Um Modelo para Análise de Cabos de Aço de Seção Complexa



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Um Modelo para Análise de Cabos de Aço de Seção Complexa




A Model for Analysis of Wire Rope with Complex Cross Section




Aura Conci


Universidade Federal Fluminense - UFF - CAA - PGMEC

Wilson Ferreira da Silva


Petrobrás - Petróleo Brasileiro S.A./RPSE

Abstract


The theoretical analysis of wire rope is rather complex. The analysis of a rope begins with a study of the deformation of a helical wire in a strand. By the deformation of all wires in a given strand, one determines the response of that strand. Again by the deformation of all strands in the rope, one determines the response of a rope. This model produces equations highly nonlinear. This work shows the steps of this development for a computer program implementation to analyze complex wire rope geometries. Using this, deformation and stress in ropes can be evaluated. The model can treat cables, having or not internal-wire-ropes cores, loaded in all combinations of load. Results and comparison are given for Warrington, Seale and Filler-Wire constructions but they could be generated for other constructions.

Keywords: wire rope, internal-wire-rope core, cables, complex loading

Resumo


A análise teórica de cabos de aço é bastante complexa: inicia-se pelo estudo dos arames helicoidais formadores das pernas. A resposta a deformação de uma perna é determinada pela deformação dos arames que a constituem. O comportamento do cabo, por sua vez, está relacionado ao comportamento de cada perna. Esta modelagem resulta em uma formulação não linear. As etapas do desenvolvimento deste modelo e de sua implementação em um programa de análise numérica são apresentadas neste trabalho. Esta implementação pode ser utilizada na análise de cabos de geometrias complexas, possuindo ou não alma interna, sob qualquer tipo de combinação de carregamentos. Exemplos de análise e comparações com outros autores são apresentadas para as formas Warrington, Seale e Filler-Wire, mas a implementação pode ser aplicada à qualquer seção.

Palavras-chave: Cabos de aço, alma interna de cabo de aço, cabos, carregamentos complexos

1-Introdução


Até meados dos anos 30, todos os trabalhos significativos sobre cabos de aço eram experimentais, resultados de numerosos dados de ensaios de fadiga e carga estática. Por causa do pouco conhecimento teórico que se tinha, era necessário utilizar grandes fatores de segurança para assegurar o uso satisfatório de cabos de aço. Em 1936 Suslov mostrou ser impossível criar um modelo matemático para o cálculo dos esforços em arames e pernas de um cabo de aço, devido à grande complexidade do problema. Durante anos poucas tentativas foram feitas na busca por um modelo teórico para cabos de aço ( talvez devido a essa demonstração de Suslov ). Uma década depois Drucker e Tachau (1945) descrevem um método para projeto à fadiga de cabos de aço, baseado em dados experimentais de outros autores. Hall (1951) publicou o primeiro modelo para previsão de tensões em arames de cabos de aço. O modelo de Hall era muito simples, pois fazia a hipótese de que o único esforço atuante nos arames seria a tração. Seguindo Hall, Hruska (1952,1953) publicou trabalhos onde as forças radiais e tangenciais (entre arames e pernas), e as tensões nos arames são examinadas, iniciando os estudos sobre as tensões de contato entre arames. Leissa (1959) conseguiu expressar as forças radiais entre pernas e arames em função da carga aplicada e da geometria do cabo. Starkey e Cress (1959) publicaram um trabalho considerando as tensões críticas e os modos de falha de cabos de aço. Durante as décadas de 60 e 70, alguns pesquisadores como, Bert e Stein (1962) e Durelli et al.(1972) deram contribuições bastante significativas para a teoria de cabos de aço. O equacionamento e a solução do problema de cabos de aço de maneira completa foi apresentado por Phillips e Costello (1973), a partir do equilíbrio de uma haste delgada. A solução do problema de um arame em forma de hélice, como os arames de uma perna em um cabo de aço, foi apresentada em uma série de publicações destes autores, sobre propriedades de cabos de aço de construção simples (Phillips e Costello, 1973 e 1977, Costello e Phillips, 1976, Costello e Sinha, 1977-a e b). Velinsky et al. (1984), apresentam uma contribuição fundamental à teoria de cabos, linearizando as equações desenvolvidas por Costello e Phillips (1976), em construções do tipo Seale com alma interna de cabo de aço, viabilizando desta forma aplicações para geometrias mais complexas. Costello e Phillips (1985) generalizaram o método de Velinsky para qualquer tipo de construção que contivesse uma alma interna de cabo de aço. Esta teoria foi complementada por Le Clair e Costello (1988), Costello (1990) e Huang e Vinogradov (1992,1994) com a introdução da consideração do atrito entre os arames. Neste trabalho apresentamos um esquema de solução baseado no modelo de Costello que permite a generalização do método simplificado de Velinsky para seções transversais de qualquer tipo, com ou sem alma interna. Este esquema é simples o suficiente para ser implementado, em qualquer linguagem de computação, em microcomputadores sem nenhuma sofisticação. A eficiência do método é ilustrada através de comparações com outros trabalhos e exemplos de solução de cabos com geometrias e carregamentos complexos.

