Universidade da Beira Interior



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Tabela 1 – Principais Agências Mundiais


Agências

Datas

Países

Estatuto

Orçamento anual

Clientes

Volume diário de palavras

Pessoal

AP

1848

EUA

Cooperativa de jornais

100 Milhões de dólares

10.000 em 107 países

3 milhões

2500 Pessoas

UPI

1907

EUA

Empresa comercial dependente de grupos de jornais

70 milhões de dólares

6740 em 96 países

6 milhões

2000 Jornalistas

Reuter

1851

Inglaterra

Cooperativa de editores de jornais

20 Milhões de libras

6500 em 155 países

1,5 milhões

500 Jornalistas; e 800 informadores

France- press

1834

França

Empresa publica

210 Milhões de FF

1365 em 142 países

0,5 milhões

954 Jornalistas

TASS

1894

URSS

Estado




10.000 na URSS e 300 em 88 países

2,5 milhões

2000 Jornalistas

ANOP

1975

Portugal

Empresa publica

128 Mil contos

130

50 mil

210 pessoas

1.3 - As novas tecnologias alteram o curso da História


Numa altura em que a comunicação se processava ainda ao ritmo dos cavalos, e a informação era preferencialmente comunicada por mensageiros, correspondentes e pombos-correios recorria-se ao telégrafo óptico somente nos casos mais urgentes.

O telégrafo óptico ou aéreo, para além de ser muito caro, era também muito lento. Só operava em dias de bom tempo e durante algumas horas de luz natural, sendo por isso pouco usado pelos órgãos de comunicação. O projecto de Chappe (telégrafo óptico) acabou por cair em desuso na década de 30, sensivelmente na mesma altura, em que Samuel F.B. Morse demonstrou ser possível transmitir sinais através de impulsos eléctricos. Pouco tempo depois surgia o telégrafo eléctrico, financeiramente suportado pelos governos de vários países depressa se alargou aos Estados Unidos e, posteriormente à Europa.

Em 1939 entrava em funcionamento a primeira linha telegráfica entre as estações ferroviárias de Paddington e West Drayton na Grã-bretanha. Cinco anos depois, a 6 de Agosto de 1844, apareciam na imprensa britânica as primeiras notícias recebidas por telégrafo. Em Portugal a primeira rede telegráfica foi inaugurada a 16 de Setembro de 1856.

O brusco desenvolvimento do telégrafo eléctrico, bem como das infra-estruturas necessárias para ao seu uso, como os cabos submarinos, aliado ao progresso dos caminhos-de-ferro, potencializaram a manifestação de novas agências, nos Estados Unidos e na Europa, e a redefinição do cenário mundial da comunicação e da informação.

Ainda assim a partilha do mundo por zonas de influência e acção fortaleceu todo o cartel, fazendo-o evoluir de uma situação inicial de pura aliança e de aparente neutralização. As inovações técnicas no campo das telecomunicações, como o telefone de Bell, a telegrafia sem fios de Marconi, o telescritor de Baudot, e o advento do telex, potencializaram a aparição de novas agências e por conseguinte de novas formas de concorrência. Estava dado o passo decisivo na rapidez e na actualização dos acontecimentos informativos, avanço esse que iria revolucionar uma nova era do jornalismo, constituindo um fenómeno à escala global, cada vez mais ligado à actualidade e aos seus intervenientes. Por esta altura, tornou-se quase que uma obsessão dos jornalistas fornecer conteúdos actuais, numa contenda travada entre o tempo e a exclusividade.

Na primeira metade do século XIX, segundo Rantaten, “as agências de notícias seriam as primeiras empresas jornalísticas electrónicas a difundir a nível global. Apesar da comercialização de notícias ter tido lugar simultaneamente em diversos países, os investigadores negligenciaram o papel das agências noticiosas, no processo de transformação das notícias numa comodidade global que era comprada e vendida em escala massiva”. 5

Paralelamente às agências, de carácter “generalista”, aparecem outro tipo de agências que transmitem e difundem informações especializadas e complementares através de imagens televisivas ou registos fotográficos. Nesta vertente especializaram-se empresas como a Magunm, a Gamma ou a Sygma, que transmitiam fotografias de grande qualidade e que se impuseram em todo o mundo.
1.4 - O caso Português

1.4.1 - As agências do Estado Novo: A Lusitânia e ANI


Várias décadas passaram após o surgimento mundial da primeira agência noticiosa, até que em Portugal se materializou a mais-valia que representava ter uma estrutura deste género a operar em território nacional. Fazia falta um agência dirigida e pertencente a portugueses e que desse uma relevância maior às notícias relacionadas, directa ou indirectamente com o País.

As mudanças introduzidas no jornalismo mundial entre os anos 30 e 50 tiveram menos impacto em Portugal. A ditadura manipulativa do Estado Novo acorrentou o país a um «jornalismo descritivo e declaratório, censurado e por vezes folclórico e festivaleiro».

Em 1944, será a agência Lusitânia a pôr termo a um hiato de 109 anos, uma lacuna que pode ser explicada principalmente por três factores: primeiro o atraso económico que Portugal enfrentava desde o século XIX, reflexo da dificuldade em absorver as novas tecnologias e os avanços produzidos por uma Europa globalmente mais avançada.

Em segundo lugar, este atraso reflectia também a carência de um verdadeiro mercado noticioso no país e por conseguinte de «um fenómeno de imprensa de massas».

Por último e talvez mais essencial, o facto de Portugal estar subjugado politicamente desde 1926, a uma ditadura que através da censura, e da falta de liberdade de imprensa, duas das suas principais armas, comandava os destinos do país.

Com efeito o regime afirmava-se dia após dia um poder de quase duas décadas, sendo figura incontornável António de Oliveira Salazar, convidado para ministro das Finanças após o golpe revolucionário de 28 de Maio de 1926, e que viria assumir o cargo de Presidente do Conselho (referente ao que actualmente corresponde ao cargo de primeiro-ministro) dando início ao período do Estado Novo.

1.4.2- O sonho de Lupi
A pressão exercida sobre o Governo para que este estabelecesse uma agência noticiosa, tal como já vinha acontecer em todo o mundo, vinha a ser praticada há já algum tempo.

É num contexto de receio e desconfiança que Luís Caldeira Lupi, jornalista e correspondente da Reuters e da AP em Portugal, e simpatizante do regime de Salazar, se propões fundar uma agência. Este jornalista há muito que perspectivava a formação de uma agência noticiosa nacional que servisse exclusivamente o País e os portugueses, e que fosse um elo singular de ligação com as províncias ultramarinas.

Neste projecto, Lupi formalizou e unificou pela primeira vez a sua ideia atribuindo mesmo um nome ao seu projecto de Agência Lusa e alterando-o mais tarde para Lusitânia.

Desde cedo que este projecto mereceu o apoio declarado de jornais como do Diário de Notícias, Diário de Lisboa e O Século, mas não conseguindo evitar porém que fosse numa primeira fase rejeitado, mas para logo em seguida ser aprovado.

O País enfrentava novas dificuldades que afectavam o seu funcionamento em geral, e o jornalismo de agência em particular.

Iniciada a Segunda Guerra Mundial (1939), Salazar declara solenemente a imparcialidade de Portugal.

