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ENSAIOS DE HISTÓRIA

Universidade Estadual Paulista

São Paulo State University
Reitor

Prof. Dr. Herman Jacobus Cornelis Voorwald


Vice-Reitor

Prof. Dr. Julio Cezar Durigan



Faculdade de História, Direito e Serviço Social
Diretor

Prof. Dr. Ivan Aparecido Manoel


Vice-Diretor

Prof. Dr. Fernando Andrade Fernandes


CURSO DE GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

Coordenador

Prof. Dr. Pedro Geraldo Tosi


Vice-coordenadora

Profa. Dra. Vânia de Fátima Martino


UNESP - Universidade Estadual Paulista

UNESP – São Paulo State University

ENSAIOS DE HISTÓRIA

Revista do Curso de Graduação em História

ISSN 1414-8854


Ensaios de História

Franca

v. 14, n. 1/2

p. 188

2009



ENSAIOS DE HISTÓRIA
Comissão Editorial

Presidente

Prof. Dr. Pedro Geraldo Tosi
Corpo Editorial

Aluana Mayra Borges Rodrigues

Amanda Cristina Stefan

Ana Paula Svirbul de Oliveira

Arthur Jorge Dias de Morais Coelho

Bárbara Mariani Polez

Carolina Defensor Ribeiro

Danilo Medeiros Gazotti

Francisco de Assis Sabadini

Joyce Aparecida Ferraz Vidal

Kátia Lima de Oliveira

Marcos Felipe Godoy

Nívea Lins Santos

Olinda Cristina Pacheco Scalabrin

Paula Fernandes Henrique

Tatiana Rodrigues Milanello

Thiago Fidélis

Publicação Semestral/Semestral Publication

Solicita-se permuta/Exchanged desired

Endereço/Adress

Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

Contato: Av. Eufrásia Monteiro Petráglia, 900, Jardim Dr. Antonio Petráglia,

CEP 14409-160, Franca/SP, Brasil

ensaiosdehistoria@gmaiol.com




Ensaios de História (Faculdade de História, Direito e Serviço Social – UNESP) Franca,

SP, Brasil, 1996-2009, 1-14

ISSN 1414-8854.

Capa: Soldado Romano com a Cabeça de um inimigo Daco. Desenho e arte final:

http://planeta.terra.com.br/arte/mundoantigo/roma/

APRESENTAÇÃO
Desde o ano de 1996, o curso de graduação (bacharelado e licenciatura) em História da Universidade Estadual Paulista campus Franca possui a revista Ensaios de História, fundada pelos graduandos em História e cujo espaço de publicação volta-se exclusivamente a graduandos de diversas instituições de Ensino Superior.

É notável o prestígio alcançado pela revista, que ao longo desses mais de dez anos tem seus exemplares disponíveis em cento e cinco instituições cadastradas, dentre as quais cinco do exterior; além disso, é uma das poucas publicações no meio acadêmico que tem como foco a publicação de graduandos.

A revista Ensaios de História é vinculada ao Conselho de Curso e o chefe deste é também o presidente da Comissão Editorial, que tem como membros discentes alunos da graduação do curso de História. Tendo em conta a importância dessa atividade como um espaço incentivador da pesquisa científica, seja ela de caráter individual ou coletivo, o grupo PET - História participa nessa como Comissão Editorial, mais ainda cabe lembrar que alunos da graduação não pertencentes ao grupo PET têm total autonomia e liberdade para ingressarem neste corpo editorial, uma vez que a revista é de responsabilidade do Conselho de Curso, e não somente do PET História.

O envio de artigos é aberto a todas as áreas de pesquisa em História, sem restrição de assuntos ou temas, abordando inclusive os estudos sobre prática educacional, uma vez que nosso currículo acadêmico é também composto por disciplinas dessa natureza. O critério para a aceitação dos artigos é que os mesmos recebam o endossamento pelos respectivos professores orientadores, demonstrando assim comprometimento em relação ao trabalho produzido.

O trabalho de editoração é subdivido entre uma comissão que é responsável pela correção gramatical e ortográfica e um segundo grupo que se responsabiliza pela normatização e diagramação do texto, de maneira a enviá-lo à gráfica nos moldes para a impressão, publicação e envio às demais universidades cadastradas.

Logo, o presente trabalho tem grande relevância uma vez que atua de maneira a instigar os graduandos à atividade de pesquisa e a produção escrita dessas, sendo um dos pilares da formação dos futuros historiadores.



