Uma discussão sobre o individualismo em economia eduardo Angeli Resumo



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* Professor da Universidade Federal do Pampa e doutorando em Economia na Unicamp. Versão anterior deste texto foi apresentada no programa de seminários acadêmicos em Economia da Unipampa. O autor agradece às sugestões e comentários dos participantes, em especial Ana Monteiro Costa, Felipe Almeida e Gustavo Aggio, eximindo-os, contudo, dos erros e omissões existentes. Agradece também à Capes e ao CNPq pelo apoio financeiro.

1 Lucas (1977) argumenta que o, a seu juízo, descaminho tomado pelo estudo do ciclo econômico e a criação da macroeconomia não deve ser atribuído tanto a Keynes, mas sim a autores como Tinbergen, que procuraram trabalhar com níveis cada vez maiores de agregação.

2 Segundo Monteiro (2003), outros fatores a provocar a intensificação do debate sobre questões de método entre os economistas foram o surgimento de importantes controvérsias na própria filosofia da ciência, a partir de trabalhos como os de Kuhn e Lakatos, e o movimento de expansão do tipo de explicação econômica (baseada sobretudo na lógica de escolha racional individual) a outros campos do conhecimento, através, por exemplo, dos trabalhos de Gary Becker.

3 Gerber et. al.(1987) defendem que a busca de microfundamentos neoclássicos pela macroeconomia deve ser vista de modo crítico, já que se deve buscar uma metodologia adequada aos objetivos propostos em cada um destes ramos da teoria econômica. Mais importante do que isso é a necessidade se buscar a relação de mútua influência entre micro e macroeconomia.

4 Vale a pena ler o chamado de Lucas para a continuidade da retomada da “sanidade” pelos economistas: “[t]he most interesting recent developments in macroeconomic theory seem to me describable as the reincorporation of aggregative problems such as inflation and the business cycle within the general framework of 'microeconomic' theory. If these developments succeed, the term 'macroeconomic' will simply disappear from use and the modifier micro will become superfluous. We will simply speak, as did Smith, Ricardo, Marshall and Walras, of economic theory. If we are honest, we will have to face the fact that at any given time there will be phenomena that are well-understood from the point of view of the economic theory we have, and other phenomena that are not. We will be tempted, I am sure, to relieve the discomfort induced by discrepancies between theory and facts by saying that the ill-understood facts are the province of some other, different kind of economic theory. Keynesian 'macroeconomics' was, I think, a surrender (under great duress) to this temptation. It lead to the abandonment, for a class of problems of great importance, of the use of the only 'engine for the discovery of truth' that we have in economics. Now we are once again putting this engine of Marshall's work to work on the problems of aggregate dynamics. There is much to be done, but there is an exciting sense of real progress in the enterprise, and I am full of hope” (LUCAS, 1987, p. 107-108).

5 No pensamento moderno, progresso científico e material e aumento da felicidade humana estão intimamente conectados, a ponto de se poder dizer que o iluminismo, em certo sentido, prometeu falsas esperanças ao mundo ocidental. Fonseca (2003, p. 30) coloca na boca de um de seus personagens: “[e]ntre as crenças que povoavam a imaginação e a visão de futuro iluminista, uma em particular revelou-se problemática: a noção de que os avanços da ciência, da técnica e da razão teriam o dom não só de melhorar as condições objetivas de vida, mas atenderiam aos anseios de felicidade, bem-estar subjetivo e realização existencial dos homens”. Na economia contemporânea há uma extensa controvérsia sobre a relação entre elevação da renda per capita e aumento da felicidade subjetiva reportada pelos indivíduos de determinada amostra (ver, por exemplo, CLARK et. al., 2008, GARDES e MERRIGAN, 2008). Nessa linha de pesquisa, o “paradoxo de Easterlin” se refere à falta de correlação temporal, numa análise agregada, entre níveis de felicidade e o crescimento da renda real nos países ocidentais no período pós-guerra. Tal “paradoxo”, uma vez constatado, deu origem a uma família de estudos na mesma direção, segundo a qual elevações da renda disponível acima de certa “linha de subsistência” parecem deixar de ser fonte relevante de incrementos na felicidade; a hipótese explicativa do próprio Easterlin é que os indivíduos levam mais em conta sua renda relativa aos demais membros da comunidade do que sua renda real absoluta (cf. GARDES e MERRIGAN, 2008). Outra família de estudos, contudo, procura qualificar tais resultados já que, numa análise cross-section com menor nível de agregação, famílias com nível de renda maior reportam maior nível de bem-estar que outras de um mesmo país, ou, numa análise de painel, estudos relatam que a felicidade de um indivíduo marcado aumenta conforme lhe sejam dados aumentos em sua renda (CLARK et. al., 2008).