2-Conceitos Básicos


Um cabo de aço consiste de 3 elementos: os arames, as pernas e a alma (figura 1). Os arames metálicos ("wires") constituem o elemento básico de um cabo de aço ("wire rope"). Enrolando helicoidalmente um determinado número de arames em torno de um arame central, forma-se uma perna ("strand"). São as pernas, que enroladas helicoidalmente em torno de um núcleo, a alma ("core"), vão formar o cabo de aço. As pernas suportam a maior parte da carga. A alma tem como função principal suportar as pernas em condições de flexão combinadas à tração. A alma pode ser confeccionada de fibras naturais, como o sisal, polipropileno ou de arames de aço. Neste último caso, a alma será na realidade um cabo de aço. A alma de cabo de aço recebe a denominação de IWRC ("Internal Wire Rope Core"). Uma perna pode ser enrolada em torno de uma alma no sentido horário, "torção direita" ("right lay"), ou no sentido anti-horário, "torção esquerda" ("left lay"). Os arames de um cabo de aço podem ser fabricados de vários materiais como aço carbono, aço inoxidável, monel ou bronze. O material mais utilizado é o aço com teor de carbono em diferentes graus, para atender a diferentes usos. As pernas são fabricadas em configurações variadas de acordo com a aplicação. O arranjo dos arames nas pernas é um dos fatores que determina as características funcionais do cabo. A figura 1 mostra as construções básicas: perna de arames homogêneos; Warrington; Seale e Filler-Wire. A especificação do cabo é feita pelo número de pernas da última camada e o número de arames formadores das pernas da última camada. Por exemplo: 6 x 25 Filler-Wire, tem 6 pernas e a última camada de perna é formada por 25 arames. Além do tipo de arranjo, os cabos de aço podem ter diferentes tipos de torções em torno da alma. Se o enrolamento dos arames da última camada de pernas for para o mesmo lado que o enrolamento desta perna em torno da alma, diz-se que a torção é do tipo "lang"; caso contrário diz-se que a torção é do tipo "regular". O tipo de torção afeta de forma significativa a resposta do cabo a solicitações. Experiências mostram que torções do tipo "lang" dão ao cabo maior resistência à fadiga e à abrasão. Por outro lado este tipo de torção confere ao cabo uma maior tendência ao desenrolamento, e ao esmagamento em roldanas e tambores. Os cabos podem ainda ter arames pré-formados ou não pré-formados. Pré-formação é um processo de conformação de arames para cabos, no qual os arames recebem a forma de helicóide antes de serem enrolados para formar a perna do cabo. Este processo evita tensões internas nos arames.
Fig. 1. -- Elementos de um cabos de aço e construções mais freqüentes


3-Curvaturas e Tortuosidade de uma Haste

Considera-se uma haste com seção reta circular (mostrada na figura 2), Seja S a linha central desta haste. Aplicando à haste uma torção simples, os elementos lineares formarão entre si um ângulo f . Sendo S a distância entre duas seções, a medida da torção a que foi submetida a haste será dada por:

= lim S 0 f / S (1)

Se a haste acima sofre uma flexão a determinação do ângulo de torção, , será mais complexa. Deveremos supor que a linha central se tornará uma curva "tortuosa", com curvatura 1/ e tortuosidade 1/. Tomemos um sistema de eixos fixos X1, X2, X3, no qual o eixo X3 seja paralelo à linha central no estado não deformado, e os eixos X1 e X2 sejam paralelos aos eixos principais das seções retas nos seus centróides. Seja um ponto P qualquer na linha central no estado não deformado, tracemos três linhas nas direções dos três eixos coordenados. Quando a barra é deformada, essas linhas em geral não continuarão formando ângulos retos entre si, mas por intermédio de uma transformação ortogonal, podemos construir um sistema de eixos ortogonais (x,y,z) (figura 2). A origem deste último sistema é o ponto P1 (posição deformada de P), onde o eixo z é a tangente à linha central deformada em P1 e contém a linha traçada de P na direção do eixo X3. As coordenadas de qualquer ponto da linha central entre P1 e P1’ serão designadas por x’, y’ e z’. O plano (x’,y’) é o plano principal da barra. Os eixos do sistema construído acima, para qualquer ponto da linha central deformada, serão chamados de "eixos principais de torção-flexão" da barra no ponto. O comprimento S1 do arco P1P’1 da linha central deformada difere ligeiramente do comprimento S de PP’. Sendo a extensão da linha central em P1, teremos:



lim S 0 S1 / S = 1 + (2)


Fig. 2 -- Sistemas de coordenadas usado

Sejam l , m e n os co-senos diretores da binormal (linha perpendicular a normal à curva no ponto) desta curva em P1. Chamando de l’, m’ e n’ aos co-senos diretores da binormal em P’1, pode-se mostrar que :



lim S1 0 l / S1 = d l / d S1 - m + n k’

lim S1 0 m / S1 = d m / d S1 - n k + l (3)

lim S1 0 n / S1 = d n / d S1 - l k’ + m k

onde k e k’ são as curvaturas das projeções da linha central deformada nos planos (y,z) e (x,z), como pode ser visto na figura 3.



Fig. 3 -- Curvaturas da haste.


