Universidade estadual de campinas



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Instituto de Estudos da Linguagem

H0686

PAUL ADAM E UMA VIAGEM À MALÁSIA: EMBARCAÇÕES UTÓPICAS QUE LEVAM A LUGARES DISTÓPICOS


Laura Cielavin Machado e Prof. Dr. Carlos Eduardo Ornelas Berriel (Orientador), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O presente projeto se propõe a pesquisar a obra do autor francês Paul Adam (1862 – 1920), Lettres de Malaisie, que teve sua primeira publicação em 1898. Tal criação literária possui inúmeros elementos que indicam ser essa uma obra de caráter utópico - criação de um lugar ideal, Estado-modelo, local em que todos os problemas e dúvidas que uma sociedade possa apresentar já estejam solucionados no plano político, econômico, religioso, educacional, etc. No entanto, a obra aponta em certos momentos para o caráter distópico, mostrando a conseqüência de uma sociedade 'ditada' por regras que evitam dúvidas ou problemas: homens sem individualidade, oprimidos. Por este motivo, a pesquisa demandará uma discussão teórica acerca dos gêneros utópico e distópico, permitindo-nos constatar que a diferença entre tais gêneros é tênue, ou sequer existente. A obra também será referida ao seu ambiente histórico, o que em muito importa para que se alcance o significado de uma utopia, pois uma de suas características é a oposição crítica a sua realidade contemporânea. Anexo ao projeto será apresentado um exercício de tradução da obra Lettres de Malaisie, visto que esta ainda não se encontra em nosso idioma. Tal tradução será a princípio provisória, já que sua versão completa será objeto de um subseqüente mestrado.

Literatura estrangeira moderna - Utopia - Distopia


H0687

CIDADE DE DEUS: LIVRO, FILME (DIRETOR), VESTIBULAR. DIFERENTES INTERPRETAÇÕES, DIFERENTES AUTORIAS?


Joice Mensato e Profa. Dra. Carmen Zink Bolonhini (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Este trabalho discutirá a autoria do filme Cidade de Deus, tendo como base o conceito de autor defendido pela Análise de Discurso e também utilizará, quando necessário, esse mesmo conceito na ótica da teoria cinematográfica. Tal estudo é fruto do meu questionamento em torno das questões de alguns exames vestibulares que exigem que seus candidatos assistam a determinados filmes para que consigam respondê-las. Ao observar algumas questões que tratavam especificamente do filme dirigido por Fernando Meirelles, percebeu-se que a memória discursiva do examinador fora construída a partir do que a crítica cinematográfica dizia sobre o Cidade de Deus e não sobre o que dizia o diretor do filme. Tendo como base essa observação, formulou-se a pergunta de pesquisa: Quem é o autor do filme Cidade de Deus?

Análise de discurso - Autoria - Cidade de Deus


H0688

“BONITINHO É UM FEIO ARRUMADO”: QUESTÕES DISCURSIVAS PARA O APRENDIZADO DE PORTUGUÊS POR FALANTES DE ESPANHOL


Juliana Peres Araújo e Profa. Dra. Carmen Zink Bolonhini (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O presente trabalho tem como foco a análise de dois dados, referentes a observações de aulas de português para dois falantes de espanhol em contexto de imersão, ancorada à teoria da Análise de Discurso. Os dados se referem a dificuldades encontradas pelos alunos durante e fora das aulas. Mostraremos que a aparente semelhança entre as línguas portuguesa e espanhola gera dificuldades não só nos níveis já tratados por trabalhos da área específica de português para falantes de espanhol – como as dificuldades fonológicas, morfossintáticas e lexicais – mas também no que se refere ao discurso. Os dados mostram que a aprendizagem de um idioma não se dá apenas pelo entendimento da estrutura da língua, pois esta sempre está relacionada à história e ao inconsciente. Assim, um estrangeiro que vivencia o cotidiano de um país diferente tem de aprender a lidar também com os discursos, que estão sempre sendo relacionados a discursos anteriores e apontando para discursos futuros. Para sustentar nossa análise, trabalharemos com dados de gramáticas, dicionários e livros didáticos de ambas as línguas – português e espanhol.

Análise de discurso - Português para estrangeiros - Dificuldades


H0689

A "FABRICAÇÃO" DA PROSPERIDADE NEOPENTECOSTAL: UMA PERSPECTIVA SÓCIO-COGNITIVA DA REFERÊNCIA


Erik Fernando Miletta Martins (Bolsista FAPESP) e Profa. Dra. Edwiges Maria Morato (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Ancorada numa perspectiva sócio-cognitiva da referência (Koch, 2004) a pesquisa objetiva traçar como é modelado textual e interativamente um determinado conceito de 'prosperidade' em sermões de duas Igrejas Neopentecostais de forma que, contrariamente às idéias de estrangulamento do consumo presentes no pentecostalismo histórico descrito por Weber (Campos, 1997), sejam ressaltadas características positivas deste enquanto resultado da prosperidade. Apresenta-se o funcionamento lingüístico-pragmático da retórica neopentecostal pois esse parece ser o locus ideal para se entender o propósito enunciativo-argumentativo de seus oradores. A partir de um corpus constituído de 10 cultos registrados áudio-visualmente, proferidos por religiosos representativos dessas duas igrejas, analisamos as determinações referenciais metafóricas presentes neste ambiente de forma a mostrarmos o funcionamento argumentativo deste fenômeno na conjugação analógica de elementos sagrados fornecidos pelas exegeses bíblicas com elementos atribuídos ao ideário neoliberal. Será exposto no painel o percurso teórico-metodológico da pesquisa, bem como dados que sustentem a hipótese de que em tais ambientes há esse direcionamento argumentativo acerca da noção de "prosperidade" para se reforçar o discurso que legitima as práticas dessas igrejas.

Referenciação - Recategorização - Metáfora


H0690

PROCESSOS MULTIMODAIS E INTERAÇÃO: ANÁLISE DA RELAÇÃO FALA E ESCRITA EM SUJEITOS AFÁSICOS


Gabriela Menegatti (Bolsista SAE/UNICAMP) e Profa. Dra. Edwiges Maria Morato (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O presente projeto, inserido em um projeto mais amplo denominado “Cognição, Interação e Significação”, desenvolveu-se a partir de captação áudio-visual de dados lingüístico-interacionais envolvendo pessoas afásicas e não-afásicas, oservação participativa nas atividades do grupo, participação das reuniões do grupo de pesquisa “Cognição, Interação e Significação”, aprofundamento bibliográfico em torno da pesquisa, e constituição, organização e análise do corpus, com destaque para as questões de fala e escrita na interação entre os participantes do Centro de Convivência de Afásicos (CCA). A pesquisa teve como objetivos a análise de questões concernentes à emergência da escrita e de sua relação com a fala, bem como dos processos multimodais, verbais e não-verbais, em práticas discursivas de afásicos em situação de interação nas atividades desenvolvidas no CCA, localizado no IEL/UNICAMP. Para o desenvolvimento desta análise, o projeto evocou teorizações a respeito da multimodalidade da interação e da importância teórico-metodológica do registro áudio-visual de práticas interativas; bem como do contexto situacional em que as manifestações lingüísticas e cognitivas ocorrem.