6 O liberalismo apregoado por Friedman, já no século XX, parece assentar-se sobre fundamentos semelhantes: “[p]ara o homem livre, a pátria é o conjunto de indivíduos que a compõem, e não algo acima e além deles. O indivíduo tem orgulho de sua herança comum e mantém lealdade a uma tradição comum. Mas considera o governo como um meio, um instrumento – nem um distribuidor de favores e doações nem um senhor ou um deus para ser cegamente servido ou idolatrado. Não reconhece qualquer objetivo nacional senão o conjunto de objetivos a que os cidadãos servem separadamente. Não reconhece nenhum propósito nacional a não ser o conjunto de propósitos pelos quais os cidadãos lutam separadamente” (FRIEDMAN, 1984, p. 11).

7 Monteiro (2003) afirma que Nassau Senior já se ocupara com a discussão acerca do método da jovem ciência.

8 J. A. Schumpeter, ao que consta, foi o primeiro a utilizar o termo “individualismo metodológico”, em um artigo de 1908 (cf. DAVIS, 2003, p. 35; HODGSON, 2007, p. 212).

9 As demais são a centralidade dada aos estados de equilíbrio e a rejeição de incerteza de tipo forte, notadamente o que o autor (e. g. Dequech 2011) chama de incerteza fundamental.

10 A citação de Robbins, a nosso juízo, pode explicitar que a distinção entre as interpretações do homem econômico pode ser colocada nos termos propostos por Dequech (2008); assim, o homem econômico do tipo lógico pode ser visto como combinando diferentes lógicas de ação, como a da família, a cívica e, claro, a do mercado, ao passo que o homem econômico do tipo psicológico destaca apenas a lógica de mercado como constituidora do interesse privado e, assim, motivadora da ação humana. Nesse sentido, a explicação de tipo lógica se torna um caso mais geral que a de tipo psicológica. De qualquer modo, Santos e Bianchi (2007) argumentam que “auto-interesse não é, para Smith, sinônimo de egoísmo”, mas “se trata de um conceito sutil e complexo, com múltiplas variantes” (SANTOS e BIANCHI, 2007, p. 640).

11 “Os agentes nãoapenas tomam a melhor decisão com base nas suas expectativas sobre as consequências de suas ações, mas se julga que eles empregam com consistência toda a informação disponível para formar uma expectativa a mais correta possível” (Prado, 2006, p. 313).

12 No objeto porque, como se encarrega de esclarecer Soromenho (2000), da ciência econômica não se pode afirmar que possui um objeto claramente definido.

13 “Para Mill, um atomista sociológico, o intento maximizador que atua e aparece na esfera do comportamento econômico (...) é algo da essência humana. Este modo de pensar fora já, porém, deixado para trás pela ciência econômica positiva” (PRADO, 1989, p. 161).

14 Cabe ressaltar que, apesar de Lisboa (1997, 1998) fundamentar e remeter a atitude neoclássica sempre ao método positivista de Friedman, certamente ele não é, nem de longe, consenso mesmo entre aquela escola (cf. PRYCHITKO, 1995).

15 Hodgson (2007) afirma que, dentro da tradição Austríaca, onde o individualismo metodológico é tido como fundamento para a construção de teorias, Schumpeter via claramente a distinção (lógica e normativa) entre individualismo metodológico e individualismo político (cf. HODGSON, 2007, p. 212-213). Mises, por seu turno, confundiria individualismo metodológico com ontológico, ao passo que Hayek, declarado seguidor do individualismo metodológico, não aderirira a algum tipo de individualismo ontológico. Assim, na interpretação de Hodgson, para Hayek “society consists not merely of individuals, but also of interactions between individuals, plus interactions between individuals and other aspects of their environment including, presumably, both the natural world and other socio-economic systems” (HODGSON, 2007, p. 215). Já Buchanan e Tullock alertam para a distinção entre individualismo normativo e metodológico: “[m]ethodological individualism should not be confused with ‘individualism’ as a norm for organizing social activity. Analysis of the first type represents an attempt to reduce all issues of political organization to the individual’s confrontation with alternatives and his choice among them. (…) By contrast, ‘individualism’ as an organizational norm involves the explicit acceptance of certain value criteria” (BUCHANAN e TULLOCK, 2004, p. xxii).

