Universidade Federal do Rio de Janeiro ufrj centro de Letras e Artes – cla faculdade de Letras Departamento de Lingüística e Filologia Programa de Estudos sobre o Uso da Língua peul



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Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Centro de Letras e Artes – CLA

Faculdade de Letras

Departamento de Lingüística e Filologia

Programa de Estudos sobre o Uso da Língua - PEUL

Banco de Dados do PEUL/UFRJ


AMOSTRA CENSO/1980

Falante: 24 Val

Idade: 15 anos

Escolaridade: Fundamental 2

Bairro: Tanque

Profissão: estudante

(barulho da gravação)

E- Como é que eles são?

F- Bom, apesar de eu ser filha única, não é? Eles me dão tudo... sei lá. (vozes no fundo) Não é uma questão que tudo que eu quero, eles me dão, porque, às vezes, meu pai... ele recebe assim, não é? De quinzena, não é? Aí ele fala: "não, está, eu estou com dinheiro." Aí na outra, quando ele vem, ele me dá. Fiz aniversário, sabe? Me deram- viajei, adorei a viagem-

E- Para onde você foi?

F- Eu fui para Pouso Alto, não é? Sul de Minas. Adorei. Passei três dias lá. Ah eles são legais à beça comigo. [não]... não brincam, sabe? Apesar, quando eles brigam, eu: "pô não sei quê..." aí, eu começo a fazer paz entre eles, (riso e) para não ter um relacionamento chato, não é? Porque eu acho que, entre o casal, uma família tem que ter o maior relacionamento, não é? Ficar brigado, fica chato à beça. Eles são legais à beça. (est)

I- E eles são abertos com você?

F- São, isso são. (est) Sempre, quando tem assim problemas, eles falam... Aí eu... eu tento resolver, não é? Não tento assim me meter; ("às vez"), dou uma opinião, assim de leve. Aí eles resolvem. (est) São abertos à beça comigo. Isso são.

E- Você sente falta de irmãos?

F- Não. Quer dizer, talvez, quando eu fosse menor, eu sentisse, porque [eu não]. Eu não tinha assim uma criança para mim brincar. Agora não, (est) já estou moça, não é? Eu tenho minhas colegas da escola. A gente sai, vou só cinema, estudo na casa delas. Não sinto não. Isso (inint-)

I- Mas dizem que filha única é muito mimada. É verdade?

F- Bom, eu nunca fui cheia de mimo, porque minha mãe sempre foi pelo justo, sabe? Ela nunca foi de, às vezes, brigar com uma pessoa por causa de mim. Não, ela sempre foi pelo justo... não, eu acho que não. Isso não é verdade não. Isso depende muito da pessoa. (barulho) (f)

E- Você... a sua mãe estava dizendo que vocês moram aqui há pouco tempo. Apesar

de morar há pouco tempo, vocês... você tem muita amiga por aqui?

F- Tenho. Aqui na rua não tem muita garota, sabe? Tem a Giovana, não é? Tem uma garota ali que a gente não se fala legal. E tem umas garotinha aí embaixo, que são da minha escola. Às vezes vou lá, na casa dela. Agora, garoto aqui tem demais. Garota não tem muito não.

I- A Giovana parece ser simpática, não é?

F- É, ela é legal à beça. A gente fez prova para concurso, não é? De bolsão, (est) nós fizemos juntas. Ela é legal à beça. A gente, sempre, quando tem dúvida, que nós estamos na mesma série, e dúvidas assim que eu tenho, não é? E que ela tem , às vez a gente troca dúvidas, idéias... ela é - legal. (est)

E- E você não- quando você morava na Tijuca, você estudava aonde?

F- Eu estudava no (inint) Carneiro, na rua dos Araújos.

E- E tinha saudade? Você tem saudade?

F- Ah! Eu tinha. Logo que eu vim morar aqui, eu tinha saudade, porque minhas colegas... que eu fiz tudo: jardim, não é? Fiz até sexta série lá... pô! Eu senti a maior saudade. Porque, quando ("eu") vim para cá... porque eu falei: "poxa, lá eu não vou me habituar." Porque dez anos que eu morei lá. Na Tijuca, não é? (est) Eu falei: "pô, lá eu não vou achar colegas, não é?" Mas foi tudo pelo contrário. Eu acho que eu fiz bastante amizades aqui. Tenho um relacionamento legal com a minhas colegas. Sei lá, elas me acham agradável. Eu também acho elas agradável à beça. E minha colega hoje... teve uma colega minha hoje, aqui da Tijuca, que a gente conversou. (est) Eu acho...