A medida da tortuosidade 1/ da linha central deformada é dada por:

( 1/ )2 = lim S1 0 [( l ) 2 + ( m ) 2 + ( n ) 2 ] / ( S1 ) 2 (4)

Pela definição de k e k’, e pelas equações (3) e (4) tem-se que:

(1 / )2 = ( - df /dS1 )2 (5)

onde tan f = - k’ / k . Considerando os co-senos diretores entre os eixos x y z e x’y’z’, as expressões para k , k’ e são:

k = l3 dl2 /dS + m3 dm2 /dS + n3 dn2 /dS (6)

k’ = l1 dl3 /dS + m1 dm1 /dS + n1 dn3 /dS (7)

= l2 dl1 /dS + m2 dm1 /dS + n2 dn1 /dS (8)

Considerando os ângulos de Euler: (ângulo entre os eixos z e z’), (ângulo formado pelos planos (z, z’) e (z,x) ) , e ( ângulo formado pelos planos (x’, z’) e (z’, z’) ), definidos como mostrado na figura 4, e observando que as curvaturas k, k’ e são projeções de vetores equivalentes a d/dS , d/dS e d/dS , teremos:

k = sen d/dS - sen cos d/dS ( 9)

k’ = cos d/dS + sen sen d/dS (10)

= d /dS + cos d/dS (11)



Fig. 4 -- Ângulos , e




4-Análise de um Arame Delgado


As equações básicas para hastes delgadas derivadas por Love (1944), aplicadas aos arames dos cabos permitem obter as equações de equilíbrio e as equações constitutivas. Como o elemento básico de um cabo de aço é um simples arame metálico, o primeiro passo para a análise de cabos é o equilíbrio de um arame individual. Considerando uma haste delgada submetida a um carregamento externo qualquer, a ação de um lado da seção sobre o outro pode ser expressa por uma força e um momento agindo no centróide da seção. Fazendo com que o eixo z de um sistema de coordenadas coincida com a tangente à linha central da barra no centróide da seção, e decompondo a força e o momento acima nas direções dos eixos coordenados deste sistema, temos as forças T, N e N’ e os momentos H, G e G’, agindo nas direções z, x e y respectivamente. Esses esforços são resultantes das tensões zz , xz e yz atuantes na seção. As resultantes de tensões e momentos podem ser expressas como:

N = zz dx dy , (12)

N’ = yz dx dy , (13)

T = zz dx dy , (14)

G = y zz dx dy , (15)

G’ = x zz dx dy , (16)

H‘= ( x yz - y xy ) dx dy (17)

onde N e N’ são componentes da força cisalhante; T a componente de tração na direção axial do arame; G e G’ as componentes do momento fletor e H o momento de torção agindo no arame.

Seja um elemento infinitesimal como indicado na figura 2, da barra com comprimento S. Fazendo com que os esforços aplicados ao pedaço da barra entre P1 e P’1 sejam reduzidos a uma força e um momento aplicados em P1. As componentes destes esforços em relação aos eixos x, y e z serão designados por [X], [Y] e [Z] (componentes de força) e [K], [K’] e [] (componentes de momento). Se fizermos P1 tender a P1’, ou seja S tender a zero, encontraremos os limites abaixo:

lim S1 0 [ Y ] / S = X , (18)

lim S1 0 [ Y ] / S = Y , (19)

lim S1 0 [ Z ] / S = Z , (20)

lim S1 0 [ K ] / S = K , (21)

lim S1 0 [ K’] / S = K’, (22)

lim S1 0 [ ] / S = (23)

Desta forma X, Y, Z, K, K’ e expressam os esforços externos por unidades da comprimento de linha central, agindo no ponto P1. Fazendo o balanço entre os esforços externos aplicados à porção do arame entre P1 e P’1 , as resultantes e os conjugados de tensão internos, tem-se as equações de equilíbrio para a porção da barra em questão:

dN /dS - N’ + T k’ + X = 0 (24)

dG /dS - G’ + H k’ - N’ + K = 0 (25)

dN’ /dS - T k + N + Y = 0 (26)

dG’ /dS - H k + G + N + K’= 0 (27)

dT /dS - N k’ + N’ k + Z = 0 (28)

dH /dS - G k’ + G’ k + = 0 (29)

Em adição a estas equações em geral existirão condições que poderão ser usadas para determinação das constantes introduzidas nas integrações das equações de equilíbrio. A "teoria ordinária aproximada" de Love(1944) consiste em assumir que os momentos flexores G e G’ e o momento torçor H são diretamente proporcionais as curvaturas k e k’ e ao ângulo de torção . Tem-se equações constitutivas do tipo: G = A k , G’ = B k’ , H= C onde A, B e C são constantes que dependem das características elásticas do material e da geometria da seção reta da haste. Para materiais isotrópicos, teremos A = Ea2 , B = Ea’2, onde E é o módulo de Young; a é a área da seção reta; e ’ são os raio de giração da seção em relação aos eixos x e y respectivamente (eixos principais); e

C = (x2 + y2 + x / y - y / y) dxdy

onde = E/4(1 + ) , é o coeficiente de Poisson. Para o caso de uma haste circular / y = / x = 0 , e se fizermos x2 + y2 = 2 , ficaremos com: C = 2 d = Iz onde Iz é o momento de inércia da seção em relação ao eixo z, da haste.

