Uma escola para “formar guerreiros”



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UMA ESCOLA PARA “FORMAR GUERREIROS”:
Professores e Professoras Indígenas e a Educação Escolar Índígena em Pernambuco

CLÁUDIO EDUARDO FELIX DOS SANTOS

UMA ESCOLA PARA “FORMAR GUERREIROS”:
Professores e Professoras Indígenas e a Educação Escolar Indígena em Pernambuco

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Educação.

Orientador: Prof. Dr. Geraldo Barroso Filho

Recife


2004

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE EDUCAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

CURSO DE MESTRADO

UMA ESCOLA PARA “FORMAR GUERREIROS”:
Professores e Professoras Indígenas e a Educação Escolar Índígena em Pernambuco


Comissão Examinadora:
___________________________________

Prof. Dr. Geraldo Barroso Filho

Presidente
__________________________________

Profª Drª. Maria de Fátima Lucena

Examinadora
__________________________________

Prof. Dr. José Batista Neto

2º Examinador

__________________________________

Profª. Drª. Vânia Rocha Fialho de P. e Souza

3ª Examinadora



Recife, 04 de novembro de 2004



A um Maratecoara e a uma Opipe .*
O maratecoara, meu pai, Professor Ivanildo Félix, que no decorrer da elaboração deste trabalho deixou de estar

presente fisicamente entre nós, mas soube fazer com que cada gesto, cada olhar,cada palavra sua se tornasse inspiração, esperança e luta na caminhada dos que partilharam de sua convivência. A você, velho companheiro, meu amor e meu respeito.
A Opipe, minha sobrinha-afilhada, Laís, que acabou de chegar a este mundo com toda a alegria e

leveza que enche de esperança e sorrisos a vida dos que a cercam. A você, gatinha, todas as bênçãos e uma vida repleta de

sentido e liberdade.
* Na língua Tupi, Maratecoara significa guerreiro. Opipe traduz-se por criança, segundo o povo Xukuru


AGRADECIMENTOS

Construir o conhecimento configura-se, antes de tudo, uma atividade coletiva. Gostaria de agradecer aos que de alguma forma contribuíram para que este trabalho fosse materializado.


A todos os Povos Indígenas em Pernambuco, as professoras, professores e lideranças indígenas que me autorizaram a dialogar e investigar o seu universo.
Aos companheiros Daniel Rodrigues, Fátima Lucena, Socorro Abreu, Luís Momesso, Edson Silva e Aluízio Moreira pelos diálogos e contribuições em minhas leituras de mundo e em minha formação acadêmica.
Aos companheiros do Centro de Cultura Luís Freire: Carol, Eliene, Heloísa e Joselito pela oportunidade de me possibilitar conhecer com mais profundidade os povos e os professores e professoras indígenas em Pernambuco. Aos companheiros do Conselho Indigenista Missionário (CIMI): Ângela, Irmã Flávia, Irmã Céu, Otto, Sandro Lobo, Saulo e Roberto Saraiva pelos diálogos e acesso aos arquivos da entidade.
Aos professores e professoras do Programa de pós-graduação em Educação da UFPE, em especial, Professoras: Ana Maria Galvão, Lêda Selaro, Lícia, Professores: Alfredo Macedo, Ferdinand Röhr e José Policarpo.
Aos amigos e amigas de turma e de curso, em especial, Alexandre Viana, Swamy Soares, Clériston, Roseane, Micheline Mota e Alásia pela troca de idéias e críticas que nos fazem crescer.
A Alda, Marquinho e Nevinha, da secretaria do programa de Pós-Graduação em Educação, pela atenção, competência e descontração nas suas lidas diárias.
Ao Colégio Nossa Senhora do Carmo nas pessoas da Irmã Dircilene, Professora Vera e Professora Maria Helena pela delicadeza e compreensão dos limites impostos ao trabalho da sala de aula devido as atividades desta pesquisa. Aos companheiros de trabalho desta mesma instituição agradeço o apoio e o incentivo nesta etapa da minha vida.
A Eva, pelo companheirismo, compreensão e paciência. Muito grato por tudo.
A minha mãe, lutadora e companheira, toda a minha gratidão e amor. Aos irmãos e a “parentada” toda pelo carinho partilhado apesar das ausências necessárias.
A CAPES pela bolsa de estudo em apoio a pesquisa.
Concluo os agradecimentos incluindo os membros da banca examinadora da dissertação: professores Fátima Lucena, José Batista Neto e Vânia Fialho como partícipes nesta labuta por compreender as conexões do mundo e dentro dele a educação. Finalmente agradeço ao professor Geraldo Barroso – meu orientador – pela tranqülidade, críticas e bom humor que contribuíram para que este trabalho pudesse ter sido realizado.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABA

Associação Brasileira de Antropologia


APOINME

Articulação dos Povos Indígenas do nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo.


CIMI

Conselho Indigenista Missionário


COPIA

Comissão dos professores e Professoras Indígenas Atikum


COPIPE

Comissão dos Professores e Professoras Indígenas de Pernambuco


COPIXO

Conselho de Professores Indígenas Xukuru do ororubá


COSIXO

Conselho de Saúde Indígena Xukuru do ororubá


CNBB

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil


CCLF

Centro de Cultura Luís Freire


FOIRN

Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro.


FUNAI

Fundação Nacional do Índio


NEI

Núcleo de Estudos Indigenistas do Centro de Artes da Universidade Federal de Pernambuco


NEEI

Núcleo de Educação Escolar Indígena


OGTB

Organização dos Professores Tikuna Bilíngües


OPAN

Operação Anchieta


OPIT

Organização dos Professores Indígenas Truká


OPIRON

Organização dos Professores Indígenas de Rondônia


SPI

Serviço de Proteção ao Índio


UNI

União das Nações Indígenas



RESUMO

Este estudo tem como objetivo analisar a trajetória da direção político-pedagógica da educação escolar indígena na perspectiva do movimento dos professores e professoras indígenas no Estado de Pernambuco nos anos 1990. As entrevistas e as observações foram realizadas com as professoras, professores e lideranças indígenas integrantes da Comissão dos Professores e Professoras Indígenas em Pernambuco (COPIPE), bem como com alguns assessores do movimento. O trabalho registra a emergência deste movimento que teve início em finais dos anos 1980 e discute as concepções e formas de luta implementadas por esses sujeitos sociais e as pedagogias que brotam da cultura e da luta destes povos. A COPIPE tem como um dos eixos centrais de suas reivinidicações a implementação de políticas de educação escolar indígena específica para seus povos. A escola, que até antes da organização dos professores/as significava uma instituição que não tinha espaço para sujeitos sociais como os indígenas, vem sofrendo um processo de apropriação e redirecionamento pelos mesmos. Contudo, os avanços referentes à prática de ensino e algumas conquistas pontuais na política de educação, não se manifestam de igual forma no que diz respeito ao debate e a análise de questões determinantes do descaso para com as políticas sociais em relação às classes oprimidas, inclusive a grande parcela dos indígenas que as integram. A análise das lutas de classes, da lógica do Capitalismo e seus reflexos na cultura e políticas públicas para os indígenas não são tomadas como elementos importantes no interior da COPIPE. Consideramos que esta opção política conduz o movimento a análises parciais e pontuais da chamada questão social e das políticas públicas de educação escolar estabelecendo uma contradição entre o que os indígenas esperam de suas escolas (serem “formadoras de guerreiros”) e as ações e análises da COPIPE na construção deste objetivo.

Palavras-chave: movimento dos professores e professoras indígenas, educação escolar indígena.



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