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Encontro24.01.2018
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PROTEÍNAS ÓSSEAS MORFOGENÉTICAS

Bone morphogenetic proteins BMP

Dario Paterno Junior1

Fabio Shiniti Mizutani**

Gustavo de Paula maia ***


RESUMO

Este trabalho de revisão da literatura teve por objetivo explicar o fenômeno da osteoindução, dando ênfase aos avanços no uso das proteínas ósseas morfogenéticas na reparação do tecido ósseo. As BMP’s são da superfamília das TGF-β e estão envolvidas na quimiotaxia, mitose e diferenciação de células mesenquimais no tecido ósseo. Esses fatores de crescimento, muito estudados na atualidade tem como principal membro osteoindutor a BMP-2, e podem ser purificadas (obtidos através de osso animal) ou recombinadas (através de engenharia genética) para que juntamente com um carreador ou sozinhas sejam usadas em sítios onde se deseja a formação de novo tecido ósseo. Concluímos que as BMP’s são uma alternativa viável para o aumento de rebordo alveolar visando a reabilitação com implantes endósseos, sendo necessários mais estudos para assegurar sua eficácia como uma alternativa ao uso de osso autógeno.



Unitermos – Regeneração óssea; Fatores de crescimento; Proteínas ósseas morfogenéticas.
ABSTRACT

This literature review study had the objective to explain the phenomenom of osteoinduction, giving emphasis to bone morphogenetic proteins progresses in bone tissue repair. BMP’s derived from TGF-β superfamily and are envolved in quimiotaxy, mithose and differentiation of steam cells on bone tissue. These growing factors, very studied nowadays has BMP-2 as a major member, and can be purified (obtain through animal bone) or recombinated (through genetic engineer), to be used with or without a carrier in sites where new bone formation is required. We concluded that BMP’s are an alternative to ridge alveolar augmentation to sight in implants rehabilitation, being necessary additional studies to assure your efficacy in alternative to autogenous bone graft.



Key words: Bone regeneration; Growth factors; Bone morphogenetic proteins.

Introdução

Os fatores de crescimento determinaram a abertura de um novo capítulo na história dos biomateriais. As proteínas ósseas morfogenéticas (BMP’s) destacam-se como um dos fatores de crescimento mais estudados. Tais substâncias constituem uma família de fatores de crescimento com grande influência, especificamente nos principais mecanismos de reparo ósseo, capazes de induzir a síntese de matriz óssea em regiões ortotópicas ou ectópicas.1

Bone Morphogenetic proteins (BMP) ou Proteínas Ósseas Morfogenéticas são fatores de crescimento pertencentes a superfamília dos Fatores Transformadores do Crescimento (TGF-β). BMP’s são glicoproteínas responsáveis pelo recrutamento de células osteoprogenitoras para os locais de formação óssea.

O osso tem considerável potencial de reparação e regeneração. A purificação de proteínas osseoindutivas de osso bovino resultou na identificação de muitos membros de proteínas ósseas morfogenéticas (BMP). A clonagem de DNA complementar das BMP (cDNA) revelou que as BMP’s formam uma única subfamília dentro da superfamília dos fatores transformadores do crescimento-β (TGF-β).

Em implantodontia no que concerne ao crescimento de tecido ósseo, algumas classes de biomateriais podem ser utilizadas, sendo a classificação de acordo com seu modo de ação: osteocondução, osteoindução e osteogênese e de acordo com o tipo de material.2

Um novo capítulo foi aberto após a descoberta de proteínas contidas dentro da matriz óssea desmineralizada, essas proteínas denominadas de BMP’s (Proteína Óssea Morfogenética) têm a capacidade de induzir a formação de tecido cartilaginoso e depois a aposição óssea em sítios ectópicos. Os primeiros ensaios foram realizados por3, utilizando matriz óssea desmineralizada de roedores. Neste primeiro ensaio apenas cortes histológicos com os tipos de células envolvidas na reabsorção do osso desmineralizado, a migração e diferenciação de células em condroblastos e posterior formação de novo tecido ósseo foi relatado sem nenhum tipo de elucidação do mecanismo do processo. Para ele um fator central seria o responsável por este efeito. Esse fator foi relatado como uma substância indutora de formação óssea, presente na matriz óssea. As células indutoras e as células induzidas eram provenientes do hospedeiro e estas mesmas células indutoras seriam descendentes de histiócitos e células do tecido conjuntivo perivascular. O termo osteoindução foi designado para um princípio fundamental de regeneração óssea desencadeado pela ação das proteínas ósseas morfogenéticas.


