Universidade Federal do Rio de Janeiro ufrj centro de Letras e Artes – cla faculdade de Letras Departamento de Lingüística e Filologia Programa de Estudos sobre o Uso da Língua peul



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E- Dona Manoelina é fogo, hein! (vozes)

F- É sim.

I- [O Ivan.] (riso de i) Ela adora [ela gosta,] não é?

F- [Humilhar.] [Mas também] oh, quando eu chego humilhar uma pessoa, quando eu estou por aqui, mas quando eu chego humilhar aquela pessoa, eu gosto de botar a pessoa abaixo de vagabundo, eu boto. (est)

E- Nossa! (riso de e)

I- [(inint.]! Eu também. Pô, naquele dia que ela me deu aquele fora, pô acho que tivesse aquela a chapinha de coca-cola, eu acho que eu entrava ali, ainda sobrava um espaço para outro que quiser entrar comigo, acho que dava garota, pelo fora que ela me deu. [O fora foi enorme.] [Cheguei em casa]

E- [E ela dá fora assim] sempre com todo mundo?

F- [Dona Manoelina (inint.)] Dá, dá sim, ela chama de burro, chama de...

I- Parasita

F- Parasita, diz que é pulguenta, diz tem uma garota lá, Simone, ela. Chama a garota de Simone pulguenta.

I- A da frente.

F- A da frente.

I- É por causa que a mãe dela deixou de ir lá, que ela fica chamando a garota assim. Ai, se meu pai fosse (batida) lá, garota. Ela falou que conhecia meu pai. (batida) [Aí]...

F- [Olha,] ela fica um doce comigo porque meu irmão tem papo, sabe? Ele tem um papo, daí ela ficou um doce comigo, que levou ela num papo. (est) (ruído) Daí, ela ficou um doce comigo, no outro (ruído) dia, ela ficou parecia um quê? Um uma lá diabinha que está na minha frente. (riso de e) Ela me tratou tão mal.

I- No dia que ela me tratou mal, foi por causa daquele homem, sabe? O seu Mário, (est) ele deixa a gente entrar na padaria para pegar pão. [](inint)! A gente não foi bem para pegar pão; a gente foi para fazer bagunça dentro da [padaria.] (riso de e)

F- [Ele disse] padaria. Nós entramos atrás da padaria, onde fazem o pão. Ela disse que a gente parecia mendigo, que ficava ali pedindo pão ali na porta, que antigamente ficava os mendigo (est) ali na porta da padaria pedindo pão do seu Mário. Aí disse que a gente parecia mendigo, ficando ali pedindo pão e a gente não tem não precisa fazer isso, porque a gente tem de comer dentro de casa. Sabe que eu, Ana Paula, Sandro, todo mundo tem, mesmo que que é pobre, toda a turma da quatrocentos e um tem o que comer dentro de casa, não tem necessidade de ficar pedindo pão. E quem ficar pedindo pão é mendigo lá na porta. (est) Mas a gente não estava ali para pegar pão, a gente estava para brincar. [Para fazer] bagunça.

I- Para ver o forno, o homem abriu, assim, o forno, aí eu: "Eu vou entrar lá, quando eu sair, eu saio torradinha." (riso de f) Ficamos brincando assim, aí a gente falamos, (conversas paralelas) no outro dia, o seu Mário não foi, a gente falamos que ia fazer uma pesquisa.

F- Foi sim.

