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Universidade Federal de Santa Catarina

Centro Tecnológico

Departamento de Engenharia Mecânica

Coordenadoria de Estágio do Curso de Engenharia Mecânica

CEP 88040-970 - Florianópolis - SC - BRASIL

www.emc.ufsc.br/estagiomecanica

estagio@emc.ufsc.br






RELATÓRIO DE ESTÁGIO – 1/3

Período: de 05/02/2009 a 19/03/2009


Sigma Projeto e Consultoria
Nome do aluno: Rodrigo Walter Uhlmann

Nome do supervisor: Everaldo Cavalheiro Pinto Jr., M. Eng.

Nome do orientador: José Carlos Pereira, Dr.

Florianópolis, maio de 2009


A empresa
A Sigma Projeto e Consultoria Ltda. está localizada no município de Florianópolis. Atua na área de projetos e consultoria de engenharia, prestando serviços a montadoras e fabricantes de torres de telecomunicações, estruturas para subestações e estruturas metálicas treliçadas em geral. Além desses serviços a Sigma também realiza projetos de fundações.

A Sigma desenvolve projetos de torres metálicas treliçadas segundo especificações do cliente. Em posse dessas informações, executa análise estrutural da torre e elabora toda a documentação de projeto por meio de desenhos técnicos, memorial de cálculo e doutros documentos que sejam pertinentes. Por se tratar de um projeto de engenharia é ainda necessário o registro da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) a qual define responsabilidades e garante a qualidade dos serviços de engenharia.

Além de projetos, realiza também laudos de torres de telecomunicações. Esses laudos são feitos a pedido do cliente para verificar se a estrutura em questão tem ou não capacidade de suportar um acréscimo em seu carregamento pela instalação de novas antenas seguindo os critérios de norma.

Os projetos realizados em geral não são apenas de novas torres, mas também de reforços de torres que já se encontram em operação. Na realidade há no mercado mais pedido de projetos de reforço de torres do que de novas torres. O fato provavelmente ocorre pela dificuldade de se obter a licença ambiental, alegando as autoridades problemas com emissão de radiação e poluição visual causados pela instalação do equipamento e da estrutura.

O trabalho de consultoria acontece por meio de visita técnica ao cliente ou com a visita deste ao escritório da empresa. Esta atividade é desenvolvida particularmente pelo sócio-administrador da empresa o qual detém dentro da empresa a maior experiência no ramo de torres para telecomunicações.

Os serviços envolvendo fundações, por se tratar de um assunto da área da Engenharia Civil, não serão abordados especificamente neste relatório.

Área de atuação na empresa
O estágio obrigatório de Engenharia Mecânica é realizado sempre no escritório da empresa. Apenas levantamentos de torres são obrigatoriamente realizados em campo quando estejam relativamente próximas do escritório.

No escritório as atividades são realizadas com a ajuda de softwares de computação para análise estrutural por elementos finitos, desenho técnico e manipulação de dados em planilhas de cálculo. Tais ferramentas aumentam a velocidade e capacidade de calcular os esforços sobre a estrutura e facilitam na confecção dos desenhos técnicos e visualização de posicionamentos.

Num projeto a estrutura é concebida geralmente a partir de uma silhueta. Esta silhueta é desenhada em software de CAD em 2D. Dependendo do projeto, no final recorre-se ao CAD em 2D para finalização de detalhamento ou mesmo para a geração de todos os desenhos técnicos do projeto.

A análise estrutural por elementos finitos também é realizada com auxílio do computador, trabalhando na maioria dos projetos com elementos de treliça que admitem somente tração ou compressão. O programa para isso segue alguns padrões, contudo cada estrutura possui seu próprio programa.

A análise estrutural gera várias matrizes com os resultados das simulações. Essas matrizes são manipuladas numa planilha de cálculo para elaboração da memória de cálculo. Nas planilhas os resultados são organizados de forma a destacar as tensões e deformações nos elementos e apoios. Esses e outros valores especificados por norma ou pelo cliente são critérios para o dimensionamento de cada componente ou conjunto de componentes da estrutura.