16 “The chief concern of the great individualist writers was indeed to find a set of institutions by which man could be induced, by his own choice and from the motives which determined his ordinary conduct, to contribute as much as possible to the need of all others; and their discovery was that the system of private property did provide such inducements to a much greater extent than had yet been understood” (HAYEK, 1946, p. 12-13).

17 “[T]he belief that individualism postulates (…) the existence of isolated or self-contained individuals (…). If that were true, it would indeed have nothing to contribute to our understanding of society” (HAYEK, 1946, p. 6).

18 “[B]y tracing the combined effects of individual actions, we discover that many of the institutions on which human achievements rest have arisen and are functioning without a designing and directing mind (…). [T]he spontaneous collaboration of free men often creates things which are greater than their individual minds can ever fully comprehend” (HAYEK, 1946, p. 6-7).

19 “A microeconomia sistêmica não é compatível com o individualismo metodológico, ainda que haja autores dispostos a sustentar que este último pode ser enxergado de um modo alargado que abre espaço para a determinação institucional das ações e decisões individuais” (PRADO, 2006, p. 310).

20 E talvez mesmo antes do advento da microeconomia neoclássica. Galeotti (1987), por exemplo, parece acreditar que o liberalismo de Stuart Mill se assenta parcialmente sobre tal tipo de justificativa. Ela afirma: “let us consider Joh Stuart Mill, whose conception of liberty includes both the negative notion that nobody can judge another’s well-being better than the person in question, and the positive conception of liberty as self-development and self-realization” (GALEOTTI, 1987, p. 164).

21 Rizzo e Whitman (2009) distinguem entre velho e novo paternalismo. Na interpretação dos autores, a versão antiga do paternalismo, ainda apegada ao padrão ético religioso, ignora as preferências individuais, e simplesmente procura impor o que o policymaker concebe como bom e correto ao comportamento individual. Por outro lado, no novo paternalismo, que ganha força especialmente com o advento da economia comportamental, é reconhecido o valor das preferências subjetivas dos indivíduos, e a formulação de políticas deve ser feita na direção de auxiliar os indivíduos , dotados de racionalidade limitada, a alcançar seus próprios objetivos. O exemplo dado pelos autores é o de um alcoólatra: o velho paternalismo procura impedir a ingestão excessiva de álcool por considerá-la como atitude moralmente incorreta, ainda que o indivíduo não saiba, enquanto o novo paternalismo propõe políticas públicas que ajudem o indivíduo, com insuficiente força de vontade e disposição, a alcançar o que é melhor para si de acordo com seu próprio padrão.

22 “Our position is explicitly and avowedly contractarian (…). To counter the most familiar and pervasive criticisms of this position, we must note that the contractarian construction itself is used retrospectively in a metaphorically legitimizing rather than historical sense. Prospectively, the model is used in both a metaphorically evaluative and an empirically corroborative sense” (BRENNAN e BUCHANAN, 2000, p. 23).

23 Na Economia de Buchanan, Constituição é o termo usado para a plataforma de regras acordada anteriormente ao início das ações características do processo econômico e social; é, digamos, o conjunto de regras do jogo combinadas antes de o jogo começar. O exemplo que Buchanan e Tullock (2004, prefácio) dão é o de um prefácio para um livro escrito de forma conjunta: no prefácio estão descritos o método, os pressupostos e os objetivos do livro pactuados antes de os trabalhos começarem, de modo que cada autor separadamente sabe o que deve realizar para a consecução do objetivo comum.

24 De forma clara e correta Santos e Bianchi (2007) explicam, sobre a visão smithiana, que “a realização dos resultados benéficos ou perversos da busca individual do auto-interesse dependerá do conjunto de restrições institucionais sob o qual os indivíduos operam (...). O argumento institucional, em suma, não apenas indica a não inevitabilidade da mão invisível, como também seu caráter contingente ao ambiente institucional” (SANTOS e BIANCHI, 2007, p. 659, grifo no original).

25 Ocioso dizer que nesta perspectiva não há uma espécie de defesa normativa do egoísmo e o repúdio da fraternidade e do altruísmo por parte dos economistas, alerta Vernon Smith (2002), outro representante da mainline economics. Pelo contrário, já que nenhum código jurídico ou norma de comportamento poderia contemplar toda forma de ação, é indispensável, para o bom funcionamento do sistema econômico, que as pessoas internalizem boas regras de comportamento ou uma “ideology of honesty” (SMITH, 2002, p. 503) que gere maior incentivo ao comportamento voltado à troca que ao crime.



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