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Universidade da Beira Interior

Mestrado em Jornalismo: Imprensa, Rádio e Televisão


Relatório de Estágio
“O tempo como factor de constrangimento na produção e elaboração de conteúdos noticiosos”

Joana Filipa Salvado Barata

Prof. Dra. Anabela Gradim

31 de Agosto de 2008

Universidade da Beira Interior
Departamento de Comunicação e Artes
Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Jornalismo: Imprensa, Rádio e Televisão

“O tempo como factor de constrangimento na produção e elaboração de conteúdos noticiosos ”

Relatório de Estágio
Nome: Joana Filipa Salvado Barata

Número de aluno: M1294

Orientador: Prof.ª Dra. Anabela Gradim
Estágio Curricular:

Lusa – Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Morada: Rua Doutor João Couto, Lote C.

Início do Estágio: dia 14 de Fevereiro de 2008

Fim de Estágio: dia 14 de Maio de 2008
31 de Agosto de 2008

Resumo
Qual a influência no factor tempo nas notícias, e de que modo os jornalistas se moldam a esse factor, apropriando-se ou subordinando-se a ele?

Estudos recentes identificaram o tempo como factor de pressão e de constrangimento na actuação dos jornalistas, tendo por isso influência directa na produção noticiosa, e podendo mesmo reduzir o conteúdo informativo das notícias.

O estudo a seguir apresentado trata da questão da produção e difusão de notícias no jornalismo de agência.

Uma agência de informação não é mais que uma empresa grossista que procura e vende documentos de actualidade a outras empresas de informação e, excepcionalmente, a particulares, garantindo-lhes um serviço de informação mais completo e imparcial.

A rapidez na difusão das informações recolhidas foi assumida rapidamente como característica determinante no quotidiano de qualquer agência noticiosa.

O tempo é um factor decisivo para as agências que se tornaram numa importante fonte, para todos os meios de comunicação.

 Palavras – chave: Jornalismo; Agência de notícias; Tempo;

Abstract
What is the influence of the factor time in the news and the way as the journalists are moulded to this factor taking possession or being subordinated to him?

Recent studies identified the time like factor of pressure and of embarrassment in the acting of the journalists, having therefore, straight influence in the news production, being able to reduce even the informative content of the news.

The study were presented treats the question of the production and diffusion of news in the journalism of agency.

An information agency is merely a wholesale firm that seeks and sells documents about current events to other information agencies, and exceptionally, to private individuals, providing them a complete and impartial information service. Speed in disseminating the gathered quickly becomes an important and determinant feature in the daily activities of all news agencies.

Time is a decisive factor and agencies became an important fountain to all social communication organisms.

 Key - words: Journalism; Agency of news; Time;



Índice

Resumo…………………………………………………………………………………...i

Abstract ……...………………………………………………………...……………….iii

Índice …………………...…………………………………………………………….... v

Índice de Organogramas …………………………………………………………….....vii

Índice de Tabelas…………………………………………………………….………...viii

Lista de siglas e abreviaturas ………………………………………………………...... ix

Introdução…………………………………………………………………………...…..xi

Capitulo 1


Índice 9

1 - As agências de notícias como principais fornecedoras de informação 16

1.2 - O mundo dividido por agências de notícias 20

1.3 - As novas tecnologias alteram o curso da História 24

1.4 - O caso Português 26

1.4.1 - As agências do Estado Novo: A Lusitânia e ANI 26

1.4.2- O sonho de Lupi 27

1.4.3 - Entre informar e o fazer propaganda 28

1.4.4 - Agência de Notícias e Informação – ANI 29

1.4.6 - A relação da imprensa com a ANI e a Lusitânia 32

1.4.7 - A ANOP 33

1.4.8 - Entre a Notícias de Portugal e coexistência formal de duas agências em Portugal 35

1.4.9 - A Lusa: o passo para a estabilização e rápido crescimento 37

1.4.10 - Princípios e Regras na Escrita de Agência 41

1.4.1.1 - Novos desafios impostos pela Internet 43

2 – Imediatismo e actualidade jornalística na cobertura informativa 45

2.1 - A periodicidade e a duração da actualidade 46

2.2 - Estrutura da notícia: o mundo em seis respostas 47

3 - Estrutura interna da Agência Lusa: Empresa, Recursos Humanos, Serviços e Clientes 52

