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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

FACULDADE DE MEDICINA

PÓS-GRADUAÇÃO EM EPIDEMIOLOGIA

INTENÇÃO DE DOAR ÓRGÃOS EM UMA POPULAÇÃO ADULTA

Dissertação de Mestrado



Franklin Corrêa Barcellos
Orientadora Profª: Cora Luiza Araújo

Co-orientador Prof: Juvenal Dias da Costa

Pelotas, abril de 2003


Agradecimentos

É claro que sem o auxílio e a colaboração de um grande número de pessoas, jamais teria sido possível a realização deste trabalho. Neste momento, mas faz-se me oportuno agradecer

A Cora Araújo, pela sua orientação, apoio inestimável no decorrer destes dois anos

A. Juvenal, que é o responsável pela a minha iniciação no campo da Epidemiologia.

A todos os colegas do mestrado Andréa, Carlos, Fernando, Iandora, Laura, Marcelo Silva, Marcelo, Marlos, Magda, Diego, Irineo e Félix todos tiveram uma participação importante, mas não posso de agradecer em especial ao grande colega Pedrinho, que mesmo com a sua juventude é um dos exemplos a ser seguido.

Aos nossos professores Aluísio, Ana, Bernardo, César, Denise, Elaine, Fachinni, Iná que sempre estiveram prontos a ajudar na construção do conhecimento

A Neiva e a Cecília além de monitoras foram colegas e amigas que ajudaram muito em alcançar os objetivos;

A Beth, Danton, Rodrigo e a todo grupo que participou para que o trabalho de campo fosse um sucesso

As entrevistadoras Rosangela, Marta e Cléia que cumpriram com determinação a suas tarefas

A Fátima Maia seus conhecimentos em biblioteconomia foram de muita ajuda

Aos funcionários do Centro de Pesquisas Angélica, Margarete, Mercedes, Olga, Mateus e William pela sua constante disposição em auxiliar

A Maristela e o Arthur que me ajudaram a atingir este objetivo

Sumário


Agradecimentos 2

Introdução 5

Projeto de Pesquisa 6

Revisão bibliográfica 6

Justificativa 10

Objetivos 11

Modelo teórico 13

Metodologia 14

Orçamento total 20

Bibliografia 21

Parte II - Relatório de Trabalho de Campo 24

Relatório do trabalho de campo 25

Seleção dos entrevistadores 25

Treinamento das entrevistadoras 26

Parte III – ARTIGO 35

Intenção de doar órgãos: um estudo de base populacional 36

Resumo 39

Introdução 41

Metodologia 43

Resultados 48

Discussão 51

Bibliografia 56

Willingness to organ donation: 62

a population-based study 62

Introduction 65

Methodology 67

Results 72

Parte IV - Anexos 84

Anexo I 85

Artigo para divulgação nos meio de comunicação 85

Anexo II - Bloco A 87

Anexo III - Bloco B 95

Anexo IV - Manual de Instruções 116



Introdução

A presente dissertação de Mestrado em epidemiologia foi desenvolvida em consórcio com outros dez projetos de pesquisa, junto ao programa de Pós-Graduação em Epidemiologia do departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas, tendo como orientadora a Professora Cora P. Araújo e como co-orientador, o professor Juvenal Dias da Costa.

Este volume está divido em quatro partes principais:


  1. Projeto de Pesquisa;

  2. Relatório de trabalho de campo;

  3. Artigo “Intenção de doar órgãos: um estudo de base populacional”;

  4. Anexos.

Projeto de Pesquisa

Revisão bibliográfica

A história dos transplantes no ocidente remonta ao século 16, quando cirurgiões tentaram os primeiros implantes de tecidos, aparentemente inspirados em técnicas hindus. Em 1890, o escocês Macewen realizou o primeiro autotransplante de tecido ósseo. Joseph Murray, em 1954, foi o primeiro a demonstrar que o transplante podia efetivamente substituir a função renal através da doação de um rim entre gêmeos idênticos (Merril et al.,1956). No final desta mesma década, através das observações de Schwartz e Dameshek, foi desenvolvido o conceito da imunossupressão induzida por drogas. Christiam Barnard em 1967, na África do Sul, transplantou um coração. A partir da década de 80, com o aperfeiçoamento de drogas contra a rejeição, os transplantes tornaram-se rotina e, até o momento, mais de um milhão de pessoas já se beneficiaram com este procedimento. Um grande número de pacientes transplantados tem sobrevivido por um período superior a 25 anos e as taxas de sobrevida em cinco anos, na maioria dos programas de transplantes, tem sido maiores que 70% (Hariharan et al,2000). Além da maior sobrevida, o transplante pode proporcionar melhor qualidade de vida desses pacientes permitindo a sua reintegração sócio-profissional(Aravot et al,2000; Ostrowski et al,2000).

As indicações para transplante de órgãos estão se tornando mais liberais, aceitando-se, também, pacientes idosos e com doenças sistêmicas, como diabetes, o que tem levado a uma expansão no número de potenciais receptores. Estima-se que em torno de 500 mil pacientes desenvolvam insuficiência renal crônica, 300 mil insuficiência cardíaca e 200 mil pacientes evoluam para insuficiência hepática anualmente (Garcia,1997). Entretanto, 15 a 30% dessas pessoas em lista de espera para um coração, fígado ou pulmão acabam falecendo antes de obter o órgão.

O custo de procedimentos médicos sofisticados e complexos tem sido motivo de debate entre médicos, pacientes, empresas de seguro de saúde e governo. Esta discussão é mais acentuada em países carentes de recursos, como o Brasil. O transplante hepático, devido à complexidade do procedimento cirúrgico, é considerado um dos mais caros. Porém, o custo das internações hospitalares dos pacientes com hepatopatia crônica durante um ano já chega quase metade do valor do transplante (Hauptman e O’Connor, 1997). O custo do transplante renal é equivalente a um ano de tratamento de diálise para os pacientes com insuficiência renal crônica (Borges, 1986).

A definição de morte como sendo a ausência de batimentos cardíacos e respiração, tornou-se inadequada a partir de avanços da medicina, tais como a ressuscitação cardíaca, a circulação extracorpórea e os respiradores artificiais, permitindo que pacientes com traumatismo craniano e hemorragias cerebrais, mesmo em coma irreverssível, mantivessem suas funções cardiorrespiratórios. Passou-se, então, a aceitar o conceito de morte encefálica, ou seja, o óbito baseado em critérios neurológicos. Em 1958, o Papa Pio XII reconheceu em pronunciamento que o conceito de morte é responsabilidade da Medicina e não da Igreja. Mollaret e Goulon, em1959, definiram o coma depassé como a condição em que se tem um cérebro morto em um corpo vivo (coma irreversível), baseado em 23 pacientes com ausência de reflexos nervosos e respiração e, a partir daí, vários trabalhos têm demonstrado de maneira clara e objetiva a morte do encéfalo (Wijdcks, 2001). Em 1968, o Comitê Ad Hoc da Escola de Medicina de Harvard emitiu o conceito de morte encefálica, ou coma irreversível, como ausência de movimentos ou reflexos supraespinais, ausência de atividade do tronco cerebral, a presença de apnéia em pessoas com causa conhecida da lesão cerebral depois de excluídas as possibilidades de diagnósticos de depressão medicamentosa e hipotermia. No Brasil o conceito de morte encefálica foi referido pela primeira vez em 1968, por ocasião do primeiro transplante de órgão, a partir de cadáver. Este conceito passou a ter respaldo legal em 3 de março de 1988, quando o Congresso Nacional aprovou lei dando competência exclusiva ao Conselho Federal de Medicina para a definição de ato médico. Um ano após, uma comissão, formada por representantes da Sociedade Brasileira de Neurologia, Academia Brasileira de Neurologia e Conselho de Medicina definiu o conceito de morte encefálica, muito semelhante ao utilizado nos Estados Americanos e no continente Europeu. Tal conceito baseia-se no conhecimento clínico e laboratorial de que o cérebro, que não esteja sob o efeito de drogas depressoras e que mostre ausência de função após agressão estrutural ou metabólica, não tem chances de recuperação. Para maior segurança sobre a identificação de morte encefálica, há um período de observação que varia de uma a vinte e quatro horas. No Brasil, exige no mínimo, dois exames neurológicos com observação mínima de 6 horas, para indivíduo acima de 2 anos de idade, acompanhado de, pelo menos, um exame complementar. Em 1997, o Conselho Federal de Medicina revisou o conceito de morte encefálica e ampliou-o, para crianças recém-nascidas a termo até 2 anos de idade.

