Universidade Federal do Rio de Janeiro ufrj centro de Letras e Artes – cla faculdade de Letras Departamento de Lingüística e Filologia Programa de Estudos sobre o Uso da Língua peul



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I- [Eu também. (inint.)] Olha só [(inint.)]

F- [Ela são] medrosa. Olha, uma vez, o meu tio, ele tem arma, sabe? Ele pegou, (est) tirou a [as] (ruído) as balas da arma e pegou, deu a arma no marido da na mão do marido dela. no marido da (inint), porque [ela]- ela bate no marido. Sem brincadeira. [Ela bate] no marido.

E- [Que legal.]

I- (falando rindo) Que legal. (f) (risos)

F- E ele não fala nada, porque, se ele falar, (ruídos) as irmãs dela vão tudo contra ele, (f) daí ele não fala nada. ele não pode falar nada, daí o meu tio (inint) pegou, deu uma arma na mão dela na mão dele, ele pegou, foi ameaçar ela, todo mundo veio [contra] contra ele. Ele é que está certo. Ela bate nele, ele não pode fazer nada. (riso) Se vier ela, se ela bater nele, é todo mundo vem junto. [

Se ele] encostar um dedo nela, vem todo mundo contra ele. [Pior que vem.] Eu não vou contra ele não, quero mais que ela ele bata nele, de deixar o dia que ela agüentou tomara que ela ganhe uma surra na rua olha, as irmãs dela, as única que eu falo são a Rosângela e a Rosely, (est) porque são as melhores daí, porque a Rosilene vive correndo atrás de homem. (riso) [Vive sim.]

I- [É igual] a minha mãe. (a partir daqui começam a aparecer muitas vozes ao fundo) Minha mãe também é assim. É minha mãe, (ruído) mas eu falo. É sim, que ela casou com meu pai, pensando que meu pai era rico, mas naqueles tempo, meu pai foi o primeiro filho, minha avó não era muito rica, não é? Então, casou com meu pai, por causa daquela casa grandona, ela pensou que meu pai era rico, casou com meu pai, mas se ferrou, garota, (batida) se ferrou direitinho. (gritos) Nesse dia, eu queria estar viva ali, oh,


vendo aquela cena (gritos) assim, ela (ruídos) casando com meu pai, pensando que meu pai estava rico, 2 casando assim, pensando assim: (f) "Vou ganhar na loteria esportiva." Falando isso, sabe? Mas ela se ferrou direitinho, [meu pai]- meu pai era pobre, agora que meu pai vai subindo, que foi trabalhando no hospital, [logo quando começa]- logo quando começa, (ruídos) ganhando aos pouco, (est) (inint) (pigarro) meu pai, quando ("coisou"), subiu mesmo, então ela se separou do meu pai. (f) Ela chegava, garota ela batia em qualquer um chegava em casa, queria dinheiro para ir para farra, não tivesse, que ela meu pai tirou ela do ("muquice") sabe aonde é que é?

E- [] [(inint.)] não.

I- Sabe aonde é que é?

F- [Agora, (inint) é separado] da mãe; (falando rindo) (inint) do ("maluquice"), Ana Paula, (f) poxa, da [tua mãe Ana Paula.]

I- [Meu pai tirou] ué? mas é verdade (inint.) meu pai tirou [ela de lá de dentro.]

F- [Ela (inint.)]


pode dar com ela ali na rua, mas é tua mãe Ana Paula. (ruídos)

I- Ela meu pai tirou ela lá de dentro. Só casou com meu pai, (inint) que meu pai era rico. Ela é que eu estou morando com minha avó, porque ela é que me expulsou de casa. (f)

E- Nossa!

I- Não foi porque meu pai falou assim: "Oh, arruma tua mala e vamos embora, que eu quero tirar você desse (inint) (ruídos) inferno." ("Não foi por isso não"). (barulho feito com a boca) Que eu fosse meu pai meu pai é bobo, que nem meu irmão. [Meu] meu pai ficava ali, oh, (ruídos) com ele. Até ela falar assim, oh: "Cachorrinho, vai embora que já acabou a carne." Até meu pai (hes) minha mãe [falar isso.]

E- Rosana, quais são as festas bonitas que existem por aqui? (f)

F- [(inint.)] Por aqui, festa junina, é festa de natal, que é a mais bonita, e de ano novo, (ruídos) que vem eles vem muita gente para cá para minha casa. (f)

E- Conta aí como é que são. Como é que como é que foi a festa junina. Como é que acontecem (inint.)]

