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Som Alto Louva a Deus? Esses textos da Bíblia que falam sobre fazer “um barulho alegre” ou “um barulho alto” ao Senhor, nos ensinam que Ele está contente com a amplificação excessiva da voz humana ou de instrumentos musicais durante o culto de adoração? Dificilmente. Esta conclusão foi tirada em grande parte de uma tradução errada do original hebraico traduzido como “barulho”. Em seu livro, The Rise of Music in the Ancient World, Curt Sachs responde a esta questão: “Como os judeus antigos cantavam? Eles realmente gritavam ao máximo de suas vozes? Alguns estudiosos tentaram nos fazer acreditar que este era o caso, recorrendo, particularmente, a vários salmos que supostamente davam testemunho de um cântico em “fortíssimo”. Mas desconfio que eles se valeram de traduções em vez de irem ao original”.4

A frase “fazer um barulho alegre” é uma tradução errada do hebraico ruwa. O termo não significa fazer um barulho alto indiscriminadamente, mas gritar de alegria. O Deus da revelação bíblica não se deleita com o barulho em si, mas com melodias alegres. Um bom exemplo disso é encontrado em Jó 38:7, onde a mesma palavra ruwa é usada para descrever os filhos de Deus que “rejubilavam de alegria” na criação. Os cânticos dos seres divinos na criação quase não podem ser caracterizados como “barulho”, porque “barulho” pressupõe um som ininteligível.

O erro de tradução de ruwa como “barulho” foi captado pelos tradutores da Nova Versão Internacional (NVI), onde o termo é traduzido constantemente como “aclamar com alegria” em lugar de “fazer um barulho alegre”. Por exemplo, no Salmo 98:4 da KJV lemos: “Faça um barulho alegre ao Senhor, toda a terra,: faça um barulho alto, e alegre, e cante louvores”. Note a tradução mais lógica encontrada na NVI: “Aclamem o Senhor todos os habitantes da terra!
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Louvem-no com cânticos de alegria e ao som de música”. Há uma grande diferença entre “fazer um barulho alto ao Senhor”, e “aclamar com alegria” ou “louvá-Lo com cânticos de alegria”. Cantar com júbilo e com o máximo volume da voz humana, não é fazer barulho, e sim uma expressão entusiástica de louvor.

Outro exemplo patente de tradução errada, da versão KJV, está em Salmos 33:3 onde lemos: “Cantai a Ele um novo cântico; tocai habilmente um barulho alto”. A frase posterior é contraditória, porque música habilmente tocada dificilmente poderia ser descrita como “barulho alto”. Surpreende o fato dos tradutores da KJV não terem visto essa contradição. A NVI traduz o verso corretamente: “Cantem-lhe uma nova canção; toque com habilidade ao aclamá-lo”. (Salmos 33:3).

Duas referências do Velho Testamento indicam que, às vezes, a música pode se degenerar em barulheira. A primeira referência está em Amós 5:23 onde Deus reprova os Israelitas infiéis: “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras”. Uma advertência semelhante é encontrada na profecia de Ezequiel contra Tiro: “Farei cessar o arruído das tuas cantigas, e já não se ouvirá o som das tuas harpas”. (Ezequiel 26:13).

Em ambos os textos a palavra “barulho” (N.T.: ou estrépito, ruído) é traduzida, corretamente, do hebraico hamown que aparece oitenta vezes no Velho Testamento e geralmente é traduzido como “barulho” ou “tumulto”. A NVI traduz de forma correta a palavra como “barulhento”: “Porei fim aos seus cânticos barulhentos, e não se ouvirá mais a música de suas harpas”. Deus vê tal música como “barulhenta” porque é produzida por pessoas rebeldes.

Em um exemplo no Novo Testamento, a palavra “barulho” é usada juntamente com a música produzida por pranteadores profissionais. Lemos em Mateus 9:23-24: “Tendo Jesus chegado à casa do chefe e vendo os tocadores de flauta e o povo em alvoroço, disse: Retirai-vos, porque não está morta a menina, mas dorme. E riam-se dele”. Neste caso a música e o gemido são caracterizados corretamente como “barulho”, porque eles eram constituídos por sons incoerentes.

