Universidade federal do estado do rio de janeiro



Baixar 262.62 Kb.
Página1/3
Encontro25.05.2018
Tamanho262.62 Kb.
  1   2   3


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE

ESCOLA DE ENFERMAGEM ALFREDO PINTO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO – MESTRADO EM ENFERMAGEM




ACADEMIA BRASILEIRA DE ESPECIALISTAS

EM ENFERMAGEM - ABESE:

A CONSTRUÇÃO DE UM ESPAÇO DE PODER

(2000 – 2001)

por


Flávia de Araújo Carreiro
Relatório final de Dissertação apresentado ao

Programa de Pós-graduação da

Escola de Enfermagem Alfredo Pinto/UNIRIO.
Orientadora: Profª. Drª. Almerinda Moreira

Rio de Janeiro


2006

ACADEMIA BRASILEIRA DE ESPECIALISTAS

EM ENFERMAGEM - ABESE:

A CONSTRUÇÃO DE UM ESPAÇO DE PODER

(2000 – 2001)

por


Flávia de Araújo Carreiro

Banca examinadora de Defesa de Dissertação aprovada em 11/10/2006.

________________________________________

Profª. Drª. Almerinda Moreira

Presidente
________________________________________

Profª. Drª. Lúcia Helena Silva Correia Lourenço

1º Examinador
________________________________________

Prof. Dr. Osnir Claudiano da Silva Júnior

2º Examinador
_______________________________________

Prof. Dr. Nilson Alves de Moraes

Suplente
_______________________________________

Prof. Dr. Wellington Mendonça de Amorim

2º Suplente

Rio de Janeiro

2006

AGRADECIMENTOS

Ao Criador e Arquiteto do Universo, pelo dom da Vida e a possibilidade de vivê-la em sua plenitude;


A minha família, por ter me dado às oportunidades de construir a pessoa que sou;
A Drª. Almerinda Moreira, por ter apostado em mim, e, em minha visão de mundo, estar sendo uma ORIENTADORA no seu sentido mais concreto, de simplesmente guiar, informar e esclarecer, deixando que aprenda e apreenda o que é ser mestranda em História da Enfermagem;
A Enfermeira Maria Helena Garcia Alvernaz, por “abrir mão” de meu trabalho na rotina do serviço, e assim permitir que me matriculasse no Mestrado;
Aos meus colegas de turma, por cada palavra de estímulo a cada pedregulho que se colocava no meu caminho;
Aos pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Histórica em Enfermagem – LAPHE, pelas diferentes maneiras de ajudarem a construir a minha visão de mundo sobre a História da Enfermagem, e assim, escrever meu estudo.

“Quanto mais se produz especialidades,

menos se consegue interconectá-las.”

(Basarab Nicolescu)

“Compreender a gênese social de um campo, e apreender aquilo que faz a necessidade específica que o sustenta, do jogo de linguagem que nele se joga, das coisas materiais e simbólicas em jogo que nele se geram, é explicar, tornar necessário, subtrair ao absurdo do arbitrário e do não-motivado os atos dos produtores e as obras por eles produzidas e não, como geralmente se julga, reduzir ou destruir.”

(Pierre Bourdieu)


Carreiro, Flávia de Araújo. ACADEMIA BRASILEIRA DE ESPECIALISTAS EM ENFERMAGEM - ABESE: A CONSTRUÇÃO DE UM ESPAÇO DE PODER (2000 – 2001). 2006. 64p. Dissertação [Mest. Enf.].

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.

RESUMO

O objeto deste estudo é o processo de criação da Academia Brasileira de Especialistas em Enfermagem – ABESE, fundada em 2000, na cidade de São Paulo, que, em minha visão, tem no seu processo de geração, organização e implementação, a concretude de um processo de especialização ocorrido nas Ciências Médicas, e refletido na Enfermagem. Identificar as circunstâncias de criação da ABESE, e examinar seu(s) significado(s), além de discutir as perspectivas futuras dentro do processo de profissionalização da Enfermagem, foram os objetivos do estudo. Teve como fundamentação teórica, a multireferencialidade, e como metodologia, a pesquisa histórica. Os conceitos de Pierre Bourdieu sobre habitus, capital e poder simbólico somado ao pensamento de Michel Foucault sobre o valor do discurso, foram selecionados e aplicados ao estudo. Conclui que o processo de especialização pelo qual a enfermagem passou, aponta para uma reatualização do habitus do enfermeiro, o qual estará baseado em uma prática dominada pela tecnologia. Ao estudá-lo, observei que a Enfermagem, representada pela ABESE, ensaia os primeiros passos para conseguir o mesmo resultado que as Ciências Médicas obtiveram no que se refere as conseqüências positivas sobre o reconhecimento social e critério de competência. Representante forte de um paradigma político-econômico vigente, o estado de São Paulo impulsiona mudanças na prática profissional, e sendo assim, a ABESE, enquanto forma de organização política, é uma estratégia de afirmação e legitimação de um grupo que busca produzir valor social fora dos modelos tradicionais de legitimação, centrados na academia. A partir de ações concretas da ABESE, contestei a trajetória do movimento de valorização da Enfermagem especializada, nascido, não por acaso, neste estado. A reflexão sobre as trajetórias das sociedades de especialistas, indicou que acima das cisões ou acordos havidos na história da Enfermagem, o mais importante é o próximo passo a ser dado, para maiores e melhores conquistas. A História da Enfermagem é feita de pioneiras e pioneiros.