SUMÁRIO

ALIANÇA POPULAR: JACOBINOS E SANS CULOTTES NA REVOLUÇÃO FRANCESA


Amanda Cristina STEFAN 09

ENTRE OS EMBATES DA LEI DA ANISTIA


Ana Paula Lage de OLIVEIRA

Tiago Santos SALGADO

Victor Augusto Ramos MISSIATO 17
A EXPORTAÇÃO DA DEMOCRACIA COMO POLÍTICA EXTERNA DOS ESTADOS UNIDOS

Ariel Andrade de PAULA 27


A CONSTRUÇÃO DO NACIONALISMO

Bárbara Mariani POLEZ 39


AS TRANSFORMAÇÕES CIENTÍFICAS, E O IMPERIALISMO DO SÉCULO XIX

Carolina de Oliveira BELTRAMINI 47


A HISTÓRIA CÍCLICA ENTRE O MITO E ESCLARECIMENTO

Carolina Defensor RIBEIRO 55


POLÍTICAS NAPOLEÔNICAS PARA UMA FRANÇA EM CRISE

Danilo Medeiros GAZOTTI 63


A ESTRADA DE GOYAS E AS CONSIDERAÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO DO MUNICÍPIO DE IGARAPAVA

Diego Lopes de CAMPOS 71


O RADICALISMO DA REFORMA NO SÉCULO XVI: OS ANABATISTAS

Filipe Faulin VALENTIM 79


A MARSELHA: DE CANÇÃO REVOLUCIONÁRIA À HINO OFICIAL DA REPÚBLICA DA LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE

Henrique Franco da ROCHA 87


ERASMO, OS DEBATES TEOLÓGICOS E A REFORMA

Jéssica Abud de SOUZA 95


ENTRE O LIBERALISMO E O SOCIALISMO: DISCUSSÃO SISTÊMICA DA OBRA DE NORBERTO BOBBIO POR PERRY ANDERSON

Thiago FIDELIS

Kátia Lima de OLIVEIRA 103
INTELECTUALIDADE E IMPERIALISMO. O DARWINISMO SOCIAL PRESENTE NA WELTANSCHAUUNG EUROPÉIA ENTRE 1870-1914

Leonardo Fernandes HENRIQUE 113


ARTE, CIÊNCIA E IMAGEM SOBRE O EGITO NA FRANÇA DE NAPOLEÃO

Luiz Fernando Pina SAMPAIO 123


O TRAÇADO DAS CIDADES DO BRASIL COLONIAL SOB A LUZ DA HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA

Marcos Felipe GODOY 133


RESGATANDO MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS: VIDA, OBRA E CONTRIBUIÇÕES PARA FILOSOFIA E HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA

Olinda Cristina Pacheco SCALABRIN 141


BIPARTITE: A PRESERVAÇÃO DO RELACIONAMENTO ENTRE A IGREJA E O ESTADO BRASILEIRO NA DITADURA MILITAR

Ricardo Augusto Aidar ABIB 151


ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO IMPERIAL DURANTE O PERÍODO DOS HÀN POSTEIORES

Rud Eric PAIXÃO 161



A VISÃO DE TOMÉ APÓSTOLO PELOS GNÓSTICOS E SUA INFLUÊNCIA SOBRE OS MANIQUEUS

Samuel Cardoso SANTANA 171


O INDIVIDUAL E O COLETIVO NAS INTERPRETAÇÕES DO PASSADO: UMA PERSPECTIVA INTEGRADA ATRAVÉS DE TALCOTT PARSONS

Francisco de Assis SABADINI

Tatiana Rodrigues MILANELLO 181

ALIANÇA POPULAR: JACOBINOS E SANS CULOTTES NA REVOLUÇÃO FRANCESA.
Amanda Cristina STEFAN*

RESUMO: A Revolução Francesa foi um dos acontecimentos mais marcantes do século XVIII, tanto por sua influência em outras revoluções, quanto pela grande participação popular. Dentro daquilo que consideramos participação popular, destaca-se a aliança formada entre jacobinos e sans culottes, aliança esta que possibilitou a extensão da Revolução num momento em que setores revolucionários de classe média haviam decidido que chegara a hora do conservadorismo. Assim sendo, este artigo tem por objetivo analisar esta relação que se deu entre jacobinos e sans culottes e a sua posterior ruptura por divergências de posições políticas.
PALAVRAS - CHAVE: Jacobinos – Sans Culottes – Revolução Francesa

Em 1794, Robespierre, considerado líder da Revolução Francesa no período jacobino, presencia a queda de sua popularidade que se encerraria no dia 9 do Termidor. A derrocada do líder revolucionário e do seu apoio popular pode ser explicada pela divergência política com os sans culottes ao longo do processo revolucionário. Para compreendermos esta crise, é necessário entender esta contradição entre os ideais jacobinos e dos sans culottes, e para isso traçaremos um paralelo entre o nascimento do jacobinismo e a aliança com o movimento secionário sans culotte.