A censura foi reforçada e a sua acção duplicada. Se os despachos vindos das agências, italiana, francesa e alemã não eram submetidos à censura prévia portuguesa, o mesmo não acontecia com os despachos das Reuters e da AP. Os despachos das agências britânica e americana eram detidos pela censura, demorando demasiado tempo a serem difundidos.
1.4.3 - Entre informar e o fazer propaganda
Nascida de uma relação dúbia com o poder, a Lusitânia trabalhava como uma secção da Sociedade de propaganda de Portugal, organismo que tinha como missão especial o intercâmbio de notícias com as colónias portuguesas, fomentando a ligação nacional.

Sem um estatuto jurídico assente, a actividade da primeira agência de informação portuguesa foi desde logo estigmatizada a partir da sua formação inicial e sê-lo-ia para sempre, devido a uma constante e paradoxal, harmonia entre a informação e a propaganda. A oscilação entre a linha informativa e a linha propagandística fez-se também notar no próprio livro de estilo da Lusitânia (uma adaptação do livro de estilo então em vigor, da Associted Press), o primeiro da imprensa portuguesa, produzido pelo próprio Luís Lupi na qualidade de administrador-delegado.

A agência garante um «serviço noticioso que seja absolutamente objectivo e factual e livre de desmentidos». Também se reafirma que essa mesma objectividade termina onde começam as notícias incómodas: «devem ser evitadas, noticias que possam merecer controvérsia, provocar confusão no espírito dos leitores». A Lusitânia demonstrou desde sempre algumas dificuldades em gerir esta contradição entre a exigência de imparcialidade e objectividade no trabalho jornalístico e o empenho requerido pela «missão nacional assumida». Situação que se manteve, tal como a dependência da empresa relativamente ao regime, durou até à dissolução da agência.

Inicialmente o equipamento de transcrição de notícias da Lusitânia era bastante rudimentar sobretudo quando comparado com a tecnologia disponível em 1944 e com as suas homólogas estrangeiras.

Enquanto as agências europeias se socorriam e dotavam as suas redacções de todos os meios técnicos de telecomunicações mais evoluídos e rápidos como o telex, o telefone e a rádio, para transcreverem e difundirem as suas notícias, na Lusitânia sucedia exactamente o contrário. Como a Agência não tinha meios próprios de difusão de informação, valia-se unicamente dos serviços da Companhia Marconi, alugando as suas linhas telegráficas.

Do mesmo modo, nos primeiros anos de acção as notícias da agência portuguesa eram ainda passadas a Stencil e os meios utilizados na sua emissão eram demasiados morosos e dispendiosos. Assim, o noticiário destinado aos subscritores de Lisboa era distribuído de bicicleta por quatro ou cinco estafetas afectos à empresa, e os serviços nas colónias (campo de acção excepcional da agência) e no Funchal eram garantidos pelos pactos e contratos celebrados com a Marconi, a Transportadora Área Portuguesa (TAP), a Marinha Mercante, a Marinha de Guerra e o Grémio da Imprensa Diária.

A velocidade das linhas telegráficas alugadas à Marconi pela Lusitânia, às colónias ultramarinas variava de acordo com a sua localização geográfica, sendo que apenas havia duas velocidades: a lenta e a muito reduzida. Assim, quando era necessário, senão mesmo inevitável, reproduzir na totalidade um dos discursos emitidos por membros do governo ou pelo próprio Salazar, o limite de palavras era claramente insuficiente continuando a transmissão do restante boletim nos restantes dias a seguir.

De todos os acordos e contratos que a agência estabeleceu, este contrato da Marconi, bem como o contrato de intercâmbio de notícias estabelecido com a AP, a Reuters e a AFP, pareciam ser os únicos a trazer vantagens à agência portuguesa.


1.4.4 - Agência de Notícias e Informação – ANI
Entre o aparecimento da primeira agência de informação mundial e a criação da primeira agência portuguesa verificou-se um hiato de mais de um século. Contudo, foram apenas precisos três anos desde a princípio da Lusitânia para que surgisse uma segunda agência de informação em Portugal.

No final do ano de 1947, três jornalistas, Dutra Faria, antigo colaborador da Lusitânia, Barradas de Oliveira e Marques Gastão lançaram os alicerces para a nova Agência de Notícias e Informação (ANI). A ANI foi constituída como Sociedade de Responsabilidade Limitada, pouco depois, em 27 de Janeiro de 1948, data da escritura pública.

A recente agência beneficiou de uma doação do estado, no valor de 3.600.000 escudos (cerca de 18.000 mil euros) anuais que lhe possibilitou celebrar um acordo com a UPI (United Press Internacional) para a distribuição do serviço internacional desta agência, por ser menos hostil a Portugal do que o da AP (Associated Press).

Adquirido o licenciamento para a distribuição do serviço internacional da UPI, a ANI estava então em condições de criar, em 1955, a sua rede telegráfica para a difusão do serviço noticioso à imprensa portuguesa.

A nova agência estabeleceu e escolheu desde sempre a cooperação com as entidades governamentais como uma medida de gestão, à imagem da tradição instalada pelas agências europeias.

A ANI apostou principalmente no noticiário internacional e tal como a Lusitânia no das colónias avançando numa clara contenda concorrencial pelo controlo da informação do Ultramar, ate então domínio desta última.

Mas cedo a Agência Nacional de Informação, tal como a Lusitânia sentiu a ineficácia dos meios técnicos e recursos humanos, o que levou a uma certa desestabilização interna e por conseguinte a uma qualidade duvidosa dos serviços informativos.

Por esta altura, a ANI tinha já celebrado acordos com quatro agências estrangeiras: a Deutsche Press Agentur (DPA); a Agenzia Nazionale Stampa Associata (ANSA), a Arab News Agency (do Cairo) e a Irish News Agency (INA).

Fornecia uma média diária de 2.300 palavras para os jornais e rádios nacionais, sendo que 50 por cento desse valor correspondia a notícias recebidas das Colónias, e despachava uma média de 3.000 palavras por dia para os territórios Ultramarinos e para outros países estrangeiros.

Por sua vez a Lusitânia produzia então uma média diária de 1.300 palavras para os jornais e emissoras nacionais, mas despachava cerca de 4.000 palavras por dia para o Ultramar.

As duas agências portuguesas pareciam ser bastante idênticas em todas as áreas, não só em termos de direcção jornalística e de recursos os quais eram limitados, como também nos serviços prestados. No entanto distanciavam-se pelo tipo de relação estabelecida com o regime: enquanto a Lusitânia vivia à sombra do poder do qual dependia ideológica e financeiramente, a ANI por sua vez tinha para com o regime uma única relação contratual.
1.4.5 - A estagnação da Lusitânia e a influência da ANI
A Guerra Colonial fomentou um acréscimo do noticiário das agências resultante das províncias ultramarinas e naturalmente uma valorização do trabalho das agências noticiosas.

O próprio Salazar parece ter compreendido a importância das agências. Mas para a Lusitânia a situação complica-se pela sua relação e objectivos para com o regime, pois estando sempre associada a este, perde credibilidade junto dos órgãos de comunicação social, e em particular junto das Colónias Ultramarinas. Esta perda de credibilidade concretizou-se também na perda de contratos e clientes, favorecendo a ANI, que era conhecida como sendo «mais liberal», e gozava de melhor reputação junto da maioria dos media.

Valendo-se dessa estagnação a ANI ampliou substancialmente o seu volume de produção de notícias tanto nacionais como as destinadas aos media das Colónias, como as recolhidas nas províncias ultramarinas, e distribuídas em Portugal, adquirindo notoriedade num mercado até esta altura exclusivo da Lusitânia.