Palavras-chave: Enfermagem especializada. Espaço de poder. Pioneirismo.
Carreiro, Flávia de Araújo. BRAZILIAN ACADEMY OF SPECIALISTS IN NURSING - ABESE: THE CONSTRUCTION OF A SPACE OF BEING ABLE (2000 – 2001). 2006. 64p. Dissertação [Mest. Enf.].

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.




ABSTRACT

The object of this study is the process of creation of the Brazilian Academy of Specialists in Nursing - ABESE, established in 2000, in the city of São Paulo, that, in my vision, has in its process of generation, organization and implementation, the realization of a process of specialization occurred in Medical Sciences, and reflected in the Nursing. To identify the circumstances of creation of the ABESE, and to examine its (s) meaning (s), beyond inside arguing the future perspectives of the Nursing’s process of to be professional, had been the objectives of the study. It had as theoretical recital, the multiple references, and as methodology, the historical research. The concepts of Pierre Bourdieu on habitus, capital and symbolic power added to the thought of Michel Foucault on the value of the speech, had been selected and applied to the study. It concludes that the specialization process for which the nursing passed, it points with respect to a update of habitus of the nurse, which will be based on one practical one dominated for the technology. When studying it, I observed that the Nursing, represented for the ABESE, assays the first steps to obtain the same resulted that Medical Sciences had gotten in what it mentions to the positive consequences on the social recognition and criterion of ability. Strong representative of an effective politician-economic paradigm, the state of São Paulo stimulates changes in the practical professional, and being thus, the ABESE, while organization form politics is an affirmation strategy and legitimation of a group that it searches to produce value social is of the traditional models of legitimation, centered in the academy. From concrete actions of the ABESE, I contested the trajectory of the movement of valuation of the specialized Nursing, been born, not by chance, in this state. The reflection on the trajectories of the societies of specialists, indicated that above of the splits or agreements had in the history of the Nursing, most important it is the next step to be given, for greatest and better conquests. The History of the Nursing is made of pioneering pioneers and.

Key-words: Specialized nursing. Space of being able. To be pioneer.

Carreiro, Flávia de Araújo. ACADEMIA BRASILEÑA DE ESPECIALISTAS EN EL OFICIO DE ENFERMERA - ABESE: LA CONSTRUCCIÓN DE UN ESPACIO DE PODER (2000 – 2001). 2006. 64p. Dissertação [Mest. Enf.].

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.


RESUMEN

El objeto de este estudio es el proceso de creación de la Academia Brasileña de Especialistas en Enfermería - ABESE, fundada en 2000, en la ciudad de São Paulo, que, en mi visión, ha en su proceso de generación, organización e realización, la formalización de un proceso de especialización ocurrido en las Ciencias Médicas, y reflejado en la Enfermería. Identificar las circunstancias de creación de la ABESE, y examinar suyo(s) significado(s), además de discutir las perspectivas futuras dentro del proceso de profesionalización de la Enfermería, fueron los objetivos del estudio. Tuvo como fundamento teórico, las referencias diversas, y como camino metodológico, la investigación histórica. Los conceptos de Pierre Bourdieu sobre habitus, capital y poder simbólico sumado al pensamiento de Michel Foucault sobre el valor del discurso, fueron seleccionados y aplicados al estudio. Concluye que el proceso de especialización por el cual la enfermería pasó, apunta para una reactualización del habitus del enfermero, el cual estará basado en una práctica dominada por la tecnología. Al estudiarlo, observé que la Enfermería, representada por la ABESE, ensaya los primeros pasos para conseguir el mismo resultado que las Ciencias Médicas obtuvieron en el que se refiere las consecuencias positivas sobre el reconocimiento social y criterio de calificación. Representante fuerte de un paradigma político-económico vigente, el estado de São Paulo impulsa cambios en la práctica profesional, y siendo así, la ABESE, mientras forma de organización política, es una estrategia de afirmación y hacerse legal de un grupo que busca producir valor social fuera de los modelos tradicionales de hacerse legal, centrados en la academia. A partir de acciones concretas de la ABESE, contesté la trayectoria del movimiento de valoración de la Enfermería especializada, nacido, no por casualidad, en este estado. La reflexión sobre las trayectorias de las sociedades de especialistas, indicó que por encima de las rupturas o acuerdos habidos en la historia de la Enfermería, el más importante es el próximo paso a ser dado, para mayores y mejores conquistas. La Historia de la Enfermería es hecha de pioneras y pioneros.

Palabras-claves: Enfermería especializada. Espacio de poder. Pioneirismo
Carreiro, Flávia de Araújo. ACADÉMIE BRÉSILIENNE DE SPÉCIALISTES DANS MÉTIER D'INFIRMIER - ABESE : LA CONSTRUCTION D'UN ESPACE DE POUVOIR (2000 – 2001). 2006. 64p. Dissertação [Mest. Enf.].

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.




RESUMÉ

L'objet de cette étude est le processus de la création de l'académie brésilienne des spécialistes dans les soins - ABESE, établie en 2000, dans la ville de São Paulo, qui, dans ma vision, a dans son processus de génération, d'organisation et d'exécution, la action de concréter un processus de spécialisation s'est produit en sciences médicales, et reflété dans les soins. Pour identifier les circonstances de la création de l'ABESE, et pour examiner sa (s) signification (s), là-bas l'intérieur discutant les futures perspectives du processus de la professionnalisation des soins, avait été les objectifs de l'étude. Il a eu en tant que considérant théorique, les références multiples, et comme méthodologie, la recherche historique. Les concepts de Pierre Bourdieu sur la puissance de habitus, capitale et pouvoir symbolique se sont ajoutés à la pensée de Michel Foucault sur la valeur du discours, avaient été choisis et appliqués à l'étude. Je conclus que le processus de spécialisation pour lequel les soins ont passé, il se dirige en ce qui concerne un reactualisation du habitus de l'infirmière, qui sera basée sur une une pratique dominée pour la technologie. En l'étudiant, j'ai observé que les soins, représentés pour l'ABESE, analysent les premières étapes pour obtenir mêmes ont résulté que les sciences médicales avaient obtenu dans ce qu'il mentionne aux conséquences positives sur l'identification et le critère sociaux de la capacité. Le représentant fort d'un paradigme politicien-économique efficace, l'état de São Paulo stimule des changements du professionnel pratique, et d'être de ce fait, l'ABESE, alors que la politique de forme d'organisation, est une stratégie d'affirmation et une légitimation d'un groupe qu'il des searchs pour produire la valeur sociale est des modèles traditionnels de la légitimation, centrés dans l'académie. Des actions concrètes de l'ABESE, j'ai contesté la trajectoire du mouvement de l'évaluation des soins spécialisés, été né, pas par hasard, dans cet état. La réflexion sur la trajectoire des sociétés des spécialistes, indiquées cela ci-dessus des fentes ou des accords a eu dans l'histoire des soins, la plus importante il est la prochaine étape à donner, pour des greaters et de meilleures conquêtes. L'histoire des soins est faite en frayer un chemin des pionniers et.

Mots-clés : Soins spécialisés. L'espace de pouvoir en mesure. Être pionnier.

LISTA DE QUADROS

Quadro I – Sociedades Fundadoras da ABESE.................................................... 23



SUMÁRIO

PÁGINA
1. INTRODUÇÃO 10
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA 15
3. CIRCUNSTÂNCIAS DE CRIAÇÃO DA ABESE 24

3.1 EVENTOS ANTERIORES E POSTERIORES A CRIAÇÃO DA ABESE 28


4. SURGINDO UM ESPAÇO DE PODER 34

4.1 SOCIEDADES DE ESPECIALISTAS FUNDADORAS DA ABESE 37

4.2 PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE UM ESPAÇO DE PODER 44
5. PERSPECTIVAS FUTURAS DA ABESE 48
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 53
REFERÊNCIAS 57

1 INTRODUÇÃO


É objeto deste estudo, o processo de criação da Academia Brasileira de Especialistas em Enfermagem – ABESE.

Fundada em 02 de outubro de 2000, na cidade de São Paulo, a Academia tem no seu processo de geração, organização e implementação, a concretude de um processo de especialização ocorrido nas Ciências Médicas, e em minha visão, marcadamente refletido na Enfermagem.

Fazendo uso das palavras de Saviani (1985) sobre nosso existir no mundo – uma existência que é agir, sentir e pensar, e que transcorre normalmente até algo interromper o seu curso, senti necessidade de descobrir o que é a ABESE – uma associação cujo objetivo é divulgar e valorizar as Especialidades em Enfermagem, visando criar e ocupar espaços (ABESE, 2000b).

Como e porque se constituiu uma associação que pretende definir as diretrizes da formação dos especialistas em enfermagem, seja em nível superior ou nível médio (ABESE, 2000a), foram inquietações e questionamentos despertados sobre o tema, além da(s) implicação(ões) deste fato sobre a profissionalização da Enfermagem brasileira.

Considerei motivo para estudo, a razão pela qual esta Academia foi inserida no sistema COFEN – Conselho Federal de Enfermagem / CORENs – Conselhos Regionais de Enfermagem, pois, as Resoluções COFEN 259 e 261, ambas do ano de 2001, fazem referência à sua criação, bem como, a exigência de sua chancela quando o enfermeiro obtém a titulação de especialista através de prova de título, naquelas especialidades privativas da Enfermagem, e estes pretendam registrá-lo no COFEN, através do Conselho Regional de sua jurisdição.

Até que houvesse a fundação e inserção da ABESE na legislação emitida pelo COFEN, o Conselho não havia se manifestado sobre o tema desta forma: exigindo a validação de um determinado título por uma associação formada pela livre iniciativa de enfermeiros, já representados em Sociedades de Especialistas.

Registre-se que a Associação Brasileira de Enfermagem – ABEN, nascida em 1926, como Associação Nacional de Enfermeiras Diplomadas, primeira entidade de classe da Enfermagem brasileira, realiza, com regularidade, provas para titulação de especialista a enfermeiros que cumprirem os critérios exigidos. Ao longo de sua história, a ABEN sempre atendeu a necessidade de oficialização de um saber, através das provas de titulação, entendido aqui como o reconhecimento de uma experiência adquirida no fazer diário das atividades de enfermagem.

Arone et al. (2001) citam que por ocasião do 51º Congresso Brasileiro de Enfermagem - CBEn, na cidade de Florianópolis, seguindo decisão votada no 32º Conselho Nacional de ABENs, as relações entre esta Associação e o sistema COFEN/CORENs foram interrompidas em razão da falta de esclarecimentos relativos às denúncias de improbidades administrativas feitas contra o COFEN, desde o 45º CBEn, em 1993, agravadas em 1997, além de práticas antidemocráticas instaladas no sistema COFEN/CORENs, segundo a mesma autora.

A saber, que a ABEN é associação de caráter cultural, científico e político, com personalidade jurídica de direito privado (ABEN, 2005), e congrega Enfermeiros(as), obstetrizes, técnicos(as) e auxiliares de enfermagem, além de estudantes de graduação e de educação profissional habilitação técnico de enfermagem que a ela se associam, individual e livremente, para fins não econômicos.

Tendo havido, o rompimento das relações entre o sistema COFEN/CORENs e a ABEN, este não interferiu no movimento de construção da Academia, nascido no seio da Enfermagem paulista, pois atualmente existem duas Sociedades de Especialistas que estão vinculadas a ABEN e a ABESE: SOBEST – Associação Brasileira de Estomatoterapia e a ABENTO – Associação Brasileira de Enfermeiros de Traumato-ortopedia.

Faço uso das palavras da Enf. Rita de Cássia Chamma, para descrever o momento da Enfermagem paulista, prévio a criação da ABESE, segundo a visão de mundo da própria. Esta foi Coordenadora da Câmara Técnica em Ética do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo – COREN-SP, durante o plenário de 1999 a 2002.

Pensando na Enfermagem como um componente com conhecimentos científicos e técnicos próprios, construído e reproduzido por um conjunto de práticas sociais, éticas e políticas que se processa pelo ensino, pesquisa e assistência e que realiza-se na prestação de serviços ao ser humano, no seu contexto e circunstância devida e tendo em vista as transformações sociais, culturais, científicas e legais que estão ocorrendo em nosso país é chegado o momento dos profissionais de enfermagem se posicionarem frente a essas questões, através do compromisso de participar, efetivamente, em discussões e divulgações dos princípios éticos que sustentam a profissão, normatizados no Código de Ética dos profissionais de Enfermagem (CHAMMA, 1999, p.5).


De 1999, ano anterior à fundação da ABESE, a reflexão supracitada integra o preâmbulo de um ementário lançado pelo Conselho paulista. Tal pensamento somado as aproximações entre o COREN-SP e as Sociedades de Especialistas ocorridas neste período, prenunciavam a ocorrência de novos e significativos passos no contínuo da História da Enfermagem.

Justifico como estudo na razão de tratar-se de fato recente da História da Enfermagem Brasileira com peculiaridades pouco exploradas, cuja proximidade ao momento do estudo “pode ser um instrumento de auxílio importante para um maior entendimento da realidade” (FERREIRA, 2004, p.98).

Justifico também, por oferecer análises e considerações para o processo de profissionalização da Enfermagem, e em particular do Enfermeiro, provocando o repensar se nossa trajetória profissional deve seguir tão proximamente a das Ciências Médicas, no que tange a fracionalização de um saber, entendido aqui como sinônimo de especialidades.

Sobre isso, Ruth Leifert1, enfermeira, atual presidente da ABESE, durante a abertura do 2º Encontro do COREN-SP e Sociedades de Especialistas em Enfermagem em 1999, referiu que

na essência, nossa profissão continua a mesma, mas na forma, ela mudou muito nessas últimas décadas. Precisamos romper com o comodismo, mostrar o caminho a seguir – o como, o quando, o onde e o porquê das especialidades, passa necessariamente pelos cursos de aprimoramento profissional (COREN-SP, jan./fev. 2000, p.1).
Compor o banco de dados do Laboratório de Pesquisa Histórica em Enfermagem – LAPHE, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/ UNIRIO, através de sua linha de pesquisa: O desenvolvimento da Enfermagem no Brasil, considero outra justificativa do estudo.

Com o fito de responder a esses questionamentos, foram traçados os seguintes objetivos para o estudo: identificar as circunstâncias de criação da ABESE; examinar o(s) significado(s) da criação da ABESE dentro do processo de profissionalização da Enfermagem; e, discutir as perspectivas futuras da ABESE ___________

¹ Ruth Miranda de Camargo Leifert é a atual presidente da Associação Nacional de Enfermagem do Trabalho - ANENT, do COREN-SP e da Academia Brasileira de Especialistas em Enfermagem – ABESE, como também, era presidente do Conselho Regional a época do 2 º Encontro. Paulista de Santos, é enfermeira formada pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo – USP, em 1973, e com habilitação em Saúde Pública. Em 1975, conclui a especialização em administração de saúde e hospitalar pela Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas, e em 1982, faz especialização em Enfermagem do Trabalho na Escola Paulista de Medicina, hoje Universidade Federal de São Paulo (LEIFERT, [2002?]).

dentro do processo de profissionalização da Enfermagem.

Registro que o estudo sobre as relações entre a ABESE e outras instâncias, instituições ou campos de reconhecimento e produção de sentidos, não constituíram objeto de investigação neste momento. Meu olhar volta-se para a ABESE, possuidora de uma lógica interna, uma hierarquia e uma lógica de recrutamento de seus pares. Ela é o objeto a ser investigado.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA

Partilho do pensamento de Vainfas (1997) sobre a combinação de abordagens distintas no estudo da história, onde este processo pode vir a ser o ideal, resguardadas suas diferenças, e mesmo a oposição de paradigmas. Desta forma, não me furtei à citação de diferentes referenciais teóricos os quais respaldassem as considerações feitas no estudo.

Fleury (1996) fala sobre o valor da multidisciplinaridade no levantamento e nas análises de dados, quando se pretende apreender o papel ocupado pelos padrões culturais, na conformação e no fundamento de organizações complexas. Considerei aplicável ao estudo, escolher a multireferencialidade como substrato de minha visão de mundo sobre o objeto.

Fiz uso de algumas noções operatórias do pensamento analítico-reflexivo de Pierre Bourdieu, sociólogo e filósofo francês, nascido em agosto de 1930 em Béarn, região rural do sudoeste da França, e falecido em janeiro de 2002, no mesmo país. Neto e filho de agricultores, chegou ao ápice da pirâmide cultural francesa, tornando-se o cientista social mais citado no mundo, além de pertencer a uma categoria de pensador que causa a sua volta uma mudança no modo de pensar, indagar e escrever (WACQUANT, 2002).

Identifiquei o conceito de habitus apropriado para designar o comportamento inerente ao enfermeiro. Surgiu em 1963, no livro Trabalho e trabalhadores na Argélia, todavia será discutido ao longo de toda a obra do sociólogo. Bourdieu (1996, p.144) o conceitua como “(...)um corpo socializado, um corpo estruturado, um corpo que incorporou as estruturas imanentes de um mundo ou de um setor em particular desse mundo, (...), e que estrutura tanto a percepção desse mundo como a ação nesse mundo”.

Considerei que o enfermeiro após adquirir um capital simbólico, fazendo-o enfermeiro especialista, e uma vez reunido aos demais pares nas sociedades científicas de sua especialidade, busca uma atualização desse habitus, através de novas posturas profissionais. Este capital simbólico deve ser entendido como “qualquer tipo de capital (econômico, cultural, escolar ou social) (...), produto da incorporação das estruturas objetivas do campo considerado. (...) Um capital com base cognitiva, apoiado sobre o conhecimento e o reconhecimento” (BOURDIEU, 1996, p. 149-150).

Sua especialização como um investimento, só se justifica se um mínimo de reversibilidade for objetivamente garantido (BOURDIEU, 1999), isto é, proporcionar algum tipo de retorno a pessoa que o faz. Deve oferecer um status, um poder – simbólico – que Bourdieu conceitua como um “poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito da mobilização” (BOURDIEU, 2005, p.14). Está diretamente relacionado ao conhecimento e domínio do uso de uma tecnologia, e fica valorizado um diploma que “é tanto mais precioso (caro) quanto mais raro é” (BOURDIEU, 1998, p.78-79).

Também me utilizei da aula inaugural de Michel Foucault no Collège de France, ao assumir a cátedra vacante pela morte de seu antecessor, editada no Brasil, como o livro A Ordem do Discurso, traduzido originalmente do francês. Neste discurso, identifiquei falas as quais deram base teórica ao pensamento de alguns dos atores sociais envolvidos no processo de criação da ABESE, pois “o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo por que, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos nos apoderar“ (FOUCAULT, 2005, p.10).

Como exemplo, cito Cesaretti e Dias (2002) que analisaram os fatores contribuintes a evolução da estomatoterapia como especialidade, entre eles, o surgimento e a existência de um órgão representativo dos enfermeiros estomatoterapeutas. No Brasil, referem-se a fundação da SOBEST como um marco na organização da classe de estomatoterapeutas, em prol do desenvolvimento, ampliação e projeção da especialidade.

Neste contexto, reflexão apropriada sobre a fundação da ABESE seria compreender que a reunião de sociedades de especialistas em torno do mesmo objetivo, potencializa o discurso de cada sociedade, na medida em que estas optam por dedicar-se a segmentos específicos do conhecimento científico. Muitas vezes, cada segmento se aproxima, ou mesmo se traduz, em dominar uma determinada tecnologia, como o grupo de enfermeiros que deu origem a Sociedade Brasileira de Enfermagem em Nefrologia – SOBEN. A tarefa de dialisar os pacientes renais havia passado às mãos dos enfermeiros os quais precisavam manipular corretamente as máquinas.

Sobre o caminho metodológico, destaco que o olhar sobre o objeto do estudo tem singularidades de acordo com a visão de mundo de seus pesquisadores. Considerei a particularidade de estar falando de fora do cenário e das circunstâncias que deram origem a criação da ABESE, na impressão de um olhar diferenciado de quaisquer outros que vierem a falar de dentro do cenário e/ou das circunstâncias.

Explico a opção pelo objeto de estudo de outro cenário, fazendo uso das palavras de Loiva Otero Félix (1998, p.81), porque “a história como ciência social, está ancorada no coletivo. Logo, o fato histórico é, antes de tudo, coletivo na medida em que a história não examina fatos individuais isolados, mas encadeamentos e relações de fatos”.

Para Rosa (2005), pesquisa histórica é “concebida como uma prática que busca as relações dos sujeitos no social. (...) Adquire vitalidade no movimento tanto de retrospecção, quanto de prospecção, e coloca o próprio historiador como sujeito dessa dinâmica histórica” (ROSA, 2005, p.1). Compreende que o historiador fala a partir do presente, pois ele é um sujeito do seu tempo (ROSA, 2005).

É também, produzir um conhecimento resultante de diferentes percepções do real, entendido a partir de um dado teórico, e a dimensão de pertencimento social, criado por laços afetivos que mantém a vida e o vivido, é a geradora de uma memória social (FÉLIX, 1998).

Colocar-me como sujeito do “meu” tempo foi referência nas análises e discussões, posto que ao compreender as questões de saúde e doença como processos históricos e sociais, a Enfermagem aproximou-se das Ciências Humanas (ALMEIDA E ROCHA, 1989).

Considerei a metodologia da pesquisa histórica, ideal para responder aos objetivos traçados, muita embora, o estudo da História Imediata não seja consenso entre os historiadores, estudiosos por Natureza dos fatos sociais.

Barros (2004) falando sobre o campo da História e possíveis abordagens, cita que uma delas é a História Imediata, que muito se assemelha ao jornalismo, pois quando um historiador se propõe a produzir um trabalho historiográfico, ele mesmo está inserido de alguma forma. O historiador não é apenas um analista do discurso dos outros, mas também um produtor do próprio testemunho. De certo modo, “o historiador da História Imediata é o único que produz história nos dois sentidos, enquanto material e enquanto campo de conhecimento” (BARROS, 2004, p.147).

Sendo assim, este relatório é produto do meu testemunho sobre fatos da História Imediata da Enfermagem Brasileira, e também será simultaneamente material e campo do conhecimento sobre o objeto por mim escolhido e desvelado, dado a escassez de fontes documentais, dificuldade significativa encontrada no transcorrer da coleta de dados.

Acredito no valor da pesquisa histórica como redescoberta de um passado, pois em tempos de informações instantâneas, internet e memória eletrônica, as gerações se sucedem e a ”falta de perspectiva histórica significa falta de sentido em todos os níveis: social, cultural e principalmente ético” (DÚRAN JÚNIOR, 2003, p.1), não se conseguindo entender a dimensão social e ética do próprio trabalho, seja no campo que for.

O recorte temporal do estudo iniciou-se com a fundação da ABESE em 02 de outubro de 2000, conforme a Ata da Assembléia Geral de Constituição da Academia. Findou com a Resolução COFEN 261 de 12 de julho de 2001, que fixa normas para registro de Enfermeiro, com pós-graduação, e em seu preâmbulo, considera a importância de normatizar o registro do Enfermeiro com título de pós-graduação dentro do Sistema COFEN/CORENs, além do artigo sexto, que exige a chancela da ABESE nos diplomas obtidos através de prova de título, nas especialidades privativas da Enfermagem.

Os locais de busca das fontes foram as bibliotecas do COFEN, da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ, da Faculdade de Enfermagem Luiza de Marillac/RJ, da Escola de Enfermagem Anna Nery/UFRJ e da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto/ UNIRIO, acrescido de vastíssima documentação eletrônica.

Para Le Goff (1996), a memória eletrônica se impõe pela grande estabilidade, facilidade de evocação, sendo um auxiliar que só age sob a ordem e o programa do homem. Registro que a facilidade de evocação proporcionou significativa agilidade na obtenção dos dados, entretanto, não dispensa rigorosos critérios de seleção na aplicabilidade destes ao objeto do estudo.

Évora (2004, p.1) afirma que “o alto nível de conectividade da internet apresenta oportunidades incomparáveis para o acesso e o compartilhamento da informação”, destacando a velocidade e confiabilidade das informações apresentadas. Refere que o acesso a bases de dados nacionais e internacionais, com busca on line em tempo real, como fator positivo no uso da internet em pesquisa em Enfermagem.

Com diversas sociedades de especialistas atualmente filiadas a ABESE, incluo no estudo, como relevantes no processo de criação da academia, a análise da documentação pertinente às doze sociedades fundadoras da ABESE, conforme a Ata da Assembléia Geral de Constituição da Academia (ABESE, 2000a), quais sejam:

ANENT - Associação Nacional de Enfermagem do Trabalho;


SBEO - Sociedade Brasileira de Enfermagem Oncológica;
SBEPSAM - Sociedade Brasileira de Enfermagem Psiquiátrica e Saúde Mental;
SBNPE - Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral;
SOBEAS - Sociedade Brasileira de Enfermeiros Auditores em Saúde;
SOBECC - Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização;
SOBEN - Sociedade Brasileira de Enfermagem em Nefrologia;
SOBENC - Sociedade Brasileira de Enfermagem Cardiovascular;
SOBENDE - Sociedade Brasileira de Enfermagem em Dermatologia;
SOBETI - Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Terapia Intensiva;
SOBRAGEN - Sociedade Brasileira de Gerenciamento em Enfermagem; e,
SOCESP - Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, na figura de seu departamento de Enfermagem.

Segundo o paradigma tradicional, a história deveria ser baseada em documentos, no entanto, Peter Burke (1992) cita que o movimento da “história vista de baixo” expôs as limitações desse tipo de documento. A “nova” história, descrita por ele como uma reação deliberada contra o “paradigma” tradicional, que se interessa pela atividade humana, embora não fosse excluída pelo paradigma tradicional, era marginalizada no sentido de ser considerada periférica aos interesses dos “verdadeiros” historiadores.

Para Burke (1992, p.13), “os registros oficiais em geral expressam o ponto de vista oficial. Para reconstruir as atitudes dos hereges e dos rebeldes, tais registros necessitam ser suplementados por outros tipos de fonte”.

Concordando com seu pensamento, foram utilizadas variadas fontes, e estas, comparadas entre si, utilizando-se a técnica de triangulação de fontes, citada em Alves-Mazzoti e Gewandsznajder (2001), a fim de dar maior confiabilidade aos dados e credibilidade aos resultados. Novos tipos de perguntas ao passado, novos objetos de pesquisa, novos tipos de fontes para suplementar os documentos oficiais, bem como, novas leituras de registros oficiais (BURKE, 1992), as quais procurei priorizar.

As fontes primárias utilizadas foram o estatuto, o regimento e a ata de fundação da ABESE; as publicações oficiais bimestrais do COREN-SP que se apresentam como revistas eletrônicas; além dos estatutos e/ou regimentos das sociedades fundadoras da ABESE, os quais consegui localizar, e a Resolução COFEN 261/2001.

Avaliei que as revistas são meios de comunicação formais escritos, e estes possibilitam o desvendar das relações entre categorias, grupos e áreas da organização (FLEURY, 1996).

Fontes secundárias: Legislação sobre Educação; literatura da história da Enfermagem; teses, dissertações e artigos de aproximação com o objeto do estudo, além das Resoluções COFEN 100/1988, 259/2001 e 290/2004.

Elaborei o Quadro I – Sociedades Fundadoras da ABESE, de cunho comparativo, cujo objetivo foi analisar a influência do paradigma biomédico no campo da Enfermagem, através da evolução do reconhecimento e denominação das especialidades de Enfermagem pelo COFEN e suas áreas de atuação: ambulatorial e/ou hospitalar, associando-se as datas de fundação e as sedes de cada sociedade de especialista fundadora da ABESE.

Este quadro veio a evidenciar a influência de um modelo hospitalocêntrico de assistência à saúde, ao percebermos a prevalência da atuação hospitalar nas especialidades listadas.



SOCIEDADES FUNDADORAS

CAMPO DE ATUAÇÃO

S
QUADRO I : SOCIEDADES FUNDADORAS DA ABESE
EDE


ANO DE FUNDAÇÃO


ESPECIALIDADE DE ENFERMAGEM

ATUAÇÃO AMBULATORIAL

ATUAÇÃO HOSPITALAR

Resolução 100/1988

Resolução 260/2001

Resolução 290/2004

SBEPSAM

PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL

MAIRIPORÃ

?

ENFERMAGEM PSIQUIÁTRICA

PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL

(2 especialidades)



PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL

(especialidade única)



SIM

SIM

SBNPE

NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL

SÃO PAULO

1975

-

NUTRIÇÃO PARENTERAL

NUTRIÇÃO PARENTERAL

SOMENTE

NUTRIÇÃO ENTERAL



SIM

SOBEN

NEFROLOGIA

SÃO PAULO

1983

-

NEFROLOGIA

NEFROLOGIA

SIM

SIM

ANENT

ENF. DO TRABALHO

SÃO PAULO

1986

ENFERMAGEM DO TRABALHO

TRABALHO

TRABALHO

SIM

NÃO

SOCESP

CARDIOLOGIA

SÃO PAULO

1987 (dept. Enf.)

-

-

-

SIM

SIM

SBEO

ONCOLOGIA

RIO DE JANEIRO

1988

-

ONCOLOGIA

ONCOLOGIA

SIM

SIM

SOBECC

C. CIRÚRGICO, RPA, CME

SÃO PAULO

1991

-

CENTRO CIRÚRGICO E UNIDADE DE ESTERILIZAÇÃO

(2 especialidades)



CENTRO CIRÚRGICO, CENTRAL DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO

(2 especialidades)



NÃO

SIM

SOBETI

TERAPIA INTENSIVA

SÃO PAULO

1996

-

UNIDADE DE TRATAMENTO INTENSIVO

TERAPIA INTENSIVA

NÃO

SIM

SOBRAGEN

GERENCIAMENTO EM ENFERMAGEM

SÃO PAULO

1996

ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENFERMAGEM

GERENCIAMENTO

GERENCIAMENTO DE SERVIÇOS DE SAÚDE

SIM

SIM

SOBENDE

DERMATOLOGIA

SÃO PAULO

1998

-

DERMATOLOGIA

DERMATOLOGIA

SIM

SIM

SOBENC

CIRURGIA CARDIOVASCULAR

SÃO PAULO

1999

-

CARDIOVASCULAR

CARDIOVASCULAR

NÃO

SIM

SOBEAS

AUDITORIA EM SAÚDE

SÃO PAULO

1999

-

AUDITORIA

PERÍCIA E AUDITORIA

SIM

SIM


Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal