Universidade Federal do Rio de Janeiro ufrj centro de Letras e Artes – cla faculdade de Letras Departamento de Lingüística e Filologia Programa de Estudos sobre o Uso da Língua peul



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Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Centro de Letras e Artes – CLA

Faculdade de Letras

Departamento de Lingüística e Filologia

Programa de Estudos sobre o Uso da Língua - PEUL

Banco de Dados do PEUL/UFRJ


AMOSTRA CENSO/1980

Falante: 52 Ros

Idade: 10 anos

Escolaridade: Fundamental 1

Bairro: Realengo

Profissão: -

E- Vamos lá Rosana, (grito) me fala da sua escola, como é que é lá, se você gosta, como é que são os professores, os seus coleguinhas vamos lá, me fala da tua escola.

F- A minha escola. Eu acho- eu gosto de estudar lá e os meus colegas eu também gosto dos meus colegas. Muitos eu gosto, muitos, eu também não gosto. Tem uns que são implicantes, sabe? Shirley uma garota Shirley lá, eu não gosto dela. (grito) É Andréia Lisboa, eu também não gosto dela. Simone, também não gosto, [do Braga.]

E- [Simone é aquela que estava lá na frente?]

F- É. Tem cara de cínica ela. Alessandro e Braga. Agora, minhas amigas são Ana Paula e Eli. Elisangela, não é? E a minhas colegas são Andréia Esteves, Rosilene, muitas coleguinha. (ruído) Agora, os professores, lá daquela escola, eu não gosto muito dos professores lá de lá não.

E- Não? Quais que você não gosta? (pigarro)

F- Eu não gosto da dona Dulce, não gosto da dona Manô (risos)

I- (fala sussurrando) ("Eu não gosto dela. Não.") (Fala também como se estivesse cantando) (pequeno silêncio)

F- Eu agora, de [quem]- [quem] eu não gosto !

E- [Por que que você não] gosta dessas professoras?

F- Ah, dona Dulce, porque a dona Dulce é chata, dona Manô dá muito fora nos outros. Não sei por que. Oh, um dia mesmo, eu estava conversando com que eu converso muito com a Ana paula; sento do lado dela. ela me chamou de parasita. Ela me chamou de parasita. Ontem eu ia falar isso. Ela estava ela
- falou assim: "você sabe o que que é parasita?". Pensei duas vezes. eu ia falar assim: "sei, que a senhora me chamou uma vez." Mas eu pensei duas vezes para não falar isso. (riso)

E- Mas ontem ela foi tão delicada

F- Foi porque [você estava lá.] Ela pensou que você era do DEC. Por isso que ela foi delicada. E ainda mandou a gente conversar só por causa do trabalho. Porque você estava lá!

E- Fala alto Ana Paula.

I- [Você estava lá.] Ela não manda a gente conversar não, nem sobre o [trabalho.] ("Os outro") fala assim: "dona Manoelina, a gente pode conversar aqui sobre o trabalho, que eu não sei [a]- [o]- o problema?" Aí ela: "não, cada um faz o teu." Ontem ela só fez aquilo por causa que tu estava lá. (barulho)

F- [Trabalho] [fala alto.] Ela pensou que você fosse do DEC.

E- Ela até desviou a aula dela, não é? mudou.

F- Desviou sim. Ela (ruído) não conversa com ninguém não. Ela diz que não quer conversar: "Na hora de aula é aula." E hoje ela estava chatinha ontem ela estava chata para caramba.

I- Quando você foi lá fora, aí ela pegou, falou assim: "Essa professora é do DEC. Vamos ficar quieto." Começou a falou uma porção de coisa, pensando que você era do DEC, mas se ferrou direitinho, (risos) que você não era do DEC. (f)

F- Pior que é.

I- Ela pensou que você era do DEC. (riso)

F- E foi por isso que ela fez aquilo. Ela tratou a gente como [um]- na palma da mão. Vai todo dia lá. (risos) Vai sim.

E- Vou. (risos)

F- Pinta uma vez ou outra lá.