3.1 - Empresa 52

3.3 - Serviços 55

3.3.1 - Volume de vendas e principais áreas de interesse 55

3.3.2 - Actividade editorial: a produção informativa 57

3.4 - Produção Informativa em 2007 62

4 - O percurso da informação: a actividade diária e seus intervenientes 66

4.1 - A importância dos correspondentes no compromisso de informar 68

4.2 - O fluxo contínuo de informação e constrangimentos organizacionais adjacentes 72

5- Na construção do trabalho jornalístico: da profissão às rotinas 73

5.2 - A recolha de informação e a importância da agenda 79

5.3 - A Agência Lusa como uma verdadeira fonte de notícias 80

5.4 - O rigor e a credibilidade da informação 83

5.5 - A objectividade à luz dos acontecimentos jornalísticos 83

6 – Conclusões 85

7- Anexos 87

8- Notas e referências bibliográficas 95

9- Bibliografia 98




Índice de Organogramas
Organograma 1 – Organograma da macroestrutura e órgãos de estrutura de primeira linha da Agência Lusa………………………………………………………………………………. 38


Dados fornecidos pela Secretaria-geral da Agência Lusa

Índice de Tabelas
Tabela 1 – Principais Agências Mundiais ………………………………………………...............8

Tabela 2 – Estrutura orgânica da Agência Lusa principais accionistas …………………....37

Tabela 3 a) – Composição da estrutura física da empresa – Pessoal ……………………… 39

Tabela 3 b) – Composição da estrutura física da empresa – Jornalistas …………………. 39

Tabela 4 – Principais áreas de negócio da Agência Lusa ………………………………….…41

Tabela 5 – Produção média/diária do fio noticioso da Agência Lusa ……………………...45

Tabela 6 – Valores em euros das principais áreas de cobertura noticiosa ………………...47

Tabela 7 – Temas mais procurados pelos clientes da Agência ……………………………...49

Tabela 8 – Produção da Lusa de 20 de Maio a 31 de Dezembro de 2007

(226 dias) ……………………………………………………………………………….75

Tabela 9 – Participação no capital dos principais accionistas da Agência Lusa …………77

Tabela 10 – Efectivos em 31 de Dezembro de 2007 …………………………………………..7




 Dados fornecidas pela Secretaria-geral da Agência Lusa

Lista de Siglas e Abreviaturas

AFP – Agence France Press

ANI – Agência de Notícias e Informação

ANOP – Agência Noticiosa Portuguesa

ANA – Athens News Agency

ANSA – Azencia Nazionale Stampa Associata

AIM – Agência de Informação de Moçambique

AP – Associated Press

APA – Austria Press Agenteur

DPA – Deutsche Press Agenteur

EPA – European Pressphoto Agency

WOLFFS – Wolfs’sches Telgraphen Bureau

INS – International News Service

MTIHungarian News Agency

NYAP - New York Associated Press

NP – Notícias de Portugal

PA – Press Association

TASS – Telegrafnoi Agenstvo Sovetskovo

UP – United Press

UPI – United Press International

Introdução
Ao longo deste relatório de estágio, elaborado no âmbito do Mestrado em Jornalismo: Imprensa, Rádio e Televisão da Universidade da Beira Interior, pretendo abordar a forma como as agências de notícias, principais fornecedoras de informação, influenciam todo um meio informativo, e também perspectivar o impacto que o factor temporal tem na produção de notícias de agência.

Depois de traçar a origem das agências de informação mundial, procuro, de forma mais profunda, conhecer o funcionamento da principal agência de notícias que actualmente existe em Portugal, a Agência Lusa.

Durante o meu estágio, realizado naquela empresa, procurei obter resposta para as questões que dão origem a este trabalho. A realização deste relatório vem no sentido de tentar conhecer e perceber as principais características do jornalismo de agência. As agências de notícias cumprem, diariamente, a função de fornecer aos seus clientes os mais recentes e importantes acontecimentos que se passam em todo o mundo. As agências são, neste sentido, sistemas onde a informação é filtrada para ser difundida e posteriormente tratada por cada órgão. As agências funcionam assim como importantes “gatekeppers”, ou seja, compete-lhes decidir e definir directamente as notícias de máxima urgência, e que poderão vir a ser notícia, influenciando, consequentemente, a elaboração de toda a agenda jornalística.

