Universidade de São Paulo Escola de Artes, Ciências e Humanidade Poluição das Águas Prof. Dr. Marcelo Antunes Nolasco Derramamento de Petróleo no Oceano: dinâmica dos poluentes, monitoramento e toxicidade



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Universidade de São Paulo

Escola de Artes, Ciências e Humanidade
Poluição das Águas

Prof. Dr. Marcelo Antunes Nolasco


Derramamento de Petróleo no Oceano: dinâmica dos poluentes, monitoramento e toxicidade.

Bruna Brunetta Toscano

Diego Lorenzo Palópito

Fernanda Pinto Guerra Julia Butzge

Luahnna dos Santos Baraldi

Milena Carrasco Bastos

São Paulo

2010


Sumário:

    1. Introdução ............................................................................................................ 4

      1. Histórico do Uso do Petróleo ................................................................... 4

      2. A Relevância do Petróleo na Atualidade ................................................. 5

    2. Caracterização Físico-química do Petróleo ........................................................ 9

      1. Origem e Formação do Petróleo ............................................................ 11

      2. Substâncias que compõem o Petróleo .................................................... 11

      3. Onde o Petróleo é encontrado e como é explorado ................................ 12

2. Dinâmica e comportamento do Petróleo nos oceanos .......................................... 14

3. Os principais derramamentos de óleo nos oceanos ............................................. 16

3.1 Guerra do Golfo, Kuwait, Golfo Pérsico ..................................................... 20

3.2 Exxon Valdez ............................................................................................... 23

3.3 Baia de Guanabara........................................................................................ 26

3.4 Golfo do México........................................................................................... 27

4. Processos de Monitoramento e Remediação de Derramamentos de Petróleo ..... 31

5. Conclusão ............................................................................................................. 33

6. Referências ........................................................................................................... 35

Lista de Figuras:

Pág. 7 – Figura 1: Torre de Fracionamento

Pág. 13 – Figura 2: Sistema de Armazenamento de Petróleo

Pág. 13 – Figura 3: Exploração de Petróleo em Terra

Pág. 14 – Figura 4: Exploração de Petróleo em sistema offshore

Pág. 16 – Figura 5: Processo de degradação de óleo no mar

Pág. 26 – Figura 6: Impacto do vazamento na zona costeira dos Estados Unidos

Pág. 27 – Figura 7: Debaixo da maré negra




    1. Introdução

      1. Histórico do Uso de Petróleo

Não há uma data exata que marque a descoberta do petróleo, mas há evidências de que o petróleo já era utilizado pelos egípcios no embalsamento dos mortos, pelos incas na construção de estradas, pelos sumérios no assentamento de tijolos, além dos gregos e dos romanos (Cardoso, 2006).

Apesar deste cenário, apenas no século XVIII o petróleo começou a ser utilizado com fins comerciais, quando Edwin L. Drake realiza a primeira perfuração de um poço de petróleo em Tittusville, na Pensilvânia, no ano de 1859. Cinco anos após este feito já havia 543 companhias nos Estados Unidos destinadas a este novo ramo (site Unicamp).

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) a indústria do petróleo decola com uma estrutura de oligopólio fundamentada nas “Sete Irmãs”, sendo elas: Exxon, Mobil, Texaco, Chevron, BP, Shell e Gulf (nomes recentes dessas organizações). Dessa maneira, as “Sete Irmãs” expandiram-se muito rápido, devido principalmente à grande produção de petróleo no Oriente Médio (Zamith, 2001)

Até a década de 60 essas companhias criaram barreiras a fim de impedir novas competidoras neste ramo do mercado. Porém, alguns países que possuíam grandes reservas de petróleo, começaram a negociar com companhias competidoras, resultando na modificação da composição do mercado. Dessa maneira, nos anos 70 ocorreu a nacionalização de ativos petroleiros em países produtores e exportadores de petróleo, resultando na criação de empresas por parte dos Governos de Estado, como por exemplo, a Japan National Oil Corporation . No caso, algumas companhias de médio porte dos Estados Unidos iniciaram a exploração de petróleo em outros países, resultando em preços menores e criando concorrência (Zamith, 2001)

Ainda em 1960 foi criada a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), por cinco países: Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela. Posteriormente foram incluídos Qatar (1961), Indonésia (1962), Emirados Árabes Unidos (1967), Argélia (1969), Nigéria (1971), Equador (1973), Gabão (1975) e Angola (2007), porém Gabão e Indonésia deixaram a organização. A OPEP tem o objetivo de fortalecer as companhias petroleiras dos países produtores frente às companhias internacionais (site oficial da Opep)

Em 1973 ocorreu o primeiro choque do petróleo e como conseqüência o mercado se reestruturou de maneira que as companhias petroleiras internacionais, conhecidas como IOC (International Oil Companies) passaram a controlar o downstream, ou seja, transporte, refino e distribuição. Já as companhias petroleiras dos países produtores, principalmente a OPEP, passaram a controlar o upstream, ou seja, a produção (Zamith, 2001)

Em 1979 ocorreu o segundo choque do petróleo confirmando as previsões de escassez e elevação dos preços. Porém nos anos 80 investiu-se muito em inovações tecnológicas, este fato ligado ao aumento da concorrência entre as companhias resultou em uma baixa nos preços de exploração e desenvolvimento. Dessa maneira, nos anos 90 o mercado foi marcado por uma oferta maior do que a demanda mundial, apesar de não haver controle sobre o preço do petróleo no mercado (já que este se tornou uma commodity). Logo, desde 1999, quando foram reduzidos quatro milhões de barris de petróleo por dia na produção, a OPEP tem mantido um controle do preço do petróleo através de quotas limitadas de oferta (Zamith, 2001), dessa forma podemos notar que o mercado que envolve o petróleo e seus derivados possui uma historia de preços atrelada a interesses de cartéis, seja no refino, seja na exploração.


      1. A Relevância do Petróleo na Atualidade

Os processos industriais, cada vez mais, utilizam o petróleo em alguma de suas etapas de produção, originando uma imensa variedade de produtos utilizados pela sociedade atual. Há alguns problemas encontrados na utilização excessiva desses hidrocarbonetos, isso sem mencionar o fato do recurso ser esgotável, bem como dar geração a resíduos e efluentes de caráter altamente poluidor. O que preocupa é a destinação desse tipo de resíduo, a qual é, grande parte das vezes, feita de forma incorreta, ocasionando sérios problemas ambientais, como: a contaminação do solo, dos aqüíferos e dos recursos hídricos subjacentes. Outro grande problema encontrado é a necessidade de investimentos altíssimos para remediar as áreas em que houve o descarte inadequado desses materiais, deixando de investir o mesmo em outros projetos, que ao certo serão mais proveitosos e rentáveis. (Dourado e Moreira, 2005)

Contudo, apesar de seu lado negativo, o petróleo é utilizado para a fabricação de muitos produtos que vão desde o conhecido combustível para automóveis, a gasolina, até produtos para a área da saúde, como medicamentos. O petróleo bruto é composto por centenas de hidrocarbonetos, logo, para que suas propriedades possam ser utilizadas na fabricação dos produtos é preciso separar esses hidrocarbonetos, o que é feito no refino do petróleo. Tal processo é possível através da destilação, que consiste no aquecimento do petróleo bruto, que é separado de forma progressiva, porque os hidrocarbonetos de diferentes tamanhos têm pontos distintos de ebulição. Cada cadeia que é separada possui uma propriedade única, que a torna útil de uma maneira específica. (site oficial da Agência Nacional de Petróleo, 2010)

Desse modo, a partir do petróleo bruto e de seu refinamento, é possível obter produtos dos mais variados como:


  • O gás de petróleo, que é utilizado para aquecer, cozinhar e fabricar plásticos.

  • O gás liquefeito de petróleo, conhecido como GLP, que é formado a partir da liquefação sob pressão do gás de petróleo e colocado em botijões para a utilização como gás de cozinha.

  • A nafta, que é um intermediário, utilizado na produção da gasolina. Pode também ser transformada em compostos aromáticos, úteis na produção de produtos diversos, tais como: tintas, fibras sintéticas, cosméticos, dissolventes plásticos, detergentes e medicamentos. Quando os compostos aromáticos são formados, há como subproduto o gás hidrogênio, que pode ser vendido ou utilizado em outros processos.

  • A gasolina de vários tipos, com ou sem aditivos, que serve como combustível de motores. É um dos produtos de maior importância obtidos a partir do petróleo, sendo inflamável e volátil. Para baratear a gasolina, são adicionados nela produtos não derivados do petróleo, como o metanol e o etanol. No Brasil, o teor de álcool é especificado pela ANP (Agência Nacional de Petróleo).

  • O querosene de diversos tipos, como a gasolina, é um combustível de motores, porém utilizado em turbinas de avião a jatos e em tratores. É um produto intermediário entre a gasolina e o óleo diesel, tendo como principais características o fato de realizar a queima de produtos, sem a geração de odor e fumaça. Além disso, também serve como matéria- prima para a fabricação de outros produtos, sendo utilizado como solvente.

  • O gasóleo, também chamado de diesel destilado, usado como combustível em motores a diesel. Também sendo um produto intermediário para a fabricação de outros, tendo como característica principal a viscosidade, que garante a lubrificação.

  • O óleo lubrificante, utilizado como: graxa, óleo de motor, solvente e outros lubrificantes.

  • As parafinas, que constituem um produto de ampla aplicação, sendo utilizada como impermeabilizante de papel, explosivo, revestimento de pneu. Além disso, a parafina é misturada ao chocolate, com o objetivo de dar consistência ao mesmo.

  • O petróleo pesado ou óleo combustível, utilizado como combustível industrial e intermediário para produzir outros materiais.

  • O asfalto, utilizado na pavimentação do solo e como revestimento impermeabilizante.

  • Os diversos produtos químicos restantes, utilizados para a produção de plásticos e outros polímeros.

  • Os demais resíduos da destilação do petróleo bruto, tais como: coque, alcatrão, breu, ceras, são utilizados como material inicial para a produção de outros produtos.

Figura 1: Torre de Fracionamento



Fonte: Peruzo e Canto, 1996.

Atualmente, a indústria petrolífera emprega milhões de pessoas, de forma direta ou indireta, ao redor de todo o mundo. Além de ser responsável por uma gigantesca movimentação financeira mundial. O maior consumidor de petróleo do mundo é os Estados Unidos, apesar de produzirem bastante, a importação de petróleo desse país é alta e tende a crescer a cada ano. No Brasil, a indústria de petróleo participa de, aproximadamente, 5,4% do PIB (Produto Interno Bruto), parece pouco, mas com isso movimenta cerca de R$52,6 bilhões. Desse modo, é evidente que o valor do petróleo, é bastante significativo, não somente para a economia brasileira, mas também ao redor do mundo todo e, desse modo, o comércio desse bem é visto, por muitos, como imprescindível. (Brick e Mello, 2010)

Assim, apesar dos problemas que a utilização do petróleo vem causando e do fato de que sua substituição deve ser alvo de intensas pesquisas, buscando reais viabilizações, por esse ser um recurso esgotável, a utilização do petróleo continua em alto e contínuo crescimento. No Brasil, por exemplo, mais especificamente no Rio de Janeiro, estado responsável por 81% da produção nacional brasileira, há diversas empresas multinacionais que entram no mercado, atualmente, com a ambição da existência de uma expansão ainda maior na economia do petróleo e do gás natural, crescimento esse capaz de fornecer mercado e lucros para todas essas empresas existentes e para as que ainda virão a existir.

Contudo, muitos não sabem que a extração e produção de petróleo são atividades que exigem grande número de trabalhadores, equipamentos e processos, sendo assim complexas e dispendiosas. Desse modo, para que haja a obtenção de bons lucros nesse mercado, não é atrativo às empresas atribuir uma grande margem de lucro ao produto, e sim, vender uma variedade imensa de produtos. A questão que está sendo discutida nos dias atuais refere- se ao fato de cada processo, desde a localização do poço até a extração, o refino e a distribuição dos subprodutos e do produto final, estarem associados a riscos e falhas que podem ocorrer, e tem ocorrido ao longo da história petrolífera. Acidentes envolvendo empresas de petróleo e com grande prejuízo ambiental são cada vez mais comuns, levando a necessidade do desenvolvimento de medidas mitigadoras que possam eliminar ou reduzir ao máximo esses impactos, bem como técnicas de investigação que buscam avaliar a extensão da contaminação e sua evolução no tempo. Assim, investimentos em métodos de previsão, prevenção e controle de riscos são feitos, principalmente, devido à exigência cada vez maior dos órgãos reguladores e da própria sociedade civil, que passa a se preocupar, cada vez mais, com o ambiente que encontra ao seu redor e com o que deixará para o desfrute das futuras gerações.


    1. Características Físico- químicas do Petróleo

As principais características de um dos recursos naturais mais explorados hoje em dia é a de ser líquido, menos denso do que a água, apresentar uma tonalidade de cor escura, mas que é capaz de variar em tons de cinza bem escuro, praticamente preto, bem como o verde e o marrom, além da variedade incolor (Teixeira, 2008). Vale salientar que, segundo Speers e Whithehead (1969) e Tissot e Welt (1984) apud CETESB (2010), as diversas condições nas quais o petróleo pode se formar e as diversas variáveis envolvidas em cada uma levam às características físico-químicas singulares para cada óleo e, como as digitais humanas, não existem dois deles que sejam exatamente iguais.

A tabela abaixo fornece outras propriedades do petróleo:

Tabela 1: As propriedades do petróleo e sua síntese


Propriedades

Síntese

Volatilização

conforme a temperatura do óleo aumenta, seus componentes voláteis começam a evaporar um a um

Viscosidade

resistência ao fluxo, dependendo da temperatura e das frações leves que compõem a mistura, chegando a afetar a taxa de espalhamento da substancia; determinando seu comportamento no ambiente

Pour point ou fluidez

temperatura limite na qual, o petróleo estando abaixo, não pode fluir, pois formou-se uma estrutura microcristalina que aumentou a viscosidade e a tensão

(deve-se considerar que o petróleo é um recurso mineral)



Tensão superficial

atração entre as moléculas da superfície do fluído, que juntas com a viscosidade influenciam a dispersão de manchas de óleo, sendo inversamente proporcional à temperatura

Ponto de ignição ou flash point

temperatura na qual há ignição de vapores, sendo relacionada mais à segurança na exploração, transporte e armazenamento

Solubilidade

dissolução em um solvente, cabendo aqui a questão óleo-água onde a solubilidade do primeiro na segunda é muito baixa

Não persistente

Desaparece rapidamente quando exposto às intempéries

Persistente

Degrada-se muito lentamente no ambiente (óleos crus)

Fonte: CETESB, 2010.
Ainda com relação à persistência, esta é proporcional à gravidade específica dada pela densidade do óleo em relação à água, sendo expressa em ºAPI, determinada pelo America Petroleum Institute como:

141,5
°API= -------------------------- -131,5
gravidade específica

A tabela abaixo classifica os diferentes tipos de óleo, de acordo com a densidade, API, composição, meia-vida e persistência:

Tabela 2: Classificação dos tipos de óleo


Classificação dos tipos de óleo

Grupo

Densidade

API

Composição

Meia Vida

Persistência

I

< 0,8

> 45

Leve

~ 24 h

1 - 2 dias

II

0,80 à 0,85

35 à 45

Leve

~ 48 h

3 - 4 dias

III

0,85 à 0,95

17,5 à 35

Pesado

~ 72 h

5 - 7 dias

IV

> 0,95

< 17,5

Pesado

~ 168 h

> - 7 dias

Fonte: ITOPF – The International Tanker Owners Pollution Federation apud CETESB, 2010.
Uma classificação simples do petróleo diferencia o óleo bruto (aquele que jorra do poço) do óleo refinado (aquele já destilado), sendo que dentre estes é mais trivial o processo de contaminação ocorrer pelo primeiro tipo. Isto decorre de acidentes com petroleiros e problemas na plataforma de extração, enquanto o segundo tipo é mais sutil e ocorre continuamente devido às inúmeras e ininterruptas atividades humanas.