F- [A festa junina]- as festas junina vai é lá na Belém, sabe? (est) É lá em cima na Belém, ou então aqui em baixo. festa junina, eu vou para ver, (ruídos) não tem aqui na Olinda não. Eu vou para lá ver, eu vejo eles dançarem, (f) mas são é bonito eles dançar, mas não é muito animado não, (est) igual tem que ser festa junina. [E festa de natal]- e festa de natal, eu acho festa triste.

E- É?

F- Eu acho, mas festa de ano novo eu acho festa alegre.



E- Por que essa diferença?

F- É porque festa de natal fica todo mundo dentro de casa, fica todo mundo pacato, vendo aquele filme que aparece de natal. (ruído) Mas já ano novo vem todo mundo, fica todo mundo contando [o] o (ruído) segundos, um, dois, três, [até] até dar outro ano, dai, quando dá o, toda vez que, quando dá o outro ano, a gente fica contando, quando dá, estoura duas garrafas de champagne para molhar a casa todinha, (est) (pigarro) sem bricadeira jogar, assim, pelas paredes, daí vai para sala por isso que eu acho bonito a festa de ano novo, mas a de natal é triste, não gosto de natal não, porque fica todo mundo dentro de casa, vendo aqueles filmes. (est) A coisa mais triste é ver o pai e uma mãe dentro de casa sozinhos numa festa de natal, não é? Porque eu já vi.

E- (inint.) É chato realmente. Minha mãe também não gosta não. (pigarro)

I- (inint.)

E- Vem cá

I- Nem minha avó.

F- Acho que ninguém gosta, não é?

E- (ruídos) (inint,) Fica esperando, aí janta ceia, não é? [Depois vai cada um dormir.]

F- [É, (inint,)] (f) É sim, é muito chato, mas natal vem muito pouca pessoa aqui, às vezes, vem, conversa um pouco com meu pai, porque meu pai conversa para caramba.

I- Natal eu não fico em casa não, (barulho) vou lá para casa da minha tia. Minha casa fica chata. Vou lá para casa (batida) da minha tia que é mais animado [(inint.)]

F- [No natal olha, natal,] eu vou na casa de todo mundo para não ficar aqui dentro, vendo ("essa coisa") chata, porque aqui dentro a [não]- não vem quase ninguém dia de natal, (est) daí eu vou para casa dos outro, felicitar os outro. vou na casa daqui, vou na casa dali, vou na casa da lá, vou em qualquer lugar, vou na casa de fulano, de sicrano. Olha, ano novo, eu peguei, e subi lá em cima Avenida Brasil, eu e minha irmã. Não sei como é que minha mãe deixou, [eu e minha irmã, avenida Brasil.]

E- E fica deserto, não é?]

F- É, ali na Avenida Brasil, (ruído abafado) é deserto, ainda mais à noite, dia de natal, os outro bebe, não é? (est) Não sei como é que minha mãe deixou, ela fica apavorada, quando a gente sai. [Mas acho festa de natal] triste.

I- [("Meu pai não liga não").] ("Meu") pai não liga não. Meu pai fala, que se tiver que acontecer, vai acontecer mesmo. (ruídos)

E- Pior que vai, (f) [Eu também penso assim.]

I- [(Meu pai não liga não").] (inint,) Às vezes, a minha tia [(inint,)] Eliza e a (inint.) aí, às vezes, tem festa lá para Bangu das colega (batida) dela, não é? Me pai deixa, que que tem? Meu pai nem esquenta.

F- [Ah, mas eu não penso assim não.] Sabe por que que eu não penso assim? Porque tem modos da gente evitar, (f) (est) sabe? A gente pode evitar aquilo. Olha, [meu]. Meu primo, ele morreu, sabe? ele morreu, ele era criança. Minha tia Ceci, ela às vezes, vai no cemitério levar flores para mãe dela [ela]- ela ia acordar cinco horas da manhã. O Edimundo estava lá esperando, era quatro horas da manhã. daí, naquele dia, por azar, ela acordou oito horas da manhã, passa o pai dele, passou o pai dele para ir lá no posto, levou a filha Andréia, a filha Érica e ele. (est) Chamou ele, porque ia Ceci ainda não estava acordada. Naquele dia, houve um acidente de carro, ele morreu. (grito) Ele morreu e a irmã Érica, a Andréia não morreu não, porque tia Ceci, a minha tia, (tosse) por azar, ela acordou oito horas, ia acordar à cinco. (est) Daí ele morreu, ele e ela. [Meu primo] meu primo e minha prima. (ruídos)

I- Eu acho que é porque devia acontecer mesmo, sabe por causa de quê? () meu tio paulinho morreu. Minha avó nunca levou flor para ele. Acho que levou só um dia, por causa de coisou, levou um dia e nunca levou [mais.] Eu acho que isso deve acontecer, que tem que acontecer mesmo, não é por causa que foi aquilo não. eu acho, na minha opinião, ("não sei") a de vocês.

