Universidade Federal do Pará



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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO

DIRETORIA DE PESQUISA


PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA – PIBIC : CNPq, CNPq/AF, UFPA, UFPA/AF, PIBIC/INTERIOR, PARD, PIAD, PIBIT, PADRC E FAPESPA
RELATÓRIO TÉCNICO - CIENTÍFICO
Período: 01.08.14 à 01.08.15

( ) PARCIAL

(X) FINAL

IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO


Título do Projeto de Pesquisa: CONCRETOS PARA FINS ESTRUTURAIS COM AGREGADOS GRAÚDOS RECICLADOS DE CONCRETO.

Nome do Orientador: Luciana de Nazaré Pinheiro Cordeiro.

Titulação do Orientador: Doutora

Faculdade: Faculdade de Engenharia Civil

Instituto/Núcleo: Instituto de Tecnologia

Laboratório: Materiais de Construção

Título do Plano de Trabalho: DURABILIDADE DE CONCRETOS COM AGREGADOS GRAÚDOS RECICLADOS DE CONCRETO.

Nome do Bolsista: Iago Lopes dos Santos.
Tipo de Bolsa : ( ) PIBIC/ CNPq

( ) PIBIC/CNPq – AF

( )PIBIC /CNPq- Cota do pesquisador

( ) PIBIC/UFPA

( ) PIBIC/UFPA – AF

( ) PIBIC/PADRC

( )PIBIC/FAPESPA

( ) PIBIC/ PIAD

( ) PIBIC/PIBIT

( X ) PRODOUTOR



  1. INTRODUÇÃO

A construção civil é importante para o progresso nacional, uma vez que edifica obras que sustentam o progresso, cria emprego e renda para a população e aprimora recursos tecnológicos inovadores. Esse setor se processou de forma baste expressiva, principalmente com relação aos materiais empregados. Os processos de utilização aplicados, já estão cada vez mais obsoletos, e com isso havendo a necessidade de mudança.

O âmbito imobiliário é um dos campos que mais cresce no país. Porém, com esse desenvolvimento desenfreado surge uma problemática para o meio ambiente, pois a construção civil é um dos maiores consumidores de recursos naturais, causando desta forma a escassez de matéria-prima.

Esse é um dos setores econômicos que mais consome e mais gera resíduos sólidos, que merecem ter destinação adequada, pois podem ser depositados em locais impróprios trazendo danos ao meio ambiente e até mesmo a população mais próxima. Entretanto, os aspectos ambientais estão cada vez mais afetando a obtenção de agregados, variando de restrições à extração a problemas com a destinação de resíduos de construções e demolição. Com essa alta geração de resíduos, a reciclagem é uma solução para minimizar esse problema.

A utilização de resíduos de construções e demolição deve ser explorada devido às fontes de rochas que podem ser britadas, provavelmente irão diminuir, com taxações instituídas sobre as novas pedreiras, além de as áreas de descartes de materiais de demolições estarem diminuindo e novamente existirem taxas incidentes sobre os aterros.



1.1 JUSTIFICATIVA

A preservação ambiental é uma preocupação cada vez mais evidente por parte das pessoas e do governo. Na história da humanidade está comprovada a conquista dos interesses sociais através do uso exacerbado dos recursos naturais.

Na construção civil não é diferente, apesar dos impactos socioeconômicos positivos para o país, com a geração de empregos, renda, infraestrutura e outros, ainda assim se apresenta como grande gerador de impactos ambientais, devido ao consumo de recursos naturais e principalmente pela grande geração de resíduos.

Segundo dados da ABRELPE, em 2012 o país produziu cerca de 64 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, deste total 24 milhões foram enviados para destinos inadequados e cerca de 6 milhões não foram sequer coletados. Segundo Ângulo (2005) o resíduo de construção e demolição (RCD) corresponde a 50% da massa dos resíduos sólidos urbanos gerados. Esses números são preocupantes visto que se têm políticas públicas para o manejo adequado desses resíduos, cita-se a resolução 307 do CONAMA (2002); as normas regulamentadores de gestão de resíduos sólidos, NBR 15112 (ABNT, 2004) e NBR 15116 (ABNT, 2004); e a Política Nacional de Resíduos Sólidos que através da Lei nº 12.305 (2010), prevê a elaboração de planos integrados de gerenciamento de resíduos. Porém, as mesmas não são seguidas e por muitos até desconhecida.

Neste contexto, apresenta-se a indústria da construção civil, com um grande potencial de absorção destes resíduos, adotando-os como fonte alternativa de matéria-prima para a fabricação de insumos para a construção civil, diminuindo com isto o seu impacto no meio ambiente. Além da diminuição do impacto decorrente da presença de resíduos, tem-se também com seu uso, um menor consumo de matéria-prima para a fabricação destes insumos.

A durabilidade das edificações é uma propriedade cada vez mais exigida pelos consumidores e pelos gestores envolvidos no processo da construção civil. Ao comprar imóvel espera-se que o mesmo dure pelo menos 30 anos, e atenda durante esse período um desempenho satisfatório para o fim que foi concebido. O agregado reciclado de concreto é um material heterogêneo, de baixa densidade e elevada porosidade, que necessitam de um cuidado maior, para que essas características não afetem os compósitos com eles produzidos. Werle (2010) e Troian (2010) realizaram alguns estudos no que tange a durabilidade de concretos com agregados reciclados e encontraram resultados satisfatórios. Cordeiro (2013) observou que o controle ao longo do processo de produção desses concretos favorece no seu desempenho.

Diante dessas considerações pretende-se avançar no conhecimento cientifico o temo durabilidade, de modo a permitir que no futuro próximo seja possível utilizar agregados graúdos reciclados de concreto em peças estruturais.

1.2 OBJETIVOS

Visando o aperfeiçoamento do conhecimento das propriedades dos agregados reciclados, assim como emprego para a produção de concretos, a presente pesquisa tem como objetivo principal realizar um estudo comparativo entre as curvas de dosagem obtidas a partir de misturas com diferentes agregados graúdos (reciclados e naturais).



  1. PROGRAMA EXPERIMENTAL

A pesquisa experimental foi dividida em quatro etapas principais. A primeira fase foi a coleta e o preparo da amostra utilizada na pesquisa. A segunda etapa corresponde à caracterização dos materiais utilizados para confecção dos concretos, através de ensaios feitos em laboratório. Na terceira, realizou-se a dosagem experimental do concreto com agregado graúdo reciclado para teor de substituição de 0%, 25%, 50% e 100% em massa, sendo moldados corpos de prova cilíndricos para o estudo das características dos concretos produzidos. E, finalmente, após a realização dos ensaios de compressão, módulo de elasticidade e absorção por capilaridade, foi montada uma curva de dosagem que possibilita conhecer as correlações entre as propriedades mecânicas dos concretos e as variáveis que influenciam esses parâmetros.
2.1 MATERIAIS

O cimento utilizado foi o Cimento Portland CP-V ARI, sua escolha baseou-se na disponibilidade de material na região. Para a determinação da massa específica deste material utilizou-se as recomendações proposta pela NBR NM 23 (ABNT 2000), o resultado encontrado foi de 3,09/cm³.

O agregado miúdo utilizado nesta pesquisa foi coletado próximo à cidade de Belém, trata-se de uma areia quartzosa, extraída de curvões. Este material é bem característico da região por possuir elevada finura (MF = 2,02) conforme a NBR NM 248 (2003) e apresentou uma massa específica de 2,63 g/cm³, definida de acordo com as recomendações estabelecidas pela NBR NM 52 (2009).

Como agregado graúdo foi utilizado a brita de origem granítica, oriunda do município de Tracuateua, Pará. Para sua caracterização tomou-se por base a determinação de sua massa específica obtida conforme a NBR NM 53 (ABNT 2009). O ensaio resultou em uma massa específica de 2,65 g/cm³.

O agregado graúdo reciclado utilizado neste trabalho é oriundo do material descartado pelo Laboratório de Engenharia Civil da UFPA, em especial os corpos de prova de concreto cilíndricos. Para que a amostra fosse submetida aos ensaios previstos na pesquisa, realizou-se o beneficiamento do material coletado de forma aleatória. Para a cominuição das partículas utilizou-se um britador de mandíbulas, e para a separação em frações utilizou-se um peneirador mecânico, no qual se fez a separação dos materiais nas seguintes peneiras: passante na peneira #25 mm e retido #4,8 mm; #9,5 mm; #12,5 mm e #19 mm.

A água possui um papel importantíssimo na produção de concreto, visto que ela é responsável pela hidratação do cimento. A água utilizada para a confecção dos concretos produzidos na pesquisa é proveniente do abastecimento hídrico da universidade, através compra da concessionaria local.



2.2 MÉTODOS

2.2.1 ESTUDO DE DOSAGEM

Nesta pesquisa, para a definição do proporcionamento ideal dos materiais utilizou-se o método de dosagem IPT/EPUSP (HELENE e TERZIAN, 1992) que consiste no ajuste do teor ideal de argamassa, fixando como parâmetro de controle o valor do abatimento, que para este estudo foi fixado em 100±20 mm. Inicialmente, determina-se o teor ideal de argamassa utilizando um traço intermediário, encontrando a proporção adequada a partir de análises práticas da mistura. Com base no valor de argamassa estipulado no traço referência, realizam-se os traços auxiliares para uma mistura rica e a outra pobre em cimento.

Os agregados graúdos reciclados de concretos foram usados em substituição parcial de agregado graúdo natural no teor de 0%, 25%, 50% e 100%, em massa. Quando se realizou a produção dos concretos com agregados reciclados, alguns cuidados precisaram ser tomados, tais como a questão da saturação do resíduo, para que o mesmo não retirasse água da mistura. Tal saturação consistiu em submeter os agregados reciclados a imersão em um recipiente completamente cheio de água por 24 horas antes da incorporação do resíduo ao concreto. A pesquisa também adotou uma taxa de saturação de 80% da massa total determinada na absorção e a perda de 20% de água foi feita de forma natural com a exposição ao sol. Essa quantidade de água absorvida pelo agregado reciclado foi levada em consideração durante a mistura, sendo acrescida na quantidade de água total. Este procedimento possibilitou uma melhora na trabalhabilidade dos concretos produzidos, pois com a prévia absorção de água, os agregados não absorviam a água do traço, melhorando o valor do abatimento.

As fórmulas adotadas para a determinação do teor ideal de argamassa, o consumo de materiais secos, e o consumo de cimento estão disponíveis nas equações 01, 02 e 03 respectivamente.

(Equação 01)

(Equação 02)

Onde:


α = teor de argamassa

m = quantidade unitária de agregados

a = quantidade unitária de agregados miúdo

p = quantidade unitária de agregados graúdo



(Equação 03)

Onde:


C = consumo de cimento por metro cúbico de concreto;

ρc = massa específica do cimento;

ρa = massa específica agregado miúdo;

ρp = massa específica agregado graúdo natural;

ρprcd = massa específica agregado graúdo reciclado

a = quantidade de agregado miúdo no traço unitário;

p = quantidade de agregado graúdo no traço unitário;

prcd = quantidade de agregado graúdo reciclado no traço unitário;

a/c = relação água/cimento

2.2.2 PROPRIEDADES DO CONCRETO NO ESTADO FRESCO E ENDURECIDO

Os corpos de prova de concreto foram moldados e curados segundo a NBR 5738 (ABNT, 2003), a moldagem dos corpos de prova foi em fôrmas metálicas cilíndricas de dimensão 100 x 200 mm. O processo de adensamento adotado foi o mecânico e a cura realizada foi por imersão em água em um tanque até a idade de 28 dias. Para avaliação das propriedades dos concretos foram realizados os seguintes ensaios: resistência à compressão simples NBR 5739 (ABNT, 2007), módulo de elasticidade NBR 8522 (ABNT, 2008) e absorção por capilaridade NBR 9779 (ABNT, 2012).


  1. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1 ESTUDO DE DOSAGEM

Os resultados obtidos pela dosagem experimental encontram-se nas tabelas 1 a 4.



Tabela 1: Traços obtidos pelo estudo de dosagem dos concretos.

Teor de Substituição

Teor de Argamassa

Relação a/c

Consumo de Cimento (Kg/m³)

Consumo de Água (Kg/m³)

1:3,5

1:5

1:6,5

1:3,5

1:5

1:6,5

1:3,5

1:5

1:6,5

AGNAT

51%

0,46

0,54

0,69

466,42

355,44

282,83

214,55

191,94

195,15

AGRC25%

49%

0,52

0,60

0,75

458,91

352,85

281,69

238,63

211,71

211,27

AGRC50%

51%

0,52

0,60

0,76

457,43

351,45

279,85

237,86

210,87

212,69

AGRC100%

51%

0,53

0,66

0,74

451,66

341,83

278,79

239,38

225,61

206,30

Durante a dosagem do concreto reciclado, percebeu-se a perda de trabalhabilidade e de coesão ao utilizar a mesma relação a/c do concreto de referência. Desta forma, houve a necessidade do incremento de água à medida que se acrescentou agregado graúdo reciclado de concreto (AGRC) à mistura. Isso é evidenciado na tabela acima com o aumento da relação a/c nos traços dos concretos. Como consequência para tal efeito está o maior consumo de água elevado por parte dos concretos produzidos com agregado graúdo reciclado, conforme esperado, pois parte da água encontra-se absorvida dentro do agregado reciclado.

3.2 PROPRIEDADES DOS CONCRETOS NO ESTADO ENDURECIDO

Com base na tabela 1 e figura 1, verifica-se que os resultados de resistência mecânica dos concretos reciclados sofreram pouca variação quando comparados aos concretos de referência. Sabe-se que a resistência à compressão é uma das propriedades mais importantes na avaliação do desempenho estrutural do concreto. A resistência está intimamente ligada à porosidade dos materiais e com a relação água/cimento da mistura. Quanto mais poroso for apresentado o concreto, menor tende a ser a sua resistência. Bem como a resistência à compressão tende a se reduzir à medida que aumenta o valor da relação a/c na mistura.

Figura 1: Resultados médios de resistência à compressão aos 28 dias

O módulo de elasticidade do concreto é um dos parâmetros utilizados no cálculo estrutural e, sob o aspecto de projeto, é muito importante conhecer as propriedades elásticas do concreto para que se conheçam as deformações dos elementos estruturais que o concreto compõe.

Segundo METHA e MONTEIRO, de todas as propriedades citadas, a que mais influencia o módulo de elasticidade é a porosidade, visto que ela é inversamente proporcional à densidade. Com isso, agregados mais densos propiciam valores mais altos para o módulo de elasticidade.

Segundo a NBR 8522 (2008), considera equivalente ao módulo de elasticidade secante (Ecs) ou cordal entre σa e 30% da tensão de ruptura (fc), obtido através do ensaio de resistência à compressão. Os resultados deste ensaio podem ser observados na tabela 2.

Tabela 2: Resultados médios de módulo de elasticidade aos 28 dias


Teor de Substituição

Módulo de Elasticidade Médio (GPa)

1:3,5

1:5,0

1:6,5

AGNAT

36,22

35,28

31,69

AGRC25%

28,06

28,53

28,12

AGRC50%

30,65*

21,46

26,73

AGRC100%

19,43

20,16

23,71

*variação experimental

Com base na tabela 2 observa-se que os resultados referentes aos ensaios de módulo de elasticidade apresentam melhorias à medida que diminui o teor de agregado reciclado na composição do concreto. Os concretos naturais apresentaram os maiores resultados de módulo de elasticidade. Entretanto, os concretos com 100% de agregado reciclado apresentaram os menores valores de módulo de elasticidade, comprovando a veracidade da hipótese de METHA e MONTEIRO, em relação à porosidade do concreto.

O ensaio de absorção por capilaridade seguiu os procedimentos descritos na NBR 9779 (ABNT, 2012), esta estabelece o método para a determinação da taxa de absorção de água através de sua ascensão pelos poros do concreto. Segundo HELENE (1993), o meio mais frequente de entrada de agentes agressivos no concreto é por meio de seus poros podendo ter como vetor a água, sendo a forma mais frequente de ingresso de água para o interior do concreto o mecanismo de absorção capilar. Os resultados deste ensaio podem ser visualizados conforme a tabela 3.

Tabela 3: Resultados médios de absorção por capilaridade aos 28 dias



Teor de Substituição

Absorção por Capilaridade Média (g/cm²)

1:3,5

1:5,0

1:6,5

AGNAT

1,23

0,96

1,15

AGRC25%

0,58

0,70

0,85

AGRC50%

1,06

0,67

1,08

AGRC100%

0,99

1,76

1,69

Fazendo uma comparação entre os concretos com agregados reciclados, pode-se perceber que aqueles que possuem um teor menor de resíduo de construção e demolição (RCD) são menos porosos, consequentemente, os que mais absorvem água, fato este evidenciado no gráfico acima, em que os concretos com 100% de agregado graúdo reciclado se apresentam como os maiores valores para o ensaio de absorção por capilaridade. Quando se compara os concretos com agregados reciclados com os agregados naturais, percebe-se para algumas situações uma melhoria do reciclado, mais estudos precisam ser realizados para descrever melhor esse comportamento, mas acredita-se que fenômenos como a cura interna e o transporte de água com componentes do cimento tenho promovido tais resultados.

3.3 ESTUDO TEÓRICO DO COMPORTAMENTO DO CONCRETO

A partir dos resultados obtidos, foi possível montar modelos matemáticos que possibilitam o cálculo das propriedades dos concretos estudados. As equações alcançadas estão na tabela 4.

Tabela 4- Equações de dosagem – Resistência à compressão (MPa) em função da relação a/c (kg/kg), teor de agregados secos (m) em função da relação a/c (kg/kg); consumo de cimento em relação ao teor de agregados secos (m).

Com o conhecimento das resistências mecânicas obtidas determinaram-se as curvas de dosagem para a idade de 28 dias, que podem ser observadas na figura 4.


Figura 4: curvas de dosagem

No diagrama de dosagem acima é possível observar que a resistência à compressão do concreto tende a reduzir à medida que o valor da relação a/c aumenta. Isso nos mostra a veracidade da lei de Abrams, também para os agregados reciclados, no qual mostra que a resistência à compressão do concreto é inversamente proporcional à relação a/c.

De posse das equações obtidas decidiu-se fazer um estudo para avaliar comportamento dos agregados e seus diferentes teores de substituição. Na tabela 5 estão o consumo de materiais necessários para satisfazer as faixas de resistências de 20, 30 e 40 Mpa.

Tabela 5 – Propriedades teóricas dos concretos estudados fixando-se a resistência à compressão (fc28) em 20, 30 e 40 MPa.



Teor de agregado reciclado

0

25%

50%

100%

Fc ( Mpa)

20

20

20

20

a/c

0,79

0,74

0,83

0,83

m

7,9

6,5

7,5

7,6

Cc (kg/m³)

240

283,59

250,09

243,8

H (%)

9

10

10

10

Fc ( Mpa)

30

30

30

30

a/c

0,59

0,62

0,65

0,66

m

5,3

5

5,3

5,2

Cc (kg/m³)

335

353,04

333,72

336,28

H (%)

9

10

10

11

Fc ( Mpa)

40

40

40

40

a/c

0,45

0,53

0,54

0,54

m

3,6

3,8

3,9

3,6

Cc (kg/m³)

462,11

432,48

424

445,69

H (%)

10

11

11

12

Percebe-se que os concretos com agregados reciclados necessitam de mais água que o concreto referência para satisfazer as condições de resistência pré estabelecidas, esse fato é justificado pela porosidade do maior, que promove uma maior taxa de absorção.

Com relação ao consumo de cimento percebe-se que para as maiores resistências, maiores foram o consumo de cimento, entre os diferentes teores de agregados não foi possível estabelecer uma explicação para tal comportamento, pois esperava-se que os concretos com maiores de agregados necessitasse de um consumo maior de cimento, contudo isto não aconteceu. O que pode ter beneficiado o consumo menor de cimento nos concretos com agregados reciclados pode ter sido a presença de finos, decorrentes da quebra das partículas na betoneira, que lubrificou os grãos, garantido uma boa trabalhabilidade.



  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

De posse nos resultados foi possível atender o objetivo desta pesquisa que foi o estudo comparativo entre as curvas de dosagem obtidas a partir de misturas com diferentes agregados graúdos (reciclados e naturais). No qual foi possível perceber que os concretos com agregados reciclados seguem o mesmo princípio de Abrams e Lyse, de que quanto menor a relação água cimento maior a resistência; e que os agregados mais pobres, necessitam de mais água. Com relação ao quadrante de Molinari, os resultados deram bem próximos entre si, acontecendo de que em alguns momentos o consumo de cimento do agregado reciclado foi menor que o do agregado natural. Porém, são necessários mais estudos para explicar esse comportamento tão satisfatório.

O resultados também mostraram, que a partir de um controle da variabilidade dos agregados reciclados é possível obter um comportamento mais homogêneo dos materiais. A pesquisa indicou que a relação água/cimento das misturas realizadas é o ponto de partida e o principal fator para a definição das propriedades mecânicas do concreto. O agregado reciclado de concreto por ser um material mais poroso que o agregado natural influência as propriedades frescas e endurecidas do concreto. A inserção do agregado graúdo reciclado de concreto nos concretos estudados, cuja porosidade e a absorção são maiores do que no agregado natural, podem interferir na demanda de água no estado fresco e aumentar a porosidade do novo concreto no estado endurecido. Uma das formas de compensar a interferência no estado fresco é realizar uma compensação da absorção do agregado por meio de pré-saturação do AGRC. Estas propriedades estão relacionadas com a massa específica dos agregados graúdos reciclados, que influência diretamente as propriedades mecânicas do concreto. Porém, a aplicação de agregados reciclados de RCD em concretos estruturais requer um controle no momento de dosagem e estudos aprofundados em relação à durabilidade desse material.



Nesse sentido, devem ser consideradas outras propriedades que não foram avaliadas no presente estudo, como retração, fluência, permeabilidade e etc.



    Referências

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS. Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil. São Paulo: Abrelpe, 2013.




  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Agregado graúdo - Determinação da massa específica, massa específica aparente e absorção de água. NBR NM 53. Rio de Janeiro. 2009.




  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Agregado miúdo - Determinação da massa específica e massa específica aparente. Rio de Janeiro. 2009.




  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Agregados – Terminologias.

  • Rio de Janeiro. 2011.




  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Utilização em pavimentação e preparo de concretos sem função estrutural - Requisitos. NBR 15116. Rio de Janeiro. 2004.




  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cimento Portland comum. NBR 5732. Rio de Janeiro. 1991.




  • NEVILLE, A. M. Propriedades do concreto. Tradução de Salvador E. Giammusso. 2. ed. São Paulo: PINI, 1997. P. 828.




  • HELENE, P. R. L.; TERZIAN, P. Manual de dosagem e controle do concreto. 1. ed. SãoPaulo: PINI, 1992.




  • MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: estrutura, propriedades e materiais. 1

  • ed. São Paulo: Pini, 1994.




  • RODRIGUES, C. R. DE SÁ; FUCALE, S. Dosagem de concretos produzidos com agregado miúdo reciclado de resíduo da construção civil. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 14, n. 1, p. 99-111, jan./mar. 2014.




  • Vieria, l. G; Dal Molin, D. C.C. Viabilidade técnica da utilização de concretos com agregados reciclados de resíduos de construção e demolição. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 4, n. 4, p. 47-63, out./dez. 2004.




  • GONÇALVES, R. D. C. (2000). Agregados reciclados de resíduos de concreto – Um novo material para dosagens estruturais. São Carlos, 2000. 132p. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo.




  • Buttler, A. M. Concreto com Agregados Graúdos Reciclados de Concreto – Influência da Idade de Reciclagem nas Propriedades dos Agregados e Concretos Reciclados. Dissertação de Mestrado, São Carlos, 2003.




  • Tenório, J. J. L. Avaliação de propriedades do concreto produzido com agregados reciclados de resíduos de construção demolição visando aplicações estruturais. Dissertação de Mestrado, Maceió, 2007.




  • ANGULO, S. C. Caracterização de Agregados de Resíduos de Construção e Demolição Reciclados e a Influência de Suas Características no Comportamento Mecânico de Concretos. São Paulo, 2005. 167 f. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.




  • CARRIJO, P. M. Análise da Influência da Massa Específica de Agregados Graúdos Provenientes de Resíduos da Construção e Demolição no Desempenho Mecânico do Concreto. São Paulo, 2005. 129 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005




  • LEITE, M. B. Avaliação de Propriedades Mecânicas de Concretos Produzidos Com Agregados Reciclados de Resíduos da Construção e Demolição. Porto Alegre, 2001. 290 f. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) – Escola de Engenharia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Porto Alegre, 2001.



DIFICULDADES – A dificuldade encontrada neste trabalho se deu ao processo de britagem dos corpos de prova coletados, devido o laboratório de Engenharia Civil não ter o britador para geração de agregado graúdo, e sim para agregado miúdo. Desta forma, foi solicitada ao laboratório de Engenharia Química a disponibilidade para uso do britador do referido laboratório, porém o mesmo passa por um processo de agendamento, sendo este muito longo, atrasando o cronograma das atividades. O ensaio de absorção de cloretos descrito no plano de trabalho, não foi realizado, pois a máquina de corte dos corpos de prova se encontra danificada no laboratório de Engenharia Civil.
PARECER DO ORIENTADOR: Manifestação do orientador sobre o desenvolvimento das atividades do aluno e justificativa do pedido de renovação, se for o caso.

Os resultados mostraram-se bem satisfatórios, e permitiram tecer uma mapa do comportamento do agregado reciclado (para diferentes teores de substituição) com os materiais da região. Com essas informações foi possível aprofundar o conhecimento do concreto com resíduos, e oferecer ao meio acadêmico informações que irão contribuir para a disseminação dos benefícios do material e permitir a sua incorporação na cadeia produtiva. Contudo, o tempo, e as dificuldades acima citadas inviabilizaram estudos mais aprofundados sob o ponto de vista ambiental e de durabilidade, aspectos essências para a comercialização de um resíduos. Sendo assim, faz-se necessário a renovação da bolsa para o desenvolvimento de tais ensaios.
DATA : 10/08/2015



ASSINATURA DO ORIENTADOR

____________________________________________

ASSINATURA DO ALUNO

FICHA DE AVALIAÇÃO DE RELATÓRIO DE BOLSA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA
O AVALIADOR DEVE COMENTAR, DE FORMA RESUMIDA, OS SEGUINTES ASPECTOS DO RELATÓRIO :


  1. O projeto vem se desenvolvendo segundo a proposta aprovada? Se ocorreram mudanças significativas, elas foram justificadas?



  1. A metodologia está de acordo com o Plano de Trabalho ?



  1. Os resultados obtidos até o presente são relevantes e estão de acordo com os objetivos propostos?



  1. O plano de atividades originou publicações com a participação do bolsista? Comentar sobre a qualidade e a quantidade da publicação. Caso não tenha sido gerada nenhuma, os resultados obtidos são recomendados para publicação? Em que tipo de veículo?



  1. Comente outros aspectos que considera relevantes no relatório


  1. Parecer Final:

Aprovado ( )

Aprovado com restrições ( ) (especificar se são mandatórias ou recomendações)



Reprovado ( )


  1. Qualidade do relatório apresentado: (nota 0 a 5) _____________

Atribuir conceito ao relatório do bolsista considerando a proposta de plano, o desenvolvimento das atividades, os resultados obtidos e a apresentação do relatório.
Data : _____/____/_____.
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