É importante mencionar que os compostos voláteis do petróleo no oceano acabam matando diversos organismos, enquanto que outras substâncias se estruturam em esferas que lembram o alcatrão, sendo danosas às aves e mamíferos aquáticos, levando muitos a óbito por afogamento ou hipotermia. Uma pequena parte, mais densa que a água, ainda se deposita no leito oceânico e contamina a fauna e flora bentônicas, novamente levando a óbito ou então voltando para os seres humanos como alimentos contaminados. Além disso, vale citar que também resulta na destruição de recifes de corais e a recuperação do ambiente leva em média três anos (Miller, 2007)



1.2.1 Origem e Formação do Petróleo

Após séculos de pesquisa teorizou-se que o petróleo origina-se de substâncias orgânicas, i.e. restos vegetais e seres marinhos, principalmente algas, microalgas para ser mais preciso, as quais foram preteritamente soterradas por um forte processo de sedimentação/assoreamento de lagos e mares (conhecidos como mares rasos). Tais ambientes eram predominantemente pouco oxigenados ou já apresentavam um baixo teor de oxigênio, assim o processo de oxidação da matéria orgânica dificilmente ocorreria, facilitando o surgimento de um ambiente anaeróbio que aos poucos transforma a matéria orgânica em hidrocarboneto através da volatilização de certos compostos e também pelo enriquecimento (aumento da concentração) de carbono no local. Neste processo também é relevante citar que junto ao processo de formação do petróleo origina-se também uma parcela de gás natural e que o volume total para cada um dependerá da profundidade e da pressão em que se encontra o material de origem (Teixeira, 2008)

As depressões na superfície terrestre são um exemplo de locais de acumulação de sedimentos e material orgânico, formando as chamadas bacias sedimentares, que por sua vez sofrem o rebaixamento e contínuo processo de deposição de materiais, tanto orgânicos como inorgânicos. Por fim, o tempo é um fator essencial e preponderante, pois a formação de tal material leva milhões de anos, primeiro para ocorrer o processo acima citado e, depois, mais alguns milhões para ocorrer a transformação química (Canuto, 2002).

1.2.2 Substâncias que Compõem o Petróleo

O petróleo em si é constituído em grande parte pelos hidrocarbonetos, cadeias moleculares formadas por átomos de carbono e hidrogênio; porém o petróleo apresenta inúmeros outros compostos como: compostos orgânicos sulfurados, nitrogenados, oxigenados, organometálicos, água, sais minerais e areia (MACHADO et al., 2003). Podemos encontrar ainda metais traço como: vanádio, níquel, sódio, cálcio, cobre e urânio (Posthuma, 1977 apud CETESB, 2010).

Ainda segundo a CETESB (2010) os óleos pesados e viscosos são responsáveis por impregnar a superfície dos organismos e levá-los à morte, uma vez que dificultam sua locomoção, obtenção de alimentos e energia e a regulação de sua temperatura corporal. Os compostos aromáticos causam a toxicidade letal, sendo os principais o benzeno, o tolueno e o xileno; sua ação é característica nos momentos iniciais da contaminação dos ecossistemas. O grupo dos aromáticos são de fato carcinogênicos (benzopireno e benzantreno), contaminando moluscos, briozoários e algas. Além disso, os compostos, em conjunto, afetam a biota em dois pontos extremamente vulneráveis: a mortandade de larvas, pois são muito sensíveis aos efeitos tóxicos do petróleo; e a redução da fertilidade dos adultos, diminuindo consideravelmente as chances de fecundação dos ovos e causando o efeito cascata de diminuição da população que consequentemente causa impacto na teia trófica. Neste último, como estamos tratando de ambiente aquático essencialmente, o problema se inicia no fitoplâncton e cianofíceas, seguido das demais algas.


      1. Onde o Petróleo é Encontrado e Como é Explorado

O petróleo por ser líquido deve ser tratado como um fluído, podendo assim ocupar espaços vazios; logo, este recurso é encontrado nas chamadas rochas-fonte, que segundo ART (2001), são as rochas ancestrais das quais um sedimento é derivado; ou ainda, sedimento ou rocha onde se origina o petróleo. Como são formadas por sedimentos apresentam poros que permitirão tanto a acumulação do recurso como a sua locomoção, sendo que a sua formação se inicia apenas a uma profundidade mínima de 500 metros, após isto a pressão comprime mais a rocha e junto à temperatura faz com que os hidrocarbonetos migrem em direção à superfície até chegar em uma região de maior porosidade que pode ter diversos graus de permeabilidade. Entretanto, a baixa densidade do produto o faria aflorar na superfície caso não fosse a presença de certas camadas de material impermeável (folhelhos, argilitos, sal, granito, etc.) que impedem a passagem e são então chamadas de rocha capeadora, as quais apresentam baixo grau de permeabilidade, sendo praticamente nula devido à sua baixíssima porosidade. Enquanto que a rocha onde se encontra o hidrocarboneto é chamada de rocha reservatório, sendo que esta pode ter porosidade elevada, ou seja, alta correlação entre o volume de espaços vazios e o volume total do material.

Há duas origens para este sistema de armazenamento (chamado armadilha ou trapa): estratigraficamente ou estruturalmente; resultando em varias formas, sendo as mais comuns: anticlinal (dobra), discordância e falha (Figura 2) (Teixeira, 2008).


Figura 2: Sistema de armazenamento de petróleo

Fonte: TEIXEIRA et al, 2008.

As fontes de petróleo podem conter até mais de 500 milhões de barris para se extrair e tais depósitos são encontrados através de inúmeras técnicas geológicas (Walisiewicz, 2008). Na figura 3 está representado o esquema de um poço de extração em terra, já na figura 4 está representado um sistema offshore. Este último diz respeito ao sistema de plataformas flutuantes no mar, ortogonalmente localizadas sobre a plataforma continental, que apresenta os reservatórios de petróleo atualmente explorados em áreas marinhas, portanto é necessário conhecer a topografia do leito oceânico e as variáveis ambientais que podem alterar as características do meio, como por exemplo: correntes, ocorrência de tempestades e até rota migratória de certos animais (TPN, 2010).

Figura 3: Exploração de petróleo em terra



Fonte: State of California – Departament of Conservation, 2010 (a)

Figura 4: Exploração de petróleo no sistema offshore



Fonte: State of California – Departament of Conservation, 2010 (b)


Depois de extraído, o petróleo cru precisa ser transportado até os locais de refino que permitirão sua utilização e transformação em diversas outras substâncias essências ao nosso atual estilo de vida. O transporte ocorre via oleodutos, caminhões e navios petroleiros; já o refino se dá essencialmente pela destilação fracionada que se utiliza dos pontos de ebulição que apresenta cada um dos componentes do petróleo, como citado anteriormente (visualizar figura 5). Ao final do processo temos os chamados petroquímicos (Miller, 2007)
2. Dinâmica e comportamento do Petróleo nos oceanos

Assim que liberado nas águas marinhas, o petróleo inicia um processo de intemperização, fragmentando ao longo do tempo suas estruturas físicas, químicas e biológicas até chegar a uma degradação completa. Essa velocidade com que ele se degrada depende das propriedades do óleo (densidade, temperatura, viscosidade, oxigenação e composição química) que variam conforme a profundidade de origem, e também das características do mar, tais como: a temperatura, pH, salinidade, correntes marítimas, taxa de incidência de radiação e presença de material particulado na superfície. Porém, de modo geral, a degradação do petróleo é mais rápida nos momentos seguintes de seu despejo na água marinha, ficando cada vez menos efetiva conforme o passar do tempo. Primeiramente ocorre a degradação física, interferindo na solubilidade, densidade e viscosidade, e a degradação química ocorre durante um longo período, oxidando o petróleo já envelhecido sobre as águas.

