Universidade estadual de campinas



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Instituto de Filosofia e Ciências Humanas

H0622

TROTSKY EM PORTUGUÊS- BASE DE DADOS BIBLIOGRÁFICOS EM PORTUGUÊS DE E SOBRE LEON TROTSKY E O TROTSKISMO


Cíntia Tarifa Garcia (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Álvaro Gabriel Bianchi Mendez (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O projeto de pesquisa propunha realizar: 1) a revisão bibliográfica sobre o trotskismo no Brasil, 2) a catalogação analítica das monografias coletivas registradas na base de dados e 3) a análise dos periódicos de esquerda e/ou trotskistas para catalogação dos artigos de Trotsky, sobre ele e o trotskismo. Tratava-se da continuidade de um projeto já iniciado, com o intuito de sanar a falta de material disponível para pesquisa sobre esse grande personagem e sua trajetória. As referências foram processadas com o programa Personal Home Library® (PHL) e organizadas tematicamente, classificadas no menor número possível de temas, geralmente dois e nunca mais de três. No futuro, pretende-se disponibilizar o resultado dessa pesquisa na rede mundial de computadores, através do software PHL. A catalogação analítica das monografias coletivas já registradas na base de dados foi rapidamente concluída permitindo, assim, antecipar a análise e catalogação dos periódicos existentes no Arquivo Edgar Leuenroth do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. O resultado mais visível da atividade de pesquisa foi um substancial incremento da base de dados, que contava no início de 2006 com 538 referências e após o primeiro semestre alcançou a cifra de 798 referências catalogadas.

Trotsky - Trotskismo - Base de dados


H0623

CONCEPÇÕES DA DEMOCRACIA E DO SOCIALISMO NO PARTIDO DOS TRABALHADORES


Paula Berbert F. Albino (Bolsista SAE/UNICAMP) e Prof. Dr. Álvaro Gabriel Bianchi Mendez (Orientador), Instituto de Filosofia Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
A relação entre a democracia e o socialismo aparece para o Partido dos Trabalhadores como uma questão fundamental desde a sua fundação. Tomando como ponto de partida as formulações teóricas de Carlos Nelson Coutinho e de Francisco Weffort, a pesquisa pretende reconstruir as modalidades de apropriação destas no debate que tem lugar no interior do PT. O desenvolvimento de uma concepção da democracia como um valor universal e de hegemonia por parte desses autores inviabilizou, do ponto de vista teórico, a construção da estratégia do socialismo. A instrumentalização dessas idéias fez com que num primeiro momento, o PT propusesse que a hegemonia deveria ser da classe operária junto ao povo, posteriormente afirmasse que a hegemonia deveria ser do próprio partido, passando a entendê-la como uma simples maioria eleitoral. Nesse movimento teórico político a idéia ruptura política é abandonada pelo PT, implicando em uma diluição do antagonismo social e em uma redução da estratégia socialista a um programa de reformas do modelo capitalista. Para testar suas hipóteses a pesquisa recorreu à reconstrução dos fundamentos teóricos apresentados, a pesquisa documental será restrita às Resoluções de Encontros e Congressos de 1979 a 1998 do Partido dos Trabalhadores.

Partido dos Trabalhadores - Socialismo - Democracia


H0624

PARTIDO E BUROCRACIA NOS CADERNOS DO CÁRCERE


Renato César Ferreira Fernandes (Bolsista SAE/UNICAMP) e Prof. Dr. Álvaro Gabriel Bianchi Mendez (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
A partir do conceito de intelectuais, construído por Gramsci nos Cadernos do Cárcere, esta pesquisa procurou entender como o autor italiano compreendeu o processo da complexidade progressiva da atividade política, em decorrência do surgimento e ampliação dos organismos estatais em sentido amplo. Para isso utilizou-se da leitura dos Cadernos do Cárcere entendendo-a como uma obra de Gramsci não acabada e onde alguns dos temas tratados ficaram por muitas vezes sem ter um desenvolvimento amplo, apenas sendo esboçado, mas tendo uma organicidade suficiente para uma pesquisa teórica, tendo como centro o diálogo que Gramsci fez com Michels e Weber, importante autores na pesquisa sobre burocracia e processo de burocratização de partidos. Para Gramsci, a progressiva complexidade da atividade política não leva necessariamente a burocratização dos partidos operários (afastamento da base e da direção, destruição da democracia interna no partido), como Michels tenta demonstrar na sua obra; pelo contrário, Gramsci compreende este processo de burocratização como uma tendência do desenvolvimento do capitalismo e entende que somente a luta política contra o processo, com ampliação dos quadros dirigentes e com a destruição das condições materiais que servem de fundamento da sociedade capitalista, torna possível a superação do processo de burocratização das organizações estatais e daquelas, como o partido, que realizam a unidade entre a sociedade política e a sociedade civil.

Antonio Gramsci - Marxismo - Partido


H0625

O CONCEITO DE DEMOCRACIA EM DEBATE


Cristina Helena da Fonseca Lima (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Andréia Galvão (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O projeto em questão se propôs a fazer um estudo exploratório acerca do tema da democracia, tendo por objetivo entender as diferenças que este tema assume em perspectivas teóricas distintas. Tanto liberais quanto marxistas estão de acordo que o conceito de democracia, nos dias de hoje, é utilizado com a conotação de democracia liberal; se por um lado liberais dizem que a democracia não existiria se não com esta conotação, representando o equilíbrio entre a liberdade do liberalismo e a igualdade da democracia, marxistas assumem a postura crítica afirmando que apenas quando a democracia deixar de andar de mãos dadas com o componente liberal, é que ela atingirá sua plenitude e deixará de ser uma democracia meramente formal. Encarar a democracia como um método ou como um valor é uma das chaves de interpretação que separam democratas dessas duas correntes distintas. O projeto foi desenvolvido através do estudo aprofundado de defensores da democracia tanto liberal como marxista, estando entre eles Schumpeter, Dahl, Sartori, Carole Pateman Hirst e Ellen Wood.

Democracia - Liberalismo - Marxismo


H0626

O SINDICALIMSO ENTRE OS TRABALHADORES RURAIS TEMPORÁRIOS NA CIDADE DE COSMÓPOLIS


Éllen Gallerani Corrêa (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Andréia Galvão (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O presente projeto de pesquisa propõe um estudo sobre o grau de organização sindical dos trabalhadores assalariados temporários da agricultura canavieira da cidade de Cosmópolis. Pretende-se analisar as condições de trabalho e as principais reivindicações destes trabalhadores, bem como a forma de articulação destas no interior do sindicato. A partir desta temática, portanto, este estudo tem como objetivo fazer um diagnóstico das principais características do trabalho assalariado rural na cidade e da atuação sindical destes trabalhadores. A pesquisa tem como metodologia a leitura e a resenha das principais obras que analisam o assalariamento temporário na agricultura e a sindicalização rural e a realização de uma pesquisa de campo junto aos trabalhadores rurais, sindicato e empregadores. Até o estágio atual da pesquisa, é possível obter duas conclusões principais: a primeira delas refere-se à expansão do assalariamento no campo, a qual aparece como uma conseqüência do processo de modernização da agricultura brasileira iniciado na década de 1960; a segunda diz respeito à ação sindical em Cosmópolis, a qual se baseia no controle do processo de trabalho que parece ser o principal interesse dos trabalhadores.

Sindicalismo rural - Trabalho temporário - Trabalhador rural


H0627

AS VIAS DE REFORMA SOCIAL NA AMÉRICA LATINA: OS GOVERNOS ALLENDE (1970-73) E GOULART (1961-64)


Maria Fernanda Degan Bocafoli (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Armando Boito Junior (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Este projeto tem por tema o reformismo dos governos Allende e Goulart. Objetiva entender a já confirmada diferença de resultados dos dois projetos que inspiravam a estes governos. A pergunta que nos motiva é: por que isto aconteceu? Nossa metodologia baseia-se na leitura e posterior análise de livros e artigos sobre o tema, com a confecção de relatórios e reuniões para discussão. Como conclusão da pesquisa obtida ate o momento se pode citar a possibilidade de adotar uma distinção geral entre os governos Goulart e Allende. Quanto aos inimigos enfrentados, viveram um cenário bastante parecido. Seus adversários foram o imperialismo estadunidense, as grandes empresas nacionais e estrangeiras, os grandes proprietários de terra e parte das camadas médias. Esse bloco dispunha de um trunfo: a disposição das Forças Armadas para dar um golpe. Mas quanto aos programas políticos e apoios sociais, os dois governos revelaram-se diferentes. O Partido Socialista chileno de Allende passou por uma longa história antes de seu surgimento. Já Goulart surgiu do acaso de uma crise política e não tinha um programa pronto de reformas quando o cargo de presidente veio a “cair em seu colo”. Outra diferença entre os dois governos se dá quanto ao apoio dos trabalhadores e dos camponeses. Os brasileiros mantinham com Goulart uma relação ambígua, em alguns momentos o apoiavam, em outros o fustigavam. Já Allende gozava de apoio amplo e os trabalhadores chilenos estavam mais unidos e organizados do que os brasileiros na defesa do governo. Isso fica evidente se analisamos as Juntas de Abastecimento.