Tal consideração possibilitou à ANI celebrar novos contratos com outras agências estrangeiras, passando a dispor dos serviços especiais da agência espanhola EFE e de todas as agências associadas na Aliança Europeia das Agências de Notícias (AENA), onde a ANI, também estava integrada. Celebra igualmente contratos com a agência católica, Agenzia Internazionale FIDES, do Vaticano, e um acordo bilateral de colaboração e intercâmbio de notícias com a agência internacional americana, United Press International (UPI), acabando a ANI a divulgar internacionalmente o seu serviço noticioso por intermédio da forte aliada americana.

A agência contratou ainda a tempo parcial, correspondentes na Guiné-portuguesa, México, Estados Unidos e Canadá. A colaboração das agências estrangeiras e da agência internacional UPI aumentou, exponencialmente, a superioridade sobre a Lusitânia que defrontava nova crise financeira.

Logo que possível a ANI apostou no Telex para actualizar a sua redacção instalando-o também nas redacções dos jornais, e passando a estar directamente ligada a eles. Graças aos novos adventos técnicos e ao espírito empreendedor da equipa redactorial, a agência aumentou expressivamente a produção de informação passando a processar cerca de um milhão de palavras por mês.

Para além do aumento da produção noticiosa, o telex tornou também possível a abertura das primeiras delegações no estrangeiro: Rio de Janeiro (Brasil), Luanda (Angola) e em Lourenço Marques (Moçambique).

O atraso da Lusitânia era tão óbvio que o 25 de Abril a surpreenderia em plena reconversão para o Telex. A Lusitânia não estava capaz de defrontar a concorrência evidente da ANI e arruinou-se progressivamente.

1.4.6 - A relação da imprensa com a ANI e a Lusitânia
O tempo que intercede entre o final da década de 40 e a queda do regime do Estado Novo em 1974 corresponde similarmente ao tempo de vida da Lusitânia e da ANI.

Ao nível da imprensa cedo se começou a perceber que as informações distribuídas tanto pela Lusitânia como pela ANI vinham nitidamente coladas aos princípios defendidos pelo regime, gerando por isso grande desconfiança no seio das redacções.


«Não se tratava apenas de repor a Democracia, mas essencialmente de cortar com o passado e virar uma página da história portuguesa».
A década de 70 ficou marcada em Portugal pela Revolução de 25 de Abril conhecida como a revolução dos cravos. O período de indefinição vivido pelas duas agências noticiosas portuguesas, antes da Revolução dos Cravos manteve-se depois do 25 de Abril.

Tanto a Lusitânia como a ANI insistiram em acreditar na sua integração numa «grande agência nacional» mas ambas tiveram porém o mesmo desfecho. A agência Lusitânia é encerrada por despacho ministerial, em 19 de Novembro de 1974. (Publicação no “Diário do Governo”, II Série, n.º 275, de 26 de Novembro de 1974).

No dia 25 de Abril de 1974 as instalações da Lusitânia foram tomadas de assalto pelos militares. A intervenção militar na agência levou os seus trabalhadores a aclamarem desde logo a sua adesão ao programa do Movimento das Forças Armadas (MFA) e a transformarem significativamente o serviço informativo moldando-o aos princípios do MFA, passando de voz do regime salazarista, a voz do MFA.

O novo Governo mostrou-se novamente interessado pela questão das agências noticiosas, accionando vários encontros com os representas das mesmas com vista a activar a sua fusão numa única agência de notícias portuguesa.

No dia 10 de Outubro de 1974 foi proclamada a nacionalização das agências anunciada e decorriam negociações entre o Governo, e as agências ANI e Lusitânia, para a aquisição do património das duas empresas. No caso da ANI o processo avançou com grande velocidade. Incapazes face ao ultimato feito pelo Governo, ou a agência era nacionalizada ou o Governo anulava o contrato de prestação de serviços que mantinha com a Agência Nacional de Informação e que possibilitava que resistisse. Os seus proprietários Dutra Faria e Barradas de Oliveira cederam, e a agência foi comprada pelo Estado com o compromisso de os trabalhadores da ANI não serem despedidos mas sim reincorporados na agência a criar.

No entanto a situação da Lusitânia agravou-se e a agência foi dissolvida e os seus empregados despedidos.

Se ANI pareceu ter mais sorte sendo nacionalizada, pouco depois conheceu o mesmo destino da Lusitânia. No dia 19 de Novembro de 1974, o Governo ordenou a dissolução total das actividades da agência, porque afinal o Executivo não previa incluir a ANI na estrutura da nova agência noticiosa, que estava a materializar.

Porém entre a cessação formal e a dissolução de facto da ANI passou cerca de um ano e o Governo usufruiu desse período para criar uma nova agência nacional: a Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP).

Com a emergência da recente agência, a existência da ANI não fazia mais sentido tendo sido decretada a cessação de total das actividades a 24 de Setembro de 1975, e a sua actividade transferida para a nova agência, ANOP.
1.4.7 - A ANOP

Só na década de 80 as agências noticiosas portuguesas iniciaram a primeira fase de informatização das respectivas redacções.

No verão de 1975, o Quarto Governo provisório, chefiado por Vasco Gonçalves encontrou finalmente a resolução para a questão das agências noticiosas. Tinha executado o tão aguardado corte com o passado a «ultrapassada Lusitânia» e a ANI, ambas presas ao regime deposto, e dado um importante passo no sentido daquilo que considerava ser a «consolidação da democracia», criando uma nova estrutura: a Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP). A ANOP foi fundada a 1 de Julho de 1975 sob a forma de empresa pública de propriedade e controlo estatais.

Criada e financiada pelo Estado, a ANOP dava inicio à sua actividade, herdando os equipamentos das suas antecessoras ANI e Lusitânia. Nos primeiros anos de actividade a ANOP produzia entre os meios técnicos obsoletos das antigas agências, e a miragem das novas tecnologias.

Com efeito para a emissão dos serviços noticiosos, só em 1980 seriam instalados na sua redacção de Lisboa terminais de multiplexagem, equipamento que permitia o desdobramento das linhas telefónicas por múltiplos canais, para os serviços de telegrafia e telefoto e captação em simultâneo. A herança recebida pela ANOP das anteriores agências não foi apenas constituída pela insuficiência dos equipamentos, mas integrou também os trabalhadores dos quadros daquelas duas agências entretanto extintas.

É assim que a ANOP inicia a sua actividade com 69 trabalhadores. Desde então os recursos humanos da ANOP continuaram a crescer notavelmente, e em 1982 a agência tinha já 261 pessoas ao seu serviço.

A ANOP foi conquistando uma forte posição no mercado de informação nacional constituindo-se velozmente como a principal fonte de notícias dos media nacionais em particular da imprensa, criando, junto desta, uma espécie de monopólio informativo. Sustentada pela «insuficiência de muitas redacções de jornais e seu fraco poder de de investigação, a posição monopolista alcançada pela ANOP conduziu a “um excessivo peso do noticiário de agência na imprensa portuguesa”. 7

A verdade é que a crescente dependência dos jornais do serviço informativo da ANOP fazia da agência um forte definidor de agenda dos media, cabendo-lhe a missão de determinar quais os acontecimentos que se tornavam, ou não, notícia e previsivelmente também da agenda «pública». Assim o domínio e controlo da informação podiam ser realizados com um máximo de eficácia e um mínimo de custos, através precisamente» do domínio do controlo da ANOP.

Em 1980 e para além da instabilidade política, Portugal cruzava também grandes dificuldades económico-financeiras.

