Universidade do estado da bahia



Baixar 0.94 Mb.
Página1/15
Encontro11.04.2018
Tamanho0.94 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   15



UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

INSTITUTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Ana Cristina Muniz Décia

A INFORMATION LITERACY NA FORMAÇÃO DO NEO-SECRETÁRIO EXECUTIVO: Um estudo de Caso da Graduação em Secretariado / UFBA.

Salvador - Bahia

2005

Ana Cristina Muniz Décia

A INFORMATION LITERACY NA FORMAÇÃO DO NEO-SECRETÁRIO EXECUTIVO: Um estudo de Caso da Graduação em Secretariado / UFBA.

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade da Federal Bahia como requisito parcial para uma obtenção do grau de Mestre em Ciência da Informação.


Orientadora: Profª Drª. Helena Pereira da Silva.

Salvador – Bahia

2005


FICHA CATALOGRÁFICA

Décia, Ana Cristina Muniz

A Information Literacy na formação do neo-secretário executivo: um estudo de caso da Graduação em Secretariado/UFBA / Ana Cristina Muniz Décia, Salvador, 2005.
190 f.: il.
Orientador: Profª Drª Helena Pereira da Silva.

Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia, Instituto de Ciência da Informação, 2005.


1. Information Literacy. 2. Formação. 3. Secretariado Executivo. 4. Gestão da Informação. I - Universidade Federal da Bahia. II - Profª Drª Helena Pereira da Silva. III - A Information Literacy na formação do neo-secretário executivo: um estudo de caso da Graduação em Secretariado/UFBA

CDU:


CDD:

TERMO DE APROVAÇÃO


Ana Cristina Muniz Décia

A INFORMATION LITERACY NA FORMAÇÃO DO NEO-SECRETÁRIO EXECUTIVO: Um estudo de Caso da Graduação em Secretariado / UFBA.

Dissertação aprovada como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Ciência da Informação, Universidade Federal da Bahia, pela seguinte banca examinadora:


Helena Pereira da Silva – Orientadora



Doutora em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Universidade Federal da Bahia.

Robinson Moreira Tenório

Pós-Doutor em Filosofia e História das Ciências, Universidade de Paris VII, França.

Universidade Federal da Bahia.


Teresinha Fróes Burnham

Pós-Doutora em Educação, Universidade de Londres, Inglaterra.

Universidade Federal da Bahia.


Salvador, 20 de maio de 2005.

Aos meus pais e aos mestres que inspiraram meu ingresso na trajetória acadêmico-científica. E a Ana Luíza, minha sobrinha-afilhada.

AGRADECIMENTOS

É muito agradável relembrar quantos contribuíram para que eu tenha chegado até aqui; porém esse momento do registro contém o risco de esquecimentos e omissões, sei disso. Assumo o risco e desde já peço desculpas por eventuais omissões, afinal, plagiando o rei, “são tantas emoções”. E com reconhecimento, agradeço:

Aos meus familiares pelo estímulo de sempre e confiança na minha capacidade de realizar;

Aos meus queridos amigos, cujas palavras serviram de bálsamo nos momentos cruciais. E em especial: ao Prof. de Inglês, Júlio David; ao afetuoso “casal-informática”, Luiz e Sheyla; à secretária executiva Florisdalva; a Denise Lemos, mestra pichoniana e amiga; a Bárbara Dultra, eterna companheira de tantas jornadas no secretariado; a Tereza Oliveira e a Ana Patrícia, cúmplices na amizade, a Diógenes Barbosa, companheiro de todas as horas e a Fátima Macedo, generosa terapeuta transpessoal. A TODOS que me deram o apoio e demonstração de amizade, além do suporte técnico nas suas respectivas áreas durante o processo da pesquisa e dissertação. E aos colegas e diretores de teatro que tive de “abandonar” para cursar o mestrado, mas continuaram alimentando minhas esperanças de subir ao palco novamente.

Ao Programa da Pós-graduação em Ciência da Informação, todos os mestres, colegas e funcionários, em especial à bibliotecária Urânia e à secretária Luciana, e à orientadora Helena Pereira da Silva que me possibilitaram viver a experiência rica e desafiadora do tornar-se mestre quando se é tão-somente um insaciável aprendiz.