E- Dá até para matar a saudade, [então?]

F- [é] Dá sim. A gente... ela fala das fofoca de lá, eu falo daqui também.(riso f). ("apesar dela") não conhecer minhas colegas daqui, não é? Mas eu conheço as dela lá, a gente troca fofoca. (est)

E- Você falou aí da... de uma viagem que você fez a Pouso Alto. Você foi sozinha ou ("foi?")

F- Não, eu fui numa excursão da escola. Calhou de ser um... dois dias antes do meu aniversário. Foi dia um, dois e três, a excursão. Meu aniversário era dia cinco. Eu ia fazer quinze anos. Aí meu pai me deu a viagem, não é? Me deu uns presentes também. Aí eu fui. Adorei a viagem. Foi maravilhosa!

I- Que que vocês fizeram por lá?

F- Olha! A gente... nós ficamos num hotel, sabe? Em Pouso Alto. Lá, nesse hotel, era tipo fazenda, e nós... eu andei de cavalo. Adorei andar de cavalo. A primeira vez que eu andei, e adorei. (est) Andei de bicicleta, conheci a cidade, fui em ...São Lourenço; no parque das águas. Muito bonito lá. Só. Eu acho que só. É- (hes) fui à piscina, lá. (ah!) joguei baralho, cartas, festa, lá... teve lá.

E- Foi com a sua turma da escola?

F- É, foi com a turma da escola.

E- Ah! Então deve ter sido ótimo!

F- Ah! Foi maravilhosa!

E- E você costuma viajar assim muito ou-

F- Não. ("foi-") Com meus pais eu já viajei bastante. No Natal, a gente sempre vai. A gente vai para Resende, para Angra...dia de domingo a gente sai, sábado às vezes, a gente acampa- e, agora, sozinha mesmo, só fui essa que eu fui agora, dia um de outubro. (est) Acho que foi bacana.

E- Você está ficando adulta, não é?

F- Tem que ir. (riso f)

E- Já pode viajar sozinha.

F- Claro!

E- E você costuma acampar com os seus pais?

F- É, a gente sempre vai. Sempre vai, porque teve um feriado que teve esse ano já, nós fomos... não gostei muito não, porque é cheio de mosquito, não é? A gente tem que passar um monte de líquido... um líquido, um para não pousar, não é? (est) Mas não gostei, não gostei muito não. A gente ficamos em Piratininga; um pouco depois de Niterói. Foi legal. Sei lá. Foi com a família, não é?

E- Ah! E que tem? Ir com a família. Não é bom?

F- Não, foi legal! (est)

E- Escuta, e a sua escola aqui, como é que é? Você gosta dela?

F- Gosto. Eu estou ...sei lá, [não]- não estou gostando de eu ter ("que") sair, sabe? Porque eu fiz a sétima e a oitava aí, que é o ano que eu estou cursando. Eu não estou gostando, porque eu vou sair, mas não tem o que eu quero, não é? Vou...o pessoal vai tudo se separar, não é? Uns vão estudar na Tijuca, outros no Impacto, não é? Eu ainda estou vendo matrícula para mim. Pretendo ir para Gama Filho.

I- E você não arrumou... não passou ("no curso não")?

F- Eu passei mas é tudo cursinho, não é especializado, sabe? E eu queria um... uma coisa especializado na matéria.

E- E o que que você quer, especializada em quê?

F- (tomou fôlego) Bom, eu gostaria de cursar... fazer o científico, não é? Depois um cursinho de enfermagem, não é? Para especializar melhor [a]... a medicina, depois eu queria... gostaria de fazer também um...os primeiros socorros, não é? Que é bastante importante. E acho que agora em Janeiro, eu vou me matricular [numa]- numa faculdade... (inint) me matricular numa excursão que tem, que vai ter para Teresópolis, numa faculdade de lá, para pesquisar cadáveres. Eu adoro, sabe? (riso f) (est) Eu gosto (interjeição). (hes) É medicina, não é? Já que eu vou fazer, acho que eu tenho que enfrentar desde agora, não é? Os problemas.

E- Isso é.

F- É.

E- Perfeito. Mas de onde vem essa sua vontade de fazer medicina?