Nesta ocasião o verbo grego thorubeo refere-se ao gemido musical e barulho que era feito pelos trovadores e a multidão. O fato de Cristo caracterizar tal música como “barulho” sugere que Deus não aprova um barulho musical alto em um culto de adoração. “Era um costume semítico contratar pranteadores profissionais para lamentarem, cantarem e baterem instrumentos de percussão, tocando e chorando sobre o morto. . . Embora este verso


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conecte definitivamente fazer barulho com música no Novo Testamento, isso não implica que na dispensação do Novo Testamento deveríamos fazer barulho a Deus com a nossa música religiosa”.5

A revisão dos textos relevantes indica que a Bíblia não sanciona fazer um barulho alegre ao Senhor, ou qualquer tipo de barulho neste assunto. O povo de Deus é convidado a irromper em cântico com poder e alegria. Deus se preocupa com a forma como cantamos e tocamos durante o culto de adoração. Deus sempre exigiu o nosso melhor, quando fazermos uma oferta a Ele. Ele exigiu que as ofertas queimadas estivessem “sem mancha” (Levítico 1:3), então é razoável assumir que Ele espera O presenteemos com a nossa melhor oferta musical. Não há nenhuma base bíblica para se acreditar que música alta, barulhenta ou letra questionável sejam aceitáveis a Deus.


O Local e a Hora de Cantar. A Bíblia nos instrui a cantar, não apenas na Casa de Deus, mas também entre os incrédulos, em países estrangeiros, em tempo de perseguição, e entre os santos. O escritor de hebreus diz: “cantar-te-ei louvores no meio da congregação”. (Hebreus 2:12). O salmista nos admoesta “Cantai ao Senhor um novo cântico e o seu louvor, na assembléia dos santos”. (Salmos 149:1). Paulo afirma “eu te glorificarei entre os gentios e cantarei louvores ao teu nome”. (Romanos 15:9). Isaías exorta a louvar a Deus nas ilhas (Isa 42:11-12). Enquanto Paulo e Silas estavam presos, a igreja “orava e cantava hinos a Deus” (Atos 16:25).

As freqüentes referências de louvar a Deus entre os pagãos ou Gentios (II Samuel 22:50; Romanos 15:9; Salmos 108:3), sugerem que o cântico era visto como uma maneira eficiente para se testemunhar a Deus aos incrédulos. Porém, não há nenhuma indicação na Bíblia de que os judeus ou os cristãos primitivos adotaram canções e melodias seculares para evangelizarem aos Gentios. Ao contrário, veremos abaixo que a música de entretenimento e de percussão instrumental, comum nos templos pagãos e na sociedade estava claramente ausente na música de adoração no Templo, na sinagoga, e nas reuniões dos primeiros cristãos. Tanto judeus quanto cristãos primitivos acreditavam que a música secular não tinha lugar na adoração. Este ponto ficará mais claro conforme prosseguirmos neste estudo.

Cantar, na Bíblia, não é limitado à experiência da adoração, mas se estende à totalidade da existência de uma pessoa. Crentes que vivem em paz com Deus têm uma canção constante em seus corações, embora esse cântico talvez nem sempre seja vocalizado. É por isso que o salmista diz: “Louvarei ao Senhor
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durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu viver”. (Salmos 146:2; 104:33). Em Apocalipse os que saíram da grande tribulação são vistos em pé diante do trono de Deus, enquanto cantam um novo cântico que diz: “Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação”. (Apocalipse 7:10). Cantar louvores a Deus é uma experiência que começa nesta vida e continuará no mundo por vir.
O “Novo Cântico” da Bíblia. Nove vezes a Bíblia fala em cantar “um novo cântico”. Sete vezes essa frase ocorre no Velho Testamento (Salmos 33:3; 40:3; 96:1; 98:1; 144:9; 149:1; Isaías 42:10) e duas vezes no Novo Testamento (Apocalipse 5:9; 14:2). Durante a preparação deste manuscrito, várias pessoas inscritas em meu boletim “Endtime Issues” (N.T.: Trata-se de um boletim informativo com mensagens por e-mail), enviaram mensagens argumentando que para eles a música religiosa popular contemporânea é o cumprimento profético do “novo cântico” bíblico, porque as canções populares têm letras e melodias “novas”. Outros acreditam que é exigido dos cristãos que cantem músicas novas e, conseqüentemente, os músicos têm que compor constantemente hinos novos para a igreja.