Revisão da literatura

Mostrou que proteínas extraídas do osso podiam induzir a formação local de nova cartilagem e osso quando implantados em sítios não-osteogênicos. Ele relatou a formação óssea ectópica, após a implantação intramuscular de matriz óssea desmineralizada em 0,6N de HCl em coelhos. Desde a descoberta das Proteínas Ósseas Morfogenéticas como proteínas osseoindutivas por Urist, muitos investigadores têm mostrado que BMP’s induzem a diferenciação de células mesenquimais e células-tronco em células osteogênicas capazes de produzirem tecido ósseo3.

Segundo o autor, a purificação das BMPs pode ser alcançada usando esse sistema de reconstrução, foi purificado a atividade de BMP de aproximadamente 300.000-fold de osso bovino4.

De uma seqüência de aminoácidos de extrato altamente purificado5, obtiveram clones de DNA que continham o código de cada proteína. Ao todo, obtiveram 8 proteínas e 7 delas denominadas de BMP’s e apresentam características estruturais semelhantes. Através da purificação da BMP presente em osso bovino chegou-se a detalhes sobre a identificação e clonagem molecular de fatores com atividade da BMP.

O autor mostrou que a combinação rhBMP-2/Helistat, uma esponja de colágeno reabsorvível, é capaz de estimular neovascularização e formação óssea intramembranosa em um defeito de 3 cm na mandíbula de cães. Os enxertos de rhBMP-2/Helistat foram removidos e observados 5,10,14 e 21 dias após a sua implantação.. A formação óssea trabecular ocorreu em dez dias6.

Alguns estudos têm comparado os vários efeitos das BMPs diretamente dentro de um experimento. O autor mostrou que havia diferentes variedades de BMPs em sua capacidade mitogênica em cultura de células periosteais e condrócitos epifisiais e esternal de embriões de galinha. A síntese de DNA aumentou após o tratamento com BMPs-2 e -4 do que o tratamento com BMPs-5 e -6; os efeitos da OP-7 foram marginais, e a BMP-3 não teve nenhum efeito. Diferenças no efeito osteogênico tem sido demonstrado em alguns estudos, mas os resultados são de certa maneira conflitantes7.



Segundo o autor mais de 40 membros da família TGF-β foram identificados, incluindo as BMP’s, fatores de crescimento e diferenciação (GDF’s), inibinas, activinas, TGF-βs e substâncias inibitórias Müllerianas7. (Tabela 1)
TABELA 1: RESUMO DA IDENTIFICAÇÃO E CLONAGEM DAS BMPS E SEUS PAPÉIS NA OSTEOINDUÇÃO


BMP

Cloning (ref)

Bone induction (ref)

BMP-2 (BMP-2ª)

1988

Indução óssea em sítios subcutânea em ratos

BMP-3 (osteogenina)

1988

Indução óssea em sítios subcutânea em ratos

BMP-4 (BMP-2b)

1988

Indução óssea em sítios subcutânea em ratos

BMP-5

1990

Nenhum relatório sobre osteoindutividade. Papel na embriologia na iniciação da formação de determinados elementos do esqueleto.

BMP-6 (Vgr-1)

1990

Indução óssea em sítios subcutaneous em ratos

BMP-7 (OP-1)

1990

Indução óssea em sítios subcutaneous em ratos

BMP-8 (OP-2)

1992

Sem relatos de osteoindução

BMP-9 (GDF-2)

1994

Sem relatos de osteoindução

BMP-10

1995

Sem relatos de osteoindução

BMP-11

1995

Sem relato de osteoindução

BMP-12 (GDF-11, CDMP-2)

1995

Nenhum relatório sobre osteoindutividade. Inibição da diferenciação de mioblastos terminal

BMP-13 (GDF-6, CDMP-2)

1994

Nenhum relatório sobre osteoindutividade. Inibição da diferenciação de mioblastos terminal. Indução ectópica de tendão e ligamentos de ratos.