Até o momento as hastes consideradas poderiam possuir qualquer formato. Considerando uma haste com seção reta simétrica (A = B), curvada em torno de um cilindro imaginário de raio r. Se 0 for o ângulo entre a tangente a um ponto da haste e um plano perpendicular ao eixo longitudinal do cilindro. A forma assumida pela haste será de uma hélice, quando a linha central apresentar curvatura e tortuosidade constantes. Fazendo = /2 - , onde é o ângulo formado pelos eixos z e X3 (figura 5) ; as curvaturas e ângulos de torção podem ser re-escritos como:

k = - cos (cos2 ) / r ; (30)

k’ = sen (cos2 )/ r ; e (31)

= d/dS + sen (cos) /r (32)

Fig. 5 -- Ângulos de uma Haste Helicoidal

A curvatura da linha central deformada (1/ ) será dada por ( observando a figura 6) :

(1/ )2= k2 + k’2 = ( cos 2 / r )2 (33)

Ficamos então com as expressões de k, k’, em função dos parâmetros do helicóide e r. Observando a expressão de , tem-se que a segunda parcela ( sen (cos)/r ) se relaciona à torção da haste causada pela forma helicoidal assumida por ela. A primeira parcela ( d/dS ) representa qualquer torção direta imposta à haste. No estado inicial a torção é devida apenas à forma helicoidal da haste. Teremos então d/dS = 0, logo = sen (cos)/r. Observando agora as expressões de k e k’, vemos que estas variáveis estão escritas em função de . Como a seção da haste é circular, qualquer direção pode ser tomada como principal. Podemos então fixar x e y em uma posição tal que seja nulo, já que esta variável não vai influenciar em nada os resultados (fig. 7). Ficamos então com as expressões das curvaturas e ângulo de torção, para uma haste naturalmente curvada em formato helicoidal em função dos parâmetros do helicóide: k = 0 ; k’ = cos2 ; = sen (cos) /r .

Fig. 6 -- Relações Geométricas Fig. 7 -- Ângulos com = 0

5-Análise de um Cabo Reto


Um cabo de aço é uma coleção de pernas helicoidalmente enroladas em torno de um núcleo. As pernas por sua vez são uma coleção de vários arames enrolados em torno de um arame central. Quando um cabo de aço sofre ação de um carregamento F, e um momento M, ele sofrerá como conseqüência uma deformação e sua extremidade sofrerá uma rotação . Pode haver casos em que o cabo apresente rotação e momento nulo, por exemplo quando sua extremidade estiver livre. Com extremidade fixa a situação se inverte, ou seja, a rotação será nula. Quando um cabo reto é carregado, ocorrem as seguintes modificações: (1) variação dos ângulos de hélices das pernas e arames (efeito mola); (2) variação dos raios de hélices das pernas e arames (conseqüência do item (1) e do efeito Poisson); (3) alongamento total do cabo (soma dos efeitos de elongação dos arames e do efeito mola); (4) alongamento dos arames; (5) variação nas curvaturas e ângulos de torção das pernas e arames (conseqüência dos itens (1) e (2); e (6) rotação da extremidade (dependendo do grau de fixação).

As equações de equilíbrio para um arame ou perna em forma helicoidal para um cabo reto derivam das equações gerais para o equilíbrio de uma haste delgada com formato qualquer (Eq. 24 a 29), submetida a pequenas deformações. Assumindo que para um cabo reto sujeito a uma força axial F e um momento M: (1) os momentos flexores externamente distribuídos são nulos, ou seja: K = K’ = 0 e (2) qualquer esforço interno à haste independe de S e assim: dN/dS = dN’/dS = dT/dS = dG/dS = dG’/dS = dH/dS = 0 (fig. 8). Quando o cabo carrega-se, o ângulo de hélices e o raio de hélice r sofrem grandes variações em geral, e cada arame assume uma nova configuração. As curvaturas e ângulos de torção ficam:



k = 0, k’ = cos2 /r , = sen cos /r (34)

Fig. 8 -- Esforços em um Arame Helicoidal

No estado tencionado, os momentos flexores G e G’, e o momento de torção H se correlacionam às curvaturas e o ângulo de torção, através de:

G= A(k’ - k); G’ = B(k’ - k’); e H=C ( - ) (35)

Supondo que o arame possui seção reta circular, teremos, por simetria, que A = B. Os valores das constantes podem ser considerados:

A = E R4 /4 ; C = E R4 /4(1 + )

onde R é o raio da seção circular. Para o estado tensionado, as equações de equilíbrio resultam:

dN/dS - N’ + T k’ + X = 0 (36)

dG/dS - G’ + H k’ - N’ + K = 0 (37)

dN’/dS - T k + N + Y = 0 (38)

dG’/dS - H k + G + N + K’ = 0 (39)

dT/dS - N k’ + N’ k’ + Z = 0 (40)

dH/dS - G k’ + G’ k + = 0 (41)

É importante notar que as equações acima só são válidas enquanto as deformações da linha central () forem muito pequenas. Pelas hipóteses assumidas, verifica-se que vários termos destas equações se anulam. Teremos então;

X = N’ - T k’ , Y = 0 , Z = 0 , N’ = G’ + H k’ , N = 0, = 0 (42)