Reformismo - Salvador Allende - João Goulart


H0628

MOVIMENTO ESTUDANTIL E NEOLIBERALISMO NO BRASIL (1995-2002)


Marina R. Tavares () e Prof. Dr. Armando Boito Junior  (Orientador), , UNICAMP
A pesquisa se propõe a analisar como o movimento estudantil organizado através da União Nacional dos Estudantes (UNE) responde ao conjunto de políticas implementado durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso na presidência(1995 – 2002). A pesquisa foi separada, basicamente, em dois momentos. O primeiro consiste na análise da conjuntura política da época, focando-se nas políticas voltadas para o Ensino Superior (ES). O segundo momento consiste na análise das teses e resoluções congressuais da UNE, para discutir o posicionamento desta frente ao governo.Trabalharemos nas duas etapas da pesquisa com base em fichamentos da bibliografia levantada. Na segunda etapa da pesquisa, será necessária uma prévia catalogação do material, visto que os documento necessários para o estudo não possuem sistematização e arquivamento adequados.Como resultado parcial obtivemos o levantamento de políticas para o ES de FHC e um esboço do perfil sócio-econômico dos estudantes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) de 1994-2003. Tal estudo que a maior parte desses estudantes tem origem na classe média.Outra conclusão parcial a qual chegamos aponta as políticas de FHC para a ES como neoliberais, na medida em que se baseiam e reforçam uma transformação do papel do Estado, expressa no ES como a privatização deste nível de ensino e diminuição de verbas.

Movimento estudantil - Neoliberalismo - FHC


H0629

NA FUMAÇA DAS CHAMINÉS: ANÁLISE ICONOGRÁFICA DE PAISAGENS INDUSTRIAIS NA ARTE PAULISTA DO FINAL DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO XX


Patrícia Martins Santos Freitas (Bolsista SAE/UNICAMP) e Profa. Dra. Cristina Meneguello (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
A pesquisa em questão visa apreender a existência e a importância da iconografia paulista sobre paisagens industriais, no final do século XIX e início do XX. Nos primeiros meses de pesquisa pude produzir um pequeno levantamento de obras importantes, as quais representam as indústrias paulistas. No início do século XX, se destacam pintores como Benedito Calixto e Gustavo Dall’ara, como artistas que representaram com significância indústrias próximas a portos. Já nas décadas de 1930 e 1940, são importantes nomes a se ressaltar os dos pintores do chamado Grupo Santa Helena e da Família Artística Paulista. Estes são grupos de artistas que foram pouco estudados e tiveram importância na pintura de bairros operários dos subúrbios de São Paulo. O estudo das paisagens traz importantes especificidades, sobretudo no que concerne às paisagens industriais, pouco contempladas em estudos acadêmicos e valorizadas em uma tradição pictórica brasileira voltada para a representação de cenários tropicais, de mulatas e bandeirinhas. Para a elaboração do levantamento descrito e análise das imagens, utilizei os arquivos da Pinacoteca do Estado de São Paulo, a Biblioteca Mário de Andrade, o Instituto de Estudos Brasileiros da USP, Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/USP, A Escola de Comunicações e Artes/USP, o Museu de Arte Contemporânea de São Paulo/USP, bem como uma bibliografia básica acerca de interpretação de imagens.

Paisagem industrial - História da arte do Brasil - Patrimônio industrial


H0630

ENTRE BOMBAS E SONHOS. CIÊNCIA, UTOPIA E FANTASMAS NUCLEARES NO BRASIL (1948 – 1958)


Renato Salgado de Melo Oliveira (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Cristina Meneguello (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Esta pesquisa tem como tema principal as visões de ciência criadas pela revista Ciência Popular, um periódico de divulgação científica editado no Rio de Janeiro entre 1948 e 1958. Objetiva-se refletir sobre a concepção de ciência, o contexto em que se insere esse discurso e as possibilidades que ela desenvolve, bem como pensar na criação de um discurso científico na pós-segunda guerra, uma ciência contextualizada em seu tempo com características próprias, em uma época em que a corrida tecnológica poderia tanto ser um caminho para se conquistar o espaço e levar o homem para o sonho da utopia cientificista, como um caminho para a guerra nuclear, trazendo consigo o medo do apocalipse atômico.

Divulgação da ciência - História da ciência no Brasil - História da divulgação científica


H0631

"O DIABO É O PAI DO ROCK": A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL PARA JUVENTUDE EVANGÉLICA ATRAVÉS DE TEXTOS SOBRE O ROCK


Bruno Salheb Moelas Ribeiro (Bolsista SAE/UNICAMP) e Profa. Dra. Eliane Moura da Silva (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O surgimento do Rock n´Roll na década de 1950 foi um fator cultural importante. Durante as décadas de 1980 e 1990 esse estilo musical foi assunto de publicações evangélicas que, a primeira vista, estavam assustados com o teor rebelde do Rock. O Rock era visto como símbolo do que havia de pior no ser humano, que deveria ser execrado e, principalmente, deveria ficar longe dos adolecentes para não contaminá-los. Na década de 1980 os adolecentes ganharam um novo status, tiveram sua importancia aumentada e foram o público alvo das publicações que demonizavam o Rock. Mas por que o Rock foi amaldiçoado por estas publicações? Um dos principais objetivos dessa “demonização” é a construção de uma identidade para juventude. É essa relação que essa pesquisa buscou demonstrar após leituras de livros e sitíos de Internet relacionados, entrevistas com rockeiros e pastores e algumas análises das imagens de capa. Unido a uma bibliografia de apoio sobre identidade cultural, alteridade e história do protestantismo, foi feita uma análise das fontes primárias que possibilitou encontrar a forma como a identidade era criada: através da alteridade. Neste caso a relação antagônica entre o jovem rockeiro e o jovem cristão possibilitou a criação da identidade do jovem evangélico que deveria ser casto, pacifico, sóbrio e mesmo saudavél e civilizado, ao contrário do jovem rockeiro.

Rock n´Roll - Protestantismo - Identidade cultural


H0632

BUDISMO E PÓS-MODERNIDADE


Mareska Roberta Cruz (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Eliane Moura da Silva (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O objetivo do projeto é estudar a expansão e ressignificação do Budismo no Brasil entre 1990 e 2006. A pesquisa é centrada em Campinas, onde foi feito um recorte social, cultural e intelectual dos participantes, entre religiosos e adeptos. Observamos as adaptações na doutrina, práticas e rituais para atingir a cultura ocidental, associados à noção de cultura globalizada e supermercado religioso. O trabalho de campo consiste na observação do cotidiano dos templos e centros budistas na cidade e suas práticas religiosas, a interação dos monges e dos freqüentadores entre si e com o ambiente, além de entrevistas. As entrevistas feitas até o momento apontam tendências e padrões entre os adeptos, como uma formação católica, o primeiro contato com a religião através de conhecidos, aprofundamento da doutrina através de leituras e idas a templos, e uma visão da religião que dá maior ênfase em conceitos mais condizentes com o ambiente ocidental, como a importância da meditação e o aprimoramento pessoal, e menos citado aspectos mais “tradicionais”, como ritos religiosos. Com os resultados obtidos até o momento, pode-se observar que, ao encontrar o ambiente ocidental, a religião sofre modificações adaptando-se ao contexto ocidental.