BMP-14 (GDF-5, CDMP-2)

1994

Nenhum relatório sobre osteoindutividade. Inibição da diferenciação de mioblastos terminal

BMP-15 (CDMP-1)

1996

Sem relato de osteoindução

Fonte: Groeneveld e Burger, 2000, p. 9-21



Receptores da BMP


O papel fisiológico das BMPs e os receptores de BMP na formação de osso normal tem sido investigados. Injeções de BMP localmente na superfície da calvária de ratos induzem a formação óssea periosteal na superfície da calvária sem a formação prévia de cartilagem. Sobre-expressão de um dominante negativo truncado BMPR-IB em células precursoras de osteoblastos 2T3 inibe a expressão gênica osteoblástica específica e a formação de matriz ósseamineralizada. Em ratos transgênicos em que a expressão de um gene dominante truncado BMPR-IB transgênico é objetivado à linhagem osteoblástica usando um promotor de colágeno tipo I osteoblástico específico, a formação óssea pós-natal, incluindo a densidade mineral, volume ósseo estático e a taxa de formação óssea dinâmica está diminuída. Estes resultados mostram que os receptores de BMP participam de papel importante na formação óssea pós-natal.8

O mecanismo de ativação dos receptores de BMP funcionam via ligação ao receptor específico tipo II presente na membrana celular e recruta um receptor tipo I, formando um complexo. Esses receptores são proteínas serina/treonina quinase transmembrana que se auto fosforilam depois da formação do complexo BMP-receptor II-receptor I e adquirem a habilidade de fosforilar proteínas Smad, uma família de transdutores do TGF-β. Smad são uma família de mediadores de receptores de BMP em vertebrados homólogos de Mad (mothers against decantaplegic, em Drosophila) e Sma (relacionado a Mad em C. elegans) e podem ser classificados em três subtipos pela estrutura e função: 1) receptores-regulados Smads (R-Smads); 2) mediadores comum Smad; e 3) inibidores de Smad. R-Smads são fosforilados por receptores serina/treonina quinase ativados (complexo BMP-receptor tipo I- receptor tipo II). R- Smads interagem com um mediador comum Smad para formar um complexo heterooligimérico, que então transloca para dentro do núcleo e regula a transcripção de vários genes alvos. Ainda não está claro se Smad pode reconhecer sítios ligantes específicos e ligar o DNA por si próprio.9


Proteínas ósseas morfogenéticas purificadas


Segundo o autor a produção de BMPs purificadas é de difícil determinação, tendo aproximadamente 20 microgramas de BMP em 10 quilos de osso bovino. A atividade de BMP se comporta em um sistema de eletroforese, como uma proteína de tamanho de 30 kD. Contudo, o gel de eletroforese a 30 kD sobre condições irredutíveis indica a presença de múltiplas proteínas. Purificação além dessa faixa faz com que a amostra tenha uma redução em sua atividade, e como a redução dissulfídica destrói sua capacidade osteoindutora, polipeptídeos individuais não podem ser usados. Utiliza-se geralmente apenas as proteínas com conhecido poder osteogênico testado in vitro ou in vivo, para então decifrar seu código genético e então recombiná-las.10

Proteínas ósseas morfogenéticas recombinantes


As BMPs podem ser obtidas por um método de recombinação. Após ter sido purificado, esse material é digerido em tripsina como visto anteriormente, tanto as moléculas com 30, 16 e 18 kD, produzindo um grupo de pequenos peptídeos de cada molécula, no qual seqüências de aminoácidos são determinadas. Essas seqüências são usadas para designar e sintetizar sondas de oligonucleotídeos (uma fita simples de DNA marcado com um radioisótopo como P), que são usados para projetar no genoma bovino ou a biblioteca de DNA complementares. Clones recombinantes (cDNA) foram então identificados, registrando as várias seqüências derivadas de BMP bovino. Esses clones então foram usados para projetar (screen) na biblioteca genomica humana, obtendo assim clones recombinantes codificados nos equivalentes do ser humano, às proteínas morfogenéticas bovinas.4

Por enquanto a rhBMP-2 parece ter a atividade completa de formação de cartilagem e osso das BMPs derivadas de osso , tendo muitas linhas evidentes que sugerem que a BMP-2 não é o único fator de crescimento para esta atividade. Em adição, a quantidade de rhBMP-2 necessária para produzir osso é em ordem de magnitude maior que a BMP purificada. Posto que é possível que a rhBMP-2 feito em sistemas de expressão em células mamárias é de alguma forma diferente da BMP-2 derivada do osso, e assim, menos eficaz, esses fatos sugerem que a atividade natural é alguma combinação das atividades de múltiplas moléculas de BMPs ou representa o sinergismo entre as moléculas. O fato de que muitos RNAm para BMPs são encontrados em tecidos não ósseos também suporta o argumento que múltiplos fatores de crescimento podem normalmente trabalhar juntos para alcançar a concentração crítica para induzir a formação óssea no animal.10