Observa-se que estas equações se referem à configuração deformada, sendo portanto não-lineares. Como as variações de , k’ são muito pequenas, podemos utilizar os seus valores iniciais sem comprometer demais a precisão. Outra importante observação é a de que pequenas deformações lineares () não implicam necessariamente em pequenas variações de ângulos de hélice. Para grandes variações de ângulos de hélice, a deformação linear do cabo, , e o ângulo de rotação, , são funções não-lineares da carga aplicada. A deformação axial do arame ou perna será dada pela relação entre os comprimentos inicial e final do elemento formado (arames formam pernas, pernas formam cabos): = ( h - h ) / h. A deformação rotacional, , do arame ou perna será dada pela variação nos ângulos de rotação inicial e final do elemento formado (perna ou cabo): = r ( - ) / h onde representa o ângulo total de rotação inicial, e representa o ângulo total de rotação final. A compatibilidade geométrica entre a deformação do elemento formado (perna ou cabo) com as deformações dos seus elementos formadores (arames ou pernas, respectivamente) permite escrever:

= (1 + ) ( sen /sen ) - 1 (43)

onde é a deformação de um dos elementos formadores (arames ou pernas). A deformação rotacional, , será dada por:

= r /h ( h/(r tan ) - ( h/(r tan ) ) = r/r (1+) (1/tan ) - (1/tan ) (44)

Tendo sido apresentadas a equações básicas para os elementos formadores (arames ou pernas), ou seja, para os elementos que efetivamente são enrolados helicoidalmente em torno de um núcleo qualquer, torna-se mais simples utilizar uma notação indicial, como a proposta por Phillips e Costello(1985), para facilitar a identificação do tipo do elemento a que determinado parâmetros se refere. Cada parâmetro pode ter um índice s ou dois índices si . O índice s designa o número de identificação da camada de pernas (cujo número de pernas pode variar de 1 até o n de pernas da camada de pernas s). O índice i designa o número de identificação da camada de arames (cujo n de arames pode variar de 1 até o n de arames da camada de arames i). As quantidades sem índice fazem referência ao cabo, propriamente dito (figuras 9 e 10).

6-Análise de uma Perna Reta


Supondo uma perna reta, composta de 1 arame central e 6 arames externos, conforme mostra a figura 9. Considerando a perna 1, desta figura, carregada com força F e momento de torção M. Se p12 for o passo dos arames externos, o ângulo de hélice correspondente será dado pela expressão: 12 = arc tan p12 / (2 r12) onde r12 é o raio de hélice dos arames externos. As curvaturas e ângulos de torção para esse arame serão dados por:

k12 = 0, k12’ = cos212 /r12 e 12= sen 12 cos 12 / r12 (45)


Fig. 9 -- Perna Simples


Como o arame central apresenta-se reto, não existe curvatura; mas somente ângulo de torção 11, que se confunde com o ângulo de torção da perna 1. Se h1 e h1 são os comprimentos inicial e final da perna 1, respectivamente, a deformação rotacional do arame 12, 12 é definida por

12 = r12 ( 12 - 12 ) /h1 (46)

onde 12 e 12 são os ângulos de rotação dos arames externos inicial e final. O ângulo de torção por unidade de comprimento da perna 1 e a deformação axial são definidas por :



1 = ( 12 - 12 ) / h1 (47)

1 = ( h1 - h1 ) /h1 = 11 = (1 + 12 ) (sen 12/sen 12 ) - 1 (48)

onde 1 , 11, 12 são as deformações axiais da perna 1, arame 11 e arame 12, respectivamente. Pode-se observar que, a deformação axial do arame central 11 se confunde com a deformação axial da perna 1. A deformação rotacional pode representada por:



12 = r12 1 = r12 / r12 (1 + 11 ) / tan 12 - (1 /tan 12 ) (49)

As expressões (48) e (49) são as equações de compatibilidade geométrica de deformações entre perna e arames e permitem determinar a deformação axial da perna. Expressões similares são usadas para relacionar deformações entre pernas e cabo. Uma diferença básica entre a teoria de cabos de aço e a teoria de molas helicoidais é o fato de que as molas, em geral, apresentam pequenos ângulos de hélices e grandes variações de ângulos de hélice. No caso de cabos de aço os ângulos de hélice são grandes em geral, enquanto suas variações são muito pequenas. Chamando de as variações nos ângulos de hélice de um arame ou perna, poderemos afirmar que: = - 0 .Logo sen = sen( + ) = sen + cose. Esta foi uma das hipóteses simplificadoras introduzidas por Velinsky et al.(1984), que permitiu a aplicação desta teoria em cabos de aço de seção complexa. Aplicando este processo para as equações (48) e (49) obteremos:



11 = 12 + 12 / tan12 = 1 (50)

12 = r12 /r12 [ (1 + 12 ) /tan12 - 12 ] – (1 / tan12) (51)

onde termos do tipo (+ ) foram desprezados em comparação com os termos lineares. O raio de hélice final do arame 12, devido ao efeito de Poisson pode ser expresso por:



r12 = R11 (1 - 11 ) + R12 (1 - 12) (52)

onde R11 e R12 são os raios dos arames 11 e 12, de modo que:

r12 / r 12 = 1 + ( R11 11 + R12 12 ) /r12 (53)

onde 11 e 12 são muito pequenos quando comparados à unidade. Com estas simplificações todos os termos não-lineares foram desprezados. Velinsky et al.(1984) chamam a este processo de "linearização". Linearizando as variações de curvatura k’12 e o ângulo de torção 12 teremos:

k12‘ = - 2 ( 2 sen12 12 cos12 ) /r12+ (R11 11 + R12 12 ) cos212 /r212 (54)