F- Ah! Eu acho que desde pequena. Desde pequena que [eu]-eu gostei de brincar de médica. Eu acho que vem de mim mesmo, opinião própria. Apesar que minha mãe nunca interferiu no meus problemas. Assim problemas não, o que eu deveria fazer ou não. Porque minha mãe gostaria que eu fizesse normal. Eu falei que não, não estava, não sei, não vem de mim para mim ser professora. (est) Eu gosto muito de criança... se eu fosse fazer normal, ia fazer professora de primário, mas eu acho que (hes) professora (hes) para enfrentar um magistério mais tarde, não é? está o maior problema. Apesar que a medicina também aqui não está muito [esgotada]-esgotada, como engenheiro também, não é? (est) Não sei, eu pretendo, quando eu me formar mais tarde, ir ("para o") Ceará.

E- [Ceará.]

F- [É,] fazer lá. Talvez abrir um consultório, não sei, não é? Mais tarde...

I- Você gosta do Ceará, então.

F- Adoro. Uma viagem que eu fui com oito anos, eu passei três meses lá. Adorei. Apesar que deve estar bem diferente, não é? Quinze anos já que eu tenho. Mas eu pretendo agora ir em janeiro. Talvez eu vá com a minha mãe, meu pai também.

E- Vocês têm família lá ainda?

F- Tenho. Eu tenho uma avó materna, e um casal de avô paterno.

E- Deve ter primos ("ou") não?

F- Não. Primos não... eu tenho uma tia em Recife, [tenho]... tenho três tios, em Recife, que eu não conheço, sabe? Também pretendo conhecer. Agora, tenho várias tias por aqui.

E- Aqui no Rio?

F- É aqui no Rio tenho. (est)

I- E primos?

F- Primos, bastante. Porque minha avó, ela teve dezessete filhos. (est) Então, dezessete filhos. Apesar que a família do Ceará...o pessoal do Ceará, não é? Tem bastante filhos, não é? E eu... maioria eu conheço. Agora três tios que eu não conheço, que moram em Recife, que é parte de pai, e minha mãe não. Minha mãe, ela... eu acho que são três....eu tenho minha mãe e mais duas. E minha avó cria três, eu acho, (est) no Ceará. (est) (vozes ao fundo)

E- E por que que a sua mãe veio para o Rio?

F- Ah, eu não sei! Isso eu não sei, por causa que eu acho que, quando ela casou com meu pai, não é? Meu pai, eu acho que queria conquistar a vida aqui um pouco no Rio, porque eu acho que lá não tinha recursos suficientes, não é? No Ceará, apesar que eu acho que ainda não tem, não é? E meu pai ganhou a vida aqui, não é?

E- Ela veio casada então?

F- É, veio casado para cá.

I- Como é ser caminhoneiro? Seu pai fala alguma coisa (inint?)

F- Não, meu pai não.... meu pai, ele é muito assim brincalhão, mas ele não fala muito não. De ser caminhoneiro não. (est) Ele gosta, sabe? Da profissão. (est) Ele era- antigamente ele- quando (hes) ("eu era")
- menor, ele foi porteiro, motorista de táxi (est) e agora sendo autônomo, não é? Como caminhoneiro. (est)

I- Então, caminhoneiro não está sendo problema para ele?

F- Não. (inint.) Acho que ("já") há cinco anos que ele está caminhão. A gente morava na Tijuca, não é? Nós tivemos que (hes) mudar para cá, para Jacarepaguá. Para facilitar, não é? Meu pai. (est) Aí nós viemos para cá, aqui está legal morar aqui. (est)

E- O caminhão é dele?

F- É, é dele.

E- Mas ele não viaja para fora?

F- Não. É aqui mesmo no bairro.

E- No bairro!

F- É. Por aqui.

E- Agora, queria te fazer uma pergunta. Ainda voltando ao assunto da escola, que eu estava pensando e esqueci. É como é- que que você acha do ensino de língua portuguesa, na escola? Você gosta, você não gosta? Você acha bom, acha ruim?

F- Olha, eu não gosto, sabe? Porque eu nunca gostei de português, não é? Não gosto de português, não é? Tem que ser... acho que favorece bastante o - o brasileiro, não é? Apesar que eu tenho aqui um vizinho, que ele é... é da Inglaterra, não é? E a gente[não]- não tem muito relacionamento porque teve uma confusão, que ele matou a minha gatinha, sabe? Então a gente é, assim, intrigado, não é? Mas eu acho que- eu, se eu fosse mesmo- que eu ainda quero ser médica, não é? Caso eu não- sei lá, (hes) algum imprevisto, ("eu falo que eu farei") intérprete de línguas, que eu adoro, (est) também adoro. - É bioquímica, também eu gosto muito, adoro. (vozes no fundo)

E- Mas conta a história aí da sua gata! Por que que ele matou?

