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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO

DIRETORIA DE PESQUISA


PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA – PIBIC : CNPq, CNPq/AF, UFPA, UFPA/AF, PIBIC/INTERIOR, PARD, PIAD, PIBIT, PADRC E FAPESPA

RELATÓRIO TÉCNICO - CIENTÍFICO
Período : novembro/2015 a fevereiro/2016

( x ) PARCIAL

( ) FINAL

IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO

Título do Projeto de Pesquisa (ao qual está vinculado o Plano de Trabalho ): “A mudança de posição de Kuhn acerca do desenvolvimento científico: a virada evolucionária”

Nome do Orientador: Profª Dra. Elizabeth de Assis Dias
Titulação do Orientador: Doutorado em Filosofia
Faculdade : Filosofia
Instituto/Núcleo: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Laboratório: Não há. Trata-se de uma pesquisa teórica e bibliográfica
Título do Plano de Trabalho : “A concepção de Thomas Kuhn acerca das revoluções científicas”

Nome do Bolsista: Luiz Pedro da Silva Seabra


Tipo de Bolsa : ( ) PIBIC/ CNPq

( ) PIBIC/CNPq – AF

( )PIBIC /CNPq- Cota do pesquisador

( ) PIBIC/UFPA

( x ) PIBIC/UFPA – AF

( ) PIBIC/ INTERIOR

( )PIBIC/PARD

( ) PIBIC/PADRC

( ) PIBIC/FAPESPA

( ) PIBIC/ PIAD

( ) PIBIC/PIBIT


Atenção : No relatório aborde diretamente os pontos essenciais, a partir dos quais será avaliado o desenvolvimento do projeto.

O relatório não deverá ultrapassar 10 MB ou conter mais de vinte (20) páginas.

RESUMO DO RELATÓRIO ANTERIOR (Alunos com bolsa renovadas). Descrever até onde foi desenvolvido o relatório anterior.
A bolsa está sendo concedida pela primeira vez e as atividades iniciaram apenas em novembro de 2015, quando efetivamente fui cadastrado como bolsista.
Nos itens seguintes devem ser acrescentados o que efetivamente foi desenvolvido neste novo período. O Relatório Final deve envolver as atividades desenvolvidas nos 12 meses de bolsa.

INTRODUÇÃO (no máximo uma lauda): Informar resumidamente sobre a evolução dos conhecimentos na área, considerando os aspectos teóricos mais importantes que fundamentaram a elaboração do projeto.
O objetivo do presente estudo é esclarecer a natureza das revoluções científicas no pensamento do filósofo Thomas Kuhn. Tais revoluções são caracterizadas como totais ou parciais e envolvem uma série de mudanças na prática de uma ciência na medida em que há a substituição de uma tradição paradigmática por outra. Pretendo, em primeiro lugar, fazer uma análise de sua obra A Estrutura das Revoluções científicas para esclarecer o caráter dessa revolução e quais os aspectos que mudam quando ela ocorre. Em segundo lugar, analisar se há uma incoerência na concepção do autor acerca dessas revoluções, na medida em que ele considera que as revoluções cientificas produzem rupturas e descontinuidades entre tradições paradigmáticas, mas ao mesmo tempo admite a possibilidade dessa ruptura não ser total. E em terceiro lugar, estudar a concepção de revolução cientifica nos escritos pós-Estrutura, nos quais se denota uma mudança de posição do autor acerca das revoluções cientificas. Pretendemos esclarecer as razões para esta mudança de posição.

Trata-se de um tema relevante sobre o qual tem se debruçado vários estudiosos da obra de Kuhn, mas que ainda suscita questões que precisam ser esclarecidas, como as que hora pretendemos investigar referentes ao caráter dessa revolução, os aspectos envolvidos na mudança, ruptura total ou parcial e a mudança de posição do autor em seus escritos posteriores a sua obra principal, A estrutura das Revoluções científicas.