Ao curso de graduação em Secretariado Executivo da UFBA cujas experiências e amizades (como as da então secretária do colegiado, Ângela Novas, dos funcionários da biblioteca, Wilson e Jackson, além da coordenadora do curso, Bárbara, e de professores como Cananga Donati e Neyde Marques) alimentaram inconscientemente o meu desejo de ser docente. A todos os colegas da graduação de Administração e Secretariado da UFBA que se tornaram referências eternas de amizade; e ao curso de Especialização em Administração UFBA (professores, colegas, e a equipe CPA) pela rica experiência na formação; e ao Núcleo de Psicologia Social da Bahia pela fantástica experiência pichoniana vivenciada na formação em Coordenação de Grupos Operativos.

Aos alunos atuais e antigos da UCSAL e da UFBA, da graduação e da pós-graduação dos cursos de secretariado que, com seus questionamentos, críticas, elogios, “queixas” e esperanças em mim depositadas, foram o embrião e o motivador desta pesquisa.

Ao meu ex-chefe, Reynaldo Loureiro, com quem aprendi a secretariar um perfil exigente-perfeccionista, mas educado e apoiador nas minhas iniciativas docentes, contribuindo para tornar-me uma secretária reconhecida e respeitada no meu trabalho; e ao meu fiel assistente de secretaria, Edmilson Rocha, e a todos os amigos conquistados no Grupo Cidade.

Aos professores participantes da pré-banca e banca examinadora: Fabrício Soares, Robinson Tenório e Teresinha Fróes cujas leituras atentas e recomendações foram indispensáveis a este trabalho. O Meu profundo agradecimento pela generosidade, compartilhamento e estímulo.

A Deus, mestre dos mestres, pela companhia em todas as minhas jornadas e por ter me permitido nas dificuldades experimentar o aprendizado e o apoio de guardiãs na oração, como Jacira e “Maria Cris”, que me fortaleceram quando a minha fé titubeou... Obrigada pela força, meu Deus!!!

Não junto a minha voz à dos que, falando de paz, pedem aos oprimidos, aos esfarrapados do mundo, a sua resignação. Minha voz tem outra semântica, tem outra música.

Paulo Freire, 1986, p.113.



RESUMO
A emergência da Sociedade da Informação, também identificada como Sociedade de Aprendizagem entre outras denominações, tem sido caracterizada pela presença maciça das tecnologias de informação e comunicação (TIC), configurando novos ambientes para aprender, viver e trabalhar, tanto para pessoas quanto para organizações. Esse ambiente tem sido marcado pelo uso da informação, mediada pelas TIC, para geração de conhecimento e produção de riquezas para aqueles que sabem lidar e obter resultados nesse universo. Portanto o domínio efetivo das competências relacionadas ao universo informacional tem representado diferencial de sobrevivência, competitividade e inclusão socioprofissional. Dessa consciência, a classe bibliotecária americana impulsionou um movimento denominado Information Literacy, cuja tradução mais usual tem sido: competência em informação, que visa promover a aquisição de competências para atuar no ambiente informacional. A American Library Association (ALA), em 1989, definiu o que é ser competente em informação e esse conceito passou a ser disseminado e estudado no mundo inteiro como forma de inclusão, competitividade e “empowerment” para indivíduos e organizações. Por outro lado, o profissional de Secretariado Executivo atua na gestão do fluxo informacional nos diversos níveis hierárquicos das organizações públicas e privadas e, ao assessorar chefias, realiza, entre outras atividades, o filtro das informações, bem como o arquivamento em meios físico e digital, a busca de informações em rede, gerando e disseminando informações, sendo a interface entre o ambiento interno e externo, além de um mediador que ajuda no efetivo trabalho de gestão realizado por seus executivos-chefe. Por isso é que se procurou verificar se a formação em Secretariado Executivo da UFBA tem possibilitado aos seus graduandos a apreensão dos fundamentos e práticas para a aquisição da Information Literacy e, conseqüentemente, para uma inserção desse profissional, sintonizada com as necessidades atuais das organizações e da sociedade. Essa investigação considerou o contexto descrito, o perfil delineado para o secretário executivo no século XXI, as diretrizes curriculares nacionais para a área de secretariado e, especificamente, a reflexão sobre a proposta pedagógica do curso em vigor, à luz dos conceitos sobre currículo e projeto pedagógico, a fim de promover um repensar da formação em sintonia com o cenário descrito. Para tanto, levou-se em consideração que as transformações presentes nessa Sociedade da Informação sinalizam a emergência de novos paradigmas educacionais e organizacionais numa perspectiva global, holística e sistêmica, que considere a formação do indivíduo-cidadão para a vida e o trabalho, num aprendizado contínuo e para toda a vida.
Palavras-chave: Information Literacy, competência em informação, formação, secretário executivo, neo-secretário executivo.