Certamente há uma necessidade contínua por hinos novos que enriqueçam a experiência da adoração na igreja hoje. Porém, um estudo do “novo cântico” na Bíblia, revela que essa frase não se refere a uma composição nova, mas a uma nova experiência, que torna possível louvar a Deus com um novo significado. Vejamos primeiro um par de passagens do Velho Testamento que nos ajudam a definir o significado de “novo cântico”. O Salmista diz: “Ele me tirou de um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou-me num local seguro. Pôs um novo cântico na minha boca, um hino de louvor ao nosso Deus”. (Salmos 40:2-3, NVI). Neste texto, o “novo cântico” é definido pela frase explicativa posterior como “um hino de louvor ao nosso Deus”. É a experiência da libertação do poço de destruição e da restauração em local seguro que dá a Davi motivo para cantar hinos antigos de louvor a Deus com um significado novo!

O “novo cântico” na Bíblia não está associado a letras mais simples ou música mais rítmica, mas com a uma experiência sem igual de libertação divina. Por exemplo, Davi diz: “A ti, ó Deus, entoarei novo cântico; no saltério de dez cordas, te cantarei louvores. É ele quem dá aos reis a vitória; quem livra da espada maligna a Davi, seu servo”. (Salmos 144:9-10). É a experiência de libertação e vitória que inspira Davi a cantar os hinos de louvor com um novo senso de gratidão.
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O mesmo conceito é expresso nas duas referências de “novo cântico” encontradas no Novo Testamento (Apocalipse 5:9; 14:2). Os vinte e quatro anciões e os quatro seres viventes cantam um “novo cântico” diante do Trono de Deus. O cântico louva o Cordeiro “porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Apocalipse 5:9).

Em uma nota semelhante em Apocalipse 14, os remidos se unem aos anciões e aos seres viventes entoando “um novo cântico diante do trono” (Apocalipse 14:3). Nos é dito que “ninguém pôde aprender o cântico” senão os “que foram comprados da terra” (Apocalipse 14:3). O que torna este cântico novo, não são palavras ou melodia novas, mas a experiência inigualável dos resgatados. Eles são os únicos que podem canta-lo, não porque as palavras ou melodia sejam difíceis de serem aprendidas, mas por causa de sua experiência sem igual. Eles saíram da grande tribulação; assim eles podem expressar o seu louvor e gratidão a Deus de modo que ninguém mais é capaz de fazer.

A palavra grega traduzida por “novo” é kainos, que significa novo em qualidade e não em tempo. O segundo significado é expresso pela palavra grega neos. O Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento) claramente explica a diferença entre as duas palavras gregas neos e kainos. “Neos é o que é novo no tempo ou origem.... kainos é o que é novo em natureza, diferente do habitual, impressionante, melhor que o velho”.6

Só a pessoa que experimentou o poder transformador da graça de Deus pode cantar um cântico novo. É digno de nota que a famosa exortação de Paulo em Colossenses 3:16 “louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais” é precedidas pelo seu apelo: “uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Colossenses 3:9-10). O “novo cântico” celebra a vitória sobre a velha vida e as velhas canções; ao mesmo tempo, expressa gratidão pela vida nova em Cristo experimentada pelos crentes.


Parte 2
O MINISTÉRIO DA MÚSICA NA BÍBLIA
Na discussão sobre a importância da música na Bíblia, focalizamos até agora o papel do canto na experiência espiritual do indivíduo. Muito pouco foi dito sobre o ministério da música, conduzido primeiramente no templo, depois na sinagoga, e finalmente na igreja primitiva. Um breve exame do ministério público da música nos tempos bíblicos nos concederá lições significativas para a música na igreja em nossos dias.
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(1) O Ministério da Música no Templo
Muitos dos envolvidos no ministério da música contemporânea apelam para os diferentes estilos de música do Velho Testamento para “fazerem do jeito deles”. Eles acreditam que a música produzida por instrumentos de percussão e acompanhados por dança eram comuns nos serviços religiosos. Por conseguinte, defendem que alguns estilos de música rock e danças são apropriados para os cultos na igreja hoje.