E- E professora que você gosta? Aquela que entrou? Você disse que gostava dela.

F- Que entrou?

E- É a Dulce, não era a Dulce?

I- [Vai todo dia lá.] Dona Regina.

E- Não, não. [Regina.]

F- [Dona Regina.] Dona Regina eu gosto. Dona Inês também.

I- Ah! (barulho) uma professora que eu [gosto]

F- [Dona] Célia Inácio. (riso) Fala.

I- A professora que eu gosto é a (barulho) (suspiro) que eu gosto mesmo é a dona Regina. Depois (barulho) a [dona] Inês, que a dona Inês é legal para caramba, não é? Ela trata todo [gemidos) [iguais.] Agora a dona Manoelina não. Ela trata você diferente. Se você tem mais dinheiro, ela te trata melhor, se você tem menos, ela trata aquele coisa como que tem uma garota lá que o Jeremias. Ele é pobre (ruído) para caramba, não é? Ela pô, para ela é aquele de lá um mendigo que passa. Só isso. Agora, (barulho) dona Inês não. Dona Inês trata todos iguais; (ruído) para ela todos são rico, todos são pobre, não interessa. Dona Regina a mesma coisa. Eu gosto mais da dona ("Regininha") e da dona Inês.

I- [Mesmo!] (Irmão da informante se dirige à amiga dela)

E- [E] e vem cá. E a diretora.

F- [Iguais.] Diretora?

E- ("Está.") Que você falou que não trata os outros iguais como é que é aquela estória, que você estava falando com a dona Manoelina lá?

F- Ah, é que uma diretora nunca trata um aluno de igual para igual, não é? Uma diretora sempre tem que estar mandando. É isso. Po é isso que eu estava conversando com a dona Manoelina. Ela estava me perguntando qual era o comandante, qual que você sentia bem. Eu disse que eu me sentia bem com uma pessoa que me tratasse de igual para igual. (est)

E- E já levou algum castigo lá na escola? Ficou de castigo?

F- Já. (riso de f)

E- Conta.

F- O castigo que minhas professoras passam é copiar. "Devo ficar em silêncio." [(inint) Mais não sei o que.] É. Ou varrer o pátio.

E- Varrer o pátio?! Nossa!

F- Ou então, ficar de castigo em pé na secretaria. Uma vez, a Ana Paula ficou de castigo. Ia ficar um mês, (barulho) ficar até sete horas. Ela ia ficar um mês, saindo só sete horas, e a gente larga seis e meia. (risos)

E- Mas por quê? Que foi que ela fez?

F- Ela estava brincando, mas foi na aula da dona Regina, a dona Regina não sabia que dona Ângela estava ali. Dona Regina mandou ela ficar ali fora, mas não estava falando sério. Daí, a dona Ângela perguntou, ia botar o nome dela ali na lista, daí dona Regina disse que (ruído) não estava brincando com a Ana Paula, não estava (est) brigando. Daí, tirou o nome dela. [tirou o nome da Ana] Paula.

I- [("É mentira").] (Irmão da informante se dirige a ela)

I- [Ou varrer o pátio.] É por (ruído) causa que a dona Regina brinca para caramba com a gente, sabe? Então (f) (galo cantando) eu na aula da dona Regina, eu brinco para caramba, (f) não é, Rosana? (barulho)

F- É.

I- Danço, não é? Aí dona Regina pegou: "fora!" de brincadeira, sabe? "Fora!". Aí eu saí, estava brincando também, por isso que eu saí. (est) Aí eu saí. Nisso, a dona Ângela viu, aí ela: (conversas paralelas) "Seu nome." Aí eu: "Ana Paula (inint)." Ela: "Fala direito!" (riso) Aí os garoto repetiram para mim, aí depois, ela falou: (f) "Vai lá conversar com ela." Aí eu fui, conversei, aí ela tirou meu nome. Por sorte. (ruídos) (inint.)



