Universidade da Beira Interior



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 Representam 66% do total da produção

 Os temas de Política e Economia representam 40% da produção total

 Os temas Política e Desporto representam 55% da produção fotográfica da Agência Lusa

3.4 - Produção Informativa em 2007
No ano de 2007, a Lusa produziu mais notícias de texto e fez mais reportagens inclusivamente no estrangeiro. Igualmente, apostou mais nos serviços especiais tendo também assegurado uma cobertura exaustiva da presidência portuguesa na União Europeia (UE).

O número de conteúdos diferentes ultrapassou os 140 mil, dos quais cerca de 82 por cento são notícias de texto, o que representa mais de 300 notícias por dia, das quais em média 15 por cento são fotografias.

A produção de áudio e de vídeo representa apenas 3 % do total. O número de notícias distribuídas é superior por difusão com base na classificação temática ou seja uma notícia pode ser distribuída em diferentes suportes.

O seguinte quadro descreve a multiplicidade e a riqueza do noticiário da agência e evidencia o peso relativo das notícias, com temas ligados, à Politica e à Economia que no conjunto representam cerca de 42% da produção de texto, mas também evidencia a secção de Desporto e Sociedade, com 12% cada, e das Artes e da Justiça (6.5%).



Na fotografia predominam os temas como a Politica (35%) mas também o Desporto (25%) e as Artes, Cultura e Entretenimento (11%).

Tabela 6 – Valores em euros das principais áreas de cobertura noticiosa
Valores em euros


Vendas por Produtos

2006

(a)

2007

(b)

DIF.

(b-a)

VAR.

(b-a) / (a)

Serviço Nacional

1.798.759

1.543.375

-255.385

-14,2%

Serviço Internacional

149.114

101.863

-47.251

-31,7%

Serviço África

155.341

156.449

1.108

0,7%

Serviço Economia

156.529

177.885

21.355

13,6%

Serviço Desporto

257.065

304.084

47.018

18,3%

Serviço Fotografia

336.450

392.204

55.754

16,6%

Serviço Rádios Locais

104.857

108.995

4.138

3,9%

Serviço VIP 100

28.026

32.359

4.334

15,5%

Serviço Agenda

67.997

95.797

27.800

40,9%

Serviço Documentação

366.165

294.695

-71.470

-19,5%

Serviços Telemáticos

123.090

148.200

25.109

20,4%

Serviços Especiais

311.970

286.914

-25.055

-8,0%

Serviços Internet

108.683

115.712

7.029

6,5%

Serviço LusaWeb

382.598

513.843

131.245

34,3%

Serviço Actualidade

80.013

69.895

-10.118

-12,6%

Serviços Secundários

162.983

130.089

-32.894

-20,2%

Serviços Diversos

9.027

101.858

92.832

1028,4%

Total

4.598.668

4.574.218-

-24.450

-0,53%

A dimensão da empresa permite-lhe ser das primeiras entidades a usufruir das inovações tecnológicas, pelo que a Lusa é, dentro das organizações noticiosas portuguesas, uma das que mais rapidamente acompanha os processos históricos, como acontece, presentemente, com a introdução das tecnologias de obtenção, geração e produção de conteúdos digitais.

O ano de 2007 foi caracterizado por vários eixos de política empresarial que vieram definir o posicionamento da Agência num futuro próximo, entre os quais se destacam a assinatura de um novo contrato de prestação de serviço público para o triénio 2007-2009, e a entrada em funcionamento de um novo sistema de produção, o denominado Luna News Asset.

A assinatura de um novo contrato de prestação de serviço público para o triénio 2007-2009 define com mais rigor as obrigações da Agência para com o Estado e deste para com a Agência, clarificando a relação comercial entre ambos e garantindo valores como a estabilidade e segurança à Lusa. Actualmente, a Lusa é a maior agência noticiosa de língua portuguesa e a placa giratória de informação por excelência sobre e para os países lusófonos e as comunidades portuguesas no estrangeiro.

O contrato de prestação de serviço público consagrado a 1 de Julho de 2007 assinala uma cooperação entre o Estado e a Agência e garante os custos decorrentes da prestação dos serviços pela Lusa, responsabilizando a Agência por assegurar uma efectiva cobertura nacional, regional e local da realidade nacional, bem como dos acontecimentos relacionados com a União Europeia, com os Países de Língua Oficial Portuguesa e com as comunidades portuguesas residentes no estrangeiro, mantendo para tal, nesses locais, delegações, representações ou correspondentes.