I- Nisso, tinha um negócio, assim, grandão, aí o homem estava explicando para gente: "oh, aqui faz o pão [em um] em um minuto, agora esse daqui, (grito) faz o pão [em uma hora.] Aí a gente pegou ah! (suspiro) Depois entraram os garoto: "Vamos pegar pão!" Ele são (inint), aí ("pegaram") e falaram assim: (batida) "pô, a gente fazer pesquisa. Ele mentira a gente entramos aqui para pegar pão." (riso) garota, quando o homem olhou assim para minha cara, a gente pegamos o pão e oh!, se mandamos, depois, dona Manoelina viu e aí ela brigou. Aí, nesse dia, meu pai ia fazer a espada, então ela não falou nada, ficou um doce. Depois que eu cheguei, fui lá e falei assim: "Dona Manoelina, meu pai não vai poder fazer a espada", ela falou: "A Ana Paula ficou na padaria igual um mendigo." Aí a Rosana, eu pedi a Rosana a borracha da Rosana emprestada, aí que eu já comprei mais de vinte e três borracha, já me roubaram as vinte e três borracha, para que que eu vou quarenta e seis, eu não. (riso) Daqui a pouco vai ficar uns (falando rindo) cinqüenta. [Então eu não-] então eu não comprei, sabe? aí eu falei assim: "Eu não vou comprar borracha." Até uma borracha que minha colega (latidos) me trouxe da Fanta, cheirosa, sabe? (grito) me roubaram. Aí eu falei assim: "Agora só vou usar a da Rosana, ou então a ("daquela")." (inint) Rosana me pega Rosana me pede minha caneta vermelha, me pede minha caneta azul. pô! Ela é minha amiga eu empresto com o maior prazer. Agora dona Manoelina tem que ver só porque eu pedi a da Rosana, (batidas) porque que ela tem que se meter comigo, falou tanta coisa [(inint.)]

F- [(inint.)] [Uns cem, um milhão] de borracha. (f) [Ela falou] para fazer uma [vaquinha] para comprar uma borracha para Ana Paula. Ana Paula não é pobre, não é pobre, assim, igual a essas esses mendigos. (est de i) Ela tem dinheiro até muito mais para comprar uma fábrica de borracha. Agora dona Manoelina, ela disse que para fazer uma vaquinha, daí tem um garoto lá, ele é todo posudo. Anda assim. [É metido!]

I- [(inint.)] [("Ah, é.")] [Anda bem assim, oh, todo assim.] Ah! Dai um tempo! Para mim quando na primeira série eu chamava sabe ele de quê? De bicha. Sabe por causa de quê? Ia com Melissa para [escola] e anda todo assim oh. [Aí dona Manoelina] falou assim: "vamos fazer uma vaquinha para comprar uma borracha para Ana Paula?" Quando ela falou isso, eu- meu olho encheu d' água, (batida) meu coração começou a bater forte com tanta raiva que eu fiquei. aí esse garoto metido, pegou a borracha e falou assim, todo assim, (grito) não é? "Aqui dona Manoelina, pode dar para Ana Paula." Aí ela foi lá, fez assim com a borracha, oh, (barulho feito, imitando uma batida) me deu: "Oh, toma a borracha, nessa sala tem - um um ajuda os outro," ah garota, eu (ruídos) fiquei com tanta raiva. Nesse dia, eu fiquei até quieta, (f) eu fiquei. (ruídos) Cheguei em casa, eu falei para minha tia e chorei. Aí, minha tia pegou, falou assim: "Ah, e se ela- quando ela fez isso, porque que não (inint), agora é jogo, agora quando eu não tiver uma coisa, vou ficar pedindo os outro emprestado para me dar, vai ser jogo, (est) falava assim mesmo que ela ia ficar com uma raiva." Aí eu falei assim: "Não, não tenho coragem de fazer isso não." (conversas ao fundo) eu não gosto que ninguém, assim, me humilhe, eu então, eu também não gosto de (ruídos) humilhar os outro. Mas como que ela me fez, que eu acho que eu fazia isso. Fazia [sim.] Minha tia tem dezenove anos, igual a você, ela é legal [para caramba.] (f) (suspiro)

F- [Escola.] [Meu irmão] tem dezenove ano, igual a você, (grito) aquele que te levou ali ali na esquina, sabe? Mas [eles]- eles mandam eu falar cada coisa para professora, mas dar [um fora]- um fora de deixar a professora desse tamaminho, [sabe?] (riso de e) daí, eu [não]... [não]... não falo não. Ela- eles mandam é
mandam eu falar assim para ela: (grito) "Por que que você está se metendo na minha vida, quem manda na minha vida sou eu, como a senhora diz. Cada um cuida da sua." Eles querem que eu [fale isso,] mas se eu falar, eu vou para diretoria, vou ficar lá em pé, ou então vou varrer o pátio, ou então vou fazer cópia, é um (ruído) montão de castigo que ela dá. (est) ("que") o pior castigo é chamar o pai, [porque que ela (inint) tanta bagunça].