Em Portugal, a actividade das agências noticiosas de âmbito nacional tem início em 1944, sob influência do regime Salazarista. Desde então, e até à actualidade, existiram cinco agências distintas, e um longo e problemático percurso que levou à extinção das mesmas.

Compreender o processo jornalístico de produção de informação, tendo em conta a periodicidade, e assim a rapidez na difusão das notícias, perceber como o tempo pode influenciar as mesmas, bem como os constrangimentos desta natureza a que estão submetidos todos os profissionais de informação, é o objecto deste trabalho.

Nestas páginas, ainda que de uma forma certamente limitada, abordarei a origem das agências noticiosas, no século XIX, a introdução do serviço de agência no nosso País e, posteriormente, a actualidade do jornalismo de agência desenvolvido em Portugal.

Conhecer o que está para além da informação em estado bruto e de que forma o factor tempo se relaciona e interage com a produção informativa é um dos propósitos deste relatório.

O nosso estudo desenvolver-se-á de duas formas distintas. Numa primeira fase, que contém uma parte teórica, que corresponderá aos capítulos I e II, onde irá constar o aparecimento das agências noticiosas e o papel que vêm desempenhando, bem como o percurso das agências em Portugal. A realização de um estágio curricular de três meses, na sede da Agência Lusa, em Lisboa, corresponde à parte prática do nosso estudo e ocupa os restantes capítulos. Abordarei de perto a realidade através da observação do trabalho realizado na agência, na recolha, filtragem e por último a difusão de notícias, num percurso feito pelas editorias de Internacional e País.

A Agência Lusa celebrou em 2007 o seu vigésimo aniversário de existência, é a herdeira directa das duas primeiras agências de notícias que existiram em Portugal, a Noticias de Portugal (NP) e a Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP), e tem como objectivo assegurar uma informação rápida, factual, isenta e rigorosa às centenas de clientes que subscrevem os seus serviços.

Para além da cobertura a nível nacional, a agência dispõe ainda de diversos correspondentes espalhados pelos PALOPS e pelas mais importantes capitais ao longo do mundo.

Entre os diversos serviços oferecidos pela Lusa, encontram-se fotografias, telefotos, noticiário económico, videotexto, “features”, dossiers de documentação, agendas e informação radiofónica, telefónica, e produtos em áreas como a televisão, rádio entre outros.

A diversidade implica uma grande organização e rigidez na forma dos produtos a serem vendidos, sendo a rapidez, a qualidade, a credibilidade e o rigor fundamentais para manter a agência nos níveis de exigência que os seus clientes esperam.

A adaptação aos títulos reduzidos, aos Lead’s com apenas 35 palavras, à forma como se escrevem siglas, como se fazem referências, entre outras, são exigências formais necessárias ao serviço de agência, mas também extremamente úteis para a adaptação ao tipo de escrita jornalística rigorosa.

1 - As agências de notícias como principais fornecedoras de informação


Num mundo onde o fluxo de informação é cada vez maior, é a partir das agências de notícias que os jornais constroem e narram os acontecimentos mais importantes que se passam num determinado país e/ou no mundo, e por isso nenhum jornal pode prescindir dos seus serviços.

De acordo com um estudo publicado pela Unesco em 1953, o papel das agências é definido da seguinte forma: “Uma agência de informação é uma empresa que tem por principal finalidade, qualquer que seja a sua forma jurídica, procurar notícias e, de um modo geral, documentos de actualidade que tenham exclusivamente como objectivos a expressão ou a representação dos factos e a sua distribuição a um conjunto de empresas e informação e, excepcionalmente, a particulares, procurando garantir, contra pagamento de uma avença e nas condições conformes às leis e práticas comerciais, um serviço de informação tão completo e imparcial quanto possível”. 1

A partir desta definição torna-se claro que as agências têm como objectivo e missão procurar, compilar e redigir as informações que reúnem para as vender e transmitir, no menor espaço de tempo possível, mediante o pagamento do serviço pelas empresas assinantes.

As agendas do dia têm que ser rigorosamente cumpridas e não pode haver quebras no fluxo de informação ou as agências estariam condenadas.

As agências funcionam como uma espécie de “grossistas da informação” com um quadro e uma rede de correspondentes substancialmente mais alargada, superando largamente, regra geral, as possibilidades de qualquer outro órgão de comunicação social.

Golding e Elliot elaboraram um estudo onde predominam três características fundamentais, no que diz respeito ao ciclo de produção da informação diária numa agência.