A entrada em funcionamento de um novo sistema de produção de notícias marca também o presente da Agência Lusa. A nova plataforma informática para a gestão de conteúdos “Luna”, para além de resolver um dos problemas vindos do passado, (o antigo sistema informático não permitia catalogar as notícias em diversos sectores), posiciona a empresa no mercado constituindo um passo importante na estratégia multimédia. O novo sistema Luna News Asset tem custos de manutenção inferiores ao anterior sistema, sendo ainda de destacar o facto de a sua entrada em produção ter respeitado todos os parâmetros do projecto: calendário, requisitos funcionais e custos.

De acordo com o relatório e contas de 2007, aprovado em reunião do Conselho de Administração em 25 de Fevereiro de 2008, o resultado alcançado em 2007 pela agência foi positivo, situando-se em 764 mil euros, apesar das contingências do mercado e de ter sido um ano de mudanças estruturais, o que influiu de forma menos favorável nos custos da empresa.

A implementação do novo sistema informático, o aumento da taxa Euribor e o atraso verificado na entrada em vigor do novo contrato de serviço público com o Estado influíram de forma negativa nos custos financeiros.

Também o lançamento da externalização de alguns serviços originou um crescimento acentuado nos custos da empresa.

Apesar de todos estes factores a Lusa continuou a situar-se em 2007 no reduzido grupo de agências europeias que tiveram um bom desempenho.



Tabela 7 – Temas mais procurados pelos clientes da Agência.


Tema – 1º Nível *

2006

2007

Texto

Imagem

Texto

Imagem

Artes, Cultura e Entretenimento

8.132

2.361

9.742

4.288

Crime, Lei e Justiça

5.050

700

9.869

1.284

Acidentes e Desastres

2.260

540

3.936

1.122

Economia, Negócios e Finanças

24.851

1.413

30.263

2.685

Educação

2.072

355

2.940

545

Ambiente

1.687

342

3.319

479

Saúde

3.767

288

4.416

472

Interesse Humano

1.929

770

2.390

1.326

Trabalho

625

415

2.613

643

Estilo de Vida e Lazer

221

368

1.712

449

Política

18.310

5.382

3.2889

13.433

Religião

697

347

1.104

807

Ciência e Tecnologia

1.190

126

1.829

284

Sociedade

16.032

229

18.873

771

Desporto

21.579

6.818

18.461

9.486

Guerras e Conflitos

8.166

365

6.643

435

Outros**

13.267

472

- -

- -

Total ***

129.835

21.291

150.999

38.509

* Classificação c/ norma IPTC – Internacional Press Telecommnicatios Council

** Noticias classificadas com padrões diferentes ou valores resultantes de erros na migração de sistemas

*** Valores resultantes da classificação pelo que o numero de noticias distribuídas não corresponde ao numero de noticias produzidas

A história das agências de notícias tem sido na última década influenciada pela progressiva redução do poder aquisitivo dos mercados tradicionais – imprensa, rádios e televisões, explicada pelo decréscimo de publicações e audiências, e pela crescente globalização de serviços, a que a Internet tem vindo a exigir de todos os órgãos de comunicação, especialmente das agências de notícias.

No entanto este caminho têm-se revelado lento, dispendioso, e problemático dado o seu percurso implicar tempo, custos e riscos acrescidos quer na reorganização do modelo estrutural de produção, quer no ajustamento do modelo de negócio, a um mercado ainda por definir.

Uma das grandes apostas da agência para o futuro é a área multimédia, e nesse sentido Agência Lusa prepara-se para responder às novas necessidades impostas pela Internet e pela globalização da informação, sem nunca esquecer a dificuldade de reorganizar e estruturar uma base multimédia.

Uma parte já substancial dos conteúdos das agências de informação e no caso da Agência Lusa passa cada vez mais por jornalistas capazes de trabalhar com vários instrumentos e suportes digitais para várias plataformas. É uma inevitabilidade que fará com que os jornalistas (tanto da imprensa escrita como repórteres fotográficos) tenham de captar imagens para disponibilizar aos clientes da Internet, que é um mercado em crescimento, ou mesmo da televisão pela sua instantaneidade.

É traçado desta forma o objectivo a nível editorial de aumentar gradualmente a capacidade de liderar a informação.

Por ser um mercado novo vai contra às rotinas que têm contribuído para uma burocratização do jornalismo gerando semelhanças nos formatos e nos conteúdos das notícias.

4 - O percurso da informação: a actividade diária e seus intervenientes

Baseado em trabalho empírico – observação participante na Agência Lusa, analisei de perto o trabalho dos jornalistas. Para tal permaneci durante três meses, no período entre 14 de Fevereiro e 14 de Maio de 2008, na redacção da sede principal da Agência Lusa, em Lisboa, período que equivaleu a um estágio curricular.