A agência dependia quase exclusivamente dos dinheiros públicos e começa então a evidenciar os primeiros sinais de fragilidade financeira., aumentando substancialmente as suas despesas, as suas dívidas e a dependência dos subsídios estatais.

A 19 de Agosto foi aprovado em Conselho de Ministros o Decreto-Lei de extinção da ANOP, logo depois enviado para promulgação ao presidente da república. Ironicamente o veto do presidente da república, Ramalho Eanes quanto à dissolução da agência noticiosa portuguesa, coincidiu com início da actividade da nova agência Notícias de Portugal (NP).

Essa conjuntura só veio gerar uma situação de coexistência forçada e indefinida entre as duas agências.


1.4.8 - Entre a Notícias de Portugal e coexistência formal de duas agências em Portugal
Nascida da intenção do Governo de Pinto Balsemão de substituir a sobredimensionada e financeiramente inexequível ANOP e tendo como principal entusiasta e dinamizador o secretário de Estado da Comunicação Social, José Alfaia, a Notícias de Portugal (NP) foi criada.

Para tal, foi estabelecida a sua comissão instaladora e determinado e publicado o seu perfil estatutário, em Diário da República de 21 de Setembro de 1982. Mas só a 2 de Novembro, do mesmo ano, a Notícias de Portugal entrou em funcionamento.

Um ano após ter iniciado a sua actividade a agência tinha ao seu serviço 52 jornalistas, e produzia uma média diária de 50.000 palavras. Os seus serviços informativos eram transmitidos a mais de 90 por cento dos órgãos de comunicação social nacionais, e estava no início da primeira fase de informatização da sua redacção. Além disso, a NP tinha alargado substancialmente a sua rede de colaboradores, contando nesta altura, com 126 distribuídos pelo país e 23 no estrangeiro.

A Notícias de Portugal promovida pelo Governo iniciou actividade em 2 de Novembro de 1982. Nesse mesmo dia, o presidente da república, o general Ramalho Eanes vetou a extinção da Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP) proposta igualmente pelo Executivo. Passaram então a coexistir de forma indefinida e forçada duas agências de notícias, uma pública a ANOP, e outra privada a NP. Ambas apoiadas por dinheiros públicos, através dos contratos de prestação de serviços estabelecidos com o Estado, as agências não deixavam esconder a oposição das vontades políticas.

A ANOP tentava sobreviver enfrentando graves constrangimentos financeiros provocados sobretudo pelos cortes sucessivos das verbas disponibilizadas pelo Estado. Para além disso deparava-se também com o esvaziamento progressivo de jornalistas e de fontes informativas.

Por sua vez a NP apoiava-se apenas dos acordos celebrados com as agências internacionais UPI, AP e Reuters. Ainda assim as duas agências lançaram-se desde logo numa concorrência directa para quem conseguisse produzir o maior número de notícias. A ANOP revelou ser a mais forte.

Não obstante os percalços financeiros e a consequente instabilidade social e política, os anos de 1984 e 1985 foram de extrema importância estratégica para as duas agências, sobretudo nos aspectos relativos à prestação e à rapidez na transmissão de serviços informativos.

Neste período e com um atraso brutal, quando comparadas com as suas congéneres estrangeiras, as duas agências finalizaram enfim a informatização dos seus sistemas de produção. A ANOP foi a primeira a consegui-lo, em 1984 e mais tarde seria a vez da NP inaugurar o sistema informatizado.

Por considerar a coexistência das duas agências uma solução inválida e demasiado dispendiosa, o Executivo de Cavaco Silva retomou imediatamente as negociações com as direcções da ANOP e da NP, e procurou estabelecer entre ambas um acordo para a viabilização de uma única agência nacional.

Apesar das adversidades, as negociações prosseguiram e em 30 de Julho de 1986 o Governo, a ANOP e a NP chegam enfim a um acordo. Foi então assinado um protocolo onde ficou firmada a extinção da ANOP e alterada a estrutura jurídica da NP. A partir daqui seria criada uma nova e única agência revestindo a estrutura de Cooperativa de Utilidade Pública, de Responsabilidade Limitada, agrupando o Estado e aberta aos utentes dos serviços informativos da agência, cabendo a cada parte 50 por cento do capital social.

Assim em 28 de Novembro de 1986, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, a resolução que formalizava a criação da nova cooperativa de responsabilidade limitada designada por Agência Lusa de Informação, e definia os moldes da sua constituição.

A nova agência estaria incumbida de prestar serviços informativos através da recolha de material noticioso e de interesse informativo, seu tratamento para difusão e divulgação mediante remuneração livremente convencionada.

Para assegurar a efectiva concretização deste objectivo e garantir a realização de um serviço público de interesse nacional, «o Estado celebrará contratos-promessa, plurianuais com a cooperativa de interesse público, que por sua vez deveria, «assegurar a cobertura nacional e regional do país, em particular das regiões autónomas, bem como dos acontecimentos relacionados com a Comunidade Económica Europeia (CEE), com os países de língua oficial portuguesa e outros espaços de interesse relevante para Portugal, nomeadamente os de forte concentração de comunidades portuguesas.» 8
1.4.9 - A Lusa: o passo para a estabilização e rápido crescimento
A 1 de Janeiro de 1987, mais de quatro anos depois de falhada a primeira tentativa de extinção da ANOP e da criação da NP, Portugal volta a ter uma agência noticiosa nacional.

A Agência Lusa de Informação, fundada pelo Estado e pela NP – Notícias de Portugal, inicia o seu serviço noticioso distribuindo a todos os seus clientes o seguinte comunicado: «Na sequência do processo de formação da Agência Lusa – Agência Lusa de Informação, CIPRL (Cooperativa de Interesse Público de Responsabilidade Limitada) – as agências ANOP e NP cessaram, a partir das 24h00 de ontem, a difusão do seu serviço noticioso. A partir de hoje, cabe à Lusa a responsabilidade de elaborar e de distribuir um serviço noticioso nacional e internacional à rede geral de utentes da ANOP e da NP». 9 Os primeiros passos da Agência Lusa de Informação foram conturbados sem sede própria, a agência funcionava em simultâneo nas duas agências suas predecessoras. Apesar de extintas as redacções das duas agências continuaram a funcionar e com uma agenda comum. Os novos estatutos da Lusa foram aprovados e publicados em 26 de Fevereiro de 1987, em Diário da República. A Lusa passa assim a ser a única agência noticiosa a operar em Portugal. Ao herdar o património, os serviços e os trabalhadores das duas agências, a Lusa foi movida a gerir e harmonizar modelos e culturas oriundos da ANOP e da NP. Os 430 milhões de escudos (cerca de 2.150 milhões de euros) que a agência recebera do Estado após a celebração do contrato de prestação de serviço público não foram suficientes para impedir que no final do primeiro ano de funcionamento, a Agência Lusa de Informação estivesse à beira da falência técnica.

Após um ano conturbado a Agência instala-se com sede na Rua Dr. João Couto, no Lote C, na freguesia de Benfica (Lisboa), no dia 18 de Janeiro de 1989, tendo sido nomeada também uma nova equipa editorial para erguer a agência. A partir daí, a Lusa reuniu esforços para garantir a concretização dos princípios consagrados nos seus estatutos: «estabelecer a ligação, através da recolha e divulgação de material informativo, entre todos os pontos do território nacional, bem como os espaços territoriais de especial relevância para o interesse nacional (países de língua oficial portuguesa e comunidades de emigrantes residentes no estrangeiro); e “privilegiar a diversificação dos seus utentes, nomeadamente através da criação de especiais condições na prestação de serviços aos órgãos de comunicação social”.