I- [Igual minha tia.] [Fala!] [Sabe o que que ela fez] com o (inint) problema no ouvido, garota! Operou, mas não operou logo já faz um tempo, mas, pô, dói, porque ele tem problema no ouvido, (ruídos) sabe o que que ela fez? Pegou a orelha, assim, do garoto e hã, ele (berro) deu um grito [(inint) chorou,] (f) não parou de chorar até a hora que ela aí, não é? [(inint) Foi querer assim, para falar que estava brincando, ela:] "A boneca vai chorar." Esse garoto, o Sandro, que faltou, ela chama de boneca, se eu fosse ela, falava assim: "vamos embora lá no banheiro que eu vou te amostrar a boneca." (ruídos) Ah! eu falava, garota. tinha que me chamar de boneca? Ela já viu que eu sou uma boneca? (f) Então vamos logo no banheiro para ela ver que que é uma boneca. (risos) aí ela vai ter certeza se é uma boneca, (falando rindo) ou se é um boneco. (f) (risos)

F- [(inint.)] Pior que vai sim. O garoto com a orelha operada, o garoto não parou de chorar, coitado. Dona Manoelina é ruim. Se aquilo é comigo. Se eu pudesse, eu dava parte para eu ver ela presa.

E- [Rosana, (inint?)] [Até isso ela faz?] [Nossa!] [(interjeição), todo fresco.]! [Nossa!]! [Nossa!]! E ninguém fala nada. O garoto não [falou nada?]

F- [Ninguém fala] nada. Só porque é amiga da família, é amiga da familia, é amiga da mãe, é amiga do pai. (conversas ao fundo) Ninguém fala nada e [ garoto fez] operação, o garoto é do pelotão, é o melhor aluno, mas ela diz que vai dar <"d"> para ele, (barulho) por causa do comportamento dele, que ele é do pelotão, mas é o pior aluno

I- Por causa que ele responde ela, mas ele está certo.

F- Claro!

I- A gente não pode dar queixa dela não. Não pode. Por causa garota que ela tem um santo forte. Eu sei que isso é mentira, mas ela fala. Ela fala que tem um santo forte, que ela descobre qualquer coisa [(inint)] [não dá, Rosana.] [Não dá Rosana para descobrir.]

F- [Não, dá para descobrir sim]! [Eu sei isso, Ana Paula,] [você é outra religião.] Ana Paula, é [outra religião,] outro tipo dá.

I- [Ah! Rosana.] Mas não dá Rosana. Oh Rosana!

F- [(inint.) Sabe]

I- [(inint) Descobrir ] (final do lado ) (início lado )

E- Vem cá, Rosana. Quantos irmãos você tem?

F- Quantos irmãos? [Oito,] comigo nove.

E- E como é- - me -> me fala sobre cada um deles. (ruídos) Com quem que você se dá melhor, com quem você conversa mais como é que é?

F- Com o Vicente, que é o mais brincalhão da família, (ruídos) e com o Sílvio que [é] é o irmão mais namorador. Daí eu fico arrumando namorada para ele, eu arrumo. Eu digo aonde é que tem garota bonita, eu digo aonde é que não tem, quando eu vejo, eu digo quem é bonito, eu digo quem é feio, para ele. Me abro mais é com o Vicente e com o Sílvio. (est) (f)

E- E a tuas irmãs?

F- As irmãs? Tenho uma irmã que eu gosto (ruídos) muito dela. Só em pensar que que um dia ela vai morrer, eu choro. É a Sílvia.

E- É a que trabalha lá em baixo, não é? (f)

F- É.


E- Me fala dela, (ruídos)

F- Ela ela, não sei porque ela, quando eu era pequena, eu não gostava de estudar. (f) (riso) Eu não gostava de estudar, daí ela me batia tanto para mim estudar. Aí eu não ela diz que me batia, porque eu tinha que estudar e eu não tenho raiva dela. (conversas ao fundo) se fosse outra criança, claro que ia ter (est) raiva dela. Eu não tenho raiva dela. Eu gosto dela. (f)

I- (irmão da informante) [Oito.] Eu adoro a Sílvia.

E- E vem cá. (grito) E você ajuda aqui, seus irmãos ajudam aqui na casa, tua mãe, teu pai-

F- Ajudam.

E- [Que que vocês fazem mais?]