A engenharia genética, através da tecnologia do DNA recombinante humano, atualmente é responsável pela produção de grandes quantidades da BMP-2, a rhBMP-2, o que a torna um mecanismo interessante para obtenção de BMP, devido a grande quantidade que pode ser obtida.11

Carreadores

Estudaram o uso de BMP-2 recombinante humana e matriz óssea desmineralizada homógena em defeitos mandibulares segmentares em cães, os defeitos tinham 3 centímetros de espessura e foram estabilizadas com placas de reconstrução compostas de aço inoxidável. O propósito deste estudo foi avaliar a habilidade dos implantes de BMP-2 em formar osso e restaurar a continuidade mandibular e prover estabilidade funcional. O grupo contendo BMP teve uma aceleração na consolidação, permitindo a remoção das placas de reconstrução com dez semanas e houve formação óssea significativamente maior em comparação aos grupos controles.12

Analisaram o efeito do uso da BMP bovina na estimulação rápida da osseointegração de implantes endósseos dentais.13

Os autores concluíram que o dispositivo de proteína osteogênica é capaz de induzir a formação de osso em cavidades dentárias, dentro de 3 semanas, na presença ou ausência de implantes de titânio. Conseqüentemente, a proteína osteogênica inserida em cavidades inalteradas com implantes pode encurtar, significativamente, o intervalo de tempo entre a extração do dente e a osseointegração do implante e assim, reduzir o período de edentulismo total ou parcial. Além disso, este trabalho conseguiu ampliar o uso de terapia com implantes, havendo a possibilidade de se aumentar a taxa de sucesso, eliminando um procedimento cirúrgico, reduzir a quantidade de osso perdido após extração dentária, permitir a inserção de implantes mais longos e minimizar os compromissos protéticos relacionados com reabsorção de crista alveolar.

Segundo autor a BMP é uma proteína difusível, mantendo um certo nível de concentração no local da implantação, que é necessário para iniciar uma cascata osteoindutiva in vivo. Liberação gradual de BMP pode ser estabelecida pelo uso de carregadores como hidroxiapatita, colágeno, fibrina de coágulo, gesso Paris e polímeros (PLA e PLGA).14

Segundo o autor, para a osseoindução local por BMPs, a proteína indutora é imobilizada no sítio em combinação com um carreador durante um período de tempo suficiente para influenciar a resposta celular. Entretanto, o carreador não fornece nenhum componente adicional necessário para indução óssea.6

Avaliou pacientes que foram tratados com rhBMP-2 adicionado em uma esponja de colágeno (ACS) em sítios de extrações humanas ou em sítios que requeriam aumento de rebordo alveolar. O controle de 3 anos mostrou que todos os implantes estavam com níveis ósseos marginais saudáveis e não havia sinal de periimplantite.15

Avaliou o uso de biomaterial de origem bovina na regeneração de defeitos ósseo segmentares empregando-se 12 coelhos, fêmeas, da raça Norfolk, com idade de seis meses e pesos entre 3 e 4,5Kg. Após eutanásia de seis coelhos aos 60 dias e seis aos 150 dias de pós-cirúrgico, os resultados radiográficos e histológicos mostraram que a regeneração óssea foi inibida nos defeitos segmentares tratados com o biomaterial.16


Discussão


As BMPs podem ser obtidas por purificação, o que necessita de grande quantidade de tecido ósseo tratado (Kg para obtenção de µg) para se obter uma quantidade muito pequena de bBMP 5,9,17, tornanda-a dispendiosa e onerosa a produção em larga escala.

As BMPs recombinantes geralmente são produzidas em sistemas de expressão gênica utilizando-se células mamárias, são proteínas menos imunogênicas, porém têm menor capacidade de formação óssea por ter apresentar apenas uma rhBMP ao invés de um pool de glicoproteínas osteoindutivas como a bBMP, facilitando uma produção em quantidade maiores. 4,6,10,18

As BMPs quando utilizadas para formar osso podem ser usadas sozinhas, através da injeção de uma solução de BMP (método menos invasivo) no local onde se deseja a indução de tecido ósseo 6,17,18 ou com carreadores que servem também como arcabouço (aumento no volume ósseo formado) e impedem a solubilização das BMPs.6,12,14,15,17,19-25

Muitos carreadores têm sido usados com sucesso em vários tipos de defeitos. A Hidroxiapatita foi utilizada como discos de HA e BMP/atelocolágeno liofilizado aumentando a concentração de fosfatase alcalina quando implantados sob periósteo de crânio em comparação com grupo controle, e foram mais eficazes na análise histológica19. Reportaram que a associação de HA porosa com rhBMP foi mais efetivo em defeitos mandibulares de coelhos do que hidroxiapatita sozinho.25