Assim, a Lusa institui delegações no Porto, Coimbra, Faro, Évora, Ponta Delgada (Açores) e Funchal (Madeira), e correspondentes em todas as capitais de distrito.

Para assegurar a sua representação em África, sobretudo nos países de expressão portuguesa estabeleceu delegações em Maputo (Moçambique), Luanda (Angola), Bissau (Guiné-Bissau), Cidade da Praia (Cabo Verde) e um correspondente em São Tomé e Príncipe. A Lusa fez-se representar igualmente na África do Norte através de uma delegação na capital marroquina de Rabat, na Ásia, em Macau e em Pequim, onde o serviço noticioso era produzido em português, chinês e inglês.

Na Europa a Lusa cria uma delegação em Bruxelas para cobrir informativamente a actividade da Comunidade Económica Europeia (CEE e actual EU), e instala correspondentes nas principais capitais. Também para assegurar a sua representação internacional, a Lusa assegurou a colaboração permanente em Washington, Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires, Joanesburgo, Sydney e Telavive.

Neste quadro, a agência passou a dispor de uma rede com mais de centena e meia de jornalistas, incluindo correspondentes nacionais e internacionais mais os jornalistas que trabalhavam diariamente na redacção principal em Lisboa, numa produção noticiosa média de 80.000 palavras por dia.

Estava assim assegurado o serviço informativo 24 horas que durante todo o ano era difundido para quase todos os media nacionais.

Como complemento ao serviço noticioso escrito a Lusa, criou um serviço fotográfico nacional e internacional através da parceria com a ANP (Holanda), a APA (Áustria), a ANSA (Itália), a BELGA (Bélgica), a DPA (Alemanha), constituída a partir da Fundação da European Pressphoto Agency (EPA). Posteriormente juntaram-se mais tarde, às setes agências fundadoras da EPA, as agências PAP (Polónia), Ana (Grécia), a AFP (França) e a MTI (Hungria).

Ao fazer parte da EPA a Lusa integrava assim a maior plataforma mundial de distribuição de fotografias de actualidade e por essa via passou a dispor dos serviços fotográficos das outras agências, constituindo uma oferta rica e diversificada para os clientes do mercado português.

A Lusa criou também um Centro de Documentação para a reorganização, reclassificação e disponibilização para consulta dos seus vastos arquivos de texto e fotografia e de documentos das duas agências antecessoras.

Cerca de 50 por cento do noticiário nacional e 100 por cento do noticiário internacional publicado nos jornais diários portugueses eram em 1988, produzidos pela Lusa. 10

A agência assumia o seu compromisso enquanto agência noticiosa: ser grossista de informação. Ao recorrerem aos serviços da agência, os órgãos de comunicação nacionais tinham uma maior diversidade de conteúdos informativos, a menor preço do que lhes custaria se fossem produzidos pelos próprios meios. Reconhecido o valor informativo e a qualidade dos serviços da agência, a Lusa aposta na diversificação dos conteúdos, na expansão da rede de correspondentes nacionais e internacionais e no aumento dos clientes. Mas com o fomento de uma política de expansão, de modernização e de melhoria de qualidade do serviço, a agência não teve suporte financeiro necessário para continuar a actividade. Em dez anos de funcionamento, a Agência Lusa de Informação acumulou prejuízos na ordem dos 850 milhões de escudos (cerca de 4,250 milhões de euros), e em 1997 declarou falência técnica.

Para dar continuidade à única agência de notícias em Portugal, o Estado português decide sanear financeiramente a agência aumentando o seu capital e alterando o perfil estatuário da agência.

De Cooperativa de Interesse Público, a Lusa passou então a Sociedade Anónima de capitais maioritariamente públicos, também alterando a sua designação de Agência Lusa de Informação, para Lusa – Agência de Notícias de Portugal, S.A.
Os novos estatutos evidenciavam:

«1 – A sociedade tem por objecto a actividade de agência noticiosa, competindo-lhe assegurar uma informação factual, isenta, rigorosa e digna de confiança, prestando os seguintes serviços:

a) Recolha de material noticioso ou de interesse informativo e seu tratamento para difusão;

b) Divulgação do material recolhido, mediante remuneração livremente convencionada, para utilização de órgãos de comunicação social nacionais ou estrangeiros ou de quaisquer outros utentes individuais ou colectivos, institucionais ou empresariais, que o desejem;

c) Prestação ao Estado Português, ao abrigo de um contrato específico, plurianual, dos serviços da sua especialidade que assegurem o cumprimento das obrigações do Estado no âmbito do serviço de interesse público relativo à informação dos cidadãos;

d) Prestação de serviços de telecomunicações de valor acrescentado no âmbito do exercício das actividades referidas nas alíneas.

Pela especificidade da sua natureza, relevância na defesa dos interesses portugueses, importância nacional e pela especial incidência na estruturação, dimensionamento, desenvolvimento e estabilização da Sociedade, o contrato específico terá os seguintes parâmetros:

a) Será plurianual;

b) Assegurará condições para uma efectiva cobertura informativa nacional e regional do País, dos acontecimentos relacionados com a União Europeia, com os Países de língua oficial Portuguesa, com as Comunidades de Cidadãos Portugueses residentes em outros Países ou com outros espaços de relevante interesse para Portugal. c) Assegurará condições para o estabelecimento de uma política tarifária adequada às realidades dos órgãos de comunicação social de expansão regional e local, ou ainda outros considerados de idêntica importância». 11
1.4.10 - Princípios e Regras na Escrita de Agência
Acompanhando a estratégia de diversificação de serviços, a penetração e exploração de novas áreas do mercado de informação e pretendendo reforçar a sua condição de principal fonte de informação do país, a Direcção-geral da Lusa apresentou em 1992, o Livro de Estilo da Agência, que permanece actualmente o mesmo.

Neste momento, a sua revisão e actualização está a ser alvo de discussão interna na agência. Herdeiro da extinta ANOP, o Livro de Estilo da Lusa descreve de forma breve os princípios e regras na escrita de agência bem como um pequeno prontuário “ambos de utilização obrigatória por parte dos jornalistas de agência”. 12


«Serviço de agência

A rapidez é a primeira característica do jornalismo de agência. Mas ela não pode ser exercida com o sacrifício da precisão e da exactidão. A notícia de agência deve ser completa, isenta e rigorosa.

O serviço não é compatível com demoras, e por vezes bastam alguns segundos de atraso para se ser ‘batido’. Por isso, em agência tudo é urgente. Uma notícia pode, apenas, ser menos urgente que outra.
Clareza

A notícia de agência deve ser sempre uma unidade independente e completa, redigida de forma acabada e publicável. Não se omitem factos nem pormenores por se considerar que estes são do conhecimento do público. O que parece evidente ao jornalista não o é, necessariamente, para o utilizador da informação. Não se autorizam no lead (…) expressões como ‘segundo X…’, ‘de acordo com…’, e outras semelhantes, que atenuam a força da afirmação e podem sugerir discordância quanto ao que é reproduzido. No corpo da notícia, tais expressões podem ser utilizadas quando se deseja indicar a possibilidade de existência de algum erro na informação ou para revelar outra visão do acontecimento.