F- (hes) O Sílvio, o que eu me abro mais, é ele sabe cozinhar, (batida) sabe (batida) arrumar casa, ele sabe costurar, [sabe passar,]! (riso de e) (falando rindo) Sabe fazer tudo. (f) [O Vicente] não sabe fazer nada. O [Vicente]

I- [(inint.)] [Já pode casar.]! [Não pode casar.]

F- O Vicente ele já é casado. (risos) O Vicente só quer comida na mão, quer água na mão, quer tudo na mão, não quer fazer nada. [Só quando] tem que fazer mesmo. O Evandro também [não quer]- não quer fazer nada, só uma vez ou outra, porque ele é que sempre vai na rua comprar, ("os troço.") O Robson sempre (suspiro) ajuda minha mãe em qualquer coisa. (conversas ao fundo) O Edson, o japonês, [o]- o- os negócio dele é lutar karatê, mas já é casado. (riso) [O] e o [Paulinho]- Paulinho é o trabalhador. Ele nunca ó, [está]... [está]... está há anos, desde que era garoto, está no mesmo emprego ainda. (est) [está ganhando] os tubos. Ele sempre está trabalhando e sempre está ajudando, ele quer ver a casa toda limpa. Não quer ver isso de poeira. (latidos)

F- (irmão da informante) [(inint.)] [("Telerj").]

E- Boa vida. Legal.

F- Quando ele chega aqui, às vez ele vê um montão de papel em cima da mesa, quando a gente está escrevendo, está fazendo uma coisa, ele pega o papel, embola e joga fora, não quer papel em cima da mesa, não quer nada sujo. (est) Agora, são as irmãs que eu tenho. A Sandra Maria [ela]- ela ela limpa a casa, ela cozinha, ela faz um montão de coisa [também.]

E- [E esse] baixinho sapeca aí. (barulho)

F- Ele não é meu irmão não.

E- Fala dele.

F- [Ele]! [Ele é] Ele é [chatinho], é implicante, [é]- [é]...

I- [(inint.)] [(inint.)] [Sou sapeco] (irmão da informante)

F- Ele é sapeco, (risos) (batida) ele adora mexer com Ana Paula, com a outra, Andréia, Andréia Esteves

E- E você briga muito com ele?

F- Eu brigo. (barulho)

E- Conta aí uma briga que vocês já tiveram.

F- Uma vez que não, briga, briga mesmo, ou briga de brincadeira.

E- Briga mesmo.

F- Briga mesmo foi quando ele puxou meu cabelo, eu dei cavalo nas perna dele. (riso)

E- E você sabe cozinhar Rosana?

F- sei.


E- Me conta aí um prato que você sabe fazer.

F- Eu sei fazer arroz.

E- Como é que faz?

F- Como é que faz? Primeiro, bota o óleo na panela está errado Ana Paula? Não está errado não. Não sei porque que tu está rindo. Está errado? Então não sei fazer.

I- [(inint.)] Primeiro, [bate o] primeiro, bate [o]... [o]... 0o alho [por] (falando rindo) por bater o (ruídos) alho no óleo. (f)

F- Eu boto primeiro o óleo, deixo o óleo dentro da panela, para depois (batidas) bater o alho, (f) botar o alho dentro do óleo.

E- [Não.] Que mais.

F- Não sei fazer arroz não. [Eu sabia,] agora esqueci. (grito) (riso) Esqueci. Ana Paula vai dizer que está errado, daí (inint) [eu esqueci.]

E- [Ah! (inint.)] [Ela não diz] não. [Tenta aí.]

I- [(inint)] Não. É que eu estava de bobeira. Vai, fala logo.

F- Não, sei fazer batata frita, sei fazer ovo, .

I- Fazer batata frita. (falando rindo) Sabe fazer ovo? (f)

F- Sei.

I- (falando rindo) Quem faz ovo não é a galinha não? (f) (risos)



F- Ah! Ana Paula, poxa! Aí Ana Paula! (risos) [Eu sei quem faz ovo é a galinha,] [mas]... [mas]... mas quem mata o ovo? (conversas paralelas)

I- [(inint.)] (hes)

F- Quem mata o ovo, não sou eu?

I- Ah! Mas você fala assim: "eu faço ovo." (inint.) (riso)

F- Ah, Ana Paula eu não sou galinha não. (riso de f) (falando rindo) [Que droga! (f) (risos) (inint) Simone.]