12 = 12 (1 - 2 sen212 ) /r12 + (R11 11 + R12 12 ) sen12 cos12 /r212 (55)

G’12 /ER312 = R12 k’12 /4 (56)

H12 /ER312 = R12 12 / 4 ( 1 + ) (57)

N’12 /ER212 = H12 cos212 / ( ER212 r12 ) - G’12 sen 12 cos 12 / (E r12 / R412 ) (58)

X12/ER12 = N’12 sen 12 cos 12 / (E r12 R12 ) - T12 cos212 / ( E r12 R12 ) (59)

T12 /ER212 = 12 (60)

Projetando na direção axial da perna 1 as forças e momentos agindo nos arames 12, e fazendo um somatório das contribuições de todos os m12 arames (neste caso m12 = 6), ficaremos com as seguintes expressões:

F12 /ER212 = m12 [ T12 sen 12 + N’12 cos12] / ( ER212 ) (61)

M12/ER312 = m12[H12sen12+ G’12cos12 + (T12r12+ N’12r12)/(R12sen12) ] / ER212

onde F12 e M12 são a força e o momento que atuam nos arames 12, na direção axial da perna 1. Para o arame 11 (arame central) teremos somente as expressões:

F11 /ER211 = 11 e M11 /ER311 = /[4 (1 + ) R11 1] (62)

a força e o momento total na perna 1 serão dados por:

F1 = F11 + F12 M1 = M11 + M12 (63)

Este procedimento pode ser utilizado para qualquer tipo de perna. Caso a perna possua n camadas, teremos que determinar a força e o momento atuantes em cada camada de arames, e em seguida fazer o somatório. A força e momento totais na perna serão dados por:

F1 = F11 + F12 + F13 +......... + F1n M1 = M11 + M12 + M13 +.....+ M1n

a força e momento totais numa perna podem ser expressos da seguinte forma:

Fs /(AsE) = sC1 s + sC2 s Ms /ER3s = sC3s + sC4 s (64)

onde sC1, sC2, sC3 e sC4 são constantes determinadas analiticamente para uma dada perna (também podendo serem calculadas para a alma ou o cabo). Podemos então definir o módulo efetivo Ee como sendo Ee = C1E, que é exatamente o módulo de elasticidade do elemento ( perna, alma ou cabo ) para = 0. Essas constantes independem de E, mas são função da geometria do elemento e coeficiente de Poisson do material. Apesar do termo "constante do módulo efetivo" designar na realidade somente a constante C1, utilizaremos este termo quando nos referimos a todas as constantes. Para o cálculo de 1C1 1C3 considera-se primeiramente 1 = 0 (nenhuma rotação) e estima-se um valor para 1. Então, C1 e C3 serão dadas por:



1C1 = F1 / (A1E1 ) 1C3 = M1/ (ER311) (65)

Para o cálculo de 1C2 1C4 considera-se 1 = 0 (nenhuma tração) e estima-se 1. Encontra-se novos F1 e M1, onde



1C2 = F1 / (1E1) 1C4 = M1 / (ER311) (66)
7-Análise da Alma do Cabo de Aço (IWRC)

Tomemos a perna 1 e enrolemos em torno dela uma perna 2, com passo p2. Formaremos desta forma um cabo de aço simples, que normalmente é usado como núcleo de cabos mais complexos, este núcleo é chamado de alma interna de cabo de aço (IWRC), figura 10. A análise deste núcleo será similar à da perna 1, sendo que a perna 2 vai ser enrolada helicoidalmente, da mesma forma que o arame 12, no caso anterior. As equações básicas de compatibilidade são:



Alma = 1 = 2 + 2 / tan 2 (67)

2 = 21 = 22 + 22 / tan 22 (68)

r2 Alma = 21 /tan22 - 2 + (R11 11 + 2R12 12 + 2 R22 22 + R21 21) / (r2tan12) (69)

r2 22 = 22 /tan22 - 22 + (R21 21 + R22 22) / (r22tan22) (70)

Fig. 10 -- Configurações de uma Alma de Aço (IWRC)

É importante notar que temos agora 4 equações de compatibilidade e não apenas 2, como no caso da perna 1. Além da compatibilidade a nível de alma, também foi necessário impor uma compatibilidade a nível da perna 2, dada pelas equações acima. Para o caso de n camadas de arames na perna 2, seriam necessários n conjuntos de equações de compatibilidade de deformação axiais e rotacionais, entre perna 2 e cada uma das n camadas de arames. A variação da curvatura fica desta forma:

k2 = cos2 2(R11 11+2R12 12+2 R22 22+R21 21) / (r2)2-(2 sen2 cos2 2) / r2 (71)

Usando a equação anterior e a rigidez flexural da perna 2, teremos o momento fletor G2’:

G’2 = A*2 k2 , onde A*2 = (GER224/4) (2sen22 / ( 2+ cos222 )+ ER214/4 (72)

Utilizando as constantes do módulo efetivo da perna 2, calcularemos T2 e H2, tração e momento de torção na perna 2.