Os principais processos dinâmicos a que o petróleo está sujeito ao ser liberado no mar são: dissolução, evaporação, espalhamento, dispersão, oxidação, emulsificação, sedimentação e biodegradação. Os quais, detalhados em seus funcionamentos, resultam em:

- Espalhamento: é a movimentação horizontal do petróleo na superfície da água, aumentando gradativamente a área ocupada pelo óleo, conseqüentemente, diminuindo sua espessura. Ela ocorre devido às propriedades físicas do óleo que atuam em conjunto com a força do vento (em geral, quanto menos viscoso, mas fácil será o espalhamento). Este processo facilita o intemperismo, pois a transforma a mancha de óleo numa camada fina, mais sujeita à ação da degradação.

- Dispersão: é a quebra da superfície viscosa do óleo em inúmeras gotículas suspensas na água. A dispersão é viabilizada pela ação das correntes marinhas e das ondas. Igualmente ao espalhamento, quanto menos viscoso e menor a sua tensão superficial, mais fácil do processo ocorrer.

- Dissolução: é a taxa de solubilidade das substâncias componentes do petróleo na água. A medida que o tempo passa, o intemperismo age para quebrar a estrutura do óleo em formas mais simples e mais solúveis, e essas podem se misturar com a água do oceano, alterando as propriedades químicas e físicas deste meio, podendo impactar a biota aquática.

- Evaporação: é a taxa de volatilização dos compostos com pontos mais baixos de ebulição, presentes na composição do petróleo. Ela ocorre abundantemente nas primeiras horas após o derrame e é facilitada também pela agitação física dos oceanos. Esse processo, dependendo da composição do petróleo despejado, pode ser responsável pela redução de metade do volume do óleo derramado, como é o caso das gasolinas refinadas e do querosene, por exemplo.

- Emulsificação: é quando o óleo se agrega à água, formando uma emulsão muito estável chamada de água-óleo ou de “mousse”. Essa emulsão é tão estável que dificulta inegavelmente o processo de intemperismo do petróleo.

- Oxidação: É a oxidação (reação com oxigênio) dos hidrocarbonetos presente no petróleo, produzindo assim produtos mais solúveis e muito tóxicos. É viabilizada pela ação da radiação solar, fazendo a fotoxidação e pela quantidade de sais minerais presentes na água, que também contribuem para esse processo.

- Biodegradação: é a degradação do petróleo feita por microorganismos marinhos. Como é feio por organismos vivos depende quase exclusivamente da temperatura da água e da disponibilidade de nutrientes como nitrogênio e fósforo. É um processo extremamente lento que pode persistir por muitos anos.

- Sedimentação: É a deposição de partículas de óleo que se agregam com sedimentos marinhos no fundo do mar. Geralmente ocorre com partículas do óleo que não são solúveis em água e que rapidamente se agregam e se depositam no fundo dos oceanos poucas semanas após o derrame.

Figura 6: Processo de degradação do óleo no mar.



Fonte: CETESB, 2010

Conhecer esses processos permite ao responsável pelo derrame uma maior rapidez no que diz respeito à adoção de medidas de prevenção e mitigação de impactos sobre a biota marinha e continental. Assim, é fundamental ter esses processos bem definidos e esclarecidos para todos do ramo da economia do petróleo.


  1. Os Principais Derramamentos de Óleo no Oceano

Os vazamentos de óleo no mar podem ocorrer devido a acidentes que envolvam: navios petroleiros, plataformas de petróleo, portos, terminais, refinarias e dutos. O primeiro caso conhecido ocorreu em 1967 na Inglaterra, com o encalhamento de um navio petroleiro denominado Torrey Canyon; o acidente derramou 123.000 toneladas de óleo, que acabou por atingir áreas costeiras, prejudicando a fauna e a flora local (CETESB, 2009)

Na tabela 3 pode-se visualizar alguns dos maiores vazamentos de óleo envolvendo navios até o ano de 1991. Já na tabela 4 estão representados grandes vazamentos de óleo que envolveram outras causas:

Tabela 3: Grandes vazamentos de óleo relacionados a navios

Fonte: www.itopf.com
Tabela 4: Grandes vazamentos de óleo relacionados a outras causas

Fonte: ETKIN, 1998
É muito importante ponderar que o dano ambiental resultante deste tipo de acidentes muitas vezes não é proporcional ao volume de óleo derramado, mas depende diretamente da causa do incidente, do tipo de produto envolvido, de sua toxicidade, e por último, da magnitude e sensibilidade ecológica e socioeconômica das áreas afetadas (CINTRON, 1981 in SCHAEFFER-NOVELLI, 1990 e POFFO, 2000 apud in CETESB, 2009). Como exemplo, podemos citar o acidente da Exxon Valdez em 1989, aonde o volume de óleo derramado não foi tão grande (se comparado a outros acidentes), porém por ter ocorrido em um local de enorme importância socioeconômica e ambiental foi considerado um dos mais catastróficos (CETESB, 2009).

Ainda é relevante citar que estudos realizados entre 1974 e 1990 pela ITOPF (International Tanker Owners Polution Federation) demonstraram que as principais causas dos vazamentos de óleo no mar não estavam relacionadas a acidentes, mas sim às operações de carga e descarga (70,7%) e as operações de abastecimento (12,5%). Ver gráfico 1. (CETESB, 2009)


Gráfico 1: Comparação entre as causas de vazamentos de óleo no mundo.

Fonte: IPIECA, 1991 e 2001
Ainda segundo a ITOPF, o número de acidentes com conseqüente derramamento de óleo vem diminuindo progressivamente. Além disso, também houve uma variação em relação ao tipo de óleo vazado (ambas informações podem ser vistas no gráfico 2).

Gráfico 2: Comparação entre os tipos de óleos vazados (1974 – 1998).

Fonte: IPIECA, 1991 e 2001

Em relação ao Brasil, deve-se visualizar a tabela 5 que contém uma lista dos principais vazamentos de óleo no litoral brasileiro desde 1960 até 2006. Além disso, é importante ressaltar que o Ministério do Meio Ambiente está desenvolvendo o SISNOLEO (Sistemas de Informações sobre Incidentes de Poluição por Óleo em Águas Jurisdicionais Brasileiras), que é uma importante ferramenta para a monitoração das águas.

Tabela 5: Principais vazamentos de óleo no litoral brasileiro (1960-2006)

Fonte: CESTESB, 2009



    1. Guerra do Golfo, Kuwait, Golfo Pérsico (janeiro de 1991)

O maior derramamento de óleo da história ocorreu durante a Guerra do Golfo, em 1991, devido a conflitos entre Iraque e Kuwait. O Iraque, representado por Saddam Hussen, apresentava uma posição mais restritiva em relação à regulação do petróleo na região pérsica a partir de um sistema de quotas, como forma de estabilizar os preços do petróleo e aumentar a arrecadação e então quitar dívidas antigas.