I- [Vai logo! Como se faz macarrão Rosana?]

F- É, macarrão? Macarrão, bota dentro da água, daí deixa ele amolecer. Bota dentro de uma panela com água, bota!

I- (falando rindo) Mas primeiro deixa a água ferver, Rosana. (f)

F- Eu sei, mas bota dentro de uma panela com água, ele, assim, quebrando, daí depois, passa ele num... eu esqueço [o nome.] Não, eu não posso ("comer") manteiga não. Boto naquele [escorredor.]

I- [(inint.)]

F- Não.

E- [Manteiga.] [Ah!] É para escorrer?



F- É, escorrer. Daí depois, bota dentro da panela, pica, faz o molho, bota o molho [dentro da panela.]

I- [Se for de galinha, galinha,] [galinha.]

F- [Galinha.] (gritos) Deixa a galinha ali dentro, que se for com salsicha, faz com [salsicha].

I- [(falando rindo) Salsicha. (f)]

F- (hes) Nunca viu não? (riso)

I- (falando rindo) Salsicha. (f)

F- Salsicha. (riso de i) Se for com lingüiça, (batida) faz com lingüiça, (batida) daí por bota ele dentro da panela com molho, mexe, mexe, mexe, daí está pronto.

E- Acabou?

F- É. (riso de e)

I- Como é que se faz galinha?

F- Ana Paula! Como se faz galinha? Deixa eu ver! (ruídos) Quem faz a galinha? Quem faz a galinha? Quem inventou a (falando rindo) galinha? Deixa procurar. (f) Ai, meu Deus, deixa eu procurar, quem inventou a galinha. (f)

I- (falando rindo) Foi o galo. (risos) (ruídos) Para de bobeira gente. (f)

E- Vem cá.

F- Não tem aquele ditado: "filho de peixe, peixinho é"? (falando rindo) Filho de galinha, galinha é. (f) (risos)

E- Vem cá Rosana. Finge que eu sou seu pai. (est) [Você] tem que me pedir alguma coisa, um presente, ou você quer ir para uma festa, qualquer coisa assim. Como é que você faz? Como é que você fala com ele?

F- Eu não falo.

E- Você não fala! Como você não fala?

F- Eu falo com minha mãe.

E- Ah, então finge que eu sou sua mãe. Pronto! (risos)

I- [E eu sou tua mãe.] [Não,] eu sou tua mãe e ele é o pai, (ruídos) porque é assim que eu peço para o meu pai.

F- [É]! É, o: "mãe, a minha colega, ela perguntou se eu podia ir numa festa." Daí, "Se eu podia ir a uma festa com ela." Se minha mãe disser não, eu falo assim: (fala imitando choro) (ah mãe, ela mora ali (f) na Belém." Ana Paula mora lá em cima, depois da Avenida Brasil. Eu disse que Ana Paula morava na Belém. (fala imitando choro) "Ela mora ali na Belémm, mãe, deixa eu ir." (f) Daí, começo a chorar, (batida) faço aquele drama. Daí ela deixa, às vezes, também não deixa muito não, só deixa quando é aqui perto. (est) Quando é aqui perto. (ruído)

E- Vem cá Ana Paula. (pigarro) Você tem muitos amiguinhos [por aqui]

F- [Rosana.]

E- Rosana. (falando rindo) [no]... [no]... no bairro? (f)

F- Tenho.

E- E como é que são? Você brinca muito com eles. Como é que é? (ruídos)

F- Eu brinco quando eles vêm aqui, (est) porque eu não vou na casa de nenhum deles, às vezes, que eu vou na casa da vizinha, ou então do lado do outro lado da rua brincar. (f)

E- (conversas paralelas) E tem vizinhos legais aqui, ou tem algum chato, implicante?

F- Aqui, nisso daqui, os únicos legais são a Jaciara, que mora ali do outro lado da rua, Adriana, que eu estava conversando você viu? Adriana, só.

E- E os implicantes. (f)

F- Os implicante são o resto; tudo daqui da Olinda.

E- Que que eles fazem?