O Clube dos Jacobinos (que recebeu este nome pois transferiu-se para a biblioteca dos monges dessa ordem: jacobinos) ou Sociedade dos Amigos da Constituição, inicialmente Clube Bretão,
Congregava todos os partidários da nova ordem revolucionária, desde Mirabeau e La Fayette, até Robespierre e Marat. A maior parte das questões discutidas na Assembleia Constituinte eram primeiramente examinadas no Clube dos Jacobinos. Sociedades filiadas foram abertas nas províncias, e o Clube dos Jacobinos não cessou em crescer em importância 1
Dessa forma, o objetivo da sociedade era, então,
discutir as questões que deveriam ser debatidas na Assembleia Nacional; trabalhar para o estabelecimento e a Consolidação da Constituição; corresponder-se com outras sociedades do mesmo tipo que viessem a se formar no reino2
O Clube começou a crescer e agrupar cada vez mais adeptos, o que significava uma diversidade de opções políticas. Com o aumento do número de membros, as tendências do clube começavam a se delinear em direita, esquerda e de centro. À direita, ficavam os nobres liberais, à esquerda, constavam alguns patriotas declarados (como Robespierre) e o grupo de centro, defensor de uma monarquia liberal, mas não democrática, que manteve uma certa influência dominante dentro do Clube. Somente os patriotas declarados lutavam contra o sufrágio censitário.
No entanto, em meados de 1791, o partido patriota (leia-se jacobinos), formado à época da Convenção dos Estados Gerais, viu-se pela primeira vez diante de uma ruptura definitiva. Face à recusa do rei a um compromisso com a burguesia constituinte, que se manifestara tanto com sua fuga em junho de 1791 quanto pela fuzilaria do Campo de Marte no mês seguinte, quando se levantaram as primeiras vozes seguindo a instalação da República, ocorreu uma ruptura que dividiu os jacobinos entre Feuillantes – defensores da continuidade da monarquia, apesar de tudo – e os que permaneceram no Clube Jacobino 3
Dentro do Clube estavam então, os “jacobinos mistos” – expressão utilizada por Michelet, para demonstrar a diversidade política que se encontrava o Clube, que passa a ter duas principais lideranças, a de Brissot, futuros girondinos, que apoiavam a guerra e Robespierre, contrário à guerra. Posteriormente, o clube sofreria uma ruptura ocasionada justamente pela discordância entre o apoio ou não da guerra contra as monarquias européias.

Por seu posicionamento político, os brissotistas passam a ter maior influência dentro do Clube, sendo, inclusive, convocados pelo rei Luís XVI ao ministério em Março de 1792.

Porém, a política de guerra dos brissotistas logo lhes trouxe impopularidade e a radicalização da Revolução, coisa que não desejavam, no momento em que a França passava por um verdadeiro caos provocado pela derrota militar e pela invasão estrangeira4
Então, neste contexto de insegurança, os jacobinos não temem em formar uma aliança com o povo parisiense, os sans culottes,e acabam por romper com a ala mais moderada dos jacobinos, liderados por Brissot.

A última alternativa para o radicalismo burguês eram os sans culottes, um movimento disforme, sobretudo urbano, de trabalhadores pobres, pequenos artesãos, lojistas, artífices, pequenos empresários, etc. Os sans culottes eram organizados principalmente nas “seções” de Paris e nos clubes políticos, e forneciam a principal força de choque da Revolução – eram eles os verdadeiros manifestantes, agitadores, construtores de barricadas 5


Esta aliança desembocou na derrubada da monarquia e na vitória da chamada Segunda Revolução Francesa, a da Comuna Insurrecional do 10 de Agosto de 1792, que estabeleceu a República daquele ano. A partir de então, o jacobinismo foi dominado por Robespierre 6
Ainda assim, os brissotistas mantinham postos de extrema importância dentro da Convenção, principalmente por seu grande número de representantes. A partir de então, os girondinos passam a lutar abertamente contra os jacobinos pelo controle das instituições políticas. É importante ressaltar que neste período, início de 1793, a situação da França se agrava em conseqüência da derrota na guerra.

Neste momento, uma transformação na ordem política estava prestes a ocorrer.