Imparcialidade

A agência não toma partido em conflitos políticos ou armados, nem em questões sociais, laborais, religiosas ou ideológicas. Não tem opiniões, simpatias ou antipatias. É rigorosamente factual. A sua única missão é informar, transmitindo aos clientes os acontecimentos de que tem conhecimento.

Compete ao jornalismo de opinião comentar as informações que tenham sido trazidas ao seu conhecimento através do noticiário da agência. Mas o jornalista de agência não emite opiniões no noticiário que produz.

As características de absoluta isenção, rigor e objectividade levam à eliminação de adjectivos no noticiário de agência. Do mesmo modo, a busca de isenção exige o maior rigor na escolha do vocabulário. Devem ser abolidas as palavras com carga política ou ideológica que em termos pejorativos ou elogiosos marquem uma posição de repúdio ou de preferência.


Rapidez da escrita
Não se trata apenas de escrever depressa para não prejudicar a hora de difusão da notícia. Trata-se de conseguir que, na leitura, se tenha a sensação de rapidez – o que se consegue usando frases e palavras breves (frases de poucas palavras, palavras de duas sílabas de preferência as de três ou quatro: ‘compra’ melhor do que ‘aquisição’, etc).

Preferir as frases que eliminem todas as palavras supérfluas: expressões como ‘por outro lado’, ‘entretanto’, ‘com efeito’, os adjectivos valorativos, todos os advérbios de modo. Adjectivos e advérbios servem, em geral, para enfraquecer a frase e dificultar a leitura.

A informação da agência, quer seja informação própria ou baseada em agências estrangeiras, tem de ser viva, incisiva, clara e rápida – o que não quer necessariamente dizer que seja breve: é da escolha do vocabulário e do tamanho das frases e das palavras que resulta a sensação de rapidez, e não da supressão sistemática de pormenores.

Outro elemento a utilizar para dar a uma ideia de actualidade à noticia – e a actualidade é característica fundamental do noticiário de agência – é escrever verbos no presente do indicativo sempre que possível. Preferir verbos de acção e movimento aos que exprimem estados. Evitar o condicional (que reduz impacto da notícia) a não ser em casos em que haja motivos sérios para marcar, intencionalmente, uma dúvida. Usar a voz activa de preferência à passiva (…).

Não esquecer que o leitor tem uma capacidade limitada de memorização. Por isso aconselham-se frases curtas, contendo uma só ideia, e com o mais importante dessa ideia no principio da frase.

É necessário rigor na escolha das palavras e no emprego de termos estrangeiros ou técnicos. Quando for indispensável a utilização de um termo estrangeiro ou técnico é fundamental dar uma imediata explicação do seu conteúdo.


Comentários

A agência pode, evidentemente, divulgar opiniões e comentários de que tenha conhecimento – mas sempre com a clara identificação de quem os emitiu. A não identificação da fonte pode aceitar-se para uma notícia segura, mas não deve servir de ‘camuflagem’ a uma tomada de posição da agência.


Neutralidade

A absoluta neutralidade que se exige do noticiário de agência acompanha os jornalistas em serviço externo: o bom repórter de agência é aquele que não se evidencia nem suscita polémicas, mas repara em tudo que o cerca; pergunta tudo (porque o leitor quer sempre saber mais); formula as suas perguntas para que estas não possam ser interpretadas como uma provocação nem revelem qualquer opinião sobre ao acontecimento.» (idem, «normas gerais».)

1.4.1.1 - Novos desafios impostos pela Internet
O panorama da comunicação social portuguesa tem vindo a sofrer profundas alterações, sendo as mais significativas como a redução do número de jornais diários e o aumento crescente de publicações especializadas. A esta mudança do mercado clássico da agência respondeu com a criação de novos serviços que melhor respondessem as actuais exigências dos meios de comunicação.

“A modernização verificada nos últimos anos na comunicação social em Portugal deixara a Lusa desactualizada relativamente às novas exigências do universo mediático nacional”. 13

Em 1993, os órgãos directivos da agência apostaram na sua reconversão tecnológica e na modernização editorial dos seus conteúdos. O antigo sistema de distribuição do serviço da agência lusa era lento e não permitia diferenciar maiúsculas e minúsculas nem certas acentuações, impossibilitava a selecção de serviços e o custo dos mesmos diferia em função da zona em que era instalado.

Pressionada pelos principais clientes, dotados já de meios de recepção e de transmissão de informação mais avançados, agência renovou primeiro os seus sistemas de distribuição de texto e fotografia.

A rede telegráfica até então usada pela Lusa foi totalmente substituída pelo satélite e pelo respectivo equipamento informático de apoio. Através do satélite a Lusa conseguir melhorar a comunicação, com maior rapidez eficácia na difusão do serviço informativo, levando a criar serviços noticiosos novos, mais específicos e destinados a um público mais alargado e diversificado.

Para além do satélite a Lusa passou igualmente a distribuir os seus novos serviços por telefone, videotexto e pager. Através da melhoria substancial na qualidade da transmissão do serviço e sua possível selecção a nível dos assinantes, o sistema por satélite trouxe grandes vantagens para os clientes ligados à comunicação social, para os clientes institucionais e para os clientes comerciais que recebem apenas os serviços que pretendem. A ligação de um novo cliente passa a pode ser feita em apenas algumas horas, contra os três a seis meses de espera de antes. O cliente da Lusa recebe num só equipamento os diversos serviços disponíveis. Será possível à Lusa, nomeadamente, criar serviços e linhas específicas de emissão mais de acordo com os interesses de alguns clientes, casos de órgãos de comunicação social de expansão local ou regional.

Também a redacção principal da Lusa foi completamente informatizada em todo os departamentos da agência. O ano de 1996 marca a ligação da Lusa à Internet com a criação do site da agência alojado no servidor sapo disponibilizando três serviços noticiosos: Comunidades, Imprensa, Regional e Rádios Locais, a preços mais acessíveis.

Já em 1999 o site da Lusa volta a sofrer novamente uma remodelação, ficando dotado de maior capacidade de disponibilização e armazenamento de informação que por sua vez permitiu uma maior diversificação de conteúdos e serviços autónomos.

Assim, para além dos quatro serviços tradicionais (Comunidades, Imprensa, Regional e Rádios Locais) o site disponibilizava novos conteúdos noticiosos: Nacional, Internacional, Economia, Desporto, África, Fotográfico, Ciência e Tecnologia, Timor-Leste, Arquivo de Texto, Comunidades, Lusaweb e Agenda.

A Lusa fundou em colaboração com outras dez agências de notícias da Europa e duas da América do Norte, a MINDS Internacional, uma rede de cooperação que visa partilhar ideias, sistemas, processos e boas práticas na área tecnológica, para além de desenvolver novos conceitos de negócio, criar mais receitas e poupar nos mercados digitais. As agências fundadoras da MINDS – acrónimo de Mobile Information and News Data Services – são a Lusa, a ANP (Holanda), a AP (EUA), a APA (Áustria), a APcom (Itália), a Belga (Bélgica), a Canadian Press (Canadá), a CTK (República Checa), a DPA (Alemanha), a Keystone e a SDA (Suíça), a NTB (Noruega) e a STT (Finlândia). Cada uma das agências paga uma taxa anual de 20 mil euros destinada a suportar os custos da estrutura.


2 – Imediatismo e actualidade jornalística na cobertura informativa

O tempo é um elemento fundamental do qual o acontecimento jornalístico retira a sua existência a actualidade: quanto mais imediato for o acontecimento, tanto melhor.

A actualidade é o factor que converte um facto em algo digno de ser notícia, e por isso desde o início da actividade jornalística se reconhece o seu valor informativo.

