Universidade Estadual de Campinas Relatório de Resistência dos Materiais: Ensaio de Tração e Microscopia de Varredura Eletrônica (mev)



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Universidade Estadual de Campinas

Relatório de Resistência dos Materiais:

Ensaio de Tração e Microscopia de Varredura Eletrônica (MEV)

Professor Roberto de Toledo Assumpção

Ana Luiza Franceschinelli Rizzi 083222

Fabiana Sayuri Kihara 083484

Hadla Sami El Didi 083617

Thiago Moraes Righi 082924

Relatório dos Experimentos de Ensaio de Tração e Microscopia de Varredura Eletrônica.

1. Introdução

1.1. Compressão

A compressão física é o resultado da aplicação de uma força de compressão a um material, resultando em uma redução de seu volume. Ela ocorre quando uma força axial aplicada estiver atuando com o sentido dirigido para o interior de uma peça qualquer submetida à este fenômeno. Uma chapa de aço engastada em uma morsa, por exemplo, que é gradativamente comprimida pelos dois engastes está submetida a forças com direções opostas, mas ambas apontando para o seu interior. Dessa maneira a peça acaba por sofrer deformações. Primeiramente tem-se a deformação elástica, ou seja, deformações reversíveis, sendo a peça capaz de recuperar sua forma original quando as forças param de agir. Porém, quando a tensão de escoamento é atingida a peça começa a sofrer deformação plástica, ou seja, o material está se deformando permanentemente, não sendo possível recuperar a forma anterior. A tensão de escoamento é a máxima tensão que o material suporta ainda no regime elástico, havendo qualquer acréscimo de tensão o material começa a sofrer deformação plástica.

A compressão tem muitas implicações na resistência dos materiais, na física e na engenharia estrutural, pelo fato dela produzir quantidades consideráveis de tensão. Quando se induz a compressão, propriedades mecânicas, como, por exemplo, o módulo de elasticidade, podem ser medidas. Entende-se por ensaio de compressão a utilização de máquinas que induzem este processo com a finalidade de comprovar as características mecânicas da peça.(1)(3)

Figura 1.1: corpo de prova submetido a ensaio de compressão

Os materiais podem responder de forma diferente ao ensaio de compressão. São então classificados em dois grandes grupos:

- dúcteis: consegue-se determinar apenas as propriedades referentes à zona elástica, não sendo possível medir a carga de ruptura. Isto se dá devido ao fato de, na deformação de uma metal dúctil, a seção transversal aumentar continuamente, aumentando assim a resistência do material. Desta maneira o metal não se rompe, ficando cada vez mais achatado até assumir a forma de um disco. Um exemplo de metal dúctil é o cobre.

- frágeis: a ruptura ocorre por cisalhamento e escorregamento ao longo de um plano inclinado com cerca de 45o. Neste caso pode-se determinar a resistência e a tensão de ruptura. Pode-se também prever o comportamento do material que está sendo comprimido, sendo os corpos de prova de geometria simples. Um exemplo de metal frágil é o ferro fundido cinzento. (2)

1.2. Tração

Em um ensaio de tração, um corpo de prova é submetido a um esforço que tende a alongá-lo ou esticá-lo até à ruptura. Cosuma-se realizar o ensaio em um corpo de prova com formas e dimensões padronizadas para que os resultados obtidos possam ser comparados com o padrão. O corpo de prova é colocado em uma máquina e os esforços ou cargas a que o material é submetido são descritos pela prípria máquina. Normalmente os ensaios são feitos até que ocorra a ruptura do material.

Este tipo de ensaio pormove deformações praticamente uniformes no corpo do material. A uniformidade da deformação permite medir satisfatoriamente a resistência dos materiais e também é possível obter medições para a variação da deformação em função da tensão aplicada. A uniformidade da deformação acaba quando é atingida a tensão máxima suportada pelo material, surgindo então o fenômeno de estricção. A estricção é a redução da seção transversal do corpo na região onde ocorrerá a ruptura. A deformação é maior nesta região enfraquecida. A ruptura sempre se dá na região mais estreita do material a não ser que haja um defeito interno no mesmo.