ABSTRACT


The emergency of the Information Society, also identified as Society of Learning among other denominations, has been characterized by the solid presence of the technologies of information and communication (TIC), configuring new environments to learn, to live and to work, for people and for organizations. That environment has been marked by the use of the information, mediated by TIC, as a way of acquiring knowledge and increase richness for those that know how to deal with and to obtain results in that universe. Therefore the effective domain of the competences related to the informational universe has been acting differential of survival, competitiveness and social and professional inclusion. Been aware of this, the American librarian encouraged a movement named Information Literacy, whose usual translation has been: competence in information, that seeks to promote the acquisition of competences to act in the informational environment. American Library Association (ALA) defined, in 1989, what means to be an information literate person. Then, the concept passed to be disseminated and studied in the whole world as a way of social inclusion, competitiveness and empowerment for individuals and organizations. On the other hand, the Executive Secretary professional acts in managing the informational flow in the several hierarchical levels of the public and private organizations and, when advising leaderships, they accomplish, among other activities, the filter of the information, the filing in physical and digital media, the search of information in the internet; they generate and disseminate information, playing the role of interface among internal and external organizational environment, besides being the mediator that helps in the effective managing work accomplished by their executive-bosses. Therefore was tried to verify if the graduation in Executive Secretary of UFBA has been making possible to their students the apprehension of the foundations and practices to the Information Literacy acquisition and, consequently, to the professional inclusion that executive secretary, in harmony with the current needs of the organizations and of the society. That investigation considered the context described above, the profile delineated to the executive secretary in the XXI century, the national curricula guidelines to the secretarial area, and specifically, the reflection on the actual pedagogic proposal of the course, inspired in the concepts of curricula and pedagogical project, in order to promote the “rethinking” of the graduation in syntony with the described scenery. For doing that, it was taken into account that the present transformations in that Information Society signal the emergency of new education and organizational paradigms in the global, holistic and systemic perspective, in what one considers the individual-citizen's formation for the living and working, in the continuous learning and for the lifetime.
Key words: Information Literacy, competence in information, formation, executive secretary, neo-executive secretary.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - A Classificação da Informação segundo sua finalidade para uma organização 42

Figura 2 - O Valor da Informação depende do Contexto da Organização 44

Figura 3 - Os Níveis Hierárquicos da Informação 45

Figura 4 - Fontes de Informação Pessoais 51

Figura 5 - O Processo de Gerenciamento da Informação 52

Figura 6 - Tarefas do Processo de Gerenciamento de Informações 54

Figura 7 - O Secretário: mediador e filtro do fluxo informacional na organização 65

Figura 8 - Demonstrativo das Diferentes Concepções de Information Literacy 85


LISTA DE QUADROS


Quadro 1 - Dados, Informação e Conhecimento 41

Quadro 2 - Estilos de Gerência da Informação 58

Quadro 3 - Escritórios e Automação de Escritórios: funções, atividades e sistemas do

escritório moderno 63

Quadro 4 - Comparativo entre as Concepções da Information Literacy e as

Concepções Pedagógicas 89

Quadro 5 - Comparação entre a educação tradicional e a educação voltada para a

Information Literacy 94

Quadro 6 - A Valorização das Responsabilidades da Secretária 110

Quadro 7 - Características das Secretárias 111

Quadro 8 - Estrutura Curricular do Curso de Secretariado da UFBA 131


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Identificar a Necessidade de Informação 147