Numa fase inicial “as agências são fontes literalmente insubstituíveis, de que não é possível prescindir por motivos económicos. (…) O custo dos correspondentes no estrangeiro é infinitamente mais elevado do que a assinatura numa agência, (…) e, para os órgãos de informação menos poderosos, as despesas com os correspondentes estrangeiros, ultrapassam as suas possibilidades económicas. Para eles, os serviços das agências (...) são a única fonte possível de notícias vindas do estrangeiro”. 2

Solicitar os serviços das agências significou aumentar exponencialmente a procura de notícias, e por conseguinte das agências. A procura de informações à escala global veio introduzir novas técnicas e revolucionar a forma de fazer jornalismo na primeira metade do século XIX.

Somente o que era divulgado pelas agências era notícia e tornou-se forçoso proceder à triagem do que realmente era importante comunicar e trazer a público.

Golding e Elliott explicam, desta forma, que “a uniformidade (das notícias) é inevitável a partir do momento em que três ou quatro agências fornecem a base para a cobertura das notícias externas em quaisquer redacções espalhadas por todo o mundo, e em nenhum outro local a tirania do “reabastecimento” é tão nítida como esta dependência”. 3

Trata-se de material diferente, diverso e relativamente acessível, e que contribuiu para o jornalismo conquistar credibilidade em grande parte devido à diversificação dos conteúdos.

Para além destas razões, as agências de notícias com o seu estilo de escrita rápido, curto e directo originaram, inclusive, uma reinvenção ao nível da escrita. Nessa altura, um jornalismo de estilo retórico e de certo modo literário foi posto de lado, em parte devido ao contributo das agências para um estilo mais leve, claro e de fácil compreensão.

Para perceber a extensão e a importância que as agências detinham neste período, em 1978, a Agência United Press Internacional (UPI) tinha cerca de 7078 assinantes, e a agência norte-americana Associated Press (AP) tinha um total de 8500 clientes. As agências funcionam, portanto, como uma primeira campainha de alarme para as redacções, cuja acção é determinada pelo controlo dos despachos.

As agências noticiosas ou telegráficas dividiam-se em três grupos distintos:

1) Agências mundiais que cobriam em permanência todo o globo, e que tinham como função receber, enviar e difundir as principais notícias para todo o mundo;

2) Agências internacionais que cobriam um conjunto de países de um continente ou uma região remota instalando nessas áreas delegações e alguns correspondentes;

3) Agências nacionais que asseguram o noticiário de um determinado país e que habitualmente têm contratos com as agências internacionais ou mundiais, retransmitindo os seus serviços no interior do país.
1.1- Primeiras a cumprirem o papel de informar: as grandes agências mundiais
Charles-Louis Havas foi o fundador da primeira agência noticiosa que recebeu precisamente o seu nome: Agência Havas.

Charles Havas alugou num prédio velho, um espaço no bairro dos tipógrafos e dos jornais em Paris, em Agosto de 1832, no número 3 da Rua Jean-Jacques Rousseau, o Bureau de Traduction des Jornaux Étrangers, onde traduzia notícias de diversos jornais europeus, que por uma modesta quantia, vendia aos jornais parisienses.

Vivia-se em França os tempos da revolução de Julho, em 1830, e muitos dos seus amigos bonapartistas haviam ascendido, de novo, ao poder.

Apesar de a tradução de notícias não ser uma prática inovadora, a empresa de Havas rapidamente prosperou, e as suas traduções dos resumos da imprensa inglesa, alemã, espanhola e italiana chegavam a um público cada vez mais expressivo, sobretudo nas embaixadas e ministérios franceses e devido à existência de um nicho de mercado sobretudo, cada vez mais, ligado ao mundo económico.

Das várias viagens que fez, Havas foi estabelecendo contactos para a contratação dos serviços de correspondentes no estrangeiro, com vista a aumentar a sua influência e expandir o mercado noticioso da Agência.

A partir de 1935, Bureau, como era conhecida agência de Havas, ampliou a sua actividade no estrangeiro. Havas começou a traduzir notícias e correspondência oficial de França para as mais variadas línguas, que posteriormente eram publicadas nos jornais de outros países.

Surgia assim a primeira agência noticiosa do mundo e com ela, pela primeira vez, também a designação de agência para classificar uma empresa do mundo da comunicação social. A Havas passou, assim, a ser a fonte primordial de notícias dos banqueiros, empresários e políticos parisienses.