Um estudo cuidadoso da função da música do Velho Testamento revela o contrário. Por exemplo, no Templo os músicos pertenciam a um clero profissional, só tocando em ocasiões restritas e especiais, e usavam alguns poucos instrumentos musicais específicos. Não havia nenhuma possibilidade em se transformar o serviço do Templo em um festival de música onde qualquer “grupo de rock” judeu pudesse tocar uma música de entretenimento da época. A música era rigidamente controlada no Templo. O que foi verdade para o templo foi, também, depois na sinagoga e na igreja primitiva. Esta pesquisa nos ajudará a entender que na música, como em todas as áreas da vida, Deus não nos dá permissão para “fazermos do nosso jeito”.


A Instituição do Ministério da Música. A transição de uma vida insegura, nômade no deserto para um estilo de vida permanente na Palestina sob a monarquia, proveu a oportunidade para se desenvolver um ministério de música que satisfizesse as necessidades da congregação adoradora no Templo. Antes desta época as referências sobre música estavam principalmente com as mulheres que cantavam e dançavam ao celebrarem eventos especiais. Miriam conduziu um grupo de mulheres cantando e dançando para celebrar a derrota dos egípcios (Êxodo 15:1-21). As mulheres tocaram e dançaram pela conquista de Davi (I Samuel 18:6-7). A filha de Jefté foi ao encontro de seu pai com adufes e com danças após seu retorno da batalha (Juízes 11:34).

Com o estabelecimento por Davi de um ministério de música profissional pelos Levitas, a produção musical ficou restrita aos homens. Por que as mulheres foram excluídas de servirem como musicistas no Tempo é uma pergunta importante que tem confundido os estudiosos. Nós comentaremos isto brevemente. As mulheres continuaram a fazer música na vida social do povo.

O livro de Crônicas descreve com detalhes consideráveis como Davi organizou o ministério musical dos Levitas. Uma análise perspicaz de como Davi realizou esta organização é provida pela dissertação doutoral de John Kleining, The Lord’s Song: The Basis, Function and Significance of Choral Music in Chronicles.7 Para o propósito do nosso estudo,
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nos limitaremos a um breve resumo dessas características que são pertinentes ao ministério da música hoje.

De acordo com o primeiro livro de Crônicas, Davi organizou esse ministério em três estágios. Primeiro, ele ordenou aos chefes das famílias levíticas que designassem uma orquestra e um coro para acompanharem o transporte da arca até a tenda em Jerusalém (I Crônicas 15:16-24).

O segundo estágio aconteceria depois que a arca tivesse sido colocada em segurança na tenda em seu palácio (II Crônicas 8:11). Davi organizou a apresentação regular de música coral na hora das ofertas queimadas com os corais posicionados em dois locais diferentes (II Crônicas 16:4-6, 37-42). Um coro se apresentava sob a liderança de Asafe diante da arca em Jerusalém (II Crônicas 16:37), e o outro sob a liderança de Hemã e Jedutun diante do altar em Gibeão (II Crônicas 16:39-42).

O terceiro estágio da organização do ministério de música por Davi, aconteceu no final de seu reinado quando ele planejou o serviço musical elaborado que seria realizado no templo que Salomão construiria (I Crônicas 23:2 a 26:32). Davi fundou um conjunto com 4.000 Levitas como artistas em potencial (I Crônicas 15:16; 23:5). Deste grupo ele formou um coro levítico profissional com 288 componentes. Os levitas músicos correspondiam a mais de dez por cento dos 38.000 levitas. “Algum tipo de teste provavelmente era necessário no processo de seleção, uma vez que a habilidade musical nem sempre é herdada”.8

O próprio Davi se envolveu juntamente com seus oficiais na escolha de vinte e quatro líderes das turmas, cada uma tendo doze músicos num total de 288 (I Crônicas 25:1-7). Estes, por sua vez, seriam os responsáveis pela seleção do restante dos músicos.
O Ministério dos Músicos. Para assegurar que não haveria nenhuma confusão ou conflito entre o ministério sacrifical dos sacerdotes e o ministério musical dos levitas, Davi delineou, cuidadosamente, a posição, o grau, e a extensão do ministério dos músicos (I Crônicas 23:25-31). A atuação do ministério da música era subordinada aos sacerdotes (I Crônicas 23:28).