Possuindo as dimensões de cada elemento, eles são então criados em espaço virtual 3D ou 2D, dependendo da necessidade. Quando criados em ambiente 3D, tendo os elementos unidos em montagem, eles podem ser finalmente detalhados em desenho técnico tanto em conjunto quanto separadamente.

Em serviços de laudos ou projetos de reforço a sequência das atividades sofre algumas alterações, seguindo basicamente o mesmo padrão de um projeto.

Para fins educativos todas essas atividades poderão ser realizadas durante o estágio. Aquelas que foram realizadas no período que compreende este documento estão aqui registradas.

Introdução
No final de 2008 foi firmada com a Industrial Page de Araranguá/SC um projeto para construção de torres de telecomunicação, um produto ainda novo para o cliente. Assim, quando iniciei o estágio na Sigma o projeto já estava no processo de geração de peças e montagem, estando completas as partes de análise estrutural e memorial de cálculo das estruturas.

O projeto consiste de uma torre autoportante modular de 60 m de altura, base triangular, parte com seção piramidal, parte com seção reta. Outras torres menores já estavam previstas, seguindo o mesmo projeto através da exclusão dos módulos mais inferiores. Durante o período foi finalizado o processo de montagem e detalhamento da torre de 60 m.



Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos. (LEI Nº 11.788, DE  25 DE SETEMBRO DE 2008)

 

Proposta de trabalho e estado da arte sobre o assunto


As estruturas em aço permitem suportar grandes esforços, apesar da área relativamente pequena de suas seções e sua grande densidade (7850 kg/m³). Elas também oferecem grande margem de segurança de trabalho devido ao fato do material ser único e homogêneo, com limite de escoamento, ruptura e módulo de elasticidade bem definidos. Elas apresentam também vantagens pela possibilidade de fabricação em série, facilidade na desmontagem e substituição de elementos para reforço ou substituição e reaproveitamento do material que não seja mais necessário a construção. Como desvantagem pode ser mencionada a suscetibilidade dos elementos à corrosão, especialmente quando exposto ao tempo em regiões marinhas ou industriais agressivas, requerendo uma camada de tinta e/ou outro tipo de proteção.

As ligações entre os componentes da estrutura são parafusadas ou soldadas. As ligações parafusadas são empregadas em grande escala nas ligações de partes das estruturas nas montagens finais de campo e nas de fábrica, substituindo, com vantagens, as ligações rebitadas. As ligações parafusadas são superiores às soldadas por sua rapidez nas ligações em campo, pela economia no consumo de energia, por poder ser empregada em locais onde há pouca energia disponível, por empregar pessoas menos qualificadas e pelas ligações responderem melhor às tensões de fadiga; e são inferiores pela necessidade de verificação de áreas líquidas e esmagamento de peças, pela necessidade de previsão da quantidade de parafusos na obra e pela eventual necessidade de pré-montagem para casamento perfeito dos furos. Esta última prática, apesar de não-obrigatória, permite corrigir defeitos em peças durante a montagem do conjunto antes do transporte dos componentes até o local.

As ligações parafusadas nos projetos são do tipo esmagamento, sendo a carga de cisalhamento suportada pela haste do parafuso. O parafuso se apoia então sobre os lados do furo das conexões. Nessas condições é necessária a verificação além da resistência do parafuso, a verificação da resistência ao esmagamento das chapas que compõem a ligação. Para garantir a resistência ao esmagamento a chapa deve ter seus furos espaçados entre si e da borda de uma distância mínima, especificada pela norma Guide for Design of Steel Transmission Towers da ASCE (American Society of Civil Engineers).
Esforços na estrutura devido ao vento
A ação do vento nas estruturas metálicas é uma das mais importantes a considerar, não podendo ser negligenciada sob o risco de colocar a estrutura em colapso.