Diante desses fatos, a luta entre girondinos e jacobinos começou a tornar-se favorável a estes últimos. Os girondinos demonstravam clara incompetência para resolver a crise, quando não se bandeavam para o lado inimigo (caso do general Dumouriez). Sentindo-se feridos em seus sentimentos patriotas, os sans culottes depositaram todo seu apoio em Robespierre e em seus companheiros. Outro ponto importante para esse apoio foi a desconfiança que tinham face à hesitação dos girondinos em colocar em prática suas principais reivindicações sociais7
Os sans culottes saudaram um governo revolucionário de guerra, e não apenas porque defendiam com razão que só assim a contra-revolução e a intervenção estrangeira podiam ser derrotadas, mas também porque seus métodos mobilizavam o povo e tornavam mais próxima a justiça social.8
O confronto entre jacobinos e girondinos teve como resultado a expulsão desses últimos da Convenção e a instalação de um Governo Jacobino. Tal acontecimento não seria possível sem o apoio popular. Organizados no movimento sans culottes, possuíam clara influência rousseaniana.
Isto quer dizer que sua concepção revolucionária se confundia com a defesa intransigente dos princípios da soberania popular, das quais as seções parisienses pretendiam ser a encarnação prática. Esses elementos da ideologia sans culottes, derivados do pensamento rousseauista que exerceu influência generalizada nas idéias políticas da Revolução, podem ser identificadas nas práticas secionarias, como por exemplo, a idéia de que as assembléias das seções deviam ser permanentes e que dentro delas o voto seria em voz alta (escrutínio aberto)9
Os secionários (sans culottes), também eram claramente contra a idéia de representação. Revogabilidade, sanção popular das leis e mandato imperativo são palavras de ordem presentes no vocabulário secionista.

Portanto, com a instalação da Convenção Montanhesa (Jacobina),em 1793, a Revolução chega ao seu auge do radicalismo. Com a instalação da Convenção, acreditava-se que, finalmente, os interesses populares seriam efetivados, concretizando o ideal de soberania que reside no povo, afinal, jacobinos e sans culottes possuíam praticamente o mesmo discurso, embasados na Teoria de Rousseau.

O processo da Revolução, agora nas mãos dos jacobinos, parecia que desencadearia nesse caminho, algumas reivindicações populares foram admitidas, sobretudo com relação à questão da máxima geral de preços, ou seja, o tabelamento dos gêneros de primeira necessidade.
Uma questão chave vem à tona nesse momento da Revolução. Além das reivindicações que estavam ligadas ao abastecimento, a poussé sans culotte (impulso popular) de setembro de 1793 tinha como uma de suas reivindicações a constituição do governo revolucionário. Dessa forma, a aliança jacobino/sans culottes garantiu a formação de um governo revolucionário que se fundamentava num programa baseado na defesa da soberania popular e no apoio às reivindicações sociais do movimento democrático secionário, pelo menos em parte. Sem este programa, teria sido impossível a derrubada dos girondinos e a ascensão dos montanheses ao poder.10
Porém, o estabelecimento do governo revolucionário da ditadura do comitê de salvação pública rompeu com esse programa, já que ele era o resultado de um processo de concentração de poder que se iniciou a partir do início do verão de 1793 e teve sua conclusão em dezembro do mesmo ano, quando o Comitê de Salvação Pública passou a ser o verdadeiro chefe do Executivo, o que significou a concentração de poderes entre as mãos dos mandatários do povo, como a única expressão possível do indispensável despotismo da vontade geral11
Isso significa que, com ascensão dos poderes dos jacobinos, estes mudaram seu discurso ideológico. Da defesa de que a vontade geral deveria ser expressa pela soberania popular, e que esta deveria ser inalienável, passaram a defender a posição de que a decisão política deveria ser transferida para a Convenção, particularmente para o Comitê de Salvação Pública, o que significava uma concentração de poderes nas mãos dos mandatários do povo como única forma de expressão possível.