Budismo - Pós-modernidade - História


H0633

A GENTE ESTANCOU DE REPENTE – CENSURA NO TEATRO BRASILEIRO (1964-1968)


Lis de Freitas Coutinho (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Fernando Teixeira da Silva (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
A questão da censura no Brasil foi muito vinculada ao período ditatorial e às artes, em especial à música e à imprensa. O teatro, no entanto, foi um dos campos mais censurados não só no período ditatorial. Para mapear como a censura foi aplicada ao teatro, foram estudadas três peças do grupo Oficina: “Os Inimigos”, “O Rei da Vela” e “Roda Viva”. O período recortado foi o da descentralização da censura, isto é, de 1964 a 1968. Essa escolha se deve ao fato de que boa parte da bibliografia privilegia o período pós-AI-5, que corresponde ao período de centralização da censura em Brasília. Já a escolha das três peças se deu por serem do período abarcado e por marcarem momentos diferentes na trajetória do teatro Oficina. Para esse estudo foram consultados as peças e arquivos do teatro Oficina, os processos de censura dessas peças, jornais e revistas da época. O objetivo era enxergar como a censura era aplicada e como era veiculada na Imprensa. Conclui-se que a censura prévia já era aplicada ao teatro antes do AI-5, e antes mesmo da ditadura militar. Além disso, a relação entre censurados e censores era mais próxima no período descentralizado, visto que os mesmos censores eram recorrentes em diferentes processos de censura. Ou seja, o AI-5 influenciou a censura aplicada ao teatro mas não da forma como normalmente se pensa. É a centralização da censura em Brasília que muda a dinâmica da censura.

Ditadura - Censura - Teatro


H0634

DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE AO PARTIDO DOS TRABALHADORES: A Trajetória da Esquerda Católica Brasileira na Formação da Militância Político - Partidária


Pablo Emanuel Romero Almada (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Gilda Figueiredo Portugal Gouvêa, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
As Comunidades Eclesiais de Base e os trabalhos pastorais constituíram uma importante forma incipiente de organização popular, principalmente em centros urbanos como São Paulo, possibilitando o crescimento das mobilizações sociais e políticas, pressionando contra a ditadura militar. Movimentos como o contra a Carestia - Custo de Vida, clube das mães, além do movimento operário, contaram com a participação de militantes ligados a Igreja Católica, de CEBs e Pastorais, além, é claro de militantes de variadas correntes, que colaboraram para a intensa participação social no final da década de 1970, pressionando o governo em prol de maior democracia e melhores condições no plano do trabalho e para as camadas sociais mais pobres. A criação do Partido dos Trabalhadores, se por um lado representou a convergência dos trabalhos de articulação de organizações populares, por outro, serviu para esvaziar esses movimentos, direcionando suas lutas para dentro da esfera política. Para tanto, foram utilizados, além de uma bibliografia de obras, uma bibliografia de documento e periódicos da época, presentes no AEL.

Comunidades Eclesiais de Base - Esquerda católica - Partido dos Trabalhadores


H0635

GÊNERO, GERAÇÕES E CORPORALIDADE NAS ACADEMIAS DE GINÁSTICA


aline A. Balestra (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Guita Grin Debert (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH, UNICAMP
Com o objetivo de oferecer elementos para a compreensão das representações sobre o corpo e a beleza que marcam as sociedades ocidentais contemporâneas, a pesquisa proposta se voltou para as academias de ginástica, procurando explorar os significados que as práticas nelas realizadas têm para mulheres na faixa etária dos quarenta anos ou mais, de diferentes classes sociais. Com base numa metodologia qualitativa, envolvendo, sobretudo, observação de comportamentos e entrevistas, interessava entender as razões que levam essas mulheres à procura do exercício físico, o modo como a experiência na academia é por elas vivenciada, como o envelhecimento é percebido, e as ações por elas empreendidas para combater os sinais de envelhecimento ou melhorar a qualidade de vida na velhice. O trabalho etnográfico realizado mostra que não é apenas a procura pela beleza e juventude que orienta a prática dessas mulheres nas academias de ginástica, mas, também, a busca por “bem-estar” e “saúde” (termos que têm seus significados entrelaçados), e por um novo espaço de convivência e sociabilidade com mulheres da mesma faixa etária ou de outras idades, o que fornece um significado específico ao uso feito por elas das academias.

Corpo - Envelhecimento - Academia de ginástica


H0636

FLANANDO OLHARES – UMA ANÁLISE SOBRE AS VITRINES E SEU UNIVERSO SOCIAL


Stela Politano (Bolsista SAE/UNICAMP) e Profa. Dra. Heloísa Pontes (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Legitimadores típicos do que é moda, as vitrines são os espaços comercial e simbólico responsável pelo elo de comunicações entre o consumidor e a loja através de suas encenações e manequins (suportes do vestuário e retradutores materiais das identidades de gênero de uma determinada sociedade), principais objetos deste trabalho. A vitrine oferece diversas representações de “personagens” identificados pela sua composição visual, disseminando uma variedade de estilos de vida e atos performativos que estão em constante processo de mudança. Para tais conclusões, fez-se uma análise comparativa entre vitrines de lojas possuidoras de públicos-alvos distintos: a Colcci, a Zara e a Ezequiel. As duas primeiras localizam-se em um shopping center - Iguatemi de Campinas - tido como espaço de classe média alta. Suas vitrines transmitem e vendem um conceito de moda e uma identidade simbólica que suas roupas, aparentemente, carregam. “Vende-se” também uma “sociabilidade” entre os vendedores e clientes. A terceira loja, a Ezequiel, supostamente uma loja de perfil popular localizada no centro de Campinas, não usa a vitrine como o principal marketing da empresa; sua “tradição” e seus “antigos e fiéis” clientes são os elementos chaves para as vendas. Buscou-se também compreender o papel do vitrinista, sua formação acadêmica (geralmente oriundo das Artes Plásticas e da Moda) e seu processo criativo frente às exigências do mercado e das empresas.

Gênero - Moda -Vitrine


H0637

POLÍTICA E MEMÓRIA: REPRESENTAÇÕES DO INDÍGENA NA REVISTA DO IHGB DURANTE O IMPÉRIO (1839-1889)


Jaqueline Lourenço (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Izabel Andrade Marson (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
A pesquisa tem por objetivo mapear o debate que se estabeleceu sobre a figura do indígena entre os membros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro durante o Segundo Reinado (1839-1889), um tema relevante na medida em que o indígena foi um dos personagens mais importantes da construção da biografia da nação brasileira no século XIX. Os historiadores que estudaram IHGB e sua revista reiteradamente apontaram os vínculos entre a política imperial e a produção histórica desta Instituição. A partir desta constatação, procuramos identificar nas publicações da RIHGB que abordaram a temática indígena: as diferentes opiniões dos sócios frente a este problema; os possíveis vínculos entre estas opiniões e a política partidária que contrapunha liberais e conservadores; e as concepções de história e nação imbricadas neste debate. O exame das fontes revelou diferentes representações do indígena, visto sob distintas concepções de barbárie. Na década de 1860, observa-se também o acirramento no interior do IHGB de um debate a respeito do indígena enquanto um agente histórico portador de civilização, destacando-se as opiniões divergentes entre homens de letras e historiadores.

IHGB - Império - Indígenas


H0638

NA TRILHA DOS BORORO: UM HISTÓRICO DAS RELAÇÕES COM OS PAULISTAS


Daniel Moretto Martini () e Prof. Dr. John Manuel Monteiro (Orientador), , UNICAMP
Este trabalho aborda o contato entre os índios Bororo e a sociedade colonial em meados do século XVIII, enfocando mais especificamente as relações entre esses índios e o paulista Antonio Pires de Campos. Neste período, Pires de Campos foi responsável pela organização de uma campanha contra os índios Cayapó, cuja resistência prejudicava as atividades coloniais ao longo do chamado "caminho de Goiás". Para tanto, o paulista conseguiu mobilizar uma grande quantidade de guerreiros Bororo. A pesquisa levantou vários documentos no acervo digitalizado do Projeto Resgate Barão do Rio Branco, bem como nos arquivos de Goiânia e Goiás Velho. Os resultados são ainda parciais, porém permitem avaliar como se deu a relação entre os Bororo e Antonio Pires de Campos, onde foram estabelecidos os aldeamentos dos índios que participaram da campanha, quais foram as atividades empreendidas e, por fim, como eles criaram formas para manter a sua cultura dentro deste novo modo de vida.