A natureza do ministério dos músicos é descrita graficamente: “Deviam estar presentes todas as manhãs para renderem graças ao Senhor e o louvarem; e da mesma sorte, à tarde; e para cada oferecimento dos holocaustos do Senhor, nos sábados, nas Festas da Lua Nova e nas festas fixas, perante o Senhor, segundo o número determinado” (I Crônicas 23:30-31).


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O contexto sugere que os músicos ficariam em pé em algum lugar diante do altar, uma vez que a apresentação de sua música coincidia com a apresentação da oferta queimada. O propósito desse ministério era agradecer e louvar ao Senhor. Eles anunciavam a presença do Senhor para o Seu povo na congregação (I Crônicas 16:4), assegurando-os de Sua disposição favorável para com eles.

Em I Crônicas 16:8-34 encontramos um hino magnífico de louvor que foi cantado pelo coro no Templo. “Este cântico consistia de porções dos Salmos 105, 96, e 106, que foram refeitas e recombinadas para produzirem este notável texto litúrgico. O cântico propriamente dito começa e termina com um chamado à ação de graças. Uma oração conclusiva e uma doxologia são anexadas em I Crônicas 16:35-36. Temos assim em I Crônicas 16:8-34 uma composição cuidadosamente elaborada e que foi colocada ali para demonstrar o padrão básico das ações de graças que Davi instituiu para serem executadas pelos cantores em Jerusalém”.9


Um Ministério Musical Próspero. O ministério de música no templo foi próspero por várias razões, as quais são pertinentes para a música da igreja hoje. Primeiro, os músicos levitas eram maduros e musicalmente treinados. Lemos em I Crônicas 15:22 que “Quenanias, o chefe dos levitas, ficou encarregado dos cânticos; essa era sua responsabilidade, pois ele tinha competência para isso”. (NVI). Ele se tornou o líder da música porque era um músico hábil e capaz de instruir a outros. O conceito de habilidade musical é mencionado várias vezes na Bíblia (I Samuel 16:18; I Crônicas 25:7; II Crônicas 34:12; Salmos 137:5). Paulo também faz menção a isto quando disse: “cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento” (1 Cor 14:15, NVI).

O coro era constituído de no mínimo doze cantores adultos, do sexo masculino e com idades entre trinta e cinqüenta anos (I Crônicas 23:3-5).10 Fontes rabínicas relatam que o treinamento musical de um cantor levítico levava pelo menos cinco anos de preparação intensiva.11 O princípio bíblico é que os líderes da música devem ter um entendimento musical maduro, especialmente hoje, quando vivemos numa sociedade de uma cultura elevada.

Segundo, o ministério da música no templo teve êxito porque seus músicos eram espiritualmente preparados. Eles foram separados e ordenados para esse ministério como o foram os outros sacerdotes. Falando aos líderes dos músicos levitas, Davi disse: “santificai-vos, vós e vossos irmãos. . . Santificaram-se, pois, os sacerdotes e levitas” (I Crônicas 15:12, 14). Foi entregue aos músicos levitas o sagrado encargo de ministrarem, continuamente, diante do Senhor (I Crônicas 16:37).
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Terceiro, os músicos levitas eram trabalhadores em tempo integral. I Crônicas 9:33 declara: “Quanto aos cantores, chefes das famílias entre os levitas, estavam alojados nas câmaras do templo e eram isentos de outros serviços; porque, de dia e de noite, estavam ocupados no seu mister”. Aparentemente o ministério musical dos levitas requeria uma preparação considerável, porque lemos que “Davi deixou ali diante da arca da Aliança do Senhor a Asafe e a seus irmãos, para ministrarem continuamente perante ela, segundo se ordenara para cada dia;” (I Crônicas 16:37). A lição bíblica é que os ministros da música deviam estar dispostos a trabalhar diligentemente no preparo da música necessária para o culto de adoração.

Finalmente, os músicos levitas não eram artistas cantores convidados para entreter as pessoas no templo. Eles eram os ministros da música. “São estes os que Davi constituiu para dirigir o canto na Casa do Senhor, depois que a arca teve repouso. Ministravam diante do tabernáculo da tenda da congregação com cânticos”. (I Crônicas 6:31-32). Através de seu serviço musical os levitas “ministravam” ao povo. Outros cinco trechos no Velho Testamento nos dizem que os levitas ministravam ao povo por sua música (I Crônicas 16:4, 37; II Crônicas 8:14; 23:6; 31:2).