F- Ah! Que que eles fazem? Tem muita cara fechada, não falam, passam pelos outros olha, você fala com eles na rua, no outro dia você fala com eles hoje na rua, no outro dia, eles já passam, nem cumprimenta, são assim, (ruídos) aqui todo mundo é aqui assim, principalmente a Mercedes, que é aquela rica de lá, principalmente ela, é a mais chata, porque ela nunca está ali. Os filhos dela são legais, o Márcio e o Alexandre, que o Márcio e o Alexandre, eles não ligam porque são rico, eles andam com os garoto (est) que são pobre para caramba ali da Belém. (f)

I- (conversas ao fundo) Que nem meu primo, ricaço, é mais rico do que eu, não é? Eu, não é nem rica, eu não sou. Tem na minha rua, tem uma horta, sabe? (ruído) Aquela gente são pobre, mas pobre que não tem onde cair morto. Meus primo gostam de andar mais com ("aquilo") do que andar com os outro, (est) (f)

F- Eu acho também, porque você andando mais com aqueles você andando com rico. Tudo bem. você está andando com rico, os outro vai te achar chata, vai te achar metida. Eu não quero que ninguém ache metida. Ana Paula pode ser rica, mas ela é legal. Eu ando junto com ela, (est) eu, eu sei que eu não sou rica, mas eu também não sou mendiga, não é? [Porque] vê cada pobre aí, que nem tem não tem nem casa para morar. (est) Uma vez a minha colega disse oh, uma Giane, ela é minha prima de consideração. Ela disse para colega dela, sabe o quê? [que]- que a colega dela morava num barraco. Depois que eu soube daquilo, cheguei para ela e disse assim: "você não tem que falar isso para ninguém. mesmo que ela more num barraco, ela tem casa para morar. Você fala agora, amanhã, quem não vai ter nem onde cair morta, vai ser você." (est) (ruídos) [daí, ela] pegou, ela ficou com uma raiva de mim. [Não] não falou nem mais comigo. Que eu estava na casa da minha tia passando férias. (ruídos) Ela mora perto da casa da minha tia, não falou mais comigo não. (est) Só porque eu dei aquele fora nela, ela [tem que]- tem que chamar os outro de de mendigo? está quase chamando os outro de mendigo. se mora num barraco ou não, no
o problema não é dela. (est)

I- [(inint.)] [(inint.)] Lá na minha rua, sabe? [Essa] essa mulher que mora no barraco, então (inint) mudar para lá, para minha casa, todos os domingo ela está lá. Aquele que mora perto da casa da tua madrinha, (est) sabe?

F- Sei quem é, uns garoto [grandão.]

I- [É (inint.)] (ruídos) Não, só que não era o grandão, é o pequenininho. (f)

F- É o pequenininho.

I- É. (ruídos) Aí então, ele brinca muito, sabe? Então os outro fala assim: "Pô, Marcos orlando, deixa de ser chato, fica só brincando com eles, porque não vem brincar com a gente? Aí ele falou assim: "porque eu não gosto. Também eles também são filho de Deus. Eu quero brincar com eles. não- eu quero brincar com todos." então, todo mundo ficou com raiva, fica falando assim: "ele mora ali num barraco. vem brincar com a gente, que tem é carrinho." (f) ele falou assim: "Não interessa, para mim o que interessa, é ter uma amizade [de]- de uma pessoa que goste de mim." Então, aí [a minha avó] ficou sabendo disso, não é? Aí, minha avó falou assim: "É melhor a gente morar num barraco, de que não morar em lugar nenhum. E quem mora num barraco, assim [(inint) [é difícil]! É difícil [a]- a casa cair, que pode chover, ela não cai. Agora tijolo, é, como é que se diz? (est)

F- [Ele está certo.] [Casa de madeira.] [Umedece.]

E- [(inint.)]

I- É, aí, cai na mesma hora. Agora pau, (barulho com a boca) não. (conversas paralelas) Minha avó falou que, quando ela era nova, ela era ela também não era (ruídos) pobre não, sabe? Mas também não era muito rica. Depois que ela foi, não é? Mas ela morava numa casa de madeira, mas não era (inint) essas madeira vagabunda não, sabe? Essas madeira, assim, bonitinha, pintadinha, telinha, direitinha, depois que ela foi morar naquela casona.

F- Mamãe vai botar laje aqui, aqui chove para caramba. Ela vai botar laje, vai comprar um laje. (est) agora, quando a gente melhorar a casa, em qualquer coisinha, os outros já fica achando a gente metida.