Brasil Colônia - Bandeirantes - Índios Bororo


H0639

EZLN – o pensamento liminar e o(s) projeto(s) de nação dos indígenas chiapanecos


Breno de Souza Juz (Bolsista SAE/UNICAMP) e Prof. Dr. José Alves de Freitas Neto (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciência Humanas - IFCH, UNICAMP
Essa pesquisa realizou uma análise do discurso neozapatista a partir de uma abordagem fundamentada na história cultural servindo-se de conceitos e debates dos estudos culturais e pós-coloniais para definir, através das várias características percebidas no discurso do EZLN, como elas se articulam formando um/vários projeto(s) de nação, além de constituírem uma “outra lógica” política e sócio-cultural, ou seja, um pensamento liminar, nas definições de Walter Mignolo. A partir do estudo dos comunicados e das declarações do EZLN, de 1994 a 2006, foi possível estabelecer como o movimento neozapatista estabelece um diálogo com diversos grupos e em diferentes escalas. Construindo uma base de apoio tanto no âmbito local, quanto no âmbito internacional, e funcionando também como um catalisador entre diversos grupos, organizações e movimentos sociais mexicanos. Possibilitando, desta forma, a existência de uma ampla rede de atuação social e política que agrega interesses específicos a partir de reivindicações similares, principalmente em torno das questões referentes à autonomia indígena, ao estabelecimento de estruturas democráticas, da existência de uma esfera pública forte e atuante na sociedade mexicana e da luta contra as reformas neoliberais.

Neozapatismo - Movimentos sociais na América Latina - México contemporâneo


H0640

A construção da memória nacional argentina: o indígena a partir das obras de Sarmiento e Hernández


Ivia Minelli (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. José Alves de Freitas Neto (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
A pesquisa analisa a representação indígena durante o processo de formação da Nação Argentina no século XIX, valendo-se de duas obras tidas como clássicas e essenciais na constituição do pensamento argentino: Facundo: civilização e barbárie (1845), de Domingo F. Sarmiento, e Martin Fierro (1872/79), de José Hernández, com o intuito de resgatar a importância da imagem indígena na constituição das memórias nacionais. Essa preocupação revela o valor que o índio possui na história hispano-americana e, inclusive, na argentina, onde muitas vezes a ausência do discurso indígena foi confundida com a ausência física do elemento nativo. A escolha dessas obras sugere a revisão de uma história argentina pautada no mito da “nação branca”, cujo pressuposto seria construir uma nação diferenciada após as independências. A metodológica define-se pelos estudos de história cultural concernentes à criação de repertórios que ensejam a produção da memória. De modo específico, trata-se de vinculações entre História e Literatura, representativas da conexão entre estruturas políticas e práticas culturais, desenvolvidas particularmente em cada sociedade. Essa abordagem possibilitou a compreensão do universo literário como revelador de vontades políticas da Argentina, que objetivaram construir uma singularidade retórica a respeito da identidade do país. A partir da percepção das estratégias simbólicas que definiram o substrato político sob o aparente esquecimento da figura indígena, conclui-se que o ser autóctone foi um dos vários elementos que ajudaram a formar o discurso político do país, vigente, até os dias de hoje. Isso significa que a apreensão histórica do indígena só ocorreu, e ocorre, à medida que ele corrobora na consolidação e compreensão do contexto de criação do Estado Republicano argentino.

Argentina - Memória - Indígena


H0641

ESSAS FRÁGEIS REPÚBLICAS BANANEIRAS... ESTUDO DAS REPRESENTAÇÕES SOBRE A AMÉRICA LATINA PRESENTES NOS QUADRINHOS DE TINTIM


Priscila Pereira () e Prof. Dr. José Alves de Freitas Neto (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Esta pesquisa analisa as representações sobre a América Latina contidas nos quadrinhos de Tintim, a partir de uma abordagem que busca apreender os mecanismos discursivos que são capazes de produzir narrativas e explicações sobre o Outro. O álbum O ÍDOLO ROUBADO (1937) foi escolhido como objeto privilegiado deste estudo, tendo em vista que a incursão de Tintim na imaginária República de San Teodoro é também a incursão do criador Hergé no mundo político de seu tempo, marcado pelo olhar distante a uma América Latina que se digladia em guerrras e se debate entre caudilhismos e tentativas de democratização. Além disso, a viagem do herói também nos remete às agitações político-sociais que opuseram Bolívia e Paraguai nos anos 30, e que foram responsáveis pela eclosão da Guerra do Chaco. Portanto, essa pesquisa lida com essas múltiplas narrativas e representações do Outro, seja este OUTRO a negação de um EU dissolvido em um discurso de alteridade, seja ele o equivalente ao PRÓPRIO e à lógica de "um mundo em que se conta". Enfim, não poderíamos deixar de dizer que o próprio título deste estudo dialoga com a imagem construída sobre uma possível sina dos povos colonizados: a pobreza crônica, seguida da função subserviente de fornecer unicamente gêneros agrícolas e de pouco valor para o mercado internacional,comprovaria que a dependêcnia econômica e o subdesenvolvimento lhe seriam inerentes.

América Latina - Guerra do Chaco - História em quadrinhos - Tintim

H0642

MERCADO DE TRABALHO E DINÂMICA DEMOGRÁFICA NA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS


Marcelo Fantaccini Brito (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. José Marcos Pinto da Cunha (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O objetivo deste trabalho foi analisar a relação existente entre a dinâmica demográfica na Região Metropolitana de Campinas e o mercado de trabalho, no período de 1970 a 2000. Por dinâmica demográfica, entendem-se as migrações intra-metropolitanas, intra-estaduais e interestaduais. Para conhecer os movimentos migratórios, foram utilizados os dados do Censos Demográficos, realizados pelo IBGE, em 1991 e 2000, e também foi utilizado Cano&Brandão 2002. Esta obra também serviu de referência obter informações sobre a dinâmica econômica de cada um dos municípios da RMC, que possibilitou uma estimativa sobre o comportamento do mercado de trabalho. Foi verificado que a população da Região Metropolitana de Campinas cresceu mais, nos 30 anos analisados, que a média do estado de São Paulo. As cidades do entorno cresceram mais que o município-sede, com destaque para Sumaré e Hortolândia. Nos anos 70, o crescimento demográfico contou com grande participação das migrações interestaduais, principalmente as provenientes dos estados do Paraná e Minas Gerais. A motivação foi o rápido ritmo de industrialização pelo qual passava a região. Ou seja, havia relação entre este movimento migratório e o mercado de trabalho. Posteriormente, ganhou destaque entre as migrações, o movimento intra-metropolitano, principalmente de Campinas para Sumaré e Hortolândia e de Americana para Santa Bárbara. Este movimento não teve relação com o mercado de trabalho, e sim com a busca de custo de vida e moradia menor. A evidência disso é o forte movimento pendular inverso.

Mercado de trabalho - Migrações - Região metropolitana de Campinas


H0643

BELEZA E DEFORMIDADE. O PROBLEMA DO GOSTO NA FILOSOFIA DE DAVID HUME


Rafael Fernandes Barros de Souza (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. José Oscar de Almeida Marques (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Uma vez que se apela aos sentimentos de beleza e deformidade, quer dizer, ao gosto, para decidir sobre a superioridade de algumas obras de arte, surge um impasse, de onde nasce a filosofia: o mesmo apelo, porque o gosto é subjetivo e diverso, parece levar a uma completa relatividade de juízos, ao invés de possibilitar uma justa decisão. Essa é a principal questão analisada pelo filósofo David Hume em seu ensaio Do Padrão de Gosto, texto que é nosso objeto central de leitura e estudo. Embora ali se apresente, condensados, conceitos-chave de sua filosofia, como num esboço geral de suas idéias, Hume se foca, ainda que frouxamente, como é típico de um ensaísta, na fundamentação de uma teoria da crítica cujo critério deve sempre ser o sentimento. A solução para o problema do gosto parte da determinação de um método de contemplação e crítica que assegura um modo padrão de sentir um sentimento. Argumentando como é possível que, dentre distintos modos de sentir um sentimento, um modo seja mais correto que outro (isso por referência ao modo padrão de sentir), Hume produz critérios para a avaliação artística. Esse estudo é nossa “porta de entrada” para a filosofia humiana; a qual, justamente por basear questões centrais das ciências práticas e especulativas no sentimento, opõe-se frontalmente ao tratamento racionalista desses assuntos, sem por isso cair, como algumas vezes é acusada, nas malhas do ceticismo.