E- E vem cá, Rosana, (f) se você fosse essa professora, você daria o mesmo castigo, ou você mudava o castigo, ou você não dava castigo nenhum? Como é que você faria? (pequeno silêncio)

F- Eu acho que eu não daria castigo nenhum. (est) Simplesmente botaria sentado sem fazer nada. Ia ficar sentado olhando para minha cara. O castigo que eu dou, (falando rindo) porque isso é enjoado, não é? Ainda mais quando a pessoa é feia, enjoa. (f) (risos)

E- E vem cá. (batida) como é (conversa ao fundo) que foi a festa do Sete de Setembro lá na sua escola? (f)

F- Ainda não teve.

E- Não teve ainda?

F- [Não.]! [Ah, é lógico.] Essa agora de (grito) vinte e cinco de agosto.

F- Eu faltei.

E- Mas vocês não não arrumaram aqueles trabalhos todos. Como é que foi aquilo?

F- A a Ana Paula é que estava lá, eu faltei, eu não sei o que que aconteceu lá. Eu era oradora num dia, não é? A garota falou errado?

I- Falou. [A (inint.)]

F- [A garota] falou tudo errado. Eu tinha que estar lá para falar certo. Não estava lá, porque estava doente. Daí, acho que saiu uma bagunça. Eu acho. A dona Manoelina, quando ela estava (barulho) lendo, dona Manoelina brigou, sabe? E na sala, ela ficou falando que a Nara [lia] lia melhor. ela e a Rosana, mas de fato a Rosana lê mesmo. (f) Aquela garota (hes) estava lendo tudo errado, sabe? Aí ela ficava assim, vamos supor, se falasse assim, é: "sabia." ("Aí a garota falava"): "Sabe." É, (barulho) assim. Ela falava errado, dona Manoelina, pô, quando chegou na sala, estorou ouvido da garota. Coitada da garota! Agora [não]- não foi legal não. (f) Sabe por causa de quê? Porque o pelotão não formou, [ficou na forma.] O pelotão dona Glória mesmo disse que o pelotão deveria ficar e no CCE com a mesa sentado ali, a oradora com uma cadeira ali para ela poder levantar e ler alto para todo mundo ver, que não tinha microfone, e o pelotão vim da secretaria marchando e no pátio, virar aqui assim, ficar olhando para todo mundo. Não, o pelotão ficou na forma e ninguém sabia quem era o pelotão. Só (barulho) sabia quem era o presidente do CCE, por causa que ela botou [uma]- uma porção de cadeira al), botou o vice
o presidente, botou o ("cortador") de aqueles negócio só isso. ("Mas") que ficou uma bagunça ficou, porque ela chegou (ruído) tarde; ela chegou quatro hora, o horário é dez horas. (est) Chegou tarde.

E- E vem cá, Rosana. Você participa do CCE, não é?

F- [Ela é do pelotão.] Eu não. Eu só sou oradora.

E- Ah, é? E como é que é a [a] a solenidade do CCE? Que como é que começa? Me explica aí como é que que horas você entra [para] para o para [fazer]

F- [Oh,] quando eu entro, eu entro cedo, às vezes, dona Manoelina marca nove horas, às vezes, onze e meia, e como é que começa? É o o presidente do CCE abrindo: "Eu, Cláudio José, abro isso, não sei que", daí, abre assim, sabe? e eu falando, eu tenho que subir em cima de uma cadeira (riso) para minha voz sair alta, porque se eu ficar baixinha, minha voz não sai alta. Parece que até psicológico. (riso) (est) (f)

E- E como é que termina? (grito)

F- Como é que termina? Termina o pelotão marchando marchando, ("sai") o pelotão, daí depois eu desço.

I- Não. Ele


[o] o presidente fala: "vamos encerrar" (música ao fundo)

F- É.


I- Isso que ele fala.

F- ("Vamos") encerrar: "Encerro isso e isso e isso", [daí] o pelotão sai marchando, daí depois, quando eu termino de falar, eu desço da cadeira, daí acho que vêm as formas, não é? Vêm saindo as formas, daí depois o CCE que sai. [O CCE sai] por último.