T2 /A2E = 2C1 2 + 2C2 2 (73)

H2 /ER23 = 2C3 2 + 2C4 2 (74)

Lembrar que A2 R2si, onde Rsi é o raio dos arames individuais e s= 2. Estamos supondo que as seções dos arames são circulares e não elípticas. O cortante N’2, a força F2, e o momento torçor M2, na perna 2 são dados por:

N2’ = (H2 cos2 2 ) / r2 - (G2sen2 cos2 ) /r2

F2 = m2 (T2 sen2 + N2 cos2 )

M2 = m2 ( H2 sen2 + G’2 cos2 + T22cos2 - N2sen2 ) (75)

Logo:

FAlma = F1 + F2 MAlma = M1 + M2 (76)



onde F1 e M1 são calculados como descrito anteriormente. O cálculo das constantes do módulo efetivo para a alma é idêntico ao da perna 1 e perna 2. Os esforços na alma são expressos por:

FAlma /(AAlma E) = AlmaC1 Alma + AlmaC2 Alma

MAlma /(ER3Alma)= AlmaC3 + Alma + AlmaC4 Alma (77)

Para o cálculo de AlmaC1, AlmaC2, AlmaC3, AlmaC4 executa-se procedimento análogo ao utilizado para o cálculo das constantes da perna 1, tem-se então:



AlmaC1 = F Alma /( AAlma E Alma AlmaC2 = F Alma /( AAlma E Alma

AlmaC3 = M Alma /( ER3 Alma) AlmaC4 = M Alma /( ER3 Alma) (78)

8-Análise de um Cabo com Alma


O cabo nada mais é do que um núcleo (a alma) envolvida por uma outra perna (perna 3). Fazendo-se uma analogia com os casos anteriores (perna e alma), encontra-se os esforços FCabo e MCabo e finalmente as constantes do módulo efetivo para o cabo:

FCabo = FAlma + F3


MCabo = MAlma + M3


CaboC1 = FCabo/ (ACabo E Cabo)

CaboC3 = MCabo/ (ER3CaboCabo)

CaboC2 = FCabo/ (ACabo E Cabo)

CaboC4 = MCabo/ (ER3Cabo Cabo) (79)

Este desenvolvimento permite resolver um cabo de aço e foi implementado em um programa em Turbo Pascal 5.0, que possibilita a análise de um cabo a partir do seu carregamento e das condições de contorno (restrições a deslocamentos das extremidades, dobramentos, torções ao longo do cabo, etc). Todos os passos deste programa, bem como exemplos ilustrando as técnicas numéricas empregadas para lidar com cada aspecto mais complexo da implementação, é detalhadamente comentados em Silva (1992). As principais etapas desta implementação são apresentado no apêndice.


9-Exemplos


Visando mostrar a aplicabilidade do programa implementado na solução de problemas envolvendo cabos de aço de geometrias complexas sob carregamentos complexos alguns exemplos usando cabos 6x25 Filler-Wire, 6x19 Warrington e Seale sob diversos carregamentos usuais são apresentados. A partir do carregamento e das características do cabo (veja apêndice) e de suas características elásticas obtém-se pelo programa os esforços, deformações, deslocamentos e forças em cada arame, perna ou em todo o cabo.

Como primeiro exemplo, a tabela 1 compara as constantes de módulo efetivo (Eq. 73,74,78 e 79) obtidas pelo programa e as reportadas em Costello (1990) para cabos 6x19 Seale – IWRC. As constantes iCj são independentes do módulo de elasticidade, mas funções do ângulo de hélice, das razões “raio do arame externo/raio do arame interno das pernas” e do coeficiente de Poisson. Como pode ser verificado o maior erro encontrado foi de 5,8%.



Constantes

Costello (1990)

Programa Desenvolvido

Erro

Perna1


C1

C2

C3

C4



0,8864

0,1436


0,3189

0,1182


0,8864

0,1436


0,3189

0,1182


0,0

0,0


0,0

0,0

Perna 2


C1

C2

C3

C4



0,9642

0,0853


0,1928

0,0721


0,9642

0,0853


0,1928

0,0721


0,0

0,0


0,0

0,0

Cabo


C1

C2

C3

C4



0,7020

0,1232


0,2060

0,0403


0,6929

0,1212


0,2029

0,0403


1,3%

1,6%


1,5%

0,0


TABELA 1. - Comparação das Constantes do Módulo efetivo para o cabo Seale 6 x 19.

O segundo exemplo, figuras 11 a 13, trata de mostrar como é a distribuição do carregamento nos elementos dos três tipos de cabos sob tensão de tração.

Como terceiro teste analisa-se (figuras 14 a 16) a variação do momento dos cabos com a deformação axial para diferentes ângulos de torção, em função da maneira como a última camada é enrolada. Observando os gráficos de momentos normalizados no cabo contra deformação axial, nota-se principalmente que a rigidez do cabo não varia significativamente com a torção. Em Silva(1992) é feito análise semelhante considerando a força, observa-se que o módulo efetivo do cabo não se altera com a mudança na torção. A mudança do lado para o qual a perna é enrolada não altera significativamente a rigidez do cabo. O cabo Seale apresenta menor variação que os demais.