Gosto - Crítica - Estética


H0644

ALIMENTAÇÃO E SOCIEDADE: A VILA DE SÃO PAULO SÉCULO XVII


Rafaela Basso (Bolsista - PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Leila Mezan Algranti (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O projeto tem como objetivo estudar, a partir do enfoque da história da alimentação, aspectos da vida econômica e sociocultural da vila de São Paulo no século XVII, buscando de maneira mais específica, entender a importância que a cultura do milho tinha naquela sociedade. Sendo assim, para realização do nosso objetivo, privilegiamos o estudo da agricultura de abastecimento e da presença indígena. Além disso, objetivamos, num segundo momento, traçar um breve panorama da cultura alimentar paulista, seus hábitos e técnicas de produção. Para tal tarefa, realizamos a leitura, o fichamento e a análise de obras sobre a história da alimentação e sobre a historiografia colonial paulista. Em seguida, foi feito um levantamento de fontes preliminar e iniciamos um primeiro contato com as mesmas. Ao longo do nosso estudo, pudemos perceber que grande da economia de São Paulo estava pautada na produção e no comércio de alimentos, sendo que os rendimentos advindos destas atividades garantiam status e diferenciação social. Ademais, notamos que a cultura alimentar paulista era marcada pelo intercâmbio de hábitos e técnicas alimentares dos europeus com os indígenas. Ainda neste âmbito, notamos o predomínio do milho como produto básico e indispensável na dieta cotidiana dos moradores.

Vila de São Paulo - Cultura alimentar - Milho.


H0645

UM ESTUDO SOBRE A NOÇÃO DE VIRTUDE MORAL NA ÉTICA-NICOMAQUÉIA DE ARISTÓTELES


Renata Silvestrini (Bolsista PIBIC/CNPq e FAPESP) e Prof. Dr. Lucas Angioni (Orientador) Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Em E.N. II, 6, a virtude moral é definida como “disposição para a escolha orientada para a mediedade relativa a nós, mediedade esta que é determinada pela prescrição racional e do modo como aquele que possui sabedoria prática determina-a”. Investigamos os argumentos expostos no livro II pelos quais Aristóteles chega aos elementos presentes nesta definição, bem como buscamos nos livros I, III (capítulos 1 a 5), VI e X (capítulos 6 a 8) outros elementos necessários ao entendimento da virtude moral, tomando como perspectiva: (i) a relação entre virtude moral e eudaimonia; e (ii) a relação entre virtude moral, escolha e sabedoria prática. Temos que a eudaimonia, de acordo com E.N. I, 7, é um bem completo, auto-suficiente, não contável com os demais e definida como “atividade da alma racional na virtude (e, se há mais de uma virtude, na melhor e na mais completa)”. A definição aristotélica de virtude moral mostra que a escolha, desejo habilitado pelo pensamento ou pensamento habilitado pelo desejo, e a sabedoria prática, certa correção de pensamento que implica apreensão de um fim moralmente bom, conhecimento a respeito dos particulares relacionados à ação e determinação daquilo que melhor realiza pela ação tal fim, são elementos que implicam atividade racional na virtude moral. Sendo assim, se entendermos a eudaimonia como um bem de segunda ordem inclusivista, e não como um bem dominante exclusivamente identificado com a sabedoria filosófica, a virtude moral, que implica necessariamente atividade racional, seria elemento constituinte e necessário da eudaimonia.

Virtude moral - Eudaimonia - Sabedoria prática


H0646

A DISPUTA PELO DIREITO Á CIDADE E AO LIXO: UM ESTUDO DE CASO DA COOPERATIVA DE MATERIAIS RECICLÁVEIS DE ITU (COMAREI)


Jordana Dias Pereira (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Luciana Ferreira Tatagiba (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Essa pesquisa tem como objetivo geral discutir o tema da cidadania no Brasil, a partir de um enfoque específico: a luta política pelo direito à cidade e ao lixo em Itu. Como objetivos específicos, o estudo busca investigar a dinâmica de apropriação do lixo a partir do papel desempenhado pela Comarei, dando particular atenção ao modo como se construiu a distinção entre cooperados e não cooperados. Para tanto, foram feitas entrevistas com os atores envolvidos na política relativa ao lixo. O que se nota a partir das entrevistas e comparando o caso Comarei com o de outras cooperativas, é que em Itu ocorreu algo singular. A Comarei tem uma história vitoriosa: em menos de 10 anos de existência, ela conseguiu se estabelecer diante da sociedade civil e do poder público como a responsável legítima pela coleta e triagem do lixo reciclável. Cooperados estão satisfeitos e não cooperados são indiferentes à existência da Comarei, de forma que o conflito entre eles não se explicita, não se dá no âmbito institucional, mas de maneira sutil, percebida apenas nas nuances discursivas. Mas, afinal, pensando sob o viés da cidadania, o que diferencia um não cooperado de um cooperado? Este último possui horário e local de trabalho reconhecidos, o caminhão da cooperativa é visto diariamente pela população... elementos que tiram seu trabalho do abstrato, atribuindo-lhe materialidade/formalidade. O trabalho provido de materialidade ganha então, legitimidade, elemento fundamental para a efetivação do resgate da cidadania.

Cidadania - Conflito - Disputa-política


H0647

AFRICAN POLITICAL (PEOPLE’S) ORGANIZATION (APO) – IDENTIDADE E POLÍTICA KLEURLING/COLOURED NA CIDADE DO CABO 1905-1940


Giovani Grillo de Salve (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Luiz Fernando Ferreira da Rosa Ribeiro (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Analisando os discursos anuais emitidos pela African Political (People´s) Organization, e escritos por seu presidente - o Dr. Abdullah Abdurahman - durante os anos de 1906-1939, a pesquisa teve como cerne compreender de que forma a produção de uma imagem ideal de Coloured na Cidade do Cabo relacionou-se com a tentativa de construção de uma identidade coletiva em uma África do Sul marcada pela política segregacionista. A constante tentativa de conscientizar o grupo Coloured a manter uma vida moral, social e econômica próxima àquela que parte dos Europeans levava, servia para tentar demonstrar às elites políticas da África do Sul que as práticas segregacionistas implementadas às populações autóctones do país não poderiam ser utilizadas para organizar e legislar a vida da comunidade Coloured. Contudo, as tentativas de construção de uma identidade capaz de prover uma assimilação do grupo aos mesmos direitos dos Whites nunca foi alcançada devido a interesses contrários que pregavam uma White supremacy e imputavam àqueles classificados como Coloured uma ilegitimidade racial.

Identidade - Coloured - África do Sul


H0648

O CONCEITO DE CAPITALISMO DE ESTADO EM CHARLES BETTELHEIM: UM DEBATE SOBRE A FORMAÇÃO SOCIAL SOVIÉTICA


Maira Luisa Gonçalves de Abreu (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Marcio Bilharinho Naves (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Este trabalho tem por objetivo analisar o conceito de capitalismo de Estado utilizado por Bettelheim em sua análise da formação social soviética. A partir de um estudo pormenorizado de sua principal obra, A luta de classes na URSS, e de uma análise sistemática dos conceitos utilizados pelo autor – capitalismo, classe, burocracia, Estado, modo de produção, socialismo, etc. – procuramos compreender sua análise da gênese do capitalismo soviético, das causas do malogro da revolução socialista, etc., examinando quais elementos da formação social soviética foram utilizados para defini-la como capitalista. Para Bettelheim, sob a cobertura da propriedade estatal, mantinham-se na URSS relações de produção semelhantes às dos países capitalistas. O caráter limitado das transformações operadas ao nível das relações de produção na URSS é apontado por Bettelheim como a origem dos processos que, cumulativamente, redundaram no malogro do processo revolucionário e na reprodução e fortalecimento de relações de classe capitalistas sob forma modificada. As relações de produção não modificadas foram a base para que a burguesia pudesse existir sob uma forma modificada, assumindo a forma de burguesia estatal. O modo como Bettelheim reconstitui esse processo é o objeto central deste nosso estudo. Este trabalho visa dar uma pequena contribuição para o debate sobre a natureza da URSS , tema muito pouco abordado no Brasil.