Estima-se que 1 a 4% das pessoas que morrem em hospital e de 10 a 15% dos pacientes em unidades de cuidados intensivos desenvolve quadro de morte encefálica, sendo portanto, potenciais doadores (Siminoff et al,1995). Estima-se que, na população mundial exista em torno de 50 doadores por milhão de pessoas por ano (Gore et al,1991). No Brasil apenas 20% dos potenciais doadores acabam cedendo seus órgãos. Existe em torno de 3,7 doadores por milhão de população por ano(ppm), mas com grandes disparidades regionais (Campos,2000). No trimestre de abril a junho de 2000, no Estado de São Paulo, ocorreram 11,8 doações ppm, no Rio Grande do Sul 7,9 ppm, enquanto no estado do Rio de Janeiro foi de 2,7 doadores ppm. Na maioria das regiões Norte e Nordeste não aconteceram doações (ABTO, 2000). Enquanto isto, em países vizinhos como Argentina e Chile, a taxa é de 10 a 12 doadores por milhão de habitantes e na maioria dos países da Europa e Estados Unidos ocorrem em torno de 20 a 40 doadores por milhão de habitantes habitantes (Cohen e Wight,1999)

A diferença entre o número de doações e o número de pessoas que necessitam um transplante é cada vez maior. Dados da UNOS (United NetWork for Organ Sharing) mostram que, nos Estados Unidos, com uma população aproximada de 300 milhões, a cada 16 minutos um nome é adicionado à lista de espera. E, durante o ano 2000, cerca de 5000 pessoas morreram à espera de transplante numa lista constituída por cerca de 68 mil pacientes. No Brasil, com uma população de aproximada 200 milhões, há uma lista de espera em torno de 20 mil pessoas.

Em 1997, foi promulgada no Brasil a lei nº 9434, sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante, contribuindo para uma maior organização do sistema de captação de órgãos, aumentando o número de transplantes. Também estabeleceu o consentimento presumido (presume-se a doação, exceto se houver negativa expressa em documento) como forma de doação, o que levou a uma rejeição da população devido à falta de discussão prévia. Em outubro de 1998, o Presidente da República , atendendo solicitação do Ministro da Saúde, promulgou a Medida Provisória n. 1.718, tornando novamente a família responsável pelo consentimento da doação.

A falta de informação sobre transplante de órgãos pode ser uma das principais razões pelas quais as pessoas tendem a não doar seus órgãos, além do medo da morte. Mas pode ser diferente entre grupos da população; pessoas mais jovens, com maior escolaridade, de cor branca branca tendem a doar mais (Siminoff et al,2001). O sexo e o tipo de religião parecem não exercer influência na decisão de doar com exceção de alguns povos asiáticos praticantes do islamismo (Hai et al, 1999).

Aqueles que são a favor da doação possivelmente já tenham discutido o tema com a família ou com amigos e talvez sejam pessoas que possuem maior acesso aos meios de comunicação e, por isso, doem mais (Astrid et al, 2001).

O desconhecimento do conceito de morte cerebral (morte diagnosticada por critérios neurológicos) e a presença de mitos (Verble e Worth,1999), como por exemplo de que o corpo será mutilado e da possibilidade de tráfico de órgãos, além da falta de credibilidade no sistema de saúde, podem ser barreiras na intenção de doar órgãos (Horton e Horton,1990).



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