Sob a divisa “rápido e bem”, a agência diversificou os seus trabalhos, de forma a oferecer o melhor serviço possível aos interesses dos seus diferentes públicos.

O comércio de informação era exclusivo da Havas, e era fortemente apoiado pela maioria da imprensa existente que, por falta de meios económicos e técnicos, se socorria preferencialmente senão exclusivamente das notícias da agência para coordenar os seus jornais, (situação que conduziria a uma uniformização crescente do conteúdo da apresentação e da hierarquização da informação).

Balzac, um crítico directo, de Havas pela forma como este dava as notícias, reconheceu nele o papel inovador na criação da agência bem como nas tarefas produtivas que lhe estavam inerentes.

A divisão do trabalho na procura e recolha de informação, e a rapidez na transmissão das notícias eram características inseparáveis do jornalismo produzido pela agência.

A cobertura da actualidade estrangeira feita pela Agência Havas era a mais alargada possível e a transmissão era também ela mais rápida, quer através dos despachos que eram enviados, quer através dos meios de transporte disponíveis nesta altura como o telégrafo óptico, os cavalos e os pombos correio. O posicionamento dominante de informar trouxe a Havas relações privilegiadas com os poderes públicos, difundindo especialmente todas as informações oficiais do Estado.

O maior trunfo de Havas residia na peculiaridade de trabalhar exclusivamente para os jornais oferecendo-lhes com maior rapidez as notícias internacionais às quais estes (os jornais) não conseguiam aceder. A posição da agência foi também reforçada pelo facto de não existir uma concorrência directa capaz de fazer frente a Havas.

A agência Havas é também famosa por uma outra inovação, a exploração do que actualmente se designa por publicidade comercial. Foi com a agência que nasceu o interesse de explorar uma outra actividade emergente neste período os anúncios publicitários.

A Agência francesa passou então a dividir-se em dois braços de actividade: a imprensa e os anúncios (publicidade) cultivando este último sobretudo em jornais locais e estrangeiros, e que rapidamente se transformou numa fonte fundamental de receitas da agência.
1.2 - O mundo dividido por agências de notícias
Durante décadas as grandes agências informativas mundiais foram cinco. A Associated Press (AP), Reuter, Agence France Press (AFP), Tass e United Press International (UPI). Estas cinco agências eram as grandes fornecedoras da informação internacional a par com outras agências mais pequenas e de âmbito nacional.

Em 1848, aparecia a agência noticiosa norte-americana Associated Press, fundada como cooperativa por seis jornais de Nova Iorque e que partilhavam entre si os custos da recolha de informação e da aquisição de novas tecnologias.

A agência alemã Wolff surge em 1849 e a agência britânica Reuter é fundada por um alemão, em Londres, em 1852. Inicialmente, a agência distribuía telegraficamente informação económica e financeira às empresas. Reuters, um inglês de origem germânica, havia colaborado com Charles Havas em Paris tendo aprendido o modelo de negócio durante esses anos.

Criada a 25 de Julho de 1925, a Agência Telegráfica da União Soviética do Gabinete de Ministros da URSS a TASS, a primeira agência estatal de notícias da Rússia distribuía notícias nacionais e internacionais para todas as estações de televisão, rádios e jornais soviéticos e detinha o monopólio sobre a informação oficial de Estado, durante a era do poder comunista no país. A TASS manteve escritórios, jornalistas e repórteres em 110 países, com uma produção diária de notícias equivalente a 750 páginas de jornais, traduzidas em oito línguas. 4

O mundo estava assim sob o domínio de cinco agências, e de outras que surgiram pela nova posição geopolítica, como é o caso da agência alemã DPA. Através da proliferação das linhas telegráficas as agências de notícias dos países da Europa puderam ligar-se aos Estados Unidos da América, à China, à América do Sul e ao Japão.

É já na década de 70 do século XIX, que a agência Reuters, criada por Julius Reuter inaugura as suas delegações em Alexandria, (1865), Bombaim (1866), Melbourne e Sydney (1874) e na Cidade do Cabo (1876). Em 1859 três das principais agências agruparam-se. Em França a agência Havas, a agência Reuters no Reino Unido e agência Wolffs na Alemanha assinam o primeiro acordo entre agências, em 1874. As agências passaram a ter um “regime de “exploração exclusiva”, nas áreas onde se fizessem representar através das suas delegações. Portugal ficou na área de “exploração exclusiva” da agência francesa Havas.