Tabela 2 - Acessar a Informação 148

Tabela 3 - Avaliar Criticamente a Informação e suas Fontes 149

Tabela 4 - Usar e Comunicar Efetivamente a Informação 150

Tabela 5 - Considerar as Implicações de suas Ações no Uso e Acesso à Informação 152

Tabela 6 - Aprender a Aprender e de forma independente 153

Tabela 7 - Aprender Continuamente e ao Longo da Vida. 154

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS


ACC – Atividade Curricular em Comunidade

ACRL – Association of College and Research Libraries

AD – Análise do Discurso

ALA – American Library Association

ARI – Administração de Recursos Informacionais

CBO – Classificação Brasileira de Ocupações

CES/CNE – Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação

CPA – Capacitação Profissional Avançada

EAUFBA – Escola de Administração da UFBA

FENASSEC – Federação Nacional de Secretárias e Secretários

ICI – Instituto de Ciência da Informação

IDC – Identificador de Chamadas

IES – Instituição de Ensino Superior

IFS – Information Fatigue Syndrome (Síndrome da Fadiga Informacional)

LISA – Library and Information Science Abstracts

MEC – Ministério da Educação

OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico

SAD – Sistema de Apoio a Decisão

SCONUL – Standing Conference of National and University Libraries

SM – Salário Mínimo

TCC – Trabalho de Conclusão de Curso

TIC – Tecnologia de Informação e Comunicação

TPD – Treinamento Programado à Distância

UCSAL – Universidade Católica do Salvador

UFBA – Universidade Federal da Bahia

UNESCO – United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization.

SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS

LISTA DE QUADROS

LISTA DE TABELAS

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS


1. INTRODUÇÃO 14

1.1 O Porquê do Estudo 14

1.2 Contextualização e Definição do Problema 18

1.2.1 Objetivos 21

1.2.2 Justificativa 22

1.3. Metodologia 24



1.3.1 Etapas do Processo Metodológico 25

1.3.2 Instrumento de Coleta de Dados 26

1.3.3 Abordagem e População 27

1.4 Estrutura do Trabalho 29
2. A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO: Uma Sociedade de Aprendizagem 30
3. A GESTÃO DA INFORMAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES 40

3.1 A Gestão da Informação: abordagem ecológica e foco nas pessoas 47

3.1.1 A Gestão da Informação como Processo: tarefas, papéis e estilos de gerência 52

3.1.2 A Gestão da Informação no Escritório e seus profissionais: automação do trabalho da informação 59

3.1.2.1 As Funções do Escritório nas Organizações 61

3.1.2.2 Formar Capital Intelectual para a Era da Informação: o desafio da formação 68
4. O MOVIMENTO DA INFORMATION LITERACY AO REDOR DO MUNDO 73

4.1 A Trajetória da Information Literacy 75

4.1.1 Aspectos Importantes para Implementar a Information Literacy 89

4.2 Information Literacy Education ou Educação para acompetência em informação 93

4.2.1 A Emergência de um Paradigma Educacional Plural: holístico, global e sistêmico (ecológico) 96

4.2.2 Novo Ambiente de Aprendizagem 100
5. O PANORAMA DO SECRETARIADO: DA ORIGEM AO SÉCULO XXI 103

5.1 O Panorama da Profissão de Secretariado: da origem ao século xx 103



5.1.1 O Perfil Profissional do Secretariado Executivo no Século XXI 109

5.1.1.1 Ambigüidades e Contradições do Atual Perfil do Secretariado: impactos na identidade e auto-estima do profissional 115



5.2 Estudo de Caso: a formação em secretariado da ufba 122

5.2.1 Histórico e Desenvolvimento do Curso de Secretariado Executivo da UFBA 122

5.2.2 Histórico das Diretrizes Curriculares para o Curso de Secretariado Executivo 123

5.2.2.1 A Proposta da Comunidade Secretarial (IES) Encaminhada ao MEC 123

5.2.2.2 Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Secretariado Executivo Aprovadas em 2002 pelo MEC 126

5.2.2.3 Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Secretariado Executivo Aprovadas em 2004 pelo MEC 127