A precisão de um um ensaio de tração depende, evidentemente, da precisão dos aparelhos de medida que se dispõe. Com pequenas deformações, pode-se conseguir uma precisão maior na avaliação da tensão ao invés de detectar grandes variações de deformação, causando maior imprecisão da avaliação da tensão. (4)(5)



Figura 1.2: corpo de prova submetido a tração



1.3. Fratura

Entende-se por fratura a separação ou fragmentação de um corpo sólido em duas ou mais partes, quando este material esta sob a ação de uma tensão. O processo de fratura é formado por duas partes: o início da trinca e a propagação da mesma. As fraturas podem ser classificadas em dois grandes grupos:

- fratura dúctil: é aquela que apresenta apreciável deformação plástica antes e durante a propagação da trinca;

- fratura frágil: reconhecida pela rápida propagação da trinca, sendo que o material não apresenta nenhuma deformação macroscópica e aparecimento de pequenas micro-deformações.

O limite entre fratura frágil e dúctil é arbitrário, ou seja, o conceito de ductibilidade ou fragilidade somente é empregado em comparações entre materiais. Por exemplo, o ferro fundido é dúctil quando comparado com o ferro fundido comum, mas é frágil quando comparado a um aço doce.

Quando um metal submetido a uma tensão repetida ou flutuante romperá a uma tensão muito inferior aquela necessária para ocasionar fratura devido à uma carga estática. Tem-se então o que se conhece por fadiga do material. Ela dá origem a uma fratura de aparência frágil.(6)



2. Materiais e Métodos

Para realizar os ensaios de tração e compressão emprega-se uma máquina mecânica conhecida como máquina universal de ensaios. Na compressão adapta-se esta máquina utilizando duas placas lisas – uma fixa e a outra móvel – sendo o corpo de prova apoiado e mantido fixo entre elas durante o ensaio. A máquina é calibrada com as tensões que se quer submeter os materiais e o ensaio é então realizado. (7)

No teste de compressão o corpo de prova é testado pela aplicação de uma carga axial compressiva. Constrói-se então um diagrama tensão-deformação semelhante ao procedimento do ensaio de tração. O corpo de prova tem usualmente a forma cilíndrica, com relação comprimento/diâmetro entre 2 e 8. O comprimento não deve ser muito grande para evitar efeitos indesejáveis de flambagem, nem muito pequeno pois o atrito nas superfícies de contato com a máquina de ensaio poderá prejudicar a validade dos resultados. (8)

Figura 1.3: máquina para realização ensaio tração compressão

A microscopia óptica e eletrônica é utilizada para analisar a superfície de fratura dos materiais submetidos a ensaios. O microscópio eletrônico de varredura (MEV) é um equipamento capaz de produzir imagens de alta resolução da superfície de uma amostra. As imagens fornecidas pelo MEV possuem um caráter virtual, pois o que é visualizado no monitor do aparelho é a transcodificação da energia emitida pelos elétrons, ao contrário da radiação de luz a qual estamos habitualmente acostumados.  Dessa maneira, são obtidas imagens tridimensionais, úteis na análise da superfície de amostras.

O princípio de funcionamento desse tipo de microscópio é baseado na emissão de feixes de elétrons através de um filamento capilar de tungstênio mediante a aplicação de uma diferença de potencial. Essa variação de voltagem permite a variação da aceleração dos elétrons além de provocar um aquecimento no filamento. A parte positiva em relação ao filamento microscópico atrai fortemente os elétrons gerados, resultando numa aceleração em direção ao eletrodo positivo. A correção do percurso dos feixes é realizada pelas lentes condensadoras que alinham os feixes em direção à abertura da objetiva. A objetiva ajusta o foco dos feixes de elétrons antes dos elétrons atingirem a amostra analisada. (9)