No entanto, o Kuwait apresentou uma produção superior a sua quota estabelecida, promovendo assim uma redução dos preços e da receita. Esta constante superprodução exercida pelo Kuwait levou o governo iraquiano a acreditar que a principal intenção do Kuwait era enfraquecer o Iraque, desta forma, em 2 de Agosto de 1990, o Iraque invade o Kuwait. Devido à defensiva dos kuaitianos, em 21 de Janeiro de 1991, o Iraque evacuou a área e ateou fogo em mais de 600 poços de petróleo nos campos do Kuwait (Krupa, 1997), o que corresponde a 84% dos poços existentes no país (Youtube, 2008).

Cerca de 500 milhões de barris de óleo foram perdidos a partir da queima dos poços durante o ano de 1991 (Krupa, 1997). Uma vez que a região afetada é desértica, para apagar o fogo, técnicos da Saudi Arabia, uma das empresas responsáveis pelo financiamento da remediação, utilizaram a água do próprio Golfo (Youtube, 2008). O tempo necessário para apagar o fogo de todos os poços atingidos foi de aproximadamente oito meses.

A queima do óleo foi responsável pela evaporação de metade do óleo, enquanto que outros milhões de barris de óleo foram confinados em grandes covas esculpidas no deserto (Poonian, 2003). Além disso, com a guerra que se estabeleceu nessa região, cerca de 80 navios carregados de munição e barris de óleo naufragaram e passaram a tornar-se uma significativa fonte de contaminação no Golfo por muitos anos (Krupa, 1997).

Devido aos fortes ventos o óleo se moveu para o sul, atingindo o norte da costa da Arábia Saudita. Já em relação à fumaça, ela foi amplamente espalhada, podendo ser encontrada de 15km a 1000km do local onde o óleo foi queimado (Krupa, 1997). A queima do petróleo gera uma fumaça que elimina na atmosfera grandes quantidades de metais tóxicos e substâncias carcinogênicas que contaminam a água e o solo, podendo gerar impactos severos no poder de dessalinização das plantas localizadas na costa do Golfo e contaminar a água potável da região, podendo causar desertificação (Poonian, 2003).

Os efeitos decorrentes do derramamento e da queima do óleo foram inúmeros, sendo os mais importantes a destruição dos ecossistemas entre marés, a morte de dezenas de espécie da região, a redução da temperatura no Golfo, a presença de substâncias tóxicas e a redução da radiação solar incidente (Poonian, 2003). Devido a isso, diversos ambientes foram alterados, entre eles os pântanos salgados, os manguezais, as costas de praias, costões rochosos e recifes de corais (Poonian, 2003).

Em relação aos pântanos salgados, eles passam a constituir ambientes cobertos com uma intensa camada de óleo e fuligem, responsável por causar efeitos devastadores na fauna e flora. Devido à presença de numerosas tocas de caranguejos, típicos deste ambiente, o óleo penetrava 60 cm dentro dos sedimentos, promovendo a compactação do mesmo. Tais efeitos foram responsáveis por dizimar grande parte da fauna bêntica e a maioria das plantas halófitas da região. Além disso, também favoreceu a colonização rápida de cianobactérias, que criaram um ambiente anaeróbio, característico de um ecossistema microbiano. Em algumas áreas, as cianobactérias contribuíram para o processo de biorremediação do óleo derramado. Em 2001, cerca de 20% das áreas foram totalmente recuperadas, no entanto, 25% não apresentaram nenhum vestígio de vida e não possuíam chance de regeneração (Poonian, 2003).

Segundo POONIAN (2003), os manguezais apresentam apenas uma espécie característica, que se encontra normalmente associada aos pântanos salgados. Essa espécie é considerada tolerante a poluição de óleo, no entanto, cerca de 30% das árvores contaminadas morreram. Em aproximadamente 2 anos, o ambiente sofreu regeneração natural, sendo que em 1995, cerca de 90% do óleo já havia sido “destruído”. Atualmente sobraram alguns vestígios, como plantas mortas e resíduos de fuligem.

Nas costas de praias, os sedimentos com maior tamanho permitiram a penetração do óleo em maior profundidade. No entanto, a energia proveniente das ondas é responsável por aumentar o nível de oxidação, acelerando o processo de degradação do óleo. Portanto, em águas calmas, a contaminação se mantém por mais tempo. Em 2001, cerca de 80% das praias haviam se recuperado, devido à força das ondas na maioria dos ambientes (Poonian, 2003).

Em costões rochosos, a ação das ondas também é responsável pela degradação do óleo. Uma vez que a força das ondas é maior nesse ambiente do que nas costas das praias, em 1992, já não havia mais poluição nesses ecossistemas. Em algumas áreas, o resíduo de óleo foi incorporado às rochas, sendo coberto por organismos sésseis (Poonian, 2003).

Os recifes de corais são relativamente resistentes à poluição por óleo, uma vez que o óleo flutua enquanto que os corais se encontram na parte mais inferior da coluna d’água. No entanto, se o óleo prejudicar a atividade fotossintética dos corais, seus efeitos passam a ser mais graves, uma vez que os corais podem ser substrato, alimento e abrigo para muitos organismos, sendo responsáveis pela grande diversidade de espécies da região. Desta forma, houve um decréscimo de 76% dos corais a uma profundidade de 5 a 3 metros, e de 56% de 3 a 6 metros (Poonian, 2003).

Para a remediação destes ambientes, foram coletados mais de um milhão de barris de petróleo ao longo da costa, através de navios operados pela Saudi Aramco. Devido à diversidade dos tipos de ecossistemas existentes nessa região, são necessárias diversas técnicas para a efetiva remediação, sendo algumas delas retratadas na tabela a seguir:

Tabela 6: Técnicas de remediação para ecossistemas costeiros.


Ambiente

Técnica de Remediação

Mangue

Irrigação de baixa pressão e sistema regador

Pântano Salgado

Inundação com água do mar, agitação induzido pelo vento gerado por helicópteros, irrigação na zona entre marés superior

Costões Rochosos

Jatos de alta pressão de solventes

Praias

Lavrador mecânico para realçar aeração e estimular biodegradação

Fonte: POONIAN, 2003.
Quanto às espécies afetadas pelo episódio em questão, segundo POONIAN (2003), aproximadamente 10.000 toneladas de peixes foram contaminados e mais de 300.000 aves marinhas morreram devido à contaminação por óleo e/ou pelos efeitos tóxicos da fumaça. Os mariscos também foram afetados, uma vez que este tem propriedade de acumular metais em seus tecidos, desta forma, a concentração de metais, especialmente Cu e Zn nestes organismos aumentou consideravelmente. Tartarugas marinhas tiveram lesões em seus tecidos, devido à redução na temperatura da água e presença de óleo na mesma, ou até mesmo morreram. Os mamíferos marinhos também foram afetados, uma vez que eles são suscetíveis aos efeitos da bioacumulação de substâncias tóxicas, devido sua posição no topo da cadeia alimentar, provocando a morte de muitos organismos desta espécie.

    1. Exxon Valdez (1989)

O petroleiro Exxon Valdez derramou sua carga no ano de 1989, causando danos imensos a uma grande área no litoral do Alasca. O navio havia partido do terminal petrolífero de Valdez, no Alasca, em 23 de março de 1989, e bateu em um recife, no norte de Prince William Sound, nas primeiras horas do dia 24 de março. Com a batida, o casco do navio sofreu um rompimento, e cerca de 11 milhões de galões de óleo foram derramados no mar. O derramamento massivo se estendeu por 1.900 quilômetros a partir do local do acidente, e cobriu 5.150 quilômetros da costa e uma área de 25.900 quilômetros quadrados no total (OPALC, 2009)

Apesar de terem ocorrido muitos outros derramamentos de óleo no mundo, o acidente com o Exxon Valdez aconteceu em águas remotas, onde se abrigava uma abundante vida selvagem, causando sérios danos à região, danos estes que não foram totalmente mensurados e esclarecidos até os dias atuais.

De acordo com GRAHAM (2008), o derramamento ocasionou a morte de cerca de 2000 lontras do mar, 2500 aves marinhas, 302 focas da Groelândia, além de milhões de salmões jovens e ovos da mesma espécie. Os pesquisadores da revista acrescentam que mesmo com a limpeza realizada, cujo custo ficou em torno de 2,1 bilhões de dólares, duas décadas depois do acidente, uma quantidade significativa de óleo ainda persiste nas águas do canal de Prince William.

A morte dos ovos das espécies provocou conseqüências de longo prazo na pesca do arenque e do salmão no Canal de Prince William. No ano de 1993, quatro anos após o derramamento, a indústria pesqueira da região estava quebrada. As famílias perderam seu sustento após terem tomado empréstimos para compra de botes e obtenção de permissões custosas de pesca. Tal situação econômica desfavorável corresponde a uma das bases de ação legal contra a ExxonMobil, a maior empresa petroleira do mundo. Há 22.000 pessoas processando a ExxonMobil; um júri outorgou a indenização de cinco bilhões de dólares aos autores da ação, por danos e prejuízos, que equivalem ao que eram, naquele momento, os lucros da Exxon. Esta cifra foi reduzida pela metade no Tribunal Federal de Apelações, e finalmente foi reduzida a pouco mais de 500 milhões de dólares pela Corte Suprema (OPALC, 2009).

Em relação à qualidade da água, após o derramamento foi realizado um estudo em Prince William Sound, como parte de um programa de avaliação da qualidade global da água. Amostras de água foram coletadas em 417 locais, sendo boa parte delas de áreas por onde o óleo derivava, a fim de avaliar a distribuição e as concentrações de hidrocarbonetos de petróleo na coluna de água. Over 5 000 water samples were analyzed for individual and total petroleum alkanes and for aromatic hydrocarbons by very sensitive gas Chromatographic techniques. Mais de 5000 amostras de água foram analisadas através de técnicas cromatográficas sensíveis, aonde se detectou a presença de alcanos individuais e totais de petróleo e de hidrocarbonetos aromáticos. Em 2.461 dessas amostras, foi constatada a presença de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs).A total of 2 461 of these samples were analyzed for polycyclic aromatic hydrocarbons (PAHs). Concomitante com algumas dessas amostras, 123 amostras adicionais de água foram coletadas em abril de 1989 (uma semana a um mês após o derrame) em 32 locais e, em junho de 1989, em 7 locais do canal em Prince William Sound, para determinar a toxicidade da água para espécies representativas de organismos marinhos.The toxicity of Prince William Sound water was assessed with standard Environmental Protection Agency (EPA) and American Society for Testing and Materials (ASTM) marine toxicity tests with representative species of three taxonomic groups: (1) Skeletonema costatum (a marine diatom), (2) Mysidopsis bahia (a crustacean), and (3) larval/juvenile Cyprinodon variegatus (a fish, the sheepshead minnow). A toxicidade da água da região foi avaliada conforme a norma da Environmental Protection Agency (EPA) e da American Society for Testing and Materials (ASTM). Os testes de toxicidade foram realizados em espécies de três grupos taxonômicos: (1) Skeletonema costatum (diatomácea marinha), (2) Mysidopsis Bahia (crustáceo) e (3) Cyprinodon variegatus (uma espécie de peixe) (Neff & Stubblefield, 2005).

De acordo com os mesmos autores, asHighest concentrations of total PAHs, the best indicator of the potential toxicity of the spilled oil to water-column organisms, were observed in the water column of Prince William Sound in the first two months after the spill. concentrações mais altas de HPAs, foram observadas na coluna de água de Prince William Sound, nos primeiros dois meses após o derrame, dado que acordaMeasured PAH levels were below the state of Alaska's water quality standard of 10 ppb total aromatic hydrocarbons. This finding is consistent with National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) water samples collected during the same time period. com os da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a qual coletou amostras de água durante o mesmo período de tempo. Os HPAs altamente concentrados na coluna d’água, passaram a se concentrar essencialmentePAH concentrations in the water column of the sound declined rapidly with time after the spill to essentially background concentrations of 0.01 to 0.1 ppb by mid to late summer of 1989. no fundo, concentração esta aproximadamente igual a 0,1 ppb, no final do Verão de 1989. No water samples from spill path areas of the western Gulf of Alaska contained more than 1.0 ppb total PAHs. These concentrations are well below concentrations reported in the scientific literature to be toxic to marine plants and animals.Eight of 329 samples (2.4%) of the water surface contained between 10 and 29.3 ppb total PAHs; these samples probably contained oil sheen material.Oito das 329 amostras (2,4%) da superfície da água continha entre 10 e 29,3 ppb de HPAs.

Toxicity tests with full strength Prince William Sound water showed no acute or chronic toxicity to three representative species of marine organisms. Os testes realizados apresentaram toxicidade aguda ou crônica nos três grupos de organismos marinhos utilizados no estudo. There was no dose-response relationship for any species or seawater sample, and there was no relationship between the concentration of total PAHs in the undiluted seawater samples and percentage of survival or relative growth rates in the test organisms. Houve relação entre a concentração de HPAs nas amostras de água do mar diluída e a porcentagem de sobrevivência e taxas de crescimento relativo nos organismos de teste (Neff & Stubblefield, 2005).

These studies show that the traces of petroleum hydrocarbons present in the water column of Prince William Sound and the western Gulf of Alaska shortly after the spill were well below concentrations capable of producing harmful effects in populations of sensitive species and life stages of marine organisms. Estes estudos mostraram que os hidrocarbonetos presentes na coluna de água de Prince William Sound a oeste do Golfo do Alasca, foram capazes de produzir efeitos nocivos às populações das espécies sensíveis, bem como às fases da vida de diversos organismos marinhos.



No âmbito das técnicas de remediação, cita-se a utilização de água pressurizada a alta temperatura para remover o óleo das praias. Foi testado um surfactante biológico de Pseudomonas aeruginosa por sua capacidade de remover o óleo da água contaminada. Os resultados demonstraram a capacidade do surfactante microbiano em remover o óleo de forma significativamente maior (2-3 vezes) do que a água sozinha, especialmente em temperaturas acima de 30 ° (Harvey, 1990).

Dois caminhos foram utilizados para a recuperação das espécies: a proteção contra atividades predatórias, como a pesca, sendo esta realizada de forma dirigida, e a construção de viveiros para o arenque (Ricciardi, 2009).

Durante a limpeza do derrame de óleo do Exxon Valdez, o custo da biorremediação de 120 km de costa foi menor do que um dia de custo de lavagem. A biorremediação consiste em uma tecnologia ambiental benigna já que envolve a degradação de óleo a produtos minerais, como dióxido de carbono e água, enquanto os métodos físicos e químicos, tipicamente, transferem o contaminante de um compartimento ambiental para outro (ATLAS, 1995).

De acordo com Moreira (2006), o acidente com o Exxon Valdez, em 1989, expôs as falhas de resposta do Plano de Contingência dos EUA, que existia desde 1973, o qual não foi eficaz na minimização dos danos ambientais, apesar da grande quantidade de equipamentos e materiais disponíveis para combate. Este incidente criou nova mobilização internacional para adoção de medidas de aumento de preparo e cooperação em casos de resposta a derramamentos de óleo e foi determinante na adoção da Convenção Internacional sobre Preparo, Resposta e Cooperação em caso de Poluição por Óleo - OPRC 90, que passou a vigorar em 1995.

3.3 Baia de Guanabara (2000)

Em 18 de Janeiro de 2000 ocorreu um derramamento de 1,3 milhões de litros de óleo na refinaria de Duque de Caxias, a qual é controlada pela Petrobras, devido a um defeito em um oleoduto. O incidente atingiu a área de um pântano adjacente às águas da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, Brasil. O óleo derramado era uma mistura de diesel e um óleo combustível de ponto de volatilização baixa.

Segundo Eduardo Teixeira Leite (porta-voz da Petrobras), na época foram criadas mais de 30 barreiras flutuantes para tentar conter o vazamento, além de canais que objetivavam desviar o óleo do referido pântano, porém as tentativas de contenção não obtiveram muito sucesso (BBC news, 2000). A Petrobras assumiu completa responsabilidade pelo incidente elaborando um plano de contenção e minimização de danos composto por duas frentes: uma em relação aos pássaros atingidos e outra em relação aos cetáceos atingidos (Kirwan & Short, 2003).

A frente atuante em relação aos pássaros ficou sob a responsabilidade do Centro de Recuperação de Animais Marinhos, que já mantinha uma parceria com a Petrobras desde 1999. A frente atuante em relação aos cetáceos ficou a cargo da Sea Shepherd Brasil, essa parceria foi firmada apenas em virtude do incidente em 2000 (Kirwan & Short, 2003). Segundo Taam, especialista em meio ambiente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o vazamento na Baía de Guanabara teve grande repercussão na mídia e forte pressão da opinião pública, esse conjunto de pressões surtiu um efeito em medidas preventivas e de contenção de maior rigidez e abrangência, colocando a indústria petrolífera em foco no que diz respeito à responsabilidade ambiental. Com tudo isso as indústrias petrolíferas mudaram suas diretrizes de segurança e contenção de acidentes, essa mudança resultou em: mecanismos de notificação, planos de emergência, análises de risco, alarmes e monitoramento, rotinas de inspeção e sistemas de segurança.




    1. Golfo do México (2010)

O mais recente desastre ambiental relativo a vazamentos de óleo ocorreu no Golfo do México, no dia 22 de abril de 2010, com a explosão da plataforma de extração de petróleo Deepwater Horizon, a 1500 metros de profundidade, administrada pela empresa de perfuração offshore TRANSOCEAN e possuindo parte sob concessão da exploradora inglesa British Petroleum (BP). O gasoduto submerso, de onde o petróleo é liberado, tem três pontos de vazamento que liberam por dia 795 mil litros de óleo, uma média de cinco mil barris de petróleo liberados no mar por dia. (Folha.com, 2010)

Na figura abaixo podem ser visualizados os três pontos de vazamento localizados dentro do gasoduto, além dos ROVs (veículos de operação de contenção) que, sem sucesso, tentam fechar a válvula para que o derramamento pare.


Figura 6: Impacto do vazamento na zona costeira dos Estados Unidos


O vazamento se deu nesses três pontos de fumaça preta localizados dentro do gasoduto que ligava o poço de petróleo à plataforma.

Os veículos de operação de contenção (ROVs) vêm, sem sucesso, tentando fechar a válvula para parar o fluxo de óleo.

Fonte da imagem: Deepwater Horizon Rosponse, 2010

Fonte: Deepwater Horizon Rosponse, 2010.

Quatro estados americanos já foram afetados de alguma forma pelo vazamento, sendo que estes concentram um importante santuário de fauna. Além disso, há locais que abrigam largamente a indústria pesqueira e turística, são eles: Louisiana, Mississippi, Alabama e Flórida. No estado de Louisiana, particularmente, a mancha de óleo atingiu os recifes de arquipélago de Chandeleus, situado dentro do parque nacional de Breton (Folha.com, 2010).

O impacto ambiental está sendo, a cada dia que passa, estimado em números maiores, pois a operação de contenção do vazamento em sub-superfície é muito difícil de ser realizada uma vez que a pressão à 1500 metros de profundidade é muito grande, impedindo o acesso ao local do vazamento. Em comparação com o famoso vazamento de óleo ocorrido em 1989 da empresa Exxon Valdez (o qual na época liberou 24mil barris de óleo no mar e teve um impacto imensurável sobre a biota mundial) o tipo de óleo que está sendo derramado do poço submarino no Golfo do México é mais leve se comparado ao óleo cru pesado que vazou do acidente da Exxon Valdez. Assim, ele evapora mais rapidamente da superfície e também é mais fácil de ser queimado (Deepwater Horizon Rosponse, 2010).

A figura abaixo mostra como está sendo realizada a tentativa de conter o derramamento de óleo através de barreiras absorventes postas em locais estratégicos para tentar impedir sua dispersão.
Figura 7: Debaixo da maré negra


Barreiras absorventes de óleo estão sendo implantadas em locais estratégicos ao redor de Costa do Golfo para tentar impedir a dispersão de grande parte do óleo de lavagem em terra.

A maioria dos lugares que possuem a atividade de captura de ostras, como as à leste do rio Mississippi, foram fechadas para evitar possíveis contaminações futuras.

Fonte da imagem: Deepwater Horizon Rosponse, 2010

Fonte: Deepwater Horizon Rosponse, 2010.


De acordo com o departamento de Vida Silvestre e Indústria Pesqueira do Estado de Louisiana, já foram afetadas 445 espécies de peixes, 45 espécies de mamíferos, 134 espécies de pássaros, e 32 espécies de répteis e anfíbios. A fauna marinha afetada abrange principalmente as espécies: atum vermelho, pargo vermelho, caranguejos, camarões e ostras. Particularmente, os mamíferos marinhos afetados foram: o golfinho nariz de garrafa, o peixe-boi e baleias. Outros mamíferos como os coiotes e raposas, que visivelmente não estão atrelados diretamente ao problema foram afetados, uma vez que seu habitat está contaminado pelo óleo. Um dos répteis mais afetados foi a tartaruga marinha Kemp Ridley, porque a mancha de óleo sobre o mar interrompeu sua rota de migração na época de desova. Essa espécie já estava ameaçada e agora, com esse vazamento, o risco de extinção da mesma é altíssimo. Algumas espécies de rãs e serpentes do mar estão sob avaliação de risco também. Entre as aves que sofreram mais com o vazamento estão o pelicano marrom, ave símbolo turístico da região americana, e as andorinhas reais, já que essas aves chocam seus ovos nas ilhas litorâneas e podem ingerir peixes contaminados com o óleo (Deepwater Horizon Rosponse, 2010).

Os impactos econômicos desse vazamento são tão incertos quanto os relacionados ao meio ambiente. Especialistas no Instituto de Pesquisa Harte para Estudos do Golfo do México em Corpus Christi, prevêem um valor para refletir o risco econômico, que chega a 1,6 bilhões de dólares, interferindo na área do turismo, pesca e exportação.

O especialista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), descreve esse impacto como um estágio importante para o processo crescente de substituição da matriz energética mundial. Segundo Pires, as fontes alternativas de energia estão ganhando cada vez mais força e adesão no mercado, fazendo com que o petróleo não se extinga por completo, mas tenha sua importância relativizada. O derramamento de petróleo no Golfo do México vai contribuir para dificultar os processos de produção de energia no mar uma vez que as empresas e países passarão a exigir mais segurança nos processos de extração e nas áreas exploradas por empresas de seguros, adiando os processos de produção. Pires ainda afirma que regiões com potencial de exploração petroleira poderão ser esquecidas, como é o caso da Califórnia: "Antes do acidente, o governador Arnold Schwarzenegger estava propenso a liberar a costa marítima. Depois, recuou e talvez nunca mais aquela região venha a ser explorada."

Em relação ao Brasil, dificuldades podem surgir com relação à exploração do pré-sal, pois as tecnologias de exploração petroleiras ficarão mais caras devido à previsão e prevenção de impactos e acidentes nas plataformas e embarcações, fazendo com que, ou parte do acervo do pré-sal seja ignorada por impossibilidades financeiras de exploração, ou com que empresas mais capacitadas (geralmente empresas estrangeiras de países desenvolvidos) assumam integralmente a exploração do local (Folha.com, 2010).