Capitalismo de Estado - Charles Bettelheim - URSS


H0649

MATRIZ NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE CAMPINAS


Luciane Yuri Tomiyasu (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Marcos Tognon (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Campinas é uma cidade que possui uma complexa história urbana, iniciada com o caminho para Goiás devido à exploração do ouro. Intrinsecamente ligada à história da cidade temos a Matriz Nossa Senhora da Conceição de Campinas, monumento de importância nacional erguido não só para atender as necessidades da população que crescia mas também para representar o poder de uma cidade que ansiava em mostrar a expansão de sua economia. Assim, como forma de resgatar a história da Matriz e também a da cidade, o presente projeto tem como objetivo recuperar os seus principais agentes como os artistas, artífices, artesãos e engenheiros que estiveram envolvidos na construção desta Catedral que é um dos maiores monumentos de taipa de pilão do Brasil. O projeto consiste em trabalhar com os documentos da Catedral Metropolitana de Campinas encontrados no Arquivo da Cúria. A metodologia a ser utilizada se baseia na transcrição e posterior avaliação do conteúdo de cada documento relativo à construção que durou mais de 50 anos no século XIX. Após termos os documentos transcritos, será possível termos uma base nos dados para estabelecer uma cronologia detalhada. Será possível retirar dos documentos dados como artistas, arquitetos ou engenheiros envolvidos na obra.

História da arquitetura - Trabalho artístico - Catedral de Campinas


H0650

REVISTAS DO SPHAN (1937-1978) – UM GUIA AO LEITOR


Robson Orzari Ribeiro (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Marcos Tognon (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O estudo deste trabalho desenvolveu-se dentro da área de História da Arte, com a pretensão de mapear a constituição de uma cultura preservanicionista no Brasil na segunda metade do século XX com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). Ao longo do trabalho analisamos a construção desse saber a partir da leitura dos 18 primeiros volumes da revista do órgão, já que essa, além de aparecer como “rosto” da instituição, foi pioneira em História Arte no país. Dessa forma, foi possível mapear seus principais colaboradores, temas e a linha editorial. Esses elementos deram aporte teórico para elaboração do “GUIA DE LEITURA” das 18 primeiras edições da revista. Não obstante, para a conclusão do trabalho, foram feitas leituras da bibliografia especializada no assunto e reuniões de orientações. Dessa forma, propomos algumas considerações sobre atuação do SPHAN marcada durante esse período pela figura do diretor, Rodrigo Mello franco de Andrade, que definiu a linha teórica da chamada “fase heróica” do órgão. Andrade tentou traçar uma linha clara e metodologicamente rigorosa para os trabalhos do SPHAN. O desenvolvimento de um trabalho dentro dos mais rigorosos e modernos critérios científicos e a imagem de uma instituição coesa eram pretensões sua. Assim, quis impedir nas publicações a “literatura enfática ou sentimental”. Contudo, o SPHAN não se mostra tão coeso e a RSPHAN torna-se a “evidência” das contradições – demonstradas, por exemplo, pelos textos de Godofredo Filho, que deixa transparecer o fervor religioso e os impressionismos de uma abordagem literária, evidenciadas por termos como “coração da terra”, “saudade inexplicável” e “casas gloriosas”.

Patrimônio cultural - SPHAN - Restauro


H0651

“BRASIL FEMININO”: UMA VISÃO SOCIAL SOBRE A PARTICIPAÇÃO FEMININA NO MOVIMENTO INTEGRALISTA


Virgínia Maria Netto Mancilha (Bolsista SAE/UNICAMP) e Prof. Dr. Michael Mcdonald Hall (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O presente projeto visa concretizar os objetivos em particular: estudar a revista Brasil Feminino, veiculada por militantes no estado do Rio de Janeiro para todo Brasil através da imprensa integralista, dentro do período de 1932-1937, examinando-a atenciosamente a fim de estabelecer semelhanças, diferenças ou relações com as diretivas do Departamento de Arregimentação Feminina divulgadas no periódico Monitor Integralista; e ainda, analisar na publicação em questão o seu discurso político-ideológico, expondo as estratégias de abordagem do público feminino à causa dos “camisas-verdes”.Para desenvolver o programa proposto foram realizadas diversas viagens e visitas pelos Arquivos do Estado de São Paulo e também do Rio de Janeiro com o propósito de se realizar uma intensa pesquisa de periódicos, dossiês, prontuários, materiais iconográficos e obras de referências nos demais acervos; que permitiram uma grande quantidade de documentos que estão sendo analisados à luz das circunstâncias históricas dos eventos do Partido e do movimento Integralista, dentro de um recorte cronológico relativamente curto, entre 1932-37, momento de este grande perturbação e de constante insegurança nacional.Dessa forma, a pesquisa segue seu cronograma previsto buscando também, levantar novos aspectos que se mostrem de interessante abordagem.

Mulheres - Movimento integralista - História do Brasil contemporâneo


H0652

ASSOCIAÇÃO LIVRE E A CONSTRUÇÃO DA NARRATIVA EM MINHA VIDA NA ARTE DE CONSTANTIN STANISLAVSKI


Fábio Corrêa Zuccolotto (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Omar Ribeiro Thomaz (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Constantin Stanislavski foi ator e diretor de teatro na Rússia do fim da era czarista até às vésperas da Segunda Guerra Mundial, quando faleceu em Moscou. Criado no seio de uma família tradicional e abastada, teve sólida formação intelectual nos clássicos da literatura mundial. Iniciou a vida artística ainda criança dentro da própria casa, junto com os irmãos, encenando peças para familiares e amigos. Em sua autobiografia, escrita na velhice, Stanislavski relata os momentos mais marcantes de sua vida artística e pessoal, a partir da percepção que tinha à época em que as viveu, e como as entende no momento da feitura deste livro. Ainda, para além de relatos, esta autobiografia mostra as perquirições que o levaram a desenvolver o seu método de interpretação realista, consagrado ao longo dos anos após a sua morte. Este estudo analisa a estrutura narrativa deste livro autobiográfico a partir do conceito fundamental da teoria freudiana, a associação livre. O intuito é demonstrar como as transformações radicais que presenciou ao longo da vida o levaram, a partir do teatro, a uma busca incessante por novas experiências e sensações, que culminaram no seu método de interpretação.

Stanislavski - Teatro - Psicanálise


H0653

ANTIGÜIDADE FORJADA: UM ESTUDO SOBRE OS USOS E ABUSOS DA ANTIGUIDADE PELO PARTIDO FRONT NATIONAL NA FRANÇA


Camila Medina Zanão (Bolsista SAE/UNICAMP) e Prof. Dr. Pedro Paulo Abreu Funari (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Esta apresentação tem como objetivo propor uma forma de apreensão de como a História Antiga e alguns mitos da Antigüidade têm sido utilizadas no intuito de buscar no passado argumentos que legitimem as ideologias da extrema-direita na França, especialmente pelo grupo Front Nacional, de Jean Marie Le Pen, desde a sua criação em 1972 até sua atuação nos dias de hoje. Através do estudo da Antigüidade é possível abranger não só esse passado que está tão presente em nossos costumes, mas também como esse mesmo passado foi forjado e reutilizado em nome de uma identidade que se queria construir. Compreender essas apropriações que forjam o passado permite o alcance de discussões contemporâneas, como o tema da Identidade Francesa e Européia e da presença de imigrantes na França e em toda Europa, atualmente em pauta.

Antigüidade - Usos do passado - Identidade francesa


H0654

HISTÓRIA DA ARQUEOLOGIA BÍBLICA EM PERSPECTIVA: UMA LEITURA PÓS-MODERNA E PÓS-PROCESSUAL


Gabriella Barbosa Rodrigues (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Pedro Paulo Abreu Funari (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
A pesquisa tem como objetivo trabalhar um tema pouco abordado no Brasil, a saber: a Arqueologia Bíblica. Para tanto, estão sendo estudadas obras de alguns autores, considerados de fundamental importância para a constituição da Arqueologia Bíblica como disciplina acadêmica, que abordam a história da disciplina, a fim de perceber, através da comparação entre eles, linhas de continuidade e/ou ruptura. À luz da vertente interpretativa Pós-Moderna da História, e da Corrente Pós-Processualista da Arqueologia, estão sendo observados elementos da narrativa, a subjetividade de cada autor e suas identidades, para pensar a relação particular, do arqueólogo como sujeito em seu discurso, e também em que rede de poder esse discurso se insere, e ainda a relação entre Antigüidade e (Pós-)Modernidade, a fim de evidenciar as estratégias historiográficas dos autores. Do ponto de vista metodológico estão sendo comparadas as técnicas de pesquisa de campo de análise do material das escavações e a escolha dos temas/sítios de cada arqueólogo; em relação à interpretação dos dados, discute-se a preocupação – ou sua ausência – em comprovar as passagens bíblicas, e até que ponto a narrativa bíblica permeou, e ainda permeia a interpretação do arqueólogo.