JUSTIFICATIVA : Considerar os conhecimentos já existentes na área de pesquisa , como se justificam e quais os avanços que serão obtidos com o projeto proposto.
Thomas Kuhn, em sua obra A Estrutura das Revoluções Científicas (1962), considera que a ciência passa por períodos de ciência normal, nos quais as pesquisas são norteadas por paradigmas e períodos revolucionários, onde um paradigma é substituído por outro. A este processo de mudança de uma velha tradição paradigmática para uma outra mais nova, Kuhn, denomina de revolução científica. A nova tradição paradigmática não incorpora os resultados exitosos anteriormente alcançados pelo velho paradigma, ao contrário representa uma total ruptura com o modelo anteriormente em vigor. “Uma revolução”, diz Kuhn, “é uma espécie de mudança envolvendo um certo tipo de reconstrução dos compromissos do grupo”. Com a revolução científica surgem novos campos de problemas, mudam as soluções exemplares, a visão do mundo e os compromissos compartilhados pela comunidade científica, enfim é introduzida uma nova maneira de se praticar a ciência. A própria percepção que os cientistas têm da natureza precisa ser reeducada, eles precisam aprender a ver de uma nova forma situações com as quais já estavam familiarizados.

Mas, Kuhn não é inteiramente coerente, ao tratar da questão da ruptura e descontinuidade entre tradições paradigmáticas ocasionadas pela mudança revolucionária, em sua obra A estrutura das revoluções científicas. Ao definir uma revolução científica, afirma ser esta um processo descontínuo, no qual “um paradigma pode ser total ou parcialmente substituído por um novo” (KUHN, 1975, p.125). Mas, se a mudança revolucionária produz ruptura e descontinuidade entre tradições paradigmáticas como entender essa substituição parcial de um paradigma por outro? Em outra passagem de sua obra, insiste no fato de que há perdas e ganhos de problemas em todas as situações em que há mudança de paradigmas. E considera ainda, que o novo paradigma deve garantir a preservação de uma parte relativamente grande da capacidade objetiva de resolver problemas, conquistada pela ciência com o auxilio dos paradigmas anteriores. Então, o que realmente muda com uma revolução científica? Como entender essa ruptura entre tradições paradigmáticas? As revoluções científicas são realmente revolucionárias ou apenas provocam algumas mudanças no âmbito do paradigma? Essas questões deverão ser tomadas como foco do presente estudo.

Esse estudo da concepção de Thomas Kuhn acerca das revoluções científicas deverá ser feito em duas etapas: em primeiro lugar pretende-se analisar como as revoluções científicas são pensadas em sua principal obra A Estrutura das Revoluções científicas procurando esclarecer, a natureza dessas revoluções, os tipos de mudanças que elas provocam e se de fato há rupturas e descontinuidades entre tradições paradigmáticas. Em segundo lugar, pretende-se analisar a revisão que Kuhn fez de sua concepção de revolução cientifica em seus últimos escritos, nos quais passa a defini-la em termos de mudança linguística. Nessa segunda etapa, pretende-se identificar as mudanças que ele operou em sua concepção original de revolução científica e esclarecer as razões que o levaram a realizar tais mudanças.

OBJETIVOS: Descrever os objetivos iniciais do projeto, destacando os que foram alcançados nesta fase do relatório. Tendo havido alguma mudança nos objetivos propostos, especifique quais e justifique.

Objetivo geral:

- Analisar a concepção de Kuhn acerca das revoluções científicas

Objetivos específicos:

-Esclarecer a natureza e caráter das revoluções científicas no pensamento de Kuhn

- Identificar o que muda com uma revolução científica

- Analisar em que aspectos Kuhn operou mudanças em sua revisão do conceito de revolução cientifica em seus últimos escritos e as razões dessas mudanças.

MATERIAIS E MÉTODOS: Resumir a metodologia do projeto proposto, destacando as alterações metodológicas introduzidas posteriormente à aprovação do projeto.

Dada a própria especificidade da filosofia, trata-se de uma pesquisa de natureza teórica e bibliográfica, que exige leitura e análise de textos filosóficos. No caso deste plano de estudo, estão sendo lidas e analisadas as obras do filósofo Thomas Kuhn. O foco principal da análise é sua principal obra A Estrutura das Revoluções Cientificas (1962), juntamente com o artigo intitulado “A tensão essencial: tradição e inovação na pesquisa científica” (1959) que faz parte da coletânea A tensão essencial. Nossa pretensão é analisar também, alguns de seus escritos posteriores a sua obra principal, que foram publicados em sua obra O caminho desde A Estrutura. Dentre esses escritos se destacam dois artigos que consideramos fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa, são eles: “O que são revoluções científicas?” (1987) e “Racionalidade e escolha de teorias” (1983). A pesquisa está sendo desenvolvida obedecendo aos seguintes passos: primeiramente, foi feito um levantamento bibliográfico de modo a mapear livros e artigos sobre o tema do estudo, em segundo lugar, fiz a leitura e análise dos textos de Kuhn, dos livros e artigos selecionados sobre o tema e em um terceiro momento, será redigido um texto sobre o tema da pesquisa.

