Universidade da Beira Interior



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Lisboa: Setúbal (residente), Torres Vedras e Caldas da Rainha (residente), Lourinhã (colaborador à peça), Sintra (colaborador à peça), Barreiro, Alcochete e Montijo (colaborador), Lisboa (dois colaboradores à peça), Almada e Seixal (colaborador à peça), Oeiras, Amadora e Cascais (correspondente), Loures e Odivelas (colaborador à peça);
Delegações Nacionais:

Delegação Regional Norte: (director-adjunto, editor; Nacional: coordenador, e sete jornalistas; Economia (jornalista), Desporto (editor-adjunto e quatro jornalistas), Fotojornalismo (dois jornalistas); Braga (residente), Bragança (residente), Viana do Castelo (residente), Vila Real (residente), Guimarães (colaborador à peça), Amarante (correspondente), Baixo Vouga (correspondente), Vale do Sousa (correspondente);

Delegação Regional Centro: (delegado; redacção: 3 jornalistas e um colaborador, 1 fotojornalista), Leiria (coordenador), Aveiro (residente), Viseu (residente), Santarém (residente), Figueira da Foz (residente), Leiria (residente), Abrantes (colaborador à peça), Guarda (correspondente), Tondela (correspondente à peça), Oliveira do Hospital (colaborador à peça), Covilhã (correspondente), Castelo-Branco (correspondente à peça), Nazaré (correspondente à peça), Leiria (colaborador à peça de Desporto);

Delegação Évora: (delegado e dois jornalistas), Beja (correspondente), Estremoz (colaborador à peça), Sines (colaborador à peça), Portalegre (colaborador), Avis (colaborador),

Delegação Faro: delegado redacção: dois jornalistas e um fotojornalista), Portimão: (correspondente);

Delegação Funchal: delegado, redacção e dois jornalistas, Funchal (correspondente foto);

Delegação Ponta Delgada: coordenador, redacção dois jornalistas, Angra do Heroísmo (residente), Horta (correspondente).
4.2 - O fluxo contínuo de informação e constrangimentos organizacionais adjacentes
Qualquer empresa jornalística se apresenta como uma estrutura ocupada por profissionais que possuem dois bens escassos: o espaço e o tempo, dois dos constrangimentos organizacionais que mais condicionam e influenciam o processo de produção de notícias.

Nomeadamente quanto ao espaço, e no que diz respeito ao processo da escrita de textos é importante que exista um acompanhamento do trabalho que está ser desenvolvido pelo jornalista. Desenrola-se diariamente por isso uma discussão permanente entre o jornalista e o editor e sub-editore (s) em termos de dimensão dos textos a realizar.

Normalmente o jornalista pretende mais espaço do que aquele que obtém levando o editor a aceitar o que tem no momento ou pelo contrário, a cortar a informação.

Não é fácil escrever em e para agência devido à rigidez com que são escritos os «takes». Assim o «lead», parte fundamental na notícia de agência, tem de obedecer a normas como o limite máximo de 35 palavras, e obrigatoriamente conterá as perguntas “O Quê”, “Quem?” e “Quando”, o que leva ao jornalista a dispensar algum tempo para formular o «lead» perfeito.

Também o número de linhas, entre 25 a 30 que cada «take» deve ter faz com que o jornalista tenha de seleccionar cuidadosamente a informação essencial para cada notícia.

O segundo bem escasso é o tempo. Na agência não há uma hora de fecho precisa, todas as horas são horas de fecho. “O factor do inesperado no jornalismo faz parte da rotina diária de um profissional da informação, sendo sempre imprescindível em agência dar a actualidade no momento exacto em que decorrem os acontecimentos”. 15

O tempo na agência é um bem escasso e está directamente ligado com a rentabilidade da empresa, e consequentemente relacionado com questões económicas, ou seja, quanto menos tempo demorarem a ser disponibilizadas as últimas notícias mais serão os clientes a utilizar os serviços prestados pela agência.