Muitos métodos de remediação e contenção do óleo em vazamento foram e estão sendo empregado pela BP, como tentativas, até mesmo precipitadas e desesperadoras, de conter e minimizar a liberação de tão impactante substância no meio ambiente. Uma das primeiras tentativas de conter o vazamento se deu com a utilização de robôs, monitorados à distância, que atuariam no fundo do mar tentando fechar a válvula que controlava a passagem do óleo nos oleodutos. Porém, nem esta estratégia nem a tentativa de fazer os robôs trabalharem na remediação dos pontos dos vazamentos funcionaram. Posteriormente a empresa configurou uma espécie de “estaleiro” que serviria como uma câmara de contenção, instalado na região onde o petróleo está vazando, para drenar o óleo até navios-tanque. Essa operação falhou devido à estrutura externa dos estaleiros, que não foi projetada para ser submergida à 15000m de profundidade e seu uso ficou impossibilitado por causa da formação de cristais de gelo em sua camada devido à alta pressão característica desta profundidade. A técnica de contenção que obteve sucesso até agora foi a instalação de um funil na saída do vazamento, que começou a capturar um pouco do petróleo em vazamento, uma média de 630mil galões por dia que estão sendo recuperados. Além disso, a BP planeja criar uma ferramenta que possa queimar o petróleo (globo.com, 2010)

Como a situação ainda não foi controlada e o tempo do ocorrido passa de um mês, o governo americano exigiu um prazo para a empresa apresentar oficialmente um plano que detalhe as medidas de contenção e estancamento do vazamento do Golfo do México, sob responsabilidade da mesma. O prazo se concluirá no dia 12/06/2010, no qual a empresa já terá entregado o relatório incluindo o cronograma de ações de mitigação, teoricamente (globo.com, 2010).




  1. Processos de Monitoramento e Remediação de Derramamentos de Petróleo

A extração e produção de petróleo são atividades que exigem grande número de trabalhadores, equipamentos e processos, sendo assim complexas e dispendiosas. Para que haja a obtenção de lucros altos, as empresas não atribuem ao produto uma grande margem de lucro e sim, vendem uma diversidade imensa de produtos. A questão que está sendo discutida atualmente se refere que a cada processo, desde a localização do poço até a extração, o refino e a distribuição do produto, estão associados riscos e falhas que podem ocorrer, e tem ocorrido ao longo da história petrolífera. Acidentes envolvendo empresas de petróleo e com grande prejuízo ambiental são cada vez mais comuns, levando à necessidade do desenvolvimento de medidas mitigadoras que possam eliminar ou reduzir ao máximo esses impactos, como as técnicas de remediação, que também avaliam a extensão da contaminação e sua evolução no tempo. Por fim, esses investimentos em métodos de previsão, prevenção e controle de riscos são feitos, principalmente, devido à exigência cada vez maior dos órgãos reguladores e, até mesmo, pela própria sociedade civil.

Porém, as técnicas de prevenção e controle, bem como as de remediação não podem ser eficazes se para isso não existir uma equipe preparada, bem treinada e que saiba atuar em conjunto, sendo assim, segundo o IPIECA (1996) apud CETESB, tal treinamento de equipes deve ser realizado progressivamente e sob todas as situações possíveis e que estejam indicadas no plano de contingência, cuja abrangência pode se dar nos níveis: local, regional ou nacional, sendo tal processo relevante também para os planos de emergência de caráter individual, ou seja, próprio da empresa exploradora. Portanto, temos consolidada a obrigatoriedade das simulações que nos levam aos princípios que determinam o planejamento:



  • Garantir que todos os níveis de atuação agüentem os exercícios;

  • Deixar claro os objetivos, para que seja realístico e mensurável;

  • Simplicidade e alta freqüência podem levar a rápidas melhoras na atuação da equipe;

  • Exercícios mais complexos apenas quando a equipe já estiver experiente;

  • Pensar e moderar a quantidade de exercícios, os locais e a quantidade de pessoal;

Temos assim quatro tipos básicos de exercícios de treinamento:

Tabela 7: exercícios de treinamento para contenção e remediação de vazamentos.



Tipo de Exercício

Característica

De Notificação

Alerta e acionamento; teste de comunicação; tempo de resposta; repasse de informação; levantamento de planilha de informações.

Tabletop

Discussões sobre possíveis cenários futuros após o acidente; fluxograma de acionamento; orientações das ações de respostas; liberação de recursos; equipes de contenção; definir prioridades.

De uso de equipamentos

Treinamento da fase de contenção e remoção em mar; proteção e limpeza da costa; treinamento com os equipamentos usados na remediação.

Manejo de acidentes

Completo e complexo, simula acontecimento real; participação de terceiros (meio ambiente e prefeituras...).

Fonte: CETESB, 2010.

As técnicas de remediação aqui citadas consistem na execução de métodos de tratamento predominantemente químicos (ou biológicos) destinados a eliminar, neutralizar, imobilizar, confinar ou transformar elementos ou substâncias contaminantes presentes, atingindo a estabilidade química do ambiente (Sanchez, 2006). É importante constatar que muitos dos métodos de limpeza e remediação provocam certo dano involuntário ou adjacente, podendo criar externalidades negativas mais críticas que o próprio derrame do óleo. Assim, uma escolha correta desses métodos que serão aplicados em determinada área é crucial para atenuar e minimizar algum dano maior no ambiente. Por fim, esses procedimentos e mecanismos de remediação devem ser feitos também nas áreas próximas aos locais atingidos, visando evitar uma futura contaminação, o que acarretaria maiores danos à comunidade e ambientes locais (ITOPF, 2010).

Algumas técnicas de contenção e remediação dos efeitos gerados no derramamento de petróleo em águas oceânicas estão listadas abaixo.
- Jateamento;

- Uso de dispersantes químicos;

- Limpeza natural;

- Remoção da vegetação;

- Queima do petróleo superficial;

- Remoção manual;

- Uso de substâncias absorventes;

- Contenção mecânica do petróleo vazado via barreiras e esteiras recolhedoras;

- Bombeamento a vácuo.


  1. Conclusão

A evolução das formas de extração de petróleo no mar vem gerando impactos de diversas naturezas e magnitudes no meio ambiente local e indiretamente regional, nacional ou até mesmo global. Esses impactos, pela sua freqüência e intensidade, implicaram na crescente elaboração de estudos e pesquisas científicas visando compreender a dinâmica e toxicidade do petróleo nos oceanos, os quais viabilizaram o desenvolvimento de novas formas, equipamentos, ferramentas e tecnologias de monitoramento, contenção e remediação de acidentes com petróleo. Desta forma, para a elaboração dessas técnicas foi necessário aprimorar o conhecimento em relação ao comportamento do óleo no oceano e ao seu potencial tóxico, com foco nos impactos ambientais gerados.

Os derramamentos que ocorreram no passado serviram de referência para aprimorar e modificar os meios de extração, as tecnologias mecânicas implementadas e as próprias técnicas de remediação de impactos referentes à questões e etapas do uso e extração do petróleo. Portanto, esses derramamentos tiveram sua contribuição para o aprendizado e desenvolvimento de inovações tecnológicas no âmbito do monitoramento, remediação e contenção dos vazamentos.

Mesmo com todo o conhecimento desenvolvido até agora e com as inovações tecnológicas aplicadas ao petróleo, a prioridade das empresas e instituições ligada à área consiste em evitar que novos acidentes com derramamentos de óleo no oceano ocorram. Portanto, faz-se necessário a boa formação e treinamento de uma equipe apta para prever, evitar e, nos casos de derramamento já ocorrido, controlá-los, utilizando as técnicas de mitigação adequadas.





  1. Referências

ANP – Agência Nacional de Petróleo. Disponível em:



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