As agências cumprem assim a missão de ir além fronteiras, ir onde um jornal não pode chegar por falta de recursos humanos. Os correspondentes são enviados pelas agências para lugares remotos de onde enviam informação concreta sobre os diferentes acontecimentos informativos. O interesse geopolítico é crescente. Se inicialmente o produto vendido aos jornais eram apenas simples textos com a evolução dos meios tecnológicos digitais, tornou possível acrescentar às notícias fotografias, sons para serem utilizados em rádios, imagens captadas em directo, ficando o serviço disponibilizado pelas agências completo com as bases de dados, serviços de infografia e informações mais especializadas.

Numa conjuntura histórica extraordinariamente expansionista no campo da comunicação e da informação as três principais agências mundiais Reuters, Havas e Wolffs abriram sedes e colocaram correspondentes nas mais importantes capitais e cidades do mundo, cada uma das agências obviamente tentando garantir para si a maior área de influência possível. A expansão do mercado da informação é marcada pela extensão e globalização das agências de notícias.

Apesar dos casos regulares de cooperação, a concorrência entre as três agências fazia-se sentir cada vez mais. Após terem percebido que a rivalidade entre as agências não era proveitosa para nenhuma decidiram procurar uma forma capaz de circunscrever os inconvenientes de um conflito.

A 15 de Julho de 1859 Paul-Julius Reuteur, Bernhard Wolff e os irmãos Charles-Guillaume e Auguste Havas, a quem a seis anos antes, o pai e fundador da agência Havas tinha entregue os destinos da agência, encontram-se em Paris. Deste encontro resultou o primeiro acordo de cooperação entre as três grandes agências. Para assegurar uma superior cobertura da actualidade internacional, a Reuters, a Havas e a Wolff, celebraram o primeiro acordo de intercâmbio mútuo de informação, determinando a concertação de preços e uniformização de lucros entre si.

As três agências projectaram os primeiros limites das respectivas áreas de influência, cada uma garantindo para si a exclusividade da exploração e distribuição do serviço noticioso nos países onde as agências estavam implementadas.

Estava dado o passo para a formação de um poderoso cartel noticioso de contratos e negociações. A zona de domínio da Havas era constituída pela Suíça, Itália, Espanha, Portugal, França e respectivas colónias. A Alemanha, a Rússia, o Império Austro-Húngaro, os Balcãs e os países escandinavos eram posse exclusiva da continental (antiga Wolff).

A Reuters ficou com a Grã-Bretanha e a Holanda, seus domínios e colónias, com a distribuição exclusiva do noticiário da NYAP e a Continental. Para além disso a Havas e a Reuters passaram a explorar juntamente o Império Otomano, a Bélgica e o Egipto.

Os outros países foram declarados territórios neutros dominando aí a concorrência aberta entre as três agências. Com uma ressalva feita aos Estados Unidos cujo exacerbado patriotismo levou o Governo britânico a pressionar a Reuters, para não interferir no mercado americano, tal como Havas e Wolff, assim o fizeram, deixando ao exclusivo da distribuição noticiosa nos Estados Unidos, à NYPA que rapidamente estendeu o seu monopólio. A NYPA estava responsável por cobrir a parte Leste dos Estados Unidos e para evitar a penetração das agências europeias nesse mercado estabeleceu, em 1875, com a Reuters, a Havas e a Continental, um acordo oficial de cooperação.

Depois da Conferência de Berlim realizada entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885 preparou-se a distribuição do continente africano pelas potências europeias, e a Reuters, Havas e a Continental compartilhavam este continente.

Mais tarde, a Havas e a Reuters ocuparam também os territórios neutros dividindo-os entre si. A primeira ficou com a América Latina, exceptuando o México, cuja exploração partilhava com a Associated Press (AP), de Illinois, que desde de 1893 passou a dominar o Canadá, antigo domínio da agência britânica, a América Central e as Antilhas. A segunda consolidou as suas posições no Médio Oriente, no sul da Ásia, e com excepção da Indochina, então colónia francesa, monopolizou todo o Extremo Oriente.



A agência britânica, Reuters abrangia a maior extensão de territórios e possuía as maiores redes, tanto de escritórios e agências, como de correspondentes e colaboradores.


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