Por todas estas razões, o tempo de escrita das peças é uma preocupação constante para os editores das várias secções. A investigação de um acontecimento pode levar dias a ser trabalhada e por isso o trabalho de adequação e distribuição das peças aos jornalistas da redacção da Lusa é uma preocupação estudada e ponderada pelos editores em conjunto com a direcção de informação.

Cada jornalista é independente no seu trabalho, mas entre a rapidez ou demora na recolha das informações no momento, na recolha do que já foi feito sobre esse acontecimento (background), e sobretudo no levantamento de todos os intervenientes implicados no acontecimento e seus contactos, entre a chegada das informações recolhidas posteriormente a ouvirem-se as fontes, pode reflectir-se no andamento das peças a produzir. O tempo de reunir as informações e os contactos nem sempre coincide com a pressa que o jornalista tem em despachar o trabalho, razão pelo qual esta actividade implica também constrangimentos.

Os jornalistas que trabalham diariamente na Redacção da Lusa entram preferencialmente em contacto com as fontes através do telefone. Por ser o meio mais rápido, e porque por vezes, devido a compromissos das fontes, não ser possível marcar uma entrevista presencial. Outro meio muito utilizado é o recurso aos emails, normalmente para as fontes que se encontram fora do país, ou quando o jornalista não conseguiu arranjar outra forma de contacto. Obviamente que sempre que há recursos humanos na agência, ou quando o trabalho exige a presença do jornalista, como sejam conferências de imprensa ou outras actividades do género, são destacados os jornalistas para os serviços que se encontram programados em agenda.

Face à imprevisibilidade, as empresas do campo jornalístico precisam de impor uma ordem no espaço e no tempo. O tempo está sempre contra, empurrando um fluxo de informações cada vez maior, mais do que às vezes podem absorver.

5- Na construção do trabalho jornalístico: da profissão às rotinas


O conceito de “rotinas profissionais” engloba uma série de actuações dos meios de comunicação que regulam e determinam o exercício profissional a partir de factores que não estão directamente ligados aos factos ou à actualidade.

As empresas jornalísticas têm assim a necessidade de impor uma ordem no espaço e no tempo.

O sociólogo inglês Philip Schlesinger (1977) descreve a empresa jornalística como uma «máquina do tempo» e Schudson (1986) caracteriza os jornalistas como sendo pessoas com uma «cronomentralidade».

Nelson Traquina (1999) fala de uma cronometralidade de profissionais inundados por cheias de acontecimentos praticamente instantâneos, vitimas das horas de fecho. “Controlado pelo relógio, dedicado ao conceito de actualidade, obcecado pela pergunta «o que há de novo? o jornalista e as empresas jornalísticas para as quais trabalham dão sobretudo importância ao objectivo de produzir notícias sobre os acontecimentos mais recentes”. (Traquina, 1999).

Michael Gurevitch e Jay G. Blumler (1982) defendem que o factor tempo pode transformar os jornalistas em “empacotadores de embrulhos noticiosos coerentes”. As rotinas começaram a fazer parte da vida quotidiana dos jornalistas, que as entendem como um factor inerente à própria essência do jornalismo. As rotinas são vistas como o preço a pagar pela urgência imposta pelo trabalho, tanto com acontecimentos previstos como, muito mais com acontecimentos imprevisíveis.

Philip Schlesinger (1977) explica que o tempo “é um instrumento usado pelos jornalistas para classificar e ordenar as notícias”.

Gaye Tuchuman diz aliás a esse propósito que os jornalistas estabelecem o que classifica como “hierarquias de credibilidade”. Um dos factores mais visíveis nessa avaliação da credibilidade é o que é estabelecido pelo tempo que cada notícia preenche em cada noticiário e o lugar que ocupa no alinhamento informativo.

Schlesinger (1977), Michael Gurevitch e Jay Blumer (1982) para além de identificarem o tempo e a pressão por ele exercida na actuação dos jornalistas como factor de constrangimento e, por isso, de influência na produção noticiosa, também o classificam como sinal de capacidade profissional.