I- Pior que é. (est)

F- Pior que é. Olha, a minha mãe, a cozinha dela, ela passou vermelhão de novo, vai passar vermelhão de novo na sala, sabe? Ela passou vermelhão na cozinha, a minhas colega disseram que eu estava metida, porque a cozinha estava com azulejo, estava com um vermelhão muito bonito, que eu estava toda metida e porque tinha ganhado uma roupa nova. (barulho emitido com os lábios) [Eu fiquei com uma raiva.] Deixei de falar com ela. Na minha rua, minha avó tem (conversas) paralelas) uma ("casinha azul e branco"). Minha avó, sempre para o natal, pinta. Quando não tem, pinta, não é? Então, quando pinta, eles pensa assim (barulho) aí eu não falo com ninguém, não é? Por causa que está pintando, então eu vou correndo na venda, vai buscar não sei o que lá, vai lá [no]- no (f) naquele loja de ferragem, (est) vai buscar tinta, (est) (inint), então eu passo, (inint) não estou nem prestando atenção, estou prestando na coisa que eu vou comprar. Daí eles me acham metida, mas eu não sou [(inint.)][Eu não sou metida.] Olha, eu posso ser rica, mas eu vou (latidos) em casa de gente pobre. [Eu posso] ser [rica]- rica e posso até reparar, mas eu não falo nada para ninguém, guardo comigo. (est) (f)

I- [("Eu também").] ("Eu também sou assim"). (est) Só que eu vou ser que nem a (falando rindo) Roberta Leone. (f) (risos) Vai na casa dos pobre e não quer nem saber. Eu também vou ser assim, quero [nem saber.] Eu também fui eu também era assim. [Eu não posso falar nada (inint.)]

F- [Eu também.] [Eu, oh eu não posso dizer] que eu sou rica, porque eu não sou rica, eu sou pobre, não é? Todo (falando rindo) mundo vê que eu sou pobre pela minha casa, (f) mas eu acho que o mais pobre que a casa for, sendo limpinha e asseada, a casa é [rica.]

I- [É mesmo.] É mesmo.

E- [(inint.)] Mas as pessoas pobre são as mais [carinhosa,] são as mais dadas.

F- [(inint.)] É, mas tem muita pessoa que são pobres, mas não são carinhosa, não são mais dada, porque eu conheço muitas. Olha, essa moça aí da frente, ela é minha prima. Eu não gosto dela. Eu posso dizer, não gosto dos filhos dela, eu digo. Pode ser até pecado não gostar de criança, mas eu não gosto dos filhos dela. Os filhos dela são implicante, ela é implicante, é quizumbeira, eu não gosto. Tem todo motivo para arrumar confusão e [minha mãe] fala minha mãe não fala nada. Minha mãe é calma, (ruído) não quer arrumar confusão, nem olha (est) para cara dela. E quando ela vê minha mãe, ela grita, diz que ninguém mais tem respeito dentro desse quintal agora, se ela chegar para mim e dizer que eu sou isso, sou aquilo, também vou dizer vou dizer [para ela também, claro!] Oh, uma vez, ela disse que minha irmã, ela tinha brigado com a minha irmã. Minha irmã ela veio aqui dentro da minha casa e bateu assim (batida) na mesa e disse assim: "O que que é isso?" Falando para minha mãe! "O que que é isso, que a senhora brigou com os meus filhos, porque [ele estavam] eles estavam batendo portão." A minha irmã pegou, falou assim para ela, a minha irmã Sílvia: "você está falando isso para minha mãe, você não tem respeito nenhum por ela. Vem falar isso para mim." Daí, a Rosemary, essa moça aí do lado, ela se acha bam, bam, bam, que quer bater em todo mundo. Ela diz que bate (ruídos) em todo mundo, mas nunca bateu em ninguém, tem um medo de qualquer pessoa, Ana Paula. (est) (gritos) (som abafado) Daí, minha irmã pegou, disse que ia bater nela, ela nunca mais, nunca mais agora, minha irmã está fora (barulho) daqui, (grito) está morando lá na casa da minha tia, ela faz e acontece (f) com a minha mãe. Eu não falo nada, porque depois, minha mãe diz que eu também sou quizumbeira. Eu não quero que minha mãe diga isso, daí eu não falo nada, mas se vier falar comigo, eu também vou arrumar confusão.



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