Processos multimodais - Fala e escrita - Afasia


H0691

APREENDENDO O CARÁTER MULTIMODAL DAS PRÁTICAS DE LINGUAGEM DE AFÁSICOS E NÃO AFÁSICOS EM SITUAÇÕES INTERATIVAS


Mariana Nicotera de Souza (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Edwiges Maria Morato (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Esta pesquisa teve por objetivo fundamentar com base teórica e metodológica o registro áudio-visual dos programas de Linguagem e Teatral do Centro de Convivência de Afásicos da Unicamp1.Foram objetivos do presente estudo especificar i) aprofundamento teórico a respeito da perspectiva interacional no campo da linguagem; e o ii) aprofundamento da análise multimodal através do material teórico-metodológico relevante ao que parece a interação entre processos de significação verbais e não-verbais, como também apontar para o lugar reservado à câmera no registro áudio-visual.O corpus de base para esta pesquisa compreende as gravações de reuniões do CCA nos meses março a outubro de 2007.Desde o início de 2007 foi implementado o uso de uma segunda câmera no registro das atividades que apresentou-se como desafio técnico e teórico para o grupo de pesquisa que se utiliza do acervo de dados por ela constituído. Desafio técnico, à medida que não mais se contava somente com uma câmera na maior parte do tempo estática, que capturava um plano geral dos acontecimentos, mas com uma que adquiriria mobilidade para enfoques e assim, responsabilidade com a captura de imagens mais “finas” que correspondessem aos novos olhares dos seus operadores.E teórico, pois a presença e mobilidade desta câmera deveria dar conta dos interesses de uma lingüística interacional que, por sua vez, vê na na co- ocorrência de semioses verbais e não verbais , uma fonte fundamental de conhecimentos acerca das práticas de linguagem presentes nas situações registradas. Por fim, pudemos obter dos dados selecionados uma série de fenômenos abordados pela literatura atual no campo da Lingüística Interacional deixando de lado muitos outros por ocasião de objetividade e do caráter introdutório deste trabalho.

“Procurando enfrentar o isolamento social e proporcionar aos afásicos situações do uso de línguagem e demais rotinas significativas da vida em sociedade foi criado, em uma ação conjunta do Departamento de Lingüística e o de Neurologia, ambos da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), o Centro de Convivência de Afásicos (CCA),que fica no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL).” Morato, 2002.

Interação - Afasia - Análise multimodal

H0692

UM ESTUDO COMPARATIVO SOBRE A REPETIÇÃO NA DOENÇA DE ALZHEIMER


Marta Maria de Morais (Bolsista IC CNPq) e Profa. Dra. Edwiges Maria Morato (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Este trabalho se dedica à observação e à descrição das funções textuais da repetição na linguagem de sujeitos com Doença de Alzheimer (DA) em situações e práticas lingüístico-interacionais. A DA é uma neurodegenerescência caracterizada por alterações cognitivas e comportamentais heterogêneas e progressivas (Cf. Défontaines, 2001 p. 37). Devido às alterações de memória previstas na caracterização semiológica da DA, surgiriam problemas lingüístico-cognitivos como intrusões, confabulações, circunlóquios e repetições. Na literatura neurolingüística tradicional, a repetição figura de maneira produtiva na DA e é identificada como uma resposta às dificuldades de evocação verbal e às alterações mnêmicas, conferindo ao fenômeno um estatuto patológico. Nossa pesquisa tem buscado um entendimento mais aprofundado do fenômeno amparando-se em estudos dedicados aos aspectos lingüístico-discursivos próprios à oralidade. A repetição pode ser compreendida como produção não patológica de segmentos discursivos idênticos ou parecidos duas ou mais vezes em um mesmo evento comunicativo (Cf. Marcuschi, 1992). O estudo da repetição na DA nos permite um melhor entendimento do fenômeno e pode nos levar a um adensamento sobre a relação normal-patológico no tocante à linguagem no contexto de declínio sócio-cognitivo.

Repetição - Afasia - Doença de Alzheimer


H0693

ANÁLISE DAS FRICATIVAS POSTERIORES DO JOPARA, DO ESPANHOL E DO GUARANI PARAGUAIO


Diego Jiquilin Ramirez e Profa. Dra. Eleonora Cavalcante Albano (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Neste trabalho verifico o que acontece durante a realização fonética das fricativas posteriores do espanhol e do guarani paraguaios, visto que para cada idioma tais fonemas são distintos: para a fonologia do idioma indígena o fonema é glotal e para a língua espanhola é velar. Devido ao contato lingüístico, o jopara, a variedade guarani que é caracterizada pela mistura de línguas, se desenvolve, assim, para este ponto de convergência, os alofones se multiplicam. No entanto, o quadro de fonemas das línguas estándares segue inalterado. A partir de análises acústicas de falas de paraguaios, demonstro que as fricativas posteriores, para quaisquer das línguas, algumas vezes se asemelham às glotais, em outros, às velares, e ainda, há casos em que é difícil categorizá-las como realizadas em um ponto ou outro de articulação. Trata-se de um típico fenômeno gradiente explicado à luz da Fonologia Acústico-Articulatória.

Fricativas posteriores - Jopara - Castelhano paraguaio


H0694

AQUISIÇÃO FONOLÓGICA DA LÍNGUA PORTUGUESA BRASILEIRA POR SURDOS


Maria de Lourdes Regina Gomes (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Eleonora Cavalcante Albano (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
A audição é o principal sentido que permite ao homem adquirir linguagem oral e comunicar-se. A deficiência auditiva dificulta esta aquisição oral, uma vez que o feedback auditivo encontra-se deficitário. A linguagem possibilita ao homem estruturar seu pensamento, traduzir o que sente. Em surdos a aquisição da primeira língua deve ocorrer primeiramente por outra via sensorial para que essas habilidades não sofram prejuízos. As Línguas de Sinais são as línguas naturais dessa comunidade. Este trabalho teve como objetivo acompanhar a aquisição fonológica do português brasileiro por crianças surdas, que diferenciam-se apenas pelo tempo de exposição à Língua de Sinais Brasileira (doravante LIBRAS). Participaram do estudo quatro crianças surdas e duas crianças ouvintes (controle), a faixa etária das crianças é de 11 a 13 anos. As produções orais dessas crianças foram analisadas através do programa computacional Praat. Com a análise dos dados pode-se construir o espaço vocálico das crianças e comparar com o controle. Os espaços vocálicos mostraram que as crianças expostas há mais tempo a LIBRAS estão mais próximas da correspondência acústica-articulatória dos dados do grupo controle. A aproximação dos espaços vocálicos demonstrou a importância da aquisição, pela comunidade surda, de sua língua natural – língua de sinais precocemente. Qualquer atuação centralizada sobre a dificuldade do individuo, inevitavelmente dificulta seu desenvolvimento.

Aquisição de linguagem oral - Língua brasileira de sinais - Surdez


H0695

A METAFICÇÃO EM PAULO EMÍLIO SALES GOMES


Guilherme Vilarinho Scarel e Profa. Dra. Inês Signorini (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
A pesquisa sobre ‘A metaficção em Paulo Emílio Sales Gomes’ que fundamentou meu estudo de iniciação científica teve como principal base de escolha de tema e autor o fato de serem, respectivamente, uma técnica narrativa e de criação ficcional muito desenvolvida em diversos momentos da história da literatura e, concomitantemente, a tentativa de aliar ao tema um autor também bastante conhecido como crítico de artes, principalmente o cinema, além de ser um autor brasileiro, diferentemente dos consagrados autores latino-americanos e/ou europeus. A construção ficcional em abismo – mise en abyme – configura-se, ainda hoje como uma das mais utilizadas técnicas de criação textual e, para tanto, possui subdivisões, tal qual a metaficção. Nesse sentido, o estudo se fundou no aprofundamento sobre a teoria de criação narrativa metaficcional, no qual surgiram alternativas quanto às formas textuais de criação e seus desenvolvimentos temáticos, além de, ao estudar o autor escolhido, obter considerável conhecimento sobre outras artes que não a literatura. Com o estudo da obra ‘Cemitério’, de Paulo Emílio Sales Gomes, sob uma perspectiva teórica metaficcional, o autor entra definitivamente para o hall dos grandes escritores brasileiros de literatura ficcional.