Os jornalistas transformaram o tempo dominando o tempo através da captação de realidades em tempo real, acelerando reacções. Um acontecimento que ocorreu há várias horas, mesmo alguns dias, pode surgir nos noticiários como se estivesse de novo a acontecer.

Na luta pelo domínio do tempo os jornalistas criaram uma nova dramaturgia das notícias, como se o momento do relato informativo fosse o momento do acontecimento. “Transformados em domadores do tempo, os jornalistas ficaram reféns de um relógio em permanente contagem decrescente, ou seja, como se cada minuto fosse hora de fecho”.

No entanto, é quase sempre perante mega-acontecimentos que os jornalistas conseguem ou são obrigados a travar o tempo. Aquilo que Ingnacio Ramonet (1999) define como o mimetismo mediático. Como se se tratasse de uma doença colectiva. “é aquela febre que se apodera de repente dos media (sem distinguir suportes) e que os empurra, com a urgência mais absoluta, e precipitadamente para cobrir um acontecimento (seja ele qual for) com o pretexto de que outros media de referência dão grande importância”. (Ramonet 1999,20)

O tempo pára e impele os jornalistas na procura dos mais variados ângulos noticiosos que preenchem o espaço que o tempo suspenso proporciona. Este novo tempo do jornalismo acaba naturalmente por interferir e modelar novos conceitos de “valor-notícia, de objectividade e de profissionalismo. “Quanto mais os meios de comunicação falam de um determinado assunto, tanto mais eles se convencem colectivamente de que esse assunto é indispensável, central, capital, e que é necessário dar-lhe mais cobertura, dedicando-lhe ainda mais tempo, mais meios, mais jornalistas” (Ramonet 1999, 20).

Os jornalistas fazem por isso parte de uma cultura cronometrada na qual muita da capacidade profissional resulta do que parece ser uma espécie de habilidade especial conseguir em tempo recorde “apanhar” a notícia primeiro que os outros, redigir rapidamente o essencial para que possa ser difundido pelos meios de comunicação e que essa informação seja breve, clara e concisa.

Philip Schlesinger (1977) no ensaio sobre os jornalistas e a sua máquina do tempo, vê a notícia como uma mercadoria altamente perecível e deteriorável.

Maxwell E. McCombs e Donald L. Shaw (1972) sustentam por isso que o agenda-setting, o estabelecimento da agenda, que resulta da selecção e divulgação das notícias é um factor importante na configuração da realidade.

A permanente mudança obriga as empresas a colocar ordem no espaço e no tempo especializando jornalistas, destacando jornalista para junto de instituições, nomeadamente políticas, e criando uma rede de correspondentes. Mais ainda, precisa de criar ordem no tempo seja através de um serviço de agenda que assinala os acontecimentos marcados ou previsíveis, na colocação do maior número de jornalistas nos períodos de maior concentração noticiosa ou na definição dos tempos dos noticiários, peças jornalísticas ou na cobertura noticiosa de determinados acontecimentos.

Jorge Pedro Sousa (1991) sublinha que os limites horários fazem parte das rotinas jornalísticas que enviam o jornalismo para o patamar das actividades burocráticas. Só o jornalismo burocrático, defende o autor, pode fazer face à pressão do tempo e compatibilizar fontes e jornalistas. Este relógio gigante, que parece ter aprisionado todos os media, gera uniformidade criando a sensação nos jornalistas de que se todos fazem igual a ele, ou se faz igual a todos, então é porque assim está correcto. “Só as rotinas burocráticas podem garantir ao jornalismo burocrático fluxos constantes de matéria-prima informativa e minimamente credível”. (Sousa, 1991).

Importa assim identificar o factor tempo, quem o determina, por que o determina, perceber em que medida afecta ou não o conteúdo das notícias e perceber que influência tem no alinhamento informativo, neste caso em concreto, no alinhamento da agência.