Arqueologia bíblica - Pós-Modernismo - Pós-Processualismo


H0655

ANTIGÜIDADE CLÁSSICA, SAFO DE LESBOS E LESBIANISMO: MEMÓRIA E IDENTIDADE


Lettícia Batista Rodrigues Leite (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Pedro Paulo Abreu Funari (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humana - IFCH, UNICAMP
Nossa pesquisa apresentou como problemática central as discussões em torno da associação construída entre a poetisa grega arcaica Safo de Lesbos e a homossexualidade feminina. Para tanto, tomamos como base algumas discussões desenvolvidas no âmbito da História Cultural que permitissem o desenvolvimento de questões teóricas relativas à sexualidade, identidade e gênero. Ao que somamos ainda, preocupações em torno de questões teóricas literárias - uma vez que a protagonista dessa escrita historiográfica tem como fonte principal de sua memória seus fragmentos poéticos. Tivemos assim, a oportunidade de refletirmos não apenas sobre os tópicos teóricos apontados, como também acerca de uma ampla discussão em torno da escrita historiográfica.

Civilização antiga - Sexualidade - Identidade


H0656

CERÂMICA MARAJOARA: ARQUEOLOGIA E ARTE


Natália Zanella (Bolsista SAE/UNICAMP) e Prof. Dr. Pedro Paulo Abreu Funari (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Há 1.500 anos, existiu, na Ilha de Marajó (foz do Rio Amazonas, Estado do Pará, norte do Brasil), uma cultura que perdurou por quase mil anos e deixou como principal legado a sua arte. Vasos, urnas funerárias, tangas, bancos e outros artefatos extremamente trabalhados, impressionaram os primeiros pesquisadores e trouxeram fama mundial a este misterioso povo, que ainda hoje intriga os estudiosos. Esta cultura foi denominada marajoara (aproximadamente 400 a 1300 d.C.), e sua produção artística – e as implicações científicas provindas das pesquisas sobre esta produção – é o objeto de estudo deste trabalho. Através da leitura de diversos estudiosos do assunto, procuramos comparar as teses a respeito desta cultura, que intriga principalmente por sua organização social, atípica no cenário brasileiro de então. Como esta pesquisa segue a corrente arqueológica denominada pós-processualista, a comparação entre autores clássicos e recentes trouxe à tona as polêmicas formadas a partir do estudo da cultura material dos marajoaras. A principal questão abordada nesta pesquisa foi a aplicabilidade de teorias de gênero a esta sociedade, visto que a análise da iconografia do material cerâmico (principalmente as urnas funerárias) permite concluir que as mulheres marajoaras tinham uma posição de destaque, visto a grande freqüência dos motivos femininos nestas peças.

Arqueologia - Pré-história do Brasil - Teorias de gênero


H0657

REVOLUÇÃO VERDE CONSEQÜÊNCIAS E PARADOXOS


Aline Regina Alves Martins (Bolsista FAPESP) e Prof. Dr. Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Este estudo teve por objetivo analisar alguns resultados da Revolução Verde (RV), não só no Brasil mas no conjunto dos países em desenvolvimento, por meio do exame de literatura especializada, buscando-se resenhar e comparar as diferentes interpretações, muitas vezes antagônicas, desses resultados. A Green Revolution consistiu na introdução de sementes de alta produtividade no campo, a partir de 1943, com o concomitante uso intenso de insumos químicos, a fim de se aumentar a produção agrícola por hectare e combater o problema da fome no mundo, como era sua intenção primeira. Não obstante, esse padrão produtivo disseminado pela RV, por mais que efetivamente tenha aumentado a produção de alimentos, logo começou a apresentar tanto problemas ambientais (salinização do solo, diminuição da biodiversidade, etc.), quanto econômicos e sociais, como a mecanização e expulsão dos trabalhadores do campo, dependência tecnológica, etc. Conclui-se que a tecnologia semente-fertilizante da chamada Green Revolution é altamente controversa, não apenas entre especialistas, mas também no interior da sociedade, entre os diferentes grupos e classes sociais. A controvérsia diz respeito à própria essência da “revolução” técnica, mas, também, e às vezes fundamentalmente, aos impactos e significados sociais que a cercam.

Revolução Verde - Desenvolvimento rural - Mundialização


H0658

TRABALHO E TERCEIRIZAÇÃO: UMA ANÁLISE SOBRE A ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHADORES - CONCURSADOS E TERCEIRIZADOS - NA UNICAMP


Heber Rebouças (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Ricardo Luiz Coltro Antunes (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Este projeto de iniciação científica tem como um de seus objetivos investigar a relação entre os trabalhadores - concursados e terceirizados – na UNICAMP. Especificamente pretende compreender de que maneira os direitos dos trabalhadores concursados são interpretados pelos trabalhadores terceirizados e como isso afeta a organização – se existe ou não unidade entre os trabalhadores em questões de caráter reivindicatório: sobre salários e melhores condições de trabalho - desses trabalhadores. Para tanto, temos como objetivo analisar a estreita relação entre a precarização do trabalho e a terceirização; partimos, portanto, da reflexão teórica sobre o mundo do trabalho cuja análise realizada tratou de questões como: o binômio taylorismo/fordismo e o welfare state e o longo período de acumulação do capital (até o início de sua crise); as alternativas e/ou ofensiva do capital à sua crise estrutural; as transformações ocorridas no processo de reestruturação da produção e do trabalho, além do sistema de dominação político-ideológico do capital, isto é, a teoria neoliberal; realizando por fim, um estudo sobre a terceirização e precarização do trabalho (que, em última análise, refletem todas estas transformações ocorridas). Além deste breve aprofundamento teórico com base em discussão bibliográfica pertinente ao tema proposto, realizamos algumas entrevistas junto aos trabalhadores terceirizados buscando-se os impactos causados pela reestruturação produtiva nas relações e nas estruturas no mundo do trabalho, sobretudo na vida dos trabalhadores da UNICAMP. Por fim, observamos a divisão (o distanciamento) que se expressa entre os trabalhadores - tanto organizativas: relacionadas às suas reuniões, quanto reivindicativas: sobre melhores condições de salário e de trabalho.

Trabalho - Terceirização - Precarização


H0659

HEXIS SAGRADA: CONSTRUCTOS DE JUVENTUDE VOCACIONADA NA FRATERNIDADE TOCA DE ASSIS


Flávia Slompo Pinto (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Ronaldo Rômulo Machado de Almeida (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O presente estudo propôs uma investigação sobre a Fraternidade Toca de Assis, uma comunidade católica caracteristicamente urbana com maciça adesão do segmento jovem. Com a intenção de captar as válvulas propulsoras da vocação religiosa em contexto atual de juventude, este estudo foi desenvolvido a partir de uma perspectiva analítica que percebeu a Fraternidade Toca de Assis como um sistema indiviso entre comunidade e seus indivíduos, em relação a três espaços da vida social, a saber, Juventude, Mundo Urbano e Igreja Católica. Utilizamos como metodologia uma etnografia de comportamentos e uma investigação do perfil social desses jovens através da análise de suas trajetórias de vida, de modo que nos foi possível apreender o processo de conversão e formação vocacional. Percebemos que tal Fraternidade vem construindo um modelo de santidade a partir da apropriação, reelaboração e ressignificação de ideários do comportamento juvenil. Percebemos também um fluxo de entradas e desistências no interior da Fraternidade, mostrando uma lógica de vocação pautada na construção de identidades que extrapolam o espaço religioso.

