deus. É o presente de Deus à família humana. Exaltando a Deus por sua libertação, Davi disse: “E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus” (Salmos 40:3). Assim, a música pode ser inspirada por Deus, assim como Sua Santa Palavra. Uma prova reveladora disso, é o fato de que o livro mais longo da Bíblia é o livro de Salmos–o hinário do povo a Deus nos tempos bíblicos. Isto significa que a música sacra não é apenas uma expressão artística humana. Podemos ter diferenças de estilo ou tipos de música, mas nenhum cristão pode se opor à música em si, porque ela faz parte da provisão da graça de Deus para a família humana.
Música Essencial ao Bem-Estar Humano Total. A primeira declaração que encontramos na Bíblia sobre qualquer assunto determinado tem um valor fundamental. Isto também parece ser verdade no caso da música. Apenas algumas gerações após Adão e Eva, a Bíblia nos fala que três filhos nasceram a Lameque e às suas duas esposas, Ada e Zilá. Cada filho é apresentado como “o pai fundador” de uma profissão básica. “E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro” (Gênesis 4:20-22).

É evidente que estes três irmãos foram os fundadores de três profissões diferentes. O primeiro era fazendeiro e o terceiro um fabricante de ferramentas. A agricultura e a indústria são essenciais à existência humana. Intercalado entre os dois está a profissão de músico do irmão do meio. A implicação parece ser que os seres humanos são chamados, não apenas a produzir e consumir alimentos e bens, mas também para se deleitarem na beleza estética, como a música.


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O pianista clássico americano Sam Totman, vê neste verso uma indicação da provisão divina para as necessidades estéticas do homem, além das físicas e materiais. Ele escreve: “Aqui, no espaço de apenas alguns versos, Deus revela que a provisão das necessidades materiais do homem não é o bastante; além delas, o homem precisa ter uma válvula de escape para as suas sensibilidades estéticas. Desde o princípio a música era mais que um mero passatempo, que poderia ser visto como algo agradável, mas essencialmente desnecessário. Simplificando, Deus criou no homem uma certa necessidade estética que pode ser melhor satisfeita na música, e em Seu amor e sabedoria Ele proveu para satisfazer esta necessidade”.1

De uma perspectiva bíblica, a música não é apenas algo potencialmente agradável. É um presente provido por Deus para satisfazer completamente as necessidades humanas. A própria existência da música deveria nos dar razões para louvar a Deus por nos proporcionar, amorosamente, um presente, através do qual podemos expressar a nossa gratidão a Ele, enquanto sentimos prazer dentro de nós mesmos.


Razão para Cantar. Na Bíblia a música religiosa é centrada em Deus, não é centrada no eu. A noção de louvar a Deus como entretenimento ou diversão é estranha à Bíblia. Nenhum concerto de música “Judaica” ou “Cristã” foi executado por grupos ou artistas cantores no Templo, nas sinagogas, ou nas igrejas Cristãs. A música religiosa não era um fim em si mesma, mas era um meio para exaltar a Deus cantando Sua Palavra. Uma surpreendente descoberta recente, discutida posteriormente, é que todo o Velho Testamento foi planejado, originalmente, para ser recitado (cantado).

O cântico na Bíblia não é para o prazer pessoal nem para alcançar os “gentios” com melodias familiares a eles. É para louvar a Deus recitando Sua palavra - um método conhecido como “cantilena”. Prazer em cantar não vem de uma batida rítmica que estimula as pessoas fisicamente, mas da própria experiência em louvar ao Senhor. “Louvem o Senhor, pois o Senhor é bom; cantem louvores ao seu nome, pois é nome amável”. (Sal 135:3; NVI). “Louvai ao Senhor, porque é bom e amável cantar louvores ao nosso Deus; fica-lhe bem o cântico de louvor”. (Sal 147:1).

Cantar a Deus é “bom” e “agradável”, porque permite aos crentes que expressem a Ele sua alegria e gratidão pelas bênçãos da criação, libertação, proteção, e salvação. Cantar é visto na Bíblia como uma oferta de ação de graças a Deus por Sua bondade e Suas bênçãos. Este conceito é expresso, especialmente, em Salmos 69:30-31: “Louvarei com cânticos o nome de Deus, exaltá-lo-ei com ações de graças. Será isso muito mais agradável ao Senhor do que um boi ou um novilho com chifres e unhas”.
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A noção de que cantar louvores a Deus é melhor que sacrifício nos faz lembrar de um conceito semelhante, isto é, de que a obediência é melhor do que sacrifício (1 Samuel 15:22). Cantar louvores a Deus salmodiando a Sua palavra não é apenas uma experiência agradável; também é um meio de graça ao que crê. Através do canto, crentes oferecem a Deus uma adoração de louvor, tornando-os aptos a receberem Sua graça habilitadora.
Maneira de Cantar. Para cumprir sua função planejada, o canto deve expressar gozo, alegria, e ação de graças. “Cantai ao Senhor com ações de graças” (Salmos 147:7). “Eu também te louvo com a lira, celebro a tua verdade, ó meu Deus; cantar-te-ei salmos na harpa, ó Santo de Israel. Os meus lábios exultarão quando eu te salmodiar; também exultará a minha alma, que remiste”. (Salmos 71:22-23). Note que o cântico é acompanhado pela harpa e pela lira (freqüentemente chamada de saltério – Salmos 144:9; 33:2; 33:3), e não com instrumentos de percussão. A razão, observada no Capítulo 6, é que os instrumentos de corda misturam-se à voz humana sem sobrepor-se a ela.