F- [Eu acho não,] porque, olha, meu irmão, ele é polícia, daí ele sabe esses caso que acontece de polícia. (est) Ele disse que [uma] uma família aí na Marinha, é graudões da Marinha, essa gente rica, não é? [Uma]- uma moça de dezenove anos morreu, daí, quando ela estava morta, estava no caixão, (f) (ruído de carro) eles abrem o caixão para ver, ("ainda") vestir, a moça estava lá, vestidinha de preto, com a mão assim, (f) a moça levantou do caixão e se sentou.

E- Como é que é?

F- Foi, a moça levantou do caixão e se sentou. Pegou, tiraram todo mundo de lá, daí veio um médico estava cheio de polícia lá. Veio um médico, daí o médico daí, acho que mandaram dar injeção na moça para moça morrer, daí a moça daí enterraram a moça de novo. Foi isso que aconteceu. Olha, é na morte da mãe da minha cunhada, quando a mãe da minha cunhada morreu, ela disse que não queria ninguém chorando. Daí, a mãe da minha cunhada começou a chorar, a cara da mãe da minha cunhada começou a franzir todinha, como de quem não gostava daquilo. (est) Foi isso que aconteceu. Isso foi verdade, porque a contou quem contou foi a avó e foi a mãe. Foi a avó e a mãe da minha cunhada. (ruídos) está virado para o lado.

I- Minha tia, minha avó, quando morreu, a mãe da minha mãe, ela deitou assim na cama ela tinha muitos filho, sabe? Deitou assim (vozes) estava já estava deitada na cama, (est) aí segurou a mão de todos, pediu para segurar a mão assim de todos e disse falou a minha mãe era mais velha: "Tereza, é- toma conta deles para mim como que fosse teu filho." Minha mãe trata deles como que fosse teu filho, trata até melhor de do que eu ela trata: trata deles direito, só não bota na escola, que ela também nunca foi na escola e nem quer. Portanto, que eu também estou na quarta série, por causa dela. (riso de e) É.

F- Eu acho que eu estou adiantada. Eu acho. Estou com dez anos.

E- Está na idade certa.

F- [Mas eu] tinha que estar [com] (pigarro) com no ginásio.

I- [(inint.)] Não.

E- Não. [Não.]

F- [Tinha] sim, porque naquele tempo, não fazia primeira série de novo, no meu tempo. do ca passava logo para segunda, eu tive [que fazer de novo por que não tinha] vaga na segunda. Se eu tivesse passado. Daí eu estava no ginásio já, estava na quinta série esse ano.

E- [Vem cá.] Vamos falar de uma coisa mais alegre. Me conta aquele filme de dos Trapalhöes que você disse que foi ver. Como é que foi o filme?

E- Ah, eu não sou muito de rir não, mas foi legal. Tem uma cena que aparece a Bruna Lombardi, quando ele entra dentro de um poço, daí ele tem que passar pelo negócio assim (est) aí o poço está cheio de caranguejo ali dentro. Daí tem daí aparece um buraco, assim, do lado do poço. Daí ele sobe até aquele buraco, daí vai andando. Daí tem uma cena que sobe assim, quando ele chega é um uma lagoa linda, cheia de flores, aquelas flores bonita em volta. Daí sobe um painel assim, um painel rosa, com aquelas luzes assim, assim, olha. (est) [E a Bruna] Lombardi ali no meio, com um colant, com coroas de flores no cabelo, (barulho) linda, aquele aquela cena foi a mais bonita [que eu vi.]

I- [Sabe por causa de quê?] [(inint.)] [(inint) Que eu vi, é] o filme do ET. Foi legal [também.]

F- [Eu quero ver,] mas eu quero ver agora, porque agora é dublado em português, não é?

I- Não, mas quando foi em inglês também, ele falando, e passava inglês [escrito] e ao mesmo tempo o homem falava o que (hes) que nem nos repórter não vai [aqueles (inint) falar?]

F- [Escrito.] O homem falava [o que]- que o que que eles [estava] conversando.

I- [É.] [É.] Mas foi legal [esse filme.]

F- [Uma cena] que eu vi no et, que passou na televisão foi os melhores filmes, quando passo um não é? (est) A o ET gritando, que o ET levou um susto (falando rindo) daí a garotinha levou um susto com ET. Oh, a garota (ruído) tudo que é os outro fazia, o ET repetia, fazia a mesma [coisa,] não é? Daí a garota levou um susto com ET, que o irmão, o irmão mais velho, que descobriu ET, (est) daí mostrou o ET ao garoto. [Daí,] o garoto ficou com um olho, [daí foi amostrar a garota].