I- [] [e quando]! E quando o pelotão sai marchando, (ruídos) os garoto fica gritando: "cavalo!". (f) (riso)

F- Pior que é, porque [o]- o pelotão tem que marchar assim: (barulho com a mão, imitando o marchar do pelotão) [com uma]

E- [Marcando passo.]

F- É.


I- Não. É [a] a esquerda, não é?

F- É.


I- Com força, (batida) a direita [devagar.] (emissão de som, sem nenhuma representação gráfica) (batida) Assim. (ruído) (est) O CCE também entra assim, para sentar.

E- (grito) [Devagar] e entra com bandeira também?

F- [Devagar.] Entra. O pelotão, o CCE não. (est)

I- Quem segura é o Sandro. Ele segura, a gente segura a ponta da bandeira. (f) (ruído)

E- E que que você gosta mais na sua escola?

F- Na minha escola? Eu gosto da minha escola, ou o que tem na minha escola? (gritos)

E- Tudo.

F- Na minha escola é minhas colegas e segundo é, quando eu entro, que eu brinco para caramba, a gente entra, daí começa a conversar, fica o nosso grupo ali numa mesa, daí começa a conversar. eu gosto mais dessa parte. (ruído)

E- E que que vocês conversam mais nessa hora ali?

F- (falando rindo) A gente conversa. Qualquer coisa. (f)

I- De garoto. (risos)

F- Garoto, garota, baton (falando rindo) fala de baton, fala de qualquer coisa. (f)

I- A gente fala quem está bonita, pega baton, fica se passando, quando chega na sala, dona Manoelina dá um fora na gente, e só quem leva a culpa, sou eu. (riso de f) Ela é que se pintam, (falando rindo) eu é que levo a culpa. (f) (risos) (riso de i)

F- Não, não foi não Ana Paula. Ontem, você passou (f) um baton, ficou vermelho, ficou vermelhão Denise. Daí, dona Manoelina, claro, turma quatrocentos e um, exemplo da escola, de baton! (risos)

I- Mas o que que ela tem a ver (ruído) comigo! (riso de e) ah! Mulher fuchiqueira, credo! Dá um tempo! Ah! (riso)

E- E vocês se arrumam muito assim para ir para festinha? É sempre assim, ou é só para ficar enchendo o saco da dona Manoelina [que vocês fazem isso?]

I- [Não, a gente vai] às vezes faz isso só para [coisa de garota].

F- [Eu]! Eu faço eu gosto de fazer, mas é só para pertubar a dona Manoelina. Eu gosto de ver ela agitada, eu gosto. [Por que (inint)] no teu bloco (inint.) ah! Não. [Eu não.]- eu não. Eu já não gosto. Não é para pertubar ela não, eu gosto é por causa que, sei lá (ruído) [eu] eu com aquele brilho ("das garota"), assim, sabe? (ruído) Eu me acho ("você") mais bonita, mais sei lá, sabe? e não é para botar raiva (f) na dona Manoelina não, por causa quem sempre que leva a culpa (riso)

E- (falando rindo e bem baixo) É você. (f) [Levo o pato.]

F- [Mas, na hora] de colar, a Ana Paula cola na maior careta! Ela só vê eu colando. (riso de i) [Ana Paula]-! Ana Paula lá para o Sandro: "me [passa o]- passa o teu papel de rascunho aí para mim, que eu vou copiar na minha prova." Dona Manoelina só pega eu colando. (riso de e) não. É sabe por que? Ela não sabe colar. Ô Denise, ela não sabe colar não, por causa que eu colo assim, quer ver? "Rosana, [passa]- passa para cá, passa para cá." Aí, se dona Manoelina perceber que eu estou falando com ela, finje que eu estou lendo. "Rosana passa para cá". Ela não, já vira assim: "Ana Paula, passa para- (inint.) (barulho) esse aqui é desse aqui." Claro que dona Manoelina e - numa prova ela: "Esse daqui não sei o que lá", claro. Eu não, já estou: "Sandro, passa o teu rascunho, Rosana não sei que." Ela não, ela já (inint): "olha, esse daqui" aí dona Manoelina: "Rosana!" (risos)

E- Está colando. [(inint.] (f) [Aí dona] Manoelina: "Vou separar vocês." Eu: "Não dona Manoelina (falando rindo) (inint) que eu estou colando dela." (f)

E- E me conta [um]- um dia que dona Manoelina pegou você colando. Como é que foi?