Em muitos lugares a Bíblia indica que o nosso cântico deveria ser emocional, com júbilo e alegria. Vemos ali que os Levitas “cantaram louvores com alegria, e se inclinaram e adoraram”. (II Crônicas 29:30). O cântico não deveria ser feito apenas com alegria, mas também de todo o coração. “Louvar-te-ei, Senhor, de todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas”. (Salmos 9:1). Se seguíssemos este princípio bíblico, então o nosso cântico de hinos e canções de louvor na igreja deveria ser alegre e entusiástico.

Para se cantar entusiasticamente, é necessário que a graça de Deus seja aplicada ao coração do crente (Colossenses3:16). Sem o amor e graça divinos no coração, o cântico se torna como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. (I Coríntios 13:1). A pessoa que experimentou o poder transformador da graça de Deus (Efésios 4:24) pode testemunhar que o Senhor “pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus” (Salmos 40:3).

A música de um coração não convertido, rebelde é um barulho irritante para Deus. Por causa de sua desobediência, Deus disse aos filhos de Israel, “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras”. (Amós 5:23). Esta declaração é relevante em uma época de elevada amplificação na música popular. O que agrada a Deus não é o volume da música, mas a condição do coração.


Fazer um Barulho Alegre ao Senhor”. A referência ao volume da música nos faz lembrar da advertência “fazer um barulho alegre ao Senhor”, uma frase que ocorre sete vezes na versão KJV no
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Antigo Testamento (Salmos 66:1; 81:1; 95:1-2; 98:4, 6; 100:1). Estes versos são usados freqüentemente por aqueles que defendem o uso da música rock na igreja.

(N.T.: Esta expressão é a tradução que a versão King James deu para a palavra hebraica “ruwa”, que também aparece em outras passagens com outros significados. O termo não ocorre nas versões em português. Nas versões em português ela é traduzida nestes textos como: “Celebrai com júbilo ao Senhor”, “Cantai alegremente ao Senhor”, “Cantai ao Senhor com alegria” ou expressões equivalentes.)

Tenho pregado em igrejas onde a música de alguns conjuntos foi elevada a muitos decibéis e onde, como conseqüência, meus tímpanos ficaram doendo por vários dias. Este é o preço que, às vezes, tenho que pagar por pregar a palavra de Deus nessas igrejas que introduziram grupos de música com potentes sistemas de amplificação. Às vezes, esses enormes alto-falantes são colocados diretamente na plataforma, próximo aos ouvidos do pregador.

A defesa para o uso de um som ensurdecedor no culto da igreja é que Deus realmente não se preocupa com o som, desde que Lhe façamos um barulho alegre. Uma vez que grupos de rock, com seus equipamentos eletrônicos, produzam um som poderoso, trovejante, alega-se que Deus ficaria muito feliz através de tal “barulho alegre”.

Antes de examinarmos os textos da Bíblia onde as frases “barulho alegre” ou “barulho alto” aparecem em algumas traduções equivocadas, é importante nos lembrarmos que nos tempos bíblicos não havia nenhuma amplificação eletrônica. O que era alto naqueles tempos, seria muito normal nos dias de hoje. O volume da música produzida pela voz humana ou por instrumentos musicais sem amplificação não aumenta em proporção ao número de participantes.

Dez trompetes não fazem dez vezes mais barulho, em volume, do que apenas um trompete. No seu livro Psychology of Music, Carl Seashore dedica um capítulo inteiro ao assunto do volume. Ele escreve: “A adição de um ou mais tons de mesma intensidade tende a aumentar a intensidade total do volume, mas apenas em um grau leve. Por exemplo, se temos um tom no piano de 50 decibéis e se somarmos a ele um outro tom de mesma intensidade, o efeito combinado será de aproximadamente 53 decibéis. Se somarmos um terceiro tom, é provável que a intensidade total seja de 55 decibéis. Assim a soma da intensidade total diminui com o número de unidades combinadas; em todo caso o aumento é pequeno se comparado à intensidade original de um elemento”.2

Isto significa que os cantores que Davi designou “para louvarem ao Senhor com os instrumentos” (I Crônicas 23:5), poderiam produzir um volume máximo de cerca de 70 ou 80 decibéis, porque não tinham nenhuma possibilidade de amplificação. O coro habitual era bastante pequeno, consistia de no mínimo 12 cantores adultos do sexo masculino, acompanhados por poucos instrumentos de cordas. O nível do volume dependia da distância entre os cantores e a congregação. Hoje, ao contrário, um grupo de rock de quatro pessoas, com o
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sistema de amplificação certo, pode produzir um som de 130-140 decibéis, nível este que pode sobrepujar a decolagem de um Jumbo.

O “barulho alto” em tempos bíblicos não era alto o suficiente para prejudicar as pessoas fisicamente. Hoje a probabilidade de ferir-se, através de um volume excessivo é uma possibilidade constante. A “maioria dos otorrinos diz que não deveríamos escutar nada que ultrapassasse os 90 decibéis na escala sonora. Muitos grupos de música rock, tanto seculares quanto cristãos, tocam a um nível de 120-125 decibéis! (Lembre-se que o jato supersônico Concorde alcança um pouco acima de 130 decibéis ao partir do Aeroporto de Dulles em Washington.) ‘Seus corpos são o templo do Espírito Santo’ (I Coríntios 6:19). Certamente esse texto se aplica nesse ponto. Devemos ser bons mordomos de nossos tímpanos, também”. 3



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