O ministério dos músicos levitas está bem definido em I Crônicas 16:4: “Designou dentre os levitas os que haviam de ministrar diante da arca do Senhor, e celebrar, e louvar, e exaltar o Senhor, Deus de Israel”. Os três verbos usados neste texto–“celebrar”, “louvar”, e “exaltar”–sugerem que o ministério da música era uma parte vital na experiência de adoração do povo de Deus.

Uma indicação da importância do ministério da música pode ser vista no fato de que os músicos levitas eram pagos com os mesmo dízimos que eram dados para o sustento do sacerdócio (Números 18:24-26; Neemias 12:44-47; 13:5, 10-12). O princípio bíblico é que o trabalho do ministro da música não deveria ser “uma obra por amor”, mas sim um ministério apoiado pela renda do dízimo da igreja. É razoável supor que, se uma pessoa leiga se oferece para ajudar no programa musical de uma igreja, tal serviço não precisa ser remunerado.

Resumindo, o ministério da música no templo foi conduzido por levitas experientes e maduros, que foram treinados musicalmente, preparados espiritualmente, apoiados financeiramente, e servidos pastoralmente. Como observa Kenneth Osbeck: Ministrar musicalmente no Velho Testamento era um grande privilégio e um serviço de muita responsabilidade. Isto ainda é verdade no ministério da música em nossos dias. Em um senso muito real nós somos os levitas do Novo Testamento. Assim, estes princípios, que foram estabelecidos por Deus para o sacerdócio levítico, deveriam ser observados como diretrizes válidas para os líderes da música numa igreja do Novo Testamento”.12
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O Coro Levítico e o Ritual do Sacrifício. O livro de Crônicas apresenta o ministério musical dos levitas como parte da apresentação da oferta diária no templo. O ritual consistia de duas partes. Primeiro vinha o ritual com sangue, que fora planejado para expiar os pecados do povo através da transferência do sangue da oferta para o Lugar Santo (II Crônicas 29:21-24). Este serviço criava a pureza ritual necessária para que Deus aceitasse Seu povo e manifestasse Sua bênção sobre a congregação. Durante este ritual nenhum cântico era entoado.

Uma vez que o ritual de expiação fosse completado, a oferta queimada era então apresentada sobre o altar. Este ritual sinalizava a aceitação de Deus ao Seu povo e a manifestação de Sua presença. John Kleinig explica que “enquanto os sacrifícios estavam sendo queimados sobre o altar, as trombetas, que anunciavam a presença do Senhor, sinalizavam para que a congregação se prostrasse diante de Sua presença, e o cântico do Senhor era cantado pelos músicos (II Crônicas 29:25-30). Assim, o serviço coral vinha depois que o rito de expiação houvesse sido completado. Não se tentava assegurar uma resposta favorável do Senhor, mas pressupunha que tal resposta já houvesse sido dada. Os músicos proclamavam o nome do Senhor durante a apresentação dos sacrifícios, para que Ele viesse e abençoasse Seu povo, como Ele mesmo prometera em Êxodo 20:24 e demonstrara em II Crônicas 7:1-3”.13

A função da música durante o ritual do sacrifício não era eclipsar ou substituir o próprio sacrifício, mas levar a congregação a envolver-se em certos momentos designados durante o culto. Em outras palavras, os israelitas não iam ao templo para ouvir os conjuntos levíticos se apresentando em um concerto sacro. Muito pelo contrário, eles iam testemunhar e experimentar a expiação de seus pecados por Deus. A música que acompanhava o sacrifício expiatório os convidava a aceitarem e celebrarem a graciosa provisão divina de salvação.

Numa época em que muitos cristãos escolhem suas igrejas conforme o estilo musical da adoração, precisamos nos lembrar de que na Bíblia, a música nunca foi um fim em si mesma. No templo a música apresentada enriquecia o serviço sacrifical levando a congregação a envolver-se em alguns momentos específicos. Na sinagoga e na igreja primitiva, a música reforçava o ensino e a proclamação da Palavra de Deus. Para sermos verdadeiros ao testemunho bíblico, nossa música na igreja precisa apoiar o ensino e a pregação da Palavra de Deus, e não eclipsá-los.


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