Universidade da Beira Interior



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5.5 - A objectividade à luz dos acontecimentos jornalísticos
A objectividade no jornalismo no actual contexto dos média parece ter sido relegada para segundo plano, tal como explica Mário Mesquita. “O conceito de objectividade foi abandonado ou secundarizado sobretudo no plano da deontologia, porque a vinculação à objectividade deixou de ser considerada pertinente, remetendo para outros conceitos, como os de honestidade, jogo limpo, lealdade, no domínio da prática jornalística”. 20

Forçado pela exigência de rapidez, o jornalista necessita de métodos que possam ser aplicados fácil e rapidamente, para não perder tempo a confrontar fontes e a apurar factos. Assim, a objectividade ajuda o jornalista a vencer a inevitável corrida contra tempo. Como dá conta, Philips “a objectividade facilita a estandardização do produto, e permite que os jornalistas sejam utilizados indiscriminadamente como recursos permutáveis”.

Deste modo, a objectividade poupa energias na hora de organizar e estruturar as notícias, porque se parte do princípio que as notícias elaboradas passem pela hierarquia do meio de comunicação sem grandes alterações, fazendo todo o sentido nomeadamente nas necessidades organizacionais.

Rosen alega neste sentido que, “apesar de todas as críticas à objectividade, o jornalismo moderno está indubitavelmente ligado a uma noção de equidistância entre o profissional do campo jornalístico e os diversos agentes sociais, aquando com justiça observa as diferentes perspectivas, aumentando a sua independência. Uma noção de equidistância é vital para a credibilidade do jornalismo”. (Rosen, 1993/2000).

Associado ao conceito de objectividade, encontra-se o conceito de equilíbrio, associado pela esmagadora maioria dos cidadãos ao papel e desempenho do jornalista, e que ao mesmo tempo se encontra consagrado nas leis que orientam o comportamento dos profissionais da comunicação, em particular dos que trabalham em empresas de comunicação social do sector público. E de forma pelo menos implícita se encontra nos códigos deontológicos.

No seu livro The Elements of Journalism,, Bill Kovach e Tom Rosenstiel enunciam princípios do jornalismo, dos quais, os dois primeiros são estes:

1. A primeira obrigação do jornalismo é para com a verdade.

2. A primeira lealdade do jornalismo é para com os cidadãos.

O jornalista assume, assim, um compromisso em encontrar e divulgar a verdade aos cidadãos.

Mas a informação jornalística é cada vez mais um negócio e os problemas das agências de notícias não se esgotam no carácter mercantilista da informação jornalística.

As agências noticiosas nacionais participadas pelos estados, como é o caso da Agência Lusa, têm apresentado problemas de instabilidade. Como diz Nobre-Correia, as agências de notícias são “empresas destinadas a recolher, tratar e distribuir informação, e por isso as agências têm uma imagem de neutralidade e de independência que os media invejam. Uma imagem exagerada e altamente condicionada por accionistas, administradores e clientes. Sobejos entraves para arrevesar a visão que propõem do mundo.”

6 – Conclusões



O tempo é um elemento fundamental para o bom exercício da actividade jornalística. Se por um lado quanto mais rápida uma informação for divulgada maior impacto ela terá no momento, mas por outro lado essa informação poderá não ser tão isenta e rigorosa, tal como devia ser. Na Agência Lusa os jornalistas trabalham diariamente sob pressão. Tendo como clientes a maioria dos órgãos de comunicação nacionais a agência fica desde logo comprometida com os horários de fecho de jornais, da informação contínua da rádio e do espaço informativo na televisão, que acabam por coincidir com o horário de maior produção da informativa da agencia, entre as 10H00 e as 17H00. Também a importância dos acontecimentos e a sua duração se encontram intimamente ligados com o tempo que cada jornalista dispensa a um determinado assunto acabando por dar menos a importância a outros acontecimentos que possam surgir. A rapidez na difusão das notícias é uma característica primordial no quotidiano de qualquer agência de notícias. Desde logo a estrutura das notícias as quais obedecem a rigorosos critérios como uma forma de disponibilizar a informação no menor espaço de tempo possível sendo que é distribuída para um público com necessidades diferentes entre si. É graças a larga rede de correspondentes residentes e colaboradores assíduos que a agencia tem capacidade para cobrir os acontecimentos que se passam nas principais cidades portuguesas e nas capitais do mundo., poupando algum tempo me deslocações de jornalistas. Diariamente chegam à redacção da Lusa milhares de comunicados de imprensa telefonemas tornando-se fundamental fazer uma triagem dos acontecimentos mais importantes e urgentes. Destes acontecimentos escolhidos que posteriormente serão tratados torna-se necessário impor uma ordem no espaço e no tempo que regularmente esta contra o jornalista.