3. Resultados e Discussão

Com os resultados obtidos, montaram-se algumas tabelas para melhor compreensão dos mesmos. É com base nelas que se fará a discussão dos dados apresentados. Os dados foram escolhidos de maneira aleatória entre os muitos obtidos, mas garantindo-se que estariam espalhados de maneira suficiente a se obter tanto a fase de comportamento linear quanto a fase de comportamento não-linear. O comprimento inicial dos corpos de prova era de 40 cm, e o seu diâmetro era de 5mm. Serão comparados o Aço 1 e o Al4:



Força (N)

Deformação (%)

636,19366

0,014833797

1866,2061

0,047572192

2517,3892

0,057910636

4352,0713

0,10443362

6567,4722

0,19231035

6980,9219

2,6442437

7933,5786

4,0950718

8093,79

4,4483013

8448,668

5,4511304

8727,7461

6,4815283

9001,6563

7,7497106

9282,458

9,6468143

9471,9551

11,537026

9501,2412

12,084964

9561,5371

13,025761

9635,6123

14,411113

9702,7979

16,992275

972,1748

18,320766

Tabela 3.1: Valores de força aplicada e correspondente deformação para o Aço 1.

Força (N)

Deformação (%)

296,8205

0,02172609

894,59967

0,075141363

1182,2916

0,09409517

2017,8042

0,15440273

3533,7859

0,28363326

5413,2588

2,7562435

5583,8066

4,3914399

5613,0923

4,7980852

5669,9419

5,9422064

5702,6733

7,069097

5583,8066

8,1994324

5065,272

9,7157373

4331,3989

11,306134

4074,7156

11,800656

2488,1033

12,925823

Tabela 3.2: Valores de força aplicada e correspondente deformação para o Al4.

3.1. Módulo de Young

Com os valores da tabela é possível calcular o módulo de Young de cada material, através da fórmula:



Sendo:


E=módulo de Young;

L=comprimento inicial;

A=are de secção transversal;

ΔL= variação do comprimento



Para cada valor de força aplicada e correspondente e correspondente deformação encontra-se um valor diferente para o módulo de Young. Inserindo-se uma nova coluna para o módulo de Young nas tabelas, tem-se:

Força (N)

Deformação (%)

Módulo de Young (Pa)

636,1937

0,014833797

2184338417

1866,206

0,047572192

1997971828

2517,389

0,057910636

2213986400

4352,071

0,10443362

2122455474

6567,472

0,19231035

1739316046

6980,922

2,6442437

134460344,5

7933,579

4,0950718

98671226,5

8093,79

4,4483013

92670318,3

8448,668

5,4511304

78937722,45

8727,746

6,4815283

68581598,06

9001,656

7,7497106

59158868,73

9282,458

9,6468143

49007437,3

9471,955

11,537026

41814670,41

9501,241

12,084964

40042197,27

9561,537

13,025761

37385873,12

9635,612

14,411113

34053731,88

9702,798

16,992275

29082274,96

9721,748

18,320766

27026116,86

9651,117

22,912756

21452760,18

Tabela 3.3: Módulo de Young correspondente à força aplicada e deformação para o Aço1

Força (N)

Deformação (%)

Módulo de Young (Pa)

296,8205

0,02172609

695817322,9

894,59967

0,075141363

606362847,4

1182,2916

0,09409517

639941376,9

2017,8042

0,15440273

665590271,3

3533,7859

0,28363326

634550214,9

5413,2588

2,7562435

100028585,3

5583,8066

4,3914399

64759925,85

5613,0923

4,7980852

59582283,94

5669,9419

5,9422064

48597485,02

5702,6733

7,069097

41086341,32

5583,8066

8,1994324

34684025,48

5065,272

9,7157373

26552775,68

4331,3989

11,306134

19511783,66

4074,7156

11,800656

17586283,51

2488,1033

12,925823

9803770,164

Tabela 3.4: Módulo de Young correspondente à força aplicada e deformação para o Al4

Foi então obtida a média aritmética dos valores calculados do módulo de Young de cada material, encontrando-se:



Aço 1

Al 4

582653331,8

244297019,6

Tabela 3.5: Médias do módulo de Young para o Aço 1 e para o Al4, em Pa.

3.2. Dureza

Comparando-se os valores de módulo de Young de ambos materiais, verifica-se que o do Aço 1 é muito maior do que o do alumínio, de onde se conclui que o Aço 1 é mais duro do que o Al4.



3.3. Tensão limite do regime elástico

Os gráficos obtidos através das tabelas de resultados são mostrados a seguir:



Gráfico 3.1: Força X Deformação para Aço 1



Gráfico 3.2: Força X Deformação para Al4

Estes gráficos são utilizados na obtenção do limite do regime elástico, que é a tensão na qual o regime deixa de ser elástico e passa a ser plástico, ou seja, a deformação não é mais reversível. Para obter essa tensão, aplica-se a fórmula:

Onde:


P=tensão

F=força


A=área da secção transversal

É importante observar que a força é obtida pelo gráfico, verificando-se onde o comportamento deixa de ser linear.

Assim, obtém-se os valores de tensão no limite do regime elástico:


Aço 1

Al4

430299818,6

275703138

Tabela 3.6: tensão limite do regime elástico para o Aço 1 e para o Al4, em Pa.

3.4. Tensão de ruptura

A tensão de ruptura, por sua vez, é encontrada pela mesma fórmula anterior, com a diferença de que a força utilizada será a última fornecida pelo equipamento de ensaio de tração, correspondente à fraturado material:



Aço 1

Al4

0,815881891

4,413193239

Tabela 3.7: tensão de ruptura para o Aço1 e para o Al 4, em PA.

3.5. Tipo de fratura

Como comentado anteriormente, a fratura de um material pode ser classificada em dúctil ou frágil.

A fratura dúctil é caracterizada por uma deformação plástica contínua até o rompimento do material. Dessa maneira, tem-se inicialmente a formação de cavidades no interior do corpo de prova, com posterior coalescimento das mesmas, conforme observado na figura abaixo. São então formadas trincas , em um ângulo de 45° em relação à aplicação da tensão. Essas trincas se propagam, provocando a ruptura.

Figura 3.1. Mecanismo de ruptura do tipo dúctil



A fratura frágil, por sua vez, ocorre por tensão de cisalhamento. É formada uma trinca que se propaga perpendicularmente à aplicação da tensão. Conhecendo-se os dois mecanismos de ruptura, é possível analisar as fotos obtidas através de equipamento MEV (Microscopia de Varredura Eletrônica), acerca desta característica(10).

Figura 3.2: fotografia do Aço 1 obtida pelo MEV



Figura 3.3: fotografia do Al3 obtida pelo MEV

Na fotografia relativa ao aço, é possível observar que a superfície de ruptura apresenta elevada uniformidade, concluindo-se que se trata de uma fratura do tipo frágil. A fotografia referente ao alumino, por sua vez, apresenta muitas irregularidades, em formato característico, indicando que a ruptura foi ocasionada posteriormente à formação de cavidades, sendo, portanto, a fratura do alumínio do tipo dúctil.

3.6. Análise Composicional

3.6.1. Liga Alumínio e Nióbio

Para realizar-se a análise composicional utilizando o aparelho de microscopia eletrônica de varredura, utilizou-se uma liga de alumínio com nióbio. O aparelho analisa o material obtido e fornece a composição da liga obtida. A imagem obtida com o MEV está exibida abaixo:



Figura 3.4: Microscopia eletrônica de varredura da liga de Alumínio e Nióbio.



Figura 3.5: Quantidade de Alumínio e Nióbio na liga

Na figura 2, pode-se observar que a quantidade de nióbio na mistura é um pouco superior à de alumínio. Ainda, na imagem obtida, observa-se que existem duas fases distintas na superfície da liga sendo elas diferenciadas pela coloração. Utilizando ainda a mesma aparelhagem, pode-se obter a composição de cada liga como mostrado abaixo:

Image Name: AlNb BSE

Accelerating Voltage: 25.0 kV

Magnification: 2000


Figura 3.6: Escolha dos pontos de análise composicional
Como se pode observar, o ponto 1 foi escolhido em uma área majoritariamente clara e o ponto 2 foi escolhido sendo majoritariamente escuro. É visível que as lamelas das duas fases são muito finas e, portanto, a precisão na escolha de uma região que predomine uma cor é ruim. Essa falta de precisão faz com que a análise do MEV não represente com exatidão a composição de cada fase mas, mesmo assim, a precisão é elevada.

Figura 3.7: Composição do ponto 1

Neste ponto vemos que a fase predominante é de nióbio havendo ainda uma porcentagem apreciável de alumínio na mesma fase. Isso mostra que provavelmente a dissolução de alumínio em no retículo cristalino do nióbio é favorável.

Figura 3.7: Composição do ponto 2

Neste ponto pode-se observar que o componente majoritário é o alumínio e, por sua vez, o nióbio também apresenta uma porcentagem apreciável. Isso nos leva a crer que a dissolução de nióbio em alumínio também é acentuada.

Assim sendo, a solução sólida contendo alumínio e nióbio leva a formação de duas fases que à temperatura e pressão ambiente (ou seja, nas quais foram realizadas o experimento) são energeticamente mais favoráveis do que uma única fase contendo todo o nióbio e alumínio presente na solução.

Além disso, em ambas fases não se observou nenhuma impureza já que, nos gráficos, os únicos picos relevantes foram identificados como sendo de nióbio e alumínio. Assim sendo, mesmo não sendo possível afirmar que não existem outros metais na liga analisada, pode-se concluir que, se existentes, estes metais estão em porcentagem suficientemente pequena para que não pudesse ser detectado pela microscopia eletrônica de varredura e para que não formasse uma outra fase em equilíbrio com as já existentes.

A solubilidade dos dois metais é elevada pois ambos possuem raio atômicos semelhantes. O alumínio possui raio atômico igual a 143 pm(1) enquanto o nióbio possui raio atômico igual a 145pm(12). Essa proximidade nos raios atômicos favorece a dissolução de um metal em outro pois quando um átomo de alumínio é inserido na estrutura cristalina do nióbio (ou vice versa), esta inserção gerará pequenas deformações na estrutura cristalina e, consequentemente, a dissolução de um metal no outro não será energeticamente desfavorável neste sentido.

Enquanto o alumínio possui estrutura cristalina cúbica de face centrada(11), o nióbio possui estrutura cúbica de corpo centrado(2). Esta diferença pode ser o motivo da solução sólida dos dois metais não formar uma única fase. Ou seja, as diferenças nas estruturas cristalinas tornam a dissolução total entre o nióbio e o alumínio energeticamente desfavoráveis. Ao mesmo tempo, pode-se notar que as estruturas cristalinas, apesar de diferentes, possuem semelhanças entre si. Assim sendo, essas estruturas semelhantes até certo ponto provavelmente permitem que haja uma dissolução parcial (como foi visto experimentalmente) entre os dois metais. A partir de maiores porcentagens a diferença estrutural passa a tornar maiores dissoluções energeticamente desfavoráveis, cessando a dissolução e produzindo duas fases.

Figura 3.8: Composição atômica das duas fases

Como observado anteriormente, apesar da predominância de um determinado metal em cada fase, a dissolução de um metal em outro não é absoluta mas, bastante favorecida.

3.6.2. Liga de Ferro-Manganês-Carbono e Liga de Alumínio-Magnésio

Utilizando-se ainda o aparelho de microscopia eletrônica de varredura, desejou-se obter a composição e a fotografia da estrutura das duas ligas. Ambas ligas haviam passado por um ensaio de tração até o rompimento.

Inicialmente obteve-se a microscopia eletrônica de varredura das duas ligas para que se pudesse obter a composição de cada uma das ligas. As estruturas obtidas e as composições estão a seguir:

Accel. Voltage: 25.00

Magnification: 15.00

Image Name: Aco-Al(3)

Figura 3.9: Estrutura das duas ligas analisadas

Figura 3.10: Composição da Liga 1



Figura 3.11: Composição da Liga 2

Além disso, pôde-se obter com a mesma aparelhagem o percentual de cada componente em cada uma das ligas. Os resultados obtidos estão abaixo:

Weight Concentration %






Mg-K

Al-K

Mn-K

Fe-K

Aco-Al(3)_pt1







1.60

98.40

Aco-Al(3)_pt2

1.34

98.66







Norm. Wt. % Error




Mg-K

Al-K

Mn-K

Fe-K

Aco-Al(3)_pt1







+/-0.31

+/-0.76

Aco-Al(3)_pt2

+/-0.17

+/-0.45







Atom Concentration %




Mg-K

Al-K

Mn-K

Fe-K

Aco-Al(3)_pt1







1.62

98.38

Aco-Al(3)_pt2

1.48

98.52







Atom % Error




Mg-K

Al-K

Mn-K

Fe-K

Aco-Al(3)_pt1







+/-0.31

+/-0.76

Aco-Al(3)_pt2

+/-0.19

+/-0.45







Pelos dados tabelados e pelo gráfico obtido, pode-se observar que a primeira liga é altamente concentrada em ferro enquanto que a segunda é majoritariamente formada por alumínio. A concentração do componente majoritário em ambas ligas estão na casa de 98%.

Na primeira liga analisada, vemos ainda que há uma pequena concentração de átomos de carbono. Esta concentração, entretanto, é tão pequena que não se encontra tabelada nos dados obtidos com o mesmo aparelho. Pode-se, então, considerar que a porcentagem de carbono nesta liga é residual e pode ser considerado como impureza.

Os raios atômicos do ferro e do manganês são, respectivamente, 126pm(1) e 127pm(2). Além disso, a estrutura cristalina de ambos metais é cúbica de corpo centrado(1,2). Isso faz com que a solubilidade de um metal em outra seja favorecida. Assim sendo, eles formam provavelmente apenas uma fase sendo esta com a composição dada acima, que é a composição da liga.

Já os raios atômicos do magnésio e do alumínio são, respectivamente, 160pm(3) e 143pm(4). Além disso, a estrutura cristalina do magnésio é hexagonal(3) enquanto a do alumínio é cúbica de corpo centrado(4). Essas diferenças estruturais fazem com que provavelmente a solubilidade de um metal em outro não seja muito elevada. Assim sendo, provavelmente, em uma solução sólida dos dois metais, haverá formação de duas fases. Entretanto, é possível que a liga analisada seja formada de apenas uma fase já que a porcentagem de magnésio é bem pequena.



3.6.3. Análise de Microscopia Eletrônica de Varredura de Papel

O papel é um composto vegetal obtido a partir da justaposição artificial de fibras celulósicas(5). Ou seja, o papel é um entrelaçado de fibras que estão unidas quimicamente entre si por ligações de hidrogênio, e fisicamente devido a disposição das fibras em forma de malha. Os componentes majoritários do papel são lenhina (polímero amorfo aromático de alta complexidade), celulose (polissacarídeo obtido a partir do monômero de -D-Glucose) e hemicelulose (que é um polímero que atua como suporte para as microfibrilas na parede celular de vegetais). Como componentes minoritários, podemos destacar substâncias minerais, protéicas, ácidos resínicos, entre outros.

No dado experimento, fez-se a microscopia eletrônica de varredura de uma amostra de papel. Algumas imagens obtidas estão exibidas abaixo:

Figura 3.12: Microscopia eletrônica de varredura do Papel (1)



Figura 3.13: Microscopia eletrônica de varredura do Papel (5)



Figura 3.14: Microscopia eletrônica de varredura do Papel (8)

Estas imagens permitem observar a estrutura fibrosa do papel. Além disso, é bem visível o entrelaçamento das fibras que formam uma malha.

4.Conclusão


O experimento realizado cumpriu os objetivos iniciais de conhecer a técnica da microscopia eletrônica de varredura bem como os ensaios de tração-deformação. Além disso, o experimento permitiu que fosse feito um estudo mais aprofundado acerca desta técnica e deste ensaio.