Jovens - Religião - Igreja Católica


H0660

O SAMBA DAS RELIGIÕES


Paola Giuliana Borges (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Ronaldo Rômulo Machado de Almeida (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O projeto “O samba das religiões” analisou as formas de relacionamento atuais entre três grupos religiosos (católicos, evangélicos e afro-brasileiros) e quatro escolas de samba da cidade de São Paulo (Camisa Verde e Branco, Rosas de Ouro, Mocidade Alegre e Vai Vai). Estudou-se também o samba, enquanto ritmo musical, em duas religiões, a Neopentecostal e a Católica, sob o ponto de vista da Renovação Carismática. Desta forma, desenvolveu-se a pesquisa de campo nas escolas de samba, em igrejas católicas e em templos evangélicos, sendo as pessoas abordadas através de entrevistas sobre sua religiosidade e suas histórias de vida. Foram entrevistados também alguns religiosos que participam de atividades dentro das agremiações e outros que não se envolvem com elas. Em relação aos afro-brasileiros, sua presença sempre foi clara nas escolas de samba desde as origens destas, havendo, nos dias de hoje, uma continuidade de seu relacionamento com elas. A Umbanda aparece como outra forma de religiosidade afro-brasileira encontrada entre os entrevistados. Em relação ao catolicismo, formou-se, desde a década de 1980, uma nova relação entre padres ligados ao movimento negro e as escolas de samba e em relação aos evangélicos, percebeu-se que eles surgem como novos atores presentes nas escolas de samba, dividindo-se em dois grupos: os que estão ali a trabalho e os que estão ali para se divertir e que utilizam o fato de não serem batizados para justificar sua presença nas agremiações. No que se refere ao estudo do samba na religião, pôde-se constatar uma nova forma de utilização da música em geral dentro da RCC e do movimento gospel como uma forma de louvor a Deus e de pregação. Cabendo-se destacar a condenação por parte de evangélicos e carismáticos que não freqüentam escolas de samba em relação ao carnaval em geral e suas atividades.

Samba - Escolas de samba - Religiões


H0661

HISTÓRIA E LOUCURA: A EXPERIÊNCIA DE LIMA BARRETO


Amanda Ribeiro Mafra Andrade (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Sidney Chalhoub (Orientador) Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
Esta pesquisa de iniciação científica compreende no estudo das idéias e práticas em relação à loucura no período da Primeira República na cidade do Rio de Janeiro a partir da visão de um paciente do Hospício Nacional de Alienados, Afonso Henriques de Lima Barreto, o qual deixou o registro de sua experiência em um diário escrito durante sua reclusão(“Diário do Hospício”) e em duas obras ficcionais (“O cemitério dos Vivos” e “Como o ‘homem’chegou”). Assim, considerando a importância do estudo de um caso específico para a reflexão sobre um contexto mais abrangente, o projeto tem como objetivo principal analisar as percepções de Lima Barreto sobre a loucura, o conhecimento psiquiátrico e a instituição asilar, a partir de sua condição de objeto da medicina mental. Para atender a este objetivo, a partir de uma perspectiva da história social, utilizei como estratégia principal a análise e historicização das obras acima mencionadas, buscando destrinchar suas especificidades e investigar as interpretações e leituras por elas suscitadas, isto é, procurei buscar a lógica social de tais textos. Tal trabalho possibilitou a compreensão da produção de Lima Barreto como instrumento de ação pública, de defesa dos “excluídos”diante das arbitrariedades dos poderes instituídos, ao mesmo tempo em que revelou o medo do próprio autor em se igualar a estes, tornando-se anulado em sua missão literária.

História - Loucura - Lima Barreto


H0662

SOB AS PENAS DA IMPRENSA: NEGROS, JORNAIS E ABOLIÇÃO EM SÃO PAULO (1888)


Fábio Lage da Rocha (Bolsista PIBIC/CNPq) e Prof. Dr. Sidney Chalhoub (Orientador), Instituto de Filosofia e Ciência Humanas - IFCH, UNICAMP
São Paulo, 1888. A cidade já se transformara no grande centro econômico do país. Aí, o trabalho escravo ocupou um papel de destaque: muitos criticando, poucos apoiando. As interpretações e expectativas sobre a “transformação do trabalho” ocupavam papel determinante neste tempo. Se, de um lado, a dinâmica característica da lavoura exigia grande quantidade de braços, de outro, a movimentação abolicionista radical, os debates governamentais e os anseios da população colocavam a escravidão em xeque. Encontrar alguém que defendesse abertamente sua permanência era coisa rara nestes tempos “anormais”. Nosso intuito foi discutir um pouco deste momento através das penas da imprensa. As folhas abordadas nos possibilitaram acompanhar as expectativas em relação ao trabalho, ao futuro da lavoura na província, ao papel do abolicionismo nas práticas emancipatórias e as tentativas de tornar esta emancipação “uma questão de brancos”. Ao fundo, e não menos importante, o posicionamento dos periódicos face ao governo, e suas atitudes em relação ao “elemento servil”. O tema nos conduziu a indagações sobre o caráter preconceituoso e continuísta das propostas presentes nos jornais analisados, nos quais assegurar posições sociais estabelecidas durante a escravidão parecia ocupar a centralidade das preocupações no contexto de desagregação do trabalho escravo.

São Paulo - Abolição - Racismo


H0663

FLÁVIO DE CARVALHO: ESTUDOS ANTES DA EXPERIÊNCIA NÚMERO 3


André Ribeiro de Barros (Bolsista PIBIC/CNPq), Profa. Dra. Silvana Rubino Barbosa (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O objetivo desta pesquisa é analisar detalhadamente os estudos de Flávio de Carvalho para a realização da Experiência número 3, que posteriormente foram publicados no jornal Diário de São Paulo no período de 04/03/1956 a 21/10/1956 na série intitulada Casa, Homem e Paisagem: ensaios sobre a moda masculina, confrontando-os com referências iconográficas existentes, a fim de compreender a releitura, compreensão e teorização do autor. Nesses estudos, Flávio de Carvalho redesenha os trajes de várias épocas, e civilizações, reinterpretando-os, para que haja um melhor entendimento da função de cada peça e seu contexto na época onde está inserida. Faz analogias com a anatomia animal, comparando-a a anatomia do ser humano, e finalmente disserta sobre uma seqüência de desenhos exploratórios, discutindo-os, apontando quais aspectos propiciam conforto, praticidade para a sociedade vivente em um país tropical. Para tal, será necessário o entendimento do vestuário desde o seu surgimento chegando até a década de 1960, através do estudo de sua evolução dentro as mais diversas civilizações. As análises executadas por Carvalho em seus artigos para o jornal conjugados com os desenhos, permitem concluir o quão importantes foram tais realizações para a concepção da Experiência número 3. Os desenhos, como objeto principal de estudo, mostram a grande preocupação de Carvalho com o desenho e a teorização sobre vestuário desvinculada da história corrente da indumentária e do vestuário, abordando-as de maneira singular.

Flávio de Carvalho - Vestuário - Moda


H0664

RAZÃO E RETA RAZÃO EM THOMAS HOBBES


Vania Dantas Segala (Bolsista PIBIC/CNPq) e Profa. Dra. Yara Adario Frateschi (Orientadora), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH, UNICAMP
O projeto tem o objetivo de investigar as noções de razão e reta razão na filosofia hobbesiana com o intuito de compreender o papel que as leis de natureza desempenham nesta filosofia. Hobbes define a lei de natureza como uma regra geral, estabelecida pela razão, mediante a qual se proíbe a um homem fazer tudo aquilo que possa destruir sua vida ou privá-lo dos meios necessários para preservá-la. No entanto, Hobbes enfatiza, que estas leis obrigam apenas in foro interno; que elas são facilmente violadas; e que tampouco podem ser consideradas propriamente leis. Nota-se, entretanto, que tais constatações não o impedem de afirmar que as “leis” de natureza são imutáveis e eternas e que a ciência delas é a verdadeira e única filosofia moral, uma vez que as leis da razão indicam para os homens o que é bom e mau para a sua preservação e para o convívio, fornecendo o parâmetro da virtude e do vício.Pretendemos com isto, investigar de que modo a razão opera e quais são as regras (leis de natureza) que estabelece, mas tendo em vista as dificuldades no tratamento desta faculdade, esse estudo pretende também investigar quais são as circunstâncias que impedem ou dificultam o uso diligente da razão, seja na hora de realizar o cálculo, seja na hora de agir conforme as conclusões de um cálculo bem realizado, isto é, conforme os ditados da reta razão.

Razão - Reta razão - Leis de natureza






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