Universidade da Beira Interior



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Tabela 3: Lista de personalidades naturais de Celorico da Beira, citadas pelo Coronel Numa

Pompílio.


Na revista Altitude, relativamente à Igreja de Nossa Senhora de Açor, diz-se que por lá passou um Príncipe ou Rei Godo, como muito bem o comprovam as inscrições num túmulo existente nessa mesma igreja141. Também existe um documento datado de 28.10.1367, escrito pelo Rei D. Fernando, no qual deu ao termo da Guarda a povoação de Valhelhas, que comprova a passagem do dito rei142 por lá. A mesma revista atesta que a filha de D. Fernando, D. Beatriz, e o genro, D. João I de Castela, por ali passaram, veneraram a Nossa Senhora de Açor e ali jantaram e arrisca afirmar que:

“É muito possível que, atenta a fama de que o lugar gozava, todos os nossos primeiros monarcas o tivessem igualmente visitado, porque todos pizaram êste sólo abençoado, desde D. Afonso Henriques até D. João I. Também êste rei e D. Afonso V passaram cartas de privilégios e de posse aos moradores de Açores e à Sé da Guarda.”143


Dada a sua importância e antiguidade religiosa, Açores foi visitada, além de Rei e outras figuras de Estado, por muitos bispos, entre eles: D. Cristóvão de Castro, em 1551; Frei Luiz da Silva144, em 1688; D. Rodrigo de Moura Teles, em 1701; D. João de Mendonça VI, em 1713; D. António de Melo Osório, em 1744. Teve ainda párocos exímios, como por exemplo: o Licenciado Padre Álvaro Mendes da Mota, em 1659, que foi Comissário da Inquisição; o Padre Diogo de Andrade, antes de 1565, que, de 1565 a 1570, desempenhou as funções de Vigário Geral do Bispado da Guarda, no tempo do Bispo D. João de Portugal. Na revista Altitude, na rubrica “Arqueologia, História e Lenda” encontra-se a seguinte passagem:

“Se puderes, leitor, não deixes de visitar esta vila encantadora, cravejada de lindos solares, terra bendita onde nasceram alguns dos cavaleiros dos Doze de Inglaterra145, imortalizados por Camões, terra sacrossanta, terra mater de Sacadura Cabral, lídimo Herói da Pátria Português e legítimo orgulho da Beira-Serra.”146


Maria da Piedade Cunha, cujo nome artístico é Pietá, escreveu um livro de poemas ao qual chamou de Raízes de Celorico da Beira147, publicado pela CM de Celorico da Beira em Maio de 2008. Nesse livro, a poetisa para além de dedicar diversos poemas ao património e à cultura popular, também dedica alguns a personalidades celoricenses, como é o caso do “insigne” Conselheiro Almeida Borges, o Maestro Silva Pereira ou o Sacadura Cabral. No prefácio do livro, o actual Presidente da Câmara, Engenheiro José Monteiro faz a seguinte apreciação do trabalho da poetisa:

“Incursão pela meninice de uma celoricense, cujas recordações compõem um retrato de Celorico da Beira, o seu património, os seus costumes, cultura popular e as suas gentes. (…) Congratulo-me com a edição do livro “Raízes de Celorico da Beira”, de Pietá, enquanto celoricense porque comungo dos sentimentos e das referências da autora e, enquanto Presidente da Câmara, aplaudo e apoio, obviamente, qualquer obra, independentemente do seu suporte material, para promover e levar o nome desta terra, a que me orgulho de presidir pelos quatro cantos do mundo.”148


Um dos ilustres celoricenses homenageado por Pietá, o Dr. José Joaquim de Almeida Borges, foi Excelentíssimo Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, nasceu a 25 de Outubro de 1910 na freguesia de S. Pedro, Celorico da Beira e morreu aos 95 anos, no dia 26 de Abril de 2006, na freguesia de Santa Maria dos Olivais, no concelho de Lisboa. O Conselho Superior da Magistratura, na Acta 14/06, após o seu falecimento, honra-o da seguinte forma:

“(…) um magistrado prestigiadíssimo, que construiu uma brilhante carreira profissional, marcada pela lucidez, inteligência, competência e eficácia, qualidades que o guindaram ao mais alto cargo da magistratura judicial portuguesa – o de Presidente do Supremo Tribunal de Justiça – que desempenhou com inegável brilho e marcado sentido de Estado. Tendo também servido o Conselho Superior da Magistratura como seu Presidente e como Vogal designado pelo presidente da República, durante vários anos, com igual espírito de bem servir a causa da justiça, o Conselheiro Almeida Borges deixa em todos quantos acompanharam o seu percurso e conhecem o seu exemplo de vida e de cidadão um rasto de profunda saudade.” 149


Contemporâneo do Dr. José Joaquim de Almeida Borges, foi o Maestro Joaquim da Silva Pereira, nascido em Celorico da Beira a 05 de Março de 1912. Foi Maestro Director da Orquestra Sinfónica do Porto, Presidente da Comissão Nacional da UNESCO para a Música e Director do Conservatório de Música do Porto. No periódico Terra da Beira150, nº141, Joaquim da Silva Pereira era apelidado de “pequeno grande violinista” e comunicava-se que o pequeno violinista de 12 anos, filho do músico Antero da Silva Pereira, hoje escrivão de Direito em Seia, tinha entrado para o Conservatório de Lisboa. No mesmo número do periódico aparece uma lista de “Filhos ilustres de Celorico da Beira ausentes”, onde se encontram os nomes que se seguem:


PERSONALIDADE

CARGO/ PROFISSÃO

Dr. José Maria de Sousa Andrade

Presidente do Supremo Tribunal de Justiça

Dr. José Alberto dos Reis151

Professor da Faculdade de Direito de Coimbra; Jurisconsulto

Dr. Artur d’ Almeida Ribeiro

Juiz do Supremo Tribunal de Justiça; Deputado

Fausto de Figueiredo

Proprietário; Industrial; antigo Deputado

Tasso de Miranda

Tenente-coronel do Estado Maior; Professor da Escola de Guerra

Numa Pompílio da Silva

Coronel Defensor Oficioso do Tribunal Militar Territorial da 2ª Divisão do Exército

Dr. António Carlos Borges

Advogado; antigo Deputado; Governador Civil

Dr. Jerónimo Rodrigues de Sousa

Delegado na 5ª Vara de Lisboa

Dr. Ângelo d’ Almeida Ribeiro

Advogado; Conservador do registo Predial de Águeda

Júlio da Costa Almeida

Capitão do Exército

Tabela 2: Lista de “Filhos ilustres de Celorico da Beira” publicados no Terra da Beira,

Nº141, de 25 de Agosto de 1925.


Na página online do Supremo Tribunal de Justiça152, confirma-se o nome de Dr. José Maria de Sousa Andrade como Presidente do mesmo entre 1924 e 1929 e na página online da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra153, existe o prémio “Doutor José Alberto dos Reis” em homenagem ao ilustre Jurista e Professor da Faculdade de Direito da universidade de Coimbra” destinado ao melhor trabalho escrito sobre um tema de Direito Processual Civil no âmbito do Curso de Licenciatura em Direito. Em relação a Artur d’ Almeida Ribeiro, encontra-se uma página online com algumas fotos da família Almeida Ribeiro154. Numa outra página online existe um documento em que consta que Artur de Almeida Ribeiro (1865-1943) é Ministro das Colónias e apresentou, à Administração Civil das Províncias Ultramarinas, uma proposta de lei orgânica155, em Fevereiro de 1914. De acordo com o Professor Manuel Ramos de Oliveira, no Capítulo XXI da primeira parte da sua monografia sobre Celorico da Beira, o Dr. Artur Rodrigues de Almeida Ribeiro foi:

“Juiz das Relações de Luanda, Lisboa e do Supremo Tribunal de Justiça, Vogal do Conselho Colonial e do Conselho Superior Judiciário. Presidiu de 1912 a 1927 à Comissão Central da execução da Lei da separação do Estado das Igrejas, fez parte do Tribunal Permanente de Arbitragens de Haia, e em 1912 foi Auditor junto do Comandante da 1ª Divisão Militar. Deputado e Ministro da Instrução, Finanças e Colónias, desempenhou igualmente funções de leader do Partido Democrático. Escreveu em várias Revistas da Especialidade e colaborou no Diário de Notícias.”156


Manuel Ramos de Oliveira nomeia mais dois ilustres magistrados, irmãos de Artur Rodrigues de Almeida Ribeiro, o Dr. António Rodrigues de Almeida Ribeiro (falecido a 8 de Fevereiro de 1913), que desempenhou as funções de Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo e de Juiz Desembargador na relação de Ponta Delgada, e o Dr. José Rodrigues de Almeida Ribeiro, que exerceu as funções de Juiz Desembargador da Relação do Porto. Descendente do primeiro irmão é Ângelo de Almeida Ribeiro, nomeado advogado e Conservador do Registo Predial na Comarca de Águeda, tal como nos é dito pelo jornal Terra da Beira, nº 141 de 23 de Agosto de 1925. Na página online da RTP157 refere-se a Fausto de Figueiredo, nascido a 17 de Setembro de 1880 na freguesia do Baraçal, concelho de Celorico da Beira, como um dos “Grandes Portugueses”. Confirmam-se as referências de industrial e deputado. No entanto, Fausto de Figueiredo começaria por ser farmacêutico, após ter tirado o curso de Farmácia em Lisboa. Cedo se apercebeu que essa não era a sua vocação. O gosto por viagens levou-o a percorrer o mundo, onde foi adquirindo uma vasta gama de conhecimentos vitais sobre turismo. Passou então a dedicar-se à actividade turística. O empresário constituiu a Sociedade Estoril, que transformou a costa do Estoril na primeira zona turística internacional a surgir em território português. Compreendia um hotel, um casino, restaurantes etc., atraindo a Portugal, no período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundiais, ilustres visitantes, como estrelas de cinema e monarcas europeus. Fausto de Figueiredo foi ainda administrador da CP e foi ainda presidente da Cibra (Companhia de Cimentos). Na política, Fausto de Figueiredo acompanhou João Franco em tempos de Monarquia, e, proclamada a República, esteve ao lado do Partido Republicano Português, sendo seu deputado ao Parlamento. No Estado Novo foi deputado à Câmara Corporativa. Foi vogal, também, do Conselho Superior do Comércio Externo e da Comissão de Propaganda do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Morreu em Lisboa a 5 de Abril de 1950.

Na página online do exército158Tasso de Miranda Cabral nasceu a 19 de Fevereiro de 1877 em S. Pedro de Celorico, Celorico da Beira. Alistado no Regimento 2 de Caçadores da Rainha em 1897 até 1900. Alferes no Regimento de Infantaria 14 em 1900. Em 1911 foi subchefe interino do Estado-Maior da 7ª Divisão Militar. Professor efectivo do Instituto dos Pupilos do Exército de Terra e Mar. Capitão para o Regimento de Infantaria 32 em 1912. Em 1914 passou ao Regimento de Infantaria 23. Prestou serviço na 3ª Direcção Geral do Ministério da Guerra. Vogal da comissão encarregada de propor as bases da organização e as atribuições do Conselho Superior da Defesa Nacional. Chefe da 2ª e 3ª Repartição do Estado-Maior do Exército. Comandante do Grupo de Artilharia Pesada 2 em 1931. Transitou para a Direcção de Arma de Infantaria - inspecções, em 1935. Em 1936 foi nomeado Brigadeiro para o Quadro da Arma. Em 1938 foi promovido a General. Publicou a obra Conferências sobre estratégia - Estudo geoestratégico dos teatros de operações nacionais (1938). Chefe da Missão Militar Portuguesa nomeada para trabalhar com a missão Militar Inglesa em 1938-1939. Foi CEME159 entre 1939 e 1945. Faleceu em 5 de Abril de 1949. O Professor Manuel Ramos de Oliveira acrescenta que Tasso de Miranda Cabral: “Escreveu uma obra de grande valor versando problemas militares intitulada Conferências de Estratégica.”160 Quanto ao coronel Numa Pompílio da Silva, apenas se encontra uma referência electrónica relativamente à sua árvore genealógica161 que atesta a naturalidade: Celorico da Beira. No entanto, Numa Pompílio da Silva é, de acordo com o Professor Manuel Ramos de Oliveira, Nuno Pompílio da Silva162, nascido a 9 de Julho de 1873 e falecido a 26 de Agosto de 1943, Tenente-Coronel que desempenhou durante alguns anos o cargo de Defensor nos tribunais Militares. O nome do pai coincide nas duas fontes mencionadas, António Joaquim da Silva, já o da mãe, na primeira, diz ser Maria Teresa de Jesus Ferro, e na segunda, Tereza Carolina de Jesus. O nome da esposa também coincide nas duas fontes, Maria da Conceição do Vale de Matos Cid, apenas se modifica a grafia do sobrenome “Vale”: “Valle” na primeira e “Vale” na segunda. A revista Beira Alta, ano I, confirma que o nome do Tenente-coronel é Numa e não Nuno, porque apresenta um artigo da sua autoria163 intitulado “Celorico da Beira”.

António Carlos Borges, natural de Cortiçô da Serra, freguesia do concelho de Celorico da Beira, além de advogado e Governador Civil de Santarém, também foi Vice-Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Presidente da Comissão Distrital da União Nacional e Deputado parlamentar164, de 1935 a 1957. Relativamente a Júlio da Costa Almeida, a Professor Manuel Ramos de Oliveira, refere que nasceu em 1884, foi Coronel de Infantaria: “foi sempre um oficial muito cumpridor, servindo em França no CEP, onde ficou prisioneiro no célebre 9165 de Abril.”166 Faleceu a 30 de Maio de 1955, em Lisboa. Na BNF, encontra-se o registo de um Rodrigo Mendes Silva167, autor do Catálogo Real e Genealógico de Espanha (1656)168, historiógrafo do Rei Filipe IV de Espanha, conforme o atesta o documento que trata do processo que a Inquisição169 levantou contra ele por ser judeu. O mesmo documento atesta que Rodrigo Mendes Silva escreveu, mas não publicou uma obra sobre a sua terra natal: “Rodrigo Mèndez Silva aurait préparé, mais non publié, à la fin de sa vie, une histoire de sa ville natale, Celorico da Beira, qui était aussi celle de Miguel de Silveira.”170 A 28 de 1663, Rodrigo Mendes Silva e a esposa, são expulsos de Espanha e refugiam-se em Itália, depois dos seus bens lhe terem sido confiscados171. Rui Faleiro172 é outro dos nomes mencionados num destes documentos disponibilizados pela BFN online. Desta vez, não para falar de um filho da terra, mas de um nome soante que esteve preso na prisão de Linhares no século XVI. De acordo com os dados apurados, na página online da “Carreira da Índia”173, Rui Faleiro nasceu na Covilhã na segunda metade do século XV. Era cosmógrafo e juntamente com o irmão, Francisco Faleiro, também cosmógrafo, participou na organização científica da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães. Serviu os reis D. João II e D. Manuel I. Depois foi com o irmão e Fernão de Magalhães para Castela, colocando-se ao serviço do rei castelhano. No entanto, não chegou a participar na viagem de circum-navegação, porque entretanto esteve preso durante dez meses, nas prisões da Covilhã e de Linhares, por ter transmitido os seus conhecimentos náuticos no estrangeiro: “On l’arrêta e til resta dix móis dans les prisons de Covilhã et de Linhares (Celorico da Beira), sans que sa femme et son père vinssent le voir une seule fois” 174.

De entre as personalidades Celoricenses contemporâneas, salienta-se Alfredo Cunha175, editor fotográfico do Jornal de Notícias, que nasceu em 1953 em Celorico da Beira. É reconhecido como um dos melhores fotojornalistas da actualidade, já que o Museu Internacional de Fotografia da Holanda admitiu uma foto sua, sabendo que só admite seis fotos por ano. Só no ano de 2007 recebeu mais de vinte prémios, nacionais e internacionais. Fotografou os lugares mais remotos do planeta, publicou vários livros e foi condecorado com o título de Comendador, por Mário Soares. Outra figura célebre, natural de Celorico, é Gomes Amaro176, um dos relatores de futebol mais famosos da década de 70 e 80 do século passado. Emigrou para o Brasil aos três anos, onde adquiriu o sotaque, que lhe era tão característico. Formou-se em Electrónica de Comunicações e foi no Brasil que começou a fazer rádio. Acompanhou principalmente o FCP e a Selecção Portuguesa. Relatou durante anos na Rádio Porto, Rádio Press e Rádio Festival, onde terminou a carreira. Bem conhecidas são as suas expressões: “Vai buscar, Tibi” e “Não adianta chorar!”.

Além dos simples turistas, há que salientar algumas figuras ilustres que Celorico da Beira teve o prazer de receber como visita, quer lúdica, quer por dever. Nesta última circunstância, englobam-se a passagem do Marechal francês, Massena, comandante das tropas francesas e do Lord Wellington, chefe das tropas inglesas, aquando da Guerra Peninsular177, no século XIX, mais precisamente, durante a Terceira Invasão (de 1810 a 1814), retratada em diversos documentos franceses, consultados online na BNF178. Por outro motivo, bem mais pacífico, foi a estadia de S. Francisco de Assis em Linhares e Celorico, aquando da sua passagem pela Beira-Serra, conforme revele o artigo publicado na revista Altitude pelo Dr. Alberto Diniz da Fonseca, em que transcreve a memória dessa visita tal como foi publicada na Folha de Trancoso. Transcreve-se de seguida a parte que diz respeito à visita a Linhares e a Celorico, em 1252 (1214):

“(…) Ao terceiro dia vieram todos a Linhares, aqui esteve 2 dias, vieram todos a Celorico, aqui esteve 3 dias; aqui despediu os Homens de Trancoso e tomou outros e tomaram rumo a Viseu. Isto me disseram os Homens tornados a Trancoso e que foram seus companheiros à Guarda, Linhares e Celorico ter feito e além disto nada mais acrescentaram!179


Muitas outras figuras ilustres passaram, com certeza, por esta Vila, que abria caminhos a Viseu, Coimbra e Lisboa, cujo registo não foi realizado e se o foi, por um ou outro motivo, pode não ter chegado até aos nossos dias. Não foi o caso da passagem da Rainha D. Catarina de Bragança, viúva de D. Carlos II, que em 1693 se dirigia para Lisboa. O Professor Manuel Ramos de Oliveira lembra essa passagem na página 243 da sua monografia sobre a Vila de Celorico da Beira. Umas páginas mais à frente, relata a visita de Alexandre Herculano à Beira e, em particular, a Celorico da Beira, em 21 de Agosto de 1853, citando as suas impressões configuradas na sua obra Scenas de um ano da minha vida e apontamentos de viagem:

“Passamos uma boa parte de pedra e chegamos a Celorico colocada numa eminência. Nenhumas notícias de José Freire de Serpa Pimentel. A estalagem180 da Pinta181. Visita à vila e ao castelo com o administrador do Concelho e o Presidente da Câmara. A Torre de Menagem meio voada: só resta um ângulo. Grande torre quadrada sobre a cerca; muralha ainda em grande parte conservada. Parece tudo obra dos fins do século XIV ou princípios do XV século. A vila oferece um aspecto de progresso e prosperidade bem diverso do de Trancoso. Vista magnífica dos arredores regados pelo Mondego que serpeia a pouca distância da Vila. Abundância de olivedos, hortas, campos de cereais, grupos de arvoredo nas vastas bacias de um e outro lado por onde vai passando o Mondego.”182


Em Celorico, trabalharam também pelos menos dois grandes artistas do século XVI. Um deles foi Frei Carlos183, um pintor flamengo, que trabalhou no Santuário de Açores. Outro foi Gaspar Dias, que pintou um painel que até há pouco tempo existia na Igreja de Santa Maria. Na página oficial da CM online184 cita-se uma notícia escrita pelo Presbítero Luís Duarte Villela da Silva sobre este quadro da Igreja de Santa Maria pintado por Gaspar Dias. Mais controverso é o facto de Vasco Fernandes, mais conhecido por Grão Vasco, ser ou não autor de três Tábuas em castanho representando a Anunciação, a Adoração dos Magos e a Descida da Cruz185.

Resumindo, muitos foram os que tiveram Celorico da Beira como terra natal, e outros tantos que por lá por lá passaram. Uns são mais conhecidos que outros. Uns foram imortalizados, outros caíram no esquecimento. No entanto, a sua memória permanecerá neste e noutros documentos espalhados pelo país e pelo mundo. Importa, por isso, lembrar que desde sempre, talvez pela sua situação geográfica estratégica, a Vila de Celorico da Beira foi alvo de visita, quer pelos inúmeros anónimos que por aqui passam, quer por figuras ilustres, como foi o caso do Conde Oeynhausen, que visitou as duas praças da vila em 1791 e lhe fez os mais apurados elogios. Este episódio está relatado no Compêndio Histórico da Villa de Celorico da Beira do Padre Luiz Duarte Villela da Silva e foi mencionado no texto do Coronel de Numa Pompílio.



2.2. Periódicos

As informações que podem ser retiradas dos periódicos, que foram existindo em Celorico ao longo do tempo e cujo testemunho chegou felizmente até nós, fornecem-nos informações preciosas sobre as mais variadas áreas. De acordo com Adriano Vasco Rodrigues:



“Os jornais, na sua qualidade de órgãos de comunicação social, tornam-se fontes históricas de preciosas informações económicas, administrativas, mundanas e demográficas referentes às localidades que servem. São indicadores de nível cultural da época da publicação.”186
Os jornais, revistas e outros órgãos de comunicação social são fontes documentais e históricas de elevado valor. De momento, Celorico da Beira não possui nenhum jornal ou revista. No entanto, houve tempos em que proliferavam diversas publicações locais187. Exemplo disso é a vasta lista apresentada por Regina Gouveia no seu trabalho sobre imprensa beirã dos inícios do século XX188, na qual se encontram os seguintes jornais publicados em Celorico ou sobre Celorico189 nos finais do século XIX e princípios do século XX:


DATA

PUBLICAÇÃO

CARACTERÍSTICAS

13.02.1897

A Gleba


Semanário regionalista de cariz maçónico.

10.02.1904

Cerro Rico

Semanário Progressista.

1906

Ecos da Beira

Semanário.

01.09.1913

A Voz do Pároco

Quinzenário, católico.

03.04.1919

Notícias de Celorico

Semanário «Defensor da República e dos Interesses do Concelho».

21.08.1921

Terra da Beira

Semanário Republicano. Órgão do Núcleo de Defesa do Concelho de Celorico da Beira.

18.09.1919

Jornal de Celorico

«Semanário sem Ideologia Política». «Com devoção aos interesses da nacionalidade e da localidade».

24.03.1927

O Correio da Serra

Semanário regionalista, anti-democrático.

12.08.1928

O Correio

Semanário, «servirá a Ditadura, porque a Ditadura serve a Nação».


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