Fig. 11 -- Distribuição de Carregamento em cabos Filler-Wire




Fig. 12 -- Distribuição de Carregamento em cabos Warrington

Fig. 13 -- Distribuição de Carregamento em cabos Seale

Como quarto tipo de exemplo, verifica-se a variação da tensão nos arames de cabos quando submetidos a flexão. Simula-se o comportamento do cabo na passagem por uma roldanas ou tambor de diâmetro D. Ao passar por estes elementos tensões de tração, torção e flexão são induzidas nos arames. Foram plotados os gráficos mostrados nas figuras 16 e 17 que representam os valores de MAX/NOMx(D/d) NOM / E(COEF),onde d é o diâmetro do cabo, em cabos Filler(fig. 16) e Warrington (fig. 17). Na figura 16 são também representados os resultados reportados por Costello(1990) para a mesma seção. Em Silva e Conci(1993) é apresentado comparações semelhantes para seções Seale. Não encontrou-se na literatura análise semelhante para seções Warrington (fig. 18). Outras análises e comparações com Phillips e Costello(1985) podem ser encontradas em Conci e Silva(1997).

Torção Esquerda Torção Direita

Fig. 14 -- Força Normalizada x Deformação Axial- Filler

Torção Esquerda Torção Direita


Fig. 15 -- Força Normalizada x Deformação Axial- Seale




10-Conclusão


Foi apresentado um modelo para a análise de cabo que permite uma implementação bastante mais simples que as usuais e muito eficiente. Os diversas comparações e exemplos apresentados mostram que a implementação proposta apresenta bons resultados. Os arames com maiores coeficientes de tração são os centrais. Observando as distribuições da carga nos elementos dos cabos, verificou-se que em todos os casos é a perna externa que recebe a maior parte da carga (aproximadamente 80%). Percebe-se então, porque a função da alma de aço é principalmente servir de suporte para a camada externa de pernas e não para aumentar a resistência à flexão ou tração do cabo. Outra observação relevante diz respeito ao aumento na força de tração do cabo com a aplicação de rotações no sentido de sua torção: quanto mais torcido o cabo no sentido da torção (direita ou esquerda) maior a força total do cabo. Uma sugestão para o prosseguimento do trabalho seria uma análise experimental que comprovasse o processo de cálculo. Tomando uma amostra real de cabo após fazer um levantamento dimensional (diâmetro dos arames, passo dos arames e pernas), ensaiar o cabo (vários corpos de prova) sob variadas condições de contorno e executar o programa com esse dados para comparar o resultado do programa com o obtido experimentalmente.

Torção Esquerda Torção Direita



Fig. 16 -- Força Normalizada x Deformação Axial- Warrington
Agradecimentos

Este trabalho contou com o apoio do projeto FINEP/RECOPE SAGE #0626/96 e CNPq ref.:302649/87-5.

Referências


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Resultados de Costello(1990)

Fig. 17 -- Tensão nos Arames de Seções Filler como Função da Carga e Curvatura

Fig. 18 -- Tensão nos Arames de Cabos Warrington em Função da Carga e Curvatura

Apêndice

Os itens 1 a 5 abaixo descrevem as etapas principais da implementação do programa de análise de cabos desenvolvido.


1- DADOS DE ENTRADA

O programa deve considerar os seguintes dados:

a) DADOS GEOMÉTRICOS

- Tipo de construção (ver fig. 1)

- Número de camadas de pernas

- Número de camadas de arames em cada perna

- Raio dos arames

- Passo de hélice de cada perna

- Passo de hélice de cada arame

b) DADOS DO MATERIAL DOS ARAMES

- Módulo de elasticidade

- Coeficiente de Poisson


2- CÁLCULO DOS PARÂMETROS GEOMÉTRICOS SECUNDÁRIOS

Parâmetros Geométricos Secundários são calculados a partir dos dados de entrada.

a) RAIOS DE HÉLICE

b) ÂNGULO DE HÉLICE

c) RAIOS DAS PERNAS, ALMA E CABO

d) ÁREAS SÓLIDAS

f) RIGIDEZ FLEXURAL DAS PERNAS
3- CÁLCULO DAS CONSTANTES DE MÓDULO EFETIVO DAS PERNAS, ALMA E CABO: iCj

Utilizou-se uma rotina de geração genérica de matrizes e os sistema resolvidos por eliminação Gaussiana, foram utilizadas as equações constitutivas e as equações de compatibilidade de deformação axial e rotacional (Silva,1992).


4. CÁLCULO DE ESFORÇOS NOS ARAMES E NAS PERNAS

Após calcular as constantes do módulo efetivo para todos os elementos do cabo, utilizando estimativa como dados iniciais, calculamos todos os esforços agindo em cada arame e em cada perna. Novamente são utilizadas as equações de compatibilidade, e os diversos sistemas de equações de tamanhos variados são resolvidos utilizado eliminação Gaussiana.


5. CÁLCULO DOS FATORES DE TENSÃO ( Silva,1992)

É interessante observar que o número de equações de compatibilidade geométrica varia com o número de camadas de arames da última camada de perna, pois cada camada de arames "s" gera duas equações de compatibilidade de deformações axiais e rotacionais. É necessário, então, a criação de uma rotina que gere o sistema de equações para qualquer tipo de seção, tornando o programa completamente genérico. A montagem de uma matriz genérica eficiente de ordem 2n x 2n (n é o número de camadas de arame) é descrita em Silva(1992) bem como pequenas rotinas para cada tipo de característico de elemento dessas matrizes e da matriz de termos fixos

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