F- Porque ele tinha um passarinho, não é? Ele tem um viveiro lá na... no fundo da casa dele, e minha gata, desde pequenininha [não é?]

I- [(inint?)]

F- É. (risos f) Mas ela nunca passou, não é? Para casa dele, porque lá no final tem um portão, mas minha mãe já evitou, não é? Ela tampou tudo, não é? Para pular, não é? Mas aí eles acham, não é que é gato, não é? Com passarinho ela pulou. Então ela estava grávida , não é? Era uma gata siamesa. Então, ela estava grávida, então- eu acho que foi isso. Ele talvez [não]- não gostou, não é? Que estava lá na casa dele- eu acho que também a gente estava errado, não é? Ele deu um.... uma ("pisada"), um chute, sabe? (carro) Supetão [na]- na barriga dela. (f) Aí [ela]... ela abortou os filhinhos, (vozes) não é? E ela morreu no dia seguinte. ("o único negócio") Que foi errado, não é? Mas...

I- Lógico que foi.

F- É. [foi bastante-]

I- [(inint)] Isso.

F- Apesar que ele gosta muito de animal. Eles adoram. Mas sei lá, não é? Agora, crio outro, crio uma cachorra. (est)

E- Essa que está latindo? (latido)

F- É.

I- Como é o nome dela?



I- Pepita. Pepita ("la bamba.") (inint.)

E- Eu estou falando (inint) à beça.

I- A cachorra não está gostando nem um pouco (est) (risos f) da conversa. (est) (f)

F- Não, ela não...

E- Você gosta mais de cachorro ou de gato?

F- Ah! Eu adoro cachorro. (f)

E- Ah, é?

F- É. Eu gosto mais de cachorro, ("do que") gato. Apesar que eu não gostava de gato, não é? Eu criei minha gatinha siamesa, não é? Desde pequenininha, mas agora eu tenho um gatinho, que é filha dela.

E- Ah, tem filho dela?

F- É, eu tenho um filhinho dela. É vira lata. (est)

I- E como é que eles se relacionam, esse cachorro [e um gato]- e um gato? (vozes no fundo)

F- Eles não se dão muito bem, não é? Apesar que o gato não faz nada com ela, mas ela pega o gato, brinca, não é? Mas- (inint) se dão bem. Então, a gente briga, não é? "Não Pepita, não faz isso com o gatinho-" aí a - ela acaba- quando a gente abre a porta, de manhã, o gato está deitado em cima da barriga dela, ela está lambendo. (grito no fundo) é [como]- como um filhinho, não é? Para ela, um bonequinho, às vezes. (f)

E- E [o]- o seu vizinho não reclama do gato? Esse gato não briga com...

F- Não, porque esse gato, a gente.... como eu disse, não é? A gente tampou tudo, ele não tem um modo para passar para lá, não é? E ele não reclama não.(est) Apesar que ele também não passa o dia aí, não é? A gente evita de deixar o gato ir para lá. (est)


E- É fogo, ("não é?") essas coisas são tão chatas, [não é?]

F- [(inint) chata] à beça.

E- É muito desagradável. Mas o- eu queria te fazer uma outra pergunta ainda, em relação (buzina) a- ao - ("o") ensino de português, está? Você é obrigada a ler livros, na escola?

F- É, praticamente é. Porque uma: quando uma professora, ela dá um livro para uma pessoa ler, ela dá um tempo limitado, não é? A gente é obrigado, não é? Gostando ou não, a gente tem que ler aquele livro. Apesar disso, eu já li vários livros. Assim não sendo de escola, não é? (est) Romance, adoro romance e ficção científica. (est)

E- Diga aí, (vozes no fundo) um desses livros que você tenha lido.

F- Olha, romance, "Olhai os lírios do campo," como foi uma novela, não é?(est) E ficção científica o ("Scárion") é um crime que acontece- que eu acho que ficção científica, (hes) (inint) maior suspense! Não é? Até o final, e eu gosto desse tipo de livro assim.

E- E como é que é a estória?

F- Era um cientista, não é? Que ele criava ("um") escaravelho, então esse escaravelho estava dando muito prejuízo a vizinhança, sabe? A vizinhança que cercava, não é? (est) Então esse escaravelho matou várias pessoas e matando várias pessoas [ele nunca]- ele nunca queria dizer que era o escaravelho, não é? Ele dizia que era [um]- um moço que vivia no fundo da casa dele, um velhote já. E acabou o livro dizendo que matou (hes) quase a vizinhança inteira, não é? O escaravelho e o- a polícia, não é? descobrindo, (hes) botaram um detetive. [a]- a (hes) vizinha que tinha na frente da casa dele botou um detetive, ("dizendo") que não era o velhote que morava no final da casa dele, era o escaravelho que ele criava. E ele pegou uma pena, porque não pode criar animais, não é? (hes) ("mais ou menos nesse") tipo, não é? E ele pegou uma pena e- - ele acaba morrendo no final, (est) e o escaravelho também. (est) E o velhote acaba com a riqueza que ele tinha. (est) Que eu acho que era [um avô]- um avô (hes) que tinha deixado para ele, um avô materno. (ruído de carro)

E- Bonita a estória, não é?

I- Como é o nome do livro?

F- Scárion. (voz de um homem)

E- Como é o nome do autor? Eu conheço [(inint.)]

F- [É o ("Itali ").]

E- E que mais que você gosta de ler? Diga aí.

I- (inint?)

I- Obrigado, heim.

F- O que eu gosto de ler? Ah! É só esses dois, romance e Scárion.(est) E ficção científica.

I- Mas você terminou não dizendo porque... que não gostava muito de língua portuguesa.

F- Ah, [eu].... eu não... nunca gostei de português nem de matemática e (carro) eu - sei lá [eu acho]- eu acho que tem que dar mais incentivo, não ? (hes) Dos jovens que- (hes) dos- estudando, não é? Tem que dar - maior incentivo para- pode ser, que eu acho que ainda tem gente que não gosta da língua portuguesa, não é? Eu não suporto língua portuguesa. E tem que dar maior incentivo àqueles que não gostam para que aprenda, não é?

E- E o que que você acha que a gente devia ensinar então nas escolas, em relação a língua portuguesa? Que que a gente devia dar mais ênfase?

F- A professora, dar maior atenção ao aluno na matéria que ele está mais fraca. Que eu acho que, quando um aluno está fraco, a professora sabe... a professora tem que dar maior- é maior atenção àquele aluno. Porque as professora de hoje em dia, ("sabe") o aluno está ou não fraco, não é? (hes) A professora não está nem aí. Acha que ("o")aluno tem que se virar por ele mesmo. Lá no Rainha é assim. Para o ... se uma pessoa está fraca, pessoa tem que se esforçar por si mesmo, e não o professor que fica ensinando. (risos no fundo da fita) Professor ensina uma vez, e você tem que se virar. Apesar que no vestibular, não é? Diz que em faculdade também são assim... eu acho que eles estão ensinando já desde agora, não sei, o("método") deles. (est)

E- Mas você acha que é importante para um profissional saber falar bem?

F- Ah, eu acho! Que um profissional, ("sabe"), não falando direito, não é? Eu acho que metade da carreira dele eu acho que não está com nada. Acho que é bem importante uma pessoa... Ah, eu acho lindo uma pessoa que fala bonito, uma pessoa que fala bem, sabe? (hes) Acho bonito à beça. (vozes no fundo)

I- ("O que é falar") bonito, hein?

F- Ah, falar correto, sabe? Falar - não sei, ("eu") não sei falar assim, é falar bem correto, como (hes) os jornalistas fala, não é? Bem correto, bem exemplificado. (gargalhadas no fundo) Eu gosto.

E- Seu professor de português fala bonito?

F- Não. Ele não... é uma professora, ela não tem muito diálogo com a gente, sabe? Ela não tem, e acho que por isso, não é? Que não dá incentivo ao aluno. Ele já não gosta, não é? O professor ainda fica.... não dá... não conversa com a gente- eu acho que- não gosto mesmo. (est)

E- Ela dá redação nas aulas, coisas assim?

F- Não, ela não dá redação. (hes) Como ela faz, não é? Ela chega na sala, dá dever, a gente tem que fazer, ela explica, não é? Explicar, até que ela explica legalzinho, mas eu não gosto, mesmo assim eu não gosto mesmo. (est)

E- E você acha, que assim... você percebe uma maneira diferente [da]- da sua mãe falar diferente de você, por exemplo? (gargalhadas no fundo)

F- Percebo. Às vezes, não é questão dela querer falar certo ou correto, não é? Que às vez a - até a gente fala como: "entrar para dentro," não é? Às vez ela fala. (est) ("a gente fala:") "não mãe, não sei o quê".(hes) Às vez eu vejo que ela fica chateada-

I- Posso fechar a janela?

F- Pode. Às vez eu acho que ela fica chateada, não é? Mas o ... porque, às vezes, quando pode ser, não é? Sei lá- (est) ela falar assim errado. Entre nós tudo bem, não é? Entre a família, eu acho que tudo bem, mas tem pessoas que ignoram, a pessoa falar errado. (est)

E- E você acha que há sotaque diferente, da sua mãe? Ela tem sotaque diferente de você?

F- Tem. Ah, eu acho que tem! Eu acho que o sotaque dela cearense, sabe? Não larga ela mesmo.

E- Você sabe imitar?

F- Não, não. Eu acho que só ela mesmo.(risos do f)

E- E você acha que teria assim uma... um sotaque que é melhor do que o outro? Por exemplo, você poderia dizer que o sotaque carioca é melhor do que o cearense ou do que o paulista? O paulista é melhor do que o carioca... você acha isso?

F- Não. Eu acho que tudo ("vem") da nacionalidade, não é? Que o cearense vem mais aquele sotaque muito forte, não é? O paulista é mais no s, não é? (est) O carioca quer falar tudo correto. Não é? (est) Eu acho que tudo vem- cada país, cada- territoriozinho, não é? Tem um sotaquezinho. Acho que não adianta nada a gente corrigir, não é? Porque não vai adiantar nada. (est)

I- Você acha então que o carioca é o que fala mais correto no Brasil?

F- É, o carioca, eu acho que o carioca tenta falar correto, não é? (est) Acho que ele [não]- não fala muito não.

I- [Não fala muito.]

E- [(inint.)]

F- Não. (risos f)

E- E assim, você acha que os mais velhos falam mais correto que os mais jovens?

F- Às vezes. Às vez eles falam, porque uma pessoa mais velha, acho que ela quer mostrar um bom exemplo, não é para juventude. Talvez ela pode tentar falar mais correto, não é? Para mostrar, não é? Como eu ("vejo") (hes) os exemplo do meus avós. Eles tentam falar bem correto, não é? Para mostrar as neta, não é? Os netos, não é? (hes) ("aquele") Exemplo que eles seguiam, não sei, dos pais, talvez. (est) É, eu [acho que é]- acho que é isso sim.

E- É, porque tem muita gente que diz que os jovens falam errado. Você concorda com isso?

F- Bom, pode ser que.... há uma mistura com a gíria, não é? Porque os jovens agora estão usando bastante gíria. Não é? "Oi cara..." que não sei o quê. "Está bacana." É [está]- está sendo um linguajar, não é? Como minha professora diz, está um linguajar meio forçado na língua . E eu acho que isso não tem nada a ver não. Negócio de classe também, acho que a gíria está entrando tanto no rico como nos pobre, tudo, e classe eu acho que não tem nada a ver não. (est)

E- Mas você acha que as pessoas mais ricas, elas falam da maneira diferente das pessoas mais pobres?

F- ...Às vez- não, acho que não. Pode ser que uma pessoa rica- como a gente vê, não é? A pessoa rica não está nem aí, não quer se vestir legal, porque, às vez um pobre, não é? Fazer tudo para vestir bacana, para se mostrar, não é? Que é melhor, superior. E o rico não. O rico não está nem aí. Ele não está nem aí. Veste de qualquer maneira, bota um tênis, uma calça, calça Lee surrada, ele não está nem aí. Agora tem rico ("que") não, que tem ricos que conservam a sua riqueza até o final. (est) É, sei lá. (riso f)

E- Então, vamos falar de outra coisa. Aconteceu aí uma eleição, não é? Segunda- feira... você não votou, mas se você tivesse idade para votar, em quem que você votaria?

F- Ah, eu votaria no Lysaneas, (tomou fôlego) porque está.... coitado do Lysaneas, não é? A gente só via Brizola, Miro, p... PMDB, PTB, Sandra, não é? E o Lysaneas a gente pouco se vê falar no Lysaneas. Apesar - dizer que ele ser.... é pobre, não é? E eu votaria no Lysaneas, porque a gente não vê quase comício dele, é (hes) o nome dele não se vê. Apesar que ele está em último lugar, não é? [quem está]- quem está ganhando é o Brizola, não é? (est) e-



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