Philip Schlesinger (1977) sustenta que a competitividade empresarial criou entre as empresas de comunicação os conceitos relacionados com a temporalidade, e que hoje estão inseridos na cultura profissional dos jornalistas. Os jornalistas são uma “tribo” que vive na vertigem de uma cultura cronometrada que tende a acabar com a consciência histórica. Neste processo, é de destacar o papel das tecnologias avançadas de comunicação na produção jornalística, e a influência dos interesses do mercado financeiro e do sistema político na velocidade da informação com fins específicos. O factor tempo classifica e define os enquadramentos das notícias, e exige por isso uma estrutura de produção baseada no imediatismo.

“Existe uma relação sistémica entre os conceitos de tempo, que compreendem grande parte dos conhecimentos profissionais dos jornalistas, e as exigências criadas pelas organizações do trabalho. (Schlesinger 1977, 189). As notícias assim veiculadas, actualizadas a cada minuto, em formas de «flashs», fragmentadas e descontextualizadas, ofuscam seu sentido social e histórico.

A socióloga norte-americana Gaye Tuchman foi uma das primeiras observadoras a chamar a atenção para o fenómeno das práticas informativas (Tuchman, 1983). Verificou que a organização redactorial impunha um ritmo de trabalho incidindo em três campos concretos: espaço, tempo, e fontes, que determinavam a agenda do meio de comunicação.

Com efeito, os meios com efeito constroem uma rede informativa espacial, segundo a qual, os factos se tornam notícias quando os jornalistas são deles testemunhas ou quando se pode informar sobre eles sem grande esforço.

A estruturação do tempo numa redacção influi na avaliação dos factos enquanto acontecimentos informativos. «Uma consequência dos horários de trabalho é haver poucos repórteres disponíveis para cobrir acontecimentos antes das dez horas da manhã e depois das sete horas da tarde nos dias de semana», diz Tuchman. Tal acontece também na agência. Apesar de o acompanhamento e produção de informação ser contínuo, a agência só conhece o seu pico de produção entre as 10h00 e as 17h00.

Na agência todos os factos são importantes, quer ocorram durante a noite ou durante o dia, mas na verdade um acontecimento que suceda à noite tem mais probabilidade de ser explorado e ser incluído na agenda do dia a seguir, que outro que se verifica durante o dia.

Por vezes acontece paradoxalmente não ser o jornalista a adaptar o seu ritmo de trabalho à ocorrência dos factos mas alguns factos a colarem-se ao horário do jornalista. Nas entidades públicas também se tem em conta o horário dos média, as conferências de imprensa produzem-se em momentos especialmente adequados para os repórteres da imprensa, rádio e/ou televisão. Este comportamento é especialmente verificável no caso de grupos ou instituições políticas.

Em Portugal por exemplo, os partidos políticos já tentam não convocar conferências de imprensa para o final da tarde, mas sim para o meio-dia para evitar na imprensa escrita os apertos de espaço de última hora, e porque além disso podem chegar com tempo aos serviços informativos da Rádio e da Televisão. O que importa é a ordem cronológica dos acontecimentos e não a sua importância social ou política.



5.1 - Comunicar com eficácia
Quando se fala em eficácia da comunicação subentende-se que o jornalismo é uma mediação e tem de cumprir as exigências inerentes a toda a mediação, de forma a incluir todos os intervenientes nela implicada.

A linguagem no jornalismo de agência deve ser o mais acessível possível ao público para assim satisfazer as diferentes necessidades de um conjunto de clientes que subscrevem os seus serviços, e isto com a finalidade de aumentar a rentabilidade da agência, aumentando consequentemente as possibilidades de difusão.

Algumas características da linguagem jornalística, como a concisão, a clareza e a rapidez são imprescindíveis para o cumprimento da função informativa da agência.

A agência tem a função, antes de mais, de colocar em primeiro lugar na linha, antes dos outros órgãos de comunicação social, as notícias do que está acontecer no neste preciso momento na actualidade nacional e internacional.

O desenvolvimento das tecnologias de comunicação permitiu a instalação de novos circuitos de informação rápidos e eficazes. A circulação da informação em redes globalizadas altamente velozes introduziu no jornalismo a noção de “tempo real’.

O tempo real tem o poder de renovar a informação de forma contínua. A notícia é produzida e multiplica-se em cadeia, desde o conhecimento de um novo acontecimento à sua divulgação, que tem repercussão na sociedade e gera, outras notícias. A “febre” do tempo real e da instantaneidade tem as suas consequências como a redução do tempo de análise e de reflexão na descrição dos acontecimentos. (Ramonet, 1999).

O papel do jornalista enquanto mediador poderá assim ver o seu sentido ameaçado. O que é uma jornalista? Se analisarmos a palavra, um jornalista é um “analista do dia”. Só dispõe de um dia para analisar o passado (...). A instantaneidade tem convertido o ritmo normal da informação.

A Internet, depois da televisão, é um meio onde a redução dos limites de tempo é ainda mais visível, e onde maioritariamente é dada a prioridade à velocidade e à quantidade em detrimento da qualidade da informação.

A informação massificada faz com que apenas alguns saibam seleccionar, relacionar, pensar os acontecimentos de forma articulada com o contexto histórico e social pertinente.
5.2 - A recolha de informação e a importância da agenda
Diariamente chegam à redacção da Lusa milhares de informações provenientes de várias fontes.

Os outros meios de comunicação constituem-se como fontes para a recolha de informação através dos comunicados de imprensa que enviam diariamente para a agência e que são encaminhados para o serviço de agenda, onde é feita a triagem.

Há um ritual que é essencial, e que faz já parte das rotinas dos jornalistas, de ouvirem a Rádio, verem a Televisão e lerem os jornais logo não só no início do dia mas ao longo de todo o dia, no caso da Rádio e da Televisão.

Muitas ideias para novos trabalhos surgem na leitura de jornais, pois segundo João Fonseca, editor de País da Agência Lusa, “há sempre qualquer coisa que os jornais deixaram escapar”, assegurado desta forma que nenhuma informação vital é perdida.

Na agência há sempre uma fonte que é indispensável ao longo do dia, a “ronda”.

A ronda é uma lista de números de telefone, que reúne os contactos dos centros distritais de operações socorro, corporações de bombeiros, sapadores, forças policiais – PSP; Brigada de Trânsito, Polícia Marítima e GNR, entre outros.

Há sempre alguém encarregue de fazer a ronda. A primeira é feita pelo editor da manhã por volta das 08h00. A segunda ronda é feita ao início da tarde, e realiza-se outra ao final da tarde. Já de madrugada, o jornalista que está de serviço também faz uma ronda. O objectivo é saber se há novidades, porque é na ronda que muitas vezes se apanha grande parte dos acontecimentos respeitantes ao que se passa no país, como detenções, incêndios, acidentes de viação, apreensão de estupefacientes, etc.

Nem todos os acontecimentos merecem um destaque acabando, por isso, em breves, como é o caso das editorias de Cultura, e de País, que divulgam “breves” para quando é necessário cobrir alguns assuntos menos urgentes, de forma a ganhar margem para fazer outras coisas mais urgentes. Apesar de ser um modelo de trabalho mais exigente para jornalistas e editores, porque de obrigar a pensar, a optar e a decidir mais, sendo mais exigente ao nível da qualidade, a ideia de fazer breves de notícias que têm pouca relevância, foi uma aposta assertiva por parte da agência. O formato de breves é muito usado pelos clientes, para preencher espaços vazios. Os títulos são muito concisos, curtos e objectivos e os textos igualmente curtos, e também concisos. Fazer bem uma breve é tão difícil como fazer bem uma notícia, pois exige um esforço de síntese, tendo de estar na informação, em poucas linhas e em poucos caracteres o mais importante dela.

As breves saem para o desk diariamente duas vezes por dia: uma “fornada” pela hora de almoço, e a segunda «dose» de breves a entrar o mais tardar pelas 16h30 no desk.

Outro serviço imprescindível é a Agenda que é um dos principais suportes da selecção e organização de eventos, e por onde passa toda a preparação dos acontecimentos que são acompanhados diariamente e continuadamente.

“A empresa jornalística tenta planear o futuro através do seu serviço de agenda que elabora a lista de acontecimentos previstos, permitindo assim a organização do seu próprio trabalho com uma certa antecedência” (Wolf, 1987).

Mas por vezes há acontecimentos imprevisíveis que podem dar novos temas. É tarefa dos jornalistas que trabalham na agenda encaminhar as várias informações que são enviadas pelas mais diversas entidades e organismos através de comunicados.

No entanto, os jornalistas também contam com as notícias antecipadas, acontecimentos previamente datados de que já se tinha conhecimento que se iriam realizar pelas fontes como é o caso das conferências de imprensa, entrevistas informais, participações em congressos ou outras cerimónias. Há rotinas que garantem a produtividade noticiosa como o buscar, hierarquizar, escrever e divulgar as informações do dia actualizadas em permanência.
5.3 - A Agência Lusa como uma verdadeira fonte de notícias
O artigo que aqui se apresenta descreve o modo como jornalistas e fontes de informação se relacionam na produção das notícias.

Para a Agência Lusa como fonte de notícias de alguns órgãos de comunicação social, não só a nível nacional, como também internacional, é fundamental que tenha um bom relacionamento com as suas fontes.

A questão das fontes é a chave para todo e qualquer meio de comunicação obter a sua informação. Uma das características básicas do trabalho informativo deve ser a veracidade dos seus conteúdos, e isso obriga a um processo de verificação.

A notícia de agência deve por isso ter uma fonte «clara» e «explicitamente referida» e com isso alcançam-se dois objectivos: os clientes são livres de formar o seu próprio juízo sobre a informação, e ao mesmo tempo proteger a reputação e a credibilidade da agência. Por norma os jornalistas devem divulgar o nome e contacto das fontes a quem se dirigem habitualmente para recolher informações.

Nos casos excepcionais em que o autor da noticia é testemunha do acontecimento ou quando assina a informação que dá, a sua declaração é fonte suficiente. Mas há que ter em conta que o jornalista de agência nunca escreve na primeira pessoa.

Em Portugal estas regras básicas surgiram à luz de um período conturbado da vida política nacional, onde o debate político-ideológico conheceu momentos muito intensos. Passado este período viu-se que era possível “aligeirar” a rigidez das regras básicas, mantendo-se no entanto o princípio fundamental segundo o qual “a reputação de uma agência noticiosa assenta na veracidade constante das suas informações”. 16

Reconheceu-se deste modo que pela sua natureza, a agência de notícias se constitui, ela própria como uma fonte de informação para os restantes meios de comunicação social. “Se a agência diz é porque é verdade” reconhecem os subscritores dos serviços da Lusa, a qual pode, sempre que tal se justifique, ser fonte suficiente e autónoma do seu próprio noticiário.

Mas até mesmo na Lusa existem fontes que são normalmente consideradas mais fiáveis do que outras, e entre as primeiras encontram-se as fontes institucionais como Embaixadas e Consulados, as fontes institucionais. De facto de os meios de comunicação considerarem as fontes institucionais como as legítimas, e por isso, incluem na sua agenda uma esmagadora maioria de notícias institucionais.

“As fontes podem ser humanas (testemunhas de factos, especialistas, dirigentes líderes, etc.), documentais (bibliotecas, arquivos e todo e qualquer documento relacionado com assunto), institucionais (as entidades oficiosas, o governo, os ministérios), e pessoais (as fontes próprias de cada jornalista, cuja carteira de contactos constitui um bem precioso neste mercado de trabalho. e não oficiais (sindicatos, os clubes, as associações e todas as instituições que contribuem para dinamizar a vida social e cultural do País)”. 17

A Internet constitui-se no tempos modernos como uma fonte de informação vasta e essencial na pesquisa jornalística, que deve ser usada com prudência, quando a informação é recolhida por estas fontes, devendo-se confirmar quando não colhida junto de fontes (sites) credíveis e autênticos. Tal é o caso da utilização de blogues, sejam eles quais forem, como fontes para o serviço noticioso da agência, devido às características próprias da blogosfera. O que surge nos blogues pode servir como pista de investigação, mas nunca para utilização directa como notícia.

O arquivo ou centro de documentação da Agência Lusa constitui igualmente uma fonte de informação de importância primordial, permitindo contextualizar acontecimentos.

Por último são fontes internas as delegações e correspondentes que os jornais e como no caso das agências possuem em localizações importantes.

No caso das fontes externas ao jornal, as fontes desenvolvem várias rotinas nos seus contactos com os jornalistas, como comunicados, conferências de imprensa, almoços e visitas. Os contactos permanentes com os gabinetes de imprensa e outras organizações são contínuos e permanentes para garantir a eficácia. “Assegurar um contacto sistemático com os media através de uma fonte organizada é a melhor maneira de controlar as ligações e evitar informações contraditórias ou não confirmadas”.18

A selecção de um evento relaciona o jornalista com as fontes. Através destes contactos pessoais com as fontes os jornalistas preferem normalmente exclusivos em vez de comunicados de imprensa, documentos frios e quase que anónimos que as fontes enviam.

“De um órgão de comunicação social a agência retém sobretudo a redacção e a forma de produzir as noticias – embora o ritmo de agência seja mais acelerado do que qualquer outro, simplesmente o produto noticioso que fabricam nunca chega a ser apresentado ao público autonomamente, é-o, sempre, através dos clientes da empresa que são livres de tratar a informação recebida como muito bem entenderem, investigando-a em profundidade ou publicando-a como um produto acabado.

No trabalho diário os jornalistas entendem o contacto pessoal como actividade prioritária para obter as informações necessárias, embora o telefonema consiga resolver quase todas as questões. A partir das 18h00 o ambiente na redacção é mais silencioso pois os jornalistas começam a ter dificuldades em localizar as fontes por intermédio do telefone, sendo a opção mais viável nesta altura o contacto com fontes através de e-mail.

No entanto, existem duas importantes fontes de informação que actualmente influenciam o conjunto dos meios de comunicação de massa: as agências noticiosas (que fornecem aos seus clientes informação sobre locais e acontecimentos onde outros órgãos de informação não conseguem chegar), e as fontes profissionais, como as agências de comunicação, relações públicas, etc.) que tratam e canalizam informação relativa a instituições, organizações e, partidos, empresas, ou outros.

O jornalista nem sempre obtém as informações que pretende ou pelo menos não obtém a totalidade da informação que deveria ser revelada pela fonte, tal como constata Alcides Vieira: “O acesso à informação está cada vez mais condicionado. Já existem agências profissionalizadas que fazem a ponte com as fontes e que sabem trabalhar pelo seu interesse. Hoje em dia há é uma outra realidade, a estratégia da agência de comunicação, que muitas vezes é assegurada por ex-jornalistas que se formaram nas redacções e que sabem como fazer chegar o que pretendem. A fonte é cada vez mais intermediada pelas agências de comunicação”. 19

5.4 - O rigor e a credibilidade da informação
A rapidez é o elemento fundamental no jornalismo de agência e caracteriza-se por valores como o rigor e a neutralidade.

A notícia de agência deve procurar ser a mais completa, isenta e rigorosa possível. O serviço de agência não é compatível com demoras, e por vezes bastam alguns segundos de atraso para se poder ser “batido”, e por isso em agência todas as informações são urgentes. A agência, tal como os seus trabalhadores, não tomar partido em conflitos políticos ou armados, nem em questões sociais, laborais religiosas ou ideológicas. Não tem opiniões simpatias ou antipatias. É rigorosamente factual. A sua missão é informar, transmitindo aos seus clientes os acontecimentos de que tem conhecimento.

Compete ao jornalismo de opinião comentar as informações que tenham sido trazidas ao seu conhecimento através do noticiário de agência. O jornalista de agência, pelo contrário, deve procurar omitir opiniões ou juízos de valor na informação que produz, sendo o leitor a tirar as suas próprias ilações e a fazer a leitura dos enquadramentos.

A objectividade e o rigor nem sempre podem ser absolutos mas são a única garantia que os clientes têm.




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