5.2.3 Breves Concepções sobre Currículo e Projeto Político-pedagógico 129

5.2.4 Estrutura Curricular do Curso de Secretariado Executivo da UFBA 131

5.2.4.1 Considerações sobre a Estrutura Curricular do Curso 133


6. RESULTADOS: Análise, Discussão e Interpretação dos Dados 138

6.1 Análise dos Resultados das Questões Específicas, totalizado 19 questões 140

6.2 Análise dos Resultados das Questões Operacionais (sobre Information Literacy) 146
7. CONCLUSÃO 157

7.1 Considerações Finais 158



7.2 Recomendações 160
8. REFERÊNCIAS 164
9. APÊNDICES 171

A – Carta 171

B – Questionário 172

C – Responsabilidades Básicas da Secretária (Décia, 2002 - adaptação de



Natalense, 1998) 177
10. ANEXOS 178

A – Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Secretariado Executivo Aprovadas em 2002 pelo MEC 178

B – Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Secretariado Executivo Aprovadas em 2004 pelo MEC 179

C – Information Literacy Competency Standards for Higher Education (Padrões de Competência em Information Literacy para o Ensino Superior) 185




1. INTRODUÇÃO

1.1 O Porquê do Estudo

Esta pesquisa tem como estudo de caso o curso de graduação em Secretariado Executivo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que funciona na Escola de Administração (EAUFBA). O estudo tem como objetivo saber se a formação acadêmica em Secretariado Executivo torna o egresso um information literate, ou seja, uma pessoa competente em informação, segundo o conceito da American Library Association (ALA), diante da emergência da Sociedade da Informação.

Para isso consideramos o projeto pedagógico do curso, suas reformas e diretrizes curriculares, analisados a partir da literatura sobre Currículo e Projeto Pedagógico, Sociedade da Informação, Gestão da Informação nas Organizações e Movimento da Information Literacy.

Esse objetivo foi-se configurando a partir de uma trajetória profissional que teve início na minha graduação em Secretariado, na década de 1980. Ter feito a formação em Secretariado na UFBA produziu em mim algumas inquietações motivadas principalmente pelos aspectos sintetizados a seguir:



  • Predomínio do foco tecnicista na formação, reflexo do projeto pedagógico de então, que era descontextualizado e dissociado da visão adequada da gestão organizacional contemporânea: de um ambiente baseado em tecnologias de informação e comunicação, e da concepção de aprendizado independente e continuado;

  • Predomínio de componentes curriculares e seus conteúdos sem a relação com as competências técnicas, gerenciais e comportamentais para o trabalho de secretariar chefias, atuando em equipe e de forma autônoma;

  • Ausência de quaisquer atividades ligadas à pesquisa, extensão, Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) monográfico, ou ainda Atividade Curricular em Comunidade (ACC) que fomentassem a investigação sobre o modus operandi na própria formação e na vida profissional, possibilitando interagir e solucionar questões na comunidade.

A percepção desses e de outros aspectos experimentados na graduação serviram de impulsionador para este estudo. Assim, a inevitável confrontação entre a formação e a experiência profissional como secretária executiva, de 1990 a 1995, mostraram-me a necessidade de desenvolver conhecimentos nas áreas financeira, de compras, de recursos humanos, além da administrativa, para ser capaz de secretariar adequadamente as áreas distintas na organização em que atuava (já que, mesmo diplomada em secretariado executivo, ainda não me sentia segura para atuar de maneira qualificada). Esses conhecimentos e práticas na coordenação de setores e pessoas durante a experiência como secretária executiva, mais tarde, estimularam-me a estabelecer parcerias e atuar na área de consultoria organizacional voltada para secretariado.

O curso de Secretariado da UFBA foi reformulado e tornou-se de longa duração. Esse fato me reaproximou da vida acadêmica 5 anos depois de egressa da formação. Em 1996 houve a oportunidade de ingressar como docente no curso de Secretariado da UFBA e, ao mesmo tempo, cursar a pós-graduação lato sensu em Administração e a formação em Coordenação de Grupos Operativos na área de Psicologia Social Pichoniana. Essas oportunidades de aprendizado, somadas às disciplinas do Mestrado em Educação e Sociologia (ainda como aluno especial), foram permitindo uma compreensão mais sistêmica da formação e da profissão e solidificaram a crença de que a área de secretariado carecia de um “repensar-se”. E a convite da então coordenadora do curso de Secretariado, nós duas, criamos a primeira pós-graduação lato sensu para a área de secretariado na UFBA em 1999, dentro do programa de Capacitação Profissional Avançada - (CPA), no Núcleo de Pós-Graduação em Administração da Escola de Administração da UFBA.