As considerações para avaliação das forças devido ao vento, para efeito de cálculo em edifícios, são regidas pela norma brasileira NBR 6123/88 “Forças devidas ao vento nas edificações”. Os parâmetros que dirigem as forças devidas ao vento em torres reticuladas de seção triangular equilátera segundo esta norma são:

Pressão dinâmica: depende da velocidade característica do vento, que varia de acordo com a velocidade básica do vento, fator topográfico, altura sobre o terreno e fator estatístico.

Coeficiente de arrasto: a força global do vento sobre uma estrutura ou parte dela é determinada pela soma vetorial das forças do vento que aí atuam. A força global é obtida pelo produto do coeficiente de arrasto, pressão dinâmica e área frontal efetiva.

Índice de área exposta: área frontal efetiva do reticulado dividida pela área frontal da superfície limitada pelo contorno do reticulado.

Para os tubos por onde passam os cabos das antenas as forças devidas ao vento podem ser estimadas pelo produto do coeficiente de arrasto para este perfil, pressão dinâmica, diâmetro e comprimento do tubo. Deve-se lembrar que o coeficiente de arrasto não permanece constante com o aumento da cota.

Ainda é preciso considerar as forças nas antenas, plataformas de trabalho e suportes. Os dados para este cálculo geralmente são fornecidos pelos fabricantes de antenas, mas é comum atribuir valores quando se deseja projetar uma nova torre com determinada capacidade de instalação. A escada, esteira e guarda-corpos que passam pela estrutura podem ser estimados e incluídos nos cálculos ou serem considerados dentro do coeficiente de segurança.


Figura 01 - Coeficiente de arrasto, Ca, para torres reticuladas de seção quadrada e triangular eqüilátera, formadas por barras prismáticas de cantos vivos ou levemente arredondadas. (NBR 6123/88)


Cronograma





05/02-11/02

12/02-18/02

19/02-25/02

26/02-05/03

TTA - Pagé

-geração de peças;

-montagem de peças.



-geração de peças;

-montagem de peças.



-geração de peças;

-montagem de peças;

-detalhamento de montagem e peças.


-geração de peças;

-montagem de peças;

-detalhamento de montagem e peças.








06/03-12/03

13/03-19/03

20/03-26/03

27/03-03/04

TTA - Pagé

-geração de peças;

-montagem de peças;

-detalhamento de montagem e peças.


-detalhamento de montagens e peças;

-elaboração de lista de materiais.



-detalhamento de montagens e peças;

-elaboração de lista de materiais.



-detalhamento de montagens e peças;

-elaboração de lista de materiais.


Metodologia


As atividades desenvolvidas no período foram de desenvolvimento de projetos. Os projetos seguem em geral uma mesma metodologia que pode ser dividida em:

Aquisição de requisitos de projeto;

Concepção da silhueta da estrutura;

Simulação para análise estrutural por elementos finitos e/ou modelos analíticos;

Dimensionamento dos perfis e uniões parafusadas dos elementos estruturais;

Dimensionamento da ancoragem à fundação;

Geração de peças e montagens;

Detalhamento de peças e montagens;

Elaboração de listas de materiais;

Reunião e envio de documentos.


Obs.: Entre as etapas de projetos há também a de dimensionamento da fundação, todavia a omitiremos por não fazer parte do estudo da engenharia mecânica.
Depois de enviado o projeto para o cliente, este passa por um processo de avaliação. Caso haja necessidade de correção ele pode ser revisado. O processo de revisão deve estar bem claro para ambas as partes, sendo cada revisão devidamente registrada para o controle de documentos.
Trabalho propriamente realizado
TTA – Industrial Pagé
O desenvolvimento de projeto de torres de telecomunicação para a Insdustrial Pagé veio pela oportunidade que esta empresa viu em fornecer um novo produto em sua linha de fabricação para o mercado da área de telecomunicações.

