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Universidade do Estado da Bahia – UNEB

Campus XXII – DCHT – Euclides da Cunha

Curso: Licenciatura Plena em Letras Vernáculas

Disciplina: Seminário Interdisciplinar de Pesquisa III

Docente: Márcia Cordeiro

Discente: Elisa Santos da Silva e Uana Vanessa Pinheiro de Abreu

3º Período – Noturno

Data: 07/10/2008

Ensaio

Meu nome não é Johny


Trabalho solicitado pela docente Márcia Cordeiro, a nível de avaliação da Unidade III da disciplina de Seminário Interdisciplinar de Pesquisa III.

E.da Cunha- BA

2008

O consumo de drogas vem crescendo a cada ano. Os morros das favelas, em geral, viraram os pontos principais de compra e vendas de drogas. Usuários e traficantes são comumente considerados bandidos. O filme Meu nome não é Johnny, dirigido por Mauro Lima, mostra uma realidade diferente: o traficante pode sim ser considerado apenas traficante, não precisa ser, necessariamente, atrelado a bandido, a assassino. O filme é baseado no livro de mesmo nome escrito por Guilherme Fiúza, que conta a história verídica de João Guilherme Estrella.



O filme de Mauro Lima tem no elenco Selton Melo, Cleo Pires, Cássia Kiss, Rafaela Mandelli, entre outros. Foi lançado em janeiro de 2008 pela Sony Pictures. É baseado na história real de João Estrella; retrata a vida desse jovem de classe média, nascido na zona sul do Rio de Janeiro, que aparentemente não teria motivos para vir a se tornar um traficante. Mas João não entrou nesse ramo por necessidade financeira, ele revendia exclusivamente para poder usar.

Na década de 80, o consumo de drogas era muito menor do que hoje em dia. Nessa época também, a oferta de drogas estava em declínio, podemos perceber então que o que a oferta estava baixa. João Estrella ficou conhecido como um dos mais famosos traficantes de drogas do Rio de Janeiro de 1985 a 1995, por vender droga pura, por escolher seus clientes e por traficar também no exterior. Foram dez anos de venda e consumo de drogas ilícitas.

João Estrella foi preso em 1995 quando se preparava para enviar seis quilos de cocaína para o exterior. Foi julgado e sua pena se resumiu a dois anos de reclusão no manicômio judiciário Heitor Carrilho. O veredicto final de João Estrella não foi dado como se ele fosse um traficante, mas sim como um usuário por causa do seu consumo compulsivo de drogas. Tudo que ganhava com o tráfico, gastava com drogas; não ficou rico e não tinha nenhum dinheiro guardado; essa foi à salvação de João Estrella, que, quando saiu do manicômio, já estava recuperado da dependência química.

Um ponto muito expressivo de João Estrella é a ética de que se vale para manter a “ordem” nos negócios. Ele é um traficante, não um bandido; não usa de violência, não disparou um único tiro em toda sua vida de traficante; era sincero o suficiente para assumir seus erros e não se valia de hipocrisia para conquistar seus clientes. É um caso raro no mundo da compra e venda de drogas. A “casa cai” quando é denunciado por um antigo cliente, por vingança deste. João é encontrado numa casa, na qual continha seis quilos de cocaína. Essa droga seria mandada para Europa. João não vendia apenas no Brasil, seus maiores lucros provinham das vendas para o exterior, a quantidade era maior e o pagamento também, embora João não vendesse a droga por um preço muito maior do que quando comprava. Ele afirmava que vendia quase pelo mesmo preço que comprava, era mais um usuário do que um traficante.

João Estrella nos faz modificar a imagem do traficante malvado, pois ele é um traficante que apenas deseja abastecer-se. Mas, de qualquer forma, o filme não pode ser considerado uma apologia às drogas. João Estrella foi preso, e, enquanto aguardava julgamento, foi mantido entre bandidos realmente perigosos. Ele conta que havia um detento que costumava cortar membros dos inimigos, estando estes ainda vivos! Após o julgamento, João Estrella foi para o Manicômio Judiciário Heitor Carrilho, onde conviveu com detentos que tinham problemas mentais. Seu caso era dependência química, e não de origem mental. Enquanto cumpria sua pena realizava trabalhos, e também se desprendia aos poucos da dependência química em que, até então, vivia. Apesar de não estar numa instituição própria para a resolução do seu problema, consta que João Estrella conseguiu se curar do seu vício.

Comumente o uso das drogas é atrelado ao crime, mas nem sempre isso é verdade. A dependência química resulta em jovens acabando suas vidas, pois um traficante, ou um usuário, de drogas termina morrendo cedo; morre por meio de violência, por disputa de “boca de fumo”, por não ter como pagar a droga na data combinada... Os índices de morte por causa de drogas, desde overdose até combates entre gangs é maior ou semelhante ao de mortes por meio de guerras. Ou seja, no Brasil, morrem nas ruas, vítimas da violência geradas pelo uso de drogas, uma proporção semelhante à de números de mortos com conflitos bélicos. Casos como o de João Estrella são raros, não só no Brasil como também no mundo.

O filme de Mauro Lima nos permite acreditar que existe uma possibilidade para os dependentes químicos. João Estrella se recupera, sai do manicômio, monta uma banda e vive, hoje, do seu trabalho como cantor. Não sabemos se o propósito do diretor seria conscientizar os telespectadores, mas podemos dizer que se essa era a sua intenção conseguiu. O filme indica níveis de recuperação, nos mostra o que pode existir na vida de um traficante.

João Estrella nasceu em uma boa família, não sofreu necessidades financeiras, aparentemente não teria motivos para ingressar no universo das drogas; entrou por gosto: usou e gostou. Acabou viciado, vendendo e consumindo drogas em níveis cada vez mais altos, esteve preso e ao sair da prisão reconstruiu sua vida. Mas, a grande maioria dos traficantes não conseguem ter o mesmo fim que João Estrella, muitos morrem antes que possam cogitar a possibilidade de mudança de vida.

“Meu Nome Não É Johnny” ilustra a vida deste homem. E, em destaque, revela que um traficante pode ter princípios éticos que ajudem a não propagar violência, esse é o perfil no qual João Estrella se encaixa. Um traficante pode ser apenas um usuário, que precisa de ajuda para que possa sair da dependência.

REFERÊNCIAS:

ANTIDROGAS. Site antidrogas e unodc. Relatório Mundial das Drogas 2006 do UNODC mostra que – exceto a maconha- o problema das drogas está sendo contido. Disponível em: < HTTP: // www.antidrogas.com.br/undoc_relatorio2006.php>. Acesso em: 30 setembro 2008.

JOHNNY, meu nome não é. Disponível em: HTTP://www.intrfilmes.com/filme_17198_ Meu. Nome. Não.e. Johnny- ( Meu. Nome. Não. e. Johnny). html. Acesso em: 30 setembro 2008

MARTINS, Moacyr Vieira. João Estrella, pergunte ao pó. Fala Brasil! Novembro. 2004. Disponível em: HTTP://www.brazil-brasil.com/content/view/191/111/. Acesso em: 03 outubro 2008.



MEU NOME NÃO É JOHNNY. Direção: Mauro Lima. Produção: Mariza Leão. Roteiro: Mariza Leão e Mauro Lima. Interpretes: Selton Mello; Júlia Lemmertz; Cleo Pires e outros. [ Rio de Janeiro], 2008. 1DVD (126min).



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