Na prática docente, as vozes dos discentes na graduação e pós-graduação/UFBA (1996-2002) e na Graduação/UCSAL (desde 2001) continuavam a manifestar insatisfação quanto ao curso e reacendiam as minhas inquietações ao constatar a distância entre as exigências da Era da Informação num mercado de trabalho globalizado e a realidade oferecida pela formação: desconsiderando as competências relacionadas ao ambiente das novas tecnologias, o acesso à informação em rede, o domínio da capacidade gerencial com visão crítica e autônoma por parte dos graduandos e as novas propostas no processo de ensino-aprendizagem.

Ingressando no Mestrado em Ciência da Informação e familiarizando-me com os fundamentos da área é que passei a pensar na formação na perspectiva da Information Literacy e da inclusão social decorrente do domínio do universo informacional. A partir daí, busquei investigar a adequação da formação de Secretariado da UFBA no tocante à efetividade das competências ligadas ao universo informacional, o que terminou por ratificar a importância da Information Literacy diante da emergência da Sociedade da Informação. Este foi o ponto focal para investigar a contextualização da formação em Secretariado Executivo da UFBA.

O estudo parte do contexto da Sociedade da Informação, também conceituada como Sociedade de Aprendizagem entre outras denominações, reconhecendo que esse contexto traz mudanças de várias ordens que afetam o mundo do trabalho, as formas de aprender, as formações e seus profissionais e, por isso, precisam ser refletidas à luz desse complexo cenário que requer a instituição de novos paradigmas que possam dar conta de tantas transformações, diversas e novas simultaneamente.

Daí ganhou reforço para mim a idéia de que é preciso um referencial sistêmico para abarcar essas transformações. Por isso foram consideradas na fundamentação deste estudo temáticas como: Sociedade da Informação, Gestão da Informação nas Organizações, convergindo para o movimento mundial da Information Literacy e a proposição de uma Information Literacy Education, tendo como perspectiva um mundo globalizado, rico em informação mediada pelas TIC, isto é, numa economia baseada na informação e no conhecimento do capital humano que devem ser o “tempero” e a referência para analisar a contextualização da formação em Secretariado da UFBA.

Desse referencial, o estudo de caso foi construído e feita a investigação no campo, considerando o domínio efetivo dos graduandos dos critérios definidos pela ALA do que é ser Competente em Informação. Embora os dados tenham revelado que os graduandos se percebem em um nível bom diante da temática, ponderamos algumas possibilidades como: o desconhecimento do conceito de Information Literacy e seus pressupostos pelo graduando em Secretariado da UFBA e a baixa capacidade de auto-avaliar-se criticamente. Essas considerações foram respaldas na discussão do capítulo 6; e para a sua confirmação, recomendamos a realização de pesquisas empíricas para verificar se demonstram o que acreditam que sabem sobre o tema, tanto na vida quanto no trabalho.

Finalmente, o estudo concluiu pela necessidade de revisão e adequação da formação ao contexto atual, tendo como norte a efetividade do conceito de Information Literacy não apenas nos componentes curriculares, mas respaldado por práticas pedagógicas docentes e pelo compromisso da instituição de ensino de criar as condições para essa efetividade a partir da readequação das bases filosóficas do projeto político-pedagógico do curso de Secretariado ao atual contexto da Sociedade da Informação e aos novos paradigmas educacionais e organizacionais.



A título de facilitar a compreensão da leitura, convencionei adotar a nomenclatura secretário executivo para me referir às diversas formas utilizadas para identificar o profissional objeto dessa formação (secretária, secretário, assistente administrativo, assessor, assessora, assistente executivo, entre outros) que na literatura brasileira consultada aparece maciçamente como secretária ou secretária executiva, enquanto na literatura americana é denominado assistente executivo. A Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) de 2002 reconheceu as várias denominações utilizadas para o profissional de secretariado executivo, assim, a forma aqui adotada visa unificá-las e facilitar a compreensão, já que não é objeto deste estudo definir a denominação mais adequada, o que requereria adentrar também as questões de gênero que ainda marcam profundamente a profissão de secretariado no imaginário coletivo.

Convencionei também utilizar as expressões Information Literacy e Information Literacy Education em inglês, pois ainda não encontramos consenso na literatura quanto à tradução. Entretanto o sentido que queremos trabalhar equivale a Competência em Informação e Educação voltada para a Competência em Informação respectivamente.



1.2 Contextualização e Definição do Problema

Para a definição do problema consideramos o contexto atual, denominado de Sociedade da Informação, no qual a educação pode ser considerada sob esse novo paradigma. Em linhas gerais, fazendo um apanhado do referencial teórico utilizado, esse contexto pode ser caracterizado da seguinte forma:



  • A humanidade convive com as transformações decorrentes da disseminação das tecnologias de informação e comunicação (TIC) em todos os ambientes do cotidiano e da conseqüente explosão do volume da informação. No ápice dessas transformações, amplia-se a consciência do valor do conhecimento, cujo insumo é a informação que passa a ser entendida como um bem intangível de alto valor para os diversos setores da sociedade.

  • Essa mudança coloca o tratamento adequado da informação como uma habilidade estratégica para a sobrevivência das organizações, pois a informação agrega valor aos produtos e serviços e representa diferencial competitivo. Ademais, a capacidade de reconhecer quando a informação é necessária, saber acessar, avaliar seu uso e utilizá-la para propósitos específicos virou sinônimo de competência essencial para indivíduos, organizações ou nações no século XXI.

  • A proliferação das TIC criou um novo ambiente onde a informação pode ser acessada, processada e armazenada, configurando também um novo ambiente de aprendizagem: rico em informação, recursos tecnológicos, problemas e soluções bem diferentes daqueles típicos da era industrial, na qual o processo de ensino-aprendizagem fragmenta os conhecimentos e “instrumentaliza para o fazer”, mas não favorece ao educando a “reflexão crítica sobre esse fazer” nem considera as diferentes formas de aprender desses sujeitos. Logo, acaba por desconsiderar a interdependência dos fenômenos sociais e as conseqüências futuras desse “modelo de processo de ensino-aprendizagem” que ainda é praticado maciçamente.

  • A exclusão digital é um dos problemas que desafia educadores e instituições educacionais a problematizar a era da informação. Ou seja, reconhecer seus prós e contras para a sociedade como um todo, mas caminhando para a superação das contradições. O desafio é a adoção de um paradigma educacional sistêmico, global e contextualizado. Um paradigma que conceba a formação para a cidadania, para o trabalho autônomo, para o aprender a aprender e a aprendizagem ao longo da vida.

  • Refletir sobre esse novo paradigma é um exercício que implica o envolvimento de todos os setores da sociedade. As organizações já sinalizam abertura nessa perspectiva quando se consideram “organizações de aprendizagem” e compreendem que sua sobrevivência depende mais do comportamento das pessoas que da aquisição e domínio das tecnologias para a gestão da informação.

  • O exercício de pensar um novo paradigma educacional torna-se fundamental por causa da dimensão política que tem a educação, por possibilitar a transformação do sujeito, e ir além do simples ato de ensinar conteúdos. O próprio conceito de alfabetizar no atual cenário se dilata do ato ensinar alguém a ler e escrever, expandindo-se para possibilitar ao alfabetizando a capacidade de ler e interpretar o mundo, com a mediação de tecnologias, permitindo-lhe conhecer o impacto decorrente do acesso e uso da informação.

  • A alfabetização, nesse sentido lato, está na ordem do dia na discussão mundial sobre o que o estudante precisa aprender. A “alfabetização em informação” ou a “competência em informação” (ou fluência em informação tecnológica, ou no original em inglês, information literacy) inclui, desde a destreza no manuseio de tecnologias de hardware e software, passando por internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades necessários para interagir no ambiente informacional de modo a proporcionar aprendizado ao longo da vida.