A partir da técnica de microscopia eletrônica de varredura, foi possível analisar os tipos de fratura em relação ao tipo de material. Ou seja, observou-se que um material frágil como o aço rompe em planos lisos longitudinais. Além desse tipo de fratura, observou-se também que materiais dúcteis como o alumínio, que sofrem fratura a partir da propagação de uma trinca, tem a superfície de fratura rugosa devido a esta propagação e uma redução na área. Foi portanto possível comparar materiais como aço e alumínio em diversos aspectos, como dureza e tipo de fratura, aferindo-se que o aço é mais duro e apresenta fratura do tipo frágil, enquanto o alumínio é menos duro e apresenta fratura do tipo dúctil.

Esta técnica permitiu também que fosse feita a análise composicional de determinadas amostras. A partir desta análise, foi possível determinar a composição de duas fases diferentes de uma liga de nióbio e alumínio (sendo cada fase rica em um metal diferente). Além disso, determinou-se também a composição de duas ligas diferentes permitindo observar a porcentagem de outros materiais na liga bem como de impurezas. Em uma das ligas analisadas, por exemplo, observaram-se traços de carbono. Esta técnica possibilitou-nos ainda observar a superfície de um pedaço de papel formada pelo entrelaçamento de fibras de origem vegetal.

O ensaio tração-deformação realizado é de grande importância pois, através do diagrama obtido com este ensaio, pode-se inferir diversas propriedades do material analisado bem como vários dados relativos ao mesmo. Alguns dados que são obtidos através deste diagrama são as regiões de deformação plástica e elástica, o módulo de elasticidade, o limite de escoamento, o limite de ruptura, entre outros. Estes dados são importantes, por exemplo, na escolha de um determinado material dentro da indústria. Alguns aspectos como a resistência a tração devem ser levados em conta dependendo da aplicação que deseja-se dar ao material.



5. Bibliografia

(1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Ensaio_de_compress%C3%A3o; acessado em 04/06/10

(2) http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:rrtMLflljVUJ:www.exatec.unisinos.br/~fortis/arquivos/Aula12_EnsaioDeCompressao.doc+ensaio+de+tra%C3%A7%C3%A3o+e+compress%C3%A3o&cd=7&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br; acessado em 04/06/10

(3) http://pt.wikipedia.org/wiki/Limite_de_escoamento; acessado em 05/06/10

(4) http://pt.wikipedia.org/wiki/Ensaio_de_tra%C3%A7%C3%A3o; acessado em 05/06/2010

(5) http://www.fec.unicamp.br/~nilson/apostilas/tracaocompressaoleidehooke.pdf; acessado em 05/06/10

(6)http://www.dea.uem.br/disciplinas/projetodemaquinas/aula_projeto_fratura_fadiga.pdf; acessado em 06/06/10

(7) http://www.emic.com.br/artigos.php?id_artigo=123&categoria=tecnicos&lang=16; acessado em 06/06/10

(8) http://meusite.uai.com.br/~sidcm/Discipl/Material/2-Compressao.pdf; acessado em 06/06/10

(9) http://www.degeo.ufop.br/laboratorios/microlab/mev.htm; acessado em 06/06/10



(10) www.em.pucrs.br/~eleani/Protegidos/8-%20fratura_fadiga.ppt; acessado em 05/06/2010

(11) http://en.wikipedia.org/wiki/Aluminium; acessado em 07/06/2010

(12) http://pt.wikipedia.org/wiki/Ni%C3%B3bio; acessado em 07/06/2010

(13) http://en.wikipedia.org/wiki/Iron; acessado em 06/06/2010

(14) http://en.wikipedia.org/wiki/Manganese; acessado em 06/06/2010

(15) http://en.wikipedia.org/wiki/Magnesium; acessado em 06/06/2010

(16) http://en.wikipedia.org/wiki/Aluminium; acessado em 06/06/2010



(17) http://sigarra.up.pt/up/web_base.gera_pagina?P_pagina=2316; acessado em 06/06/2010

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