Considerando o tempo decorrido do inicio da pesquisa (três meses), uma vez que só fui cadastrado como bolsista em novembro de 2015, posso dizer que estou na fase inicial da pesquisa, conforme o cronograma de meu plano de estudo, a saber: leitura e análise do material bibliográfico coletado. O material selecionado foi distribuído em dois grupos: 1) as obras fontes do filósofo e de comentadores que tratam de sua concepção de revolução científica presente em sua primeira fase; e, 2) as obras do filósofo e de comentadores que tratam de sua concepção de revolução científica presente em sua segunda fase, que corresponde aos escritos posteriores a sua obra principal, A estrutura das Revoluções científicas.

Para melhor clareza das atividades desenvolvidas até o momento, apresento abaixo, o cronograma de meu plano de estudo, esclarecendo as etapas cumpridas.



Cronograma:

  1. Levantamento bibliográfico

Foi realizada a pesquisa de livros e artigos sobre o tema nas bibliotecas e na internet

  1. Seleção do material levantado

Foi feita uma análise previa de todo o material levantado (livros e artigos) de modo a mapear os relevantes para a pesquisa.

  1. Leitura e análise do material selecionado

O material selecionado na fase anterior está sendo lido, fichado e analisado, obedecendo às fases da pesquisa delineadas no plano de estudo. Esclarecemos que já foi feita a leitura e analise da principal obra do filósofo Kuhn, intitulada A Estrutura das Revoluções científicas, de modo a esclarecer seu conceito de revolução científica e suas nuances. Foram lidos também artigos, como “Kuhn: o normal e o revolucionário na reprodução da racionalidade científica” que está na coletânea “Filosofia, história e sociologia das ciências I: abordagens contemporâneas” sobre a teoria da ciência de Kuhn, que de certa forma tratam da concepção de revolução cientifica do filósofo.

Em um segundo momento, será analisado o conceito de revolução científica nos escritos posteriores a sua obra principal, nos quais o filósofo reavaliou sua concepção de revolução científica, procurando-se identificar as mudanças que ele operou em sua concepção original e esclarecer as razões que o levaram a realizar tais mudanças.



RESULTADO : Apresentar e discutir os principais resultados obtidos, deixando claro o avanço teórico, experimental ou prático alcançado nesta fase do relatório. Acrescentar resultados em tabelas, gráficos ou outras formas apropriadas.
Devido à pesquisa encontrar-se em sua fase inicial de leitura e análise das obras do filósofo e comentadores críticos ainda não posso apresentar resultados com relação a essa análise. O que posso dizer é que a leitura dos textos do filosofo tem sido instigante, no sentido de me possibilitar questionamentos, dúvidas e reflexões.

PUBLICAÇÕES: Indicar as publicações originadas do projeto, acrescentando cópias das mesmas, considerando os trabalhos publicados e/ou aceitos para publicação, livros, capítulos de livros, artigos em periódicos nacionais e internacionais, resumos em congressos, seminário de iniciação científica etc. Indicar claramente entre os autores dos trabalhos, quando for o caso, os bolsistas formais de IC.
Ainda não há publicações nessa fase de execução do plano de estudo.


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS NOS PRÓXIMOS MESES

Nos próximos meses pretendo ler e analisar os escritos de Kuhn e de seus comentadores referentes à sua segunda fase, nos quais se observa uma mudança de posição com relação a sua concepção de revolução cientifica.

Pretendemos também, redigir o artigo para apresentar no Seminário de iniciação científica, como também em comunicações, por exemplo, no Encontro Nacional de Pesquisa na Graduação em Filosofia UFPA.

CONCLUSÃO:
A pesquisa está em sua fase inicial, até o momento realizei a leitura e análise dos textos da primeira fase de Kuhn. Concentrei minha atenção em sua principal obra A estrutura das revoluções científicas, que foi lida integralmente. Mas, apesar do curto tempo de estudo (três meses) já posso dizer que há vários aspectos de sua concepção de revolução cientifica que consegui vislumbrar com as leituras que realizei como as mudanças de ordem linguística (mudança conceitual); de ordem epistemológica e metodológica (mudança de problemas, de instrumentos, de métodos, de modelos) e de ordem ontológica (mudanças referentes a concepção de mundo e a própria percepção deste). Detectei também, algumas incoerências com relação a sua ideia de ruptura entre tradições paradigmáticas, pois no ultimo capitulo da obra, Kuhn já começa a assumir outra posição acerca das revoluções que denota que ele não considera mais essas rupturas como totais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHALMERS, A.F. O que é ciência afinal? . São Paulo: Editora Brasiliense, 1983, p. 123-135.

DIAS, E. A. “Revolução ou evolução na ciência na ciência, na perspectiva de Kuhn?” in CARVALHO, M., ÉVORA, F. E PESSOA JR, O. Filosofia da ciência e da natureza. São Paulo: ANPOF, 2015, p. 226-238.

FREIRE-MAIA, N. A ciência por dentro. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 1990, p. 102-116.

HORGAN, J. O fim da ciência. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1955, p.59-66.

KUHN, T. A Estrutura das Revoluções científicas. São Paulo: Editora Perspectiva, 1975.

_______. “Logica da descoberta ou Psicologia da pesquisa?”. In LAKATOS, I. E MUSGRAVE, A. A critica e o desenvolvimento do conhecimento. São Paulo: Editora Cultrix, 1979.

_______. A tensão essencial. Lisboa: Edições 70, 1989.

_______. O caminho desde A Estrutura: Ensaios filosóficos, 1970-1993, com uma entrevista autobiográfica. São Paulo: Editora UNESP, 2006.

_______. “O que são revoluções científicas?” In KUHN, Thomas S. O caminho desde A Estrutura: Ensaios filosóficos, 1970-1993, com uma entrevista autobiográfica. São Paulo: Editora UNESP, 2006, p. 23-45.

LAKATOS, I. Falsificação e metodologia dos programas de investigação científica. Lisboa-Portugal: Edições 70 (Biblioteca de filosofia contemporânea), 1978, p.104-107.

LAKATOS, I. E MUSGRAVE, A. A critica e o desenvolvimento do conhecimento. São Paulo: Editora Cultrix, 1979.

OLIVEIRA, B. J.CONDE, M.L.L.Thomas Kuhn e a nova historiografia da ciência”. Belo Horizonte: Revista Ensaio, 2004.

OMNES, R. Filosofia da Ciência Contemporânea. São Paulo: Editora UNESP, 1996, p.262-264.

PORTOCARRERO, V., org. Filosofia, história e sociologia das ciências I: abordagens Contemporâneas [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1994.

­­_________________. “Kuhn: o normal e o revolucionário na reprodução da racionalidade científica” In PORTOCARRERO, V., org. Filosofia, história e sociologia das ciências I: abordagens Contemporâneas [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1994, p. 67-102.

SILVA, C.C., org. Estudos de História e Filosofia das Ciências. São Paulo: Editora livraria da Física, 2006, p.64-76.

STEGMÜLLER, W. A Filosofia Contemporânea: introdução crítica. São Paulo, EPU, Ed. da Universidade de São Paulo, 1977.


DIFICULDADES - Relacionar os principais fatores negativos que interferiram na execução do projeto.
- As dificuldades encontradas são provenientes da falta de conhecimento da teoria da ciência do filósofo Kuhn, pois devido encontrar-me no segundo período letivo do curso ainda não havia estudado este filósofo. Mas, procurei saná-las buscando esclarecimentos com minha orientadora. Para uma melhor compreensão do pensamento do filosofo acatei a sua sugestão para assistir, como ouvinte, as aulas da disciplina Filosofia da ciência I, na qual ela expôs a teoria da ciência de Kuhn, o que me ajudou a ter uma visão mais ampla da concepção do filósofo.
PARECER DO ORIENTADOR: Manifestação do orientador sobre o desenvolvimento das atividades do aluno e justificativa do pedido de renovação se for o caso.
Considero que o discente vem desenvolvendo sua pesquisa de forma satisfatória e que vem cumprindo o cronograma das atividades previstas em seu plano de estudo. É um discente muito interessado e dedicado aos estudos e tem potencial para concluir sua pesquisa com êxito.

DATA : 22/02/2016

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ASSINATURA DO ORIENTADOR

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ASSINATURA DO ALUNO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS: Em caso de aluno concluinte, informar o destino do mesmo após a graduação. Informar também em caso de alunos que seguem para pós-graduação, o nome do curso e da instituição.








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