  • As transformações decorrentes da presença, cada vez mais intensa, das TIC dão um novo contorno à aprendizagem e impulsionam o repensar do trabalho, das profissões, das formas de produzir e de aprender, configurando um novo cenário para o mundo do trabalho (ACRL, 2000; ALA, 1989, 1998; ASSMANN, 1998, 2000; BELLUZZO, 2004; BRASIL, 2002, 2004; DAVENPORT & PRUSAK, 1998; DUDZIAK, 2003; MEDEIROS, 2003; MIRANDA, 2004; MORAES, 1997; WERTHEIN, 2000).

Essas transformações descritas atingiram, entre tantas outras, a profissão de secretariado, que foi afetada pelas mudanças do ambiente organizacional globalizado. E com a Lei de Regulamentação da Profissão sancionada em 1985 e a proliferação dos cursos superiores em todo o Brasil, o secretariado ganhou status de profissão, e os cursos de graduação buscaram atender a demanda organizacional por secretários executivos que, no fim dos anos 90, passaram a ter o perfil de assessores (cf. capítulo 5).

  • A fim de refletir esse perfil de assessor, no fim da década de 1990, a formação em Secretariado Executivo da UFBA, objeto de estudo deste trabalho, busca atender a essa demanda organizacional fazendo reformas no seu projeto pedagógico (inspiradas nas diretrizes curriculares que estavam em discussão) para estar em sintonia com novos paradigmas organizacional e de aprendizagem. E neste início do século XXI já se considera um perfil multifacetado, segundo Sabino & Rocha (2004): assessor, gestor, empreendedor e consultor.

  • Uma forma de contextualizar a formação em Secretariado Executivo é verificando se ela considera a perspectiva acima discutida: a perspectiva de uma formação fundamentada num paradigma educacional sistêmico e crítico que propicie ao estudante a internalização de fundamentos para interagir na vida e no trabalho, e aposte na promoção de um aprendizado ao longo da vida, promovendo para isso a apreensão de competências para lidar com a informação tanto para a vida pessoal como profissional.

  • Essa formação, portanto, deve considerar a irreversibilidade do ambiente digital, rico em informação, e considerar esse ambiente como lócus de aprendizagem, tendo na promoção da inclusão digital, da fluência científico-tecnológica e da competência em lidar com a informação de forma independente a possibilidade de seus estudantes se tornarem profissionais-cidadãos, socialmente contextualizados e co-responsáveis pela sua vida, o que pode ser facilitado se tiverem a competência de acessar e usar a informação necessária.

  • O conceito do que é ser uma pessoa Competente em Informação (ou um information literate) adotado neste trabalho é o da American Library Association (ALA), cuja definição resulta de um movimento alavancado pela classe bibliotecária americana, e que vem ascendendo desde os anos 80. No início o foco eram as bibliotecas escolares, daí ampliou-se para um amplo movimento, visando dotar as pessoas de competências informacionais que propiciavam a inclusão e a cidadania, chegando à formação de nível superior.

A Information Literacy ainda está sem tradução consensual e por isso será utilizada no original em inglês, como sinônimo de Competência em Informação em sentido lato. Apesar dessa falta de consenso na tradução do conceito, não há dúvida quanto à sua importância nos dias atuais para indivíduos, cidadãos e trabalhadores e já se estende por vários continentes, chegando ao estabelecimento de padrões de competência para o ensino superior que serviram de parâmetro para a construção do instrumento de investigação no campo (APÊNDICE B). Finalizando, adotamos a definição da ALA que compreende que:

Ser competente em informação é ser capaz de reconhecer quando a informação é necessária e ter a habilidade de localizar, avaliar e efetivamente usar a informação necessária. Resumindo, as pessoas competentes em informação são aquelas que aprendem a aprender, pois sabem como o conhecimento é organizado, como encontrar a informação e como usá-la de forma tal que outras pessoas possam aprender a partir dela (ALA, 1989, p. 1 tradução nossa)1.

Com essa contextualização, chega-se ao seguinte pressuposto:


  • A formação superior, a partir de um paradigma plural e sistêmico, pode criar condições para que o estudante adquira as competências relacionadas ao dinâmico ambiente informacional neste século XXI, formando sujeitos críticos e autônomos que aprendam a aprender e aprendam ao longo da vida, para usufruir os direitos a uma vida digna nas dimensões individual, profissional e cidadã.

A partir do pressuposto acima, o problema definido é:



Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   15


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal