Universidade Castelo Branco Rio de Janeiro, 28 de junho de 2008. Aluna: Lariza Simm Matrícula: 2008040192 Professora: Vera Matéria: Literatura Tarefa de Tutoria: Modernismo / Análise de textos



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Universidade Castelo Branco

Rio de Janeiro, 28 de junho de 2008.

Aluna: Lariza Simm

Matrícula: 2008040192

Professora: Vera

Matéria: Literatura

Tarefa de Tutoria:

Modernismo / Análise de textos
Análise de um poema de Manuel Bandeira (da 1a.fase) e de um poema de Carlos Drummond de Andrade (da 2a. fase), comentando sobre as características modernistas presentes nos mesmos. Justificar com exemplos dos poemas.

Prof. Vera



Data final para entrega: 28/06/2008

Introdução:

O Modernismo, além de ter gerado uma revolução estética na literatura, na música e nas artes plásticas, foi um momento único de intenso debate sobre o conceito de identidade nacional. Nunca antes a poesia esteve tão próxima do contexto histórico-social, ideológico e cultural, tendo como um de seus principais objetivos mostrar as faces contraditórias e diversificadas do país. Visto isso, temos duas análises dessa época. A 1° fase do modernismo com Manuel Bandeira e a 2° fase com Carlos Drummond de Andrade.


Manuel Bandeira

O Bicho

Vi ontem um bicho


Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,


Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,


Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Na sua poesia, Bandeira abandonou o tom retórico de seus antecessores e usou a fala coloquial para tratar de temas triviais e eventos do dia-a-dia, com objetividade e humor. Neste caso temos a objetividade de alguém que estava vendo uma cena, que no momento parecia ser cotidiana, mas que na verdade era dramática: a cena de um homem que “catava lixo” para a sua sobrevivência.

Quando Manuel Bandeira fez justamente isso: informou um evento do cotidiano: “vi ontem um bicho, na imundície do pátio”. Uma cena que pare ele era comum, um pátio, que por estar imundo, teria um bicho. Os versos livres de Bandeira sempre foram escritos sem preocupações. É notória sobretudo a renovação da linguagem. Mas uma características do modernismo: renovação, o novo, o moderno.

Personalista, a poesia de Manuel Bandeira assemelha-se a uma espécie de diário íntimo em que os acontecimentos do mundo se refletem nas imagens da vida íntima e pessoal, como se a expressão poética resultasse da soma entre a confidência e a notação exterior, a contemplação da realidade, numa atitude de estranheza do poeta em relação ao mundo. Surge aí a força humanizadora de sua poesia – outra característica do modernismo. No poema acima ele fica surpreso quando descobre que o “bicho” não era um bicho como outro qualquer e sim o bicho homem: “,O bicho, meu Deus, era um homem”.

Carlos Drummond

O novo homem

O homem será feito


em laboratório.
Será tão perfeito
como no antigório.
Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.
Usará bermuda
e gola roulée.
Queimará arruda
indo ao canjerê,
e do não-objeto
fará escultura.
Será neoconcreto
se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem será feito
em laboratório,
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
Seja como flor
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
com riso maroto:
"Nove meses, eu?
Nem nove minutos."
Quem já conheceu
melhores produtos?
A dor não preside
sua gestação.
Seu nascer elide
o sonho e a aflição.
Nascerá bonito?
Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,
é planificado.
Nele, tudo exato,
medido, bem-posto:
o justo formato,
o standard do rosto.
Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
nossos descendentes.)
Quer um sábio? Peça.
Ministro? Encomende.
Uma ficha impressa
a todos atende.
Perdão: acabou-se
a época dos pais.
Quem comia doce
já não come mais.
Não chame de filho
este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.
Sua independência
é total: sem marca
de família, vence
a lei do patriarca.
Liberto da herança
de sangue ou de afeto,
desconhece a aliança
de avô com seu neto.
Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio
e, per omnia secula,
livre, papagaio,
sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.
Bem feito.

Nada escapou ao olhar detalhista de Drummond em suas crônicas.

Aqui, ele trabalha com o tema do bebê de proveta, do ser humano feito em laboratório. A crônica em versos "O Novo Homem" foi publicada no Jornal do Brasil em 17/12/1967 — portanto, 35 anos atrás. A genética nem estava tão avançada assim e Drummond já discutia e ironizava a idéia do ser humano "fabricado", com bebês à la carte, escolhidos em um catálogo. O posicionamento dos versos, o espaçamento, o jeito lírico são características marcantes da 2° fase do modernismo. Os temas da atualidade, nestes versos: “O homem será feito em laboratório. Será tão perfeito como no antigório.“ também são traços marcantes dessa fase. O tom irônico que Drummond trata o assunto também faz parte dessa época. O lirismo dos versos o tom irônico e o tema mais do que atual pra a época, fazem dessa poesia uma das mais marcantes do movimento modernista da 2° fase: “

“"Nove meses, eu?, Nem nove minutos."


Quem já conheceu melhores produtos?
A dor não preside sua gestação.
Seu nascer elide o sonho e a aflição.
Nascerá bonito? Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,é planificado.”

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