A procura de conteúdos para mercado digital é o novo desafio para as agências através das novas oportunidades que têm surgido com o fomento da Internet onde conceitos como a velocidade, imediatismo e instantaneidade estão intimamente ligados numa luta contra o tempo.

A velocidade na transmissão e na divulgação das notícias na era da multimédia permite tornar o fluxo noticioso menos institucional, rotineiro e menos controlado pelas informações obtidas atreves de fontes institucionais.

Assim há uma tentativa cada vez maior de suprimir o espaço e o tempo que medeiam entre o facto e a divulgação do mesmo. O tempo é um dos factores mais relevantes na construção do jornalismo de agência, e o produto final desta, a sua produção noticiosa, transporta marcas desse determinismo.


7- Anexos


Agências condicionam acesso à informação”
Dina Margato
Alcides Vieira é optimista em relação ao futuro do jornalismo. O director de Informação da SIC considera que as novas "auto-estradas da comunicação", filhas do desenvolvimento tecnológico, alargam as oportunidades ao jornalista.

Há 30 anos na profissão e na SIC desde o início, Alcides fala com orgulho na redacção multimédia e nas mudanças que amanhã chegam ao ecrã: uma dupla de pivôs e o reforço do grafismo.
Ser jornalista hoje é mais difícil. A par da formação base, explica Alcides Vieira, é preciso saber lidar com as tecnologias e os novos condicionalismos, como as estratégias das agências de comunicação e o facto de os cidadãos estarem menos dispostos a denunciar dando a cara.
Jornal de Notícias – O que vai mudar na Informação da SIC?

Alcides Vieira – Há cinco anos que organizamos as três plataformas SIC On-line, SIC Notícias e SIC generalista de forma multimédia. Isto agora é mais um passo no sentido do jornalismo que pretende servir os públicos a qualquer hora. A ideia clássica do jornalismo está ultrapassada. As redacções têm de se adaptar aos públicos. É o novo paradigma. Já lá vai o tempo em que se esperava pelas oito da noite para ouvir as notícias. Hoje ouvem-se na rádio, no telemóvel, na Internet.
A redacção multimédia já funciona em pleno?

Sim. Devo dizer que a SIC está na primeira carruagem do comboio. Aquilo que os espectadores vêem na SIC, SIC On-line, SIC Notícias é feito pela mesma redacção. O nosso site é o mais visto.


No que respeita ao trabalho do jornalista, ele tem de trabalhar em simultâneo para várias plataformas?

Nem sempre é possível mas quando é, sim. O importante é ser ágil, utilizar uma linguagem diferente para as três plataformas: on-line, canal de notícias 24 horas e telemóvel. Os jornalistas aqui já fazem isso. É evidente que se trata de um processo de formação contínua.


No Brasil, há quem exija aos estagiários formação em vídeo.

Há muitas redacções no Mundo em que já não se admitem jornalistas sem formação em vídeo.


Além de procurar a notícia, pesquisar, o jornalista tem de ter um bom domínio técnico?

Primeiro temos o bom jornalista, que é curioso, investiga, ouve as partes, respeita a ética e a deontologia, independente da plataforma para onde trabalha. Depois tem de a saber comunicar usando a tecnologia. Por isso é que o jornalismo nunca acabará, tem até um futuro muito risonho à sua frente: uma série de auto-estradas da comunicação onde pode circular. E cada vez mais acessíveis, mais massificadoras e mais baratas. O que permite a qualquer grupo de jornalistas ter o seu próprio jornal.


Mas o jornalista passa a ter múltiplas tarefas. É um superjornalista!

Se a tecnologia responder às necessidades, o jornalista adapta-se rapidamente. Veja-se o que aconteceu com a passagem da máquina de escrever para o computador.


A caricatura do jornalista com mochila onde tem todo o equipamento já é uma realidade?

Em alguns casos é o mais aconselhável. O jornalista acaba por ser mais autónomo. Gonçalo Cadilhe, do Expresso, faz assim crónica de viagem.



Ser jornalista é cada vez mais difícil?

Mas não só por causa do uso das tecnologias. O acesso à informação está cada vez mais condicionado. Já existem agências profissionalizadas que fazem a ponte com as fontes e que sabem trabalhar pelo seu interesse.

A própria cidadania está a exercer-se de outra forma. Antes era mais fácil fazer as pessoas denunciar injustiças. Hoje as grandes histórias são contadas no anonimato. E depois a sociedade está mais individualista, não há solidariedade na denúncia. Pode dizer-se que é mais difícil ter acesso à verdade quando ela é negativa. Por isso é que a formação do jornalista devia ser revista. Ensina-se muita teoria e alguma técnica, mas há outras coisas indispensáveis conhecer o Mundo, saber ver como a sociedade está organizada, ter em conta a 'memória'.
Mas as redacções têm cada vez menos jornalistas veteranos.

Parece que aos trinta e tais ou se tornam chefes ou deixam de sair da redacção. Esse é o problema. Parece que se cansam muito cedo. Lá fora, não é assim.


Como Director de Informação, tem sido muito pressionado?

A pressão política no jornalismo é um mito. Em todos estes anos, posso contar pelos dedos os telefonemas que recebi. E depois em todas as actividades há pressões, há sempre alguém a tentar convencer alguém. Agora só nos deixamos convencer se quisermos. Nunca mudei nem uma linha. As pressões não passam. Hoje em dia há é uma outra realidade a estratégia da agência de comunicação, que muitas vezes é assegurada por ex-jornalistas que se formaram nas redacções e que sabem como fazer chegar o que pretendem. A fonte é cada vez mais intermediada pelas agências de comunicação.



 Jornal de Notícias – Agências condicionam acesso à informação http://jn.sapo.pt/2007/11/18/televisao/agencias_condicionam_acesso_a... 3 de 3 18-11-2007 12:01
Tabela 8 – Produção da Lusa de 20 de Maio a 31 de Dezembro de 2007 – (226 dias).


Tema -1º nível

Texto

Foto

Áudio

Vídeo

Story

Totais

Quant

%

Quant

%

Quant

%

Quant

%

Quant

%

Quant

%

Artes, Cultura e Entretenimento

6.516

5,7%

2254

10,5%

38

2,3%

43

2,9%

20

2,6%

8.871

6,4%

Crime, Lei e Justiça

8.266

7,3%

697

3,2%

120

7,2%

93

6,3%

56

7,2%

9.232

6,6%

Acidentes e Desastres

3.470

3,0%

560

2,6%

15

0,9%

7

0,5%

7

0,9%

4.059

2,9%

Economia, Negócios e Finanças

21.340

18,7%

1401

6,5%

319

19,2%

304

20,5%

164

21,2%

23.528

16,9%

Educação

2.341

2,1%

317

1,5%

48

2,9%

48

3,2%

25

3,2%

2.779

2,0%

Ambiente

2.904

2,5%

283

1,3%

43

2,6%

40

2,7%

22

2,8%

3.292

2,4%

Saúde

3.396

3,0%

202

0,9%

77

4,6%

69

4,7%

46

5,9%

3.790

2,7%

Interesse Humano

1.943

1,7%

614

2,9%

15

0,9%

15

1,0%

10

1,3%

2.597

1,9%

Trabalho

2.546

2,2%

356

1,7%

76

4,6%

80

5,4%

43

5,5%

3.101

2,2%

Estilo de Vida e Lazer

1.683

1,5%

211

1,0%

11

0,7%

9

0,6%

5

0,6%

1.919

1,4%

Politica

24.468

21,5%

6532

30,4%

464

28,0%

399

26,9%

198

25,5%

32.061

23,0%

Religião

922

0,8%

252

1,2%

17

1,0%

17

1,1%

11

1,4%

1.219

0,9%

Ciência e Tecnologia

1.328

1,2%

156

0,7%

13

0,8%

15

1,0%

6

0,8%

1.518

1,1%

Sociedade

10.590

9,3%

330

1,5%

178

10,7%

177

11,9%

80

10,3%

11.355

8,1%

Desporto

10.837

9,5%

5081

23,7%

76

4,6%

50

3,4%

24

3,1%

16.068

11,5%

Guerras e Conflitos

4.692

4,1%

210

1,0%

48

2,9%

28

1,9%

17

2,2%

4.995

3,6%

Meteo

788

0,7%

35

0,2%

2

0,1%

2

0,1%

1

0,1%

828

0,6%

Agenda

867

0,8%

0

0,0%

0

0,0%

0

0,0%

0

0,0%

867

0,6%

União Europeia

5.110

4,5%

1969

9,2%

99

6,0%

87

5,9%

40

5,2%

7.305

5,2%

Totais

114.007

100%

21.460

100%

1.659

100%

1.483

100%

775

100%

139.384

100%

 Dados fornecidos pela secretaria-geral da Agência Lusa



Tabela 9 – Participação no capital dos principais accionistas da Agência Lusa.


Lusa – Agência de Noticias de Portugal, S.A.

Capital Social: 5 325 000 €

Participação no capital

Accionistas

Nº de Acções

%

Euros

Estado Português

1 068 000

50.14

2 670 000,00

Controlinveste Media SGPS, S.A.

497 420

23.36

1 243 550,00

Impresa Jornais SGPS, S.A.

476 064

22.35

1 190 160,00

NP – Noticias de Portugal, CRL

58 000

2.72

145 000,00

Público-Comunicação Social, S.A.

29 307

1.38

73 267,50

Radiodifusão Portuguesa, S.A.

449

0.02

1 122,50

O Primeiro de Janeiro, S.A.

310

0.01

775,00

RTP SGPS, S.A.

225

0.01

562,50

Empresa do Diário do Minho, Lda

225

0.01

552,50




Acção – valor nominal: € 2,50



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