F- Um dia que ela pegou eu colando? Dona Manoelina, eu acho que ela quando ela pega, (est) ela olha para mim manda eu separar carteira. Mas um dia que ela me pegou colando, ela não falou muito não. Quem falou muito foi dona Regina, (som musical) que me pegou colando, (batida) daí mandou eu [separar]- separar bem a carteira de Ana Paula, pensando que eu que estava colando de Ana Paula, Ana Paula é que está colando de mim. Quase que eu falo: "Ana Paula é que está colando de mim, eu não estou colando de Ana Paula, dona Regina, por que que a senhora quer que eu separe carteira, (falando rindo) por que que a Ana Paula não separa?" (f) (pigarro) Eu ia falar isso, mas eu não vou falar, porque dona Regina- (ruído) quando ela fica nervosa, eu já conheço, porque ela fica assim, oh, (risos) fica assim mesmo. (ruído) [É cacuete,] não é? (barulhos) [não]- não adianta ela separar carteira, que aí a gente vai, passa o rascunho por debaixo.

F- É. Ou então amassa o papel, joga lá, finge que vai fazer ponta, pega o papel do rascunho, copia na prova, (batida) e dona Regina, quando fica com raiva, depois ela pede desculpa. A mim, ela sempre pediu. vamos supor, ela está lá no quadro, (ruído) aí, vamos supor, eu falo: "dona Regina, é para copiar agora?" Ela falou assim: "não, é para enfeitar o quadro."


aí eu [ela] ela - sei lá os garoto pega, fica com raiva que ela me bota no colo, não é? (barulhos) Aí ela me fez aquilo, pô, fiquei com raiva, não é? Aí depois, eu fui lá, aí ela: "desculpa, eu não queria [falar isso] falar isso não, mas vocês me enchem!" Sempre pede desculpa.

F- Uma vez, ela brigou comigo, daí ela falou assim: "Eu conheço quando eu estou errada, desculpa. Eu reconheço quando eu estou errada." (est) (f)

E- E vem cá. E se você fosse a diretora da tua escola, que que você faria para melhorar ali a escola?

F- Para melhorar?

E- É.

F- Se a escola estivesse muito ruim, eu deixava. (falando rindo) Claro que eu ia deixar. Arrumava outro emprego, mas deixava a escola. (f) Mas para para melhorar, eu ia fazer igual regime de quartel, (ruídos abafados) vai ter que ficar assim, é assim, quem não ficar assim, (f) vai ter esse castigo. É o único jeito, por criança, criança pequena, claro que não vai obedecer tanto.



E- Aí você não acha (inint) que as crianças iam te achar muito chata?

F- Iriam, mas a melhorar a escola. Assim achar até melhor, uma vez, dona Manoelina falou assim: "quatrocentos e um fazendo essa bagunça!" A moça deu um ar de riso, como quem diz: "é, a escola é assim mesmo."

E- E vem cá. E os garotos lá da (barulho) tua escola, como é que são? Vocês brincam com ele, ou vocês costumam ficar brigando com eles?

F- Nós brincamos e brigamos [ao mesmo] tempo. A gente brinca de briga.

E- [Por que] ah, é! me conta isso aí.

F- É porque eles, às vezes, chutam nossas canela, daí a gente fica correndo atrás dele para pegar eles, para bater neles. É sim. E quando eles, quando some um troço lá de outra pessoa, eles querem revistar nossas pastas, daí a gente começa a brigar.

I- Ou então, é por causa de um garoto, aí eles não se conformam que o garoto é mais bonito do que ele, eles ficam com raiva, querendo dar tapa na gente, assim não dá, (riso de f) que nem esse presidente do CCE, esse Cláudio José. (ruídos) Pô! Aquele garoto é mais bonito do que o Sandro (f) (batida) e o Sandro quer se não se conforma, (batida) (riso de e) fala que ele é o mais bonito, ah, dá um tempo! (ruídos) (gritos ao fundo)

E- E me conta aí Rosana, como é que foi a briga de com é, sua com a Ana Paula por causa do menino, daquele menino que vocês me contaram?

F- É porque ela disse não foi, não é? Briga, não é?

E- Foi uma discussão. (grito)

F- É. Não foi bem uma briga. Ela [disse] (ruído) disse que estava gostando (conversas paralelas) dele, daí eu (f) (f) eu era já já era namorada dele. Ele pegou, quando (galo cantando) eu não estava perto dele, (f) ele estava conversando com a Ana Paula, aí ele disse assim: "não vai namorar só por causa de uma amiga?" Ele disse que tinha falado isso para mim, daí eu não liguei, ele foi sincero comigo. E depois, no dia que eu faltei, ele foi, dia vinte cinco, ele foi lá na casa dela, ele, o Sandro e Nara. Ele disse que gostava dela, mas não tinha certeza, daí ela veio aqui e disse que gostava dela, mas não sabia, não tinha certeza que ela gostava dele. (ruídos) Daí, ela veio aqui. Ela veio, e me pediu para não para mim não ficar com raiva dela [por causa disso.] Eu disse que eu não ia ficar com raiva não, porque se ele não gostava de mim, o que que eu ia fazer. Daí, ontem mesmo a gente ia conversar com ele, você pintou lá, não deu nem tempo, porque a gente ia conversar com ele. [Olha, se ele ] (riso de e) oh, não. Se ele dissesse para mim que gostava dela, eu ia encostar ele [na]- na parede, mesmo que a Ana Paula não gostasse, podia não gostar, mas eu ia encostar ele na parede. Ia sim, porque quem brinca comigo me dá ódio na hora, às vezes (assovio) eu me arrependo, mas me dá ódio na hora, eu tenho que fazer o que eu quero.

E- [(inint.)] [Encostar ele na parede.] É baixinha, mas vai para luta. (f)

F- É claro! Não posso fazer olha, Ana Paula acha que eu tenho (inint) medo dela, eu não tenho medo dela. Se eu fosse se eu tivesse medo dela, eu não seria amiga dela; seria amiga dela por causa de medo. (grito) (est) e eu não sinto medo dela. Por isso que eu sou amiga dela, porque se eu não fosse, se eu tivesse medo dela, claro que eu não ia ser amiga dela, ia ficar fazer o possível para ficar longe dela. Para ela não chegar perto de mim, cismar de querer me bater. Eu não tenho medo dela. Se ela vier me bater, também vou (riso de f) vai apanhar também. Eu só não brigo com ela, porque ela, às vezes, está brincando. (est) O dia que dona Ângela estava lá, a gente estava brincando de dar uma tapa na cara da outra. Ela dava um tapa (riso) na minha cara, eu dava outro (riso) na cara dela, (falando rindo) me dava um, dava outro, dava um, eu dava outro. (f) Era brincadeira, por isso que eu [não]- não sou muito de levar até longe. Depois ela me pediu desculpa, eu pedi desculpa a ela.

I- [Isso é.] Acabou. (risos)

E- Aí acabou a briga. (riso de e)

F- Aí acabou a briga.

I- E desse garoto, do Cláudio, sabe? Perto dela [falou] que gostava dela. Mas aí depois, lá fora, ela ficou brigando com os garoto, sabe? Aí ele: "ih! ela luta mesmo." (barulho) Aí ele ficou conversando comigo, perguntando se eu queria namorar ele, aí eu falei assim: "não, porque a Rosana gosta de você, não é?" [E ela é minha amiga.] Aí ele pegou e falou assim: "Ah, por causa de uma amiga tu vai deixar de namorar?" Aí eu falei assim: "está legal." Aí eu fui falar com a Rosana, mas aí a Rosana já tinha marcado encontro com ele. Aí não deu. Mas segunda-feira a gente fala com ele. Só se você não aparecer lá. (risos)

E- Não, [vou aparecer] lá não. (inint.) [eu deixo] vocês falarem com ele segunda-feira, (riso de e)

F- [Ele diz que gosta de mim.] [Eu sou faixa branca.] [Não, não, não.] (hes) Não, [você]- você mora muito longe?

E- Moro. (riso de e)

F- Tem telefone?

E- Tenho.

F- Deixa o telefone aí. Daí, eu ligo para te contar tudinho [(inint.)] [não é, Ana Paula?]

E- (falado rindo) [Tudo bem.] (f) (risos) [E você]! E você já sabe o que que você vai falar com ele mais ou menos?

F- Oh! Se ele chegar para mim, dizer que gosta dela, eu sei. Claro que eu sei que que eu vou falar. vou dizer que ele é um mentiroso, que é um sujo, não sei por que que ele é do CCE, porque dona Manoelina não sei o que que ela viu nele; eu tenho até o mesmo sobrenome que ele. (ruído) (est)

E- (falando rindo) Ah! Para os mesmos. (f)

F- É o nome dele é Carlos José e meu nome é Rosana José, (est) daí eu vou dizer para o que que dona Manoelina viu nele [para ele] ser presidente do CCE, com aquelas orelhas grande que ele tem, vou falar assim mesmo. (riso de e)

I- [Mentira.] [Bonito.] Orelha grande Rosana!? [Mas você ama ele,] Rosana.

E- [Olha!] (risos) Não espalha. (riso de e)

F- [Ele tem.] Ele tem orelha grande sim, porque ele tem cabelo curto, daí a orelha dele faz assim.

I- [Olha.] [A orelha dele] é igual a tua, é porque ele tem cabelo curto, aparece.

F- Igual a minha?! [Ana Paula] (falando rindo) olha para minha orelha. Eu sou inteligente, eu não sou tão burra. Tanto você vê que eu sou inteligente que tu cola de mim. Olha para minha orelha, hein! (f) (risos) (riso de f)

I- [Aparece.] Rosana, isso não quer dizer nada, Rosana, está legal, por causa que (f) você com o cabelo assim, a a tua orelha fica igual a dele. [agora (inint.)]

F- [Não, acho que eu tenho [testão.] Testão eu tenho, (falando rindo) mas orelha grande eu sei que não tenho. (f)

I- É por causa que você fica com o cabelo assim e quase não aparece, mas ele não, ele tem cabelo aqui assim, aparece, não é?

F- Mas e oh eu e quando eu boto grampo? Boto um grampo aqui, fica aparecendo minha orelha. Eu não acho minha orelha grande [não.]

E- [(inint.)] [Não,] não é tão grande não.

I- É igual a dele [Rosana.]

F- [Olha eu conheço] um garoto que tem uma orelha pequenininha. Desse [tamaninho.] O Ivan. (riso de f) (falando rindo) ele tem um orelha desse tamaninho. (f) Uma vez, eu saí da sala, porque eu estava rindo da orelha dele. (riso de e) Eu estava ensaiando o papel, daí eu tinha que ir lá para o pátio. Eu estava daí o Sandro falou assim: "Olha tu tem o Cláudio tem a orelha do tamanho [da]- da do Ivan?" Daí eu falei assim: "Não sei, nunca vi a orelha do Ivan." [Dai]! Daí o Sandro chamou o Ivan, daí falou assim: "agora olha para orelha dele." A orelha do Ivan é desse tamaninho. (riso) Eu peguei, eu: "Ah, ah, ah, ah, ah." Comecei a rir, dei uma gargalhada. (riso de i) Dona Manoelina: "Sai da sala, vai para o pátio ensaiar isso sozinha." Eu tive (est) que sair da sala, mas eu saí com uma raiva dela.



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