Metaficção - Paulo Emílio Sales Gomes - Cemitério


H0696

ROMANCE E IMPRENSA PERIÓDICA NO RIO DE JANEIRO OITOCENTISTA - DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO


Ana Laura Donegá (Bolsista IC CNPq) e Profa. Dra. Márcia Azevedo de Abreu (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
A presente pesquisa filia-se a um projeto coordenado pela Profa. Dra. Márcia Azevedo de Abreu, intitulado “Caminhos do Romance: séculos XVIII e XIX”. Dentre os objetivos desse projeto, se encontra o propósito de identificar os romances em circulação, suas formas de comercialização, a recepção tanto pela crítica especializada, quanto pelo público leitor e as práticas de leitura então existentes. Meu trabalho como pesquisadora iniciou-se no Arquivo Edgard Leuenroth, (AEL, IFCH – UNICAMP) onde foi feita uma leitura atenta e cabal do jornal Diário do Rio de Janeiro, com o objetivo de identificar informações relevantes ao estudo em questão. Pesquisei o período compreendido entre 1824 e 1846. Em seguida, identifiquei os títulos de prosa ficcional, realizei um estudo sobre a língua em que foram compostos originalmente e sobre a data de publicação inicial. A abundância de anúncios e a variedade de títulos levaram à constatação da predominância de obras de origem francesa e a presença, secundária, mas significativa de outras literaturas européias - como a inglesa, a espanhola e a italiana. Pode-se notar, também, o contato com produções de diferentes períodos históricos.

História da leitura - Romance - Circulação livreira


H0697

LEITURAS DE ROMANCE: UMA VISÃO DE USUÁRIOS DO ORKUT SOBRE ROMANCES OITOCENTISTAS


Flávia Danielle Sordi Silva (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Márcia Azevedo de Abreu (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
A pesquisa tem como objetivo principal captar a reação contemporânea aos romances brasileiros oitocentistas. Para tanto, coletamos dados na WWW - World Wide Web - em comunidades virtuais alojadas no ambiente Orkut em função de seu alcance, do caráter espontâneo dos debates travados dentro de suas comunidades e da diversidade de seus usuários. Foram selecionadas 89 comunidades que têm como tema romancistas e romances do século XIX, bem como questões relativas à leitura e apreciação desse gênero literário, séculos após sua ascensão. Ainda que nossas análises estejam em andamento já pudemos perceber que José de Alencar e Machado de Assis são os autores mais comentados na rede virtual. Além disso, foi em suas comunidades que encontramos um nível maior de polêmica nos tópicos. Concentramo-nos em identificar os critérios e interesses com que tais obras são lidas atualmente; notando, por exemplo, se a questão da moral, tão presente na atividade de leitura dos oitocentistas, ainda permanece vista como uma virtude da obra. Um tipo de leitura recorrente foi aquela em que os leitores usam excertos das obras para comprovar as interpretações que realizaram ou ainda o exercício de trazer as obras para as suas próprias vidas, identificando as histórias dos personagens da ficção com os acontecimentos pessoais.

História da leitura - História da literatura - Romance

H0698

ROMANCE E IMPRENSA PERIÓDICA NO RIO DE JANEIRO OITOCENTISTA - JORNAL DO COMMERCIO


Juliana Gaiola Sagradim (Bolsista PIBIC/CNPq e IC CNPq) e Profa. Dra. Márcia Azevedo de Abreu (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O projeto Romance e Imprensa Periódica no Rio de Janeiro Oitocentista- Jornal do Commercio tem por objetivo pesquisar no influente periódico carioca Jornal do Commercio, dados que possam indicar quais obras estavam à venda no século XIX, onde eram vendidas, e qual a era a recepção crítica de tais obras na sociedade em questão. Para tal estudo, foram analisados minuciosamente todos os exemplares do jornal entre os anos entre 1862 e 1867, à procura de anúncios de vendas e leilões de livros, feitos por livrarias e tipografias. Para efeito de comparação, também foram observados os anúncios referentes a teatro – sobre encenações de peças e venda de textos teatrais. Depois de analisados, os dados foram digitalizados e disponibilizados num banco de dados on-line, ao qual outros pesquisadores têm acesso. Nos seis anos estudados, foram encontrados cerca de 200 anúncios referentes a romances e aproximadamente 2.000 anúncios de teatro. Esses dados tornam possível visualizar os primeiros passos do gênero romance no Brasil e concluir que, com o passar dos anos, o número de obras comercializadas e de peças encenadas cresce significativamente. Além disso, muitas obras amplamente difundidas na época não entraram para o cânone e, portanto, não têm seus nomes presentes nas Histórias Literárias atuais, o que demonstra o quanto os jornais são ricas fontes para o estudo da Literatura.

Romance - Circulação livreira - Imprensa


H0699

A ESCRITA E A IMAGEM: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS PRESENTES NA LITERATURA DE TESTEMUNHO E NO CINEMA NACIONAL


Paola Roberta Perez (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Márcio Orlando Seligmann-Silva (Orientador), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O projeto de iniciação científica se debruça sobre a temática dos anos de chumbo da ditadura militar brasileira, partindo da literatura de testemunho e relacionando a ela a filmografia que vem sendo lançada sobre esse período. Através dessa relação, tento buscar elementos de duas obras literárias O que é isso Companheiro (1979), de Fernando Gabeira e Os Carbonários: memórias da guerrilha perdida (1980), de Alfredo Sirkis em filmes que não somente tratam a questão da ditadura militar como pano de fundo, mas que buscam organizar a realidade através da ficção. Mostro que cinema e literatura não são, pelo menos em termos de facilidade interpretativa, concorrentes. Eles são artes da ação que se constituem de maneiras distintas e nesse sentido a forma como uma experiência singular é abordada no cinema e no texto escrito não são equivalentes. No caso dos filmes que trazem à tona as experiências traumáticas, as imagens, muitas vezes repletas de horror - cenas de tortura e violência - parecem nos incomodar e chocar muito rapidamente. Já no texto escrito, somos envolvidos aos poucos nesse sentimento de dor que acaba nos convencendo que nem tudo cabe perfeitamente em estruturas semânticas.

Testemunho - Literatura - História


H0700

AS ESTRATÉGIAS DE PREDICAÇÃO NO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE ESCRITA DE UM SUJEITO: UM ACOMPANHAMENTO LONGITUDINAL DA EMERGÊNCIA DE UMA MARCA DE ESTILO


Larissa Picinato Mazuchelli e Profa. Dra. Maria Bernadete Marques Abaurre (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O processo de aquisição de escrita, tema que compõe um grande quadro de pesquisas em lingüística, é assunto de áreas interessadas pela aquisição da linguagem e como tal recebe diversos tipos de tratamento, do pedagógico ao puramente lingüístico, passando pelos campos da psicologia e da medicina. Entre os muitos questionamentos possíveis a respeito da aquisição de escrita, voltamos nossa atenção, neste trabalho, para as escolhas e estratégias (sejam elas conscientes ou não) referentes à predicação, ou seja, aos qualificativos simples ou oracionais das produções textuais de M.L. que indicam a emergência de seu estilo, de seu próprio querer-dizer (Bakhtin, 1953). Articulamos a metodologia qualitativa de Ginzburg (1986), uma análise semântica dos dados (de um corpus longitudinal de M.L.) fundamentada em Halliday (1985) e uma interpretação que leva em conta as teorias enunciativas de estilo e gêneros do discurso de Bakhtin (1953) e Possenti (1988). Com base na análise semântica dos dados de M.L., refletimos, portanto, sobre a maneira como a relação sujeito/linguagem será constituída a partir das escolhas realizadas em suas produções escritas, no que tange à predicação, especificamente.

Aquisição de escrita - Paradigma indiciário - Predicação


H0701

A TRADUÇÃO COMO LEITURA: HANS STADEN EM PORTUGUÊS


Werner Plaas Neto (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Maria Betania Amoroso (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O livro de Hans Staden, “História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Canibais Selvagens, Nus e Ferozes” foi publicado em inúmeras edições em diversos países e línguas desde a edição princeps. O Brasil, no entanto, só pode de ler sua primeira tradução para português em fins do século XIX. A bibliografia sobre esta obra ainda é escassa. Os poucos estudos disponíveis privilegiam a questão da antropofagia em estudos antropológicos e etnográficos. Há também alguns trabalhos que procuram confirmar a exatidão geográfica e histórica do relato, que datam de numa época em que a veracidade da “História Verdadeira” estava sob suspeita, mas cujo interesse para esta pesquisa é periférico e circunstancial. Ao longo do tempo a obra de Staden tendo sido fonte de adaptações; dentre elas, destacam-se “Meu Captiveiro entre os Selvagens do Brasil”, um "texto ordenado literariamente por Monteiro Lobato” para jovens de 1924, e o filme “Hans Staden” de direção de Luiz Alberto Pereira, de 1999, que procura incluir a perspectiva dos tupinambás na história, com todos os diálogos em tupi. Meu trabalho visa comentar uma das traduções para o português do livro de Hans Staden, especificamente aquela feita a partir da versão em alemão modernizado de Karl Fouquet feita em 1941. Enquanto Fouquet transpôs o texto original de Staden, (teria ele tido acesso a uma edição princeps ou fac-similar?) escrito no alemão clássico, recém padronizado por Lutero para o alemão moderno, Guiomar Carvalho Franco se utilizou da versão de Fouquet para elaborar sua tradução para o português. Essa edição bilíngüe recebe o título neutro de "Duas Viagens ao Brasil". Esta edição está disponível atualmente pela Edusp, que carece de atualização ortográfica, mas contém todo o texto e todas as gravuras do original. O que se procura obter é uma interpretação da tradução, através da análise de algumas estratégias nela empregadas, lingüísticas ou de outra ordem, como informações biográficas sobre os tradutores e históricas sobre o Instituto Hans Staden, associação cultural formada em São Paulo por alemães e imigrantes alemães a qual patrocinou sua publicação em 1941. Trabalharemos com a hipótese de que essa tradução para o português é arcaizante. Cabe ao trabalho demonstrar a validade dessa hipótese com evidências textuais.

Hans Staden - Tradução - História do Brasil


H0702

JUÓ BANANÉRE NO DIÁRIO NACIONAL


Alita Tortello Caiuby (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Maria Eugenia da Gama Alves Boaventura Dias (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Este projeto trata do material inédito em livro de Juó Bananére, publicado no Diário Nacional de São Paulo (1927 – 1932). São 14 textos acompanhados de ilustrações, à exceção de um. Este periódico foi planejado para ser porta-voz das idéias do Partido Democrático, criado, em 1926, por muitas personalidades que estiveram ligadas ao movimento literário de 1922. Juó Bananére, criação do escritor e engenheiro Alexandre Ribeiro Marcondes Machado (1892 - 1933), nasceu no 11º número da revista O Pirralho, em 1912. Nas crônicas do DN continua a utilizar a linguagem macarrônica, mistura de português e italiano, para satirizar os participantes da política paulista, em especial, os membros do partido governista, o Partido Republicano Paulista. As crônicas foram organizadas e digitalizadas. Em seguida, foi feita uma pesquisa sobre a Primeira República, a fim de entender o momento com o qual estes textos dialogam. O material é analisado do ponto de vista literário, para isso utilizamos metodologia conhecida de edição e estudos de textos literários publicados em jornal. Percebe-se que os textos de Bananére, um suposto imigrante italiano, têm papel importante no periódico quando pensamos na situação sócio-política da época.

Crônicas - Edição - Modernismo


H0703

MEIO AMBIENTE NA ESCOLA


Beatriz Isadora Esteves de Souza (Bolsista SAE/UNICAMP e FAPESP) e Profa. Dra. Maria Irma Hadler Coudry (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O subprojeto Meio Ambiente na Escola vinculado ao projeto Unicamp dia-dia: ciência e arte para o desenvolvimento cultural (da Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural – PREAC, UNICAMP) tem o objetivo de conscientizar os alunos do Ensino Médio sobre a problemática ambiental de nossos dias. Diariamente são veiculadas pela mídia notícias sobre desmatamentos, mudanças climáticas, aquecimento global, poluição, desenvolvimento sustentável, reciclagem, etc. Se existem inúmeros problemas que dizem respeito ao ambiente, isto se deve em parte ao fato de as pessoas não serem conscientizadas. A idéia do projeto é sensibilizar os alunos, por meio de palestras e ações práticas, para a compreensão do frágil equilíbrio da biosfera e dos problemas da gestão dos recursos naturais. A população em geral não está e não foi preparada para delimitar e resolver de um modo eficaz os problemas concretos do seu ambiente imediato. Neste contexto surge a educação ambiental, um processo participativo onde o educando é parte central da relação ensino/aprendizagem e seu desenvolvimento vem diretamente ligado ao movimento ambientalista. Este projeto leva o aluno a participar ativamente do diagnóstico dos problemas ambientais e da busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de habilidades, formação de atitudes e de uma conduta ética, condizentes com o exercício da cidadania.

Problemática ambienta - Educação ambiental - Desenvolvimento sustentável


H0704

UNICAMP DIA A DIA: VIOLÊNCIA NO ESPORTE


Bruno Mauricio Rodrigues de Oliveira (Bolsista SAE/UNICAMP e FAPESP), Maria Cristina Amoroso Leite de Lima Barros e Profa. Dra. Maria Irma Hadler Coudry (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O subprojeto Violência no Esporte vinculado ao projeto Unicamp dia-dia: ciência e arte para o desenvolvimento cultural (da Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural tem o objetivo de promover a conscientização da violência que ocorre nos bastidores de cada espetáculo esportivo. Nos últimos anos temos presenciado um significante aumento da violência nos jogos de futebol, foco da pesquisa, não apenas relacionada aos jogadores de nível profissional, mas também, e principalmente, entre torcedores e estudantes. As agressões no campo e arquibancadas dos grandes centros esportivos, assim como em praças públicas e ruas, torna-se cada vez mais explícita. A violência nos estádios ultrapassa, em grande escala, o que chamamos de segurança pessoal, e o Brasil, país do futebol, teme a proporção do crescimento da rivalidade entre torcidas independentes, o que converte o amor pelo futebol em medo. A violência ocorre no momento em que a prática é elevada ao fanatismo tornando-se válvula de escape para a euforia, a frustração e a angústia, causada pela vitória ou derrota de seu time. Este projeto visa à conscientização da população, através de mostras de fotos que chamam a atenção para o cuidado com o esporte e para a idéia de que a violência, tanto dentro quanto fora dos estádios, deve ser substituída por uma competitividade saudável.

Violência - Futebol - Esporte


H0705

TRATAMENTO DE DADOS NO PROJETO INTEGRADO EM NEUROLINGÜÍSTICA


Flávia Augusta Sousa e Silva (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Maria Irma Hadler Coudry (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
A pesquisa Tratamento de dados no Projeto Integrado em Neurolingüística caracteriza uma forma de tratamento de dados registrados em vídeo das sessões semanais do Centro de Convivência de Afásicos/CCA – Grupo II que se baseia em um processo de découpage composto de: registro dos participantes e de cenas, transcrição de trechos relevantes do ponto de vista teórico-metodológico e marcação dos temas desenvolvidos. As sessões são digitalizadas e integram o Banco de Dados em Neurolingüística (BDN). A tabela do BDN expõe o dado conforme as condições em que foi produzido, ou seja, registram-se tanto enunciados, palavras e segmentos verbalizados conforme a pessoa falou, quanto o como a pessoa falou (tom, gestos, por exemplo). Esse trabalho se pauta na metodologia de dado-achado (Coudry 1991/96), produzido pela articulação de teorias com a prática de avaliação e acompanhamento longitudinal. Tal metodologia faz uso de práticas significativas com a linguagem para avaliação e seguimento terapêutico. Destaca-se, como resultado, a visibilidade que o dado exposto em forma da tabela do BDN dá à cena enunciativa coletiva. Envolver-se com o processo de découpage e com a teorização em Neurolingüística que essa pesquisa possibilitou contribuiu para aprofundar minha formação no campo da afasia e das práticas clínicas a ela associadas.

Banco de dados - Neurolingüística - Afasia


H0706

TRANSFORMAÇÃO DE LINGUAGEM CIENTÍFICA EM LINGUAGEM DE DIVULGAÇÃO


Maisa Sancassani (Bolsista SAE/UNICAMP e FAPESP) e Profa. Dra. Maria Irma Hadler Coudry (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O subprojeto Transformação da linguagem científica em linguagem de divulgação vinculado ao projeto Unicamp dia-dia: ciência e arte para o desenvolvimento cultural (da Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural – PREAC, UNICAMP) tem como objetivo transformar a linguagem de trabalhos científicos produzidos na Universidade de Campinas em uma linguagem acessível a alunos do Ensino Fundamental e Médio. Tal transformação lança mão de recursos lingüísticos e visuais, como a paráfrase, a exemplificação e a comparação, entre outros, sendo possível a exposição de qualquer conteúdo, sem desqualificação do trabalho. A metodologia usada visa a realizar um trabalho textual de adaptação da linguagem acadêmica em uma linguagem de divulgação. Esperamos que as apresentações em escolas e em entidades sociais dos textos acadêmicos adaptados à linguagem de divulgação despertem interesse tanto pelas informações científicas quanto pela possibilidade de aproximá-los da Universidade e, ainda, diminua a distância entre as diversas disciplinas do conhecimento humano produzidas na Universidade e uma sociedade em construção em que o jovem é parte fundamental.

Linguagem científica - Linguagem de divulgação - Textualidade


H0707

TRATAMENTO DE DADOS DO CCAZINHO


Tainara Lemes Conde Nandin (Bolsista IC CNPq) e Profa. Dra. Maria Irma Hadler Coudry (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Parte do Banco de Dados em Neurolingüística (BDN) é elaborado com base na découpage e transcrição de dados das sessões coletivas do Centro de Convivência de Linguagens (CCazinho/IEL/UNICAMP). O objetivo do BDN é dar visibilidade aos dados e às condições em que foram produzidos. Por isso, o BDN é formado por: um sistema de notação e codificação que representa a dinâmica da atividade verbal e não verbal vivenciada em cada sessão. O presente projeto se dedica ao tratamento dos dados do Ccazinho, no ano de 2008, que consiste na caraterização dos participantes da sessão e das atividades realizadas; na transcrição de trechos previamente selecionados pelos pesquisadores e na découpage da seqüência da sessão. O CCazinho é dedicado a crianças que têm dificuldades de leitura/escrita e se apresenta como um lugar para lidar com o preconceito dirigido à variedade oral estigmatizada - e a seus sujeitos – caracterizada de antemão como da ordem da patologia. Um lugar para futuros professores de português, lingüistas e fonoaudiólogos compreenderem como e em que condições ocorre o processo de aquisição e uso da escrita/leitura na escola pública atual bem como interferir nesse processo de forma que seja conduzido sem rótulo de patologia. Destaca-se que o tratamento de dados realizado produz efeitos na formação da graduanda em Fonoaudiologia, tanto do ponto de vista teórico (para compreender os pressupostos da Neurolingüística Discursiva) quanto metodológico (análise lingüística dos dados).

Neurolingüística - Banco de dados - Dificuldade de leitura/escrita


H0708

A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE EM ALUNOS MIGRANTES NA SALA DE AULA


Daniel Lemos Cury (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Maria José Rodrigues Faria Coracini (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Nesta pesquisa, estudamos a construção identitária do(a) aluno(a) adolescente migrante no estado de São Paulo em sala de aula, através da análise de aulas e entrevistas com aluno(a)s de sétima e oitava séries do Ensino Fundamental. Buscamos promover uma reflexão a respeito do ensino da Língua Materna na escola, considerando a relevância da constituição da identidade do aluno migrante em meio a um ensino que postula um sujeito totalizante e o considera como origem de seu próprio sentido, sem levar em conta a presença do(s) outro(s) como constituinte(s) de sua formação identitária. Pretendemos, desse modo, contribuir às reflexões realizadas na área de Lingüística Aplicada pensando no ensino de português como Língua Materna, que considere a presença de alunos migrantes na sala de aula. Partimos da concepção de que o sujeito é social, se (trans)forma na e pela relação com o outro: é, portanto, alteridade. Se o sujeito é marcado pela alteridade, podemos afirmar que ele é formado e constituído na/pela linguagem, no e pelo outro. Diluído em todas essas identificações, pelas quais o sujeito está sempre atravessado, está a construção identitária. Com tais questões teóricas em mente, e com os dados devidamente coletados, foi possível chegar a análises satisfatórias até o momento.

Identidade - Sujeito - Discurso


H0709

REPRESENTAÇÕES DE LÍNGUA EM PROFESSORES BRASILEIROS MIGRANTES: UMA QUESTÃO DE IDENTIDADE


Jully Liebl (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Maria José Rodrigues Faria Coracini (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Ser migrante é entrar em choque com outras culturas e línguas. Ser professor de língua portuguesa, ainda hoje é ensinar a norma culta padrão impondo regras gramaticais normativas também à oralidade, o que pode levar à discriminação de outras variantes regionais. Como a falada pelo professor migrante que talvez se veja assim, em situação de conflito diante de seus alunos e da instituição escolar. Assim, nosso objetivo é observar, através de entrevistas, as representações que professores migrantes no estado de São Paulo e que lecionam língua portuguesa têm de língua, identidade nacional e de si mesmos enquanto professores. Os corpora é constituído de entrevistas informais e de redações escritas sobre o “Professor escreve a sua história”, ou trechos dessas. Analisamos os corpora considerando que a identidade é móvel e fragmentada; que o sujeito, cindido, constituído pela e na linguagem, é construído pelo olhar do outro, definindo-se pela alteridade. Pretendemos, então, contribuir para as discussões em Lingüística Aplicada no que tange à reflexão do ensino da língua materna (no caso do Brasil, o português), e, conseqüentemente, para a formação de professores.

Identidade - Sujeito - Discurso


H0710

OLHARES DE/SOBRE UM ADOLESCENTE SURDO


Kátia Terumi Matsuvara Kitagawa e Profa. Dra. Marilda do Couto Cavalcanti (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Baseada em um estudo de caso sobre um adolescente surdo, a presente pesquisa, que ainda está em andamento, focaliza identidades diversas que foram construídas por ele e por profissionais que com ele atuam em um ambiente de apoio à escolarização. O estudo, de orientação etnográfica, pretende se encaixar em uma metodologia de pesquisa interpretativista baseada na observação continuada em trabalho de campo realizado durante o ano de 2007. A geração dos registros foi realizada através de anotações de campo posteriormente elaboradas em diários, de conversas informais e de entrevistas com alguns dos familiares e profissionais que trabalhavam com o adolescente. Além desses registros, há também fichas e relatórios que trazem o histórico do adolescente na instituição. Um dos textos básicos para a análise de dados é Santana e Bergamo (2005). Os resultados preliminares apontam para a construção de identidades fluidas e a relação do adolescente com o uso de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e de Português.

Surdez - Identidades - Língua de sinais


H0711

OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE EM DOIS CONTEXTOS DE SURDEZ


Mariana Guillardi da Silva Maia e Profa. Dra. Marilda do Couto Cavalcanti (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O estudo apresentado, que está em andamento, focaliza dois contextos de surdez e escolarização. A pesquisa, inserida em um paradigma interpretativista, é de cunho etnográfico. A geração dos registros, proveniente de trabalho de campo, é baseada, principalmente, na elaboração de diários (de campo), que permitem leituras e releituras dos contextos focalizados. A pergunta direcionadora da pesquisa é: Como é o cenário sociolinguístico em dois contextos educacionais de surdez observados?. Os dados serão analisados com base na Sociolingüística Interacional (Gumperz, 1982; Bortoni-Ricardo, 2005). Alguns dos resultados preliminares desta análise de dados apontam para uma realidade multilíngüe e não bilíngüe nesses contextos de educação de surdos. Além das línguas institucionalizas, a LIBRAS (Línguas Brasileira de Sinais) e a língua portuguesa escrita, há outras línguas importantes para a educação dos surdos, mas que são ignoradas.

Surdez - Escolarização - Língua de sinais


H0712

A CONSTITUIÇÃO DO DISCURSO FEMINISTA NO BRASIL PÓS-1975


Mariana Jafet Cestari (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Mônica Graciela Zoppi Fontan (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
As décadas de 1960 e 1970 marcaram o movimento feminista em diversos países. No Brasil, na década de 1970, no bojo do movimento contra a ditadura militar e conjuntamente com as forças políticas de esquerda, formaram-se grupos e jornais nacionais que se autodenominavam feministas, eram dirigidos às mulheres e feitos por mulheres. Neste trabalho, são estudados os jornais “Brasil Mulher” (1975-1980) e “Nós Mulheres” (1976-1978), parte da imprensa feminista alternativa. Estes jornais são considerados fundadores e fundamentais na constituição do projeto e do discurso feminista brasileiro contemporâneo, pelo papel que cumpriam como divulgadores, formadores e organizadores do movimento no país. Sob a perspectiva teórico-analítica da Análise do Discurso materialista, são apresentadas e analisadas algumas regularidades deste discurso feminista. São explorados os processos discursivos, como a tomada de posição e a denúncia, que configuram um nós inclusivo como lugar de enunciação que permite processos de subjetivação na resistência para as mulheres identificadas com essa posição. Os jornais feministas colocam-se como parte de um processo de construção de um lugar de enunciação público e político das mulheres. Como historicamente a mulher foi identificada com o espaço privado e este espaço foi subordinado ao espaço público, ocupado majoritariamente por homens, a construção de um lugar de enunciação público e, pelo exposto, legítimo, intervém na relação de forças entre sentidos em nossa sociedade.

Porta voz - Resistência - Feminismo


H0713

OS DIZERES DOS PARLAMENTARES SOBRE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL


Heloisa Rutschmann Fonsechi (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Mônica Graciela Zoppi Fontana (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Esta pesquisa analisa o discurso parlamentar sobre a redução da maioridade penal proferido no Senado Federal, a partir dos episódios que marcaram novas discussões acerca do assunto, tanto na mídia como na sociedade em geral. A análise se baseia na teoria e métodos da Análise do Discurso Francesa, que se propõe a pensar sobre a linguagem desnaturalizando as evidências dos sentidos e dos lugares comuns já estabilizados. Utilizamos na análise os conceitos de formação discursiva, interdiscurso e discursos sobre, baseando-se nas imagens de legislador, de sociedade e de violência construídas pela posição sujeito dos senadores.

Análise do discurso - Discurso político - Redução da maioridade penal


H0714

HIPNOSE: UMA ABORDAGEM SEMIÓTICA DO PSICOSSOMÁTICO


Gilberto Machel Veiga D' Angelis (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Nina Virgínia de Araújo Leite (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Este trabalho é o resultado de minhas pesquisas desenvolvidas, simultaneamente, em minha Monografia de Conclusão do Curso de Lingüística e uma Iniciação Científica que foi desenvolvida entre agosto de 2007 e janeiro de 2008, com bolsa PIBIC/CNPq, concluída então por ocasião do término de minha Graduação. Nesta pesquisa, em primeiro lugar, tomei a hipnose como o protótipo de um tipo de relações do organismo humano, tradicionalmente nomeadas como psicossomáticas. Nesse sentido, procurei investigar e levantar algumas questões fundamentais na tentativa de encontrar um substrato simbólico que poderia melhor explicar tal fenômeno; considerei de grande relevância teórica e epistemológica, a contribuição que se pode trazer da Lingüística para a Hipnologia, na compreensão da linguagem enquanto organizadora, constituinte e/ou, no mínimo, mediadora de tais relações; e não encontrei teoria alguma ou proposta descritiva/explicativa que levasse isso em consideração ou desse maior importância à significação no processo hipnótico. Desse modo, cheguei à idéia de que para se ter uma compreensão mais profunda sobre a HIPNOSE é necessária uma abordagem semiótica e sistêmica de tais processos; e quem sabe, mais e novas respostas possam ser encontradas se desenvolvermos a “sugestão” teórica que nomeia e encerra este trabalho.

Hipnose - Semiótica - Psicossomatismo


H0715

UMA INVESTIGAÇÃO LINGÜÍSTICA DO ATO FALHO


Lilian Braga dos Santos e Profa. Dra. Nina Virgínia de Araújo Leite (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Sigmund Freud agrupa alguns dos fenômenos até então tidos como marginais da vida cotidiana em um mesmo conceito, o ato falho [Fehlleinstung]. O termo criado por Freud designa ocorrências nas quais o sujeito, plenamente capaz de realizar certo ato, falha. A proposta de nossa pesquisa é abordar três formas sob as quais o ato falho pode apresentar-se: o lapso de língua [Versprechen], o lapso de escrita [Verscreiben] e o esquecimento [Vergessen]. Esses fenômenos apresentam características que são de ordem lingüística e mnêmica. Por um lado, abordamos a dimensão lingüística dos atos falhos em questão, por outro lado, avançamos no estudo deles e os investigamos na dimensão de retorno de algo que foi recalcado da consciência. Assim, através da Lingüística tratamos da questão da fala e da escrita; enquanto por meio da Psicanálise abordarmos o caráter inconsciente da memória – apontado por Freud -, bem como a questão da reminiscência – discutida por Jacques Lacan.

Ato falho - Memória - Lingüística


H0716

(NÃO-)RELAÇÕES: LINGÜÍSTICA E PSICANÁLISE NA OBRA "L'AMOUR DE LA LANGUE", DE J-C. MILNER


Paulo Sergio de Souza Júnior (Bolsista FAPESP) e Profa. Dra. Nina Virgínia de Araújo Leite (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O projeto visa dar seguimento a uma tradução crítica — para estudo da obra “L’amour de la langue”, do lingüista Jean-Claude Milner —, sobre a qual serão levantadas questões a respeito dos apontamentos que o autor faz com relação à Lingüística enquanto ciência, e da natureza da região de contato aí observável se nos dirigirmos a um determinado campo do saber: uma certa psicanálise dita lacaniana. Milner traz nessa obra um momento de seu percurso como estudioso da linguagem, e nos situa frente ao seu encontro com reflexões psicanalíticas; e, o que aqui nos interessa, frente às perguntas com relação à própria Lingüística que esse encontro lhe possibilitou. Pretendemos, então, lançar nosso olhar sobre esse caminho à luz de algumas obras de J. Lacan — em que ecoam remissões a F. de Saussure e R. Jakobson —, que nos permitirão até mesmo tangenciar discussões a respeito das influências que a Lingüística exerceu em suas formulações primeiras no campo da Psicanálise. Dessa forma, traremos alguns questionamentos concernentes aos estudos lingüísticos que nos ajudarão a refletir sobre o que se produz, aí, como conhecimento — na medida em que a composição do que se pode chamar por ‘ciência da linguagem’ deixa de fora, constitutivamente, elementos que se tornam relevantes a um estudo da Lingüística em suas tantas interfaces.