Não só acompanhei de perto a produção e as rotinas dentro da agência como também contribuí em cerca de 150 artigos todos eles publicados e produzidos por mim.

Numa fase inicial deste estudo, estive integrada na editoria de Internacional onde permaneci 50 por cento do tempo de estágio e da observação. A observação foi interrompida quando realizei um pequeno curso de introdução ao serviço de agência com a duração de uma semana. A conclusão da observação culminou com a deslocação para a editoria de País.

Para além disso, desenvolvi trabalhos em conjunto com a editoria de Sociedade, onde colaborei com duas reportagens. Foi-me também dada a oportunidade de fazer uma madrugada, período correspondente ao que medeia entre as 00h00 e as 06h00.

O grosso do período de observação decorreu entre as 10h00 e as 17h30, horário de maior produtividade da Agência, prolongando-se a maior parte do tempo com o meu consentimento.

Para melhor se perceber a dinâmica da Agência segue-se uma descrição do funcionamento dos seus principais sectores, iniciando com uma descrição da Direcção de Informação da Agência Lusa.

A Direcção de Informação é composta, para além do Director de Informação, pelo Director-adjunto, e dois Chefes de Redacção.

O Director assume a posição central na gestão da Agência, definindo as estratégias, mantendo um permanente contacto com os editores de todas as editorias, e informando os mesmos de todas as decisões do Conselho de Administração. O Director conhece melhor do que ninguém quais são as reais necessidades dos clientes, as suas rotinas e sensibilidades.

No exercício das suas funções, o Director reúne diariamente pela manhã com todos os editores para definir e discutir os assuntos da agenda de cada dia, e o modo como estão a ser conduzidos pelos jornalistas. A preocupação fundamental do Director é saber o que cada editoria está a fazer naquele momento, saber qual o ponto da situação. Ele comunica todas as decisões tomadas pelo Conselho de redacção.

Os Chefes de Redacção apoiam o Director de Informação, desempenhando igualmente um papel fundamental na organização da agência, pois passam por eles todos os textos produzidos diariamente pela Lusa.

A agência tem dois tipos fundamentais de reuniões: as da Direcção com os editores, e as dos editores com os vários jornalistas da sua secção.

As reuniões entre a Direcção e os editores acontecem diariamente, e três vezes ao dia: uma por volta das 10h00 para saber o que vai ser feito em cada secção nesse dia, uma perto do meio-dia, e outra por volta das 18h00 para saber o que foi feito e ser discutido um ou outro trabalho que tenha saído na linha e que seja assunto para debater na reunião, e ainda para preparar o fio noticioso para o dia seguinte. Por vezes a Direcção pode apenas reunir com uma editoria sendo que nessas reuniões também estão presentes o editor da agenda e o editor de fotografia.

A reunião dos editores com os jornalistas acontece semanalmente, geralmente no início da semana, e serve essencialmente para saber em que ponto se encontram os trabalhos que estão a ser tratados naquele momento, para a divisão de trabalho pelos vários jornalistas que compõem a secção, e principalmente para avaliar novas propostas de trabalho que tenham surgido. A troca de informações é assim uma constante actividade na Agência Lusa.

Para manter uma actividade constante e sem quebras de produção no fio noticioso a Lusa tem três turnos. Há um editor responsável pelo turno da manhã, o período mais sossegado do dia, que começa o seu trabalho por volta das 06:00, até às 12:00.

Pela manhã, o editor e mais três jornalistas têm como missão lançar as primeiras notícias para a linha.

Como tal é obrigatório fazer a ronda e dar continuidade ao trabalho que foi feito na noite anterior pelo jornalista da noite.

O turno da noite é acompanhado pela editora e mais três jornalistas, e funciona entre as 18h00 e as 24h00. O turno da madrugada é acompanhado por dois jornalistas a partir das 24h00 até por volta das 05h00.


4.1 - A importância dos correspondentes no compromisso de informar
A editoria de Internacional é composta por dois editores adjuntos e uma equipa redactorial de seis elementos. A actividade desenvolvida na editoria de Internacional obriga a uma constante ligação ao mundo 24h sobre 24h. A informação não serve de nada se os jornalistas da Lusa não forem os primeiros a dá-la, tendo sempre em conta a concorrência das agências AFP, EFE e AP.