I- [É.] [É (inint.)] [("o ET") era o passado dele, o ET] era o passado dele. (ruído)

F- É, (est) daí depois amostrou a garota, daí a garota (grito), daí o ET (grito), (falando rindo) fazendo a mesma coisa, (riso de e) gritando. (f)

I- A garota telefonava, [aí] aí ela falava: "Bola," aí ele: <"bo...">, aí ela: "ET", aí ele: "ET (inint.)" a primeira palavra que ele aprendeu foi isso, (ruído) falar (inint) legal. Quando ele bebia chopp, não é? Aí: "hic", aí [o] o garoto lá na escola que fazia hic. Aí depois o (ruído) ele pegava, ia beijar a garotinha, o garoto lá na sala, que beijava a garota, todo mundo gritava. Ih! Foi legal esse pedaço também.

I- [("Parece que bebe"), ele que fica] tonto.

F- [Um pedaço que, quando ele oh] eles estavam correndo numa bicicleta, levando o ET, mas daí eles estão bem correndo, porque esta a polícia atrás dele, daí, quando eles chegam assim, já está os policiais do outro lado, que tinham cercado (est) daí o garoto fechou o olho, daí a bicicleta começou a subir, daí o garoto disse assim: (falando rindo) "me diz quando isso acabar (inint.)" (f) (risos)

E- [Eu sei como é que é.] [(inint) Barato. E vem cá Rosana, se você ganhasse na loteria, que que você ia (ruídos) fazer com aquele dinheiro todo. (f) (batida)

F- Com aquele dinheiro todo? Primeiro que que eu ia fazer? Com um pouco de dinheiro, ia comprar dólar.

E- Ó! Espertinha, hein!

F- E depois ó, aplicar em terra, eu não ia aplicar não, porque é muito ruim terra, não é?

I- Não, eu acho que eu aplicaria em terra.

F- Eu acho que eu não aplicava não. [acho que eu-]

I- [Metade.]

F- Metade! Poxa, muito menos da metade dá para comprar um montão de terras. Bastante terras. E [ia comprar] um pouco- ia comprar dólares. (est) E mais um pouco, acho que eu compraria lojas (est) para vender negócio. Acho que isso que eu faria, e, depois, ia ajeitar não ia comprar uma casa nova, ia ajeitar uma casa em outro lugar, ia ajeitar essa casa aqui, ia pagar os imposto desse terreno e tirar todo mundo daí. (barulho feito com a boca)

I- (irmão da informante) (inint.)

F- Que é ("menino que foi")? (ruídos) E depois ia dar presente para quem ("eu") queria.

I- Principalmente o (inint.) (risos) (inint.) (batidas)

F- Não, é bem capaz de eu dar, se eu ganhar na loteria, se eu não ganhar- (ruídos)

I- Eu prometo que (inint) na loteria, eu reformo uma casa, ou então, compro uma casa lá para Copacabana, [Leblon]- Leblon não, cruz credo só para Copacabana, ah! de frente para o mar.

F- [Ah, não.] Ipanema não, Ipanema não. (inint) (est), porque uma casa agora está cara para caramba. Trinta e trinta e cinco [milhões.] (inint.)

I- [Mas com que que você] ia ganhar, oh, dava até para comprar duas.

F- Ah! Eu sei aquele cara que ganhou na quina e na loto. Na na quina da loto. Claro, ele vai perder dinheiro logo. Ele não tem cultura, vai comprar em terra, (ruídos) [vão]- vão passar (f)

E- Mas por que logo Ipanema que você falou?

F- Ipanema? (ruídos)

E- É.


F- Ah, porque eu gosto. [Ipanema ou Copacabana,] porque meu nome rima com Copacabana. (riso de e) Rosana, garota de Copacabana, Jurema, (falando rindo) garota de Ipanema, (risos) fica rimando. (f) [("Igual") minha prima] (f)

E- [Você não acha que por lá]! [Você não acha que lá] está muito cheio já?

F- Está, mas eu gosto de lugares assim, não gosto de lugar vazio não.

E- Você não gosta de lugar calmo que nem aqui a sua casa?

F- Eu não gosto não.

E- Por quê?



F- Ah, porque eu me sinto mal. [Olha,] quando eu estou dormindo, está todo mundo dormindo, sabe? Lá no meu quarto quase ninguém ronca (ruído) (est) mas daí fica aquele silêncio, aquilo vai me dando um nervoso. Daí eu tenho que falar alguma coisa. Falando sozinha isso eu acho que é psicológico. Porque me dá um nervoso eu falo, daí eu falo alto. Daí aquilo vai martelando na minha cabeça. Daí depois me dá nervoso, parece que está todo mundo discutindo, brigando. Está todo mundo brigando (fim da gravação)

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