Para que uma informação seja considerada notícia são necessários três factores: a) que seja recente; b) que seja imediata; e c) que circule. É o mesmo que dizer, que tenha acabado de acontecer ou que tenha sido acabado de ser descoberto, para se poder dar a conhecer no menor espaço de tempo possível, e que essa informação circule entre um público amplo e massivo. São estes os grandes objectivos do jornalismo em agência.

A agência e todos os órgãos jornalísticos, bem como os jornalistas trabalham sob a pressão do tempo. Os prazos de entrega das matérias (deadlines) são curtos em agência, porque dependem da periodicidade da difusão da informação. Assim, os jornalistas e as empresas jornalísticas desenvolveram rotinas de trabalho para enfrentar o tempo, a assegurando que no final do prazo existe um produto jornalístico pronto a ser difundido. As rotinas garantem ainda que a maior parte da produção de informação se faça sem grandes sobressaltos ou complicações.

A auscultação rotineira de fontes capazes de providenciar regularmente informação credível, autorizada e relevante em detrimento de fontes menos organizadas e burocratizadas é um exemplo de uma rotina. A determinação de estruturas textuais nas notícias, como a pirâmide invertida, é outra. A essência do acontecimento jornalístico é a actualidade, ao ponto de a actividade jornalística se poder identificar a partir da selecção e da difusão dos chamados factos da actualidade.


2.1 - A periodicidade e a duração da actualidade
A actualidade é um conceito variável e fundamentalmente determinado pela periodicidade. A periodicidade está na raiz do jornalismo e determina o ritmo de trabalho em todos os meios de comunicação social. Impõe urgências e fixa prazos improrrogáveis. O jornalista trabalha sempre condicionado pelo tempo: as mensagens têm de ser actuais e interessantes para o público, até serem substituídas por outras.

“A periodicidade do meio cria o seu próprio tempo e impõe ao público um determinado ritmo de fornecimento da informação, o que equivale a uma actualidade programada. Por seu turno, o público habitua-se a este ritmo e adopta o conceito de actualidade imposto pelos meios de comunicação”. 14

A actualidade e o conceito que a determina, a periodicidade, mantêm-se sem dúvida como essências do jornalismo. São os grandes senhores em cujos domínios o espaço e o tempo se relacionam e entram em permanente conflito.

Para além da periodicidade que, em função, de cada meio de comunicação, segmenta a actualidade, ainda se podem encontrar dentro de cada meio diversos tipos de actualidade. Mais concretamente: de curta, média, ou longa duração, e permanente. Os factos não têm a mesma duração no tempo: a notícia de um acidente de tráfego, ou da morte de uma personalidade pública, a realização de um congresso médico ou de qualquer seminário dura, no máximo, dois ou três dias. Outros factos têm uma duração maior: a cobertura informativa do rali Paris-Dakar, por exemplo, costuma ocupar duas a três semanas. Alguns temas são certamente de longo alcance: caso da independência do Kosovo.

Um facto manter-se-á actual tanto mais tempo quanto mais expectativas desperte ou consequências produza. A realização de olimpíadas, por exemplo, que provoca uma enorme quantidade de informação, não limitada aos quinze dias de competições desportivas mas abarcando meses e até anos, antes e depois, envolvendo não só o aspecto desportivo mas também domínios como o económico, social, político, cultural, etc. Por último, há factos de actualidade permanente, por exemplo a fome e a seca na África negra, ou a incidência da Sida no mundo, transformam-se em temas cuja presença nos meios de comunicação não se deve infelizmente a uma ruptura da norma, mas ao enquistamento de situações dramáticas nas próprias raízes da sociedade.

Apesar da actualidade imediata continuar a ser uma das razões básicas da existência do jornalismo, ela coexiste crescentemente nos meios de comunicação com factos que mais do que relatar rupturas da normalidade e suas consequências ilustram o curso da vida quotidiana. Ou seja, os meios, em particular a imprensa escrita, dedicam-se à análise de processos e tendências sociais cuja actualidade se estende ao longo de meses, anos ou décadas.

A rapidez na difusão das informações recolhidas é característica primordial no quotidiano de qualquer agência de notícias. Para que os factos nunca deixem de ser notícia, as agências de notícias procuraram desde sempre adoptar meios técnicos que lhes garantissem maior rapidez e eficácia na distribuição dos seus serviços.
2.2 - Estrutura da notícia: o mundo em seis respostas
A estrutura da notícia directa foi concebida para transmitir a máxima informação no menor espaço de tempo possível. Ao longo do lead e do corpo respondem-se às seguintes questões: O que sucedeu? Quem são os protagonistas? Onde aconteceu? Quando aconteceu? e o Porquê de ter sucedido?

Ao contrário da notícia criativa, a notícia directa incorpora novas formas de narrativa e de linguagem.

Umas das várias dificuldades sentidas na fase inicial do estágio foi em começar a redigir uma notícia sem antes ter um esquema mental, um guião, que talvez sofresse alterações durante a redacção, e decidir quais eram os elementos mais importantes para iniciar a notícia, para que em fracção de segundos o leitor percebesse de que assunto tratava a notícia.

Para que tal não suceda há duas questões essenciais que devemos colocar a nós mesmos antes de dar início à redacção da notícia: O que quero eu dizer? E a quem?

A maioria dos acontecimentos é complexa, sobretudo na editoria de Internacional, pois produzem-se à luz de contextos muito específicos e que podem ser perspectivados das mais variadas formas. Além disso, não se pode informar o público em geral ou um sector especializado do público sobre a independência do Kosovo da mesma maneira que se descreve um acidente ferroviário para uma agência noticiosa internacional, onde a notícia ocupará poucas linhas.

Foi durante a Guerra da Secessão que se puseram à prova novas técnicas de como dar a informação em primeira-mão. A necessidade primária de recorrer ao telégrafo para se enviarem as notícias para a frente de batalha, e directamente para as respectivas sedes dos jornais, na linha da frente, impulsionou uma nova forma de se fazer jornalismo nos Estados Unidos.

A utilização da técnica da pirâmide invertida para a redacção das notícias foi a fórmula encontrada para relatar o imediato. Por um lado, o telégrafo tinha custos, razão pela qual, os correspondentes procuravam economizar palavras, por outro lado, o telégrafo estava sujeito a cortes durante o envio e a recepção da mensagem, e por isso a informação mais importante era colocada no início da notícia. Caso a ligação falhasse durante a transmissão, pelo menos a parte mais importante da notícia era enviada para a sede.

Durante algum tempo coexistiram as informações provenientes do telégrafo e as recolhidas por métodos mais tradicionais. Porém a Guerra da Secessão norte-americana iria alterar substancialmente a estrutura das notícias. Os correspondentes nos campos de batalha revolucionaram o jornalismo com uma nova forma de escrever e enviar notícias. Após cada confronto importante, os correspondentes pediam prioridade quando se dirigiam aos postos do telégrafo. Para ganhar tempo ao transmitirem as notícias não davam a sua opinião nem entravam em excessivos pormenores, mas procuravam antes de mais informar sobre os acontecimentos mais importantes.

Perante esta situação, os operadores de telégrafo criaram um método para dar prioridade em simultâneo a todos os correspondentes. O método consistiu em fazer uma fila de informadores em que cada um podia ditar um parágrafo, o mais importante da sua informação. Ao acabar o turno iniciava-se o ditado do segundo parágrafo, e assim por diante até ao final. Nascia a pirâmide invertida da notícia, método ainda hoje em vigor.