Na ocasião a memória de cálculo já estava concluída, porém o entendimento do desenvolvimento do projeto serviria como ferramenta de aprendizado para futuras análises para elaboração de memória de cálculo.

O projeto de uma nova torre segue os seguintes passos:

Altura da torre;

Capacidade de instalação;

Características das forças devido ao vento na estrutura;

Materiais utilizados;

Norma utilizada para critério de falha da estrutura;

Hipóteses de carregamento;

Deflexão Admissível;

Limitações.
Altura da torre

A altura da torre é escolhida pelo cliente de acordo com as características e necessidades do local onde a torre será instalada. O projeto TTA – Pagé tratará de uma torre de 60 m de altura. A torre do projeto é uma torre autoportante, mas em alguns casos, uma torre estaiada pode ser mais recomendável.


Capacidade de instalação

Ao critério do cliente a torre deve suportar um carregamento mínimo pela instalação de antena(s), suporte(s) e plataforma(s) em sua estrutura. Geralmente este carregamento é especificado por uma área de antena/suporte/plataforma e sua respectiva cota. Estes dados são usados no cálculo das forças devidas ao vento na estrutura.


Características das forças devidas ao vento na estrutura

Conforme norma NBR 6123 temos:

Velocidade básica do vento = 45 m/s

Fator Topográfico (S1) = 1.1;

Altura sobre o terreno (S2) – variável conforme altura da estrutura em análise;

Fator estatístico (S3) = 1.1 "Centrais de comunicações ou estação de cobertura";

Para as antenas e plataformas segue a planilha de cálculo:

Figura 02 – Tabelas de carregamentos devido ao vento nas antenas e suportes. (Sigma)


A cota representa a altura do componente até a base da torre, S2 é o fator de altura sobre o terreno que depende da cota e de variáveis da norma, Vk é a velocidade característica do vento que depende de fatores da norma, q é a pressão dinâmica do vento que depende da velocidade característica, Área de antena é a área equivalente da antena sobre a qual atua o vento, CA é o coeficiente de arrasto é fornecido pelo fabricante ou aproximado por comparação, Área corrigida é a correção da Área de antena pelo produto desta pelo CA, Força é o carregamento sobre o componente e F/3 é a decomposição da força para aplicação em cada um dos montantes na altura do componente.

Para os elementos da estrutura segue a planilha de cálculo:



Figura 03 – Tabela de carregamento devido ao vento na estrutura. (Sigma)

Cota representa a altura até onde vai o módulo, Mod representa o módulo da estrutura analisada, Ae é a área efetiva da estrutura que é a área da projeção ortogonal das barras de uma das faces da torre reticulada sobre um plano paralelo a esta face e Af é a área frontal do reticulado limitada pelo contorno do reticulado. A área corrigida de cabos é admitida como a área da projeção dos cabos ao longo da altura da estrutura, desconsiderando os cabos que ficam sombreados por outros cabos.

As áreas Ae e Af são calculadas também numa planilha de cálculo, aproveitando os resultados para a tabela de carregamentos devido ao vento na estrutura. Parte da tabela utilizada para a contagem das áreas é mostrada a seguir com as variáveis de seus resultados.



Figura 04 – Tabela parcial de área dos módulos da estrutura.(Sigma)


A coluna Mod divide os componentes por módulo de 1 a 12, N determina se o montante é duplo ou simples, b é o comprimento da aba da cantoneira, t é a espessura da cantoneira, L é o comprimento do montante, Área é a área total do montante considerando a parcela do montante na área Ae da tabela da figura 03. Outras tabelas equivalentes são usadas para avaliar a área das diagonais e horizontais para no final gerar os somatórios encontradas nas duas ultimas colunas. Total e Área Frontal representam os valores de Ae e Af respectivamente da tabela da figura 03.
Materiais utilizados

As propriedades dos materiais determinam a capacidade dos elementos estruturais suportarem os esforços que sobre eles atuam. É importante que atendam às necessidades econômicas e estruturais, ou seja, devem estar disponíveis no mercado a um custo acessível e serem fabricados com as propriedades de sua especificação.

Neste projeto foi usado o aço ASTM A-572 Grau 50 para montantes e aletas dos chumbadores; ASTM A-36 para diagonais, horizontais, redundantes, chumbadores e placas de base; ASTM A-325X para parafusos, ASTM A-563 para porcas, F-436 para arruelas e aço mola para pall nuts. Nos projetos estruturais há cantoneiras tanto em aço ASTM A-572 quanto em ASTM A-36, podendo os dois ser usados indistintamente desde que respeitados os critérios de falha. O aço ASTM A-572 possui resistência mecânica cerca de 40% superior ao ASTM A-36, segundo fabricante. Com maior resistência mecânica é de se esperar que também seja mais frágil em relação ao ASTM A-36. Há algum tempo o custo do ASTM A-36 costumava compensar sua menor resistência, porém hoje ambos têm quase o mesmo preço por quilo, o que favorece projetos com menor peso da estrutura e menor carregamento sobre a fundação. Entretanto o uso de dois materiais no chão de fábrica requer maior cuidado com a produção, sendo desaconselhável para algumas instalações fabris.
Norma utilizada para critério de falha da estrutura

Para o dimensionamento das barras e ligações da torre é usada a norma Guide for Design of Steel Transmission Towers da ASCE (American Society of Civil Engineers). Através dela dimensionamos os elementos para seus carregamentos mais críticos, usando o modelo de treliça. Assim ficam restritos à análise os carregamentos de tração e compressão para as barras.

A planilha de cálculo usada nesta parte é tanto alimentada com os dados do calculista ao alterar os perfis dos elementos ou seus parafusos, quanto com os dados processados pelo programa de análise estrutural por elementos finitos. Uma das tabelas é mostrada a seguir para exemplificar a sua utilização.

Figura 05 – Tabela de dimensionamento de montantes. (Sigma)


Barra está relacionada ao número do componente no desenho da silhueta da estrutura, n indica de o elemento é duplo (2) ou simples (1), b indica o comprimento da aba da cantoneira de abas iguais, t indica a espessura da aba, R é o raio de giração, L o comprimento de flambagem, T o tipo de aço – se ASTM A-572 (H) ou ASTM A-36 (S), Comp. indica a maior tensão de compressão alcançada pelo elemento, Hip. significa em qual hipótese de carregamento aconteceu a maior compressão, Tração e Hip. são equivalentes à Comp. e Hip, λ é o índice de esbeltez, λeff é o índice e esbeltez efetivo, fa é a tensão de cálculo de compressão, Fa é a tensão crítica de flambagem, ft é a tensão de cálculo de tração, Ft é a tensão admissível de tração. Em parafusos, n é a quantidade de parafusos do elemento na união, Ø é o diâmetro desses parafusos, T é o tipo de cisalhamento duplo (D) e simples (S), Cisalh. é a tensão de cálculo de cisalhamento do parafuso e Esmag. é a tensão de compressão de cálculo entre o parafuso e a chapa de ligação.

Em todas as tabelas as células verdes são de campos para edição do calculista. Algumas células são editadas diretamente na planilha, outras são editadas na planilha de Área, a mesma usada para se avaliar as forças devidas ao vento na estrutura. A coluna de Cargas é alimentada pela matriz N com os resultados das tensões da análise computacional da estrutura por elementos finitos.

Para o dimensionamento dos montantes, diagonais e horizontais segue o seguinte procedimento até que todas as condições dos componentes sejam satisfeitas e posteriormente para todas as condições das ligações também estejam satisfeitas.


  1. Define os parâmetros do vento;

  2. Fixa o carregamento devido ao vento nas antenas e suportes;

  3. Seleciona os perfis dos componentes da torre;

  4. Carrega o software com o carregamento devido ao vento na estrutura (variável) e suportes (fixo);

  5. Gera tabela N com os valores de tensão de cálculo de compressão e tração dos elementos;

  6. Carrega a planilha com os valores da tabela N;

  7. Aumenta as dimensões dos perfis sobrecarregados;

  8. Continua do passo 4 até que todos os componentes atendam aos critérios da norma. Depois ajusta as ligações para as tensões nos componentes.

É importante considerar que o comprimento da aba das cantoneiras deve permitir a disposição da quantidade de parafusos na ligação. Dependendo do carregamento e da estrutura, a ligação ou o perfil será o mais crítico no dimensionamento. Quando é feito um ensaio destrutivo em estação de teste de torres o projetista pode considerar as ligações e perfis até seu completo carregamento, porém quando isso não acontece não é seguro que se atinjam os limites de resistência para as ligações e perfis, mesmo sabendo que as condições de projeto dificilmente serão alcançadas em operação.

Ainda ficam por dimensionar a fundação, a placa base e os chumbadores. O projeto de fundação não compreende este relatório, porém os valores das reações nas bases para as hipóteses de tração, compressão e vento na face sem majoração de carga são fornecidos pelo software de análise por elementos finitos. Estes dados compõem o memorial de cálculo e servirão para o projeto da fundação.



Figura 06 – Tabela de dimensionamento do chumbador. (Sigma)


O chumbador é dimensionado pela tabela acima. N é a quantidade de chumbadores, Ø é o diâmetro do chumbador, n fil. é a quantidade de filetes por polegada que tem a rosca do chumbador, As é a área efetiva de um chumbador, Tração é o carregamento de tração que um chumbador deve suportar, Hmáx. é o esforço máximo horizontal que um chumbador deve suportar, ft é a tensão de cálculo de tração, fv é a tensão de cálculo de cisalhamento, As mín. é área efetiva mínima que um chumbador deve possuir para suportar o carregamento, C.S. é o coeficiente de segurança do chumbador.

A placa base considera para o dimensionamento os efeitos no concreto e na própria placa. A tabela abaixo é utilizada para o cálculo de dimensionamento da placa base. Lplaca é o comprimento da placa, Lconc é o comprimento da base de concreto sobre onde a placa se encontra, Lresist é o comprimento resistente da placa, D é a distância entre as linhas de chumbadores, Fy é a tensão de escoamento do material, fck é a resistência do concreto aos 28 dias, A1 é a área da placa de base, A2 é a área do concreto, σcadm é a tensão admissível do concreto, σc é a tensão atuante no concreto, σpadm é a tensão admissível na placa de base, σp é a tensão atuante na placa de base, Mt é o momento na placa de base, emin é a espessura mínima calculada e eadot é a espessura adotada.



Figura 07 – Tabela de dimensionamento da placa de base. (Sigma)


Hipóteses de carregamento

Exceto para máxima tração (-90°), para o projeto foram considerados dois tipo de carregamentos: um com vento a 90° e outro a 180°. Em todos os casos o coeficiente de segurança para a ação do vento foi de 1.4 e o coeficiente de segurança para peso próprio foi de 1.25 para compressão e 0.9 para tração. Para deflexão admissível foi admitido vento operacional (0,55Vk) e peso próprio da estrutura com coeficiente unitário.


Deflexão Admissível;

A deflexão máxima admissível é considerada na condição de vento operacional (0,55Vk) e calculada como:




Limitações

No projeto o índice de esbeltez foi limitado para alguns elementos. Esta limitação contribui para que as barras não flambem quando se apoiar sobre elas alguém que esteja subindo a torre. Por isso também que toda barra deve suportar um esforço de 100kgf no seu centro, simulando um homem subindo a estrutura.

As barras redundantes não têm função estrutural, mas conferem estabilidade à estrutura. Elas, pelo projeto deve resistir 2,5% da carga referente a peça que está sendo travada. No projeto o menor perfil de barra redundante é L 38x3.2, mas algumas empresas não aceitam barras com comprimento de aba menor do que 44 mm.
Desenhos

Os desenhos foram feitos depois de montadas as peças em ambiente virtual 3d. As peças foram geradas individualmente e seu comprimento foi ligado à dimensão da respectiva linha da silhueta da estrutura. Cada peça possui suas propriedades para serem carregadas na lista de materiais do desenho. Essas propriedades eram: peso, material, dimensões, conjunto, máquina, revisão, revisor, código, denominação, data da revisão e peso bruto.

Cada módulo possuía a sua silhueta chamada de grid. O grid possuía as dimensões entre os furos das peças e outras referências de posicionamento para facilitar a montagem das peças. Para facilitar a montagem cada módulo possui sua montagem e uma montagem possui todas as montagens de módulos montadas juntas.

Parte de um desenho está em anexo para exemplificar o trabalho de detalhamento.

Discussões e conclusões
Ao final deste relatório ficou evidente que o projeto de uma nova torre pode satisfazer a várias demandas de instalação. Uma vantagem do projeto pode ser sua divisão modular. Esta divisão permite que torres menores sejam obtidas pela simples exclusão de módulos inferiores de uma torre maior. Claro que esta modificação mudará o projeto dos chumbadores e placas de base, que devem ser novamente dimensionados.

Este benefício pode diminuir o trabalho com o projeto, mas perde na parte da otimização da estrutura. Aliás, para otimização da estrutura muito ainda deveria ser feito, já que várias configurações teriam que ser comparadas para que a melhor pudesse ser demonstrada.

As peças foram todas geradas com um número do sistema de controle de documentos, o que ajudou a não misturar o banco de arquivos de peças das montagens, mas tornou o reconhecimento de cada peça muito difícil pela sua numeração.

As peças com dimensões equacionadas no desenho do grid são automaticamente alteradas pela sua alteração no grid. Isso facilita a montagem das peças em ambiente virtual 3D e proporcionou ótimos resultados na prémontagem, que não apresentou problemas nas ligações com parafusos.

A opção de marcar as peças com siglas não foi usada pelo cliente no princípio por se tratar de um produto novo e diferente para a Pagé. Esta prática auxilia na localização de cada peça durante todo o processo de fabricação e montagem. Para economia de energia é prática fazer a sigla com a menor quantidade possível de caractere para se fazer a diferenciação de todas as peças.

O projeto foi realizado com sucesso e atualmente vem sendo executado e avaliado em operação.


Referências
BELLEI, Ildony Hélio. Edifícios industriais em aço, 2ª ed. São Paulo: Pini, 1998.

AÇOMINAS. Elementos estruturais e ligações. Belo Horizonte : Minas, 1980.

NBR 6123, Forças devidas ao vento em edificações. 1988

NBR 6109, Cantoneiras de abas iguais, de aço, laminadas – Dimensões e tolerâncias.

ASCE, Guide for Design of Steel Transmission Towers, ASCE (American Society of Civil Engineers)

AISC, Specification for the Design, Fabrication, and Erection of Steel Safety-Related Structures for Nuclear Facilities

http://www.confea.org.br

http://www.indpage.com.br



http://www.belgo.com.br/
Anexos


Anexo 01 – Desenho do módulo 04 da torre TTA. Ligação do montante com quatro furos. Diagonais com dois furos e comprimento de flambagem igual à metade do comprimento da diagonal. RA representa recorte de aba nas dimensões descritas. Furos no centro da aba quando não indicado. Dimensões indicadas nas diagonais sendo dimensões entre furos.(Sigma)









Anexo 02 – Critérios de falha para dimensionamento dos elementos. (Sigma)

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