Liberação gradual de BMP pode ser estabelecida pelo uso de carregadores como hidroxiapatita, colágeno, fibrina de coágulo, gesso Paris e polímeros (PLA e PLGA).14

As BMPs se comportam bem quando usados com biomateriais osteocondutores porosos e é unânime entre os autores sua ótima interação com esponjas de colágeno tipo I. Quando utilizadas sozinhas necessitam de maior concentração de proteínas e não possuem um efeito osseoindutor tão eficaz devido a sua solubilidade. De fato, rhBMP-2 puro, quando implantado em altas doses, pode induzir a formação óssea. Polímeros podem agir como carreadores efetivos devido ao fato de serem biodegradáveis, adquirirem diferente graus de solidez e apresentarem um baixo grau de retenção tecidual. Além disso, polímeros usados na forma de placa reabsorvível ou formulados em carreadores semi-hígidos não-deformáveis para a BMP poderiam induzir a formação óssea com a finalidade de reconstruir defeitos ósseos nas suas exatas dimensões e com maior força biomecânica. Assim, alguns novos carreadores de polímeros biodegradáveis parecem ser promissores, pois podem funcionar como uma rede que poderá ser totalmente reabsorvida para ser substituída por osso natural.6

Esponja de colágeno tipo I juntamente com rhBMP-2 foram usados para aumento de rebordo em pacientes que necessitavam de implantes dentários em estudo piloto. Os pacientes submetidos ao aumento foram avaliados 3 anos após a colocação dos implantes endósseos e próteses realizadas não houve nenhum problema detectável quanto a osseointegração.15

Alguns autores estudaram a neoformação óssea em sítios onde implantes são colocados na presença e ausência de bBMP26,27. Um gel de bBMP era confeccionado e colocado em orifícios criados no ápice do implante. Os resultados mostraram melhor e mais rápida formação óssea do grupo das bBMP do que no grupo controle, sendo que um dos autores sugeriu que ocorria osseointegração do implante (implantes lisos, sem tratamento de superfície com 1 mês de implantação26. A utilização de matriz óssea colágena e BMP juntamente com a inserção de implantes foi estudada por outro autor13. Exodontias foram realizadas e implantes foram colocados juntamente com matriz óssea colágena e BMP, sendo que o autor sugeriu maior rapidez de formação óssea na presença ou ausência do implante, diminuindo o intervalo indução de tecido ósseo para 3 semanas em alvéolos submetidos a exodontias.

Alguns autores tiveram resultados de retardo na cicatrização ou aposição óssea inicial quando utilizando membrana não-reabsorvível e BMP/carreador, estabilizando e acelerando a aposição com a reabsorção do biomaterial11; quando utilizando biomateriais densos ou uma mistura de biomateriais (HA) juntamente com a BMP em locais pós-exodontias, houve atraso na cicatrização em comparação ao coágulo (controle)25; e quando houve associação de muitos biomateriais (membrana de pericárdio envolvendo uma mistura de biomateriais contendo: BMP adsorvidas em hidroxiapatita, colágeno liofilizado e osso inorgânico), ao mesmo tempo em casos de fratura em patas de coelho, houve atraso significativo no tempo de cicatrização dessas fraturas devido a necessidade de reabsorção dos muitos biomateriais para então haver aposição óssea no local da fratura16.


Conclusão


  1. Concluímos que as BMPs são uma alternativa viável para o aumento de rebordo alveolar visando a reabilitação com implantes endósseos.

  2. As proteínas ósseas morfogenéticas obtidas através de recombinação parecem ser o melhor método para a utilização em larga escala, sendo que a subclasse rhBMP-2 apresentam melhores resultados na osteoindução.

  3. Pode-se utilizar vários tipos de carreadores com sucesso, sendo os polímeros e o colágeno insolúvel tipo I os mais promissores, mesmo assim, necessitam-se mais estudados em humanos a respeito dos carreadores que melhor se adequam às técnicas regenerativas.


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1 Doutor em Implantodontia, Mestre em Implantodontia, Pós-Graduado em Implantodontia / Centro de Estudos Odontológico São Leopoldo Mandic - Campinas

** Doutor em Implantodontia, Mestre em Implantodontia, / Centro de Estudos Odontológico São Leopoldo Mandic - Campinas



*** Especialista em Implantodontia – Centro Catarinense de Odontologia


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