Epistemologia da lingüística - Psicolingüística - Psicanálise lacaniana


H0717

MARTINS PENA NO DIÃRIO DO RIO DE JANEIRO (1838-1845)


Bruna Grasiela da Silva (Bolsista IC CNPq) e Profa. Dra. Orna Messer Levin (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O presente estudo tem como objetivo levantar dados sobre as primeiras representações das peças de Martins Pena nos teatros do Rio de Janeiro, entre 1838 e 1845. Pretende-se acompanhar a inserção do autor no programa teatral da época, bem como observar sua recepção por parte do público e da crítica. Tal levantamento vem sendo realizado por meio da consulta aos anúncios teatrais veiculados no periódico Diário do Rio de Janeiro. Entre outubro de 1838, quando estreou nos palcos do Teatro de São Pedro de Alcântara a farsa, O Juiz de Paz na Roça, e 1845, ano em que diversas comédias ocuparam a cena carioca, os anúncios do periódico permitem observar a trajetória ascendente e o bom acolhimento da obra de Martins Pena. Os dados obtidos nas páginas do jornal mostram a aceitação tanto de suas peças curtas, como O Judas em Sábado de Aleluia e A Família e a Festa da Roça, quanto das mais longas, em 3 atos, como O Noviço e Bolyngbrock & C. ou as Casadas Solteiras.

Martins Pena - Teatro - Imprensa


H0718

REESCRITA E AUTORIA NO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA ESCRITA


Cláudia Patrícia Fidelix de Moraes (Bolsista IC CNPq) e Profa. Dra. Raquel Salek Fiad (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O projeto de pesquisa “Reescrita e autoria no processo de aquisição da escrita”, coordenado pela Profa. Dra. Raquel Salek Fiad, do qual sou bolsista, propõe uma discussão sobre estilo, gêneros discursivos e autoria no processo de aquisição da escrita, buscando retomar a questão da reescrita e observar como esta influi na constituição do sujeito autor. O projeto tem por principal objetivo verificar a hipótese de se considerar que os episódios de reescrita presentes em dados de aquisição, analisados de acordo como paradigma indiciário proposto por Ginzburg (1989), sejam constitutivos da autoria nesse processo. Nesta etapa de minha pesquisa, foi realizada revisão bibliográfica sobre os conceitos de reescrita e autoria em trabalhos sobre escrita e sua aquisição. No momento, está sendo feita a seleção de dados para análise, em textos das primeiras séries do ensino fundamental.

Reescrita - Autoria - Estilo


H0719

A SIGNIFICAÇÃO IMAGÉTICA NO CONTEXTO DAS BATERIAS DE AVALIAÇÃO DE AFASIAS E DIAGNÓSTICO DE DEMÊNCIAS E DECLÍNIOS COGNITIVOS


Denis Prado Forigo (Bolsista SAE/UNICAMP) e Profa. Dra. Rosana do Carmo Novaes Pinto (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O tema deste trabalho inclui-se no âmbito das pesquisas sobre metodologia na Neurolingüística. O teste estudado neste trabalho é o Teste de Nomeação da Bateria de Boston (TNB). A mediação neste teste se dá através de tarefas de reconhecimento e de compreensão de imagens. Esta relação referencial estabelecida entre palavra e imagem no contexto da aplicação nos leva ao campo teórico da semiótica peirceana. Nela, é proposto ao signo um estatuto que extrapola o domínio da significação verbal, e é adequada, portanto, à análise da significação imagética. Será possível, com os conceitos da semiótica peirciana, discutir as diferenças entre a linguagem enunciativa e a “linguagem imagética”, relacionando as influências destas diferenças nas situações de testes e atentando-nos para casos nomeação metonímica ou metafórica das imagens, que podem ocorrer na situação dialógica do teste e que, geralmente, são indicadas como erros. Em relação à concepção lingüística, os conceitos bakhtinianos serão a base deste estudo ao explicitar o caráter idealizado do sistema lingüístico na visão estruturalista saussureana. No âmbito da cognição, a concepção de cérebro como modelo sistêmico nos dará o contraponto à tendência neo-localizacionista presente na maioria dos estudos de neuropsicologia sobre acesso lexical aos quais servem as baterias de testes.

Neurolingüística - Metodologia científica - Semiótica


H0720

MATERIAIS DIDÁTICOS IMPRESSOS E DIGITAIS PARA ENSINO DE LEITURA E ESCRITA – CONTRASTANDO POSSIBILIDADES DIDÁTICAS


Paulo Vinicius Mendez Ananias (Bolsista IC CNPq) e Profa. Dra. Roxane Helena Rodrigues Rojo (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
A investigação da presente pesquisa tem seu foco na utilização do conceito de gênero discursivo nas atividades de leitura dos LDP e mais especificamente na maneira como são utilizados os diferentes gêneros para a formação do letramento crítico nos alunos. Bakhtin salienta a relação entre as situações de uso da língua e as esferas da atividade humana nas quais se dão; argumenta ainda que é dentro de um certo número de situações características dessas esferas que vão se manifestar os gêneros, sendo que, em algumas esferas, os gêneros são mais ou menos característicos e mais ou menos flexíveis quanto ao tema, estilo e construção composicional. Para se observar como é apresentada e trabalhada a questão dos gêneros e dos letramentos proporcionados aos alunos nas atividades de leitura nos Livros Didáticos de Português (LDP) de uma forma abrangente, o plano de trabalho prevê duas atividades principais: mapeamento, revisão e equalização da planilha das coletâneas de textos dos LDP de quinta a oitava séries obtidas junto ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e posterior seleção de coleções de LDP’s para um estudo mais detalhado quanto à esfera de produção/circulação dos textos propostos, a contextualização dos textos e o multiletramento das coletâneas, com especial enfoque na questão do embate local versus global.

Materiais didáticos - Leitura e escrita - Ambiente digital


H0721

A AQUISIÇÃO DO QUANTIFICADOR UNIVERSAL EM PORTUGUÊS BRASILEIRO: UMA INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR DE SUA PRODUÇÃO


Danielle Patricia Algave (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Ruth Elisabeth Vasconcellos Lopes (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Este estudo visa à investigação da aquisição do quantificador universal por crianças adquirindo o PB, através de um exame de sua produção em fala espontânea, partindo da hipótese inatista (Chomsky, 1986) e do quadro da semântica formal (Chierchia, 2003). Tivemos por objetivo investigar se a criança, entre 1;5 e 4 anos, faz a distinção entre expressões referenciais e expressões nominais quantificadas e verificar quando esse conhecimento começa a ser produtivamente utilizado por ela. Procuramos também verificar se elas produzem sentenças com mais de um quantificador e, produzindo, se haveria uma preferência em sua ordenação que pudesse refletir uma leitura específica para a sentença. Através de uma análise quantitativa e qualitativa dos dados longitudinais de produção espontânea de 3 crianças, disponíveis no CEDAE/UNICAMP e no CEAAL/PUCRS, concluímos que a produção do quantificador universal se dá um pouco antes dos 2 anos de idade, na fala dessas crianças, e inicialmente é realizada com certa dificuldade, se considerarmos a concordância de número e gênero realizada dentro do NP entre o quantificador e seu restritor e, às vezes, com o restante da sentença. Percebemos que as crianças são capazes de compreender a semântica desses quantificadores, e que nenhuma sentença com mais de um quantificador foi produzida.

Quantificador - Semântica formal - Aquisição


H0722

TRAÇOS FORMAIS E TRAÇOS SEMÂNTICOS: EM BUSCA DA ORDEM NA AQUISIÇÃO


Maria Carolina Ferraciolli (Bolsista IC CNPq), Melissa Cristina Forato e Profa. Dra. Ruth Elisabeth Vasconcellos Lopes (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Este trabalho dá continuidade à pesquisa de Forato (2008) que mostra que em português, respostas curtas a perguntas do tipo sim/não, especialmente quando afirmativas, são normalmente respondidas com o verbo da pergunta e não com a partícula 'sim'. Em muitos casos, essas respostas constituem elipses. Nosso objetivo foi investigar quais as estratégias que crianças adquirindo o português utilizam em tais respostas, com base em corpus longitudinal de duas crianças, entre 1;8 e 3;7 anos. Os dados foram analisados qualitativa e quantitativamente, a fim de que se tivesse um quadro empírico revelador do processo de desenvolvimento das estratégias empregadas pelas crianças em relação ao fenômeno de estudo. Procuramos analisar a fala das duas crianças conjuntamente e também em separado, de forma a observar as possíveis diferenças e semelhanças em ambos os processos de aquisição. Conforme esperado, encontramos grande número de respostas construídas com formas verbais e um escasso uso de advérbios isolados nas respostas (advérbios  aspectuais; embora a criança, ao contrário do adulto, também utilize os temporais como resposta). Como discrepância da fala adulta, observamos grande quantidade de respostas com uso da palavra "sim", utilização de palavras isoladas presentes na pergunta e uso do verbo ser ("é") em respostas não assertivas.

Aquisição - Gerativismo - Traços formais e semâtnicos


H0723

ANÁLISE DO DISCURSO HUMORÍSTICO: AS PIADAS DE LOIRA


Gisele Maria Franchi (Bolsista FAPESP) e Prof. Dr. Sirio Possenti (Orientador), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
As piadas são veículos de discursos proibidos, de discursos que não são comumente explicitados: nelas, as pessoas não se casam por amor, mas por interesse; os governantes não são dedicados e competentes, mas corruptos; as sogras, longe de serem consideradas como uma segunda mãe, são detestáveis, etc... No caso específico das piadas de loira, o discurso corrente é de que essas mulheres seriam burras e/ou sexualmente disponíveis. O objetivo deste trabalho foi investigar as condições de produção das piadas de loira, ou seja, as razões histórico-sociais que justifiquem o fato de as loiras serem vítimas do discurso hostil que circula nas piadas. Com base em teorias lingüísticas e do discurso, analisamos algumas dessas piadas, principalmente no que diz respeito aos estereótipos de burra e de sexualmente disponível atribuídos às loiras. As análises mostraram que, por meio desse material originalmente feito para rir, circula uma ideologia machista. Dito de outro modo, constatamos que as piadas de loira são uma forma de reação dos homens (machistas) perante a atual situação social em que as mulheres se encontram: eles a analisariam a partir de um ponto de vista condizente com sua formação discursiva, que é a de um sujeito inconformado com as conquistas que as mulheres vêm alcançando.

Piadas - Loiras - Análise do discurso


H0724

VERBOS AUXILIARES NO PORTUGUÊS BRASILEIRO


Fernanda Elena de Barros Reis (Bolsista IC CNPq) e Profa. Dra. Sonia Maria Lazzarini Cyrino (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O objetivo deste trabalho é estudar a questão dos verbos auxiliares no Português brasileiro (doravante, PB) a partir da proposta de classificação de verbos auxiliares e semi-auxiliares para o Português europeu (doravante, PE) de Gonçalves e Costa (2002). Segundo as autoras, somente ter e haver seguido de Particípio Passado podem ser considerados auxiliares no PE, e os verbos semi-auxiliares podem ser organizados numa escala de auxiliaridade que seria: 1. ser passivo; 2. verbos temporais (ir, vir, haver (de)); 3. verbos modais poder e dever e aspectuais seguidos de a; 4. verbo modal ter (de) e verbos aspectuais seguidos de de (e também para e por). Na primeira parte deste trabalho, as nove propriedades de um verbo auxiliar do português propostas pelas autoras foram testadas para os verbos do PB, e somente quatro delas apresentaram resultados semelhantes ao PE; uma delas apresentou algumas divergências no resultado e as quatro restantes ou não puderam ser aplicadas ao PB ou apresentaram resultados muito distintos do PE, devido às diferenças entre o PE e o PB. A segunda parte do trabalho foi olhar para as construções com dois verbos em corpus do século XIX e início do século XX, para que se pudesse verificar como os verbos se comportavam, principalmente em relação àquelas nove propriedades de um verbo auxiliar.

Verbo auxiliar - Sintaxe gerativa - Português brasileiro


H0725

O OBJETO NULO NA AMÉRICA DO SUL – UM ESTUDO COMPARATIVO


Mariana Batista de Lima (Bolsista SAE/UNICAMP) e Profa. Dra. Sonia Maria Lazzarini Cyrino (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
Esse trabalho estuda o fenômeno gramatical Objeto Nulo (doravante, ON) no Português Brasileiro em comparação com suas realizações no Espanhol da América do Sul, tendo em vista a Teoria de Princípios e Parâmetros. Para essa atividade, os métodos escolhidos foram: leitura e revisão bibliográfica pertinente ao projeto; coleta de dados provenientes de salas de bate-papo (chat), fóruns de leitores de jornais (versões on line) e blogs pessoais, isso por meio de pesquisa de conteúdo unicamente disponível pela internet. No que se refere aos dados em língua espanhola, delimitamos quatro países da América do Sul, são eles Argentina, Equador, Paraguai e Peru. Os casos de ON no Espanhol do Equador são os mais numerosos dentre os demais países Sul-americanos de língua espanhola. A ocorrência de ON no Espanhol Paraguaio e Peruano foi constatada, porém o mesmo não se deu quanto ao Espanhol Argentino, em que nenhuma ocorrência - dentro do período de tempo em que se deu esse trabalho - foi encontrada. Em comparação com os dados do Português do Brasil, é realmente nestes em que há o maior número de ocorrências de ON, além destes serem mais livres, de ocorrerem em ilhas e também em referência a palavras com o traço [+animado].

Objeto nulo - Português Brasileiro - Espanhol da América Latina


H0726

DIVERSIDADE LINGÜÍSTICA E FORMAÇÃO DO PROFESSOR NA UNICAMP


Marina Gama Cubas da Silva (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Terezinha de Jesus Machado Maher (Orientadora), Instituto de Estudos da Linguagem - IEL, UNICAMP
O projeto de Iniciação Científica apresentado pretendeu analisar os discursos produzidos por licenciandos do último ano de Pedagogia da UNICAMP, de modo a verificar as representações que esses alunos constroem acerca de diferentes variedades da língua portuguesa e das identidades dos falantes dessas variedades. Para tanto, expusemos os sujeitos de pesquisa a amostras, gravadas em áudio, de três diferentes variedades sociolingüísticas do português. Com o intuito de não selecionar falas monitoradas, os trechos escolhidos se referiam a fatos que envolvessem o falante emocionalmente, sendo esses trechos bastante espontâneos. O conjunto de entrevistas obtidas constitui o corpus analisado. A expectativa era que os resultados dessa pesquisa pudessem servir de indícios para que soubéssemos se esses licenciandos estão sendo formados, ou não, para considerar o respeito à diversidade lingüística em seu futuro exercício da docência. Conforme nossa análise, vimos que, mesmo quando ocorria reconhecimento do próprio preconceito lingüístico, os licenciandos continuaram a representar os falantes das variedades menos prestigiadas de forma preconceituosa/estereotipada em relação à posição socioeconômica e à capacidade intelectual dos falantes.

Variedades sociolingüísticas - Preconceito lingüístico - Formação de professores






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