Essa mudança de discurso reside, principalmente, no fato de que


o desenrolar da Revolução esteve sempre submetido a uma conjuntura de crise permanente e da necessidade da tomada de medidas urgentes, portanto, de como adequar a teoria política, largamente influenciada pela teoria de Rousseau, à prática.12
Assim, as tarefas inadiáveis - o combate à contra revolução e à guerra nas fronteiras – ocasionaram nesta mudança de discurso por parte dos principais nomes do jacobinismo. Essa mudança se fez necessária, pois a crise atingia o cotidiano revolucionário, e difíceis escolhas deveriam ser feitas. O governo necessitava ser estruturado, e para isso eram utilizadas medidas que nem sempre eram aquelas que interessavam à população e que não correspondiam aos princípios do governo direto. Dessa forma, defendia-se medidas que eram frutos de um estado de exceção.
Nesse processo de adequação da teoria democrática rousseauista à prática, os conteúdos e as práticas do movimento secionário eram logicamente incompatíveis com os procedimentos de exceção defendidos por Robespirre e seus companheiros. Estes procedimentos foram encarados como um óbice ao poder do governo revolucionário. Os robespierristas não hesitaram em fazer com que os elementos que compunham a prática da democracia direta secionaria fossem eliminados um a um13
Com estas medidas, os sans sulottes vão mostrar-se cada vez mais descontentes. O formato democrático que caracterizava as seções, vai sendo aos poucos eliminado pela própria Convenção. As assembléias gerais vão sendo substituídas por apenas duas assembléias por semana, depois duas por décade (cada década correspondia a dez dias no calendário revolucionário), além do fato de os comitês revolucionários ficarem submetidos aos poderes do Comitê de Convenção, que passam a escolher seus membros, antes responsabilidade das assembléias de seção.
Assim, através do governo revolucionário, Robespierre e os jacobinos, iniciam uma política do terror, objetivando levar o governo a uma maior centralização do poder nas mãos do Comitê de Salvação Pública. Nesse momento, o movimento secionário vai sendo aos poucos eliminado.
Para Robespierre, o governo revolucionário era o único capaz de representar o povo soberano uma vez que correspondia à vontade geral, salientando o caráter ditatorial que assumira o Comitê. Muito diferentes eram as idéias dos hebertistas (principais porta-vozes dos sans culottes), cujos ideais ainda mantinham coerência com a teoria de Rousseau, no sentido de que acreditavam na importância da soberania popular, fato que já não ocorria integralmente com a instauração da ditadura do Comitê de Salvação Pública.
Na mesma conjuntura política, os jacobinos e porta-vozes do movimento secionário explicitaram claras diferenças em relação à democracia revolucionária. Estas divergências acabaram por levar a uma luta “fratricida” que culminou com o ostracismo destes porta-vozes ou mesmo sua eliminação física, como acabou acontecendo com os hebertistas em março de 1794. 14
As massas, portanto, recolheram-se ao descontentamento ou a uma passividade confusa e ressentida, especialmente depois do julgamento e execução dos hebertistas, os mais ardentes porta-vozes dos sans culottes15
Por sua vez, o movimento secionário sans culotte, entravado em sua organização de base e agora também sem sua liderança, desarticulou-se a partir desta data. Os robespierristas, olvidando sua dependência em relação à base popular sans culotte, acabaram por ficar à mercê dos inimigos da Revolução Popular. Daí para o 9 do termidor foi um pulo. 16
Assim, o movimento sans culottes, sem seus principais porta-vozes, desarticula-se. Da mesma forma, os jacobinos caem, por não mais possuírem o apoio popular.

STEFAN, Amanda Cristina. Popular aliance: jacobina and Sans culottes in the French Revolution.


ABSTRACT: The French Revolution was one of the most remarkable events of the eighteenth century, both for its influence in others revolutions, as the great popular participation, a fact sometimes considered unprecedented in History. Within what we consider popular participation, there is the alliance formed between Jacobins and sans culottes, this alliance that made possible the extension of the revolution at a time when revolutionary sectors of the middle class had decided that it was time for conservatism. Therefore, this article aims to analyze the relationship between the Jacobins and sans culottes and their subsequent disruption by differences in political positions.
KEYWORDS: Jacobins, Sans Culottes, French Revolution
BIBLIOGRAFIA:
HOBSBAWM, Eric J. A Revolução Francesa. 8ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

MANFRED, A. A Grande Revolução Francesa. Editora Ícone, 1986.

MARAT, Jean. Robespierre, o Incorruptível. Editora Nova Fronteira, 1971.

OLIVEIRA, Josemar Machado. Artigo: Robespierre e a oposição de “esquerda”: as contradições da democracia revolucionária.

SOBOUL, Albert. Camponeses, Sans-Culottes e Jacobinos, Albert Soboul. Editora Seara Nova, 1974

VOVELLE, Michel. Jacobinos e Jacobinismo. Editora Edusc. 2000.



ENTRE OS EMBATES DA LEI DA ANISTIA
Ana Paula Lage DE OLIVEIRA;

Tiago Santos SALGADO;

Victor Augusto Ramos MISSIATO.



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