O serviço de Relações Internacionais da Agência Lusa cobre os grandes acontecimentos mundiais, com base nas três grandes agências: Associated Press, Efe e a Agence France-Press. São os acontecimentos internacionais urgentes que elevam a necessidade de rigor e equidistância da agência na transmissão da informação.

A manhã começa por volta das 10h00, com os dois editores adjuntos a assegura o turno das 10h00 às 17h00, juntamente com dois jornalistas. A maioria dos jornalistas só entra por volta das 11h00. Num compasso ritmado entre a revisão e a uniformização das peças e a selecção de outros assuntos que não param de chegar ao desk, os temas a tratar são divididos pelos jornalistas da redacção.

Grande parte da produção informativa da editoria de Internacional é feita através da larga rede de correspondentes espalhados pelos cincos continentes, o que permite à agência estar na linha da frente, informando em tempo real e permitindo que haja uma maior variedade de notícias ao dispor dos clientes. A partir daí o trabalho é distribuído em colaboração com os vários correspondentes e delegações.

A Lusa marca a sua presença nas seguintes áreas de cobertura jornalística:
Europa: Delegação Bruxelas (delegado e dois jornalistas); Delegação Madrid (delegado); Catalunha (correspondente à peça); Berlim (correspondente residente); Londres (colaborador à peça); Roma (colaborador à peça); Paris (correspondente à peça); Luxemburgo (colaborador à peça); Moscovo (correspondente); Estónia (colaborador à peça);

África: Delegação Angola (delegado e dois jornalistas); Delegação Moçambique (delegado e dois jornalistas), Delegação Guiné (delegado e um jornalista), Delegação Cabo-Verde (delegado e um jornalista), África do Sul (correspondente), São Tomé e Príncipe (correspondente à peça), Argélia (correspondente à peça);
Ásia: Delegação Macau (delegado) Delegação China (correspondente), Delegação Timor-Leste (delegado), Austrália (colaborador à peça);
América do Sul: Brasil (correspondente), São Paulo, Brasília (correspondente), Porto Alegre (colaborador à peça), Bahia (colaborador à peça), Venezuela (correspondente),
América do Norte: Estados unidos: Nova Iorque (correspondente e um colaborador à peça), Washington (colaborador à peça), Canadá (correspondente).
Ao «desk service» do Internacional estão constantemente a chegar novos «takes» sendo a editoria que mais trabalho tem, depois das editorias de Sociedade e País.

Na redacção a tempo inteiro, encontram-se diariamente a trabalhar seis jornalistas e dois editores adjuntos.

A actividade noticiosa produzida na redacção do Internacional assenta fundamentalmente em dois grandes suportes: a agenda interna produzida na Lusa e que é enviada para todas as editorais, e nos filtros especiais onde chegam de minuto a minuto as informações fornecidas pelas agências AFP, a AP e a EFE.

As notícias feitas pela editoria de Internacional são realizadas a partir dos «takes», que posteriormente são traduzidos maioritariamente nas línguas inglesa, espanhola e francesa, e que chegam das três agências internacionais de informação. Estas notícias correspondem a 70 por cento da produção da sessão, e 30 por cento do serviço é feito a partir de notícias de raíz, como a cobertura da actual presidência da União Europeia e a integração de Portugal na UE.

Em conjunto com a editoria de Internacional encontra-se a trabalhar em conjunto a editora de Lusofonia, havendo sempre uma permuta de informações constante entre as duas editorias, bem como uma divisão de notícias entre ambas.

Por dia são produzidas cerca de 50 notícias, sempre acompanhando o que se passa no mundo através dos vários países. O serviço de agência e rápido e por isso os «takes» salvo, algumas excepções, raramente ultrapassam mais de 1.000 palavras. Sempre que surjam novos dados relativos a uma notícia já dada, é feito um novo «take» actualizado com as informações que acabaram de sair. Nestes casos nunca se pode esquecer de fazer um background, para contextualizar a informação, relembrando os momentos mais importantes que tiveram ocorrência no passado, mas que ajudam a compreender no contexto actual, determinado fenómeno.

Tal como na editoria de Internacional, a editoria de País é uma das mais importantes e onde o número de subscritores do serviço é bastante considerável.

Na sede da Lusa trabalham a tempo inteiro na editoria de País, um editor e dois editores adjuntos, mais uma equipa de redactores composta por nove jornalistas.

Os temas tratados são gerais, e há assuntos que obrigam a colaborar em conjunto com a editoria de Sociedade.

Mas é também através da larga rede de correspondente que abrange todo o território de Portugal continental bem como as ilhas, que o serviço nacional diariamente produz 60 notícias.

Assim a Lusa tem correspondentes nas seguintes áreas:



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