“No noticiário de agência, frase e parágrafo são quase sinónimos. Nos acontecimentos “fortes” é obrigatório o uso da técnica da pirâmide invertida: a notícia deve correr do maior ao menor grau de interesse, e a partir do final da notícia é possível cortar os parágrafos sem que o texto perca o seu sentido essencial. Em teoria se restasse apenas o lead, ele seria suficiente para “aguentar a história”. 13

O núcleo da informação é colocado no início no lead e os pormenores que complementam a notícia relatam-se a seguir, partindo dos mais importantes até aos que o são menos, dados por isso no final da notícia.

A pirâmide invertida serve para ajudar o leitor a seleccionar os dados mais importantes de cada notícia. Quando se produz um acontecimento o jornalista está perante os seguintes elementos: um facto, algo que aconteceu a alguém, num determinado lugar, num dado espaço de tempo, com certas características e devido algumas causas.

A resposta a todos estes elementos, num texto elaborado para ser difundido pelos meios de comunicação social, transforma o acontecimento em notícia.

Para dar forma jornalística a um facto que depois se transforma em notícia, o informador formula cinco questões clássicas chamadas os cinco w’s a partir da sua raíz anglo-saxónica: O quê? (What?) Quem? (Who?), Onde (Where?), Quando? (When?) e Porquê? (Why?). Uma última pergunta «Como», pode responder-se no «Quê» e «Porquê», embora por vezes tenha tratamento próprio.

A actualidade jornalística é função da resposta que o jornalista obtém a estas seis perguntas, cuja justificação é a seguinte:


  1. O quê: são os acontecimentos, as acções e ideias sobre as quais a notícia vai informar;

  2. Quem: são os protagonistas, os seus adversários e, em geral, todos os intervenientes que aparecem na notícia;

  3. Quando: situa a acção num tempo concreto, assinala o seu início, duração e termo;

  4. Onde: delimita o espaço do desenrolar dos acontecimentos;

  5. Porquê: relata ao receptor os motivos que originaram o acontecimento, os antecedentes, etc. Além disso, introduz em muitos casos elementos de valorização que ultrapassam a simples descrição dos acontecimentos;

  6. Como: descrever as circunstâncias e as modalidades de que os factos se revestiram.

A estrutura interna da notícia de agência tem dois elementos básicos, o «lead», ou núcleo central da notícia, e o corpo, que explica a notícia. O «lead» é o primeiro parágrafo da notícia e a sua parte é fundamental. Nele se devem encontrar os seus elementos mais importantes. Todos os «leads» devem obedecer a dois requisitos:

    1. Explicar a essência do acontecimento;

    2. Captar a atenção do receptor.

Deve resumir o essencial do acontecimento, respondendo às questões clássicas.

O verbo utilizado no «lead» é o elemento que dá o tom à notícia, daí o cuidado na selecção deste elemento. O jornalista deve escolher, sempre que possível, verbos fortes que transmitam vigor e impacto ao «lead», tendo ao mesmo tempo a preocupação de ser fiel ao acontecimento.

A importância do «lead» justifica o tempo e o cuidado que o jornalista despende na elaboração deste elemento essencial da notícia. É o «lead» que geralmente determina o aproveitamento, ou não, de uma notícia pelos órgãos de comunicação social. O bom «lead» realça uma notícia enquanto que um mau «lead» é capaz de destruí-la. Qualquer notícia pode ter muitos elementos mas no lead só poderá aparecer o mais importante, o restante constitui o corpo.

Muitos jornalistas consideram que um bom «lead» é aquele que resume os 5 w’s, o que resulta num verdadeiro milagre dado que na notícia de agência o «lead» apenas pode ter no máximo entre 35 a 37 palavras.

A partir do «lead», que contém o núcleo essencial da notícia, o corpo desenvolve-se com os restantes elementos do acontecimento, e deve conter dados que explicam e ampliam o primeiro parágrafo, e que ajudam a situar a notícia num determinado contexto, quando necessário.

Um caso frequente na redacção de uma notícia é ter que se reduzir o tamanho de um texto. A escassez de espaço na imprensa escrita e de tempo no audiovisual, obrigam muitas vezes a isso. Se sempre que fosse necessário cortar uma notícia ela tivesse que ser reescrita, o processo informativo nunca mais acabaria. Para solucionar este problema adoptou-se a estrutura da pirâmide invertida como sistema de produção de notícias, colocando os elementos mais importantes no início e os menos importantes no fim desta. Este método tem dois objectivos. Por um lado informar imediatamente o receptor do que é mais importante captar na notícia, ou seja sobre o núcleo fundamental da notícia, para tentando assim captar a sua atenção. Por outro lado, caso seja necessário encurtar a notícia, a pirâmide invertida facilita a supressão dos últimos parágrafos, que serão os que contêm a informação menos importante.

Tanto o «lead» como o corpo da notícia se estruturam formalmente em parágrafos. O objectivo de estruturar a notícia em parágrafos curtos é desenvolver uma ideia simples. Trata-se de uma unidade primária de composição. O parágrafo curto foi pensado para facilitar a compreensão da notícia e permitir ao jornalista acrescentar à notícia novos desenvolvimentos que se registem antes da publicação ou da emissão. Do mesmo modo, será mais fácil substituir um parágrafo por outro, ou acrescentar um novo, tornando o processo mais simples do que refazer toda a notícia.

As notícias mais divulgadas pela Agência Lusa são as simples. Uma notícia simples é a que tem apenas uma ideia básica no «lead». Numa notícia simples os factos ordenam-se segundo a sua importância em relação à ideia básica.

Segundo Melvin Mencher, da Escola de Jornalismo da Universidade da Columbia, nos Estado Unidos, a notícia simples deve ter a seguinte estrutura:


    • Lead ou primeiro parágrafo da notícia (ideia A):

    • Corpo:

- Material explicativo (elaboração da ideia A);

- Material secundário (subtemas b, c, d, e, …);

- Informação contextual (background);

- Mais elaboração da ideia A.

O «lead» dá a informação fundamental sobre a ideia A, mas não a esgota. Por isso o primeiro parágrafo do corpo, e se for caso disso o segundo e o terceiro, devem complementá-la. No entanto a informação sobre um facto costuma estar rodeada de outros factos. Estes factos constituem o material secundário que se vai ordenar ao longo do corpo da notícia.

Na elaboração das notícias os jornalistas utilizam uma tipologia, indo da notícia de características simples à de continuidade ou desenvolvimento. O acontecimento de continuidade consiste na reprodução de uma série de notícias sobre o mesmo assunto, mas distribuído ao longo de um lapso de tempo que ultrapassa o ciclo diário, como é o caso das notícias sobre zonas políticas e socialmente conturbadas, como o Médio Oriente, ou o quinto aniversário da invasão do Iraque, que na Agência Lusa implicou a preparação de um dossiê com todas as informações dos acontecimentos que tiveram lugar nesse espaço de cinco anos. Os acontecimentos são reorganizados temporal e espacialmente, e integrados numa linha de sucessão, continuidade e de explicação mútua.


3 - Estrutura interna da Agência Lusa: Empresa, Recursos Humanos, Serviços e Clientes

3.1 - Empresa

A Agência Lusa é composta por uma Sociedade Anónima com nove accionistas. O Estado detém a maioria do capital sendo o restante repartido por oito accionistas privados. Dois terços da facturação resultam do contrato de serviço de interesse público.



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